Caixa de Correio #52 - Junho

30 de junho de 2016


Dia de Caixinha de Correio é vida, né? ♥
Esse mês teve um monte de livros maravilindos chegando aqui em casa e foi difícil resistir em manter a fila na ordem, viu... Meudeusdocéu, que desespero.
Ainda não parei de surtar com tanta coisa boa. E os Funkos de HP? *o* Socorro!
Bora ver o que recebi, então!

Sempre - J.M. Darhower

29 de junho de 2016

Título: Sempre - Forever #1
Autora: J.M. Darhower
Editora: Universo de Livros
Gênero: Romance
Ano: 2015
Páginas: 544
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Haven Antonelli e Carmine DeMarco cresceram em mundos completamente diferentes. Haven é uma adolescente de 17 anos que nunca conheceu a liberdade. Desde a infância, ela e sua mãe são escravas, vítimas de uma rede de tráfico humano. Carmine, nascido em uma família rica da máfia, viveu uma vida de privilégios e excessos.
Agora, uma reviravolta do destino faz com que seus caminhos se cruzem. Apesar das diferenças aparentes, algo mais sutil os une. E da tênue amizade entre os dois floresce uma paixão inesperada e arrebatadora.
Enredados numa teia de segredos e mentiras, em que o poder e o dinheiro ditam o jogo, o jovem casal logo percebe que é preciso se sacrificar para conquistar a liberdade e o direito ao amor...
Resenha: Sempre é o primeiro livro da duologia Forever, escrita pela autora J.M. Darhower e publicada no Brasl pela Universo dos Livros.

Antes de começar, acho válido ressaltar que sempre costumo iniciar minhas resenhas fazendo um apanhado geral da história de forma resumida para apresentar o livro e adiantar sua premissa sem revelar nada que possa ser considerado um spoiler, pois, às vezes, a sinopse oculta detalhes que são importantes de serem ressaltados para um melhor entendimento, mas, no caso da sinopse desse livro, ela já entrega todo o enredo inteiro sendo desnecessário eu fazer essa apresentação, então vou pular pra opinião para não encher linguiça e poupar nosso tempo.

A narrativa é feita em terceira pessoa e é intercalada entre os pontos de vista de Haven, Carmine e Dr. de Marco, e talvez esse tenha sido o motivo maior de eu não ter me conectado como gostaria com a história. Não por ela ser ruim nem nada disso, muito pelo contrário, mas por retratar os acontecimentos de forma fria e sem maiores emoções (o que geralmente não costuma acontecer quando é narrado em primeira pessoa e o leitor tem acesso aos pensamentos e sentimentos mais íntimos do personagem em questão), ou ainda acrescentando detalhes ou acontecimentos que poderiam ser facilmente dispensados sem que afetasse a trama. Ter acompanhado uma história envolta por dor, sangue, morte, tráfico de pessoas, escravidão e ver personagens comendo o pão que o diabo amassou de forma tão crua me soou um tanto insensível, mesmo que em alguns trechos seja possível ter um pouco de admiração pela humanidade e compaixão que outros carregam em si, ou pelo amor que surge entre Haven e Carmine.
Concluir a leitura desse livro foi difícil por ele tocar em pontos delicados e abordar uma realidade que ainda se faz presente em alguns lugares, mas ainda assim é possível ter um pouco de esperança pela história dos personagens, que arranca alguns suspiros e, de certa forma, cativa o leitor.

Desde pequena, Haven teve a vida roubada. Isolada e escravizada, ela cresceu em meio a dor e ao sofrimento, sendo vítima de constantes descasos e violência, vivendo um verdadeiro inferno. Aos dezessete anos ela é vendida a um homem, Dr. Vinvent de Marco, e Haven fica com o pé atrás pois sabe que não pode confiar em ninguém, principalmente aqueles que tratam as pessoas como reles objetos.
Vincent é um médico viúvo, pai de dois jovens, Carmine e Dominic, mas também assume duas vidas ao ser membro da La Cosa Nostras, a máfia italiana.
Carmine passou por alguns perrengues e isso o tornou um jovem bastante inconsequente e rebelde, e pra ele nada valia a pena, até conhecer Haven, e o que ela não esperava era ser tratada com respeito por aqueles homens...

