Caixa de Correio #58 - Dezembro, a última do ano!

31 de dezembro de 2016

Última caixinha de 2016!
Esse ano foi uma loucura e nem contei quantos livros chegaram ao longo de todos esses meses.
Bora ver o que recebi esse mês.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

29 de dezembro de 2016

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 352
Nota:★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é a edição impressa do roteiro de ensaio da peça escrita por J.K. Rowling em parceria com Jack Thorne e John Tiffany, que esteve em cartaz em Londres e se passa 19 anos após os acontecimentos narrados em Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Resenha: Dezenove anos se passaram desde a grande Batalha de Hogwarts. Harry Potter já beira os quarenta anos, se tornou diretor do Departamento de Execução das Leis da Magia, é casado com Gina Weasley e eles tiveram três filhos: Tiago, Alvo Severo e Lílian. Embora ele tenha uma vida bastante diferente de quando era um garoto, ainda é difícil pra ele lidar com o passado e com suas atuais responsabilidades.
Alvo, o filho do meio, nunca gostou de ser "famoso" pelos feitos de seu pai. O relacionamento entre Harry e Alvo é delicado, muito difícil e as farpas que eles trocam entre si são inevitáveis.
Quando Alvo foi para Hogwarts, ele foi para a Sonserina, e foi lá que ele fez amizade com Escórpio Malfoy, filho de Draco Malfoy. Os dois se tornaram melhores amigos. Eles só não esperavam que, após tantos anos, Amos Digory continuaria culpando Harry pela morte do seu filho, Cedrico, no último Torneio Tribruxo, e isso iria se tornar um fardo tão grande e pesado a ponto dos garotos decidirem tentar voltar no tempo para salvá-lo.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada irá narrar as aventuras de Alvo e Escórpio numa tentativa rebelde de salvar Cedrico, mas o que eles não imaginaram é que mudar o passado poderá alterar o curso do presente e do futuro de todos, inclusive o deles mesmos..

Pra ser sincera eu não sei até onde J.K. Rowling meteu o bedelho nesta obra, mas por mais que os leitores sintam aquela imensa nostalgia por terem contato com personagens inesquecíveis e memoráveis mais uma vez depois de tantos anos, todos sabem que grande parte do sucesso da saga Harry Potter foi devido a narrativa maravilhosa, detalhada, emocionante, bem humorada e cheia de criatividade da autora. Tais detalhes não existem quando o assunto é o roteiro de uma peça, pois as cenas são resumidas e diretas apenas pra ambientar os personagens em determinados locais, seguidas por diálogos identificados por seus nomes que, muitas vezes, tornam os acontecimentos confusos e muito limitados. Basicamente a história é contada através de diálogos rápidos e breves descrições do local em que os personagens se encontram. Eles aparecem de repente e sem a devida apresentação, depois já não estão mais lá, logo em seguida fazem coisas sem sentido e não há a menor preocupação em dar maiores explicações ao leitor sobre o quê, de fato, está acontecendo, mesmo que aquilo possa ter consequências futuras ou nos faça questionar sobre o improvável ou o impossível. Por esse motivo não me senti realmente conectada ao universo mágico de Harry Potter e fiquei com a impressão de ter lido só mais uma história inventada por qualquer pessoa que não se deu ao trabalho de tentar manter o padrão de qualidade da narrativa original, não por questão de ser originalmente um roteiro, mas pelo menos em respeito aos fãs. Já que a ideia de transformar o bendito roteiro em livro surgiu, que fizessem a coisa direito, pelo amor de Deus. O dinheiro ia entrar de qualquer jeito, oras.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada poderia ser considerada uma fanfic, ou até um spin-off especial, mas continuação? Me perdoem por esse desabafo gigante, mas pra mim, como eterna fã, está muito longe disso. A história é interessante até certo ponto e cumpre com o papel de entreter, mas é praticamente inaceitável que este livro seja uma sequência oficial da série... Simplesmente não combina com o resto.
Sim, tentei relevar tudo por se tratar de uma peça de teatro que foi adaptada para a literatura para agraciar os leitores e fãs do bruxinho, mas é impossível sentir uma conexão com personagens tão diferentes do esperado, sejam eles novos ou antigos, atuando em uma história alheia, cheia de buracos, acontecimentos sem base, soluções fáceis e convenientes que não fazem o estilo de J.K. se compararmos com a saga original, e o problema maior, pra mim, foi este.
Sei que uma das características da autora, e que talvez seja uma das poucas presentes nessa história, é trazer alguns personagens imperfeitos, que não aprendem com os erros, ou ainda que adoramos odiar, mas quando esse personagem é um dos protagonistas a coisa muda de figura e fica mais delicada. Colocar alguém adorável e digno ao lado de um rebelde sem causa, idiota e inconsequente como forma de equilíbrio é uma escolha, no mínimo, arriscada... O que acontece quando um protagonista é ofuscado pelo brilho do outro? E nem quando Alvo cede e deixa de ser tão petulante é possível sentir simpatia por ele, o que é muito diferente da impressão que Escórpio causa no leitor, pois é ele quem rouba a cena.

Os demais personagens estão lá, mas senti que eles perderam suas essências e seguiram por caminhos que fugiram do que eles sonharam quando eram mais novos. Hermione agora é Ministra da Magia, mas em momento algum ela se passa por aquela "irritante" sabe-tudo que tanto gostava. Ela continua a agir com a razão, mas não da mesma forma como era antes. Rony, que era um personagem tão engraçado e cabeça dura, agora não passa de um bobão. Há cenas em que ele tenta ser engraçado, mas falha miseravelmente pois suas atitudes não soam naturais. Ele virou dono das Geminialidades Weasley mas não há nada que remeta que isso seja uma responsabilidade real que ele tenha em mãos. O que dá a entender é que uma lojinha de logros (que significava tudo para Fred e Jorge) não tem tanta importância assim em meio a assuntos mais sérios. Mesmo que ele e Hermione sejam casados, não é possível sentir que eles têm química pois eles não combinam enquanto adultos.
Já Harry e Gina demonstram uma cumplicidade mútua e o relacionamento deles é bastante bonito. Ela é a única que parece continuar uma personagem de fibra e que não sofreu tantas mudanças com o passar dos anos.
Não vou dar spoilers, mas o clímax da história gira em torno de uma grande revelação envolvendo Delfi, uma personagem que se diz prima de Cedrico e que incentiva Alvo e Escórpio a voltarem no tempo para salvá-lo, mas isso eu não pude engolir. Isso porque a tal revelação está ligada a algum possível acontecimento nos livros anteriores da saga, mas em momento algum houve qualquer tipo de brecha para tal. E quem leu os livros vai ficar com a cara na poeira tentando juntar as peças desse quebra cabeça, revirando o cérebro e cavando fundo tentando lembrar como pode ter acontecido aquilo em algum momento e sem encontrar nada, assim como eu.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, apesar de não ser um romance propriamente dito, cumpre com a função de levar o leitor pra perto de personagens tão queridos, mata um pouco da saudade, e é um livro de leitura extremamente rápida. Ele não prende logo de cara, mas logo já estamos mergulhados nessa aventura e querendo saber qual será o desfecho para tantos problemas que foram causados pelos garotos.
De forma geral, vale a pena ser lido, sim, desde que o leitor não vá cheio de expectativas esperando por algo emocionante e que vai ficar na memória pra sempre como a saga de Harry Potter ficou...

Fração de Segundo - Kasie West

24 de dezembro de 2016

Título: Fração de Segundo - Pivot Point #2
Autora: Kasie West
Editora: Seguinte
Gênero: YA
Ano: 2016
Páginas: 320
Nota:★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Por causa de sua habilidade paranormal, Addie é capaz de Investigar seu futuro sempre que se depara com uma escolha, mas isso não torna sua realidade mais fácil. Depois de ser usada pelo namorado e traída por Laila, sua melhor amiga, ela não hesita em passar as férias com o pai no mundo Normal. Lá ela conhece Trevor, um garoto incrivelmente familiar. Se até pouco tempo ele era um estranho, por que o coração de Addie acelera toda vez que o vê?
Enquanto isso, Laila guarda um grande segredo: ela pode Restaurar as memórias de Addie - só falta aprender como. Muita gente poderosa não quer que isso aconteça, e a única pessoa que pode ajudar Laila é Connor, um bad boy que não parece muito disposto a colaborar. Como ela vai ajudar a amiga a alcançar o futuro feliz que merece?

Resenha: Fração de Segundo é o segundo livro da duologia Pivot Point escrita pela autora Kasie West e publicado pela Seguinte no Brasil.

Addison Coleman é uma Investigadora de Destinos, habilidade que a torna capaz de ver o futuro quando ela está diante de uma escolha, assim ela pode decidir o que quer seguir a partir do que foi visto.

No primeiro livro, Encruzilhada, Addie teve decepções,enfrentou alguns perigos e pediu pra ter a memória apagada, e agora precisa lidar com as consequêcias do destino que escolheu. Fração de Segundo começa logo após esses acontecimentos, onde Addie vai para o mundo Normal passar as férias com seu pai, e lá ela conhece Trevor, que apesar de ser um estranho, mexe com seus sentidos e lhe parece muito familiar...
Enquanto isso, Laila, a melhor amiga de Addie, mantém em segredo sua capacidade de Restaurar Memórias, inclusive a da própria Addie, e ela precisa aprender a desenvolver melhor seu dom para poder usá-lo e lidar com as pessoas que querem impedir que Addie se lembre das coisas. Ela tem em mãos uma carta escrita por Addie, antes de ter a memória apagada, pedindo para que suas lembranças fossem restauradas. E por mais complicado que possa ser, Laila não irá desistir de ajudar sua amiga.

