Caixa de Correio #64 - Junho Magrinho

30 de junho de 2017

Útimo dia do mês = dia de caixinha!
Essa tem o diferencial de que ATÉ QUE ENFIM consegui achar o DVD que eu tanto estava na captura: Mary & Max (que ja até escrevi crítica sobre). Fiquei tão feliz por ter achado esse desenho num preço acessível e ainda lacrado que mal pude acreditar (Obrigada, Mercado Livre). Não comprei livros porque não tô podendo, mas fico de olho em vários lançamentos que estão na minha wishlist e espero poder comprar quando eu tiver melhor de grana (porque agora a coisa tá feia e horrorosa).
Mas enfim, bora ver o que chegou pra mim nesse mês que passou?

Uma Noite Como Esta - Julia Quinn

27 de junho de 2017

Título: Uma Noite Como Esta - Quarteto Smythe-Smith #2
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance de época
Ano: 2017
Páginas: 272
Nota:★★★★☆
Sinopse: Anne Wynter pode não ser quem diz que é…
Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia – ninguém sabe ao certo – e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre.
Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo…
Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio.
O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela.

Resenha:  Uma Noite Como Esta é o segundo volume da série Quarteto Smythe-Smith. Daniel, irmão de Honoria, que foi a protagonista do primeiro livro, acabou de retornar de seu exílio e agora está de volta à sociedade londrina. No concerto (desastroso) de sua família, o Conde encontra no piano Anne Wynter, e não uma de suas primas, como era de se esperar. O encontro inesperado entre os dois é o começo de uma grande história de amor, mas o passado de Anne e um segredo jamais revelado podem atrapalhar tal união.

Diferente de Simplesmente o Paraíso, o casal protagonista e a trama que os envolve é muito apaixonante e divertida. No primeiro livro, a história de Honoria ficou muito aquém do desejado e nem parecia ser escrita por Quinn. Já no romance de Daniel e Anne o toque "Julia de ser" parece ter voltado e o resultado é uma leitura deliciosa e até um pouco tensa, algo diferente do que a autora já propôs.

O casal protagonista parece um pouco deslocado no começo, mas no desenvolver da trama é impossível não suspirar e torcer muito pelos dois. O amor é à primeira vista, como sempre, mas o passado dos dois trás um toque diferente e original a história. Ambos tiveram dificuldades no passado e se apoiam um no outro para seguir em frente. Toda expectativa do leitor não fica somente no romance, mas nos fatos revelados pela autora e o que o futuro de cada um trará.

Nos demais detalhes, o amor e as cenas mais picantes são como de costume. O legal é que Daniel é um bobo apaixonado, como se fosse um adolescente. Apesar de já ser um homem, essa personalidade deixou os momentos entre ele e Anne muito tenros e bonitos.

Os outros personagens são adoráveis em seus papéis. Muito do tempo gasto entre Anne e Daniel é juntamente da companhia das primas do Conde. Elas são apenas crianças, mas tiveram um papel significativo e os diálogos em que participam são cômicos e divertidos.

Uma Noite Como Esta é delicioso do começo ao fim. Diferente do primeiro livro, que foi regado de sofrimento e pouco amor, a história de Daniel e Anne é daquele tipo de arrancar sorrisos a cada página lida, o que é mais característico de Julia. O enredo é bem conduzido e traz um bom desenvolvimento com um final "diferente". O segundo volume da série Quarteto Smythe-Smith mostra que não importa o que há no passado; todos merecem uma chance no amor.

Boneco de Pano - Daniel Cole

26 de junho de 2017

Título: Boneco de Pano - Detetive William Fawkes #1
Autor: Daniel Cole
Editora: Arqueiro
Gênero: Thriller/Policial
Ano: 2017
Páginas: 336
Nota:★★★★☆
Sinopse: O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.
Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.
Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.

Resenha: William Oliver Layton-Fawkes, mais conhecido como Wolf , é um detetive excepcional. Em 2010 ele foi responsável pela captura de um serial killer que matou vinte e sete adolescentes. Naguib Khalid, o "suposto" assassino, ficou conhecido como Cremador, pois além de dopar as vítimas, ainda ateava fogo nas jovens ainda vivas. O julgamento durou exaustivos quarenta e seis dias, e todas as provas resultantes da investigação de Wolf incriminavam o réu. Mas, numa reviravolta onde alguns fatos a favor de Khalid e contra a conduta de Wolf foram apresentados, os membros do júri, em sua grande maioria, determinaram sua inocência. Wolf se revoltou com a decisão e num acesso de fúria partiu para a agressão contra o réu inocentado promovendo uma enorme confusão no tribunal. Devido a sua reação violenta e o seu comportamento obsessivo durante as investigações, Wolf foi afastado da polícia e submetido a um tratamento psicológico e quatro anos depois foi convocado novamente quando um novo crime brutal foi descoberto: um corpo formado por partes de outros seis corpos, como um boneco de pano macabro, é encontrado num apartamento. E como se isso não fosse o bastante, a repórter e ex-mulher de Wolf, Andrea Hall, recebe fotos da cena do crime e uma lista com os nomes de seis pessoas seguidos por datas em que seriam assassinadas, e o nome de Wolf era o último da lista.
Wolf, então, se junta a sua ex-parceira, Emily Baxter, a fim de encontrar ligações entre as vítimas e impedir o assassino, que sempre está um passo a frente da policia, de matar mais pessoas. E em meio a tudo isso, Wolf não deixa de considerar que há algo de pessoal nessa história ligado ao seu passado...

A história é narrada em terceira pessoa e a escrita é muito fluída. O ritmo dos acontecimentos é bom, tem toques de humor, algumas referências sobre séries, música, literatura e afins, e descrições que detalham muito bem os cenários e as características de forma que o leitor possa visualizar cada momento como se estivesse lá. A trama é convincente e intrincada o bastante para trazer o devido mistério enquanto tentamos ligar vários pontos em meio ao turbilhão de acontecimentos que estão alí, mas há algumas pequenas ressalvas.
Em alguns momentos fiquei com a impressão de que em determinado ponto houve um outro personagem que teve mais destaque que o próprio protagonista, além do foco maior ter recaído sobre salvar as vítimas da lista. Dessa forma, a investigação sobre a identidade do assassino parece ter perdido a devida importância, e só voltou a ganhar espaço no final da trama, quando as pistas começaram a ser fornecidas até o confronto final. Eu não costumo ter muita paciência para aquelas cenas finais e bem clichês onde vilão começa a falar de seus planos e faz confissões sobre seus crimes acreditando que sairá impune por estar "por cima", enquanto o mocinho ainda perde tempo fazendo observações que prolongam ainda mais a situação de risco em vez de por logo um fim na história, e esse livro não é muito diferente disso. Mas ainda assim, apesar desses fatores terem deixado a história um pouco arrastada, ela é envolvente o bastante para prender nossa atenção, principalmente devido aos bons diálogos e a interação entre os personagens ao longo da trama.

Wolf é o detetive em conflito com seu senso de justiça, e isso trouxe consequências em sua vida. Seu apelido não se remete apenas às iniciais do seu nome, mas também define bem sua personalidade e sua forma de lidar com as coisas. Ele é o lobo solitário e comprometido com o que faz, sempre pensando que suas atitudes e escolhas devem ser em prol de um bem maior.
De forma geral, os personagens são bem desenvolvidos, pois possuem falhas, defeitos e complexidades particulares que os distinguem bem um do outro, assim como suas histórias de vida. Todos eles tem um papel de destaque e são importantes para o desenrolar da história.

O ponto que realmente me fez refletir sobre o livro foi o papel da mídia no caso, que, de certa forma, acaba ilustrando perfeitamente bem a realidade e a forma como os crimes são expostos para a população de forma sensacionalista e colaborando para que o pânico seja disseminado. Não importa a gravidade do que está acontecendo ou como a notícia é repassada, desde que haja audiência.

A capa é a mesma da original e condiz bastante com a história. A parte interna da capa segue o padrão da parte externa, com linhas e respingos de sangue. A diagramação é simples, os capítulos são curtos e seguem na mesma página onde o anterior termina.

Boneco de Pano é livro de estreia do autor inglês Daniel Cole, que inicialmente foi escrito como piloto de uma série de TV. É previsto que este seja o primeiro livro de uma série e acho que há material o bastante para tal, principalmente pelo final que me surpreendeu e me deixou bastante curiosa por ser totalmente comprometedor. Pra quem gosta do gênero, é leitura recomendada.

Quando a Bela Domou a Fera - Eloisa James

22 de junho de 2017

Título: Quando a Bela Domou a Fera - Fairy Tales #2
Autora: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance de época/Releitura
Ano: 2017
Páginas: 320
Nota:★★★★☆
Sinopse: Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.
Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.
No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

Resenha: Quando a Bela Domou a Fera é o segundo livro da série Fairy Tales escrita pela autora americana Eloisa James. O conto no qual foi inspirado é A Bela e a Fera. A série tráz releituras dos contos de fadas mais famosos da literatura, e pelas histórias serem independentes e distintas, não é necessário ler na ordem. Os demais livros da série ainda serão lançados pela Editora Arqueiro: A Duqueza Feia (livro #4) e Um Beijo à Meia-Noite (livro #1).

