Caixa de Correio #46 - A última do ano

31 de dezembro de 2015

 Dezembro, mês da festança e das gordices, mas é o mês mais corrido e desesperador da minha vida, e o desse ano foi o mais tenso de todos. Enquanto o rango da ceia de ano novo tá alí prestes a ser preparado, aproveitei a brecha pra vir aqui correndo montar a caixa. Esse mês, justamente por causa da correria e da gastança não comprei livro nenhum (aleluia). Aniversário da Vivi e Natal (que são no mesmo dia) me fizeram gastar horrores e nem pude trabalhar esse mês já que ou eu trabalhava com os lays ou me dedicava aos preparativos que me tomaram muuuito tempo já que fiz tudo sozinha. Tem coisa mais triste que não poder trabalhar logo no mês que a gente mais precisa de dinheiro? Jesus... Mas não posso negar que a carinha de felicidade da Vivi por ter amado a festinha de Cinderela dela valeu a pena (graças a Deus é uma vez por ano rsrsrs).
Por isso o blog ficou desfalcado de postagens e agora que as comemorações passaram é que to correndo pra recuperar o tempo perdido, tapando os buracos e colocando o que posso em dia.
Enfim, bora ver o que chegou? Teve cortesia e teve livro lindo de amigo secreto ♥
Espiem!

O Nome da Estrela - Maureen Johnson

27 de dezembro de 2015

Título: O Nome da Estrela - Sombras de Londres #1
Autora: Maureen Johnson
Editora: Fantástica/Rocco
Gênero: Suspense/Thriller/Sobrenatural
Ano: 2015
Páginas: 304
Nota: ★★★☆☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: No mesmo dia em que o primeiro de uma série de assassinatos brutais acontece em Londres, a norte-americana Rory Deveaux chega à cidade para começar uma nova vida em um colégio interno. Os crimes hediondos parecem imitar as atrocidades de Jack, o Estripador, praticadas há mais de um século. Logo a febre do Estripador toma conta das ruas de Londres, e a polícia fica desconcertada com as poucas pistas e a ausência de testemunhas. Exceto uma. Rory viu o principal suspeito no terreno da escola. Mas ela é a única pessoa que o viu – a única que consegue vê-lo. E agora, Rory se tornou seu próximo alvo. Neste thriller envolvente, cheio de suspense e romance, Rory descobre a verdade sobre suas novas e chocantes habilidades e os segredos das Sombras de Londres.

Resenha: O Nome da Estrela, primeiro volume da série Sombras de Londres, é um suspense juvenil escrito pela autora Maaureen Johnson e publicado pelo selo Fantástica, da Editora Rocco.

Aurora Deveaux, ou Rory, é uma adolescente americana que sai do interior de Louisiana e chega a Londres para se alojar e estudar num colégio interno pelo período de um ano. Porém, no dia de sua chegada, ela descobre que há um assassino à solta que parece estar seguindo os mesmos passos de Jack, o Estripador, já que sua primeira vítima foi esquartejada da mesma maneira que Jack fazia em 1888. Londres está em polvorosa pois ninguém consegue descobrir quem está cometendo todas essas atrocidades.
Sem testemunhas e sem pistas, a polícia fica de mãos atadas, até Rory ver o suspeito na propriedade da escola e se tornar uma testemunha. Então, ao cruzar o caminho deste brutal assassino, Rory se vê forçada a tentar resolver os crimes já que parece ser a única que consegue vê-lo, mas corre perigo ao se tornar seu próximo alvo...

Não nego que a premissa promete bastante, mas achei que a autora se perdeu em meio a uma escrita um tanto quanto rasa para só dar um gás e surpreender ao fim. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista da protagonista e podemos acompanhar como é sua descoberta para um dom do qual ela desconhecia ter: ela consegue ver fantasmas e logo se dá conta de que o assassino se encaixa nesse "perfil".
A autora conseguiu incorporar bem alguns elementos e detalhes dos crimes na história, mas não achei que nada foi aterrorizante o bastante pra causar medo. Há surpresas, sim, mas o ritmo lento no início com tudo minimamente detalhado acaba tirando um pouco da empolgação com a leitura, principalmente quando a impressão que fica é que os pesonagens parecem estar impedidos de participar de tudo o que acontece e a ação dá lugar a muita conversa, a maioria descartável.
Um ponto legal, mas que acaba lembrando muito o universo de Harry Potter, é a questão da escola e da convivência de Rory com seus novos amigos. É tudo bastante natural, principalmente por Rory ser uma adolescente e se comporta exatamente como uma, com o diferencial de que, a partir do momento em que descobre seu dom de poder ver fantasmas, ela vai levando a vida como pode enquanto lida com esse pequeno novo detalhe. Tais fatores colaboraram para que a história ficasse mais fluída e menos cansativa.
Não espere por um romance meloso e inesquecível. Há toques de romance no ar, não nego, mas o foco é a habilidade de Rory que acaba sendo útil na investigação dos crimes terríveis, e é isso que fez com que o livro me agradasse mais já que ando meio saturada de romances juvenis.
Os personagens não me marcaram e fiquei na dúvida se eles realmente não são nada interessantes de propósito ou se foi a autora que não soube construí-los muito bem a ponto de despertar minha simpatia.

Não achei muito legal a ideia de Rory ter pais tão ausentes e despreocupados em deixá-la na escola enquanto assassinatos aconteciam ao redor do lugar. Isso me soou um tanto absurdo, assim como outras situações envolvendo a polícia de Londres e a parte que envolve as questões sobrenaturais da história (que prefiro não mencionar já que é um spoiler enorme). Só posso dizer que o que motiva o assassino a cometer crimes, pra mim, não fez sentido nenhum.

A capa do livro é bem caprichada, com respingos de "sangue" em verniz sobre a capa aveludada. A diagramação também é uma graça pois a cada início de capítulo o texto fica entre uma moldura com ornamentos. As páginas são amarelas e não percebi erros na revisão.

O livro deixa um gancho para uma sequência, mas pode ser encarado como livro único já que, de forma geral, é bem fechado. O caso se encerra e acho que se alguém não gostar da leitura ou não tiver a curiosidade atiçada não vai ficar com a ideia de necessidade da continuação para saber o que mais poderá acontecer.
O Nome da Estrela não é ruim, só é preciso insistir um pouco até que as coisas legais comecem a acontecer. Pelo toque juvenil e escolar, por mais que tenha suspense, pode ser lido tranquilamente por leitores mais jovens que queiram se deparar com algumas mortes sangrentas a serem investigadas...


Sobrenatural - Paige McKenzie

26 de dezembro de 2015

Título: Sobrenatural - The Haunting of Sunshine Girl #1
Autora: Paige McKenzie e Alyssa Sheinmel
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Suspense/Terror/Mistério/YA
Ano: 2015
Páginas: 304
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Aos 16 anos, Paige Mckenzie criou, produziu e estrelou uma série no YouTube que virou um hit na internet e ganhou milhões de seguidores em seu canal The Haunting of Sunshine Girl. Primeiro livro da websérie de sucesso, que também será adaptada para o cinema, Sobrenatural – The Haunting of Sunshine Girl chega ao Brasil pelo selo Fábrica231. Escrito em parceria com Alyssa Sheinmel, o livro conta a história de Sunshine, uma garota de 16 anos que se muda com a mãe da ensolarada Austin, no Texas, para a chuvosa Ridgemont, no estado de Washington. Mas a poeira e o aspecto sombrio do lugar logo se tornam os menores dos problemas de Sunshine. Vozes no meio da noite, portas se fechando sozinhas, risadas... aos poucos a garota percebe que ela e sua mãe correm sérios riscos ali. E ela terá que encarar seus maiores medos antes que seja tarde demais.

Resenha: The Haunting of Sunshine Girl é uma websérie no Youtube criada, produzida e estrelada pela adolescente Paige McKenzie e que, devido ao sucesso que teve, acabou virando livro ao ter tido sua essência captada pela escritora Alyssa Sheinmel.

Quando a mãe de Sunshine recebe uma nova proposta de emprego para trabalhar como enfermeira-chefe num hospital na chuvosa cidade de Riggemont, em Washington, ela não pensa duas vezes em aceitar. Ela mal teve tempo de procurar saber como a filha se sentiria com a ideia de deixar a cidade de Austin, no Texas, um lugar ensolarado onde ela morou desde que nasceu, para ir para outro tão longe e diferente do qual elas estavam acostumadas. A casa alugada pela internet não fora visitada com antecedência já que tudo foi feito às pressas, e, logo que se mudaram, Sunshine percebeu que havia algo estranho no ar, algo que ia além da poeira e do aspecto sombrio, frio e úmido da casa.
Ao começar a ouvir passos, vozes, choros e risadas, objetos flutuantes e portas que se fecham sozinhas, a garota, aos poucos, se dá conta de que sua mãe, que antes era amorosa e carinhosa, começa a ficar cada vez mais alheia e distante, até tudo começar a ficar mais claro quando Sunshine conhece e se aproxima de Nolan, um garoto da escola. Com a ajuda dele, Sunshine começa a entender que o que anda acontecendo não é coisa de sua cabeça, a história que há por trás dos espíritos em sua casa existe e o destino dela é algo do qual ela não pode fugir...

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Sunshine, mas também podemos acompanhar um segundo narrador misterioso que desde o começo sente e observa a garota.
A escrita é muito fluída e, por mais que o começo do livro seja um pouco cansativo, já que é toma um bom espaço para falar mais sobre os gostos de Sunshine, com várias conversas e tudo mais, realmente prende o leitor devido ao ótimo desenvolvimento. As situações de mistério que remetem ao suspense e ao terror são bem descritas e causam uma baita ansiedade por serem incômodas para aqueles que têm medo quando o assunto é sobrenatural, mas nada que nos faça sair acendendo todas as luzes da casa no meio da noite com medo do capeta aparecer e puxar nosso pé... não... A coisa realmente prende pela forma como é contada sem causar pavor e desespero. A ordem dos fatos tem grande influência das situações, e cada uma delas é explicada de forma plausível para que a história se encaixe.

Eu gostei da construção dos personagens e a forma como são autênticos e convincentes em suas atitudes. Sunshine é uma boa menina, preocupada com o próximo e, às vezes, até se põe em segundo lugar em nome da felicidade de quem ama. Ela é diferente das demais adolescentes pelas coisas que curte já que seu gosto pessoal é bastante peculiar. Eu também gostei da forma como a relação com a mãe foi exposta, principalmente por ela ter sido adotada.
Nolan ganha espaço aos poucos. Ele ajuda Sunshine e desvendar os mistérios que cercam a casa, já que é o único que acredita nela por causa do seu passado. Um passado que ainda faz parte de sua vida e que faz com que ele tenha grande importância nesse papel de ajudar a garota. Ele acaba se revelando alguém admirável e não é a toa que o leve toque de romance parta daí. Gostei da personalidade dele, pois além de nerd ele é bastante descolado.