Embora haja muita tristeza, o romance que começa a surgir é muito bonito, principalmente pelo fato de que o amor que Carmine passa a sentir por Haven chega a ser inspirador por transformá-lo de uma forma que ele nunca imaginou. E esse sentimento, essa aproximação tão pura e bonita que eles vivem faz com que Haven perceba que por mais que o mundo seja cruel e cheio de maldades, ainda existem pessoas que carregam a bondade dentro de si.

A capa condiz bem com a história e é muito bonita, tanto por ser em preto e branco quanto pelos detalhes em vermelho do título e da rosa. A diagramação é simples, as páginas amarelas, os capítulos são numerados, as letras são bem miúdas (o que espanta um pouco se levarmos as mais de 500 páginas em consideração) e não percebi erros na revisão.

De forma geral, Sempre é um romance bonito e delicado, mas também fala sobre os vários sacrifícios que as pessoas fazem em busca da felicidade e em nome daqueles que amamos.

O Preço do Sangue - Justin Somper

28 de junho de 2016

Título: O Preço do Sangue - Aliados e Assassinos #1
Autor: Justin Somper
Editora: Galera Record
Gênero: YA/Mistério
Ano: 2016
Páginas: 376
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Após a misteriosa morte do irmão, Jared se torna o Príncipe de Toda a Archenfield. Aos 16 anos, no entanto, não acredita estar preparado para governar e enfrentar o caos que toma conta de todo o Principado, além de todas as intrigas que assolam toda a corte. Jared mergulha numa investigação que pode colocar em risco não apenas a sua vida, mas a de todos os seus amigos e familiares. O passado do seu irmão logo se torna turvo e cheio de mistérios. Muitos poderiam ter motivos para matá-lo. Mas quem? O preço de sangue deve ser pago. O assassino do Príncipe deve morrer. Mas Jared sequer sabe em quem pode confiar.
Resenha: O Preço do Sangue é o primeiro volume da série Aliados e Assassinos, escrita pelo autor Justin Somper, o mesmo da série best-seller (e super bacana) Vampiratas, e publicado no Brasil pela Galera Record.

Archenfield é um principado da era medieval governado pelo Príncipe Anders. Logo no ínicio a notícia de que Anders foi morto misteriosamente corre pela corte, e a tragédia acaba fazendo com que as responsabilidades do governo recaiam sobre seu irmão de dezesseis anos, Jared. Além de ter que lidar com o luto, Jared também terá que aprender a lidar com os conselheiros do Príncipe, chamados de Os Doze, que ajudam e interferem em todas as decisões políticas do principado. Mas diante da ideia de que Anders foi assassinado por envenenamento numa provável disputa de poderes para derrubar Archenfield, resta ao garoto descobrir quem está por trás do que aconteceu e cobrar o Preço do Sangue, pois quem matou o príncipe deve morrer. Mas sem saber em quem pode confiar, Jared se vê numa investigação envolvendo intrigas políticas e o próprio caos que se instalou no principado, que pode colocar a vida de seus amigos, de seus familiares e a vida dele próprio em risco.

Narrada em terceira pessoa, a história começa num ritmo lento, instável e bastante introdutório, apresentando personagens e suas inúmeras funções. Chega a ser um pouco cansativo pois a impressão é de que nada importante acontece. Mas não se deixem vencer pelo cansaço, vale a pena insistir. Acredito que esse primeiro volume tenha sido fundamental para a construção de mundo, então explicar seu funcionamento e dar detalhes para que o leitor se familiarize com a história é importante.
A escrita do autor é ótima e bastante envolvente, mas neste livro em particular, talvez pelo tipo de história, é perceptível um amadurecimento maior, uma linguagem mais formal, como se o público ao qual se destina não fosse exclusivamente juvenil. Apesar do cenário medieval e pela capa, não há elementos na história que possam sugerir que se trata de uma fantasia. Não há magia, não há criaturas fantásticas ou místicas além dos falcões que levam mensagens.
Não se enganem pelo título. O Preço do Sangue não se trata de uma história com guerras e batalhas épicas e sangrentas, pelo menos não nesse volume. A comparação feita com Game of Thrones faz sentido apenas no que diz respeito a intrincada trama que se foca nas intrigas políticas e em Jared tentando desvendar o mistério do assassinato do irmão que é mais complexo do que se pode imaginar enquanto está cercado por aqueles que são aliados e outros que são os assassinos, só não se sabe quem é realmente quem diz ser. Isso é um ponto super favorável para a trama em si, pois o mistério convida o leitor a tentar desvendar o crime junto com Jared, mas são várias reviravoltas que mudam o cenário e mesmo que o leitor tenha suas suspeitas sobre quem é o culpado, o final vem para mostrar que o autor é genial e que não podemos afirmar coisa alguma.