Linnet Berry Thrynne é uma das jovens mais bonitas de toda a Londres. Os rapazes fazem filas imensas para cortejá-la e sua beleza é tanta que nem mesmo o príncipe Augustus resistiu aos seus encantos. Porém, depois de ter sido flagrada aos beijos com o moço, que não tinha intenção alguma de se casar com ela, a reputação de Linnet foi arruinada e, como se isso não bastasse, ela ainda se envolveu num escândalo em que todos na sociedade acreditam piamente que ela está grávida, mesmo que ela tenha negado todas as fofocas e acusações falsas das quais foi vítima. Mas o estrago já estava feito, Linnet já não servia mais para se casar e para não desonrar ainda mais a família, seu pai, o Visconde de Sundon, resolve arranjar-lhe um casamento com o filho do duque de Windebank, que mora bem longe dalí.
Piers Yelverton, o conde de Marchant, é um médico genial que ficou conhecido como "Fera" por ter alguns defeitos físicos e por não ter sido agraciado com o dom do bom humor e da paciência. Seu pequeno problema também não permitia que ele tivesse filhos, e ele não se importava com isso desde que pudesse cuidar de seus assuntos profissionais em paz. Mas o duque, com sua obsessão pela realeza, ansiava por casar o filho já que esta seria a única forma dele ter herdeiros para perpetuar o nome da família, e a "gravidez" de Linnet poderia resolver todos esses problemas. E mesmo que ela insistisse em afirmar que a gravidez não existia, ninguém lhe dava ouvidos. Assim, Linnet parte rumo ao País de Gales para conhecer o futuro noivo em seu castelo.
Tendo personalidades tão diferentes, o desafio para se aproximarem se tornou ainda maior. Enquanto Piers estava determinado a não ceder aos encantos de Linnet por não concordar com a ideia de se casar, mesmo sabendo que ela não estava grávida e que o "problema" do herdeiro não eria resolvido, a jovem se sente curiosa e atraída por ele, e mesmo que esconda seus sentimentos, ela não aceita que esteja sendo rejeitada pela primeira vez.

Narrado em terceira pessoa com capítulos que se alternam sobre os pontos de vista de Linnet e Piers, o leitor acompanha uma aventura romântica em meio a uma escrita bem humorada e maravilhosamente fluída, com toques de ironia, sarcasmo e cenas picantes para movimentar as coisas.

Pela história se basear em uma tão conhecida, sabemos que fim a trama terá, mas são as mudanças e adaptações que se desenrolam que nos fazem querer saber o que viria a seguir. Num contexto diferenciado, me peguei pensando por diversas vezes se o próximo capítulo traria algo que me surpreendesse ou não, e posso afirmar que o livro superou minhas expectativas.

Foi divertido acompanhar um casal tão diferente, mas que ao mesmo tempo era tão parecido em suas convicções. Donos de personalidades fortes, a primeira vista eles sabem que um casamento estaria fadado ao fracasso, mas a curiosidade que surge entre a forma como se comportam frente ao outro faz com que um relacionamento baseado na amizade se desenvolva. Tal relacionamento permite com que eles se aproximem e passem a ter outros conceitos que vão evoluindo a medida que o tempo passa, mesmo que vivam trocando farpas e se alfinetando tanto que é até possível desconsideramos que algo além da amizade poderia surgir dalí. Os diálogos são dinâmicos e divertidos, principalmente quando há provocações envolvidas.

Eu gostei bastante da construção dos personagens, pois eles são únicos e cativam a própria maneira. Piers é um bronco desbocado, que carrega muita mágoa no coração, principalmente depois do acidente, mas acaba se revelando um enorme cavalheiro, dono de um coração de ouro. Sua dedicação como médico e a forma como cuida dos enfermos sem lhes cobrar nada nas alas médicas do castelo que construiu somente para esta finalidade são dignas de admiração.
Não consegui enxergar muito da Bela original em Linnet. Mesmo que seja inteligente, ela é vaidosa ao extremo, fútil e muito cheia de si. Entendo que na época tais atributos não eram problemas visto que a função das donzelas era serem recatadas e arrumarem um bom marido, e por causa das intrigas feitas contra ela, sua única opção era sumir dalí e tentar encontrar o que precisava para amenizar sua situação em outro lugar.
Sendo assim, de um lado estava Linnet com a reputação arruinada, e de outro, Piers que se mantinha isolado e era mal visto. Ambos rejeitados pela sociedade, mas que encontram um no outro a receptividade e a aceitação.

Mesmo a capa não sendo tão atrativa, ela representa bem a personagem clássica com o tecido amarelo ao fundo e a rosa vermelha em destaque. A diagramação é simples, as páginas são amarelas, os capítulos são numerados e precedem uma pequena rosa como detalhe, e o texto se inicia com letra capitular.

De forma geral, pra quem gosta de releituras e romances de época, é leitura mais do que recomendada. A roupagem nova e a criatividade da autora em trazer personagens com características próprias, mas ainda levantando a questão da importância da beleza interior, cativa e diverte o leitor de forma única.

Big Rock - Lauren Blakely

21 de junho de 2017

Título: Big Rock - Big Rock #1
Autora: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Gênero: New Adult
Ano: 2017
Páginas: 224
Nota:★★★★★
Sinopse: “A maioria dos homens não entendem as mulheres.”
Spencer Holiday sabe disso. E ele também sabe do que as mulheres gostam.
E não pense você que se trata só de mais um playboy conquistador. Tá, ok, ele é um playboy conquistador, mas ele não sacaneia as mulheres, apenas dá aquilo que elas querem, sem mentiras, sem criar falsas expectativas. “A vida é assim, sempre como uma troca, certo?”
Quer dizer, a vida ERA assim.
Agora que seu pai está envolvido na venda multimilionária dos negócios da família, ele tem de mudar. Spencer precisa largar sua vida de playboy e mulherengo e parecer um empresário de sucesso, recatado, de boa família, sem um passado – ou um presente - comprometedor... pelo menos durante esse processo.
Tentando agradar o futuro comprador da rede de joalherias da família, o antiquado sr. Offerman, ele fala demais e acaba se envolvendo numa confusão. E agora a sua sócia terá que fingir ser sua noiva, até que esse contrato seja assinado. O problema é que ele nunca olhou para Charlotte dessa maneira – e talvez por isso eles sejam os melhores amigos e sócios. Nunca tinha olhado... até agora.

Resenha: Spencer Holiday é um típico playboy, um eterno conquistador que não economiza quando o assunto é exibir suas qualidades avantajadas e seu belo desempenho entre quatro paredes. Ele é rico, bem sucedido, bonito e dá às mulheres exatamente o que elas querem, sem mentiras ou falsas promessas, e assim todos aproveitam, sem mágoas ou corações partidos.
Ele é sócio de Charlotte, sua melhor amiga que estudou com ele, e o bar deles é um sucesso absoluto.
O que Spencer não esperava era se envolver na venda da famosa joalheria de seu pai, e que isso o privaria da sua vida de curtição já que a imagem de um mulherengo desregrado não seria nada adequada para os negócios, principalmente quando o comprador é um homem que repudia a libertinagem e presa as tradições familiares. Assim, Spencer se une a Charlotte para se passarem por noivos por uma semana até que o contrato seja assinado, e também por que ela precisa da ajuda dele pra ficar livre do seu ex namorado, mas, claro, o relacionamento falso vai além do que eles pretendiam pois Spencer começa a enxergar a amiga com outros olhos...

A escrita da autora é super leve, fluída e muito divertida, trazendo não só uma história bacana entre um casal, mas também abordando a dinâmica familiar e os membros da família de Spencer de forma adorável. É aquele tipo de história que envolve desde o início, os personagens cativam com suas personalidades e simpatia, e somando isso ao toque de muito bom humor, o resultado é mais do que satisfatório. Em alguns momentos cheguei a pensar no casal Monica e Chandler pelo motivo de serem grandes amigos e que acabaram descobrindo que também podem ser perfeitos como casal.

A narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de Spencer, o que já é um ponto diferente. Não pelo fato de que a visão fica por conta dele, o que isenta o leitor de saber o que se passa pela cabeça de Charlotte, mas pela forma como esse ponto de vista é trabalhado, sendo detalhado de uma forma em que nos simpatizamos e nos importamos pelo que se passa com ele. Os pensamentos, os diálogos interessantes e bem bolados, e até mesmo o caráter de Spencer foram construídos de forma super especial e inteligente e é impossível não nos apegarmos a ele, por mais que ele pareça ser um maluco convencido no começo.

Spencer é ótimo pois consegue usar seus atributos a seu favor sem que isso soe de forma negativa. Embora ele seja rico, lindo, bem dotado e afins, ele não é um babaca que se aproveita de ninguém, muito pelo contrário. Ele tem um coração de ouro e enxerga a maioria das coisas como uma troca, sem maldade ou intenção de se aproveitar. Ele é realmente um personagem único e isso me fez admirá-lo muito.
Charlotte é doce, amigável e bem sucedida, e combina com Spencer como ninguém. Eles têm química e a dinâmica entre eles é perfeita, super natural e muito engraçada.

Ainda não tenho uma opinião concreta sobre a capa, pois ao mesmo tempo que ela arranca suspiros e olhares curiosos, ela não é nada discreta, mas curti muito o formato do título.

Não é sempre que encontramos livros desse gênero sob um ponto de vista masculino tentando entender não só as mulheres, mas os próprios conflitos internos e sentimentos. Então, pra quem curte comédias românticas divertidas e com toques super calientes, é livro mais do que indicado.

Reviravolta - Kimberly Mascarenhas

20 de junho de 2017

Título: Reviravolta - Soul Rebel #1
Autora: Kimberly Mascarenhas
Editora: Leya
Gênero: New Adult/Literatura Nacional
Ano: 2016
Páginas: 400
Nota:★☆☆☆☆
Sinopse: Cassidy é uma jovem tímida, mas muito forte e decidida. A certa altura, depois de alguns acontecimentos inesperados em sua vida, Caissy conhecerá Mason, um cara lindo e sexy, mas com fama de perigoso. E uma atração inevitável entre eles vira o combustível de uma paixão conturbada. Cheia de dúvidas e conflitos internos, ela decide se entregar à paixão e correr todos os riscos, sem saber que se relacionar com ele talvez signifique colocar a própria vida em jogo.

