Daisy Está na Cidade - Rachel Gibson

Lido em: Maio de 2015
Título: Daisy Está na Cidade - Lovett, Texas #1
Autora: Rachel Gibson
Editora: Jardim dos Livros/Geração Editorial
Gênero: Romance
Ano: 2015
Páginas: 416
Nota
Sinopse: Daisy Lee Monroe está de volta a Lovett, Texas, e depois de muitos anos descobriu que pouca coisa mudou. Sua irmã continua uma louca e sua mãe ainda tem flamingos de plástico rosa no quintal. E Jackson Lamott Parrish, o bad boy que ela havia deixado para trás, ainda é tão sexy quanto antes. Ela gostaria de poder evitar este homem em particular, mas ela não pode. Daisy tem algo a dizer para Jackson, e ela não vai a lugar nenhum até que ele escute.
Jackson aprendeu a lição sobre Daisy da maneira mais difícil, e agora a única palavra que ele está interessado em ouvir dos lábios vermelhos de Daisy é um adeus. Mas ela está surgindo em toda parte, e ele não acredita em coincidência. Parece que a única maneira de mantê-la quieta é com a boca, mas beijar Daisy já foi sua ruína no passado. Ele é forte o suficiente para resistir a ela agora? Forte o suficiente para vê-la sair da sua vida novamente? Ele é forte o suficiente para fazê-la ficar?

Resenha: Daisy Está na Cidade é o primeiro volume da série Lovett, Texas, escrita pela autora Rachel Gibson. Não estranhem o fato de o primeiro livro ter sido lançado depois do segundo, Maluca por Você, até mesmo porque as histórias são independentes e tratam de personagens diferentes, só se passam no mesmo lugar.
Quinze anos se passaram após a saída de Daisy da cidadezinha de Lovett, mas agora ela está de volta, para resolver assuntos inacabados com Jack, com quem teve um romance intenso, porém secreto, quando ainda estudavam juntos. O relacionamento se mantinha em segredo pois Steven, que fazia parte do trio de melhores amigos dos dois, gostava de Daisy e eles não queriam magoá-lo. Porém, Jack sentiu uma enorme necessidade de ter seu próprio espaço ficando um tempo sozinho após ter perdido os pais num terrível acidente de carro e Daisy não aceitou que ele se fechasse dessa forma e quisesse distância dela, mesmo que só naquele momento. Ela, então, se casa com Steven e os dois vão embora da cidade deixando Jack arrasado, com a sensação de ter sido abandonado e traído pela garota que amava.
Mas agora, depois de todos esses anos, Steven morreu de câncer e Daisy precisa entregar a Jack uma carta escrita pelo falecido a fim de resolverem o que ficou mal entendido quando eles foram embora.
O problema é que Jack ainda guarda muito ressentimento depois de ter sido traído daquela forma e não tem o menor interesse em saber o que Daisy tem a lhe dizer... Mas ela não vai desistir e Jack não sabe se vai conseguir resistir diante de tanta insistência.