Apesar de alguns personagens carregarem alguns estereótipos, principalmente pela época, eles são carismáticos e bem construídos, até mesmo os mais suspeitos e tortuosos, cada um com características distintas que os tornaram únicos. A história inclusive me lembrou jogos de RPG onde cada personagem tem um "job" específico, pra mostrar que cada um tem funções próprias e que aquele tipo de sociedade se desenvolve respeitando isso. Há caçadores, apicultores, médicos, poetas e etc..
Jared não foi meu personagem preferido, mas gostei de acompanhar sua tragetória ao tentar ser um bom príncipe. Ele não é perfeito, comete erros mas é determinado no que faz. Ele foi praticamente forçado a governar sem o menor preparo e sua inexperiência leva as pessoas a acreditarem que ele não conseguirá ser bem sucedido, mas ele não é ingênuo, tanto que com os acontecimentos ele não confia em qualquer um e desconfia daqueles que sempre estiveram ao seu lado.

O livro é dividido em sete partes, do primeiro ao sexto dia, e sete dias depois. São quarenta e um capítulos relativamente curtos e bem divididos, então mesmo que o começo seja bem arrastado devido aos vários detalhes e explicações, a leitura não se torna tão cansativa quanto parece e a medida que avança prende a atenção sendo impossível largar. No final podemos dar uma conferida nas árvores genealógicas de alguns personagens e outras informações bacanas sobre a história, mas senti falta do mapa de Archenfield para me situar melhor no lugar.
O final deixa uma abertura para a continuação nos matando de curiosidade, então resta aguardar o lançamento de "A Conspiracy of Princes".
Pra quem procura por uma história bem construída, com mistério, intrigas políticas e até mesmo uma leve promessa de um provável romance, vai gostar. Apesar de ter achado a história mais longa do que deveria, mergulhar num ambiente medieval muito bem descrito com personagens admiráveis fez a leitura valer a pena.


Um Chapéu Cheio de Céu - Terry Pratchett

27 de junho de 2016

Título: Um Chapéu Cheio de Céu - Tiffany Dolorida #2
Autor: Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Fantasia/Infantojuvenil
Ano: 2016
Páginas: 336
Nota: ★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Tiffany Dolorida, alguns anos após suas aventuras no tenebroso Reino das Fadas, deverá colocar seus talentos em bruxaria novamente à prova ao embarcar em mais uma aventura: deixar sua casa e suas terras para trás e se tornar aprendiz de uma bruxa de verdade. Mas o que ela não sabe é que uma criatura incorpórea e sagaz está lhe perseguindo, um ser ancião e incompreensível do qual nem mesmo a Madame Cera do Tempo (a maior bruxa do mundo) poderá protegê-la. Dessa vez, serão úteis as habilidades de roubos, briga e bebedeira dos Nac Mac Feegle, os Pequenos Homens Livres, ou deverá Tiffany depender única e tão somente de si?

Resenha: Um Chapéu Cheio de Céu é o segundo volume da série Tiffany Dolorida, escrita pelo autor Terry Pratchett e publicado no Brasil pela Bertrand.
Tiffany Dolorida é uma bruxinha de apenas onze anos, mas ser criança não impediu que ela enfrentasse a Rainha das Fadas de tomar o Giz. Com a ajuda dos Nac Mac Feegles e seguindo os passos de sua avó, Madame Cera do Tempo, ela conseguiu provar que o talento mais importante que uma bruxa deve ter é a inteligência, o bom senso e, claro, os olhos bem abertos. Por isso, depois de ter vivido uma grande aventura quando tinha apenas nove anos, Tiffany agora irá usar esse talento para se tornar uma aprendiz de bruxa, mas pra isso teria que deixar sua casa, o Giz. Então ela parte pra uma terra distante e sólida e a Srta. Plana fica responsável por ensinar tudo o que ela precisa saber. Mas, Tiffany tem grande potencial e isso acabou colocando a garotinha em perigo. Uma criatura sem corpo com a capacidade de consumir almas e tomar mentes começou a perseguí-la.