O livro é narrado em primeira pessoa e traz os pontos de vista de Addie e Laila de forma alternada. Diferente do primeiro livro, que a alternância se dava entre os possíveis destinos de acordo com as investigações de Addie, aqui temos um acréscimo de informações que colaboram para o desenvolvimento da trama, dando uma perspectiva nova e única à história.
Dessa forma, considero que Fração de Segundo tenha sido um volume melhor do que o primeiro, com toques de adrenalina e suspense que me surpreenderam bastante e elevaram o nível da duologia, fazendo com que ela ficasse ainda mais dinâmica e focando em pontos mais relevantes do que os dramas juvenis das personagens.
Os acontecimentos são rápidos, várias coisas estão acontecendo ao mesmo tempo e o ritmo é frenético. É impossível desgrudar do livro devido a enorme curiosidade sobre qual será o próximo passo das personagens.

O desenvolvimento dos personagens, que já era bom, ficou ainda melhor. Addie amadureceu e agora encara seus desafios com força e muita coragem, e seu senso de justiça está mais aguçado do que nunca. Laila não tinha despertado minha simpatia, mas talvez por agora ver as coisas através de seu ponto de vista e ter acesso aos seus pensamentos, passei a considerá-la alguém que reconheceu que errou mas que está disposta a tudo para se redimir e corrigir o que fez.
Trevor é um amor de rapaz mas, devido ao que passou, se mostra alguém muito confuso, o que não é necessariamente um ponto negativo visto que a história dele se encaixa no contexto tornando a trama muito mais verdadeira.

De forma geral, Fração de Segundo superou minhas expectativas, trazendo personagens mais maduros, situações mais envolventes e cheias de suspense e um enredo intrigante que com certeza vai cativar os leitores, tanto pela aventura de tirar o fôlego quanto pela escrita ótima da autora que é totalmente viciante.
Pra quem procura por uma aventura toques de romance, suspense e mistério, bom humor e paranormalidade, é livro mais do que recomendado!

Hudson - Laurelin Paige

23 de dezembro de 2016

Título: Hudson - Fixed #4
Autora: Laurelin Paige
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Romance Erótico
Ano: 2016
Páginas: 568
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Por você, Com você e Sempre você – conquistou as leitoras com a relação explosiva de Hudson Pierce e Alayna Whiters. Agora, a autora Laurelin Paige mostra fatos e passagens da série sob a ótica de Hudson: o que mudou na vida dele depois que o destino dos dois se cruzou? Numa espécie de diário, o milionário frio, dono de um passado destrutivo e traumático, relembra acontecimentos marcantes de sua vida antes e depois de conhecer Alayna, tão diferente dele e, ao mesmo tempo, tão parecida em suas inseguranças. Muitas vezes o relacionamento é posto à prova, e ambos precisam abrir mão de muitas coisas em nome da conexão e do desejo que mantêm suas vidas entrelaçadas. Neste volume extra, as fãs da série Fixed descobrirão que para Hudson Pierce só existe o depois de Alayna Whiters. 

Resenha: Hudson é um livro que funciona como um diário do personagem, um complemento à trilogia Fixed, pois por ele a autora dá às leitoras detalhes de como era a vida de Hudson antes de ter conhecido Alayna, e como eles e transformou a partir da presença dela em sua vida, porém e desta vez, sob a visão dele.

Este volume traz respostas para muitas das questões que foram levantadas nos livros anteriores das quais não foram muito bem esclarecidas, e todos os sentimentos que atormentavam Hudson ao longo da trilogia enfim puderam ser melhores compreendidos, mostrando o caminho tortuoso que ele percorreu até se tornar aquele homem que nos foi apresentado em Por Você.
Assim, o passado sórdido de Hudson se intercala com seu presente, e vários dos acontecimentos começam a vir à tona para que seja possível entendermos não só o lado dele na história, mas o de Celia também e o motivo de ela ser aquela pessoa tão odiosa... E Hudson foi tão sacana com ela que cheguei a ficar com pena da moça...

Ficamos íntimas de seus pensamentos, de seus sentimentos e de como ele ficou devastado, como foi consumido pela culpa quando, enfim, ele reconheceu o quão canalha era. E claro, como ele foi capaz de mudar quando se rendeu ao amor.
A abordagem sobre o relacionamento de Hudson com sua irmã também é algo muito bonito de se ver, o quanto ele a ama de forma fraternal chega a ser uma inspiração e é muito emocionante.

O trabalho gráfico também é um espatáculo. A capa combina com as demais, os detalhes da diagramação, o conjunto inteiro combina e é muito caprichado.

Enfim, Hudson é uma adição preciosa à trilogia pois acrescenta informações que realmente são relevantes e que explicam muito bem o que havia ficado em aberto, principalmente pelo epílogo que nos permite ter um vislumbre do futuro desse casal tão quente. Eu só não curto muito as cenas repetidas já vistas anteriormente.
Mas pra quem curtiu a trilogia e ficou com aquele gostinho de quero mais, é leitura obrigatória.


Novamente Você - Juliana Parrini

22 de dezembro de 2016

Título: Novamente Você
Autora: Juliana Parrini
Editora: Suma de Letras
Gênero: Romance/Literatura Nacional
Ano: 2016
Páginas: 362
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Miah Madsen precisa voltar para o lugar que fez questão de esquecer por doze anos e encarar sua família, seus amigos e, inclusive, seu ex-marido. Tudo o que ela não queria era ser novamente a Maria Rita. Mas, ao colocar os pés naquela ilha, ela percebe que aquele lugar seria o seu maior pesadelo. Porém, essa era a sua única opção.
Leonardo Júnior ou Léo, como é chamado por todos, era um caiçara típico que foi abandonado pela esposa de um dia para o outro. Porém, em vez de se entregar ao sofrimento, ele descontou sua mágoa e sua decepção no trabalho árduo, sendo recompensado com o sucesso. Léo se tornou um empresário bem-sucedido, dono da melhor pousada de Ilha Grande, o lugar onde nasceu. O que ele não imaginava é que Maria Rita, sua ex-esposa, voltaria e faria seus alicerces balançarem novamente.
Será que podemos nos apaixonar novamente pela mesma pessoa após tantos anos? Afinal, uma mágoa pode mesmo durar para sempre?

Resenha: Maria Rita agora é Miah, uma moça do interior do Rio de Janeiro que aos 20 anos, e de forma inesperada, abandonou o marido, as irmãs e seus pais para morar em outro país e fugir da vida simples que o destino lhe reservava. Doze anos depois e da mesma maneira repentina que ela os deixou, ela retornou à Ilha Grande, contudo ali nada permanecera igual como ela imaginou, Leonardo Júnior utilizou a dor da separação para superar Maria Rita através de seu trabalho. Agora, ele não é apenas um simples pescador, mas dono da maior frota pesqueira da região, como proprietário da pousada local.
Por que ela voltou agora, doze anos depois, sem avisar? Como e por que esse abandono despedaçou sua família e seu relacionamento com as irmãs? Essas são algumas das perguntas que o leitor se faz e vê respondidas ao logo da leitura.

Através de uma narrativa simples, leve e despretensiosa, a autora constrói mais uma doce história de amor. Com um começo meio arrastado e uma personagem estremamente irritante, Novamente Você desenvolveu uma trama que discorre de maneira crescente, e capítulo a capítulo o leitor vai se ambientando e se simpatizando mais com os personagens. Minha paixão pelo enredo e pela narrativa não foi instantânea como aconteceu com o livro de estréia da autora, contudo, confesso que um capítulo me levou a outro e esse a mais um e assim por diante até a última página, a qual virei já com saudades.

Se a intenção era transformar Miah no ser humano mais arrogante e no protagonista mais antagonista possível, a missão está completa. Foi difícil para mim me envolver com as dores da personagem, de forma que demorei a acreditar no casal e torcer por eles. Leonardo é tão bom moço, bom tio e bom amigo que me peguei várias vezes desacreditando um pouco já que o rapaz ficou desiludido por ter sido abandonado e quando ela voltou ele já estava balançado outra vez como se nada tivesse ocorrido.

É uma trama cuja história da protagonista vai sendo revelada aos poucos, contando com pontos altos e baixos, recheados de sentimentalismo, abordando os relacionamentos familiares e amorosos e algumas descobertas são de partir o coração, mas em contrapartida também nos deparamos com cenas bem humoradas e torcemos para que todos se entendam no final de tudo.

Pra quem procura por uma história que cativa com o passar das páginas e que encanta não só pelo romance, mas também pelo belo cenário, recomendo!