Narrado em terceira pessoa, a história é ricamente detalhada numa escrita muito fluída, cheia de humor e gostosa de se ler.
Daisy e Jack são muito parecidos. Ambos são resistentes e defendem suas opiniões de que tudo o que foi feito ou como agem em relação ao passado são coisas corretas. Jack se acha no direito de odiá-la por ter sido traído, enquanto Daisy acredita que o motivo que a levou a se casar com outro e ir embora é totalmente justificável e por isso o ódio de Jack não tem fundamento e ele tem que perdoá-la. E ela é teimosa em ficar no pé dele, e ele teima em não lhe dar ouvidos ou brechas pra qualquer tipo de conversa. A vontade é de pegar os dois e sacudi-los feito bonecos para chegarem logo num acordo.
O melhor é que as cenas em que estão juntos, por mais tensão que possam carregar, são equilibradas com boas doses de humor, algumas até bem tocantes e emocionantes, o que torna a história bem leve e divertida, mas ainda pelos pontos dignos de discussão. Acredito que as atitudes dos personagens são questionáveis e reflexivas, até mesmo a de Steven. Ele seria o "vilão" ou um herói por ter "roubado" a namorada do amigo? Por trás de cada atitude há motivos. Nem sempre esses motivos justificam certas ações, sendo melhores ou piores, mas nem tudo é feito com más intenções...
Daisy passa a impressão de ser muito egoísta, impulsiva e pode não agradar a alguns, mas levei em consideração que com pouca idade somos imaturos e fazemos coisas que sem sempre compreendemos, e antes tentar corrigir as coisas tarde do que deixar passar e não corrigirmos nunca. Daisy tem consciência de que Jack guarda rancor dela, mas também tem consciência de que se eles jamais poderiam ter um futuro juntos se ele não esquecer tudo e seguir em frente.
Jack foi um dos personagens mais bem construídos dos quais acompanhei. Tanto pelo fato de ele ser um gato lindo e sarado quanto pela personalidade, pois é alguém que me soou super natural, um homem de bem mas com seus defeitos, que sofreu desilusões e não soube lidar com isso, assim como muitas pessoas por aí. Além de, claro, ter a melhor pegada ever, deixando até um tal de Christian Grey chupando o dedo. O que, em nome de Deus, é esse homem?? Não vou entrar em detalhes sórdidos.. leiam e descubram, e delirem um pouco também...
Eu adorei Jack e a forma como foi retratado, um homem com a testosterona transbordando, muito macho, mas que tem que lidar o passado e isso, logo, mexe com seus sentimentos.
Enfim, como Jack trabalha numa oficina, o que não me agradou muito foram as descrições de modelos de carros, motores, carburadores e afins. Como não entendo nada disso, foram informações que, pra mim, foram insignificantes e desnecessárias.
Ainda assim, adorei a escrita da autora e fiquei admirada pelo romance contemporâneo e bem humorado, com personagens peculiares, intrigantes, com personalidade forte, e com toques bastante picantes e sensuais.

O trabalho gráfico do livro é impecável. A capa é uma graça pois realmente faz a referência de alguém voltando às suas origens. Os detalhes das margaridas também tem tudo a ver. A diagramação é simples, as páginas amarelas, a fonte é grande, assim como as margens, o que colabora com a leitura, e não encontrei erros de revisão.

A história me lembrou um pouco do filme "Doce Lar", em que a mocinha, já acostumada com outro tipo de vida proporcionada pela metrópole, volta a sua cidade natal e descobre que nada mudou, nem as pessoas e seus costumes malucos, mas, ainda assim, é algo que lhe causa estranhez. Mas mesmo com uma premissa que não é muito inovadora, a história tem um ótimo desenvolvimento e faz o leitor querer devorar cada capítulo a fim de saber qual é a grande revelação que Daisy tem a fazer, se Jack irá ceder ou não e, mesmo que previsível, como eles irão resolver suas enormes diferenças.
No final de tudo, ainda parei pra refletir sobre a questão do amor e do perdão, sobre como a raiva pode consumir uma pessoa fazendo com que se torne amarga, e como, às vezes, a pessoa impede a si própria de ser feliz por não ser capaz de perdoar ou por uma pedra em cima de algo, que mesmo impossível de se esquecer, não vale a pena se guardar. Ás vezes as coisas se resolvem com o simples gesto de ceder, de abrir mão do orgulho. Em vez de agir com a voz da razão, basta deixar o coração ter sua vez, mesmo que mais uma vez...

Clube da Liga #4 - Red Hill - Jamie McGuire

Lido em: Maio de 2015
Título: Red Hill - Red Hill #1
Autora: Jamie McGuire
Editora: Verus
Gênero: Ficção Apocalíptica/Drama
Ano: 2015
Páginas: 350
Nota
Sinopse: Para Scarlet, cuidar de suas duas filhas sozinha significa que lutar pelo amanhã é uma batalha diária. Nathan tem uma mulher, mas não se lembra o que é estar apaixonado; a única coisa que faz a volta para casa valer a pena é sua filha Zoe. A maior preocupação de Miranda é saber se seu carro tem espaço suficiente para sua irmã e seus amigos irem viajar no fim de semana, escapando das provas finais da faculdade.
Quando a notícia de uma epidemia mortal se espalha, essas pessoas comuns se deparam com situações extraordinárias e, de repente, seus destinos se misturam. Percebendo que não conseguiriam fugir do perigo, Scarlet, Nathan, e Miranda procuram desesperadamente por abrigo no mesmo rancho isolado, o Red Hill. Emoções estão a flor da pele quando novos e velhos relacionamentos são testados diante do terrível inimigo – um inimigo que já não se lembra mais o que é ser humano.
O que acontece quando aquele por quem você morreria, se transforma naquele que pode lhe destruir?
Resenha: Red Hill, da autora Jamie McGuire e publicado pelo selo Verus do grupo Editorial Record, foi o livro escolhido para leitura do mês no Clube do Livro.