O bom humor da narrativa continua presente, assim como as críticas e as sátiras sobre a sociedade e o comportamento humano num geral, e neste volume está ainda melhor. Os Nac Mac Feegles continuam brigões e bebendo como se não houvesse amanhã, e mesmo que Tiffany seja a protagonista eles ganham muito destaque tornam a aventura muito mais dinâmica e engraçada. Eles são extremanente leais a Tiffany e respeitam a linhagem de bruxas de onde ela veio. A protegem com unhas e dentes mesmo que tenham apenas 15cm!
Neste volume senti uma fluidez maior na escrita e a trama se tornou ainda mais envolvente, cheia de reviravoltas e maiores aprofundamentos sobre as personagens. Os elementos parecem ter sido melhores utilizados e isso ajudou no desenvolvimento da trama. Se Tiffany já demonstrou grande sabedoria no livro anterior, nesse ela conquista por estar mais madura e com a percepção muito mais aguçada.
"Os Nac Mac Feggle do Giz odiavam a escrita por vários motivos diferentes, mas o maior deles era esse: a escrita permanece. Fixa as palavras. Se um homem disser o que pensa, algum pequeno biltre desagradável pode anotar tudo e sabe-se lá o que vai fazer com as palavras! É como pregar a sombra de um homem na parede!"
- Pág. 32
Embora divertido e muito engraçado, o livro tem uma lição de moral muito boa e traz reflexões bem filosóficas acerca dos nossos valores mais dignos e importantes, fala sobre lidar com nossos maiores medos e enfrentar o que desconhecemos e, até mesmo, sobre não julgar os outros pela aparência, e assim como no primeiro livro, a mensagem é passada de forma natural, sem impor opiniões forçadas e sem subestimar a inteligência dos leitores, principalmente as crianças. O autor mais uma vez criou uma história divertida com personagens peculiares que vão conquistar leitores de todas as idades.
Pra quem procura por uma aventura empolgante, inspiradora, cheia de diálogos inteligentes e que se passa num mundo fantástico e construído de forma grandiosa, vai aproveitar imensamente a leitura!

Os Pequenos Homens Livres - Terry Pratchett

26 de junho de 2016

Título: Os Pequenos Homens Livres - Tiffany Dolorida #1
Autor: Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Fantasia/Infantojuvenil
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota: ★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Um perigo oculto, saído de pesadelos, vem trazendo uma ameaça diretamente do outro lado da realidade. Armada com tão somente uma frigideira e seu bom senso, a pequena futura bruxa Tiffany Dolorida deve defender seu lar contra fadas brutais, cavaleiros sem cabeça, cães sobrenaturais e a própria Rainha das Fadas, monarca absoluta de um mundo em que realidade e pesadelo se entrelaçam. Felizmente, ela contará com uma ajuda inesperada: os Nac Mac Feegle da região, também conhecidos como os Pequenos Homens Livres, um clã de homenzinhos azuis ferozes, ladrões de ovelhas, portadores de espadas e donos de uma altura de mais ou menos quinze centímetros. Conseguirão eles salvar as terras quentes e verdejantes de Tiffany?

Resenha: Os Pequenos Homens Livres é o primeiro volume de Tiffany Dolorida, "subsérie" (ou seria um spin-off?) composta por cinco livros do universo Discworld (com 40 volumes ao todo) do escritor inglês Terry Pratchett e publicada no Brasil pela Bertrand. Os livros são independentes e mesmo que este seja o 30º na posição da série geral, os volumes anteriores não precisam ser lidos para entendermos o que se passa.