Você Se Lembra de Mim? - Megan Maxwell

21 de dezembro de 2016

Título: Você Se Lembra de Mim?
Autora: Megan Maxwell
Editora: Essência/Planeta
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 496
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Alana é uma mulher independente que não acredita no amor e tem na profissão sua única razão de viver. Jornalista freelancer, é enviada a Nova York para escrever uma reportagem sobre a metrópole, onde conhece o atraente Joel Parker. Quando ela descobre que aquele homem bonito e sedutor que tem lhe feito companhia nos últimos dias é um militar, como seu pai uma lembrança que ainda a assombra , a jornalista desaparece sem deixar vestígios. Apesar de resoluta em sua vontade de se afastar do capitão da Marinha americana para não repetir a história de sofrimento de sua mãe, ela não conseguirá aplacar o desejo de seu coração por Parker. Quem vencerá essa disputa entre razão e emoção? O passado de sua mãe irá assombrá-la ainda mais ou irá ajudá-la a esclarecer muitas questões mal resolvidas?
Resenha: Você se Lembra de Mim?, romance escrito pela autora espanhola Megan Maxwell e publicado no Brasil pelo selo Essência da Editora Planeta de Livros.
Há trinta e cinco anos, Carmen saiu da Espanha e foi para a Alemanha para trabalhar. Lá, ela se apaixonou por Teddy, um militar americano que proporcionou a ela um romance lindo e intenso, mas ele foi convocado para a guerra do Vietnã e, desde então, Carmen nunca mais o viu, nem recebeu uma carta com notícias, nada.
Passados todos esses anos, entra em cena Alana, a filha desse casal, uma jornalista freelancer e workaholic que só encontra razão para viver na profissão que escolheu. Ela é independente e não acredita no amor depois ter crescido vendo o quanto sua mãe sofreu por ter ficado sozinha.
Porém, quando Alana viaja para Nova York a trabalho, ela conhece Joel, o homem dos sonhos de qualquer mulher, do tipo "que abaixa a tampa do vaso". E considerando a história de vida de sua mãe, Alana viu que um relacionamento com Joel jamais poderia fazer parte de seus planos. Ele é um fuzileiro naval e se envolver com um militar, assim como seu pai foi, era tudo o que ela não queria para sua vida, logo, ela só quer distância dele. Mas Joel está encantado por Alana e seu jeito de ser, e ele está determinado a ficar com ela, custe o que custar, resta a ela ceder e assumir que também está apaixonada...

O livro superou minhas expectativas, não só pelo romance em si, mas, por ter conseguido evidenciar de forma tão realista o quão difícil é para uma mulher se assumir como mãe solteira  (mesmo que ela estivesse esperando pelo noivo que partiu para lutar na guerra sem saber quando, e se, ele voltaria), numa época marcada por ser tão rigorosamente tradicional. Carmen só se importa com o fato de fazer a filha feliz, nem que pra isso tenha precisado enfrentar a sociedade e suas "regras". Ela também se orgulha por ter vivido um amor forte, intenso e bonito, do qual Alana é fruto.

O livro é dividido em duas partes e a primeira, que se passa nos anos sessenta, é destinada a contar a história de amor mais linda que foi a de Carmen. Ela é uma mulher de fibra e muito guerreira, e acredito que não poderia ser muito diferente, visto que a autora se inspirou na história de sua própria mãe para escrever a obra. Tem coisa mais fofa?
E isso sem contar com o fato de que ainda temos um vislumbre do que foi a imigração, das jovens que saíram de seus lares rumo a Alemanha, que na época era uma das maiores potências industriais do mundo, em busca de oportunidades de trabalho.

Na outra parte temos Alana, que apesar de ter algumas semelhanças com sua mãe, também é uma personagem muito boa e que rende muitas risadas, mas por ser impulsiva demais, acaba tomando decisões que, por vezes, demonstram o quanto ela ainda é imatura e precisa rever seus conceitos.
Sua história é envolvente e bastante divertida, mas não me arrancou todos os suspiros como aconteceu ao acompanhar Carmen e Teddy.

Eu gostei muito da história, da forma como Alana estava "fadada" a um destino parecido com o de sua mãe, como ela quis fugir disso inicialmente e como ela e seu "Capitão América" resolveram esse problema. E é essa "jornada" em busca do felizes para sempre, cheio de confusões e momentos super divertidos é o que se desenvolve na trama, de um jeito super legal e gostoso de se acompanhar.

A capa é bem bonitinha e combina com a história. Os capítulos são numerado com um pequeno ornamento para enfeitar, os capítulos são curtos, mas o que me incomodou foram as notas de rodapé sobre as músicas que são mencionadas, quem as interpreta, de que gravadora são e etc. Até então eu nunca havia visto esses tipos de dados em outros livros que mencionam músicas (pra mim bastava dar os créditos ao artista). Sempre acho que notas de rodapé, quando não estão alí para dar significado a alguma palavra de origem desconhecida ou que não seja alguma nota do tradutor que realmente seja relevante, são uma enorme distração em meio a leitura e detesto isso. Então, fui lendo e ignorando essas informações lindamente.
Ao final podemos espiar algumas fotos reais e que tornam o livro ainda mais especial e memorável.

No mais, Você se Lembra de Mim? é um romance super fofo, leve, que faz rir, arranca suspiros, emociona e arranca algumas lagriminhas se bobear. Super recomendo!

À Procura de Alguém - Jennifer Probst

20 de dezembro de 2016

Título: À Procura de Alguém - Searching For #1
Autora: Jennifer Probst
Editora: Paralela
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sorte nos negócios, azar no amor: essa é a sina de Kate. Aos 28 anos, ela está longe de ter conhecido alguém especial com quem dividir a sua vida. Sua carreira de cupido profissional, por outro lado, vai de vento em popa: todos na pequena cidade de Verily, Nova Iorque, conhecem e admiram a Kinnections, agência de relacionamentos que Kate fundou com suas duas melhores amigas. Até que, um dia, um homem tão lindo quanto furioso entra em sua sala. Slade Montgomery é um advogado de divórcios que não acredita em finais felizes e muito menos em agências de relacionamentos. Para ele, a Kinnections é uma grande farsa, criada para ludibriar pessoas frágeis e ingênuas, como sua irmã. Agora, é uma questão de honra: Kate não vai medir esforços para provar a Slade que seus talentos são legítimos e suas intenções nobres, nem que para isso precise encontrar a namorada ideal para ele. Mas um simples toque vai fazer com que essa tarefa se torne muito mais difícil do que ela poderia conceber...

Resenha:  Kate Seymor é uma mulher de vinte e oito anos que se juntou às amigas para abrirem a Kinnections, uma agência de relacionamentos onde ela poderia por seus dons de cupido em prática e unir casais para dar a eles seus finais felizes. É uma sina, um dom que está em sua família do qual Kate se orgulha muito. Mas mesmo tendo essa habilidade, ela mesma não teve sorte para encontrar a sua alma gêmea, e os encontros desastrosos que teve até então só serviram para desiludí-la, coitada. Ainda assim ela não perde o foco e sua energias agora estão concentradas em encontrar um par para Jane. O problema é que o irmão de Jane, Slade, é um cara superprotetor que jurou manter a irmã feliz e livre de decepções amorosas após um relacionamento traumático que ela teve, e quando ele descobre que sua irmã havia se inscrito na Kinnections, não tem outra reação a não ser tentar impedí-la. Ele é advogado de divórcios, está acostumado a encarar o pior dos relacionamentos de forma rotineira e nada tira de sua cabeça que finais felizes não existem. Pra ele a agência de Kate é uma farsa completa e depois de adentrar o lugar feito um louco, ele faz uma ameaça: se a incrição de Jane não for cancelada ele processaria a Kinnections.
Kate não se sente intimidada por Slade e ainda o coloca no programa para encontrar um par ideal para ele, para provar que seus métodos realmente funcionam e que ela sabe o que faz. O problema é que há uma atração entre os dois pairando no ar, mas como a união de uma pessoa que une casais com outra que os separa funcionaria?

Narrado em terceira pessoa, para que o leitor tenha uma visão mais ampla sobre os fatos, a história é bem escrita e vai direto ao ponto, porém, em alguns casos, se tornou um pouco cansativa devido a certos dramas mal desenvolvidos e até mesmo fúteis, e os capítulos enormes não colaboraram muito para tanto envolvimento. Embora tenha vários clichês, a história é boa de se acompanhar, principalmente pelos personagens que foram bem construídos e conseguiram sustentar a trama de forma satisfatória no final das contas.
Kate é uma mulher independente e decidida, uma sonhadora, romântica de carteirinha que acredita muito em seu potencial e, claro, em finais felizes. Em contrapartida, Slade é aquele machão que acredita que pra se proteger de alguma coisa o jeito mais fácil é evitá-la. Ele se agarra a ideia de que o amor é algo que não funciona, principalmente quando é a longo-prazo, e a única conclusão que tive diante desse comportamento é que, por já ter quebrado a cara e estar acostumado a relacionamentos que estão fadados ao fracasso, sua forma de defesa é essa, por mais boba que seja. É frustrante quando a felicidade está alí batendo à porta, dando oportunidade, e a criatura abissal, por ser cabeça dura, se nega a abrir.
A atração entre eles parece ter sido muito forçada, uma fixação pelo corpo um do outro quase que inexplicável mas no final não deixa a desejar embora previsível. Algumas histórias apresentadas na trama deram a impressão de terem ficado inacabadas, faltando conexões entre elas e os personagens, mas não sei se isso sugere que o livro terá uma continuação...

A edição gráfica é simples mas é muito linda (e eu adoro essas capas minimalistas com uma tipografia chamativa). Diferente das capas das outras obras da autora, esta é discreta, singela e consegue passar algum sentimento mais intenso só pela ilustração dos olhos fechados, sem necessidade de apelar pra fotos mais provocantes. A diagramação é simples, os diálogos seguem o padrão da Paralela e são apresentados com aspas em vez de travessão. Não percebi erros na revisão.

Pra quem quer curtir um romance que aborda os encontros e os desencontros amororos que as pessoas estão sujeitas a passar, além de um relacionamento improvável entre duas pessoas que, na teoria, não tem nada a ver uma com a outra, é livro mais do que indicado.

