A Primavera Rebelde - Morgan Rhodes

Lido em: Outubro de 2014
Título: A Primavera Rebelde - Queda dos Reinos - Livro 2
Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia/Juvenil
Ano: 2013
Páginas: 344
Nota:
Sinopse: Depois que o rei Gaius de Limeros conquistou as terras de Auranos e subjugou o povo sofrido de Paelsia, passou a dominar toda a Mítica com seu punho de ferro. A rica população de Auranos parece não se importar com o novo governante, desde que seus privilégios sejam mantidos; os paelsianos, como sempre, aceitam seu destino de exploração. Mas a tranquilidade é só aparente - grupos rebeldes começam a surgir nos reinos dominados, questionando as mentiras e os métodos sangrentos do novo rei. Enquanto isso, Gaius obedece à sua mais nova conselheira e dá início à construção de uma estrada passando pelas temidas Montanhas Proibidas. Mas essa via não servirá apenas para interligar os três reinos - ela faz parte de uma busca pela magia elementar, perdida há mil anos, que conferirá ao tirano um poder supremo. O que ninguém esperava era que essa obra desencadearia uma série de eventos catastróficos, que mudarão aquelas terras para sempre e forçarão Cleo, Magnus, Lucia e Jonas a tomar decisões até então inimagináveis. 

Resenha: A Primavera Rebelde é o segundo volume da quadrilogia Queda dos Reinos, escrita pela autora Morgan Rhodes e publicada pela Seguinte no Brasil.
Atenção! Por se tratar de uma sequência, a resenha pode, sim, ter spoilers de A Queda dos Reinos!

Neste volume, Gaius, o rei tirano e sanguinário de Limerus, conseguiu o que queria. Depois de se unir a Auranos e tomar Paelsia, ele tomou posse do trono de toda Mítica depois de uma grande trama. Agora, seguindo sua conselheira, Gaius deu início a construção de uma grande estrada que ligaria os reinos, mas também que serviria para buscar pela magia perdida há mil anos, a Tétrade, que o tornaria um rei com poder absoluto e supremo. Porém, a construção desencadeou eventos que ninguém esperava, e os protagonistas, Magnus, Lucia, Cleo, que também está atrás da magia, e Jonas, precisarão agir.

O livro é narrado pelos pontos de vista dos personagens principais.
Magnus, sendo herdeiro do trono, continua do lado do pai. Mas não tendo nenhum reconhecimento por parte do rei, começa a rever sua posição por mais que tente mostrar que é tão mau quanto ele.
Cleo é prisioneira em seu próprio castelo após Gaius tomar Auranos, e tenta se manter forte para suportar as crueldades do rei. Sendo forçada a se casar com Magnus, o noivado é um meio de ela ficar mais próxima e saber mais sobre os rebeldes.
E falando em rebeldes, Jonas, o camponês de Paelsia que anseia por vingança depois da morte de seu irmão, lidera um grupo deles, porém, parece estar perdido no que faz. Mais do que nunca ele quer lutar, principalmente porque o povo de Paelsia foi escravizado para que a estrada fosse construída.
Lucia permanece adormecida, luta por sua vida se sente culpada por ter ajudado o pai, Gaius, com magia para que ele tomasse Auranos.

Com a união dos reinos, a história se desenrola apresentando um enredo recheado de ação, traições, intrigas e mentiras, e acabei me surpreendendo, mais uma vez, com a escrita e o universo que a autora criou, e como conseguiu dar continuidade à história neste volume usando de uma maestria sem igual e mantendo o ritmo frenético em que sempre está acontecendo alguma coisa em algum lugar. Cada personagem é único, tanto em suas particularidades quanto na complexidade ao serem construídos nos mínimos detalhes, e até mesmo os novos que tem papéis muito importantes na história, como Lysandra, que se une a Jonas após sua vila ser destruída, e até as cenas que envolvem o Santuário que abriga os seres imortais, mas o mais interessante é que a autora consegue evidenciar os conflitos pessoais de cada um, como se quisesse mostrar que todos carregam o céu e o inferno dentro de si, e que dependendo da situação, é possível que tomem atitudes diferentes para cada uma delas. E o cenário pós guerra traz à tona uma imensa sensação de insegurança, fracasso e medo, onde nunca se sabe qual a próxima tragédia que irá acontecer, afinal, Gaius continua não medindo esforços para conquistar seu objetivo.

A Primavera Rebelde foi uma continuação completamente satisfatória e que superou minhas expectativas. Uma fantasia épica e empolgante destinada ao público jovem, que atrai o leitor pela capa e conquista com uma história cheia de conspirações que, por mais complexa que seja, vai muito além do que mortes e sangue derramado por espadas.