Resenha: Cassidy é uma garota de dezessete anos de idade que vive num internato católico em Atlanta desde os nove anos de idade. Depois que sua mãe foi internada num hospital psiquiátrico, seu pai não soube como lidar com a situação, achou melhor deixar a filha aos cuidados das freiras, e sumiu.
Caissy é a aluna mais antiga do internato, e ela e sua melhor amiga Claire sempre dão um jeito de fugirem no meio da noite pra curtir a balada e depois voltando como se nada tivesse acontecido. Numa dessas escapadas, Caissy se desentende com um cara, e Claire a avisa que ele não iria deixar barato, mas, sem dar muita bola, elas voltam pro colégio como se nunca tivessem saído. O que Cassidy não esperava era receber a notícia de que sua mãe havia falecido e que ela seria levada para a casa de Deborah Becker, uma amiga de infância de sua mãe que ela nunca conhecera. E como se essa avalanche de informações não fosse muita coisa pra digerir em poucos minutos, ao chegar na mansão de sua nova tutora, Caissy se depara com Mason, um gatíssimo com seus vinte e cinco anos de idade, o filho único de Deborah, mas ninguém menos do que o cara da boate com quem ela se desentendeu. Obviamente ele se irrita muito ao vê-la em sua casa, e mais desentendimentos ocorrem, e a única ideia de Caissy é ir embora dalí o mais rápido possível. Mas, a desgraça ainda era pouca, e, ao perambular pelas ruas, ela acaba sendo atacada por um maníaco quando, de repente, Mason surge para salvá-la. A partir daí, mesmo trocando farpas, os dois começam a se aproximar. Mason se mostra alguém desdenhoso e ignorante, mas o mistério que cerca o rapaz e o que ele faz da vida acabam atraindo a atenção de Caissy, e os dois logo começam a se envolver muito intensamente...
Caissy entra num dilema mas acaba se entregando a essa paixão perigosa, mesmo que isso signifique colocar sua própria vida em risco.

Narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista da protagonista na primeira parte, e alternando os pontos de vista entre Caissy e Mason na segunda, a história se desenrola de forma incongruente e questionável, o que foi um problema pra mim, e problema nesse livro é o que não falta. Não consegui me envolver, acreditar e nem me conectar com a história pois, a cada capítulo passado, lá estava eu me perguntando como aquela situação poderia ser real ou fazer algum sentido, e qual a necessidade de tanto drama.

Cassidy é uma personagem que deixa a desejar em todos os pontos de sua construção. Não deve ser fácil uma criança crescer longe da família, carregando um sentimento não só de abandono, como também de rejeição, mas tomar atitudes absurdas e fazer escolhas estúpidas e que não condizem com a realidade são reflexo disso? Penso que uma pessoa sozinha desde pequena e jogada nas mãos das freiras (pelo menos até a maioridade) carrega marcas profundas, e vai evitar se envolver com alguém por medo de ser abandonada de novo em vez de sair por aí curtindo a night escondido, enganando as freiras, vivendo com intensidade como se cada dia fosse o último e ainda se envolvendo com bandidos... A construção dela não faz sentido, seu passado não bate com a pessoa que ela se tornou, logo não justifica sequer existir. O drama sobre ela não é aquela coisa triste que a gente se comove, se emociona e chora litros, mas um drama excessivo e desnecessário que só irrita e prolonga uma situação em vez de ir direto ao ponto. E sua própria situação já é pra lá de estranha, pois como diabos Deborah veio correndo pro internato com praticamente a guarda da garota nas mãos na mesma hora da morte da mãe? A menina acabou de voltar escondida da rua e lá estava a madre lhe dando a trágica notícia. Como se isso já não fosse absurdo o bastante, não seria necessário intervenções do serviço social, a burocracia com a papelada, ou até a presença do próprio pai dela, nem que fosse pra confirmar sua posição de ter abandonado a filha? O homem sequer é mencionado depois, então que diferença fez? Como uma pessoa que ela nunca viu na vida, nem mesmo na sua infância antes da mãe ser internada, aparece do nada e a tira do meio dos estudos e ela simplesmente vai? Deborah era a melhor amiga da mãe de Caissy, e mesmo que haja uma explicação (de uma mísera frase) para o afastamento entre as duas, não foi convincente para justificar que uma completa estranha sairia levando a menina embora. E sem contar que a mãe morreu e a menina sequer se importou em ser impedida de se despedir indo no enterro da falecida. Então pra que tanto drama e desespero por uma morte que ela parece não ter sequer sentido?

Logo nas primeiras páginas, quando Caissy se desentende com o cara da boate, Claire já menciona que o nome dele é Drew Becker. E quando Deborah Becker adentra o internato, já não fica na cara que ela tem alguma ligação com o sujeito por terem o mesmo sobrenome? Tudo bem que Caissy, devastada pela notícia que recebeu, poderia não se atentar a isso, o que seria perfeitamente compreensível, mas eu, como leitora esperando ser surpreendida, logo já pensei "Não faz nem um minuto que li esse sobrenome, o que essa Deborah é do tal Drew? Agora a mulher vai levar a menina pra casa e aposto que a Caissy vai topar com o sujeito lá". E foi dito e feito. E se o início do livro já foi assim, minhas expectativas com o restante caíram num abismo e minhas suspeitas de que a coisa só iria piorar acabaram se confirmando.

Penso que qualquer situação inicial - e bem pensada pra se tornar convincente - poderia ter sido criada até que o casal se conhecesse e passasse a conviver juntos, então não entendi os motivos reais para que elementos como internato, morte da mãe, abandono do pai e etc sejam essenciais. Em obras New Adult geralmente há a questão do trauma e suas consequências, o bad boy grosseirão e intimidador, os personagens quebrados por alguma coisa horrorosa do passado e tudo mais, mas aqui foi tudo construído de forma lamentável.
A cena em que Caissy acorda no hospital logo depois de Mason salvá-la das garras do maníaco chega a ser até engraçada, pois quando e onde nesse mundo uma mulher, após uma tentativa de estupro, recebe a visita de um policial preocupado, querendo informações sobre o criminoso e detalhes sobre o episódio do ataque que ocorreu há poucos minutos? Se a situação fosse a vítima indo até a delegacia pra dar queixa enquanto estivesse sendo culpada por estar andando sozinha na rua eu teria acreditado muito mais.

E o que mais me impressionou foi que tudo o que se passou na história aconteceu em praticamente três míseros dias. Juro que demorei mais tempo pra me recompor depois de finalizar a leitura, e criar coragem pra escrever essa resenha. A mãe morre, Caissy larga os estudos e se muda, é atacada na rua e se envolve com Mason da forma mais íntima e louca possível - em menos três dias. Três. Dias.
Mas alí, pra Caissy, as coisas estavam fluindo maravilhosamente bem, como se fosse um dia comum.
Os diálogos são ruins e com comentários desnecessários, e isso só colaborou para que eu me envolvesse ainda menos com os personagens e pensasse o quão forçado tudo estava sendo. Nem os membros do grupo de Mason/Drew, que acabam sendo um tipo de alívio cômico, salvaram as conversas com o humor deles.

Mason é um babaca. Sua personalidade é instável, ele só faz o que lhe é conveniente, é frio, grosseiro e quanto mais eu lia sobre o relacionamento dele com Caissy, mais incomodada eu ficava porque ele trata a menina feito lixo. Não gostei da diferença de idade de oito anos que eles têm. Mason não poderia ser muito novo devido a sua "profissão", mas vinte e cinco anos também é pouco pra ele estar no nível em que está. E sendo quem é, se envolver com alguém de míseros dezessete foi ridículo, porque a todo momento eu pensava que ele estava se aproveitando da ingenuidade da menina deslumbrada e curiosa por ele que, "por amor", cedia aos caprichos do bonito e se deixou envolver onde não devia. E eu prefiro nem falar sobre o retorno da ex psicótica que só apareceu pra causar e deixar a história mais clichê e dramalhona ainda, tipo novela mexicana level hard.

Reviravolta é o primeiro volume da trilogia Soul Rebel. Parece que antes de virar livro se tratava de uma fanfic. Sinceramente, não é um livro que eu tenha gostado a ponto de indicar e penso que é o tipo de leitura que é oito ou oitenta: Ou você ama ou odeia e eu, infelizmente, fiquei com a segunda opção.

A Busca Sofrida de Martha Perdida - Caroline Wallace

Título: A Busca Sofrida de Martha Perdida
Autora: Caroline Wallace
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: YA
Ano: 2017
Páginas: 304
Nota:★★★★☆
Sinopse: Liverpool, 1976. Martha tem 16 anos e mora numa estação de trem desde que se entende por gente. Mais especificamente, desde que foi encontrada, ainda bebê, em uma mala na estação Lime Street, ficando sob os “cuidados” da dona da loja de achados e perdidos do local. Proibida de deixar a estação, sob a ameaça de uma maldição, Martha espera diariamente que alguém venha buscá-la. Enquanto isso, passa seus dias atendendo os passageiros que circulam por ali, conhece todos os segredos da estação e acaba se envolvendo em alguns mistérios, entre eles o aparecimento de uma mala que talvez tenha pertencido aos Beatles e que coloca a cidade em polvorosa. Mas o maior mistério começa quando ela passa a receber livros com cartas de um desconhecido que parece saber tudo sobre a sua vida. Martha precisará correr contra o tempo se quiser encontrar respostas e não se perder novamente.

Resenha: Martha Perdida mora e trabalha na Estação Lime Street desde que se entende por gente. Ainda bebê, Martha foi deixada no Achados e Perdidos e nunca foi reivindicada por ninguém. Desde então, a responsável pelo escritório, mais conhecida como "Mãe", foi obrigada a reinvindicar a menina para si, e a criou para que ela acreditasse que, caso fosse embora, Lime Street desmoronaria, destruindo o único lugar que ela poderia chamar de lar.
Mãe é uma mulher fanática que não só tenta converter os outros com baldes de água benta, como também acredita que tudo é obra do diabo, e por mais que essa mulher seja abusiva e manipuladora, Martha é um doce de menina que vive para obedecê-la. Ela é ingênua, iludida ao acreditar em tudo que dizem, adora rodopiar pela estação, gosta de cumprimentar as pessoas em francês e, embora a Mãe diga que livros são demoníacos, Martha adora ler, principalmente os livros perdidos. Apesar de ter se conformado com aquela vidinha limitada a qual foi submetida, Martha também tem vontade de conhecer o mundo lá fora e espera que alguém apareça para buscá-la, mas enquanto isso não acontece, e por medo de por os pés pra fora da estação e ela perecer, ela passa os dias atendendo os passageiros que circulam pela estação, e dá atenção aos poucos amigos que fez no local: Drac, o carteiro que vive sendo perseguido pela Mãe, Elisabeth, a garçonete do café ao lado que parece uma atriz de Hollywood, e Stanley, o faxineiro.
Seria difícil para Martha sair de sua zona de conforto e quebrar essa redoma sobre si mesma, mas em determinado momento, ela precisa descobrir como quebrar a maldição para, enfim, poder encarar a realidade do mundo lá fora.
Martha quer saber sobre os primeiros capítulos de sua vida, de onde veio, quem são seus pais verdadeiros e, principalmemte, quem ela é. E com a ajuda de Elisabeth e outros amigos que faz, Martha parte numa jornada de descobertas, aprendizados e autoconhecimento que ela jamais imaginou.