Sobrenatural é um livro cheio de mistérios, que remete ao horror com maestria e sutileza fazendo com que o a história como um todo seja bastante agradável e surpreendente em vez de ser aterrorizante, já que toda aquela fantasia obscura é bastante intrigante e inteligente. Uma excelente leitura que, embora gire em torno do sobrenatural, aborda a essência humana e a forma como as pessoas lidam com o novo ou com a perda, além de trabalhar a atmosfera familiar entre mãe e filha de uma forma muito satisfatória. Pra quem curte o gênero, vale a leitura!


O Círculo - Dave Eggers

24 de dezembro de 2015

Título: O Círculo
Autor: Dave Eggers
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Ficção/Suspense/Thriller
Ano: 2014
Páginas: 522
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: O Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma
identidade on-line única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência.
Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura arrojada quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamorosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante. O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano. 

Resenha: Louca pela temática trazida por este livro, eu embarquei em uma viagem ao mundo das redes sociais e da ausência de privacidade que caminha com elas. A cada página eu ficava ainda mais chocada com a proximidade da realidade de fatos narrados.
Imagine-se trabalhando em uma das maiores corporações de tecnologia social do mundo... Imaginou? Pois bem, Mae, a personagem principal desta obra conseguiu seu tão sonhado espaço na empresa "O Círculo" que comanda todas as redes sociais, sites e os interliga sob o princípio básico da transparência. Sim, Imagine Google, Facebook, Instagram, Twitter sob um mesmo comando e totalmente interligados, assustador não?!

Mae que tanto sonhou em sair de seu cargo público agora faz o atendimento ao cliente da empresa, com uma meta de 100% de eficiência na resolução das questões trazidas pelos usuários. Essas metas resolvidas através do conhecimento geral de dados particulares dos clientes envolvem e obrigam Mae a cada vez se ver mais e mais envolvida nestes projetos e programas da corporação.
A partir daí inevitável o questionamento da protagonista, enquanto ser humano, das reais intenções e do sigilo das informações alí compartilhadas. O que você faria quando não é mais possível deletar informações? Quando privacidade é confundida com segredo e este significa mentir?
Sem ler você não saberá da profundidade destes questionamentos que me fiz, não entenderá quando um amigo diminuir ou se ausentar das redes sociais, sem ler, você se envolverá, até não conseguir mais sair deste círculo!

Este é um dos livros mais intrigantes e psicologicamente assustadores que já li neste ano. Fui arrebatada pela idéia da quebra de privacidade causada pela internet dos dias atuais e da proximidade com a realidade da exposição das redes sociais de nossa juventude. Ao terminar de ler, sentei no sofá e me peguei contemplando o horizonte pela janela por horas pensando na feiura desta maravilha chamada internet.

Sou apaixonada por livros que me fazem pensar e "aplicar" sua ideologia em minha vida. Este livro me tocou em particular por conta do uso exagerado e desregrado do Facebook, onde a cada dia se adiciona mais e mais ferramentas capazes de tornar público cada ato, cada passo, cada pensamento de seus usuários, sabemos onde estão comendo, o que estão assistindo, ouvindo, fazendo.
Me assustei e recuei quando percebi que estava sendo manipulada a compartilhar momentos privados de meu dia a dia através de um "convite inocente" da rede ("O que você gostaria de escrever agora?" "O que você está fazendo? sentindo? ouvindo? etc"). Decidida e definitivamente me vi desintoxicada dessa necessidade de selfies, compartilhamentos e claro, curtidas, porque sem aprovação geral, para que postar?

O uso das redes é completamente grátis, exigindo-se tão somente interação. Em excesso. sempre. O que assusta é a naturalidade dessa "interação" em excesso. Qualquer incidência é mera coincidência.
Meu único problema com o livro foi a personagem principal que foi, até a metade do livro, extremamente insossa, não me cativando e não me fazendo entender suas motivações, escondendo-se na grandiosidade da empresa que lhe foi apresentada. Fui além do choque cultural, inerente da literatura estrangeira, eu realmente tentei me colocar no lugar dela e percebi que agiria de forma completamente diferente e isso desanima um pouco a leitura.

Mae estava mergulhada em um enredo riquíssimo abordando a conectividade em excesso, o compartilhamento em excesso e a constate "vigilância" que intencionalmente era vendida como transparência pela empresa e permaneceu inerte, é desanimador, se não fosse pelo enredo em si.
Ainda assim, o que me fez gostar do livro foi sua capacidade de retratar algumas situações que vivemos e nos fazer questionar o futuro da privacidade em um mundo que possui tantas redes sociais e em como são reais as pretensões das empresas em liderar através de suas ferramentas interativas e conexas, fazendo com que você use indefinidamente seus produtos.

Eggers não pretende agradar com o final que escolheu para seu livro. Sinceramente, acho que o ser humano não está caminhando para nada diferente deste final. Vale lembrar o alerta trazido pelo autor, ainda que não seja para extirpar a interação social pela internet, que seja para nos fazer pensar sobre seu uso demasiadamente irrestrito.
Curti e super recomendo!

Doce Perdão - Lori Nelson Spielman

23 de dezembro de 2015

Título: Doce Perdão
Autora: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus
Gênero: Romance
Ano: 2015
Páginas: 322
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre.

Resenha: Doce Perdão, escrito pela autora Lori Nelson Spielman (a mesma de A Lista de Brett) e publicado no Brasil pela Verus, traz a história de Hannah Farr, de trinta e quatro anos. Ela namora Michael Payne, o prefeito da cidade, apresenta um programa de TV e isso a tornou uma celebridade local da cidade de New Orleans. Tudo parecia certo em sua vida, mas duas pedras mudariam tudo...
As Pedras do Perdão viraram moda no país. A ideia é enviar à pessoa magoada duas pedras e uma carta com um pedido sincero de desculpas. Dessa forma, se a pessoa enviar uma pedra de volta, é porque houve o perdão. As pedras se tornaram uma ótima prática para aqueles que esperavam se libertar de erros ou do peso da culpa por algo de mal que fizeram...

Eis que Hannah recebe as Pedras do Perdão de uma antiga colega de escola, Fiona Knowles, que inclusive criou a corrente, e quando decide o que fazer, dois anos depois de tê-las recebido, seu passado vem à tona. Ela reavalia tudo o que viveu, assim como sua vida atual no que diz respeito ao seu relacionamento com Michael e sobre quem ela se tornou. Hannah resolve ir de encontro a um passado cheio de rachaduras e feridas mas, a medida que avança em suas descobertas e reflexões, passa a se questionar se tudo o que acreditou ter arruinado sua família realmente condiz com a realidade. Logo não cabe somente a Fiona um pedido de perdão...

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Hannah, o que permite que o leitor fique limitado aos pensamentos, sentimentos e à versão dos fatos que ela acredita ou que foi levada a acreditar... Logo os demais personagens não são tão aprofundados. A escrita da autora é carregada de sensibilidade e sutilezas, e isso faz com que a leitura seja bastante rápida e gostosa quando começa a fluir. Apesar da história demorar a engatar, soar previsível e possuir alguns pontos dos quais não gostei do modo como foram desenvolvidos, o final foi bastante inesperado e positivo pra mim. Vamos acompanhando a protagonista que, num primeiro momento, não revela todos os detalhes de sua vida, mas sim de forma gradual, o que acaba instigando o leitor a querer saber mais sobre o que ela esconde e o que se passou. Ela se vê numa situação bastante delicada, não só pelo fato de ter recebido as pedras de Fiona, mas pela questão profissional, amorosa e familiar também.

Percebi que Hannah vivia com uma certa insegurança após ter se decepcionado com o ex-noivo e o que ela queria era estabilidade, tanto profissional quanto no relacionamento amoroso, e isso a manteve numa zona de conforto. O problema era que somente ela parecia não conseguir enxergar que o relacionamento não era nada daquilo que ela tanto buscava e não tinha futoro algum, assim como outras coisas que ela mantinha apenas pelo comodismo. Ela só fez algo pra mudar quando se sentiu ameaçada, mas ainda é relutante e teimosa quando sua convicção não permite que ela veja além da verdade. Fica a lição de que, às vezes, para nos reencontrarmos como pessoas, é preciso arriscar e abrir mão daquilo ou de quem nos apegamos, independente de ser algo que faz parte da rotina ou que dê impressão de segurança. Durante todo o processo Hannah tem ajuda de amigas que são verdadeiras companheiras, mas também topa com pessoas que não estão alí pra apoiá-la em nada, além de descobrir que outras não são exatamente quem ela pensou que fossem, como acontece na vida.

A capa do livro é uma graça e parece ter sido criada nesse estilo para combinar com a capa de "A Lista de Brett". A diagramação é simples, a fonte tem um tamanho normal e as páginas são amarelas.

Doce Perdão traz uma história muito bonita e envolvente sobre relações familiares conturbadas, relacionamentos abusivos, ambição e segundas chances, e faz com que seja possível refletir sobre perdoar e ser perdoado, e como ficar livre desse peso é libertador. O final deixa aquela sensação gostosa de felicidade e um sorrisinho no canto da boca típicos de livros que vêm pra deixar uma grande mensagem, mas a mais importante de todas é que somente teremos alegria no futuro se estivermos em paz com nosso passado.

Felizes Para Sempre - Kiera Cass

22 de dezembro de 2015

Título: Felizes Para Sempre - Antologia de Contos da Seleção
Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Gênero: Contos/Juvenil
Ano: 2015
Páginas: 446
Nota: ★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Esta coletânea traz os contos A rainha, O príncipe, O guarda e A favorita ilustrados e com introduções de Kiera Cass. Conheça o príncipe Maxon antes de ele se apaixonar por America, e a rainha Amberly antes de ser escolhida por Clarkson. Veja a Seleção através dos olhos de um guarda que perdeu seu primeiro amor e de uma Selecionada que se apaixonou pelo garoto errado.
Você encontrará, ainda, cenas inéditas da série narradas pelos pontos de vista de Celeste e Lucy, um texto contando o que aconteceu com as outras Selecionadas depois do fim da competição e um trecho exclusivo de A sereia, o novo romance de Kiera Cass. Este é um livro essencial para os fãs de A Seleção, que poderão mergulhar mais nesse universo tão apaixonante.

