24 de março de 2019

A Terra das Sombras - Meg Cabot

Título: A Terra das Sombras - A Mediadora #1
Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Gênero: Fantasia/Jovem adulto
Ano: 2000
Páginas: 288
Nota:
Sinopse: Falar com um fantasma pode ser assustador. Ter a habilidade de se comunicar com todos, então, é de arrepiar qualquer um. A jovem Suzannah seria uma adolescente novaiorquina comum, com seu indefectível casaco de couro, botas de combate e humor cáustico, se não fosse por um pequeno detalhe. Ela conversa com mortos. Todos eles. Qualquer um. Ela é uma mediadora, em termos místicos, uma pessoa cuja missão é ajudar almas penadas a descansar em paz. Um dom nada bem-vindo e que a deixa em apuros com mãe e professores. Como convencê-los da inocência nas travessuras provocadas por assombrações?

Resenha: A Terra das Sombras é o primeiro volume (de sete) da série A Mediadora, da autora maravilhosa, ilustre e diva Meg Cabot. Suzannah Simon é uma adolescente de dezesseis anos que se muda de Nova York pra Califórnia devido ao segundo casamento de sua mãe com Andy, que já é pai de três filhos. Ela é uma garota de humor ácido e aparentemente normal, se não fosse pela sua personalidade "forte" e seu dom de ver de fantasmas, e de chutar suas bundas quando se recusam a colaborar. Suze é uma mediadora, e sua missão é ajudar essas almas a resolverem seus assuntos pendentes para que possam passar para o outro lado e descansar em paz, mesmo que seja à força ou na base da porrada.
Quando ela chega na Califórnia, se depara com uma casa vitoriana bastante antiga onde seria seu novo lar, mas o que ela não esperava era ter que dividir seu quarto com Jesse, o fantasma de um jovem hispânico, lindo e encantador que está preso alí há cento e cinquenta anos. E como se não bastasse, a nova escola em que ela vai estudar está sendo assombrada por uma ex-aluna que se suicidou e quer se vingar do ex-namorado a qualquer custo, ameaçando a segurança dos outros alunos. Assim, Suzannah, com a ajuda do padre Dominic (que também é um mediador) entra em cena com seus poderes para ajudar os novos colegas de escola e seus professores.

Lembro que li os seis primeiros livros entre 2010-2011 mas até hoje a história está bem fresca na minha memória, coisa que é bem difícil de acontecer com a maioria dos livros que leio.
Por mais que a história seja voltada para um público mais adolescente, o que acaba conquistando o leitor é a narrativa. O livro traz uma história bem teen e sobrenatural, é super rápido de ser lido devido a escrita fácil e envolvente, os toques hilários de muito bom humor e um pouco de romance, e os personagens são muito bem construídos. Não nego que há algumas inconsistências que tornam algumas cenas um tanto questionáveis, principalmente quando partem de algo que já existe em determinadas crenças/religiões e no livro acaba sendo um pouco distorcido, mas relevei esses pontos considerando que se trata de uma fantasia. Se não é algo que comprometa a história de forma geral, então está tudo bem, mesmo que a autora pudesse ter feito uma pesquisa um pouco mais elaborada para tornar as ações dos personagens mais "realistas".

A história é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista da protagonista e inicialmente, por mais "badass" que ela seja, é possível revirar os olhos para seu comportamento e atitudes em alguns momentos. Às vezes, Suze se comporta feito uma criança mimada, egoísta e birrenta, e a vontade é de lhe dar uns chacoalhões para aprender a ter um pouco mais de noção, pois nem tudo se resolve no braço ou do jeito que ela acha que deve, mas também tenho que admitir que quando a coisa começa a ficar tensa, só tive admiração por ela ser uma garota tão jovem, mas tão cheia de coragem para enfrentar perigos sem se deixar abalar. Outra pessoa no lugar dela, tendo que lidar com o que ela lida, no mínimo, borraria as calças. Assim, vamos acompanhando a rotina de Suzannah ao se adaptar numa nova cidade, numa nova escola, numa nova casa com uma nova família, ao mesmo tempo em que tenta convencer Heather, o fantasma da menina que se suicidou, a se desprender de suas mágoas para que ela, enfim, possa seguir em direção a luz. Mas se não é fácil lidar com os vivos, imaginem com os mortos, principalmente os teimosos?