Miss Perspicácia Tick começa a sentir algo no ar... seus cotovelos não mentem e segundo seu cotovelo esquerdo, havia uma bruxa a quem ela precisava encontrar... Mas ao saber que o sinal que recebeu vinha do Giz, ela fica extremamente desgostosa, afinal, o Giz é frágil e macio demais, as bruxas precisam se formar num lugar sólido e resistente como uma rocha e o Giz não é um lugar adequado.
Tiffany Dolorida ainda não sabe, mas ela é uma bruxa! Ela é uma garotinha de nove anos nascida no Giz, uma terra onde cria-se ovelhas e vive-se de queijo, e anda meio impaciente desde que seu irmão nasceu e ganhou toda a atenção que antes era só dela. Mesmo "não gostando" muito do irmão, quando a Rainha das fadas o sequestra, Tiffany não vê outra forma de resolver o problema a não ser pegando sua frigideira e se unindo aos Nac Mac Feegles e a Miss Tick para partir numa viagem a fim de resgatá-lo.

A narrativa é feita em terceira pessoa e é recheada de frases inteligentes, cheia de momentos de reflexão que são apresentados com bastante sutileza em meio a situações inusitadas e inúmeras metáforas e analogias cômicas onde os valores morais são encaixados nas entrelinhas de forma genial e muito divertida. A escrita é fluída e as palavras parecem ter sido cuidadosamente escolhidas para que o entendimento seja fácil independente do público sem que tenha aquele teor didático.
Depois de fazer algumas pesquisas sobre a série soube que Vovó Cera do Tempo faz só uma "participação especial" neste volume, mas que ela já foi apresentada e bem explorada em livros anteriores do universo Discworld... Nem preciso dizer que fiquei super curiosa para ler os outros, principalmente porque este é um dos mais infantis.
Pratchett satiriza os universos criados por outros escritores, como Tolkien e Lewis, sem inferiorizar suas obras, mas a sátira maior fica sobre os maus hábitos e a hipocrisia da sociedade em geral. O autor também desconstrói e inverte diversos clichês e estereótipos da literatura de forma surpreendente e muito original, como por exemplo, a própria Tiffany. Ela é uma garotinha intuitiva, astuta e muito inteligente, que lê de dicionários a contos de fadas mas não quer ser princesa quando crescer, quer ser bruxa! Ela não concorda com o conceito de que bruxas são más, afinal, onde estão as evidências? E ela treina pra isso e tem ajuda das pessoas e das criaturas certas.
Os Nac Mac Feegles, ou os pequenos homens livres, são criaturinhas de 15cm de altura, muito fortes e valentes que vivem pra roubar, beber e brigar, e, se possível, beber e brigar ao mesmo tempo. Eles não tem medo de nada - mas não são muito fãs de advogados, tanto que suas espadas ficam azuis quando um deles se aproxima como forma de alerta - e são impagáveis, de tão engraçados.

A história em si é intrigante, muito rica em detalhes e bastante hilária, mesmo que apresente alguns elementos sombrios e até tristes. Nem tudo são flores e vemos que, embora sempre haja esperança, a morte faz parte do ciclo da vida e confrontar a verdade e a realidade dura também.
Um dos pontos mais positivos é que por mais que o livro seja voltado para a fantasia e fale de bruxas e a força que possuem, a história não foca em magia ou feitiços, mas sim evidencia de alguma forma o empoderamento feminino sem imposições, mostrando que as mulheres são inteligentes, independentes e boas no que escolheram fazer sem necessidade do uso de artifícios mágicos para chegarem lá.
A construção de mundo também é super criativa e bem feita e podemos acompanhar sonhos e pesadelos se interligando com a realidade ao mesmo tempo em que a narrativa se adapta com facilidade às mudanças de cenário.