O que você faria se estivesse diante de um apocalipse zumbi?
O conceito de apocalipse zumbi e mortos-vivos comedores de gente, até então, era algo ficcional. As pessoas podem até imaginar como seria o fim do mundo e o que fariam numa situação crítica ao assistirem seriados na televisão ou um filme de grande bilheteria, mas na prática ninguém está, de fato, preparado.
Há muitos anos atrás um cientista investiu num projeto que tinha como propósito reanimar mortos. Por ser uma abominação e uma prática anti-ética, ele foi expulso da sociedade científica, mas o que ninguém esperava era que a pesquisa acabaria surtindo algum resultado...
Assim, quando há um alerta de pandemia, a população entra em pânico, e a história gira em torno de três personagens e o que eles fazem quando descobrem que o apocalipse chegou.
Scarlet, Nathan e Miranda são pessoas que, aparentemente, não têm nada em comum. Cada um deles tem suas próprias preocupações e prioridades na vida, até que, diante do surto, eles decidem ir pro rancho Red Hill, propriedade do Dr. Hayes, em busca de abrigo e segurança.
Sem poder se comunicar com as filhas, resta a Scarlet deixar um bilhete sobre onde estaria esperando por elas e contar com sua intuição de mãe de que elas conseguiriam chegar bem.
Miranda só queria fugir da faculdade e curtir o fim de semana, mas se viu obrigada a procurar abrigo em Red Hill, a casa de seu pai.
Nathan é um pai dedicado que mesmo tendo visto seu casamento afundar se preocupa com a filha e agora, mais do que nunca, com sua segurança, e assim como Scarlet e Miranda, tem Red Hill como destino.

Acredito que o foco principal da história são as relações entre os personagens pois a forma como o pano de fundo foi construído não inovou, e isso foi algo que todos os participantes do Clube do Livro concordaram, mesmo tendo gostado ou não.
Narrado em primeira pessoa de forma linear e alternando os pontos de vistas dos três personagens principais, vamos acompanhando a luta de cada um deles para chegar ao local que julgaram adequado para se protegerem, lindando com abalo psicológico que envolve perda e medo, e se adaptando a uma nova vida de forma forçada ao mesmo tempo que precisam aprender a conviver com outras pessoas que agora compõe uma nova "família".
A preocupação de Scarlet como mãe, a dor e o desespero que sentiu quando a confusão começou e ela não tinha notícias das filhas é notável e admirável. A confiança e esperança que ela manteve em acreditar que as filhas conseguiriam chegar até ela são inabaláveis. Ela é forte e decidida, e com as atitudes que tem consegue liderar o grupo que se forma pra que todos fiquem em segurança e, claro, não desiste nunca da ideia de que irá reencontrar as filhas.
Nathan só enxerga felicidade em Zoe, sua filha, e ficou arrasado por ter descoberto que foi abandonado pela esposa na véspera do surto. Ele expõe os sentimentos amargos de indiferença e falta de amor com bastante realidade e sinceridade. Fiquei com pena dele e por mais que a situação e o cenário não fosse favorável, torci para que ele conseguisse encontrar a felicidade em algo ou alguém, por mais impossível que fosse.
Miranda também é uma personagem forte e sua intenção é proteger Ashley, sua irmã. Seu desejo maior era chegar a Red Hill e ter um pouco de paz e segurança, vivendo tranquila até que todo o tormento tivesse fim. Não me apeguei muito a ela mas gostei da autora colocar duas personagens mulheres no topo do grupo mostrando que elas podem ter tanta força e coragem como um homem ao serem testadas e levadas ao extremo.