Posso dizer que a primeira coisa que me chamou atenção nesse livro foi o título grande e sugestivo seguido pela capa, e só depois fui me atentar a sinopse. No decorrer da leitura, que é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista de Martha (onde alguns pontos não soa muito confiável), fui fisgada pelo universo criado pela autora em transformar uma simples estação de trem em um lugar tão peculiar e convidativo a ponto de parecer um personagem a parte em vez de mero pano de fundo. Até então a única autora que me fez ver uma estação de trem de forma tão mágica foi J.K. Rowling em King's Cross e a plataforma 9 ¾.

Martha é uma protagonista que amamos ou odiamos. É impossível ficar num meio termo e o sentimento com relação a ela vai depender de como a enxergamos. Como ela é extramente ingênua, sensível e inocente, pode ser muito irritante acompanhar uma personagem tão frágil e manipulável que em alguns pontos parece ser irreal pelo tipo de comportamento que ela apresenta. Compreendo que ela cresceu num espaço limitado, com uma megera que a criou de forma totalmente absurda, e que a levou a acreditar em coisas irreais e sem sentido as quais a menina ouvia desde pequena, mas penso que o mínimo de contato com outras pessoas seria o bastante para que ela não fosse tão paspalhona. Em alguns momentos fiz algumas comparações e imaginei a mãe psicótica de Carrie, a Estranha, ao lado de Matilda, aquela garotinha pura e autodidata interpretada nas telinhas pela atriz Mara Wilson. Tal contraste chega a ser meio assustador, convenhamos.
Não odiei Martha pra ser sincera. Apesar de ter minhas dúvidas com relação ao funcionamento de sua cabeça, eu adorei o fato dela amar livros e ter uma conexão emocional com eles, tanto que foi através dos livros que ela, enfim, desperta para a busca da verdade sobre si mesma.

Os demais personagens preenchem o mundo de Martha e a maioria deles é adorável e de grande importância para o desenrolar do enredo e amadurecimento da protagonista. O romance presente na história é questionável e de cara já causa aversão. Pra mim quando amor se mistura a oportunismo e interesse a coisa desanda e esse elemento só me fez revirar os olhos e querer evitar as páginas destinadas a essas cenas.

Pela época em que a história se passa e elas referências musicais presentes, é possível que o leitores um pouco mais velhos se deparem com algumas cenas nostálgicas ou frases memoráveis, mas eu particularmente não dei muita importância para essa parte por não considerar fundamental para o desenvolvimento da trama, apesar de ser interessante.

A capa tráz uma ilustração simples, mas o título em dourado dá um toque todo especial ao livro. A diagramação é simples, os capítulos não possuem títulos ou numeração, somente o espaço superior da página que fica em branco. Cartas, bilhetes, artigos, e pequenos questionamentos que a protagonista escreve por aí se intercalam com a narrativa tornando a história mais dinâmica e divertida com essas informações extras.

De forma geral, A Busca Sofrida de Martha Perdida é um livro bem poético e que funciona, sim, como um conto de fadas, mostrando que as pessoas de boa índole, apesar de escassas nesse mundo, ainda existem e podem ter finais felizes.

A Rosa Branca - Amy Ewing

19 de junho de 2017

Título: A Rosa Branca - A Cidade Solitária #2
Autora: Amy Ewing
Editora: Leya
Gênero: Fantasia/YA
Ano: 2016
Páginas: 320
Nota:★★★★☆
Sinopse: No livro "A Joia", primeiro volume da série - A Cidade Solitária - Violet Lasting é comprada por uma das mulheres mais poderosas da realeza, a Duquesa do Lago, e vai viver com ela na Joia, o círculo onde mora toda a nobreza. Agora, Violet tem de fugir da Joia, do círculo nobre da Cidade Solitária para salvar a própria vida e a do seu amor, Ash. Junto com seu amado e Raven, sua melhor amiga, Violet tenta se libertar da terrível vida de servidão e crueldade. Só que ninguém disse que deixar a Joia seria fácil, e ela terá que passar por grandes obstáculos. No meio disso tudo, a jovem ainda descobre que há uma revolução sendo planejada contra a realeza e que seu papel nisso é fundamental. É hora de Violet descobrir que é muito mais poderosa do que sempre imaginou! A Rosa Branca é o segundo volume da trilogia "A Cidade Solitária" e traz novas e incríveis reviravoltas. Será impossível não ficar ansioso pelo último livro da saga.

Resenha: Segundo volume da trilogia Cidade SolitáriaA Rosa Branca foi escrita por Amy Ewing e publicada pela Editora Leya.
A resenha pode apresentar spoiler do primeiro livro!

A Rosa Branca começa bem de onde A Joia terminou. Violet e Ash foram descobertos lá no fim do primeiro livro, a Duquesa prendeu a menina e tirou quaisquer benefícios que ela poderia ter, mas a prendeu em seu quarto, afinal, Violet ainda estava apta a ter um filho para a Duquesa, só que Ash era apenas uma acompanhante sem importância, foi preso e seria executado imediatamente e o livro acaba, me deixando curiosa e furiosa, mais curiosa, confesso, já que eu estava com o segundo em mãos... ah, e como um último suspiro do primeiro livro, conhecemos um aliado nada provável.

Então, A Rosa Branca começa, bem a partir daí, o aliado vai ajudar Violet a fugir, mas é claro que ela não vai facilitar e vai libertar Ash, assim como ela já não facilitou antes e deu o remédio que a ajudaria a fugir para sua amiga Raven, antes, seria uma pessoa a fugir do Palácio. Agora serão três! E o aliado improvável??? nada mais nada menos do que o filho da Duquesa, Garnet (não é spoiler, descobrimos isso no fim de A Joia).

Ainda não descobri os motivos de Garnet para ajudar Lucien, que já sabemos, tem como objetivo libertar Violet, se é rebeldia ou algo mais nobre ainda não está claro, mas pelo que tudo indica, o cara é bom, não puxou a Duquesa, ele começa a ver as Substitutas como meninas e não como uma encubadora apenas.

A fuga do Palácio é difícil, mas se concretiza, com muita ajuda e alguns mistérios, quem ajuda tem que mostrar "A Chave" para provar que é de confiança, esta é uma tatuagem, pois é, existe um grupo de pessoas se rebelando já, para libertar não só as Substitutas, mas todo o povo escravizado e explorado da Cidade Solitária.

Violet, Ash e Raven são levados para uma velha senhora que para o pavor de todos, já foi uma Substituta e sobreviveu. Agora sabemos que elas dão à luz e morrem no parto, então conhecer uma senhora de 60 anos que já passou por isso e não morreu é no mínimo assustador para Violet, mas como nada é para facilitar, Violet vai descobrir que ela tem mais poderes do que imaginava e é por isso que Lucien "encasquetou" com ela desde o começo.

Para todos os efeitos, perante a sociedade, Ash fez algo terrível e agora é um fugitivo, mas ninguém sabe da fuga de Violet, a Duquesa guardou segredo e enquanto esse improvável grupo se prepara para derrubar os nobres, a Duquesa faz algo inesperado com alguém muito querido que eu não vou contar o que ou quem é!

E mais uma vez a autora nos deixa na expectativa de o que virá por aí, por enquanto temos um pequeno grupo, liderado por alguém maior que não sabemos quem é, que conta com a ajuda de Ash, Raven, Sil (a senhora), Garnet e Lucien, um pequeno grupo que está crescendo e se preparando para derrubar de uma vez por todas os nobres e acabar com as suas explorações e maldades.

A estória é bem mais complexa do que imaginei, muito mais interessante do que eu esperava. o enredo é todo intrincado, cheio de surpresas e bem empolgante. Os personagens são bem construídos, a Violet demorou um pouco para crescer, é meio devagar, mas parece-me que veremos um bom desabrochar daqui pra frente

O livro tem 28 capítulos, nem curtos, nem longos, distribuídos em 320 páginas, as folhas são amarelas, o que muito me agrada! A capa é linda, coerente com o contexto, de certa forma...

É uma leitura gostosa fluída, cheia de surpresas emocionantes. A autora realmente conseguiu me cativar.

A Joia - Amy Ewing

18 de junho de 2017

Título: A Joia - A Cidade Solitária #1
Autora: Amy Ewing
Editora: Leya
Gênero: Fantasia/YA
Ano: 2015
Páginas: 352
Nota:★★★★☆
Sinopse: Joias significam riqueza, são sinônimo de encanto. A Joia é a própria realeza. Para garotas como Violet, no entanto, a Joia quer dizer uma vida de servidão. Violet nasceu e cresceu no Pântano, um dos cinco círculos da Cidade Solitária. Por ser fértil, Violet é especial, tendo sido separada de sua família ainda criança para ser treinada durante anos a fim de servir aos membros da realeza. Agora, aos dezesseis anos, ela finalmente partirá para a Joia, onde iniciará sua vida como substituta. Mas, aos poucos, Violet descobrirá a crueldade por trás de toda a beleza reluzente - e terá que lutar por sua própria sobrevivência. Quando uma improvável amizade oferece a Violet uma saída que ela jamais achou ser possível, ela irá se agarrar à esperança de uma vida melhor. Mas uma linda e intensa paixão pode colocar tudo em risco!

Resenha: Primeiro volume da trilogia Cidade Solitária, A Joia, escrita por Amy Ewing e publicada pela Editora Leya, é uma fantasia distópica um tanto quanto diferente, e ainda assim, bem parecida com tantas outras que vemos por aí.