Os personagens secundários colaboram para o desenvolvimento não só da trama, mas do crescimento e amadurecimento pessoal de Suze, então vemos a importância da família, mesmo aqueles que já morreram mas se recusam a partir, e dos amigos. O bacana dos livros da autora é que ninguém que aparece na história fica completamente esquecido ou não tem alguma função que tenha alguma relevância.
Padre Dom, por exemplo, é o padre da escola. Ele bastante bondoso e vai auxiliar Suzannah (ou pelo menos tentar) em suas missões com os fantasmas de uma forma que ela seja mais paciente e não trate as almas penadas e teimosas como lixo. Jesse também é um fofo e consegue ser o melhor personagem da história, e sua forma de tratar Suze com tanto carinho, a chamando de "hermosa" e tudo mais, é muito bonitinho.

No mais, pra quem procura por um livro divertido e despretensioso, rápido de ser lido e que, com certeza, ajuda a sair de uma ressaca literária, é leitura mais do que indicada.

17 de março de 2019

Mulheres na Luta - Marta Breen e Jenny Jordahl

Título: Mulheres na Luta - 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade
Autoras: Marta Breen e Jenny Jordahl
Editora: Seguinte
Gênero: HQ/Não Ficção
Ano: 2019
Páginas: 130
Nota:
Sinopse: O movimento feminista em quadrinhos, para jovens e adultos. Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres ― pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras ―, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito ― e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Resenha:  Trazendo um assunto tão importante nos dias de hoje, Mulheres na Luta, publicado pela Editora Seguinte, é um compilado de informações acerca do movimento feminista e da luta das mulheres que começaram há somente cento e cinquenta anos e marcaram o início de mudanças muito importantes para adquirirem direitos numa sociedade completamente machista. Ter direito aos estudos, ao trabalho remunerado, a votar nas eleições, e de decidir sobre o próprio corpo são algumas das lutas desse movimento que mostra que houve bastante progresso, mas que ainda assim é preciso muito mais.


O livro é dividido em partes que abordam diferentes tipos de lutas, apontando alguns fatos que foram decisivos para várias conquistas e mostrando que as mulheres são capazes de muito mais coisas do que ficarem confinadas em casa cuidando dos afazeres domésticos, de uma penca de filhos e servindo obedientemente ao seu marido. Se por um lado existiam homens que defendiam que "o homem é ativo e forte, enquanto a mulher é passiva e fraca", ou que "as mulheres devem ficar em casa com a família, em vez de ocupar a cabeça com outras coisas", existiam mulheres que refutavam essas ideias absurdas e começaram a lutar pelos mesmos direitos.


Embora os eventos tenham uma abordagem histórica, se concentrem principalmente em lutas de mulheres americanas e europeias, e sejam explorados de uma forma bastante enxuta e sem muitos detalhes, fica bem claro que muito se perdeu para que houvesse conquistas. Mulheres foram torturadas e mortas enquanto questionavam homens e lutavam por seus direitos, e é incrível perceber que hoje, em pleno século 21, isso ainda acontece no mundo inteiro.



Outras questões são trabalhadas além dos direitos conquistados gradualmente, como sexualidade, métodos contraceptivos e aborto, porém focando no corpo feminino como uma propriedade controlada por qualquer um, exceto pela mulher, e embora em alguns países as mulheres tenham direitos e sejam donas dos próprios corpos, ainda há lugares em que isso não acontece, o que gera reflexões sobre o quanto é preciso evoluir e rever não só conceitos, mas as leis também.


A edição gráfica do livro é muito bonita e caprichada, com capa dura, folhas mais grossas, ilustrações com traços simples, porém bastante expressivos, e cores monocromáticas em tons pastéis que se contrastam com o preto distribuídas ao longo do livro de acordo com o tema abordado no determinado capítulo. O visual é limpo e ajuda a transmitir a história de uma forma bastante clara, objetiva e funcional.