Em suma, Os Pequenos Homens Livres é uma leitura obrigatória para fãs de fantasia e aventura

Anna Vestida de Sangue - Kendare Blake

25 de junho de 2016

Título: Anna Vestida de Sangue - Anna #1
Autora: Kendare Blake
Editora: Verus
Gênero: Fantasia/Sobrenatural/YA
Ano: 2016
Páginas: 252
Nota: ★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Cas Lowood herdou uma vocação incomum: ele caça e mata os mortos. Seu pai fazia o mesmo antes dele, até ser barbaramente assassinado por um dos fantasmas que perseguia. Agora, armado com o misterioso punhal de seu pai, Cas viaja pelo país com sua mãe bruxa e seu gato farejador de espíritos. Juntos eles vão atrás de lendas e folclores locais, tentando rastrear os sanguinários fantasmas e afastar distrações, como amigos e o futuro.
Quando eles chegam a uma nova cidade em busca do fantasma que os habitantes locais chamam de Anna Vestida de Sangue, Cas espera o de sempre: perseguir, caçar, matar. Mas o que ele encontra é uma garota envolta em maldições e fúria, um espírito fascinante, como ele nunca viu. Ela ainda usa o vestido com que estava no dia em que foi brutalmente assassinada, em 1958: branco, manchado de vermelho e pingando sangue. Desde então, Anna matou todas as pessoas que ousaram entrar na casa vitoriana que ela habita. Mas, por alguma razão, ela poupou a vida de Cas.
Agora ele precisa desvendar diversos mistérios, entre eles: Por que Anna é tão diferente de todos os outros fantasmas que Cas já perseguiu? E o que o faz arriscar a própria vida para tentar falar com ela novamente?

Resenha: Anna Vestida de Sangue é o primeiro volume de Anna, escrita pela autora coreana Kendare Blake e publicado no Brasil pela Verus.

Cas Lowood tem uma vida um tanto incomum. Ele é um garoto de dezessete anos que, munido de um athame (um punhal poderoso que pertencia ao pai), viaja com sua mãe bruxa e com Tybalt, seu gato que vê espíritos, pelo país a procura de lendas e fantasmas que atormentam as pessoas. A estadia deles nas cidades por onde passam são curtas, Cas sempre muda de escola e nunca fica tempo o bastante para fazer amizades. Ele herdou do pai, que morreu atacado por um fantasma, o dom de caçar mortos a fim "matá-los" e de mandá-los para o lugar que deveriam ter ido quando morreram. Cas ainda pretende vingar a morte do pai, mas enquanto o momento não chega, ele continua com seu trabalho por onde passa.
A próxima parada foi em Thunder Bay, uma cidadezinha em Ontário cujos habitantes temem o fantasma de uma garota que é conhecida como Anna Vestida de Sangue. Ela morreu há mais de sessenta anos, aos dezesseis anos usando um vestido de baile, e sua morte é um verdadeiro mistério, e a única coisa que sabem é que ela habita e assombra uma casa vitoriana e todos que ousaram entrar lá foram mortos de forma brutal.
Cas não se surpreende de imediato... Pra ele, Anna era só mais um fantasma qualquer que deveria ser perseguido e morto como todos os outros que ele já caçou, mas ao se deparar com ela, percebe que as coisas não são nada como ele pensou... Ao ficar frente a frente com Anna, Cas, inexplicavelmente, é poupado. Por trás de toda fúria que há em Ana, há muitos mistérios que precisam ser revelados para que Cas descubra por que ela é diferente de todos os fantasmas que ele já perseguiu e, assim, poder ajudá-la de alguma forma.

Fugindo de narrativas femininas e tradicionais para livros YA, a história é contada através do ponto de vista de Cas. A autora não perde muito tempo dando explicações enormes ou muitos detalhes mostrando como tal personagem chegou onde está e o motivo, indo direto ao ponto, sem floreios e sem necessidade do leitor ficar imaginando ou supondo coisas que não existem. Ela conta muita coisa usando poucas palavras, o que facilita e torna a leitura ágil, mas talvez por isso algumas coisas tenham ficado desinteressantes (o que me fez demorar muito pra finalizar a leitura), outras sem explicações, ou as poucas que tiveram não foram suficientes pra me convencer. A primeira delas é sobre o próprio Cas, que nunca teve amigos por viver se mudando de cidade, mas, convenientemente, ao chegar em Thunder Bay ele forma um grupinho habilidoso com colegas do colégio, todos estereotipados e do tipo "unidos venceremos" que o ajuda a enfrentar o pior e mais sanguinário fantasma que ele iria enfrentar na vida.
A primeira impressão que Cas passa é de um garoto super badass considerando o tipo de trabalho que ele faz, mas com o desenrolar da história ele se revela alguém que não está com essa bola toda.
Juro que não entendi como a mãe de Cas parecia não se importar e achar super normal o filho sair por aí correndo perigo e enfrentando mortos sendo que seu marido morreu nas mãos de um. Talvez haja uma explicação plausível pra esse comportamento no próximo volume, mas até então achei essa mãe um tanto despreocupada com a segurança do filho.