Resenha: Felizes Para Sempre é uma coletânea que reune todos os contos do universo da Seleção, criados pela autora Kiera Cass e vários extras exclusivos.
Além dos contos já publicados em e-book, O príncipe (versão extendida), O Guarda, A Favorita e A Rainha, podemos conferir Cenas de Celeste, A Criada, um epílogo bônus que vem depois de A Escolha e um pouco sobre o que aconteceu com algumas das selecionadas. O mais legal é que o livro tem uma introdução escrita por Kiera para cada conto e várias ilustrações lindas que fazem do livro um item de colecionador essencial para os fãs! Podemos também conferir o mapa de Illea e o primeiro capítulo do novo livro da autora que será lançado em 2016, A Sereia!

Alguns contos possuem spoilers dos livros da série! Recomendo que quem ainda não leu A Elite e A Escolha, segundo e terceiro livros da série, leia somente os contos A Rainha e O Príncipe.

A Rainha é um conto que transporta o leitor ao passado e mostra como foi o processo de seleção em que Clarkson ainda era príncipe e escolheria sua futura esposa. A história é contada pelo ponto de vista de Amberly, que na época era da casta três, e podemos saber como a seleção foi difícil e o quanto ela sofreu, seja por sempre passar mal devido as condições do clima do lugar onde vivia antes de ir pro palácio, e até pela saudade que sentia da família. Eu gostei bastante do conto e da forma como ela foi escolhida pois Amberly já demonstrava força e sabedoria desde muito jovem, mesmo quando estava frágil, e foi bastante satisfatório saber que é uma caracteristica que ela levou para a vida.

Em O Príncipe podemos acompanhar os sentimentos de Maxon e seus conflitos quando a Seleção começou, além do momento em que ele enfrenta o pai para que America permanecesse no palácio.
Pela narrativa ser em primeira pessoa, é muito legal acompanharmos a versão do príncipe e suas impressões sobre o grande passo que daria em sua vida.

O Guarda é um conto que deve ser lido depois do livro A Elite a fim de evitar spoilers, pois ele nos dá o ponto de vista de Aspen quando ele se torna um guarda real do palácio. Através dele podemos conhecer um pouco sobre o funcionamento do palácio e os empregados que trabalham lá, e claro, sobre seus conflitos por ainda gostar de America. Como sou #TeamAspen, sou suspeita pra falar o quanto foi gratificante estar na cabeça deste personagem de bom caráter, tão querido e cheio de valores morais.

A Favorita é o conto de uma das personagens que mais me emocionaram na série, Marlee. Ele fala dos momentos que antecederam o açoitamento que ela e Carter, o guarda por quem ela se apaixonou, foram condenados após terem sido descobertos. Sua narrativa possui flashbacks de alguns momentos da Seleção, o que permite que tenhamos uma visão maior sobre como tudo aconteceu e porque ela e Maxon não tinham afinidade.
O título do conto não poderia ser mais adequado visto que Marlee, depois de tudo o que precisou enfrentar em nome de seu amor por Carter e por ser tão amiga de America, se tornou a personagem favorita de muitos! Nem preciso dizer que o conto me fez chorar litros e foi o meu favorito...

As Cenas de Celeste são curtas e rápidas e mostram o momento em que ela parte rumo ao palácio, o primeiro beijo dela em Maxon e quando ela é mandada embora. Celeste era a maior rival de America na Seleção e foi odiada por muitos por sempre jogar sujo e ser intragável, mas eu até que passei a gostar da moça, confesso, principalmente quando ela reconhece que agia errado na maioria das vezes...

A Criada, embora bem curtinho, foi um dos contos que mais esperei, pois como já mencionei nas resenhas anteriores, sempre torci para que Aspen encontrasse o amor em outra pessoa. Poder saber um pouco sobre como Lucy e Aspen decidiram ficar juntos e assumirem que se amavam foi muito gratificante, mesmo que Lucy tenha ficado abalada quando descobriu que America foi o primeiro amor dele. Foi muito bacana poder saber através do ponto de vista dela que, embora seja muito insegura, ela poderia confiar que Aspen cuidaria dela e a amaria de todo o coração.

O epílogo bônus Depois de A Escolha fala sobre a emoção de Maxon que em seu aniversário recebe o maior presente de todos: A notícia de que America estava grávida.

Por onde elas andam? mostra o destino de três selecionadas após o fim da Seleção: Kriss Ambers, que ficou em segundo lugar na seleção, Natalie Luca, que foi dispensada após ter perdido a irmã e Elise Whiks, a selecionada que participou da Seleção vinda da Nova Ásia por motivos políticos.

Uma pequena observação: O livro Contos da Seleção, já resenhado no blog, traz os contos O Príncipe e O Guarda que compõe os contos deste. A diferença é que ele traz uma entrevista com a autora, a árvore genealógica dos personagens principais (Maxon, America e Aspen) e o nome de todas as selecionadas. Apesar de os contos serem os mesmos, estes extras mencionados não fazem parte de Felizes Para Sempre.

Em suma, o livro é perfeito para aqueles que querem saber um pouco mais dos personagens que fazem parte do universo da Seleção. O que mais me impressionou é que Kiera parece ter dado vida aos personagens, como se eles pudessem sair do papel, pois ela conta fatos sobre cada um deles, sendo protagonistas ou coadjuvantes, como se realmente fosse algo real. O passado está lá, assim como o destino de cada um. O brilhantismo da autora em criar uma trama convincente que mescla conto de fadas com distopia e questões políticas não tem limites, e não ficaria surpresa se ela escrevesse mais livros sobre todos eles. Conteúdo não iria faltar, tenho certeza.

Infinito + Um - Amy Harmon

21 de dezembro de 2015

Título: Infinito + Um
Autora: Amy Harmon
Editora: Verus
Gênero: New Adult
Ano: 2015
Páginas: 336
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Quando duas pessoas se tornam aliadas improváveis e foras da lei quase sem querer, como podem vencer todos os desafios?
Bonnie Rae Shelby é uma estrela da música. Ela é rica, linda e incrivelmente famosa. E quer morrer.
Finn Clyde é um zé-ninguém. Ele é sensível, brilhante e absurdamente cínico. E tudo o que ele quer é uma chance na vida.
Estranhas circunstâncias juntam o garoto que quer esquecer o passado e a garota que não consegue enfrentar o futuro. Tendo o mundo contra eles, esses dois jovens, tão diferentes um do outro, embarcam numa viagem alucinante que não só vai mudar a vida de ambos, como pode até lhes custar a vida.
Infinito + um é uma história sobre fama e fortuna, sobre privilégios e injustiças, sobre encontrar um amigo por trás da máscara de um estranho - e sobre descobrir o amor nos lugares mais inusitados.

Resenha: Intifito + Um, escrito pela autora Amy Harmon e publicado no Brasil pela Verus, conta a história de Bonnie Rae Shelby, um fenômeno da música country que foi vencedora do reality show musical Nashville Forever. Aos vinte e um anos, a garota soma diversos prêmios e discos vendidos em sua carreira. Por fora, Bonnie Rae é puro glamour, tudo para agradar sua avó, mas por dentro ela está sofrendo. Há menos de um ano, sua irmã gêmea, Minnie Mae, morreu de leucemia e desde então Bonnie sente que está incompleta e tudo que deseja é morrer.
Assim, após um show emotivo no TD Garden, Bonnie decide fugir de sua comitiva e andar pelas ruas de Boston, levando consigo apenas a bolsa da avó, até encontrar uma ponte, de onde está determinada a pular e acabar de vez com seu sofrimento. E é aí que sua vida vira de cabeça para baixo.
Enquanto está lá no alto, Bonnie repensa toda sua vida e sente cada vez mais saudades da irmã. Quando um estranho aparece ao seu lado e tenta dissuadi-la da ideia de pular, Bonnie fica ainda mais determinada, mas é salva pelo misterioso rapaz.
Finn Clyde tem vinte e quatro anos e está fugindo de seu passado. Há alguns anos algo de muito ruim aconteceu com ele e o rapaz está saindo de Boston, sua cidade natal, para ir até Las Vegas, onde conseguiu um emprego melhor do que ele poderia sonhar. Desde pequeno Finn é fascinado por números e essa paixão pode se tornar seu futuro.
Quando Finn viu Bonnie no alto da ponte, pensando se tratar de um menino, poderia muito bem ter seguido seu caminho, mas resolveu parar e impedir a tragédia iminente. Ele só não imaginava que isso ligaria seu destino ao de Bonnie para sempre.
Bonnie decide tirar férias temporárias de seu sucesso e pede para seguir com Finn em sua viagem até Vegas. A princípio ele hesita, mas algo em Bonnie desperta seu lado protetor e sentimentos que até então ele se julgava incapaz de ter. Assim, os dois partem em uma road trip regada a muita música e auto-conhecimento.
Só que Bonnie ainda é uma superstar e a imprensa e sua família estão loucas atrás dela, acreditando que a jovem foi sequestrada e logo Finn torna-se o principal suspeito. Fugir é a única alternativa. Ambos tem seus motivos de não quererem voltar e assim os dois seguem seu rumo até Vegas... ou até o infinito.

A escrita de Amy Harmon é leve, fluida e totalmente viciante. A autora conseguiu nos prender e nos fazer querer saber o que aconteceria no final. O problema é que o começo do livro foi muito lento, demora a engatar a leitura e algumas cenas foram absolutamente clichês. Acho que nossas expectativas estavam altas demais depois de ouvirmos falar tão bem do livro anterior e nem todas foram supridas.
A narrativa é feita sob o ponto de vista de Bonnie, em primeira pessoa, e algumas partes são narradas por Finn, em terceira pessoa. Foi interessante ver a história por esse ângulo, pois assim sabíamos o que ambos pensavam e sentiam e não ficávamos presos a uma única visão. Porém, em alguns momentos, ficávamos perdidos nessa troca de perspectiva, pois, além da mudança do pronome, nada sinalizava a mudança.
Os personagens foram muito bem construídos. A protagonista Bonnie é uma menina doce, gentil e muitas vezes ingênua. Na maior parte do tempo não conseguia vê-la como uma mulher de vinte e um anos e sim como uma adolescente de dezesseis. Muitas de suas atitudes não condiziam com seus pensamentos e ela comete muitos erros, mas quem é perfeito, certo?!
Finn Clyde é um personagem extremamente real, do tipo que você pode encontrar em algum momento de sua vida. Finn tem seus fantasmas no armário e um peso enorme de culpa e sofrimento nos ombros. Entretanto, muitas vezes ele se viu livre disso para ajudar Bonnie, preocupando-se com aquela total desconhecida mais do que consigo mesmo. Foi maravilhoso acompanhar a evolução desse sentimento para algo mais.

Um ponto da história que nos incomodou um pouco foi a inúmera quantidade de vezes em que Harmon comparou Bonnie e Finn aos Bonnie e Clyde originais. Pudemos entender as referências logo nas primeiras vezes em que foram citados, mas a autora insistia em bater nessa tecla. Por outro lado, foi fascinante conhecer um pouco mais sobre esse casal que faz parte da cultura popular americana.