Assim, pra quem busca por livros que abordam a opressão do patriarcado e a temática feminista de uma forma didática, que citam nomes de mulheres que foram responsáveis por mudanças importante para a vida de todas as outras mulheres na sociedade e seus feitos, Mulheres na Luta é uma excelente porta de entrada para se ter noção do que é o feminismo e o quanto é necessário, de onde surgiu, o que as mulheres precisaram (e ainda precisam) enfrentar para conquistar espaço, e porquê a igualdade precisa ser alcançada tão urgentemente.

11 de março de 2019

Wishlist #68 - Funkos do Queen

Quando a gente cresce ouvindo determinado tipo de música, é impossível não apreciar e/ou sentir aquela nostalgia sempre que as músicas tocam, né? No meu caso, eu cresci com minha mãe ouvindo e cantando pra mim e meus irmãos as várias vertentes do rock das antigas, Credence, Supertramp, Queen, Pink Floyd e afins. Ela colocava as músicas em festinhas, e também cantava em qualquer ocasião, até como música de ninar, pra gente dormir! Então, desde pequenininha, acabei aprendendo a gostar, a cantar, a admirar as músicas e os artistas, e não é a toa que ouço até hoje e gosto bastante.

Com o sucesso estrondoso do filme Bohemian Rhapsody, Brian May, Roger TaylorJohn Deacon e o icônico e talentosíssimo Freddie Mercury, integrantes da banda britânica Queen, ganharam suas versões em pop, e obviamente eles não poderiam ficar de fora da "listinha".


O trailer da música:

10 de março de 2019

Labirinto - A.C.H. Smith e Jim Henson

Título: Labirinto
Autor: A.C.H. Smith e Jim Henson
Editora: Darkside Books
Gênero: Fantasia/Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 272
Nota:
Sinopse: Trinta anos sem perder a magia. Tudo começou em um pequeno “labirinto” real na cabeça de James Maury, mais conhecido pelo nome de Jim Henson. O cartunista, músico, roteirista, designer e diretor sabia acessar como ninguém o coração das pessoas e o seu maior dom foi dar vida a seres inanimados. A nova geração pode não lembrar do seu nome, mas com certeza tem seus personagens gravados na memória: Os Muppets, Vila Sésamo, Muppets Babies e até a inesquecível Família Dinossauro. Além deste, Henson também criou fábulas como “Labirinto”, em parceria com George Lucas, filme que encantou toda uma geração quando foi lançado, há 30 anos, com David Bowie como Jareth, o Rei dos Duendes, e também responsável pela trilha sonora, e uma jovem Jennifer Connelly no papel de Sarah, a protagonista que deseja que os duendes levem Toby, seu meio irmão e – para seu espanto – é atendida. Arrependida, ela é desafiada pelo Rei dos Duendes a atravessar o sombrio Labirinto, repleto de perigos e seres mágicos.
A novelização de Labirinto finalmente é publicada em português, em uma edição à altura do mestre. Escrita por A.C.H. Smith em parceria com Henson, a edição apresenta pela primeira vez as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou no filme, além de trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas do seu diário, detalhando a concepção inicial de suas ideias para Labirinto, comemorando os 30 anos do filme em grande estilo.

Resenha: Em 2016, em comemoração aos 30 anos de lançamento, Labirinto - A Magia do Tempo, de Jim Henson (criador de Os Muppets e Família Dinossauro) e estrelado por David Bowie e Jennifer Connelly em 1986, ganhou sua adaptação literária pelas mãos de A.C.H. Smith e foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books.