Apesar da autora ter uma escrita bastante fácil e fluída e ter uma habilidade muito boa pra descrever os detalhes, notei algumas falhas na história. Não sei se o problema é os personagens estarem separados inicialmente e não ficar muito claro se os acontecimentos se passam simultaneamente ou não, mas algumas cenas não batem cronologicamente enquanto outras não fazem a menor diferença no desenvolvimento do enredo. E falando em desenvolvimento, confesso que no começo me empolguei bastante com a leitura, mas com o passar das páginas, talvez por esperar por algo inédito, tenha me decepcionado um pouco.
Como eu já tenho um contato maior com esse tema por ser fã de franquias como The Walkind Dead e Resident Evil, e também por ter lido Guerra Mundial Z, nada do que aconteceu em Red Hill me surpreendeu. Os relacionamentos interpessoais me agradaram, mas não ao ponto de me deixarem emocionada ou mexerem comigo de alguma forma. Todos os acontecimentos envolvendo a luta pela sobrevivência e até mesmo os conflitos psicológicos e os relacionamentos entre os personagens em meio a zumbis foram previsíveis, fracos, superficiais e alguns ainda não fizeram o menor sentido dentro do contexto de fim do mundo. O final eu simplesmente não engoli.
Quem já se acostumou com coisas muito mais complexas, pesadas e grotescas envolvendo essas criaturas, a reação dos sobreviventes e a forma como lidam com o que enfrentam, principalmente quando eles já estão há muitos anos naquele ambiente, espera ler algo diferente do que já foi visto, mesmo que a base seja a mesma. Acho que é possível criar tramas em cima de temas conhecidos e, ainda assim, ser original, mas isso não acontece em Red Hill.

A capa retrata bem o ar de arraso digno de um apocalipse e é muito caprichada. Até o céu cinzento representa uma das cenas da história. O título é em alto relevo e no geral o trabalho gráfico é perfeito.
As páginas amarelas tem a fonte agradável, a diagramação é simples e cada capítulo se inicia com o nome do protagonista da vez. Não encontrei erros na revisão e é o tipo de leitura que por fluir bem é possível terminar bem rápido. Eu particularmente demorei um pouco mais por começar a achar o desenvolvimento da história repetitivo no quesito "já li/assisti coisa parecida em outro lugar".

Recomendo o livro pra quem ainda não tem contato com esse universo e quer começar, pois Red Hill traz uma visão "branda" sobre o tema e posso dizer que se existe um apocalipse zumbi para iniciantes, essa é a história.
O "Clube do Livro da Liga" é formado por amigos que resolveram arriscar uma leitura coletiva e se surpreenderam com a interação que foi proporcionada. Temos muitos gostos e ideias em comum, além de muitas discussões e risadas. Ninguém nunca irá nos entender, ainda bem.

O Menino da Lista de Schindler - Leon Leyson

Lido em: Abril de 2015
Título: O Menino da Lista de Schindler
Autor: Leon Leyson
EditoraRocco  
Tradutor: Pedro Sette Câmara
Gênero: Drama/Biografia/Juvenil
Ano: 2014
Páginas: 256
Nota
Sinopse: Um pequeno vilarejo, os irmãos, os amigos, as corridas nos campos, os banhos de rio: essa é a verdadeira história de Leon, a história de um mundo despedaçado pela invasão dos nazistas. Quando em 1939 o exército alemão ocupou a Polônia, Leon tinha apenas dez anos. Logo ele e sua família foram confinados no gueto da Cracóvia junto a milhões de outros judeus. Com um pouco de sorte e muita coragem, o menino conseguiu sobreviver ao inferno e foi contratado para trabalhar na fábrica de Oskar Schindler, o famoso empreendedor que conseguiu salvar mais de mil e duzentos judeus dos campos de concentração.
Neste testemunho que ficou por tanto tempo inédito, Leon Leyson nos conta sua extraordinária história, na qual, graças a força de um menino, o impossível se tornou possível.
O Menino da lista de Schindler é um legado de esperança e um chamado para que todos nós nos recordemos daqueles que não tiveram a chance do amanhã.

Resenha: Leib Lejson (que posteriormente passou a se chamar Leon Leyson) era um garoto polonês de apenas 10 anos de idade e judeu. Ele nos conta como era sua vida no vilarejo onde morava, despreocupada e feliz, até que o exército alemão ocupou a Polônia em 1939 obrigando ele a sua família a viverem confinados no gueto da Cracóvia espremidos a outros judeus. E através deste fantástico testemunho de alguém que viu de perto os horrores da Segunda Guerra e do Holocausto e que teve a chance de escapar da morte, conhecemos sua história tão trágica quanto bela.