A Cidade Solitária é dividida em cinco círculos separados por uma muralha, e todos, com exceção do Pântano, são chamados de acordo com a sua atividade. O Pântano, claro é o mais pobre e é de onde vêm as Substitutas, meninas que, na falta de palavra melhor, são transformadas em barrigas de aluguel para as mulheres das classes mais altas. Lá vivem os operários mais pobres também. O quarto círculo é a Fazenda, que cultiva toda a comida. O terceiro, a Fumaça, onde ficam as fábricas, o segundo círculo é o Banco, onde se concentram as lojas. O círculo mais interno é a Joia, onde vive a nobreza. Essa nobreza, por algum motivo, não pode mais gerar filhos, o que faz com que elas recorram às meninas do Pântano.
Aos 12 anos, Violet foi testada e descobriram que ela era uma Substituta. Na mesma noite, foi arrancada de sua casa, de sua família, levada a um internato e lá vive até hoje. Quase 5 anos se passaram e ela nunca mais viu sua família ou teve noticias deles. Lá ela é treinada, aprende a ter bons modos, tem aulas que ajudam a desenvolver certas habilidades, como mudar forma, cor ou fazer crescer objetos, e isso é muito difícil e dolorido, mas parece que seus professores não se importam muito com isso e seguem exigindo das meninas.

Em contrapartida, elas até que têm uma vida boa... Vivem bem, comem bem, têm liberdade, desde que dentro das grades do internato, mas estão destinadas a irem para o leilão. Lá elas perdem a identidade, ganham números e são compradas pela realeza. A explicação que elas recebem é: terão os filhos para suas donas e depois enviadas para um internato viverem em paz para sempre... Mas hein??? Por que uma pessoa que compra uma menina para servir de incubadora a usaria uma única vez? Fiquei com essa pulga o livro todo, gente.

Violete e Raven, sua melhor amiga são vendidas para famílias muito muito ricas e acham que viverão felizes, mas estão muito enganadas e vão descobrir isso rapidinho. Violet, já no primeiro contato com sua dona, percebe o que a espera, e não é nada legal, não.

Ao longo da narrativa ela faz alguns amigos, e claro, se apaixona. Tinha que ter um amor proibido para atrapalhar - ou ajudar - tudo. Ela se revolta e percebe que não foi feita para essa vida, mas como escapar se ela treinou para isso desde sempre?

Bom, preciso dizer que alguns aspectos me incomodaram, como o fato de uma sociedade inteira produzir meninas que, aos 17 anos, serão inseminadas e gerarão filhos de mulheres azedas que não podem mais gerar elas mesmas. A natureza sabe o que faz e se a realeza foi, de certa forma, esterilizada, deveriam deixar assim, mas não. Eles dão um jeitinho, mesmo "roubando" as filhas dos pais que as amam, só porque são de classes mais baixas. Posso estar enganada, mas espero ver uma revolta no próximo livro que já saiu e loguinho vai ter resenha!!!!

Com relação ao livro físico, posso dizer que capa é linda e coerente com o contexto, as páginas amarelas. Os capítulos não são muito curtos, mas também não são longos demais, o que não cansa e torna a leitura bem rápida.

No mais, A Joia é uma leitura prazerosa e foi mais do que esperava. A autora conseguiu conduzir a trama mostrando que aqueles que detém o poder, na grande maioria das vezes, são egocêntricos a ponto de não se preocuparem com as classes menos favorecidas, desde que se beneficiem de alguma forma.

O Segredo do Diamante - Caleb Krisp

17 de junho de 2017

Título: O Segredo do Diamante - Ivy Pocket #1
Autor: Caleb Krisp
Ilustrações: Bárbara Cantini
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Gênero: Infantojuvenil/Fantasia
Ano: 2017
Páginas: 336
Nota:★★★★☆
Sinopse: Em sua primeira aventura, Ivy se vê abandonada em Paris, sem nenhum centavo e completamente perdida. Quando uma duquesa a incumbe de entregar um colar incrível (e possivelmente amaldiçoado) a uma menina chamada Matilda, em seu aniversário de 12 anos, Ivy enxerga a chance de retornar a Londres e embarca num navio para cumprir a missão. A partir daí, a intrépida protagonista conhece uma série de personagens improváveis e se envolve em muitas confusões e mistérios, incluindo um ataque de estranhas criaturas nanicas que usam vestes de monges. Será que Ivy conseguirá entregar o colar a Matilda e, principalmente, chegar sã e salva à última página?

Resenha: Ivy Pocket é uma garotinha de doze anos, órfã e que trabalhava como criada para os Midwinters, uma família inglesa tradicional e encantadoramente excêntrica. Quando a família recebeu a Condessa Carbunkle por um mês em Midwinter Hall, Ivy viu nela uma oportunidade de viajar e conhecer o mundo, e assim, um mês depois de muita "insistência" por parte da condessa, partiu rumo a Paris junto com ela como sua nova criada.
O problema é que Ivy, sem ter a menor noção do que faz, é o próprio desastre em pessoa e causa todo tipo de confusão por onde passa, o que leva Lady Carbunkle a abandoná-la sozinha e ir embora as pressas para a América do Sul, onde nunca mais poderia ser encontrada, deixando apenas um bilhete de despedida e uma mísera libra como pagamento pelos "serviços" da menina, além de mandá-la para o diabo que a carregue. Sozinha e por contra própria, Ivy fica desamparada e perdida, até que tem a chance de voltar para Londres ao aceitar uma missão: Como presente de aniversário de doze anos, ela deveria entregar um diamante raro - e provavelmente amaldiçoado, para Matilda. A partir daí, Ivy embarca num navio rumo a uma grande, e desvairada, aventura.

Narrado em primeira pessoa, vamos acompanhando Ivy nessa aventura hilária e muito divertida. A escrita do autor, apesar de repetitiva, é bem peculiar, com floreios e palavras rebuscadas (até demais para uma garotinha de doze anos), usadas de forma proposital para tornar a trama ainda mais engraçada. É o estilo de escrita que se encontra em autores como Lemony Snicket (autor de Desventuras em Série e Só Perguntas Erradas) ou Alan Bradley (autor de As Crônicas de Flavia de Luce).

Ivy faz descrições sobre os acontecimentos que vê, mas não tem maldade o suficiente para perceber o significado, como uma cena logo no começo da história onde ela fala que encontrou Lady Carbunkle agachada atrás de um baú com um lençol na cabeça. Claramente a velhota está tentando escapar da vista da menina se escondendo de forma desesperada, assim como tantas outras pessoas tentam evitá-la a qualquer custo, mas para Ivy se trata de um "comportamento aristocrático" que define a condessa como doida de pedra. Tais situações talvez carecterizem Ivy como sendo uma garotinha com traços de caráter ridículos e é muito engraçado acompanhá-la com sua mania de grandeza, a forma como ela distribui insultos gratuitos de forma casual, as atitudes questionáveis e insensíveis que ela tem sem sequer perceber o impacto que causa nos outros, e sua total falta de noção para a vida é o que a torna tão especial, adorável e engraçada.

O projeto gráfico do livro é um amor. A capa é uma graça com esse estilo gótico suave e com toques vintage, ilustrando bem o que se pode encontrar na história de Ivy. A diagramação é muito caprichada, com ilustrações em preto e branco que se remetem ao conteúdo do capítulo e que combinam com os traços da capa.

Por ser um livro voltado a um público mais jovem, na faixa dos doze anos em média, não espere encontrar grandes mensagens ou lições valiosas para a vida, apesar de haver uma jornada de autoconhecimento bonitinha, mas tratada de forma bem despretensiosa. O propósito do livro é nos divertir e nos arrancar risadas com as trapalhadas de Ivy, e sim, ele cumpre o que promete e até me surpreendeu.

Pra quem procura por uma leitura para distração ou entrenenimento passageiro, é livro mais do que recomendado. Trocadilhos a parte, quero uma Ivy pra levar no bolso, e a continuação da história, por favor!

Sem Juízo - Emma Chase

16 de junho de 2017

Título: Sem Juízo - Legal Briefs #1
Autora: Emma Chase
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance
Ano: 2017
Páginas: 304
Nota:★★★★☆
Sinopse: Como advogado em Washington, DC, Stanton Shaw mantém as perguntas afiadas e os argumentos irrefutáveis, além de ser conhecido como “Encantador do Júri” com seu sotaque do sul, sorriso irresistível e olhos verdes cativantes. Embora pareça que sua vida está seguindo pelo caminho que sempre desejou, o advogado perde o rumo ao descobrir que Jenny, sua namorada do colegial e mãe de sua filha, irá se casar.
Como uma medida desesperada, ele implora que Sofia – a amiga alucinantemente colorida – o acompanhe ao Meio do Nada, no Mississippi, para ajudá-lo a reconquistar a mulher que ama. Sofia aceita, mesmo que seu lado racional diga uma coisa e seu coração outra…
O que pode acontecer quando você mistura uma cidade com um único semáforo, dois advogados profissionais, uma rainha do baile de formatura, quatro irmãos mais velhos, a salsicha de Jimmy Dean e uma vovó armada? O uísque rola solto, a paixão cresce e até o mais detalhado dos planos é atropelado pelos desejos do coração.

Resenha: Stanton e Jenny se conhecem desde a infância. Eram crianças que viviam se implicando por qualquer tipo de bobagens e isso só poderia significar uma coisa: amor. O tempo passou, eles cresceram e Jenny foi a primeira em tudo para Stanton. Esse primeiro amor duraria para sempre, mas, quando eles tinham dezessete anos, uma gravidez indesejada no último ano do colégio aconteceu, e isso mudaria a vida dos pombinhos para sempre. Stanton tinha planos de ir para a Universidade de Columbia mas, com um bebê a caminho, ele teria que desistir e se conformar com a vidinha interiorana na cidadezinha sulista de Sunshine, Mississipi. Ele foi criado com a ideia de que o homem deve ser o provedor da casa e não poderia permitir que sua amada ficasse sozinha e sem sua proteção. Mas Jenny, sempre pé no chão e realista, jamais permitiu que ele abrisse mão dos sonhos, de um futuro promissor, e dois meses depois que Presley, a filhinha deles, nasceu, Stanton partiu de mala e cuia com a promessa de que voltaria para buscá-las quando estivesse com a vida financeira bem estruturada. Stanton levava seus estudos a sério e se dedicava muito ao propósito que traçou para sua vida, e visitava Jenny e Presley em raras ocasiões, mas o relacionamento se resumia somente a essas curtas visitas. Ao voltar para Washington, Stanton já estava livre para ficar com a mulher que quisesse, quando quisesse. Pra ele não se tratava de traição, era só uma forma de suprir suas necessidades sexuais desenfreadas já que ele é homem com H maiúsculo, e por mais que Jenny, no começo, ficasse magoada, ela seria seu único amor e o esperaria para sempre, e consequentemente, aceitava que ele se aventurasse por aí.