O filme/livro conta a história de Sarah, uma garota de dezesseis anos que, desde que a mãe os abandonou, mora com o pai, a madrasta e seu meio-irmão, Toby. Ela sonha em ser atriz, adora ensaiar e interpretar papeis, mas detesta interromper seus afazeres para tomar conta do irmãozinho que ela tanto odeia. Até que numa noite, quando Sarah precisa ficar de babá para o pai e a madrasta saírem, em um repentino e forte desejo de que Toby parasse de chorar e sumisse, ela profere algumas palavras lidas em um livro e tem seu desejo realizado. O bebê é levado para longe por Jareth, o Rei dos Duendes, que vive num castelo distante. Agora, Sarah não tem outra alternativa a não ser embarcar numa grande aventura a fim de atravessar um enorme labirinto, cheio de desafios e perigos, para resgatar o irmãozinho, antes do tempo estipulado se esgotar, caso contrário ela nunca mais verá Toby.

Narrado em terceira pessoa, a leitura é fácil, fluída e é uma descrição fiel dos acontecimentos que se passam no filme. Talvez a sacada maior é fazer com que os leitores que assistiram na infância possam reviver essa grande aventura em suas memórias.

Sarah é uma personagem um tanto chata e egoísta inicialmente, e a idade ainda colabora para que seus dramas sejam amplificados. Ela se sente injustiçada com a própria vida, de ter sido abandonada pela mãe, de não ser mais criança e não ter tanta atenção, mas também não ser adulta pra ser totalmente independente, de ser obrigada a lidar com a nova companheira do pai, e agora tem um irmão com quem precisa dividir seu espaço. Porém, aquele ditado que diz que a gente só dá valor quando perde se aplica bem à situação. Por mais "insuportável" que Sarah considere o bebê, ele é seu irmão, faz parte da família, é indefeso e precisa de cuidados. E a jornada para resgatá-lo é uma jornada de autoconhecimento: Sarah aprende mais sobre si mesma, seja quando faz novas amizades, seja quando precisa tomar decisões que nunca havia precisado tomar antes, principalmente quando precisa confrontar seus próprios dilemas, lidando com seus medos e com os sentimentos conflituosos dessa fase da vida que é a adolescência.

Os personagens secundários são ótimos e só reforçam a ideia de amizade, lealdade, coragem e sensatez, elementos tão importantes para se levar a vida. Hoggle é um duende amargurado que não tem amigos e serve Jareth. No começo ele recebe ordens para atrapalhar o progresso de Sarah, mas a medida que o tempo passa, eles vão se conhecendo melhor e os laços que eles formam começam a se estreitar resultando numa amizade muito bacana. Ludo é um enorme mostro peludo com poder de chamar pedras (o que acaba sendo bastante útil nessa aventura cheia de perigos) que Sarah encontra pelo caminho, e seu coração é tão grande quanto ele próprio. Outro personagem que vem depois é o Sr. Dídimo e seu cachorro/corcel Ambrósio em quem ele cavalga por aí, e muito do toque de bom humor vem desses dois, pois se por um lado o Sr. Dídimo faz o tipo nobre cavaleiro valente e corajoso que não tem medo de enfrentar tudo e todos, Ambrósio é mais medroso e é responsável por colocar limites em seu dono.

A edição do livro dispensa maiores comentários, principalmente por se tratar da Darkside. A capa dura com detalhes dourados é linda, a fitinha pra se marcar páginas é um charme, as ilustrações após a história feitas por Brian Fround são de encher os olhos, e as cópias das páginas do diário do próprio Jim Henson, onde ele fez anotações sobre as ideias iniciais para o filme, mostra o quanto ele foi genial. Não nego que a história tenha uma pegada bem parecida com Alice no País das Maravilhas, mas ainda assim é um prazer acompanhar essa aventura.

Assim, Labirinto traz uma história incrível sobre uma jornada que não remete somente à ideia das responsabilidades e amadurecimento de uma adolescente que não tem costume de ceder muito facilmente, mas, acima de tudo, fala da importância da amizade, da família, de que não devemos julgar pelas aparências, e que só ganhamos experiência e aprendizado quando temos os mais diversos obstáculos para se enfrentar.

Se você ainda não leu o livro, leia! Se ainda não assistiu ao filme, assista! Claro que na época os efeitos especiais e práticos não se comparam com os de hoje, mas ainda assim são muito bem feitos e surpreendentes. A experiência é única e inesquecível.