Existem vários livros que abordam o tema do Holocausto mas nem todos são indicados para leitores mais jovens pelas descrições explícitas, brutais e muito pesadas sobre tudo o que os judeus passaram. Alguns mostram os alemães como totais vilões, outros mostram os demais como vítimas e é difícil encontrar algum onde seja possível perceber um certo equilíbrio de forma que descobrimos que em meio a escuridão pode, sim, haver um pontinho de luz. Leon consegue expor os acontecimentos pelos quais passou com sutileza mas ainda sendo possível entender o horror que foi o Holocausto, além de mostrar que existiu um alemão que fazia parte do partido nazista mas que secretamente não era a favor das práticas de seus "companheiros" e usou todo seu dinheiro e influência para salvar mais de mil e duzentos judeus dos campos de concentração usando a desculpa de que precisava de mão de obra para sua fábrica, e o jovem foi um de seus funcionários.
Inicialmente eles não perceberam que se tratava de um salvamento em massa e que todos os judeus que faziam parte da "Lista de Schindler" poderiam ter esperança de que escapariam da morte certa. Leon foi o judeu mais jovem a compor a lista. Ele correu muitos riscos diante de nazistas com o poder de matá-lo sem misericórdia alguma, e mesmo sendo corajoso e perseverante, muitas vezes precisou contar com a sorte.

O início do testemunho é lento com informações que servem como base, mas a medida que a leitura prossegue, nos deparamos com uma história incrível, emocionante e que toca na alma, pois através de Leon foi possível saber que o bem existe e que deve-se acreditar que as coisas podem dar certo por mais difíceis que pareçam. Em meio a soldados alemães que acreditavam que judeus não eram humanos e que mereciam sofrer até a morte, além de terem tudo o que conquistaram em suas vidas tomados, existiam pessoas que representavam a bondade com suas boas ações e atitudes nobres diante do horror e das diversas tentativas dos nazistas de desumanizarem os judeus. Muitos deles arriscaram suas vidas para manterem a dignidade que os alemães tentaram lhes arrancar.
Em suma, o relato é surpreendente, muito emocionante e inspirador pois mostra que por piores que tenham sido as condições pelas quais Leon passou, ele não deixou que isso o destruísse, muito pelo contrário. Seu passado o deixou mais forte, sua família é um grande exemplo de união e amor.
O Holocausto foi uma atrocidade sem tamanho, sem explicação e é impossível entender como pode existir pessoas tão cruéis. O sentimento é de raiva, indignação, mas ao saber de relatos como o de Leon, ainda é possível acreditar que nem tudo está perdido e que existe sim pessoas boas no mundo.
Ao final, só me restou agradecer a Leon por ter presenteado as pessoas com sua história de vida. Com certeza ele nos abre os olhos para valorizarmos a vida e a liberdade, além de deixar a mensagem de que com coragem, fé e amor, é possível superar vários obstáculos.


A Herdeira - Kiera Cass

Lido em: Maio de 2015
Título: A Herdeira - The Selection #4
Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Gênero: Romance/Juvenil
Ano: 2015
Páginas: 392
Nota:
Sinopse: Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.

Resenha: "A trilogia como um todo vale muito a pena ser lida, mesmo que o desfecho não tenha sido tão empolgante como esperei, mas vou sentir falta e queria muito que a história fosse além do 'felizes para sempre'..." 
Foi assim que finalizei a resenha de A Escolha, que até então havia imaginado ser o último livro da trilogia The Selection. Agora, Kiera Cass presenteia seus leitores e fãs com A Herdeira, o quarto volume do que acabou se tornando uma série, então, sim, a história realmente foi além do "happy end".
Recapitulando a trama, a história da Seleção se passa num mundo pós guerra e entre países dominados e reerguidos, surgiu Illea. O novo país tinha um esquema de castas a fim de identificar os cidadãos e suas hierarquias na sociedade e a Seleção era um sistema para a escolha da nova princesa. Numa disputa em forma de reality show entre mais de 30 jovens, o príncipe Maxon deveria escolher sua futura esposa. Eis que surge America, uma jovem da casta 5, considerada inferior, que, claro, entra na Seleção e balança o coração do príncipe. E a partir daí uma história de amor complexa em meio a conflitos relacionados ao governo do país se desenrola até eles conseguirem superar os obstáculos, se casarem e fim.