Promoção de Dia das Bruxas



Com o mês de Outubro temos uma das festas mais sombrias do ano, o Dia das Bruxas. Como não podíamos ficar de fora das comemorações, decidimos nos juntar e fazer uma mega promoção em que 2 sortudos levarão para casa vários livros com temática sobrenatural/fantasia. O primeiro ganhador poderá escolher 6 livros da lista e o segundo leva os 4 restantes! Preparem suas fantasias e embarquem nessa aventura!

Regras:
- O ganhador deverá responder ao e-mail que será enviado num prazo de até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
- O livro será enviado num prazo de até 30 dias úteis pelo blog responsável.
- O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
- Cada blog é responsável pelo envio do livro que cedeu.
- Caso o livro retorne por endereço incorreto informado pelo ganhador ou impossibilidade de entrega, não será feito um novo envio e o sorteado perderá o direito ao prêmio.
- O ganhador deverá ter endereço de entrega em território nacional.
- O ganhador que descumprir alguma das regras, ou for sorteado com uma entrada não obrigatória que não tenha sido cumprida, será desclassificado.
- Perfis promocionais não serão aceitos e, caso forem sorteados, serão desclassificados.
- Cada participante deve deixar um comentário neste post com seu e-mail de contato.

Bora participar, minha gente!!


a Rafflecopter giveaway
Boa sorte!!


Flavia de Luce e o Teatro das Marionetes - Alan Bradley

Lido em: Dezembro de 2011
Título: Flavia de Luce e o Teatro das Marionetes - As Crônicas de Flavia de Luce - Livro 2
Autor: Alan Bradley
Editora: Benvirá
Gênero: Mistério/Policial
Ano: 2011
Páginas: 328
Nota:
Sinopse: João parecia estar olhando para cima quando, com um ruído retumbante, o gigante despencou do céu e esborrachou-se no chão. Por alguns momentos o monstro ficou se contraindo espasmodicamente de modo horrível, um fio de sangue cor de rubi escorrendo do canto da boca, a cabeça pavorosa e os ombros enchendo o palco de fagulhas, enquanto fumaça e pequenas chamas erguiam-se em anéis inclementes do cabelo e do cavanhaque ardentes. Mas os olhos sem vida que olhavam sem ver para os meus não eram aqueles do gigante articulado Galligantus. Eram os olhos vidrados e moribundos de Rupert Porson. E então todas as luzes se apagaram.

Resenha: Flavia de Luce e o Teatro das Marionetes é o segundo volume da série Flavia de Luce, escrita pelo autor Alan Bradley e lançada pela Benvirá (selo editorial da Saraiva) no Brasil. As histórias são bastante independentes. Cada livro aborda uma nova situação a ser investigada e não precisa ser obrigatoriamente lido na ordem de lançamento, apesar de recomendar que sejam para que o universo criado pelo autor se torne mais familiar ao leitor. Então, esta resenha está livre de spoilers.
No primeiro livro, Flavia de Luce e o Mistério da Torta, a garota, de 11 anos e amante de química, tenta provar a inocência do pai para livrá-lo de uma acusação de assassinato seguindo pistas de forma muito inteligente, ao mesmo tempo em que se vinga das irmãs que não a deixam em paz usando todo seu conhecimento.

Rupert Porson é um fabricante de marionetes e apresentador bem sucedido e muito famoso na Inglaterra com sua companhia de teatro chamada Marionetes Porson, e junto de Nialla, sua assistente, ele acaba indo parar em Bishop's Lacey. Mesmo que sua chegada tenha sido bem sorrateira, eles ficam presos na cidade com o carro quebrado, e o vigário sugere que seja feita uma de suas esplêndidas apresentações. Enquanto Flavia é incumbida de ser um tipo de guia turístico para os dois, ela começa a formar teorias sobre um possível relacionamento amoroso que possa existir entre eles, ao mesmo tempo que tenta descobrir porque Rubert foi parar alí. E claro, começa a desconfiar que algo está errado, mesmo que tudo parece bem. Um segredo pairava no ar...
Durante a última apresentação de teatro com a peça João e o pé de feijão, no lugar do gigante, quem aparece é Rupert, eletrocutado e morto. A polícia pede para que Flavia não interfira, outra vez, mas a garota já estava envolvida e pronta para desbancar e ainda ensinar o inspetor Hewitt a fazer seu trabalho. Eis que, mais uma vez, ela entra em cena com toda sua perspicácia e inteligencia, e "esbarra" em mais um caso, e dessa vez rodeado de segredos e tramas bastante sombrias.