Dez anos se passaram desde o primeiro aniversário de sua filha, e Stanton teve o tão almejado sucesso como advogado criminal, mas Jenny não abriu mão de Presley crescer feliz no interior, levando uma vida saudável e tranquila em vez da vida corrida e sufocante da cidade grande. Durante esse tempo, Stanton subia na carreira e se aventurava com várias mulheres, incluindo sua conselheira de trabalho, Sofia. Até que um dia, Jenny faz com que o "tão sonhado futuro" de Stanton desmorone ao enviar para ele um convite de seu casamento.
Stanton surta, não aceita que a mulher de sua vida, seu primeiro e único amor, esteja prestes a se casar com outro, e ele leva Sofia como companhia rumo a Sunshine, determinado a impedir o casamento e reconquistar Jenny.
Mas Sofia, diante de tal situação, percebe que essa amizade colorida da qual Stanton não pretende abrir mão, se tornaria muito mais complexa e difícil do que ela poderia imaginar...

O livro é narrado em primeira pessoa e os capítulos se alternam entre Stanton e Sofia. O leitor já sabe desde o início que Stanton e Jenny tiveram uma história muito bonita, assim como sabe que houve motivos justificáveis e plausíveis para que esse relacionamento se dissolvesse cada vez mais com o passar dos anos, então não há surpresas com relação a isso. E todo o processo é isento de dramas, pois da mesma forma que Stanton é focado em seus objetivos, Jenny é direta e determinada em decidir o que acha que será o melhor para ela e Presley, quer Stanton goste ou não.
A escrita da autora é uma delícia, muito fluída, cheia de toques bem humorados, diálogos realistas e sem moderação. Os personagens são gente como a gente. Mesmo que a base da trama não seja muito original, o desenvolvimento em si, apesar de previsível devido aos típicos clichês, foi bem satisfatório. A ideia do primeiro amor ser eterno é trabalhada de uma forma que, propositalmente, só funciona na cabeça limitada de Stanton, e da forma como é conveniente pra ele, e somando isso às suas atitudes extremamente machistas, egoístas e vergonhosas, a história acaba tendo um lado um pouco cansativo e bem irritante, por mais divertida que seja.

Os detalhes acerca da ambientação são bem descritos e funcionam muito bem como pano de fundo da história. As cenas que envolvem as rotinas do juri e afins não são muito aprofundadas, até mesmo porque o foco da história não é a carreira de ninguém, mas, sim, as descobertas íntimas e pessoais dos personagens, assim como o processo de transformação pelo qual eles passam com toda essa confusão.

Durante a leitura é simplesmente impossível torcer a favor de Stanton. Só nos resta rir alto de suas tentativas frustradas de reconquistar Jenny e pensamentos imbecis de que ela é propriedade dele. E o pior é que sabemos que na vida real existem vários Stantons à solta por aí, que querem curtir a vida adoidado enquanto mantém uma pobre iludida como porto seguro, e alegam fazer isso por amor.
O ponto é que os dois possuem uma relação de carinho por terem tido toda uma história juntos, mas parece que ele é o único que não percebeu que nada iria além disso. A fila anda, colega.
Em contrapartida, a relação que ele tem com Sofia é o que mantém as chamas da trama acesas. Eles possuem muita química, seja profissional ou sexualmente, combinam em praticamente tudo e as cenas mais quentes que eles compartilham são de tirar o fôlego.

Sofia é ótima e uma das personagens mais legais que já encontrei. Ela é inteligente, focada, super divertida e sempre está pensando no próximo, mesmo que isso signifique apoiar Stanton em sua missão mirabolante por saber que o homem é teimoso e não desistiria fácil dessa ideia que pôs na cabeça oca. Ela entende que é uma situação que não é nada fácil de encarar já que gosta do imbecil, mas também não fica se fazendo de coitada, e muito menos fica contra Jenny em momento algum.

Stanton já despertou sentimentos controversos em mim. Ele é ridículo por não ter aceitado "perder" Jenny sendo que o maior responsável por cada um seguir com a vida foi ele mesmo, que se acomodou como a maioria dos homens faz. Onde, em nome de Deus, está o bom senso desse sujeito? Por mais que a autora abuse de alguns clichês e fique meio óbvio que fim essa história vai levar, é impossível não querer matar esse cara pela forma como ele age e pensa, por mais que ele tente justificar suas atitudes odiosas e desprezíveis.

Com relação ao projeto gráfico, posso dizer que gosto de capas onde os rostos das pessoas não aparecem, assim é possível deixar a imaginação livre para montarmos os personagens ao nosso modo a partir de suas descrições. A diagramação é simples, os capítulos são numerados e o nome do personagem aparece para sabermos de quem é a voz da vez. Os capítulos são curtinhos, dão brecha para o próximo e não percebi erros na revisão.

No final das contas, entendi que o primeiro amor nem sempre será o último, e que, as vezes, ele está bem na nossa frente, mas não enxergamos por estarmos cegos devido a algum tipo de frustração ou sentimento de impotência. Por essas e outras, posso dizer que Sem Juízo tráz uma história divertida sobre aceitar o óbvio, se conformar que é impossível se ter tudo, e enxergar o que está diante do próprio nariz.

Novidades de Junho - Verus

15 de junho de 2017

O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila

É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem? Uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos.
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no desenvolvimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, o leitor ficará fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.

Casada Até Quarta - Noivas da Semana #1 - Catherine Bybee

O contrato de casamento deles previa tudo... menos se apaixonar. O primeiro livro da série Noivas da Semana. Blake Harrison: rico, nobre, charmoso... e precisando de uma esposa até quarta-feira. Para isso, Blake recorre a Sam Elliot, que não é o homem de negócios que ele esperava. Em vez disso, ele encontra Samantha Elliot, linda e exuberante, com a voz mais sexy que ele já ouviu. Samantha Elliot: dona da agência de casamentos Alliance, ela não está no menu de pretendentes... até Blake lhe oferecer milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele, e além disso o dinheiro vai ser muito útil para quitar as contas médicas da família dela. Samantha só precisa disfarçar a atração que sente por seu novo marido e evitar a todo custo a cama dele. Mas os beijos ardentes de Blake e seu charme inegável se provam muito difíceis de resistir. Era um contrato de casamento que previa tudo... menos se apaixonar. Agora só resta a Samantha proteger seu coração até que o contrato chegue ao fim.

Que Bom Pra Você - Entrelinhas #3 - Tammara Webber

A vida de celebridade de Reid Alexander é um livro aberto. Cada relacionamento fracassado, cada noitada, cada erro estampam as páginas dos jornais. O mais recente desses erros acabou com seu carro, destruiu uma casa e o fez parar no hospital, além de enfrentar um processo por dirigir embriagado. Enquanto sua equipe de assessores trabalha dia e noite para limpar sua imagem, uma coisa é clara: desta vez ele não vai escapar sem pagar por isso. Quando Reid é condenado a prestar serviços comunitários sob a supervisão de Dori Centrell, ela não fica nem um pouco impressionada com a fama dele, além de indiferente à sua proximidade. Logo, tudo o que Reid mais quer é derrubar Dori de seu pedestal e provar que ela é apenas humana. Contando os dias para o mês de serviço dele terminar, Dori luta para ignorar a atração por Reid, enquanto o desafia a reconhecer o próprio potencial desperdiçado. Mas Dori também tem seus segredos, guardados lá no fundo, até que uma noite acaba virando seu mundo de cabeça para baixo. De repente, a única esperança de redenção para Dori e Reid depende de uma escolha que ambos precisam fazer: ter fé um no outro ou não.


Novidades de Junho - Galera Record

A Terra das Sombras A Mediadora #1 - Meg Cabot (capa dura)

Suzannah é uma adolescente igual a todas as outras – ou quase. Há apenas um pequeno detalhe: ela consegue ver fantasmas. Sua missão é ajudar as almas penadas a descansarem em paz. Mas como explicar à mãe ou aos professores que suas travessuras noturnas foram provocadas por... assombrações? Quando sua mãe se casa pela segunda vez e elas precisam se mudar para a ensolarada Califórnia, Suze passa a acreditar que as coisas vão melhorar. Mas ao chegar lá, Suzannah percebe que a nova família mora em uma casa muito antiga. E, é claro, assombrada. Só que por um fantasma bonitão, que nada faz para assustá-la, muito pelo contrário.

Belinda e Em - Cammie McGovern

Emily sempre se orgulhou da sua capacidade de enxergar além das aparências, e é sempre a primeira a defender os direitos das minorias em sua escola. Mas, secretamente, a garota ainda é um pouquinho fascinada pelos populares da escola. E nutre um leve rancor quanto à sua inexistente vida amorosa. Até que Emily testemunha uma colega de classe com necessidades especiais, Belinda, ser atacada embaixo das arquibancadas da escola... E não faz nada! Emily e Lucas, outra testemunha passiva do ataque, são obrigados a prestar serviço comunitário em um centro de pessoas como Belinda. Logo os jovens começam a sentir que podem fazer uma diferença real. Como se fossem capazes de mudar o que aconteceu naquela noite.