Vinte anos se passaram desde então e Maxon e America são rei e rainha. O sistema de castas e da Seleção foi abolido buscando a igualdade social entre os cidadãos mas ainda há conflitos devido aos resquícios do governo anterior além dos costumes do povo com os quais o rei precisa lidar. As pessoas ainda sentem que fazem parte das castas e há bastante discriminação e preconceito quando não deveria ter, e isso continua causando revoltas, rebeliões e até mesmo desaparecimentos e morte. Diante disso, o rei Maxon busca por algo que distraia o povo até que tome medidas que tragam uma solução para os problemas que estão saindo de controle, e sua única ideia é trazer a Seleção de volta. Porém, dessa vez a Seleção é inversa, pois não se trata de um príncipe com 35 garotas lutando para se tornar sua esposa, mas sim uma princesa que deverá escolher um marido em meio a vários jovens. A herdeira do trono é Eadlyn, a filha mais velha do casal que por mais que tenha sido criada para se tornar uma líder de pulso firme, nunca teve intenção de viver um conto de fadas como seus pais viveram. Ahren é seu irmão gêmeo e ele é quem deveria ser o herdeiro, mas por Eadlyn ter nascido sete minutos antes dele, o título, por direito, é dela.
Contra sua vontade e fazendo um "acordo" com o pai, Eadlyn inicia a nova Seleção descrente que poderia encontrar alguém digno de ser seu marido, mas quando a competição começa ela talvez perceba que as coisas não seriam como imaginou...
"Eu era Eadlyn Schreave. Nenhuma pessoa era tão poderosa quanto eu."
-Pág. 25
E com esse lema de que Eadlyn é a pessoa mais poderosa e importante do país, a história de A Herdeira segue, narrada em primeira pessoa numa escrita fácil e fluida, com um pano de fundo que foge à distopia, já que as pessoas estão livres das castas, mas não necessariamente com uma protagonista agradável e fácil de se aturar. Ela é diferente de qualquer personagem que já me deparei e faz o tipo ame ou odeie. Não há meio termo.
Eadlyn foi criada para ser líder, mas suas atitudes são dignas de uma adolescente rebelde sem causa. Ela é mimada, quer passar a impressão de ser forte e decidida, quando na verdade é egoísta, petulante, atrevida, infantil e com um complexo de superioridade que é de matar e que, no fundo, tem medo do fracasso. Ela demonstra claramente que por mais que ame seus pais, não tem o menor respeito por eles, nem por quem são, e se acha no direito de desobedecer, gritar, responder mal, dar as costas, bater a porta na cara e por aí vai... A ideia de seguir ordens não lhe agrada, a ideia de se submeter a alguém muito menos, mas mesmo sendo assim, ela ainda não é má pessoa. Ela foi criada assim, aprendeu a ser assim e pensa que é correto fazer o que faz.
Me questionei por que Maxon e America deixaram a situação chegar a esse ponto, qual a intenção de permitirem tal comportamento sendo que Ahren e os outros dois irmãos, Kaden e Osten, não são assim, muito pelo contrário. Eles são obedientes, tem senso, respeito e sabem distinguir o certo do errado e são personagens que conquistam e despertam a simpatia do leitor logo de cara. Prefiro pensar e espero que por trás dessa "falha" há um propósito e uma explicação plausível que ainda virá no quinto volume. Talvez a ideia de superprotegê-la tenha partido do que Maxon viveu com seu pai tirano, como se quisesse evitar que ela jamais passasse por nada de ruim, mas as pessoas não aprendem se não tiverem o mínimo de exemplo ou experiência a se seguir, e dentro da Seleção, tendo que lidar com os mais variados tipos de jovens com personalidades e atitudes distintas, Eadlyn acaba se deparando com o desconhecido, e isso a assusta muito já que não está acostumada com nada que saia fora de sua rotina. Ela continua sendo o centro das atenções, mas dessa vez precisa interpretar e ainda lidar com quem não conhece. Exceto por Kile, o jovem que vive no palácio com ambições de sair de lá e viver a própria vida, mesmo que tivesse que deixar sua irmã e sua mãe, madame Marlee (sim, a própria!). Mas, contra seus interesses, ele acaba entrando na Seleção e se torna o ponto de apoio de Eadlyn. E o garoto que cresceu com ela como amigo agora passa a despertar novas sensações na princesa...
Ao comparar as situações presentes na história com os livros anteriores, achei muitas delas floreadas e bem exageradas, algumas cômicas que até me fizeram gargalhar, principalmente ao levar em consideração a reação de Eadlyn com o que lhe acontece, fora a forma espantosa como trata os pais que já mencionei. Ela pode ter sido criada de outra forma já que sua responsabilidade é infinitamente maior do que a dos seus irmãos, mas não fez sentido pra mim eles terem sido criados pelos mesmos pais e terem uma visão de mundo totalmente diferente, principalmente porque enxergam os defeitos e as falhas dela.
Gostei da construção dos demais personagens: Kile e Erik, o intérprete de Henri, um dos selecionados que não fala muito bem a língua de Illéa, e os três irmãos de Eady, principalmente Ahren, que é um exemplo de pessoa.