Desejo Concedido - Megan Maxwell

19 de dezembro de 2016

Título: Desejo Concedido - Guerreiras #1
Autora: Megan Maxwell
Editora: Essência/Planeta de Livros
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 464
Nota:★★☆☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Na Inglaterra do século XIV, após a morte dos pais, a jovem lady Megan Phillips, de vinte anos, segue uma vida tranquila, focada na educação e na criação de seus dois irmãos mais novos. Para fugir de um casamento arranjado por sua tia, Megan e a irmã, Shelma, vão para o castelo de Dunstaffnage, na Escócia, onde vive seu avô Angus de Atholl, do clã McDougall. Anos depois, durante o casamento de um de seus primos, Megan – uma mulher aguerrida, pronta a empunhar uma espada pra defender sua família e que não se dobra por nada e nem por ninguém –, conhece o temido guerreiro de olhos verdes Duncan McRae – um homem acostumado a liderar exércitos, mas que nunca esteve preparado para enfrentar o gênio forte de uma mulher. O destino trama contra (ou a favor de) Megan, que, contra a sua vontade, acaba se casando com Duncan. Conseguirão os dois se entender e seguir a vida como um casal feliz? Ou viverão às turras, como se estivessem num campo de batalha?

Resenha: Desejo Concedido, o primeiro volume da trilogia Guerreiras, nome dado às fãs da autora ao redor do mundo, narra a história de Megan e Shelma, duas irmãs que vivem na Escócia do século XVIII. As duas, que são órfãs de pais e vivem com tios carrascos que apenas querem casá-las com quaisquer brutamontes para herdar suas terras, se veem obrigadas a fugirem para terras distantes com a ajuda de um amigo. Em novo território, vivendo de modo diferente, as duas irmãs embarcam em aventuras com muitos conflitos, e claro, romances com guerreiros escoceses.

A premissa do primeiro volume de Guerreiras é muito boa: ambientar um romance de época num cenário que envolve guerreiros e duas protagonistas que lutam e defendem seus ideias.  Geralmente, o gênero sempre traz vestidos pomposos, bailes e aquele clima "donzela e cavaleiro". Megan Maxwell foi na contra-mão disso e esse é um ponto interessante a se levar em consideração, o que torna a sinopse do livro atrativa. Porém, exceto isso, Desejo Concedido peca em diversos pontos, que vão apagando levemente o potencial da história.

A narrativa é feita em terceira pessoa, o que em determinadas situações contribui muito para o desenvolvimento da trama. O que acontece na maior parte, infelizmente, é um atropelamento de acontecimentos. A estruturação se dá de um modo que, em apenas duas páginas a autora narre acontecimentos paralelos demais, sobrepondo um ao outro. Se em determinado parágrafo os personagens estão numa taberna, num outro o dia já amanheceu e a situação é completamente diferente. Narração dinâmica é diferente disso. O autor pode, sim, transcorrer a história rapidamente sem transformar tudo numa confusão.

O comportamento de homens de forma dominadora é muito presente numa trama de época, tendo em vista que nos séculos passados a figura masculina é muito predominante. O leitor que embarca em romances do gênero deve estar ciente e aberto a isso, mas certas atitudes vindas de um homem podem - e devem - ter limites. Duncan, o par romântico de Megan, está sempre a tratando como uma propriedade, mas fora isso a imaturidade leva a situações chatas de ciúmes e desentendimentos que, previsivelmente, levam ao clímax de tudo. Só que o sexo não sustenta uma trama sozinho. Quando não estão atracados na cama, o casal é mais mimado do que o aceitável. Em vez de acompanhar um par romântico de uma época medieval, Duncan e Megan transparecem um imagem muito atual, com dilemas bobos que tornam o enredo incoerente.

O que há de atrativo na história de Megan e Shelma - mesmo que não sendo suficiente para cobrir tudo que é fraco na trama - é a ambientação e os fatos históricos que estão inseridos ali. A Guerra da Independência da Escócia foi um grande marco no século XIII e é uma porta interessante para se aprofundar mais no assunto. As irmãs, meio inglesas e meio escocesas, são fortes e independentes, o que funciona bem no que acontece ali. Elas lutam e usam espadas, o que é completamente inesperado para "mocinhas".

Desejo Concedido tem uma premissa muito boa para um desenvolvimento mediano. As protagonistas têm muitas qualidades e conseguem salvar um pouco a história. Porém, é nítido que guerreiros bonitões e cenas de sexo quente não são fatores que tornam um livro bom. Faltou uma narrativa melhor e uma estruturação bem colocada, que proporcionasse um desenvolvimento digno para o bom enredo que a autora tinha em mãos.

Lead - Kylie Scott

18 de dezembro de 2016

Título: Lead - Stage Dive #3
Autora: Kylie Scott
Editora: Universo dos Livros
Gênero: New Adult
Ano: 2016
Páginas: 368
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Embarque em mais uma aventura com os roqueiros sensuais de Stage Dive, a série New Adult de Kylie Scott, autora best-seller do The New York Times. Como vocalista da banda Stage Dive, Jimmy sempre teve tudo na hora que quis, fosse bebida, drogas ou mulheres, até que a destruição de sua reputação na mídia serviu de alerta e o conduziu à reabilitação. É neste momento que Lena surge em sua vida. Contratada para ser a assistente que tem como missão mantê-lo longe de problemas, ela não planeja aguentar desaforos do sensual roqueiro, e está determinada a manter a relação em nível estritamente profissional, apesar da química efervescente entre eles, até que Jimmy vai longe demais e Lena vai embora. Isso o faz perceber que talvez tenha perdido a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Resenha: Lead é o terceiro volume da série escrita pela autora Kylie Scott que gira em torno dos integrantes da banda Stage Dive, que dá nome à série. O primeiro volume, Lick, conta a história de David Ferris, o guitarrista. O segundo, Play, conta a história de Mal Ericson, o baterista. Desta vez, a história gira em torno de Jimmy, o vocalista e irmão de David, e os inúmeros problemas que ele e seu temperamento difícil causam.
Depois de passar um tempo numa clínica de reabilitação por se envolver com drogas e bebida de forma descontrolada a ponto de ter destruído sua reputação, Jimmy está de volta, mas os demais membros da Stage Dive querem que ele tenha uma "babá", alguém que o vigie e sempre fique ao seu lado para evitar que ele faça qualquer besteira. Essas garotas não costumam durar muito tempo por ele ser muito temperamental e desaforado, e sempre pulam fora por não aturá-lo, até que Lena é contratada para mantê-lo longe de problemas.
Inicialmente Lena se irrita um pouco com o jeito de Jimmy, mas também se sente atraída por ele (quem não se sentiria, não?), e para não ter maiores problemas com um envolvimento que, na certa, a faria sofrer, decide se afastar. Obviamente Jimmy não aceita esse pedido de demissão com facilidade, quer explicações do motivo de ela querer deixá-lo e quando Lena decide revelar seus sentimentos mais profundos por ele, Jimmy tenta "consertar" as coisas mas acaba causando mais problemas. E talvez isso tenha servido pra ensinar a Jimmy que ele não é totalmente incapaz de sentir ou fazer alguma coisa por alguém...

Antes de mais nada, é possível que os livros sejam lidos fora de ordem sem que a compreensão da história seja afetada, mas como os personagens dos livros anteriores continuam marcando presença de forma que é possível sabermos um pouco do que aconteceu com cada um deles após o fim de suas histórias, é recomendado que a leitura seja feita na ordem certinha para evitar maiores surpresas.

Lena é uma mulher ótima, é determinada, corre atrás dos seus objetivos, é muito sincera e não leva desaforos pra casa. Jimmy se comporta como se sua alma fosse a de um velho de 90 anos: tem um temperamento difícil, é mal humorado e ranzinza.
E mesmo que eles sejam o oposto um do outro, a química que eles têm é algo explosivo, que transborda das páginas e cativa a leitora como nenhum outro livro dessa série foi capaz.
A medida que convivem juntos, Lena começa a perceber que o comportamento de Jimmy não corresponde a quem ele é na realidade, que aquela pose toda funciona como uma máscara, um mecanismo de defesa, e a revelação de seu eu interior só me fez ficar ainda mais apaixonada por esse vocalista louco e que as vezes pode ser considerado como um imbecil pelas coisas que faz, mas que no fundo é um amor de pessoa. Em sua defesa, só posso dizer que ele não faz nada de forma proposital, pra machucar alguém, ele só precisa aprender a se relacionar, e Lena faz esse papel de professora muito bem.
Eles se alfinetam e se desentendem feito loucos, sempre querem ter a última palavra numa briga, o que dá um toque de muito bom humor à história, e acompanhar o progresso desse relacionamento, que passou por muitos altos e baixos, foi incrível. As coisas não acontecem de forma instantânea, muitas coisas que de desenrolam me deixaram com um nó na garganta mas suspirar pela ideia de que tudo vai dar certo é inevitável.

Lead, pra mim, foi o volume mais envolvente até então. Os personagens também têm seus passados abordados, mostrando que um pouco do que eles são hoje é devido ao que passaram antes, e esse toque de drama acaba dando um tom mais intenso a cada personagem, fazendo com que eles tenham alguma substância em vez de estarem alí só por estar.
E somando a isto uma escrita maravilhosa de boa, a uma capa que faz qualquer uma imaginar coisas e a um romance que sacude nossas estruturas, não tenho mais o que falar a não ser indicar essa série com todas as minhas forças para quem adora um bom New Adult mais do que envolvente, viciante e cheio de sensualidade.


A Garota Dele - Simone Elkeles

17 de dezembro de 2016

Título: A Garota Dele - Wild Cards #2
Autora: Simone Elkeles
Editora: Globo Livros
Gênero: YA
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino
Sinopse: Vic Salazar é conhecido por quebrar todas a regras. Ele não se importa com as normas sociais e vive causando problemas. Existe apenas um princípio que ele não é capaz de infringir: mesmo que esteja apaixonado por Monika Fox há anos, ele sufoca esse sentimento porque ela é a namorada do seu melhor amigo, Trey.
Mas o relacionamento de Monika e Trey não está em boa fase. Ele está estressado com a pressão para ser o melhor da escola e vencer o campeonato estadual de futebol, e Monika descobriu um segredo terrível que ele a fez jurar nunca revelar.
Quando uma desgraça acontece, Vic e Monika serão obrigados a romper a distância que mantêm um do outro e será cada vez mais difícil esconder a conexão que existe entre eles. Tentar fazer a coisa certa nem sempre é fácil, ainda mais quando tantos segredos estão sendo escondidos...