A edição física do livro está maravilhosa. A capa tem tudo a ver com a trama e segue o mesmo padrão de fonte de Beleza Perdida, de forma que fiquem harmoniosos quando juntos na estante. A revisão está ótima, não percebemos erros. As páginas são amareladas e a fonte é grande.

A resenha foi feita em dulpa com o Léo, do Segredos Entre Amigas pois nossas impressões sobre a história foram idênticas :D
É um livro que super recomendo e pra quem curte o gênero New Adult é uma ótima pedida!

Sweet - Tammara Webber

20 de dezembro de 2015

Título: Sweet - Contornos do Coração #3
Autora: Tammara Webber
Editora: Verus
Gênero: New Adult
Ano: 2015
Páginas: 322
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva
Sinopse: Boyce Wynn é um cara ferido e selvagem, mas resiliente. Pearl Frank sempre foi uma garota obediente, mas agora está inquieta. Quando volta para sua cidadezinha, em crise com sua escolha profissional, Pearl tem duas certezas: Boyce é exatamente aquilo que ela deveria evitar - e tudo o que ela mais quer. Ele é rebelde e barulhento. Indiferente ao que as pessoas pensam dele. Intenso. Forte. Perigoso. Mas Boyce tem mais uma característica - algo que ele esconde de todos, exceto de Pearl: ele é doce. Neste volume da série Contornos do Coração, você vai conhecer a história de dois amigos conforme eles descobrem que sempre foram mais que isso - além de rever personagens conhecidos, como Lucas e Jacqueline.

Resenha: Pegando o embalo do universo apaixonante de Easy/Breakable criado pela autora Tammara Webber, Sweet é o terceiro livro da série Contornos do Coração, publicado pela Verus no Brasil e traz a história de Boyce Wynn e Pearl Frank.

A resenha está livre de spoilers dos livros anteriores por se tratar de personagens diferentes, e já adianto que pra quem quer saber mais sobre o que aconteceu com Landon Lucas e Jacqueline, este não é o livro ideal já que não se destina a esse casal.

Boyce era o amigo desajustado de Landon desde a adolescência. Ao aparecer pela primeira vez, ele desperta nossa antipatia por demonstrar ser um cara completamente encrenqueiro e delinquente além de, aparentemente, não ser uma das melhores influências para o amigo de caráter tão diferente do seu.
Mas até que seu Bud morreu, e Boyce "herdou" o que o pai abusivo e violento deixou. Agora, dono do próprio negócio ele passou a ter algumas responsabilidades das quais ele não estava nada acostumado. A única coisa que ainda lhe faltava era conquistar a garota por quem sempre fora apaixonado, Pearl.

Pearl, diferente de Boyce, era a menina certinha, inteligente e estudiosa, e estava prestes a ir para a faculdade de medicina depois de tanto batalhar pra isso. Era o que sua mãe queria para ela, mas não era exatamente o que Pearl queria... Mas no último momento, durante uma entrevista para entrar na universidade, Pearl surtou e não quis saber de seguir medicina, para desgosto da mãe, e ela decidiu que o que ela realmente queria era voltar para a cidadezinha onde morava para se dedicar aos estudos de Biologia Marinha. Isso fez com que Mitchell se tornasse seu ex já que ele não gostou nada da ideia e o destino acabou unindo Pearl e Boyce, que tinham se afastado devido a vários mal entndidos, outra vez...

O livro é narrado em primeira pessoa e os capítulos são divididos entre as narrativas de Boyce e Pearl que se intercalam, mesclando presente e passado. A escrita da autora é ótima e a leitura flui muito bem. A trama não tem tanta complexidade ou reviravoltas pois a história fica focada na questão da personalidade dos protagonistas, mostrando que por mais que eles sejam diferentes, é possível se unirem e encontrarem refúgio justamente devido as diferenças que possuem.

A má impressão que tive de Boyce em Breakable acaba sendo dissolvida em Sweet, afinal, ele aparece mas não revela sua história e nem tem o aprofundamento necessário para que alguém pudesse entender seus motivos que o tornavam uma pessoa tão difícil. Com um pai alcóolatra, uma mãe completamente ausente e um irmão morto, Boyce precisou aprender por conta própria a levar sua vida além de aceitar que a única pessoa com quem ele poderia contar seria ele mesmo. Essas dificuldades acabaram sendo motivo para que ele se tornasse um bad-boy que vivia atraindo problemas para si, muito mais do que ele poderia se lembrar, mas, por baixo de toda essa pose existe, sim, um cara corajoso e de muito bom caráter que acaba se revelando e surpreendendo pelo seu jeito de ser.

Os personagens são realmente ótimos e Boyce acabou conquistando seu espaço como um dos melhores personagens masculinos que passei a adimirar. Diante de tudo o que teve que passar em sua vida, ele poderia ter ido pelo pior caminho e ter feito as piores escolhas para si, mas ele manteve a bondade na alma em vez de se tornar amargo e violento, como seu pai era.
A relação de amizade com Pearl era complicada, pois não era possível entender bem o que acontecia alí e por que motivo eles tinham uma amizade já que são o completo oposto um do outro, mas era evidente que ele sentia algo por ela. Restava saber como um romance surgiria de algo tão improvável, mas não impossível...

A capa faz o mesmo estilo dos livros anteriores e é bem bonita. A diagramação é simples e as páginas amarelas. Não percebi erros na revisão.

Doce é a palavra que pode definir a forma como a autora desenvolveu o relacionamento e o desabrochar do sentimento entre Boyce e Pearl, e é a palavra que vai definir a sensação de quem tiver o prazer de curtir essa leitura. O desenrolar emocionante e intenso nos leva a um final maravilhoso e gratificante.


Breakable - Tammara Webber

19 de dezembro de 2015

Título: Breakable - Contornos do Coração #2
Autora: Tammara Webber
Editora: Verus
Gênero: New Adult
Ano: 2014
Páginas: 364
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Landon Lucas Maxfield teve uma infância privilegiada, levando uma vida tranquila com os pais e tendo um futuro promissor à sua frente, até que uma tragédia impensável destruiu sua família e o fez duvidar de tudo que um dia pareceu tão certo.
Agora um intenso e enigmático homem, Lucas só quer deixar o passado para trás. Quando ele conheceu Jacqueline, foi fácil desejar ser tudo aquilo de que ela precisava. Mas se há uma coisa que a vida lhe ensinou é que a alma é frágil e que todos os seus sonhos podem ser destruídos em um piscar de olhos.

Resenha: Esta resenha (assim como a sinopse!) possui spoilers do primeiro livro da série!

Segundo livro da série Contornos do Coração, escrito por Tammarra Webber e lançado pela Verus no Brasil, recontando e complementando Easy pelo ponto de vista de Landon Lucas, acrescentando detalhes sobre sua adolecência, a tragédia com a mãe, o período em que morou com o pai e o avô, quando começou a tatuar o corpo até conhecer Jacqueline, temos Breakable, porém, posso afirmar que a história não se torna maçante e nem repetitiva, não. Breakable revela os mistérios que Lucas escondia e mesmo que traga cenas já vistas em Easy, não fiquei com a sensação de já ter lido aquilo antes pois a autora conseguiu transformar a situação a partir de uma segunda imprensão fazendo parecer única.

Lucas teve uma infância boa até ter a família arrasada por uma tragédia. O ocorrido fez com que ele duvidasse de tudo o que acreditava e parecia certo, e isso fez com que ele mudasse completamente, se transformando num rapaz enigmático que só queria deixar o passado pra trás, mas alguém mudou tudo isso... Alguém a quem ele salvou...

O livro é narrado em primeira pessoa e cada capítulo é dividido entre o passado (Landon) e o presente (Lucas) de forma que é possível fazermos uma ligação com quem ele era e quem ele se tornou, assim como tudo que passou se reflete em seu comportamento na universidade. Acompanhamos a luta de Landon e saber de tudo o que ele passou faz com que seja mais fácil e compreensível entender os motivos que levaram Lucas a ser como era, assim como entender o motivo de ele ter tomado certas decisões.

Eu não sei se vou conseguir expressar em palavras o quanto Lucas me conquistou e posso afirmar que ele é um fortíssimo canditato a melhor personagem masculino da minha vida. Sua história é triste e obscura, ele sofreu no passado mas agora teve a chance de recomeçar e reestrututar seu coração em pedaços através de um sentimento que ele julgava que nunca sentiria e mostra que através da dor é possível amadurecer e tirar lições para seguir em frente... Ele é o perfeito equilíbrio entre tudo aquilo que uma mulher sonha, respeitoso, inteligente, apaixonado e o melhor porto seguro do mundo.
Ao se apaixonar por Jacqueline vemos que, por mais que ele tenha resistido e o processo seja gradual, ele consegue se libertar ao mesmo tempo em que faz de tudo para ajudá-la a superar seus traumas.
Foi bastante interessante acompanhar a forma como Lucas via Jacqueline. Suas descrições e pensamentos sobre a visão dela é doce, pura e bonita. Ela manteve a mesma caracterização e a ideia de ele querer curar os traumas dela e tomar isso como um tipo de missão continua da mesma forma que antes. As cenas picantes desta vez se tornam muito mais quentes pois penso que quando é a vez do homem descrever seus sentimentos e sensações tudo parece ser muito mais intenso.

Em suma, Breakable foi melhor do que Easy pra mim, pois detalhou as fragilidades da vida de um menino que se tornou homem e por mais que tenha estado sozinho e perdido por muito tempo, encontrou refúgio e teve a chance para reconstruir o que considerava quebrado.


Easy - Tammara Webber

18 de dezembro de 2015

Título: Easy - Contornos do Coração #1
Autora: Tammara Webber
Editora: Verus
Gênero: New Adult
Ano: 2013
Páginas: 308
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Quando Jacqueline segue o namorado de longa data para a faculdade que ele escolheu, a última coisa que ela espera é levar um fora no segundo ano. Depois de duas semanas em estado de choque, ela acorda para sua nova realidade: ela está solteira, frequentando uma universidade que nunca quis, ignorada por seu antigo círculo de amigos e, pela primeira vez na vida, quase repetindo em uma matéria. Ao sair de uma festa sozinha, Jacqueline é atacada por um colega de seu ex. Salva por um cara lindo e misterioso que parece estar no lugar certo na hora certa, ela só quer esquecer aquela noite — mas Lucas, o cara que a ajudou, agora parece estar em todos os lugares. A atração entre eles é intensa. No entanto, os segredos que Lucas esconde ameaçam separá-los. Mas eles vão ter de descobrir que somente juntos podem lutar contra a dor e a culpa, enfrentar a verdade — e encontrar o poder inesperado do amor.