Acho que pela história ter mudado de protagonista mas ainda concentrar personagens antigos dentro do universo de Illea e da Seleção, A Herdeira deveria ser considerado um spin-off da trilogia pois a história realmente poderia ter terminado no livro anterior tranquilamente. Mesmo que não sendo tão necessária assim, foi uma continuação que me agradou. Uma das mais gratas surpresas que tive foi me deparar com personagens antigos dos quais eu gostava e torcia tanto pra serem felizes: Marlee, Aspen, conhecido por general Leger, e até Lucy continuam fazendo parte da história e mesmo que sem um aprofundamento maior, já que esbarram esporadicamente com Eadlyn, foi muito bom saber um pouco sobre o que aconteceu com cada um deles e o que estão fazendo após tantos anos. Maxon e America não são mais os mesmos e acredito que o tempo foi o responsável por essa mudança, além da enorme responsabilidade de governarem o país, serem pais de quatro filhos e ainda terem que preparar a filha para reinar. Eadlyn não sabe muitos detalhes da vida deles no que diz respeito ao que aconteceu na Seleção passada nem a real ligação e importância de Marlee, Lucy e Aspen tem alí, mas não formei uma opinião sobre essa questão de terem optado manter o passado em segredo assim. Quem sabe revelações sobre isso virão a tona futuramente...

Senti uma mudança na escrita da autora nesse livro. Enquanto há frases de impacto com enorme significado (vide quotes abaixo), percebi alguns diálogos que me soaram rasos, outros bobos e desnecessários, mas acabei associando isso à completa imaturidade e falta de senso da protagonista.
O final, mesmo que repentino e corrido, é de deixar qualquer um agoniado, clamando pelo próximo volume. Só posso dizer que por mais que eu tenha achado Eadlyn antipática e intragável, torço pra que ela amadureça e tenha consciência de tudo o que ela tem reservado para si, e mude, mesmo que pela dor.

Sobre o projeto gráfico, nem preciso dizer que a capa é um luxo só. Ela mantém o estilo dos livros anteriores mas, na minha opinião, é a mais bonita de todas. Páginas amarelas, capítulos curtos, cada início de capítulo traz a figura da tiara da capa e fonte de tamanho agradável. A edição ficou ótima.

A Herdeira vai despertar as mais diversas sensações no leitor, mas é uma leitura que, para os fãs da série, é, de fato, obrigatória.
"Eu odiava quando ele falava assim do meu futuro. Como se sexo, amor e bebês não fossem coisas boas, mas deveres a ser cumpridos para manter o país nos eixos. Isso apagava qualquer traço de alegria das minhas perspectivas.
De todas as coisas da vida, essas não deveriam ser as melhores partes, os prazeres mais verdadeiros?"
- Pág. 36
"Não importava o quanto a situação parecesse romântica para ele, eu só conseguia pensar nos trinta e cinco garotos - barulhentos, intragáveis, fedidos - que estavam prestes a invadir minha casa. Nada disso soava 'mágico'".
- Pág. 39
"- Sei que acha que é egoísmo, mas você vai ver. Um dia o bem-estar do país vai recair sobre seus ombros, e você vai se surpreender com o que será capaz de tentar para evitar que ele desmorone."
- Pág. 56
"- Não sei ao certo se acredito em destino. Mas posso dizer que às vezes aquilo que você mais deseja vai cruzar sua porta determinado a te evitar a qualquer custo. E, ainda assim, de algum jeito, você descobre que é suficiente para fazê-lo ficar.
- Pág. 63
"...- Penso mil coisas maravilhosas sobre você. Um dia saberá o que é se preocupar com os filhos. E eu me preocupo com você mais do que com os outros. Você não é apenas uma garota, Eadlyn. Você é a garota. E eu quero tudo para você."
- Pág. 67
"- O que a senhorita procura em um marido?
O que eu procurava? Minha independência. Paz, liberdade... Uma felicidade que julgava ter até Ahren questionar se era real.
Dei de ombros.
- Não sei se alguém sabe o que procura até encontrar."
- Pág. 189




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