O que torna a leitura mais interessante e faz valer a pena é o fantasma de Anna, cujas descrições e cenas em que aparece são até bem assustadoras, sombrias e cheias de sangue. Quando sua história é revelada a vontade é de chorar, pois é terrível e de cortar o coração, mas ainda fiquei esperando o motivo de ela não ter estraçalhado Cas como fez com todos os outros que invadiram sua casa já que, embora ele seja o único com a habilidade de matar gente morta, nada foi explicado sobre o motivo dele ser tão especial e senti falta de mais informações sobre sua linhagem de caçadores de fantasmas para que as coisas fizessem mais sentido.
Outro ponto bacana da história é sobre a mitologia no que diz respeito aos fantasmas. Eles, na maioria das vezes, permanecem onde morreram por terem sido vítimas de um crime violento e agora buscam por vingança, às vezes nem sabem que morreram, ou às vezes passaram por coisa pior... O motivo de eles assombrarem os lugares e fazer o que fazem está ligado a fatores que convencem, assim como alguns deles apresentarem "solidez" a ponto de poderem ser tocados... Isso tornou a leitura atraente, instigante e até original, mesclando fantasia com elementos de terror, além de fugir dos clichês que caracterizam fantasmas como seres etéreos e flutuantes.

Há romance, sim, mas não senti química e considerei que o forte e inexplicável vínculo que se baseou em compaixão e respeito é algo que os personagens estavam, de fato, destinados a viverem em algum momento (seja em vida ou na morte), mas eu só espero que no final das contas a coisa toda não se torne conveniente e absurda como aconteceu no final de "A Mediadora" e todos, literalmente, vivam felizes para sempre.

Sobre o projeto gráfico, é claro que a capa é linda! É sombria e representa perfeitamente o fantasma de Anna com o cabelo esvoaçante num ambiente lúgubre e o vestido branco pingando sangue. As páginas são amarelas os capítulos são numerados com pequenos ornamentos e a diagramação é simples.

No mais, Anna Vestida de Sangue é um romance jovem adulto imprevisível e que surpreende à sua maneira, com pegadas sobrenaturais e toques de mistério, com bom ritmo e que vai causar alguns arrepios nos leitores.
Apesar do que apontei como pontos falhos no enredo, foi uma leitura bem proveitosa, e resta agora aguardar a continuação, "Girl of Nightmares".

Frankenstein - Mary Shelley

24 de junho de 2016

Título: Frankenstein ou o Prometeu moderno
Autora: Mary Shelley
Editora: Penguin/Companhia das Letras
Gênero: Clássico
Ano: 2015
Páginas: 424
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: O arrepiante romance gótico de Mary Shelley foi concebido quando a autora tinha apenas dezoito anos. A história, que se tornaria a mais célebre ficção de horror, continua sendo uma incursão devastadora pelos limites da invenção humana. Obcecado pela criação da vida, Victor Frankenstein saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser. Mas, quando ganha vida, a estranha criatura é rejeitada por Frankenstein e lança-se com afinco à destruição de seu criador. Este volume inclui todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. Há ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori.
Resenha: A Editora Companhia das Letras, através do selo Penguin, trouxe aos leitores uma edição inesperada de um clássico da Literatura Inglesa. Com uma introdução de quase 60 páginas, conhecemos um pouco mais da jovem autora, sua vida, motivação e inspiração para escrever sobre essa história que se tornou um ícone mundial.
Mary Shelley escreveu a obra enquanto viva com seu marido nos Alpes franceses e sofreu as consequências de ver seu personagem se tornar mais famoso que ela própria ainda que, pela época, a obra tenha recebido diversas e pesadas críticas, principalmente por Mary ser uma escritora mulher.
Temos aqui uma rica história atemporal que relata a vida de Victor Frankenstein, filho de um abastado homem que dedicou a vida às questões nacionais e de Caroline Beaufort, filha de um amigo íntimo de seu pai e mercador que caiu em pobreza extrema.