Resenha: A garota dele é o segundo volume da série Wild Cards escrita pela autora Simone Elkeles. Diferente do primeiro, este volume foi lançado pelo selo Globo Alt, da Globo Livros.
Apesar dos personagens do primeiro livro aparecerem (Derek e Ashtyn), o foco fica em outro casal que também é apresentado anteriormente (mas sem o devido aprofundamente, claro), logo a leitura de Amor em Jogo não é obrigatória para que este seja compreendido e a resenha está livre de spoilers.

A má fama que Victor Salazar tem no colégio impede que as pessoas exerguem o bom coração que há por trás daquele comportamento digno de um deliquente. Ele se envolve em brigas, tira notas baixíssimas e só arruma problemas, mas, em contrapartida, está sempre tentando proteger as pessoas com quem se importa.
Sua vida não é muito fácil, pois além de ter um relacionamento muito difícil com o pai, Vic vive o dilema de gostar de Monika, a namorada de seu melhor amigo. E ele não pode fazer nada, ainda mais por acreditar que Trey, tão doce e gentil, parece ser o melhor para Monika.
Mas as coisas começam a mudar no último ano do colégio, quando Trey passa a se dedicar mais aos estudos e ao campeonato de futebol para se tornar o melhor aluno e jogador, e isso faz com que o relacionamento dele com Monika esfrie e fique bastante frágil. Trey começa a demonstrar quem é na realidade, e o isso não é nada parecido com quem ele costumava ser... E como se isso já não fosse ruim o bastante, alguns acontecimentos que se desenrolam faz com que Monika e Vic se aproximem...

Assim como no primeiro volume, a narrativa é feita e primeira pessoa e se alterna entre Monika e Victor. A escrita da autora é muito boa e possui um equilíbrio perfeito entre dramas adolescentes e temas mais pesados e delicados para se tratar.

A Garota Dele não trata somente do desenvolvimento do amor entre dois jovens, a história vai além desse tipo de drama adolescente. Segredos, mentiras e suas consequências, problemas com drogas, abusos familiares, problemas de saúde e a fragilidade que a pessoa se encontra, amadurecimento, valores e princípios são alguns dos temas mais sérios trabalhados aqui, e de certa forma, a leitura serviu como uma grande reflexão, mostrando que por trás de fachadas é possível ter coisas mais graves e sinistras acontecendo e sendo mascaradas para, talvez, serem amenizadas.
Há profundidade no enredo, não é só mais uma historinha em meio a tantas, e esse é um ponto bastante positivo no livro.

O que mais curti nessa história foi o fato de que a vida de Vic e Monika mudaram bastante após o tal evento trágico ter acontecido. Tentar fazer a coisa certa nem sempre é o jeito mais fácil de resolver as pendências, principalmente quando há segredos não revelados que podem interferir em escolhas e decições. Vic, mantendo as aparências, tenta afastar todo mundo que se aproxima, mas Monika passa a ter uma enorme necessidade de estar mais perto daquele que sempre esteve alí pra ela e por ela. Tem coisa mais fofa?

Vic, assim como tantos outros, é o típico bad-boy. É característica do gênero, é clichê, mas quando um elemento batido é trabalhado da forma certa e sem muitas firulas, é certeza que a coisa funciona, e com Victor é exatamente assim. Por fora ele é um garoto explosivo, de mal com a vida e vive causando encrenca por onde passa, mas por dentro é um amor de pessoa, e só quem sabe o que ele vive em casa vai conseguir compreender o que o leva a se comportar feito um maluco. Com o desenrolar da trama, vamos acompanhando o quanto é difícil pra ele ser apaixonado pela namorada do amigo, quais os conflitos que surgem com essa situação, como funciona a relação dele com o pai e como isso colabora para que ele seja tão rebelde, mas ao mesmo tempo tão amável e admirável.

Monika é líder de torcida, tem um futuro promissor, mas seus problemas pessoais começam a interferir em sua vida. Não só devido ao seu relacionamento com Trey que se transforma pra pior, mas por estar cansada de ser superprotegida pelos pais e pelos conflitos que começa a ter quando ela e Vic se aproximam e a garota descobre que também pode estar apaixonada por ele. E o que começa com uma amizade cheia de bons momentos e sutilezas, avança para algo mais intenso. Mesmo passando por uma situação envolvendo sua saúde, ela não se deixa abater e não desiste de tentar provar para si mesma que ela não é tão frágil como todos pensam. O problema de Monika é que, por vezes, ela é ingênua demais, e isso acaba dificultando que o leitor tenha uma simpatia maior por ela e até perca a paciência. O segredo que ela guarda e a forma como ela se deixa levar pelas manipulações de Trey acabaram arrastando a história, aumentando o suspense sobre esse assunto e, ao ser revelado, não causou tanto impacto quanto esperei.

O final, apesar de ser um pouco corrido, foi satisfatório, e de forma geral eu aproveitei a leitura mesmo tendo gostado mais do primeiro livro.
Pra quem curte história com um misto de elementos YA e NA, vai curtir.

Amor em Jogo - Simone Elkeles

16 de dezembro de 2016

Título: Amor em Jogo - Wild Cards #1
Autora: Simone Elkeles
Editora: Globo Livros
Gênero: YA
Ano: 2014
Páginas: 360
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino
Sinopse: Derek acabou de ser expulso do colégio interno em que estuda desde que seu pai foi convocado pela marinha. As coisas vão de mal a pior quando recebe a notícia de que terá que abandonar a sua Califórnia para morar com sua madrasta, na cidadezinha natal dela. A última coisa que ele precisava agora é se envolver em mais um drama familiar.
Já Ashtyn se esconde atrás de uma fantasia de vida perfeita: boa aluna, a única menina - e capitã! - do time de futebol americano da escola e namorada do quarterback promissor. Longe de um conto de fadas, Ashtyn sente-se deslocada. Quer deixar tudo para trás e correr em busca de uma bolsa de estudos em alguma faculdade bem longe de sua vida atual.
O encontro de Derek e Ashtyn revelará seus medos e exigirá deles toda a coragem para assumirem suas verdadeiras personalidades - e seus desejos mais secretos.

Resenha: Derek é um "garoto problema". Tendo fama de bad-boy na escola, sua rebeldia tem como base a ausência do pai, que por ser da marinha passava mais tempo no mar do que em casa com a família, e a morte da mãe, que perdeu uma batalha para o câncer.
Após ter aprontado no colégio interno em que estudava, Derek foi expulso, e foi obrigado a se mudar para Chicago com sua jovem madrastra, Brandi.
Ashtyn mora com o pai e soube há pouco tempo que sua irmã mais velha, Brandi (a própria), iria passar uma temporada por lá. Ashtyn não é nada comum se comparada as outras garotas da idade dela e tem grande resistência em se aproximar da irmã já que ela foi embora alguns anos atrás, abandonando-a.
Como se o encontro com Brandi já não fosse muito complicado para Ashtyn, conhecer Derek irá despertar nessa garota tão durona alguns sentimentos dos quais ela vai fazer de tudo pra evitar.
Eles sentem uma atração recríproca logo de cara, mas também irão lutar contra isso como ninguém, afinal, Ashtyn já está num namoro complicado e ter um garoto revoltado que está alí por obrigação morando debaixo do mesmo teto que ela vai ser mais difícil do que ela imaginou.

A narrativa é feita em primeira pessoa e se alterna entre os pontos de vista de Derek e Ashtyn em capítulos super curtinhos (são mais de cinquenta capítulos divididos em  pouco mais de trezentas páginas). A escrita é bastante envolvente, fluída e gostosa de se ler. Além de ficarmos por dentro dos pensamentos dos personagens de forma mais íntima, um ponto muito legal é que por mais que nós, leitores, saibamos do que se passa com os dois, nem sempre um personagem sabe o que acontece com o outro, e vice versa. Isso deixa a trama bastante dinâmica e até divertida por mostrar protagonistas vivendo encontros e desencontros e se desentendendo feito loucos em meio a nova situação em que se encontram e que eles tentam evitar a todo custo. Os diálogos também são bastante inteligentes e isso colabora para a fluidez da história.

Amor em Jogo é meio complicado de ter o gênero definido pois pelo que pude perceber ele está entre o Young Adult e o New Adult. Podemos encontrar elementos dos dois, mas mesmo que tenha o sexo como um dos temas, o que ganha mais foco são questões adolescentes, e mesmo que os personagens já estejam na faixa dos dezessete, dezoito anos, saindo do ensino médio e indo pra universidade, na teoria, eles são mais maduros e com atitudes menos infantis (se existe algum subgênero para tal, nunca ouvi falar). Mas tendo em vista tais características e apesar de ter considerado a história bem bolada, achei os personagens um pouco superficiais, e por esse motivo não consegui me conectar a eles como gostaria. É como se algumas atitudes não se justificassem, eu tentava me por no lugar deles e não entendia por que diabos fizeram alguma coisa... Já em outras partes fiz o mesmo mas consegui entender e talvez teria a mesma atitude. Confuso, não?