Resenha:  Easy, best-seller escrito pela autora Tammara Webber, é o primeiro livro da trilogia Contornos do Coração, publicado no Brasil pela Verus.

Jacqueline Wallace é uma excelente estudante de música e embora tenha talento o bastante para ser aceita em qualquer escola de música que quisesse, decide cursar o mesmo curso que Kennedy, seu namorado, escolheu. Os dois saem da cidade onde moram e vão estudar juntos na mesma faculdade pública e no começo tudo parecia ir muito bem. O que ela jamais poderia esperar era o namorado perfeito lhe dar um fora alegando que queria ter novas experiências sexuais com outras garotas da faculdade. Sem poder acreditar, Jacqueline fica completamente arrasada. Como Kennedy teve coragem de abandoná-la depois de tanto tempo juntos e depois de tudo o que ela fez por ele?
Duas semanas depois a ficha cái e ela percebe que está numa realidade difícil de se encarar...

Jacqueline está sozinha, numa universidade que não queria estar, está indo mal no curso e ainda está sendo ignorada por quem ela acreditava serem seus amigos. Ela decide ir a uma festa para espairecer as ideias, mas, ao ir embora, é atacada. Os momentos de pavor que enfrentou foram terríveis, mas ela foi salva por um cara misterioso, encantador e completamente irresistível que estava no lugar e na hora certa. E a partir daí os dois tem uma aproximação que mudará tudo... A atração é forte, mas mágoas, medo e segredos são obstáculos que eles devem enfrentar. O amor é inesperado mas somente juntos eles encontrarão forças para lutarem contra a dor e os sentimentos de culpa que os cercam.

Através de uma escrita simples e fluída, o livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Jacqueline e vamos acompanhando seu progresso numa realidade diferente da qual ela estava acostumada quando namorava Kennedy, onde era "Jackie", uma segunda versão de si mesma que abria mão de quem era de verdade e do que sonhava em nome do "amor".
A autora conseguiu abordar um tema polêmico, forte e delicado, que é o abuso sexual, de forma bastante realista sem deixar a história pesada ou dramática demais, ressaltando que deve-se haver respeito pelo próximo e por nós mesmos.

Por mais que Jacqueline tenha ficado fragilizada, tanto pelo abandono quanto pelo ataque que sofreu, ela quer ter uma nova chance de se reconstruir e voltar a ser quem era. Uma coisa que achei bastante interessante era que ao lado de Kennedy Jacqueline não se permitia olhar além, mas na ausência dele, ela passou a notar quem sempre esteve alí. Então não é que depois que Lucas a salvou ele passou a estar em todos os lugares... Ele sempre esteve alí, ela que nunca havia percebido...
Lucas é aquele tipo de cara que todas garotas se apaixonam, cheio de tatuagens, mas gentil e prestativo como ninguém. Mas seu passado, que o marcou profundamente, o impede de se relacionar com outras pessoas da forma como gostaria, e Jacqueline tenta descobrir o que ele está escondendo que a mantém afastada dele.

Esses dois personagens são muito humanos e reais, com personalidades e atitudes que convencem, erram e acertam mas que só querem ser felizes. A química existe e é óbvia, e as imperfeições e os obstáculos que eles enfrentam tornam a história algo que realmente poderia acontecer, que foge da ficção e está longe de ser um conto de fadas.
Gostei da colega de quarto de Jacqueline, Erin. Ela dá um toque de humor à história com seu jeito de ser e com seus conselhos. Ela é leal e o apoio que sempre dá à amiga é um ótimo exemplo de amizade verdadeira  e duradoura.

Não posso deixar de falar sobre Landon, o personagem que dá um toque de "suspense" na história, pois como Jacqueline estava quase sendo reprovada na matéria de economia, que ela só se matriculou para poder ficar perto de Kennedy enquanto ainda eram namorados, seu professor percebe sua dificuldade e lhe encaminha para aulas extras. Porém essa ajuda que Landon dá para Jacqueline recuperar suas notas é feita através de emails devido a incompatibilidade nos horários, logo fica no ar o mistério sobre quem é esse monitor tão sensível e atencioso que também lhe desperta o interesse, principalmente quando Lucas se recusa a se abrir com ela... A criação de uma figura misteriosa foi bem previsível pra mim, mas ainda assim gostei...

Acho que o ambiente universitário é um fator que colabora nesse gênero new adult pois a faculdade é uma fase que fica marcada na vida de qualquer um e nunca será esquecida, é a transição que faz a pessoa adentrar na vida adulta e assumir responsabilidades que ela não precisava lidar antes (ou pelo menos é o que se espera que aconteça). É possível se adquirir uma real percepção do mundo e o que nos aguarda lá fora no futuro, seja no que diz respeito ao que escolhemos seguir profissionalmente ou não. Ao longo da história vamos descobrindo novas camadas que envolvem o passado dos personagens que vão sendo expostas aos poucos, revelando características importantes para uma maior compreensão dos fatos.

Lucas e Jacqueline ganham vida nas páginas, suas alegrias e tristezas, e os momentos memoráveis que passam juntos fazem deles um casal perfeito. O desenvolvimento do relacionamento deles foi construído de forma lenta, terna e bonita, e foi exatamente isso que me conquistou e me fez suspirar.
Easy é o tipo de livro que levanta questões sérias, delicadas e que podem acontecer na vida real, mas é capaz de emocionar ao trazer uma história de amor intensa e emocionante entre dois jovens que lutaram para superar o passado até descobrirem um no outro o significado de um sentimento que vale a pena ser vivido quando é real e verdadeiro.

Doce Tatuagem - Helena Hunting

17 de dezembro de 2015

Título: Doce Tatuagem - Clipped Wings #0,5
Autora: Helena Hunting
Editora: Suma de Letras
Gênero: Romance/New Adult
Ano: 2015
Páginas: 30
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Amazon
Sinopse: Depois de sofrer um grande trauma, Tenley se muda para Chicago. Solitária na nova cidade, passa as noites olhando pela janela para o estúdio de tatuagem em frente, onde observar um dos tatuadores a distrai da tristeza. Ele, Hayden, também tem um passado perturbador, e suas relações nunca vão além de sexo casual. A chegada da nova vizinha faz isso mudar. A atração imediata entre eles dá início a uma relação complicada, cheia de fantasmas de suas antigas relações e de desafios a serem superados. 

Resenha: Doce Tatuagem é a introdução a série Clipped Wings, escrita pela autora Helena Hunting. O livro foi lançado apenas em formato digital pela Suma de Letras.

Tenley Page é uma jovem prestes a completar seus vinte e um anos. Ela decidiu sair de Arden Hills para deixar pra trás a memória do que ela jamais poderia recuperar. Agora, morando num apartamento em Chicago, Tenley está sozinha e ainda carregando a culpa de um trauma que sofreu há alguns meses. Seu único conforto e distração é passar as noites olhando pela janela, observando o Inked Armor, um estúdio de tatuagem. Um dos tatuadores, Hayden, lhe chamou atenção a ponto de Tenley ter sonhos bastante íntimos com o rapaz. Para ocupar seu tempo, Tenley aceita trabalhar no Serendipity, um antiquário acoplado a um café localizado no térreo do prédio onde mora, gerenciado por Cassie. O que a jovem não sabia é que o tatuador sarado de olhos azuis por quem ela vem nutrindo tanto desejo é sobrinho de Cassie, e ele também tem estado bastante curioso a respeito dessa garota desde que a viu pela primeira vez...

Por se tratar de uma introdução, Doce Tatuagem traz apenas dois capítulos, cada um destinado a Tenley e Hayden, mas são suficientes para que as leitoras tenham uma prévia do universo criado pela autora e como as coisas em À Flor da Pele, o primeiro livro da série, serão intensas... A escrita da autora é ótima e envolve o leitor de um jeito que é impossível largar. A narrativa é em primeira pessoa e podemos acompanhar um pouco dos pensamentos e da personalidade de cada um dos protagonistas e o pouco que foi trabalhado já foi o suficiente para ganhar meu coração.

É perceptível que Tenley tem segredos e traumas que a abalam, mas ela ainda tenta dar a volta por cima para seguir em frente, invenstindo em seus estudos e mostrando que é uma pessoa centrada e inteligente.
Hayden se mostra alguém bastante prestativo e apesar de nada de seu passado ser revelado, podemos perceber que Tenley mexe com seus sentidos de uma forma que ninguém nunca mexeu...

Apesar de achar que o conto poderia ter sido incluído como um prólogo no primeiro livro, a introdução é ótima, vale super a pena de ser lida para sabermos que o interesse era algo recíproco desde o início. Minhas expectativas estão nas alturas para prosseguir com a leitura e saber o que o futuro reserva a esses casal improvável?

Moriarty - Anthony Horowitz

16 de dezembro de 2015

Título: Moriarty
Autor: Anthony Horowitz
Editora: Record
Gênero: Policial/Mistério
Ano: 2015
Páginas: 350
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sherlock Holmes está morto, e as trevas avançam.
Dias após Holmes e seu arqui-inimigo Moriarty encontrarem seu fim nas cataratas de Reichenbach, Frederick Chase, um detetive da Agência Pinkerton, chega à Europa vindo de Nova York. A morte do professor Moriarty deixou um vazio no poder que logo foi preenchido por um novo gênio do crime, que ascendeu para tomar o lugar do rival de Holmes. Auxiliado pelo inspetor da Scotland Yard Athelney Jones, um devoto estudioso dos métodos de investigação e de dedução de Holmes, Frederick Chase precisa trilhar um caminho através dos cantos mais escuros da capital inglesa para lançar uma luz sobre essa figura sombria, um homem temido, mas raramente visto, determinado a dominar Londres em uma onda de ameaças e assassinatos.
Chase é auxiliado pelo Inspector Athelney Jones, um detetive da Scotland Yard e estudante devoto do métodos de dedução de Holmes, a quem Conan Doyle introduziu em O signo dos quatro. Os dois homens unem forças para abrir um caminho através das ruas sinuosas de Londres vitoriana – das praças elegantes de Mayfair para os cais e becos sombrios das Docks em busca dessa figura sinistra, um homem muito temido, mas raramente visto, que é determinado a estabelecer seu nome como sucessor de Moriarty.

Resenha: Anthony Horowitz é um autor inglês que obteve reconhecimento e autorização da entidade que protege e administra as obras originais de Sherlock Holmes que Arthur Conan Doyle escreveu no fim do século XIX. A Casa de Seda foi o primeiro caso de Sherlock escrito por Horowitz onde ele traz o famoso detetive de volta através das memórias de seu fiel companheiro Dr. Watson, que narra um caso que investigaram nas gélidas ruas da Inglaterra vitoriana. Este livro foi publicado no Brasil pela Editora Zahar.
Moriarty, lançado pela Record, se trata de uma leitura bastante independente embora seja o segundo livro.