A história se passa nos anos 50 e a narrativa rebuscada remete à época, e meu único ponto em desfavor do livro, assim como mencionei na resenha do livro anterior, é exatamente esse floreio. Por questão de gosto pessoal, prefiro quando o texto é mais leve e fácil, pois sinto que flui melhor e me deixa mais envolvida com a história. A escrita do autor é bastante rica no que diz respeito a detalhes, cenários e quando menciona personalidades importantes do meio cultural e utiliza várias referências históricas. Penso que se a história já é boa escrita dessa forma, se fosse mais fácil seria uma das minhas leituras favoritas, de todos os tempos.
Diferente do primeiro livro, neste segundo a morte não acontece logo nos primeiros capítulos e é preciso prestar atenção nas pistas desde o começo. Dessa forma, Flavia precisa recapitular tudo o que aconteceu antes e que pode ser considerado suspeito. Suas observações são geniais, seu raciocínio lógico é fora do comum e a garotinha realmente surpreende, assim como as reviravoltas presentes na trama.
Neste volume, apesar de continuar sendo uma menina bastante fria, Flavia é apresentada com mais sensibilidade, pois se encontra constantemente sendo perseguida pelas irmãs mais velhas e sente bastante falta de Harriet, sua mãe falecida. Mas em companhia de sua bicicleta Gladys, ela consegue se vingar das irmãs da "melhor" forma conhecida por ela, e ainda investigar o mistério que envolve a morte de Rupert.

Não se engane pela capa fofa e colorida. Acredito que o livro deveria ser voltado ao público jovem, mas pelo estilo de narrativa, os adultos vão aproveitar muito mais, mesmo que Flavia seja uma pré adolescente.
Se você gosta de romances policiais ricos em detalhes, repleto de mistérios e surpresas, que adentra o fascinante mundo da química, recheado de referências históricas e literárias e ainda traz uma protagonista única, sarcástica e muito cativante, leia!


Diário de uma Treinadora de Pais - Jenny Smith

Lido em: Outubro de 2014
Título: Diário de uma Treinadora de Pais
Autora: Jenny Smith
Editora: Galera Record
Gênero: Infanto juvenil
Ano: 2014
Páginas: 288
Nota
Sinopse: Katie Sutton é uma treinadora de pais extraordinária. Após anos de experiência, está convencida de que domina a arte de entender e corretamente manejar o seu adulto – no caso, a sua mãe. Tão grandes os seus dotes, que decidiu escrever tudo em um manual, um diário disfarçado de livro de cálculos matemáticos avançados. Mas agora algumas situações inusitadas podem aparecer, e mudar os modos de operação de sua mãe para sempre. Tudo isso devido a um pequeno problema, que tem um péssimo senso de moda e é metido a ecologicamente correto. Depois de tantos anos órfã de pai, parece que as coisas podem dar uma guinada... que bom que Katie é expert em adultos!

Resenha: Diário de uma Treinadora de Pais, escrito pela autora Jenny Smith e lançado pelo selo Galera Júnior (voltado ao público infantojuvenil), conta a história de Katie, a exímia e maior autoridade sobre comportamento adulto de toda a atualidade, segundo ela.
Katie tem 13 anos, está entrando na adolescência e acredita que entende tudo sobre adultos, tanto que criou um manual cheio de explicações e instruções sobre cada adulto que uma criança possui, ou melhor, seus pais. As orientações de como "operar" seu adulto e como ele pode ser tão inconstante, incluindo informações acerca de fatores que podem colaborar para que o desempenho deles seja aperfeiçoado estão todas lá, anotadas.
Katie mora com a mãe e com os irmãos, Mandy e Jack em Brindleton, uma cidadezinha de Oxford. O pai morreu há algum tempo e ela já estava acostumada com essa rotina... Até que sua mãe arruma um namorado bastante inconveniente (pra Katie) e passa a "operar" num outro modo. Stuart, com aquela gravata amarela ridícula e seu jeitão "nice guy" simplesmente não pode fazer parte da família. Cabe a Katie dar um jeito nesse pequeno problema técnico que está interferindo em sua casa e influenciando sua mãe a agir de forma diferente, aplicando todos os conhecimentos que possui, afinal, ela entende tudo de adultos e tal comportamento não é aceitável!