Os 12 Signos de Valentina - Ray Tavares

Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano... Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

ABC do Amor - A. C. Meyer, Brittainy C. Cherry e Camila Moreira

O amor é o personagem principal desta antologia que reúne três das mais românticas autoras da atualidade.
Inconveniente, não retribuído, desejado, com final feliz ou sem esperanças, o amor não sai de moda. Em Doce reencontro, o destino encontra a saudade. Jade nunca esqueceu o ex-namorado, que terminou tudo e a trocou pela carreira. Mas a receita de um grande amor nunca desanda. O que acontece quando os dois se reencontram?
O perdão é capaz de mudar a história em As cartas que escrevemos. Quando Jake retorna à cidadezinha onde cresceu, o agora ator famoso só esperava ver o seu grande amor mais uma vez. Mesmo que fosse no altar. Com outro homem. É possível fazer Ana Louise mudar de ideia?
Além das cores prova que o amor pode nascer do desejo. Alice acabou com o pior tema no projeto final da faculdade. Ela precisa escrever a biografia de Leandro, um artista plástico temperamental, fechado e extremamente gato. A atração entre ambos é intensa, mas os fantasmas do passado podem atrapalhar tudo.

O Encantador de Corvos - Ferios #1 - Jacob Grey

Abandonado pelos pais. Criado por corvos. Caçado pela escuridão Caw, abandonado pelos pais quando tinha apenas 5 anos, sobrevive sozinho numa cidade governada pelo crime. Mas ele não está desamparado: é o último representante da linhagem dos ferinos de corvos e tem o poder de comandar e conversar com as soturnas aves. Caw vive escondido em um ninho, no alto de uma árvore, no parque da cidade de Blackstone, até que uma fuga na prisão local o força a se revelar aos humanos... E à Lydia, a filha do diretor do presídio. Juntos descobrem que os fugitivos também são ferinos que planejam trazer seu temido líder, o Mestre da Seda, de volta da Terra dos Mortos. Para impedi-los, Caw e Lydia precisam encontrar os ferinos que se escondem pela cidade e convencê-los a mais uma vez lutar pelas forças do bem.

Inesquecível - Jessica Brody

Título: Inesquecível - Unremembered #1
Autora: Jessica Brody
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Gênero: YA/Sci-Fi
Ano: 2017
Páginas: 336
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Após um acidente aéreo, uma garota é encontrada ilesa e sem memória em meio aos destroços em pleno oceano Pacífico. Ela não estava na lista de passageiros da aeronave e seu DNA e suas impressões digitais não são reconhecidos em nenhum lugar do mundo. Sua única esperança é um garoto estranho e sedutor que afirma conhecê-la. E que eles eram apaixonados um pelo outro. Mas será que ela pode confiar nele para recuperar seu passado e descobrir quem ela realmente é?

Resenha: Uma jovem é encontrada ilesa em meio aos destroços após a queda de um avião cheio de passageiros. Ao acordar, a única sobrevivente do trágico acidente não se lembrava de nada. A garota, que aparentava ter dezesseis anos, não sabia seu nome, pra onde ia ou o que estava fazendo alí. A única coisa que ela queria era que alguém a reconhecesse e fosse ao seu encontro, mas isso não aconteceu. Sem registros no sistema e sem informações sobre ela em lugar nenhum, ela passou a ser chamada de Violet e foi encaminhada a um lar adotivo e temporário onde foi acolhida pelo casal Heather e Scott, e seu filho de treze anos, Cody. Violet só quer seguir em frente, sem muitas esperanças de que sua memória volte, ou até que um parente a procure. Porém, coisas estranhas começam a acontecer com ela, que se vê capaz de fazer coisas que uma pessoa comum não faria, além de começar a acreditar que está sendo perseguida. Quando Zen vai ao seu encontro e alega não só conhecê-la, mas que eram apaixonados antes do acidente acontecer, os mistérios que a cercam parecem só aumentar. Descobrir que seu nome na verdade é Seraphina, e que a verdade sobre seu passado e sobre quem ela é talvez não seja algo muito bom, vai virar sua vida de cabeça pra baixo.

Narrado em primeira pessoa e dividido em três partes, a escrita da autora é bastante fluída e instiga o leitor a querer desvendar o mistério que cerca a protagonista, mesmo que sua forma de detalhar e interpretar os acontecimentos seja um tanto dramática e literal, o que já se torna um ponto um pouco suspeito.
Porém, embora a história tenha uma premissa interessante, não fui convencida pela forma como foi desenvolvida. Aquele velho clichê de "garota desmemoriada em busca por respostas" já foi explorado a ponto de beirar a exaustão e alguns "furos" com relação às coisas que ela sabe ou não sabe me incomodaram. Basicamente ela só se lembra das necessidades básicas que todo ser humano tem, então pra mim não fez muito sentido ela saber o que são coisas como mar, céu e estrelas, quando não se lembra e não sabe o que é um avião.
O que acabei encontrando foi um romance sci-fi sem maiores aprofundamentos na parte científica da coisa, pois o romance que é bem artificial, ao meu ver, deveria ficar em segundo plano e servir como mero complemento, acaba funcionando como impulso para as coisas caminharem. Eu gosto de romances desde que se encaixem com a proposta, e não vejo como numa história que, teoricamente, deveria abordar a tecnologia, a ciência e afins possa dar mais espaço ao desenvolvimento de um relacionamento esquisito quando há coisas mais sérias e urgentes pra se tratar. Chegou a um ponto onde eu já saquei qual era o lance sem que houvesse necessidade de me prender a teorias relacionadas à protagonista ou ao papel de Zen em sua vida.
O que posso afirmar que realmente gostei muito na história foi o papel de Cody, o irmão adotivo e muito nerd de Violet/Seraphina que foi o responsável pelos toques de bom humor e sarcasmo

Reconheço que a história não é ruim. Há todo aquele ritmo intenso, com algumas cenas cujas situações são realmente surpreendentes e envolventes à sua própria maneira. Embora não seja complexa e nem carregada de profundidade, algumas questões reflexivas sobre os reais fatores que tornam alguém humano são levantadas, mas não chega a ser um livro super memorável, principalmente quando há opções melhores do gênero para se investir.

Novidades de Junho - Seguinte

14 de junho de 2017

Sangue Por Sangue - Lobo Por Lobo #2 - Ryan Graudin

Para o Terceiro Reich, a Segunda Guerra Mundial pode ter acabado, mas para a resistência a luta está apenas começando. Yael é sobrevivente de um campo de extermínio e tem uma habilidade especial é uma metamorfa, capaz de mudar a aparência física e assumir a forma de qualquer pessoa. Ela também é uma garota em fuga o mundo acabou de vê-la atirar e matar Adolf Hitler. Yael é a inimiga número 1 da Germânia e de seus aliados, e vai precisar se infiltrar no território inimigo mais uma vez se não quiser pagar com o seu próprio sangue. Em meio a segredos sombrios acompanhados por verdades obscuras, apenas uma pergunta paira na mente de todos do grupo de Yael o quão longe você iria por aqueles que você ama.

Aimó - Reginaldo Prandi

Imagine se encontrar, de uma hora para a outra, em um mundo totalmente desconhecido onde você não conhece ninguém e ninguém demonstra saber quem você é. É o que acontece com uma menina nascida na África e levada para o Brasil para ser escrava, e que de repente acorda em um lugar estranho, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o momento de seu renascimento. Ela não sabe mais o próprio nome nem lembra de sua família — está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Por isso, aliás, ganha o nome Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Tudo o que ela quer é retornar ao seu mundo de origem, mas para tornar isso possível, Aimó vai partir em uma longa jornada através dos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e vai acompanhar de perto muitas aventuras vividas pelos orixás. Só assim poderá reunir o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permita, enfim, voltar para casa.

A Lógica Inexplicável da Minha Vida - Benjamin Alire Sáenz

Salvador levava uma vida tranquila e descomplicada ao lado de seu pai adotivo gay e de Sam, sua melhor amiga. Porém, o último ano do ensino médio vem acompanhado de mudanças sobre as quais o garoto não tem nenhum controle, como ímpetos de raiva queele não costumava sentir. Além disso, Salvador tem que lidar com a iminente morte da avó, com uma tragédia repentina que acontece na vida de Sam e com o fato de seu pai estar se reaproximando de um ex-namorado. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, que vão do luto ao amor e da amizade à solidão, Sal passa a questionar sua própria origem e identidade, e tenta encontrar alguma lógica para a sua vida uma tarefa que parece quase impossível.

Quando Tudo Faz Sentido - Amy Zhang

Título: Quando Tudo Faz Sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Gênero: Drama/YA
Ano: 2017
Páginas: 320
Nota:★★★★☆
Sinopse: Liz Emerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.

Resenha: Liz Emerson é uma das jovens mais populares do colégio Meridian High. Sua vida no colégio se resume a ter boas notas, exceto em física, andar com suas amigas tão populares quanto ela, e manter um namoro complicado com um jogador de futebol americano. Liz é conhecida e sempre notada por onde vai. Ela é o que a maioria das garotas americanas sonham ser, mas no fundo ela esconde algumas verdades que indicam que essa vida não é tão perfeita quanto parece.
Órfã de pai e com uma mãe ausente que vive viajando a trabalho, Liz é uma garota muito sozinha. Além de sofrer de bulimia, ela trái o namorado e bebe frequentemente, tanto para compensar essa solidão, ou como forma de diminuir seu sentimento de tristeza e culpa por acreditar ter destruído a vida de algumas pessoas a partir de alguma atitude que tenha tido com relação a elas.
Ela é incompreendida por aqueles que poderiam ajudá-la porque não consegue expressar seus reais sentimentos, e tudo isso a está levando cada vez mais para baixo.
Pra ela, a única forma de resolver todos esses problemas é acabar de vez com sua vida, e Liz planeja um acidente de carro para que sua morte não pareça um suicídio. Mas as coisas não saem exatamente conforme o planejado...
Liam é um garoto que se apaixonou por Liz, mas manteve isso em segredo já que sempre foi desprezado por ela. Foi ele quem encontrou o carro, chamou a emergência para resgatá-la e lhe fez companhia no hospital até que todos ficassem sabendo do ocorrido. Liam não é um rapaz admirável só por sua atitude heróica, mas por ser alguém que consegue enxergar além da fachada que Liz mantém sobre si.