A história começa com uma pequena nota de abril de 1891 retirada do jornal Times de Londres, que traz a informação sobre uma morte de um homem que a polícia ainda não foi capaz de explicar.

As cataratas de Reichenbach foi o local onde o detetive Sherlock Holmes e seu arqui-inimigo, professor James Moriarty, tiveram o seu fim num último confronto. O detetive Frederick Chase, da Agência Pinkerton, ainda tem suas dúvidas quanto aos fatos e alguns dias depois do ocorrido a Scotland Yard envia o Inspetor Athelney Jones, um dedicado estudioso dos métodos que Holmes usava para fazer suas investigações e deduções, para ajudar no novo caso que surgiu, pois tudo indica que o lugar que Moriarty deixou ao morrer foi preenchido por um novo gênio do crime, um homem raramente visto mas determinado a dominar Londres através de ameaças e assassinatos. Será que a dupla terá sucesso ou será que a morte de Sherlock fará com que o crime ascenda em Londres?

Frederick Chase narra e descreve os acontecimentos desta trama ao mesmo tempo em que faz observações sobre suas impressões do caso, indagações e questionamentos sobre alguns pontos ou sobre o que aconteceu com Holmes enquanto era vivo. Gostei da narrativa pois é como se o protagonista estivesse conversando com o leitor. Embora o livro se refira a Holmes, há muito pouco sobre ele! Pode até parecer estranho, mas este livro leva o mundo deste detetive para um nível totalmente novo. Chase e Athelney serão capazes de preencher os lugares que Sherlock e Watson deixaram?

Confesso não ter lido outros livros sobre as aventuras de Sherlock Holmes, mas posso afirmar que minha experiência com este livro superou minhas expectativas. Primeiramente fui fisgada pela capa. O que ela tem de simples, tem de bonita. O azul escuro dá um ar sombrio e misterioso, a água é um elemento bastante sugestivo e as letras rebuscadas dão o toque final. A diagramação é simples, os capítulos são numerados seguidos de um título, as páginas são amarelas e a fonte é grande.
Acho que livros do gênero policial, ao trazerem mistérios que envolvem o leitor ao protagonista, deve fazer com que a maioria dos demais personagens seja um possível suspeito, assim como seus atos sejam questionados para, através dessas pequenas análises, aos poucos, podermos desvendar o mistério que move a trama. Acredito que o autor fez um excelente trabalho pois cada personagem que passou a ingressar a história poderia ser um suspeito.
A história se desenvolve de forma rápida, a cada final de capítulo ficamos ansiosos por novas informações e acontecimentos o que acaba tornando a leitura empolgante. É praticamente impossível largar!

Os personagens de Frederick Chase e Athelney Jones foram muito bem construídos e desenvolvidos ao longo da história. Athelney Jones, que tem acompanhado de perto os métodos de Sherlock Holmes, traz um pouco do famoso detetive para a história. Frederick, por outro lado, traz um ritmo diferente quando perseguições e investigações são feitas. Juntos, eles formam uma dupla admirável. Confesso que a maioria dos meus palpites sobre o culpado foram falhos, logo posso afirmar que Moriarty é um livro com um grande misterio, que leva o leitor a não só participar das investigações, mas também a fazer uma incrível viagem pela Londres vitoriana que o autor descreve com tanta maestria.

O final é bastante estarrecedor e chocante. As pistas estão lá o tempo todo, mas o autor usa de sutilezas para não evidência-las de forma descarada, mantendo a incógnita no ar. Mesmo que o leitor suspeite de algo, não há bases para que as evidências tenham fundamento, pelo menos não inicialmente pois o autor consegue nos enganar direitinho!
Para os fãs de Sherlock Holmes, Moriarty é um prato cheio. E para os fãs de mistérios e romances policiais em geral, também! A história é intrigante e inteligente e vai envolver o leitor do início ao fim!

Difamação - Renée Knight

15 de dezembro de 2015

Título: Difamação
Autora: Renée Knight
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense/Mistério/Thriller
Ano: 2015
Páginas: 336
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Imagine que você encontre um livro sobre a sua vida, que revele um segredo que você manteve escondido da sua família por vinte anos e que você achava que ninguém mais soubesse. Um segredo devastador.
Catherine Ravenscroft chegou à meia-idade levando uma vida perfeitamente normal: é casada, tem um filho, ama o emprego, gosta de ler nas horas vagas. Agora que o filho cresceu e seguiu seu próprio rumo, ela e o marido decidiram se mudar para uma casa menor. Em meio ao caos da mudança, Catherine encontra O completo estranho, um livro que não se lembra de ter comprado.
Intrigada, ela inicia a leitura, mas logo se dá conta de algo terrível. O que está ali não é ficção. A narrativa traz, com riqueza de detalhes, o dia em que Catherine se tornou refém de um segredo sombrio. Até então, ela achava que ninguém mais sabia o que havia acontecido naquele verão, vinte anos antes. Pelo menos ninguém ainda vivo.
Agora o mundo perfeito de Catherine está desmoronando, e sua única esperança é encarar o que realmente aconteceu naquele dia fatídico. Mesmo que a verdade possa destruí-la.

Resenha: Difamação é o livro de estreia da autora britânica Renée Knight publicado pela Suma de Letras no Brasil.

Catherine e Robert vivem em Londres e a vida e o casamento estável que levam, aparentemente, os tornam um casal feliz. Eles se mudaram pra uma casa menor agora que o filho saiu de casa a estudos mas tudo muda quando Catherine encontra um livro entitulado "O Completo Estranho" que ela nunca ouvira falar. O livro não era dela e ela não sabe como ele foi parar em suas mãos. Ao começar a ler o misterioso livro, Catherine percebe que se trata de sua história sendo revelada nas páginas, um segredo terrível de vinte anos atrás, que aconteceu em outro país e que ela guardou durante todos esses anos,agora está descrito nos mínimos detalhes. Se seu marido e seu filho, Nicholas, descobrirem, ela estaria arruinada. Catherine, que sempre foi independente e forte, teme que alguém esteja a chantageando e vê sua vida desmoronar diante de seus olhos, com medo de que o livro chegue aos seus familiares. Quem será essa pessoa que quer fazer com que Catherine pague por algo que aconteceu em 1993? Catherine acreditava que a única pessoa a saber do seu segredo havia morrido há muitos anos. Mas será que Catherine é o tipo de pessoa que fará qualquer coisa para manter sua integridade?

Entrelaçada com a narrativa da protagonista, conhecemos Stephen, um ex-professor viúvo que quer descobrir a verdade sobre a morte de seu filho. Ele ainda não superou essa perda, e dia após dia vive nutrindo muita raiva dentro de si, descontando em pessoas que nada tem a ver com sua situação.

Difamação é um thriller psicológico que traz questionamentos ao leitor sobre os segredos que as pessoas guardam e que fazem com que elas não sejam exatamente quem imaginamos. Será que conhecemos bem nossos familiares? Podemos ter certeza de que eles não mentem ou estão livres de segredos? E quanto aos nossos segredos? Somos totalmente sinceros ao expormos nossas vidas a quem amamos?

O livro é narrado em terceira pessoa quando o foco está em Catherine, e em primeira pessoa pelo ponto de vista de Stephen, e a trama foi magistralmente bem delineada e escrita. A história começa de forma lenta, mas a autora consegue manter o leitor por dentro dos fatos, que vão sendo construídos aos poucos. A cada detalhe revelado percebemos o quanto a história foi bem arquitetada, e percebemos isso quando pensamos que temos certeza sobre algo até que uma nova informação vem a tona e descobrimos que não sabíamos de nada. A autora deixa várias pistas falsas e o segredo acaba se tornando um jogo não só para os personagens, mas para o próprio leitor.

A história é instigante, engenhosa, perturbadora e o enredo e os personagens convencem por serem bem reais. O suspense se mantém através de várias reviravoltas inesperadas e a cada capítulo nos pegamos na expectativa do próximo acontecimento.
Para aqueles que gostam de thrillers psicológicos (ou que querem se aventurar iniciando nesse gênero) que envolvem segredos de pessoas que falham por serem extremamente humanas mas ao fim lhes restam a redenção, Difamação é uma ótima pedida.

O Gigante Enterrado - Kazuo Ishiguro

14 de dezembro de 2015

Título: O Gigante Enterrado
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Romance/Fantasia/Parábola
Ano: 2015
Páginas: 396
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?
Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, "O gigante enterrado" fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.
Resenha: O Gigante Enterrado, romance escrito pelo autor japonês Kazuo Ishiguro e publicado no Brasil pela Companhia das Letras é um livro que, resumidamente, se concentra em memórias, amor e guerra, motivando os personagens a um propósito.
O livro se trata de uma parábola que integra fantasia como elemento numa civilização antiga da Grâ-Bretanha pós arturiana, uma terra marcada por guerras devastadoras e acometida por uma misteriosa névoa capaz de fazer com que os moradores da ilha esqueçam elementos do passado.

Em meio a este cenário, vamos acompanhar uma viagem insólita cheia de aventuras e descobertas feita por Axl e Beatrice, um casal de idosos que partem da vila onde moram a procura do filho após anos sem se encontrarem a fim de viverem com ele pois, na vila, são tratados com descaso por serem mais velhos. Eles irão lutar para não perderem as poucas lembranças que lhes restam pois o passado fora esquecido por todos. Não há memórias claras e precisas, seja de fatos ou pessoas, e para que não esqueçam um do outro precisam contar com a própria reciprocidade. Axl e Beatrice não se lembram onde o filho mora e nem das feições dele, assim, acreditando que são esperados, embora não tenham certeza do que irá acontecer quando chegarem ao destino, o casal parte nessa jornada onde irão se deparar com um universo fantástico em que seres míticos vagam pela terra e Cavaleiros da Távola Redonda ainda existem, além de descobrirem o que há por trás da névoa que amaldiçoou as aldeias.

A narrativa é feita em terceira pessoa e é bastante lírica, e acredito que a forma como tudo foi descrito faz com que a história seja subjetiva, fazendo com que possa, inclusive, ser interpretada de maneiras diferentes de acordo com a concepção do leitor.
Os personagens são bem construídos e emocionam. O casal Axl e Beatrice mostram que o tempo transforma sentimentos, e que a ausência de lembranças é responsável por moldar relações, seja de forma positiva ou não.

Não acredito que quem tiver o prazer de aproveitar desta leitura saíra dela sem entrar numa grande ressaca pois as mensagens nas entrelinhas são cheias de significados e lições, e os personagens, através de suas percepções, são a prova disto. Axl e Beatrice mostram que o tempo não só traz respostas, mas faz com que o amor cresça e se fortaleça.