Pelo livro ser em forma de diário, já esperava que a narrativa fosse feita em primeira pessoa e a leitura foi bastante divertida. Achei a ideia de Katie disfarçar seu manual de livro de matemática genial, pois dessa forma ninguém se interessaria por ele a ponto de bisbilhotar enquanto ela o preenche. A narrativa é bastante fácil, envolvente, cheia de dinamismo e a autora escreve super bem.
A capa do livro é linda, em tons vintage, fofa e com detalhes em verniz. As páginas amareladas e diagramação diferenciada para algumas notas que Katie toma foram bastante adequadas, pois dá a sensação de uma interatividade maior com a leitura.
A medida que a história flui, é possível perceber que o livro vai se tornando um diário onde Katie começa a despejar seus anseios e pensamentos e o torna bastante pessoal com seu toque bem humorado. Só que Katie, às vezes, não parece ter a idade que tem... Ora é madura demais, já que entende tudo sobre adultos e tem uma percepção bastante "avançada" sobre eles, ora é infantil demais pelos pensamentos e algumas atitudes impulsivas. Digo isso porque eu tenho uma filha de 12 anos e não imagino ela, nessa idade, mantendo um manual do tipo já que seus interesses nessa fase são outros (e os meus também eram), e acredito que a da grande maioria das meninas nessa idade também. Então não achei a idade tão adequada se levarmos esse fator em consideração. Talvez poderia ser algo para Jack, de 8 anos. Não é algo que prejudique a leitura nem o enredo, e muito menos o divertimento proporcionado, mas foi um ponto desfavorável pra mim, por falta de identificação mesmo. Achei muito bacana o relacionamento dela com os irmãos e como seus papéis acrescentaram na trama uma ligação familiar bastante interessante e intensa, ainda mais quando eles se juntam, afinal, são 3 irmãos que ainda superam a morte do pai e que agora estão lidando com um possível padrasto. O pai morreu, mas a mãe, obviamente, tem que seguir com a vida e buscar ser feliz...
É uma leitura divertida mas que deve ser encarada como algo bastante despretensioso e com intuito de divertir mesmo, sem muita complexidade ou profundidade, mesmo que tenha algumas mensagens bacanas sobre esse tipo de relacionamento em família, autoconhecimento, e até mesmo pelo público a que se destina. Acredito que sirva como uma leitura que, mesmo não sendo muito original no que diz respeito ao enredo, é algo que consegue entreter e agradar bastante e indico para todas as idades, desde que o leitor consiga adentrar esse universo e ver a situação pelos olhos de uma pré adolescente que se diz especialista em adultos.



Invisível - David Levithan e Andrea Cremer

Lido em: Outubro de 2014
Título: Invisível
Autores: David Levithan e Andrea Cremer
Editora: Galera Record
Gênero: YA/Sobrenatural/Fantasia
Ano: 2014
Páginas: 322
Nota
Sinopse: Uma soma de imagens. Um mosaico de reflexos. É na percepção do outro que se borda a própria individualidade. Mas e quando se é uma folha em branco?
Quando não há nada? Nenhuma representação?
Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Sempre um forasteiro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Sem o olhar do outro, é incapaz de desenvolver o seu.
Ele vaga por Nova York, à deriva, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Sua mãe morreu e o pai é apenas um cartão de crédito. Sua essência está cada vez mais fraca, quando um milagre acontece. Um milagre chamado Elizabeth.
Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. Uma certa invisibilidade. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão.
Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê! Alguém finalmente consegue enxergá-lo.
Logo, ambos se tornam mais que amigos. E são jogados em um mundo fantástico de feitiços e sortilégios. E tanto Elizabeth como Stephen precisam decidir o quão longe irão para quebrar a maldição. Estariam dispostos a enfrentar a maior de todas, a morte?

Resenha: Invisível é um livro de David Levithan (Todo Dia, Will e Will, Nick e Nora, Garoto encontra Garoto...) em parceria com Andrea Cremer (Nightshade), e lançado no Brasil pela Galera Record.

Stephen é um garoto invisível. Uma maldição fez com que ele nascesse e permanecesse dessa forma e mais forever alone não há. Ele nunca se viu no espelho, não sabe suas características físicas e tenta levar a vida como pode, sem incomodar nem assustar os outros pra pensarem que ele é alguma assombração, nada disso... Ninguém pode vê-lo e ninguém sabe que Stephen existe, exceto sua mãe e seu pai. Ele perde a mãe e não pode contar com o pai pois ele nunca quis saber do filho amaldiçoado e acha que sustentá-lo financeiramente, e de longe, é sua única obrigação.
Um belo dia, ao voltar pra casa, Stephen se encontra numa situação desconfortável, pois viu a nova vizinha precisando de ajuda mas a única coisa que poderia fazer seria ignorar e esperar que ela entrasse em casa pra que ele pudesse entrar na sua sem ninguém morrer do coração ao ver a porta se abrindo sozinha.
Porém, enquanto ele estava parado esperando, Elizabeth lhe pergunta por que diabos ele não estava ajudando com sua sacola caída. Stephen surta! Agora ele pode ser visto? Estaria curado? Oh, meu Deus, seria um milagre?! Mas não... Elizabeth é a única que pode vê-lo. Ainda assim Stephen sente que já não está tão sozinho nesse mundo e acaba encontrando em Elizabeth o que mais queria, mesmo que ela estivesse procurando exatamente o que ele tem. Dizem que polos opostos se atraem, e em Invisível, isso acontece, até certo ponto...