A história, basicamente, gira em torno dos dramas de Derek e Ashtyn, que sofreram perdas no passado e que por isso mudaram suas formas de agir e enxergar o mundo como um tipo de "defesa". Crescer sem a presença de um dos pais e conviver diariamente com aquela sensação de abandono não é fácil e pode ser um fardo doloroso pra se levar. Enquanto Derek perdeu a mãe e não convive com o pai, Ashtyn foi abandonada pela mãe e pela irmã e convive com um pai totalmente relapso (e Brandi voltar não melhora muito as coisas). Ambos estão quebrados de forma bastante similar, e além da rebeldia no comportamento, existe a questão da falta de confiança e até da falta do amor próprio. Talvez pelo livro ser voltado para o público jovem, tais traumas não tiveram um aprofundamento tão grande assim para explicar o motivo dos protagonistas quererem se isolar e impedir que haja qualquer tipo de aproximação mais íntima, e quando começamos a torcer pra que tudo se resolva, fim!

Mas confesso ter gostado do desenvolvimento dos personagens, de como as situações que lhes foram impostas serviram como experiências para que ambos pudessem amadurecer suas ideias e conceitos, enquanto temas do cotidiano adolescente são levantados de forma bastante leve como forma de fazer com que os leitores possam até refletir sobre eles.

A capa é bastante simples e agrada visualmente, mas não capta a essência da história. Não que isso seja um ponto negativo, pra mim só desperta a curiosidade para ler o livro. A diagramação é simples, as páginas amarelas e os capítulos são identificados pelo nome do protagonista da vez.

O livro recheado de clichês, afinal, é mais comum do que parece encontrarmos histórias onde o casal traumatizado com algum fato passado e triste se conhece e logo de cara se odeia e com o passar do tempo aprende a se gostar, mesmo que finjam o contrário. Mas embora seja clichê, isso não quer dizer que o livro seja ruim, não... Quando o desenvolvimento é feito de forma satisfatória e tem um enredo bem construído a ponto do leitor se envolver, gostar, e ainda torcer pelos personagens, é indício de que a autora apostou em elementos comuns mas conseguiu trabalhar com eles da maneira certa.

Enfim, pra quem quer fugir de histórias que abordam conflitos e dramas desinteressantes da garota popular da escola com o novo bofe, mas também está saturado de romances com o bad-boy traumatizado e revoltado com a garota perfeitinha e ingênua, Amor em Jogo traz uma história que pega parte dessas características mas transforma em algo bem diferente.

Catacomb - Madeleine Roux

15 de dezembro de 2016

Título: Catacomb - Asylum #3
Autora: Madeleine Roux
Editora: Plataforma21/V&R
Gênero: Juvenil/Suspense
Ano: 2016
Páginas: 356
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: O último ano de colégio enfim chegou. Depois de tanto tempo juntos, Dan, Abby e Jordan resolvem fazer uma viagem e o destino escolhido é a casa do tio de Jordan em New Orleans.
Abby está muito ansiosa e entusiasmado para a aventura, pois a viagem irá ajudá-la no projeto fotográfico de locais e monumentos históricos. Mas toda essa euforia diminui quando, no caminho, os três amigos percebem que estão sendo seguidos. E ainda começam a receber mensagens misteriosas, pelo celular de Dan, de um amigo que morreu no último Halloween.
Os três amigos vasculham pistas sobre acontecimentos do passado para obter respostas sobre as tais mensagens, sobre um fotógrafo não identificado e sobre a história familiar de Dan.
Neste incrível episódio da série Asylum, a única esperança que resta é sair vivo desta viagem.

Resenha: Catacomb é o terceiro volume da série Asylum, escrita pela autora Madeleine Roux e publicado no Brasil pelo selo Plataforma21, da V&R.

Depois de escaparem do incêndio no Brookline e de viverem momentos intensos e sombrios, enfim,o último ano de estudos chegou ao fim. Dan, apesar de estar feliz com a companhia dos amigos, não parou de procurar pistas sobre seus pais, mas os documentos que ele conseguiu resgatar antes que o incêndio destruísse tudo, não estão sendo de grande ajuda.
Para comemorar a formatura, o trio aproveita que Jordan está de mudança para Nova Orleans e embarca numa viagem para curtirem juntos, acamparem, e tentarem esquecer todos os traumas passados. Porém, no caminho, Dan recebe uma mensagem estranha em seu celular vinda de um amigo que já havia morrido além de perceberem que estão sendo seguidos e fotografados...
E a medida que o mistério se desenrola, o passado de Dan se desdobra gradualmente e ele terá que lidar com isso outra vez...

Catacomb, se comparado aos livros anteriores, mantém o mesmo ritmo e não tem nada que o torne diferente dos demais. O que não achei "justo" com os leitores foi o fato de que o livro extra "Artista dos Ossos" tem grande influência nesse volume, e fiquei e perguntando porque motivos um livro EXTRA, que só deveria acrescentar informações a título de curiosidade ou pra complementar algo que não faria diferença se soubéssemos ou não, acaba se tornando obrigatório, caso contrário algumas coisas ficarão incompreensíveis, vagas e confusas para o leitor. E isso vale para a própria escrita da autora, que parece ter buracos entre os acontecimentos, tornando algumas coisas bem confusas, enquanto outras são repetitivas e tornam a leitura cansativa.

A questão da história ter Nova Orleans como pano de fundo, apesar de ter uma definição bastante impressionante, me deu a impressão de que a autora só quis aproveitar a cultura famosa e cheia de lendas assustadoras do lugar, mas a trama poderia ter se passado em qualquer outro local que pudesse ter tal atmosfera descrita de forma tão sombria quanto, logo não vi tanta utilidade nesse fato.

O romance... Oh, Lord, o romance... Dan e Abby não tem química nenhuma e o que vai além da amizade entre esses dois não vai pra lugar nenhum. É algo desnecessário, enfadonho, triste, principalmente se levarmos em consideração que um romance adolescente como o deles foge do contexto das investigações, dos mistérios, do que deveria ser assustador, e de tudo o mais.

Apesar de ter alguns pontos não muito favoráveis, o que gostei na trama foi a busca de Dan por informações que o levassem aos seus pais, e como suas descobertas durante o percurso levantaram questões que não só fizesse com que ele acreditasse que criminosos pudessem estar envolvidos no sumiço deles, mas também colaborasse para que as habilidades dele soassem como algo real em vez de alucinações. A autora parece deixar no ar a questão sobrenatural, como sendo um verdadeiro ponto de interrogação para os próprios leitores se perguntarem se é algo que existe ou não na história.

A edição, como sempre, tem um visual super caprichado e é muito bonita. Percebi alguns erros na revisão mas nada que atrapalhasse a experiência com a leitura. Algumas fotos são ótimas, mas outras parecem não fazer muito sentido pois não combinam em nada com o conteúdo do capítulo. É como se tivessem sido escolhidas aleatoriamente numa galeria de fotos esquisitas e jogadas alí para impressionar o leitor, mas acabaram causando o efeito contrário.

Apesar de algumas perguntas levantadas nos livros anteriores serem respondidas e o livro fechar bem a série, algumas situações ficam em aberto (acho que de propósito, mesmo), mas nem por isso levantam aquela curiosidade para que haja mais aprofundamento sobre elas.
A ideia dos livros extras acrescentarem pontos que podem ser considerados peças chave às tramas principais acabam destoando a história, que começa a ter linhas temporais ou outros acontecimentos que parecem não se encaixar perfeitamente (como eu disse, a escrita parece incompleta) deixando algumas coisas fora do lugar e sem sentido.
De forma geral, eu gostei do desfecho, mesmo que a autora não tenha se preocupado em informar que fim teve a vida de cada um dos amigos. O que foi informado foi suficiente (e talvez eu não tenha me interessado por não ter me efeiçoado a ninguém) e fica a critério do leitor formar a própria opinião sobre o que ele acha que aconteceu.

Asylum não é de todo ruim, é uma série até divertida, mas acredito que funcionaria melhor para o público mais jovem pois não pode ser considerada realmente assustadora. Há suspense leve, fotos sinistras que podem causar algum impacto, mas continua sendo bastante infantil, seja devido ao comportamento dos personagens ou pela forma como a história é conduzida, muitas vezes de forma muito conveniente para forçar o enredo a continuar fluindo, mesmo que na marra.


Transcendente - Lesley Livingston

14 de dezembro de 2016

Título: Transcendente - Starling #3
Autora: Lesley Livingston
Editora: Jangada
Gênero: YA/Fantasia
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: A série Starling chega a seu desfecho épico neste terceiro volume. A ancestral profecia nórdica do Ragnarök está prestes a se cumprir. Mason Starling tem nas mãos o destino do mundo, enquanto Fennrys, seu amor, jaz a seus pés sangrando, com a vida por um fio. No entanto, o que quer que esteja por vir não ocorrerá por causa de uma profecia ou dos planos maquiavélicos do seu pai. Tudo depende apenas das decisões de Mason e Fenn. E o mundo deve torcer para que ambos alcancem aquilo que suas almas e suas espadas mais almejam: evitar o fim do mundo.

Resenha: Transcendente é o terceiro volume da trilogia Starling, escrita pela autora Lesley Livingston e publicado no Brasil pelo selo Jangada do Grupo Pensamento.

Esta resenha pode ter spoilers de Starling e Descendente!