Há outros personagens notáveis que têm papel fundamental na jornada do casal trazendo as próprias mensagens, e cada um que aparece faz com que o leitor repense a própria vida ou reflita sobre a importância de nossas lembranças, afinal, se somos feitos do que vivemos, o que seria de nós se não pudéssemos nos lembrar do que passamos até aqui?

Não acho que é o tipo de livro pra qualquer um, mas posso dizer que a mensagem que ele passa serve pra todos. É um livro complexo, que se desenvolve lentamente para que o leitor absorva e reflita cada palavra lida. Acredito que a lentidão é proposital para que a curiosidade pelo desenrolar dos fatos seja mantida até que os mistérios sejam, enfim, revelados. Somando isso a escrita poética e não tão fluída, pode soar monótono para aqueles que não estão a procura ou no clima de algo que remeta a tanta sensibilidade e profundidade e que deve ser lido sem pressa.

O trabalho gráfico é maravilhoso, com detalhes dourados que se destacam sobre o azul. A capa é áspera, lembrando uma lixa e a lateral das páginas é azul, do mesmo tom da capa. A diagramação é simples, os diálogos são em forma de aspas em vez de travessão e não encontrei erros na revisão.

O Gigante Enterrado é um livro que faz referência a várias outras histórias clássicas, mostra a ligação entre nossas lembranças e nossos sentimentos, mas também aborda as consequências daqueles que agem sem pensar, seja por orgulho ou egoísmo, a fim de imporem algo a força aos outros. É um livro que pode ser lido desconsiderando as metáforas, de forma literal, mas assim como o próprio título sugere, o significado é algo bem maior e que está sob a superfície propriamente dita.
Se você não é fã de fantasia, não se preocupe... A fantasia não passa de um elemento usado para contar uma história de vida, amor e perda, um meio para atingir um fim, porém, desenvolvida de forma diferente, colocando questões pessoais para nos fazer questionar se nossas lembranças afetam quem somos e a forma como percebemos o que está a nossa frente.
Pra quem gosta de livros profundos, que emocionam e trazem grandes lições de vida, é leitura obrigatória.

Encruzilhada - Kasie West

13 de dezembro de 2015

Título: Encruzilhada - Pivot Point #1
Autora: Kasie West
Editora: Seguinte
Gênero: YA
Ano: 2015
Páginas: 288
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Conhecer o futuro nem sempre torna a escolha mais fácil.
A vida de Addison Coleman é um grande “e se…?”, graças à sua habilidade especial: Investigar Destinos. Addie é capaz de prever duas possibilidades de seu futuro toda vez que precisa tomar uma decisão.
Quando os pais dela anunciam o divórcio, a garota deve escolher se vai morar com o pai entre os Normais ou se prefere ficar com a mãe no Complexo Paranormal. Para ter certeza do que a espera, Addie resolve Investigar.
Em uma alternativa, ela conhece Trevor, um Normal sensível com quem logo sente uma conexão. Na outra, se envolve com Duke, o garoto mais popular da escola Paranormal. Mas aos poucos ela percebe que esses dois destinos aparentemente maravilhosos podem causar muitos estragos e sofrimento. Isso porque nos dois cenários o pai de Addie se torna consultor da polícia num caso de assassinato no Complexo, e a garota acaba envolvida em um jogo perigoso que ameaça tudo o que mais importa para ela.
Addie encontra amor e perdas nas duas versões do futuro, mas só pode viver em uma dessas realidades.

Resenha: Encruzilhada é o primeiro livro da duologia Pivot Point escrita pela autora Kasie West e publicado pela Seguinte no Brasil.
Addie Coleman é uma adolescente que vive em um Complexo secreto onde as pessoas possuem poderes psíquicos/paranormais por terem aprendido a aumentar suas capacidades cerebrais. Em meio a pessoas cujas habilidades mentais lhes permitem criar ilusões visuais, detectar mentiras, apagar memórias, terem poder de persuasão, manipular humor e até mover objetos com o poder da mente, Addie é uma Investigadora de Destinos. Ao se ver diante de uma situação que envolve uma escolha, ela tem o poder de Investigar seu próprio futuro e escolher qual caminho é o melhor, mais seguro ou mais vantajoso a se seguir, sem se arriscar no desconhecido e a tornando alguém bastante cuidadosa.
Ela não usa seu dom com muita frequência por não achar necessário, mas quando seus pais decidem se divorciar, Addie fica entre continuar morando com a mãe no Complexo Paranormal, ou ir morar com o pai em Dallas, no mundo Normal, onde as pessoas são comuns, não tem poderes e não sabem da existência das pessoas com esses dons. Addie, então, decide Investigar algumas semanas dos futuros alternativos que poderá escolher. Do lado paranormal ela se vê diante de Duke, o garoto mais popular da escola a quem ela "odeia", e do lado Normal, ela tenta se ajustar a vida sem as tecnologias que ela tem costume e conhece Trevor, um garoto sensível por quem tem grande afeição. A medida que a investigação ganha continuidade, ela acaba se deparando com dois futuros que se tornam perturbadores e que podem causar complicações que ela não esperava já que seu pai passou a trabalhar num caso envolvendo um assassinato e isso já é um assunto delicado e perigoso. Cabe a Addie fazer sua escolha e decidir em qual futuro viver.

Com uma escrita simples, direta e fluida, o livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Addie, e tem um dos conceitos mais originais e bem desenvolvidos que já tive oportunidade de me deparar em meio as minhas leituras infinitas.
Addie está diante de duas situações que ainda não aconteceram, em lugares diferentes e com pessoas diferentes, logo não há um triângulo amoroso (thank's Lord) pois ela não tem dois relacionamentos simultâneos e nem gosta dos dois ao mesmo tempo. Confesso ser um pouco frustrante saber que a história está somente na visão da protagonista e que uma delas terá que ser descartada quando ela fizer sua escolha, por mais que ela tenha sentimentos verdadeiros nas duas alternativas, mas a forma como tudo é desenvolvido supera todas as expectativas. Assim, a proposta do livro é bastante inovadora pois a autora consegue contar as duas histórias para Addie de modo alternado fazendo com que o enredo tenha duas versões super empolgantes. É genial!

Acredito que o livro pode ser considerado uma fantasia juvenil, tanto pela forma como foi escrito quanto pelos diálogos e situações que os personagens vivem, então não espere por uma história complexa com milhões de reflexões pois o foco não é esse. Há o toque sobrenatural que aponta os poderes dos Paranormais, mas isso pra mim foi só o detalhe que permitiu com que Addie pudesse ter a oportunidade de investigar seu futuro, sendo a base pro desenvolvimento mas não o fator principal. A história em si não é cheia de personagens usando seus poderes por aí como um X-Men, por exemplo. O que ganha maior espaço são os dilemas adolescentes tão comuns da idade e o questionamento do "e se?" quando há opções diferentes a seguir.

Ouvi algumas pessoas falando que o livro é uma distopia, mas até agora estou procurando o fator ditópico nessa história visto que não existe opressão, ditadura ou totalitarismo algum por parte de líderes ou governos, longe disso. As pessoas paranormais, embora vivam isoladas a fim de preservar e manter em segredo o dom que têm, são livres para ir e vir como bem entendem.

Com relação aos personagens, eu gostei da construção dos principais mas, em alguns pontos, senti que alguns dos secundários, que têm grande importância no desenrolar dos acontecimentos, não foram tão explorados quanto eu esperei.
Addie é o tipo de personagem que sempre procura ser certinha para evitar confusões, mas muitas vezes se mostra indecisa e imatura, tomando algumas atitudes que não condizem com quem ela é de verdade. Mas pra mim foi até compreensível pois a garota não ficou nada feliz com a separação dos pais e obviamente sua cabeça ficou bastante confusa com a nova situação.

No complexo ela, inicialmente, evita Duke pois como ele é popular e joga futebol, além de ter o dom da telecinesia, ela logo deduz que não gosta dele pois ele é tudo o que ela não quer em alguém, mesmo sem ter um motivo realmente plausível pra isso. Quando sua melhor amiga, Laila, incentiva e apoia Addie a dar uma chance para o garoto se aproximar, ela acaba percebendo que ele pode ser muito mais legal do que parece e sua resistência contra o garoto começa a se desfazer.
Eu só achei que o envolvimento deles foi um tanto forçado e acho que por Duke fazer aquele estilo "jogador popular que se acha e é rodeado por todas as garotas", tomei uma certa antipatia dele, assim como a própria Addie tinha no começo.

Laila é a melhor amiga que todo mundo devia ter, principalmente se levarmos em consideração que o poder dela é apagar lembranças. Ao mesmo tempo em que ela é maluca, extrovertida e impulsiva, conseguindo se meter em roubadas e levar Addie junto, ela também consegue ser sensata e bem inteligente em alguns momentos. Imaginem fazer uma besteira qualquer e sua amiga simplesmente te faz esquecer aquilo como se nunca tivesse acontecido?
Trevor é um doce de garoto e através da companhia dele Addie passa a conhecer melhor o mundo Normal. Sua história envolve um mistério sobre uma lesão que ele sofreu no jogo ter ou não sido proposital. Acho que o envolvimento de Addie com Trevor foi muito mais verdadeiro e bonito, logo, sou #TeamTrevor.

Sobre a parte gráfica, só tenho elgios, pois a capa condiz bastante com a ideia do livro e é muito bonita. A diagramação é simples e ão há erros na revisão. Os capítulos são curtos e iniciados com alguma palavra seguida por seu significado, ou pelo menos o significado dado pela protagonista.

Enfim, eu gostei da ideia que a autora passou sobre o poder das escolhas que temos para cada oportunidade que a vida nos dá mesmo que o livro tenha essa pegada voltada ao público mais juvenil. Faz com que pensemos no "se". Se pudéssemos conhecer o futuro, faríamos escolhas diferentes? O que acontece se formos pelo caminho que julgamos certos? Mas e se formos pelo errado? E quais as consequências disso? No final, só podemos trilhar por um único caminho, gostando ou não.

Pra quem gosta de uma trama original, com toques de mistério e um final de tirar o fôlego, leia!

Twist - Tom Grass

12 de dezembro de 2015

Título: Twist
Autor: Tom Grass
Editora: Agir Now
Gênero: YA/Thriller
Ano: 2015
Páginas: 288
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Como seria a vida de Oliver Twist se ele fosse um menino órfão em pleno século XXI? Recém-fugido de uma instituição para jovens criminosos aos 18 anos, Oliver é apaixonado por arte. Dotado de uma memória incrível, passa seus dias recriando de cabeça quadros famosos nos muros de Londres enquanto sonha em estudar artes plásticas. Porém, seus talentos chamam a atenção de Fagin e sua gangue de ladrões, que possuem outros planos para Twist...