Narrado pelos pontos de vista de Stephen e Elizabeth em capítulos alternados, Invisível mescla ficção com fantasia, sobrenatural e romance. É visível a diferença da narrativa entre os autores e os capítulos destinados a Stephen, escritos por David Levithan, são muito mais agradáveis de serem lidos. A forma como o autor transcreve sentimentos e emoções é incrível e acho que se o livro fosse inteiramente escrito por ele eu teria gostado mais. A narrativa de Andrea não é ruim, mas senti que faltou algo, mais profundidade, mais emoção, mais consistência para fazer com que os temas presentes na história fossem críveis e não dessem a impressão que se perderam adentrando um tema inesperado, e principalmente, senti falta de uma conexão melhor entre a parceria dos dois autores. Acho que quando um livro é escrito em dupla, o ideal seria manter um padrão de narrativa para haver uma ligação como se fosse um autor só em vez de transparecer que cada detalhe e cada personagem foi desenvolvido separadamente por autores diferentes. Senti que lia dois livros ao mesmo tempo e isso eu não curti, pois fiquei com a impressão de que cada autor queria escrever uma coisa diferente e não chegaram num consenso. Ficava ansiosa pra ler Stephen pra ficar suspirando com seus pensamentos impactantes e profundos... Mas ficava com preguiça de ler Elizabeth por ser distante e fria. Entendo que ela estava passando por uma situação nada bacana, seu irmão foi vítima de bullying por ser gay e ela queria sumir da face da Terra. Às vezes também quero sumir, sou antissocial e enxerguei um pouco de mim nessa personagem, mas isso não quer dizer que eu tenha gostado dela.
O livro começou muito bem, mas no decorrer da leitura tudo fica complicado, pois a fantasia imposta para explicar a invisibilidade de Stephen é muito exagerada e repentina, assim como o amor a primeira vista que surge alí.
Os dois rapidamente de tornam muito mais do que simples amigos, como se pudessem enxergar o interior um do outro e quando pensei que o que seria aprofundado seria esse primeiro amor, a descoberta dos sentimentos, o alívio por enfim ser visto e não estar mais sozinho, em que um aprenderia com o outro e etc, tudo se perdeu pra dar lugar a busca louca pela quebra da maldição. Sem contar com o motivo mirabolante e forçado para explicar o motivo de Elizabeth conseguir ver Stephen. A ideia de que "o amor está onde menos se espera depois de tanto esperar" perdeu a vez e a história ficou sem rumo, rasa e acabou que nenhum dos elementos presentes foram bem desenvolvidos para convencer. Ao final senti que li pra não chegar em lugar nenhum.

E claro que devo elogiar a capa, de uma simplicidade única e ilustrando perfeitamente um ponto invisível com aplicação em verniz isolada entre os demais pontos amarelos, enquanto a contracapa é o contrário: vários pontos em verniz com um único amarelo solitário, A cor é chamativa e muito bonita e a falta de ilustrações me agradou demais.
As páginas são amareladas, a fonte tem um tamanho padrão e não encontrei erros na revisão. São caprichos que demonstraram o cuidado e carinho da editora com o livro que tanto prometia e que merece uma estrelinha exclusiva.

Mas enfim... é complicado quando investimos numa leitura esperando uma coisa e nos deparamos com outra. Às vezes somos surpreendidos, mas nem sempre de forma tão positiva assim. Preferia que a história não tivesse mudado o rumo e tivesse sido melhor combinada ao ser escrita, com começo, meio e fim que se encaixassem bem e fizessem sentido como um todo, e assim acredito que teria gostado e aproveitado muito mais.
É um bom livro, cheio de frases de impacto ótimas para se refletir acerca de sentimentos, solidão, amor e afins. Tem bastante ação e aventura, mesmo que comece dramático. Gosto de fantasia, mas não curti muito a mistura feita neste livro em particular e acho que diferente de outras parcerias que o autor fez, essa não funcionou tão bem quanto pensei.