Resumindo os dois livros anteriores: Mase é uma jovem esgrimista que teve a vida virada de cabeça pra baixo depois de um ataque sobrenatural a Manhattan. Várias criaturas surreais atacaram ela e seus amigos, e em meio a confusão, Fennrys, um jovem misterioso, apareceu para ajudá-los. Posteriormente, Mase descobriu que sua família estava ligada a uma profecia terrível e muito antiga que envolvia o próprio Ragnarök e cabia a ela e Fenn impedirem o fim do mundo.
Porém, após todos os acontecimentos que se passaram, Mase atravessou um portal e ficou presa no mundo dos mortos, mas o que ela não esperava era que o que encontraria lá seria uma relíquia que, segundo a profecia, desencadearia o fim do mundo. Logo, Fenn deveria arriscar a própria vida para resgatá-la.
A história começa exatamente onde Descendente termina. Mason se tornou uma Valquíria e ao implorar para Rafe salvar a vida de Fenn, que está por um fio, outra parte da profecia é cumprida e ele se torna o Lobo. O amor que sentem um pelo outro os deixam cada vez mais unidos, e lutar juntos para que o fim do mundo possa ser impedido é o que os move nessa jornada cheia de perigos e surpresas.

O enredo gira principalmente sobre a ideia de Mason evitar que o mundo acabe enquanto ela e Fenn lutam contra as ameaças que colaboram para o caos. Um ponto positivo sobre isso é que para cada escolha que os personagens fazem, há consequências, e tais consequências ganham aprofundamentos que trazem reflexões, principalmente no que diz respeito ao relacionamento desse casal que a princípio era tão improvável.

Mase é uma heroína que cresce a cada nova experiência e descoberta, e nesse volume ela está imbatível, e não desiste de lutar por seus objetivos ou por quem ela ama, mesmo quando novos obstáculos surgirem em seu caminho. Por mais que pareça que ela não poderia fugir de um destino inevitável em meio a tantas tragédias, o leitor ainda fica com aquele gostinho de que há esperança no final do túnel. Por esse motivo a trama prende o leitor de tal forma que irá mexer com suas emoções. Diversão, tensão, suspiro, agonia... É um misto de sensações que tive ao acompanhar este último volume em especial. Novos personagens aparecem para movimentar a trama, novas habilidades são descobertas, reviravoltas pra nos deixar de cabelo em pé, e mesmo que haja perdas dolorosas, somente ao fim é possível saber se o grupo irá ou não obter êxito em seus propósitos.
Eu gostei da forma como os personagens foram explorados, mostrando que por mais que precisem lidar com os próprios conflitos que os tornam tão denificados, é possível tirar forças de onde menos se espera e lutar por algo muito maior.
Embora soe um pouco clichê, eu gostei de como o relacionamento de Mase e Fenn foi desenvolvido. ao longo dos volumes. Personagens que inicialmente não se bicam, depois se tornam amigos, buscam confiança e refúgio um no outro até que o sentimento se torna mais intenso e ganha forças a cada nova provação que enfrentam. E não importa o que aconteça, eles querem ficar juntos.

A escrita também colabora muito para o envolvimento com a história, pois além de fluída, mesmo que haja violência e acontecimentos particulamente ruins, houve também toques de bom humor, sarcasmo e a doçura do romance para que toda a história ficasse bem equilibrada.

Transcendente finaliza a trilogia de forma eletrizante e bastante satisfatória. O ritmo é constante e tem ação do início ao fim, em meio a batalhas sangrentas, personagens bem construídos e elementos de várias mitologias que, embora distintas, acabam fazendo da trama algo bastante inovador.


Revelada - C.C. Hunter

13 de dezembro de 2016

Título: Revelada - Ao Anoitecer #3
Autora: C.C. Hunter
Editora: Jangada
Gênero: YA/Sobrenatural
Ano: 2016
Páginas: 400
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino
Sinopse: No último livro da série Shadow Falls ao Anoitecer, Della é agora uma investigadora paranormal e precisa desvendar um caso de assassinato onde o suspeito é seu próprio pai, e vai precisar da ajuda de Chase, com quem ela tem uma ligação sanguínea após seu Renascimento. A busca por respostas vai levar Della a se envolver com as gangues sobrenaturais mais sombrias e perigosas e obrigá-la a investigar os segredos inconfessáveis da sua família. Mas, em meio a tudo isso, como não pensar em Steve, o metamorfo irresistível que está fazendo tudo para se reaproximar dela? Esta será a batalha mais difícil da sua vida e do seu coração!


Resenha: Revelada é o terceiro livro da série Ao Anoitecer, spin-off da saga Acampamento Shadow Falls escrita pel autora C.C. Hunter e publicado no Brasil pela Jangada.

Della Tsang, enfim, se tornou a investigadora paranormal e o caso que está em suas mãos é investigar um assassinato cujo suspeito é seu próprio pai, que foi acusado de matar um membro da família há anos atrás. Determinada a provar a inocência dele e já com suspeitas do verdadeiro culpado, Della vai contar com a ajuda de Chase, e a busca por respostas irá colocá-la em perigo quando ela se envolver com gangues sombrias, além de fazê-la repensar seus conceitos quando ela começar a descobrir os segredos mais obscuros de sua família dos quais ela nem imaginava existir...

Narrado em terceira pessoa com uma escrita bastante envolvente e divertida, a trama irá envolver questões familiares que não haviam sido exploradas nos livros anteriores, a vida de Della em Shadow Falls, o futuro de seu trabalho como agente da UPF e seus dilemas amorosos com Chase e Steven. Um ponto que me agradou bastante foi acompanhar a perspectiva não só de Della, mas também a de Chase, e isso contribuiu bastante para ampliar a visão do leitor acerca dos acontecimentos.

Com relação a Chase, Della se encontra num enorme conflito pessoal pois passa a se questionar sobre os sentimentos que começa a ter por ele, sem saber se a ligação entre eles é devido ao seu renascimento que os conectou, ou se é pela rotina e pela convivência ao lado dele, mesmo que ela só queira distância. O problema maior é que Della continua sem saber se Chase é um vampiro realmente confiável depois de ter mentido e escondido várias informações dela, mas ela precisa da ajuda dele nas investigações e trabalhar em equipe é de extrema importância. Eles terão que explorar os piores lugares da cidade para desvendar os mistérios e provar a inocência do pai dela, e, embora Della não tenha medo do desafio, o que a deixa receosa é o vínculo que ela e Chase possuem.
Como se a acusação contra seu pai não fosse um assunto delicado o bastante, Della precisará lidar com sua condição de Renascida e o fato de ter de afastado da família por causa disso. Ela sente o quanto toda a sua situação interferiu na família e ainda sofre com a indiferença do pai.
Mas falando de Della, posso dizer que ela foi a grande responsável pela evolução dessa trilogia. Como ela cresceu como personagem de forma tão positiva, ela desperta a simpatia do leitor, que sempre torce por ela, mesmo sabendo que ela não é perfeita e comete erros.

Eu gostei da abordagem com relação a amizade entre Della, Kyllie e Miranda e o apoio recíproco que elas encontram umas nas outras independente da ocasião, mas faltou mais presença desse trio invencível aqui.
É claro que o drama adolescente não poderia ficar de fora da trama, e a ideia de Della estar em meio a um triângulo amoroso também, mas é difícil dar muita credibilidade pra um personagem que esteve fora por tanto tempo e que depois volta, talvez para causar uma reviravolta nas emoções de Della, como se a ausência dele e a carreira estar acima de tudo não tivesse implicado em nada. Steve, menos... Tudo bem que quando ele, enfim, entra em cena, muitos dos acontecimentos ganharam uma importancia maior, mas nas questões sentimentais ele não ganha pontos pois pra mim já havia ficado claro quais eram suas prioridades desde o princípio...
Por outro lado, Chase se mostra um cara que luta pelo que quer, permaneceu fiel às suas convicções e ainda provou seu valor ao sempre se preocupar e se manter firme ao lado de Della. E ter o ponto de vista de Chase, em vez do de Steve, para alguns acontecimentos não foi mera coincidência, convenhamos...

As cenas de ação são muito boas, assim como os mistérios intrigantes que são investigados e revelados de forma gradual e de forma bastante surpreendente.
Senti falta de um epílogo para nos dar uma ideia do que se passou depois. Mesmo que o desfecho tenha sido muito satisfatório e encerrado a trilogia de forma brilhante, ainda fiquei curiosa pelo que acontece depois do final feliz. Também senti falta de alguns personagens secundários que deixaram suas marcas nos livros anteriores e nesse volume deram a impressão de serem meros coadjuvantes. A amizade entre as meninas existe, há cumplicidade e apoio incondicional, mas não da mesma forma que nos foi apresentado anteriormente já que a presença foi bem escassa.

Mas de forma geral, pra quem gosta de fantasias sobrenaturais com toques de romance adolescente, investigação e mistério, Ao Anoitecer é uma trilogia que cumpre bem com o seu papel e super recomendo.

Sem Pudor - Julianna Costa

12 de dezembro de 2016

Título: Sem Pudor - Sem Vergonha #2
Autora: Julianna Costa
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance/Erótico/Nacional
Ano: 2016
Páginas: 352
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Americanas
Sinopse: Na sequência de "Sem Vergonha", Mina Bault e Ryker Strome pensam ter deixado para trás as experiências traumáticas que vivenciaram com a máfia russa. No entanto, depois de receber uma ligação suspeita, Ryker percebe que Mina ainda está em perigo e vai a Paris à sua procura, a fim de protegê-la. Com a ajuda do agente Zahner, da irmã de Ryker - Lexa Strome - e de Sven, seu misterioso e sexy amigo, o casal deverá descobrir uma maneira de livrar-se defitivamente dessa perseguição. Mas, nesse ínterim, a boate Lucky's irá presenciar intensos shows da Tímida - com direito a sexo no palco! - e servirá de esconderijo para traçar os planos de assassinato de aluguel, roubos, jogos de sedução, política e interesses. 

Resenha: Sem Pudor é o segundo volume da duologia Sem Vergonha, escrita pela autora Julianna Costa e publicada pela Universo dos Livros.