A história é narrada em primeira pessoa por uma personagem misteriosa, que sabe de todas as coisas, sobre todo mundo, e que faz com que a narrativa pareça ser feita em terceira pessoa por ela sempre falar das questões dos outros em vez das próprias, abordando cada detalhe e aspecto da vida de cada um, seus segredos e pensamentos, assim como todas as ligações que eles fazem com Liz e seu destino. É como se alguém, que ainda não sabemos quem é, estivesse nos contando a história de outras pessoas a partir do que presenciou, e esse mistério sobre a identidade dessa personagem acaba sustentando boa parte do interesse pela história. Os capítulos são desordenados, mesclando presente e passado para que a história seja melhor compreendida, assim como as motivações de cada um.

Ao longo da trama, o leitor acompanha os momentos de Liz no hospital enquanto outras situações que envolvem os demais personagens vêm à tona, além dos acontecimentos que são abordados para que o motivo que a levou a tomar uma atitude tão drástica dessas possa ser revelado. Então, o leitor não se mantém curioso apenas por querer saber quem conta a história, mas também se Liz vai sobreviver ou não.
E, durante essa jornada, a autora levanta temas delicados que permeiam a adolescência, mostrando o que acontece com os jovens que lidam com a depressão, bullying, vícios, culpa, perda e afins, e embora tenham sido tratados de forma leve, não deixam de ter importância.
Liz é uma personagem difícil, e talvez a intenção da autora ao criá-la com tantas imperfeições tenha sido exatamente fazer com que o leitor reflita sobre o comportamento dela e as consequências para cada escolha que ela fez. Ela é odiosa por insistir em manter as aparências e, em nome disso, magoar os outros ou piorar a situação deles. Ela sabe que faz escolhas erradas mas ainda assim continua errando pra não ter que sair de sua zona de conforto. É horrível, sim, mas tentei entender seu lado, que sua vida está uma bagunça, que ela sofreu e ainda sofre, e a forma de lidar com isso é sendo uma cretina. Então, não parei de pensar que ela não ter morrido no acidente, talvez tenha sido uma forma de ela se redimir, como se estivesse tendo uma segunda chance.

A capa é bastante minimalista mas ainda assim tem todo um significado que representa bem o conteúdo do livro. As páginas são amarelas, os capítulos são bem curtinhos, numerados e possuem títulos.

No mais, considerei a leitura bastante reflexiva, mostrando que é preciso que algo aconteça em decorrência de alguma atitude para que as pessoas tenham algum propósito, vejam algum sentido nas coisas, e se atentem aos pequenos detalhes ao seu redor, sejam eles positivos ou não. A única coisa sem volta nessa vida é a morte, e enquanto ela não vem, é preciso encarar a realidade e buscar por outras soluções.

O Ceifador - Neal Shusterman

13 de junho de 2017

Título: O Ceifador - Scythe #1
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Gênero: Distopia/Sci-fi/YA
Ano: 2017
Páginas: 448
Nota:★★★★★
Sinopse: Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

Resenha: 2042 foi um marco na história e desde então as pessoas pararam de contar os anos por não haver mais necessidade... Os continentes foram renomeados, a capacidade computacional se tornou infinita e humanidade descobriu tudo o que havia para ser descoberto. Fome, miséria, desigualdade social, criminalidade, guerras, doenças e até mesmo a morte foram superadas. As pessoas não aparentam mais a idade que têm já que podem rejuvenescer, há nanitos no sangue de todos para que feridas possam ser curadas quase que instantanamente, e aquelas que morrem acidentalmente passam por um processo para reviverem, logo as taxas de suicídios e assassinatos foram reduzidas a zero. Não existe mais um governo que dita regras ou que possa ser ineficiente ou corruptível, e todo o controle é feito pela Nimbo-Cúmulo, a antiga rede digital de inteligência artificial chamada "nuvem", um sistema que ganhou consciência e além de ter uma memória com todas as informações que existem com acesso livre para quem quiser pesquisar, igualou a sociedade no que diz respeito as classes, soluciona qualquer problema independente do que seja para melhorar a vida das pessoas e preservar o planeta, e transformou em realidade a tão sonhada utopia. A única interferência que a Nimbo-Cúmulo não faz é na morte das pessoas por envolver questões morais, coisas que um computador, por mais evoluído que seja, não poderia ter. Por esse motivo existe a Ceifa, onde os ceifadores seguem dez mandamentos e são os únicos responsáveis por "coletar" a vida das pessoas que se encaixam em determinados perfis de acordo com alguma estatística de morte que existia na Era da Mortalidade como forma de limitar a população para que não haja um crescimento descontrolado e desproporcional ao que a Terra comporta. A sociedade vive na Era da Imortalidade pois se não fosse o trabalho dos ceifadores, todos seriam imortais.
As pessoas entendem que as coletas são uma necessidade e aprenderam a aceitá-las, respeitando - e também temendo - os ceifadores, já que a aparição de algum deles indicava que alguém alí do local iria morrer, sem chance de escapatória. Algumas pessoas ainda não aceitam e lutam contra o ceifador quando precisa ser coletadas (e sofrem as consequências disso), outras os ignoram acreditando que seriam igualmente ignoradas, e outras pessoas lhes dão benefícios ou fazem várias doações acreditando que assim conseguirão alguma imunidade, mas os únicos que realmente estão livres de serem coletados são os próprios ceifadores.
Neste cenário conhecemos Citra e Rowan. Citra é uma garota de dezesseis anos que vive na cidade e leva uma vida confortável com sua família sempre unida. Rowan tem a mesma idade, mora no subúrbio e é bastante solitário ao conviver com a família grande mas sempre indiferente aos que ele faz ou sente.
Nenhum dos dois nunca tiveram interesse em serem ceifadores, essa é a única coisa que eles tinham em comum, mas esse é o primeiro requisito para serem escolhidos como aprendizes de um... E é isso o que acontece quando o honorável Ceifador Faraday aparece em suas vidas de forma inusitada. A família de cada um recebeu imunidade por um ano e eles foram levados de suas casas para começarem a aprender a arte da coleta, mesmo que, inicialmente, fosse contra as suas vontades. Eles seriam adversários e ao final do treinamento, somente um deles seria escolhido para receber o título de Ceifador.
Tudo parecia funcionar bem, até que um grupo de ceifadores extravagantes começa a fazer coletas em massa, de forma autoritária, sádica e sem piedade alguma, deixando claro que eles estão manipulando os dez mandamentos...

Narrado em terceira pessoa, a história instiga a curiosidade do leitor sendo impossível pausar a leitura. O enredo é bastante original, com detalhes e explicações que tornam o cenário de forma geral bastante plausível e a escrita do autor é ótima e muito empolgante, com detalhes e acontecimentos na medida certa para tornar tudo muito fluído e dinâmico.

A construção dos personagens é incrível e o contraste entre eles, os tornando tão diferentes entre si, é o que os faz combinar tão bem como um time. Citra é uma jovem bastante competitiva, de humor ácido e acaba querendo ser escolhida por acredtar que deve vencer, e Rowan já não se importa muito com o que os outros pensam e tanto faz pra ele se for ou não escolhido. Ele é altruísta e muitas vezes fala o que os outros querem ouvir para evitar problemas. A experiência com Faraday muda suas formas de pensar, fazem com que eles amadureçam e vejam as coisas através de um novo olhar. Há um romance beeem sutil acontecendo mas, apesar de fofo, não é o elemento principal.
O ponto alto com relação aos dois é que o treinamento evidencia o caráter deles, colocando suas dignidades à prova, mostrando quem eles são na realidade quando eles precisam encarar a morte de forma tão íntima e pessoal. E isso não se aplica somente aos protagonistas, mas aos demais ceifadores, muitos deles assustadores, que estão "acima da lei". Aquele ditado que diz mais ou menos assim "Se quer conhecer bem uma pessoa, dê poder a ela" faz todo o sentido do mundo aqui...

Outro ponto muito interessante que pude perceber foi a forma que o autor usa pra abordar o ofício de ceifador, como eles reconhecem a importância do que fazem e como lidam com o fato de serem os responsáveis pela morte alheia, e não apenas isso, mas também sobre como o comportamento das pessoas muda evidenciando o interesse e até o oportunismo quando elas querem ter vantagens e ganharem algo só por estarem próximas de alguém com alguma influência e poder.

Os mandamentos do ceifador
1. Matarás
2. Matarás sem discriminação, fanatismo ou pensamento premeditado.
3. Concederás um ano de imunidade aos entes queridos daqueles que o receberem e a todos que considerar dignos.
4. Matará os entes queridos daqueles que resistirem.
5. Servirás a humanidade durante todos os dias de tua vida, e tua família receberá imunidade como recompensa enquanto viveres.
6. Levarás uma vida exemplar em palavras e atoa, e registrarás todos os teus dias em um diário.
7. Não matarás nenhum ceifador além de ti.
8. Não reclamarás nenhuma posse material além de teus mantos, teu anel e teu diário.
9. Não terás cônjuge nem filhos.
10. Não seguirás nenhuma lei além destas.

Ao final de cada capítulo podemos ler os relatórios feitos por alguns ceifadores, e através deles é que encontramos explicações - e até questionamentos - para entendermos como e porquê o mundo chegou no estado em que está. Eu gostei bastante desse artifício usado para situar o leitor ao cenário pois dessa forma os personagens ficam isentos de "perderem tempo" explicando detalhes e o foco recái sobre suas personalidades e suas atitudes frente a nova jornada de aprendiz em que estão.

O Ceifador foi um livro que entrou pra lista de melhores leituras que já tive até então. Ele é capaz de fazer com que as pessoas possam refletir sobre a morte de forma única e sem nenhuma complexidade, pois consegue mostrar um outro lado que muitos jamais poderiam imaginar, mas também levantando perguntas sobre as motivações da humanidade, agora estagnada, para se levar uma vida longa quando não há mais nada pra se ver, aprender ou pra onde evoluir. Há uma grande diferença entre viver e somente existir...
A morte foi vencida e se tornou uma opção, mas ainda é necessária em nome da sobrevivência da humanidade. Logo, ter a vida de alguém nas mãos é uma questão de poder ou de moralidade?