Resenha: Baseado na famosa obra "Oliver Twist" escrita por Charles Dickens em 1837, o autor Tom Grass criou Twist, seu primeiro livro que trata de uma releitura moderna desse clássico adaptada à atualidade do século XXI. Em Twist, Oliver é um jovem de 18 anos que possui uma incrível memória fotográfica e é um verdadeiro artista quando o assunto é grafitagem, mas diferente do Oliver original de Dickens, não é tão inocente assim e acaba adentrando o submundo do crime.

A história se passa em Londres e começa com a fuga de um jovem ladrão, Harry (também conhecido como H-Bomb), após ter sido capturado em uma emboscada. Sua ideia era retornar para a gangue de Cornelius Fagin, ou FBoss, um colecionador de artes fora da lei, mas fora traído pelos próprios comparsas e passou a ser alvo de um atirador que queria matá-lo. Harry queria encontrar Dodge, seu contato, para conseguir dinheiro e sumir mas, por ter escapado, a gangue ficou desfalcada de um "artista".

Red é uma garota que acabou em apuros quando se envolveu por acidente com a máfia russa, mas conseguiu sair dessa vida devido a um acordo feito por Bill Sikes, outro bandido que trabalha para FBoss. Red se sentia segura sendo protegida por Sikes mas isso faria com que ela tivesse uma dívida eterna com ele e, por isso, Sikes a enxergava como sua garota. Ela é um tipo de peça chave para encontros e roubos arquitetados pela gangue de FBoss.
A especialidade da gangue é roubar grandes obras de arte e eles vivem escondidos a fim de não serem encontrados pela polícia. Os assaltos que eles comentem são ousados e muito bem planejados e os russos, aproveitando do acordo com Sikes, encomendaram um roubo de uma série de obras de arte avaliadas em milhões, caso contrário Red pagaria o preço.
Mas um roubo desse porte não poderia ser executado se um artista que pudesse recriar as obras não fosse encontrado...

Partindo desta premissa conhecemos Twist, de dezoito anos. Ele é órfão, não tem um lugar pra morar, não tem amigos e é um completo solitário. Ele conseguiu fugir de uma instituição para jovens criminosos há pouco, o que fez com que fosse perseguido pela polícia. Mas quando Dodge descobre o garoto, ele resolve resgatá-lo e apresentá-lo a Fagin, que possui grande interesse no dom artístico do rapaz e precisa dele para executar o próximo roubo.
Red é incubida de treinar Twist como seu parceiro no crime e, obviamente, um interesse que vai além do profissional começa a surgir, mas se envolver com a garota de alguém tão perigoso e violento não é uma boa ideia...

Narrado em terceira pessoa, Twist é o tipo de livro com vários acontecimentos, logo, embora seja um livro curto, não é tão rápido de ser lido, ou pelo menos não pra quem quer captar os detalhes, que é o que faz a diferença na história. Tais detalhes acabaram por tornar a narrativa um pouco lenta e complexa, mas não deixa de ser empolgante e bastante inteligente. Os pontos de vista se intercalam entre os personagens e não fica focado somente em Twist, então o leitor não fica limitado a ter somente a visão do rapaz. A história segue e se desenvolve como num filme, com tem várias cenas de ação, todas bastante dinâmicas e intensas envolvendo perseguições de tirar o fôlego e que deixam o leitor ansioso pelo próximo acontecimento.

A capa é bem sugestiva com o borrão de spray e por ser minimalista acaba sendo chamativa e bonita. A diagramação é simples e os capítulos possuem a mesma mancha quando iniciados. As paginas são amarelas e não lembro de ter me deparado com erros na revisão.

Achei que a releitura foi bastante original e apesar da história demorar um pouco pra engatar é possível pescar várias características do livro clássico. Os personagens ganharam vida e ficamos torcendo por Twist e Red a todo custo. É bacana percebemos de forma gradual como ambos têm sonhos que vão muito além da vida no crime que eles vivem.
Twist é um bom rapaz, de boa índole e que precisa seguir seu caminho contando com sua imaginação e bom senso, e claro, com Red.

Gostei da forma como os personagens foram desenvolvidos, pois todos possuem um carisma próprio e particularidades que os tornam únicos.
O cenário também tem seu espaço a parte, pois Londres ganha vida ao mostrar um lado obscuro cheio de oportunismo que parte de ladrões tão astutos e habilidosos e que têm interesse em obras de arte raras e valiosas, o que acaba tornando a história fascinante de se acompanhar.
Twist é um livro que prende o leitor do início ao fim e pra quem gosta de uma história cheia de ação e reviravoltas, além de planejamentos e execuções geniais, é uma boa pedida.

Mil Pedaços de Você - Claudia Gray

11 de dezembro de 2015

Título: Mil Pedaços de Você - Firebird #1
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Gênero: Romance/YA/Sci-Fi
Ano: 2015
Páginas: 288
Nota: ★★☆☆☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Os pais de Marguerite Caine são físicos conhecidos por suas conquistas científicas radicais. A invenção mais surpreendente deles é o Firebird, que permite que seus usuários pulem para universos paralelos, alguns completamente diferentes do nosso. Mas quando o pai de Marguerite é assassinado, o assassino, – Paul, o enigmático e belo assistente – escapa para outra dimensão antes que possa ser julgado.
Marguerite não pode deixar que o homem que destruiu sua família fica livre, então ela corre atrás de Paul através de diferentes universos, nos quais suas vidas se entrelaçam de formas familiares. A cada encontro ela começa a questionar a culpa de Paul – e seu próprio coração. Logo ela irá descobrir que a verdade sobre a morte de seu pai é mais sinistra do que ela pode imaginar.
"Mil pedaços de você" explora uma realidade onde testemunhamos as incontáveis outras vidas que podemos levar em um universo incrivelmente intrincado e nos perguntar se no meio de infinitas possibilidades o amor pode durar.

Resenha: Mil Pedaços de Você, escrito pela autora americana Claudia Gray (pseudônimo de Amy Vincent) e publicado no Brasil pela Agir Now conta a história de Marguerite Caine, ou Meg, uma garota de dezesseis anos filha de dois geniais e renomados físicos de Londres. Ao inventarem o Firebird, um dispositivo que possibilita viagens entre dimensões, eles concretizam a teoria de que existem universos paralelos e outras dimensões com várias realidades diferentes daquelas que todos conhecem. Mas o inesperado acontece... O Firebird é roubado e o pai de Meg, Henry, é assassinado. Paul Markov, um dos brilhantes assistentes de seu pai, é o principal suspeito do assassinato, mas, antes que possa ser julgado, ele consegue escapar para outra dimensão usando o dispositivo.
Marguerite quer vingança e com ajuda de Theo, o segundo assistente de seu pai, ela usa o protótipo do Firebird para ir atrás de Paul com intenção de matá-lo.
Porém, as coisas não saem como planejado. Meg acaba encontrando versões de si mesma a cada mundo que vai, assim como versões diferentes de Paul, o que a faz pensar que ele jamais poderia ter culpa no assassinato de alguém que o apoiou e o incentivou com tanta convicção como Henry fez. A verdade sobre a morte de seu pai pode ter mais segredos do que Meg imaginou...

O livro é narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista de Marguerite e embora a escrita seja fácil e fluída, tive algumas ressalvas devido ao desenvolvimento da trama e pela própria protagonista. Meg não é nenhum gênio como seus pais, logo o leitor fica limitado à percepção e aos conhecimentos dela nas situações em que se encontra e acredito que isso tenha sido um ponto nada favorável à história, deixando alguns buracos e a impressão de que a ignorância da garota seja a responsável pelo pouco aprofundamento e pela falta de explicações sobre o funcionamento da Firebird. Eu particularmente gosto de saber o motivo das coisas pois são os detalhes que fazem a diferença, principalmente num livro que aborda viagens entre dimensões e universos paralelos e as coisas deveriam ter explicações plausíveis a fim de que a história se torne crível.
Através das viagens que Meg faz, a história passa por uma Londres cuja tecnologia está bastante avançada, até a Rússia onde a monarquia ainda imperava, mas ainda que esses mundos soem interessantes, e de fato a Rússia é, eles foram pouco trabalhados e o foco fica no relacionamento complicado entre os personagens.
Ao longo da história é possível nos depararmos com clichês, entre eles o famoso triângulo amoroso que não costuma me agradar, fora a previsibilidade da história. Fiquei com a sensação desde o início de que eu já sabia exatamente o que iria acontecer, só restava saber como.

Eu fiquei super incomodada com o nome da protagonista pois a única coisa que me vinha à cabeça era a bebida "margarita", então preferi ignorar seu nome ridículo e chamá-la apenas de Meg.
Meg faz o estilo "garota decidida", principalmente quando começa focada em matar o assassino do pai. Ela usa seu conhecimento sobre cultura pop para suas tiradas em diálogos mornos, mas as burradas que ela faz me fizeram revirar os olhos de preguiça. Achei que o desenvolvimento dela foi bastante fraco pois desde o começo já sabemos que a ideia dela nunca seria executada já que a premissa se torna previsível e se perde quando o romance exagerado, enrolado e sem profundidade toma conta da história no meio do caminho.
Eu senti falta de personagens que realmente fizessem alguma diferença na história. Muitos que apareceram foram irrelevantes, como a irmã e a tia de Meg e, pelo menos neste primeiro volume, não tiveram nada a acrescentar. Os pais foram pouco trabalhados e serviram apenas como inventores do Firebird, tanto que a mãe de Meg mal aparece. Os que tiveram um papel maior poderiam ter aparecido mais, como o vilão que acabou sendo bem apático, se não tivessem sido ofuscados pelo romance entre o triângulo amoroso.

A capa é maravilhosa e consegue retratar a ambientação da história sem revelar o enredo, os detalhes em aquarela deram um charme a mais que deixaram o visual bem agradável. A diagramação também é super bacana pois a cada início de capítulo há a ilustração no topo da página sobre o local em que os acontecimentos estão se desenrolando. As páginas são amarelas e não percebi erros na revisão.

Mil Pedaços de Você é o tipo de história que poderia agradar mais se a ideia fosse melhor executada no que diz respeito a detalhes e explicações. O final traz uma reviravolta interessante e que deixa o leitor ansioso pelo que há por vir. Acredito até que outras dimensões além das quatro que aparecem aqui serão abordadas e, quem sabe, talvez, a falta de explicações seja algo proposital pelo livro ser introdutório, como se Meg fosse descobrir mais coisas futuramente e as explicações venham de outra maneira para que o leitor não fique apenas com a ideia de que "as coisas acontecem porque sim e pronto". Tem que ter algo além...