Depois do trauma que Mina e Ryker tiveram com a experiência de fugirem da máfia após terem sido testemunhas de um assassinato, Ryker fez um acordo com Zahner, agente da Interpol, para que Mina pudesse voltar a viver sua vida em Paris enquanto ele participava do programa de proteção à testemunhas. Mas, obviamente, a distância não foi capaz de fazer com que eles se esquecessem um do outro e nem dos momentos intensos que viveram, por mais loucos que tenham sido. Porém, Mina passa por alguns percalços que estão dificultando que ela siga adiante além de a colocarem em perigo, e quando Ryker é informado - e chantageado - da situação em que ela se encontra, não pensa duas vezes para ir atrás dela em Paris e garantir sua segurança. Mas talvez isso fizesse parte de um plano forjado por seus inimigos para que se tornassem alvos fáceis e eles fossem capturados juntos e serem silenciados de uma vez por todas... Quando o assunto é a máfia russa, não há nada que possa, de fato, mantê-los em segurança ou vivos, então resta a Mina e Ryker contar com a ajuda de seus amigos da Lucky's, a boate que foi cenário de vários momentos intensos no livro anterior...

Narrado em primeira pessoa, a escrita continua muito envolvente e fluída e é impossível parar de ler.
Apesar de ter sentido que a máfia não estivesse tão presente "fisicamente" falando, e que o plano mirabolante não seria bem sucedido, a ação ainda estava presente para equilibrar o enredo, mesmo que em dose menor, e não manter a história com teor exclusivamente sexual, assim como aconteceu no primeiro livro.

Meu único problema, e isso me fez gostar mais do primeiro livro do que deste, foi que alguns pontos não me soaram tão verdadeiros, como se a inteligência do leitor estivesse sendo subestimada quando os problemas começaram a ser resolvidos de forma fácil em de vez forma convincente, realista e crível, afinal, o perigo extremo de estar na mira da máfia russa não é brincadeira, é algo realmente considerável até onde consigo enxergar.

Ao final, a impressão que tive é que por mais que o casal esteja vivenciando mais uma aventura policial arriscada e perigosa, o que ganha destaque mesmo é o desenvolvimento do relacionamento que eles tem, e o foco maior fica no romance, que vai ficando cada mais mais intenso, forte e até um pouco meloso, e eu até que curti muito a abordagem feita aqui sobre ele. As cenas íntimas não são aleatórias e sempre estão dentro do contexto. Mesmo que Mina já tenha se livrado da sua virgindade, ela continua com a mesma personalidade, porém com um comportamento mais ousado que acaba influenciando suas decisões, e por isso a história ainda ganha toques muito divertidos e bem humorados além de um teor bem mais erótico se comparado ao primeiro livro. E Ryker é aquele cara foda que aprendemos e gostar ao longo da história devido às suas atitudes corajosas e admiráveis quando o assunto e cuidar de Mina.
A inserção de novos personagens deram um up à trama e fizeram com que ela fluísse por caminhos que permitem que o leitor os conheça mais e torça pra que outros livros com suas histórias sejam publicados.

Enfim, a duologia Sem Vergonha mistura elementos distintos mas que combinaram de forma perfeita, e pra quem quer se aventurar por um romance cheio de erotismo, mas que também envolve ação e muitos perigos elevando o gênero a outro nível, é leitura mais do que indicada.

Sem Vergonha - Julianna Costa

11 de dezembro de 2016

Título: Sem Vergonha - Sem Vergonha #1
Autora: Julianna Costa
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance/Erótico/Nacional
Ano: 2015
Páginas: 368
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Mina é uma jovem bem-sucedida profissional e academicamente. No entanto, nem todos os setores de sua vida possuem tanto êxito, pois sua virgindade continua intacta mesmo após tantas tentativas de perdê-la. Então, Mina contrata um garoto de programa para enfim solucionar esse pequeno "problema". Após alguns incidentes bem inusitados entre quatro paredes, Mina decide voltar para casa. No caminho, ela e Ryker – o garoto de programa – se tornam testemunhas de um crime cometido pela máfia russa em Paris e, consequentemente, se tornam alvos dessa organização. Essa única noite terminará com os dois fugindo para a Holanda a fim de salvarem suas vidas. Contudo, apesar do perigo eminente, ambos se deixam envolver por uma atração avassaladora e talvez a noite de Amsterdã seja muito convidativa para que Mina tente, mais uma vez, entregar-se de corpo e alma a Ryker.

Resenha: Sem Vergonha é o primeiro volume da duologia homônima escrita pela autora Julianna Costa e publicada pela Universo dos Livros.

Mina Bault é uma jovem que obteve sucesso em vários setores de sua vida exceto no que diz respeito à sua vida sexual. Mina ainda é virgem, mesmo depois de ter tentado resolver esse problema por diversas vezes e falhado miseravelmente. Até que sua melhor amiga, Elize, resolve dar um empurrãozinho pra ajudá-la com esse problema e Mina contrata Ryker, um garoto de programa. Tudo estava preparado no hotel em que estava hospedada para que a primeira vez dela finalmente acontecesse, mas depois de um incidente envolvendo Ryker e sua alergia a morango ter atrapalhado as preliminares, Mina resolveu ir embora, morta de vergonha. Mas Ryker não é o tipo de profissional que recebe sem ter feito o serviço pelo qual foi contratado, e quando ele vai atrás dela para fazê-la voltar pro quarto e terminar o que começaram, os dois acabam presenciando um assassinato cometido pela máfia russa e, por serem testemunhas, se tornam alvos dessa organização criminosa. Ryker conhece um pouco da sujeira das ruas, reconhece os criminosos e sabe que se ficarem alí não estarão seguros e nem vão durar por muito tempo. Logo ele se vê obrigado a proteger Mina, já que ela não parece ter a menor noção da gravidade da situação. Procurar a polícia não é uma opção e o que resta aos dois é fugir de Paris, cidade em que estão, rumo a Amsterdã, e em meio aos perigos e descobertas nessa fuga alucinante, talvez a atração que começam a sentir um pelo outro pode acabar resolvendo aquele "probleminha" de Mina de uma vez por todas...

Sem Vergonha, de fato, é um dos poucos livros nacionais dos quais posso encher a boca pra tecer elogios. Eu nunca tinha lido nenhuma outra obra da autora anteriormente, mas já fiquei feliz, alegre, contente, sorridente e saltitante por ter tido o prazer de começar por este (e já quero os outros, por favor). A narrativa é fluída e gostosa de se acompanhar, o enredo é divertido, interessante, sexy e muito bem amarrado, e consegue mesclar temas distintos de uma forma muito convincente e empolgante, principalmente por ter toques de bom humor devido as atitudes reservadas e pensamentos cheios de vergonha de Mina para quebrar o clima tenso dos elementos de ação da trama. Há cenas mais calientes, claro, mas nada escrachado que faça com que o livro seja puro sexo e nada mais. Há uma história por trás de tudo, e uma história muito boa, com personagens bem construidos, com passados conturbados, mas com atitudes e personalidades que os tornam pessoas normais e bem próximas da realidade, independente do contexto em que se encontram. Os receios de Mina e seu comportamento no que diz respeito à sua sexualidade, a sua total falta de experiência e a sua vergonha eterna quando o assunto é sexo fazem da história algo com que as leitoras talvez até possam se identificar. É um pouco frustrante acompanhar as tentativas malsucedidas de Mina, mas também é muito engraçado e divertido. Com o desenrolar da história ela se vê num ambiente em que não tem outra escolha a não ser se deixar levar, e curtir o momento, e esses momentos são descritos com naturalidade, leveza e erotismo na medida certa, sempre inseridos no contexto ideal.
Uma coisa que gostei muito nessa personagem é que seu jeito atrapalhado não a fez menos determinada em seus objetivos. Ela tem as inseguranças normais de qualquer mulher mesmo que seja bem sucedida na vida, o que é completamente normal, mas ela nunca se sente inferior e muito menos diminuída frente a outras pessoas por ainda ter o pobre hímen intacto.
Ryker é um cara lindo, sexy, cheio de atitude e, assim como Mina pensou quando bateu os olhos nele pela primeira vez, é impossível não vê-lo (no caso, ler os detalhes) sem imaginar o que há por debaixo de suas roupas. As descrições físicas desse homem fazem dele um pedaço de mau caminho sem igual. Segurem os seus forninhos, meninas! Ele é meio convencido, indiscreto e acredita piamente que jamais poderia viver um romance por causa de seu trabalho, mas quem sabe Mina possa fazer com que esse garanhão mude de ideia...

Em suma, vamos acompanhando uma verdadeira aventura entre um casal improvável que é o total oposto um do outro, fugindo, se escondendo, tentando se manter seguros e longe das garras da máfia russa, mas, ao mesmo tempo, aprendendo com as próprias experiências que passaram a ter devido a situação em que se encontram, o que faz com que eles não tenham a menor noção do que será do dia de amanhã e aproveitem o hoje como se fosse o último. E são os riscos e as incertezas que, de certa forma, os movem já que o futuro é incerto e imprevisível...

Confesso que depois de ter me deparado com tantas histórias desinteressantes e amadoras eu desanimei total de investir meus esforços em alguns livros nacionais, evitando a grande maioria deles sem pensar duas vezes, com preguiça, revirando os olhos e desacreditada da vida, mas, thanks, Lord, pude me aventurar pelas páginas de Sem Vergonha e me deixar ser surpreendida pela escrita maravilhosa, polida e envovlente que me prendeu como nenhum outro livro nacional foi capaz de fazer há séculos, e pela criatividade ímpar de Julianna Costa.