Proveniente de uma família completamente feliz, Victor era extremamente inteligente e um apaixonado pelas ciências naturais, metafísica e pelos mistérios do céu de da terra. Depois de muito tempo dedicado aos estudos e pesquisas, inclusive no que tange à busca pela pedra filosofal e o elixir da vida, Victor obstinou-se a tentar banir a doença do corpo humano e tornar o homem um ser invulnerável a todo mal que não fosse a morte violenta.

Esse desejo se tornou uma obsessão ainda maior após a morte de sua mãe e sua ida à faculdade. Depois de muito estudo e completo afastamento de casa, Victor se dedicou à fisiologia e ao estudo da deterioração do corpo humano, passando dias em câmaras mortuárias e necrotérios. Até que ele logrou êxito em descobrir a causa da geração da vida, tornando-se capaz de reanimar matéria morta.
"Quem poderá conceber os horrores de minha labuta secreta, a resolver o pântano profanado das sepulturas ou torturar um animal vivo pela possibilidade de reanimar o barro sem vida? (...) Coletava ossos de casas mortuárias e, com dedos profanos, perturbava os mistérios mais assombrosos do corpo humano. Numa sala solitária, ou melhor, numa cela, no sótão da casa, isolado de todos os outros aposentos por um corredor e uma escada, mantinha minha oficina de criações imundas." 
- Pág. 127
Após dois anos de tanto empenho e isolamento, Victor obteve sucesso e a criatura estava pronta para receber a fagulha de existência. Contudo, agora que sua criatura existia e estava viva, o horror e a repulsa o dominaram, sem conseguir suportar a aparência do que criara, Victor correu para muito longe, assustado com a aberração a que fora capaz de conceber, e à partir daí começa a coletar as consequências de brincar de Deus.

Mary Shelley foi minha introdução nos Clássicos da Literatura Estrangeira. Escolhi Frankenstein para começar a sair um pouco da zona de conforto e por achar ser um clássico com um quê de ficção científica. Para minha surpresa o livro se mostrou muito mais profundo e filosófico que isso.

A narrativa é fluída, ainda que com uma linguagem não coloquial e com grandes expressões que transmitem o mesmo significado que apenas uma palavra cumpriria bem o papel. Confesso que foi uma leitura extremamente difícil e demorada uma vez que exigiu uma atenção absurda. As pausas são necessárias, assim como leituras paralelas.

O início é excessivamente lento, mais arrastado, ainda por conta de relatos epistolares do Capitão do navio que resgatou Victor e que resolveu ouvir e contar suas mais terríveis confissões. Por essa razão, o livro é narrado em primeira pessoa tanto na visão do criador quanto na visão da criatura (que achei um tanto quanto prolixa e repetitiva).

A autora trouxe lá em 1800 uma de muitas reflexões válidas até os tempos de hoje, sobre ética e moralidade e em como é tênue a linha que as separa. O conhecimento e o avanço tecnológico, ao mesmo tempo que é ansiado, é temido, queremos ultrapassar e vencer a morte, mas não sabemos lidar com o desconhecido. Frankenstein fala sobre a natureza humana da forma mais intrínseca possível e em como as relações humanas influenciam em nossas atitudes e em nossos destinos.

Frankenstein é uma excelente leitura, contudo, nossas experiências cinematográficas tiram um pouco da graça e genialidade eis que temos na história escrita um jogo inteligentíssimo de narrativa de forma a mexer com nosso psicológico. Ora achamos que a criatura é essencialmente má, ora percebemos e nos questionamos se não foi a convivência humana e na sociedade que o transformou no verdadeiro monstro, e a mesma coisa acontece com Victor. No fundo percebemos que todas as pessoas não são totalmente boas nem más.

O final que Mary Shelley deu a ambos os protagonistas é bastante interessante e comovente, mas previsível, não fiquei surpresa com o final que teve aquele que desejou brincar de Deus e mas sim o da criatura diante do que se tornou e perante seu Criador.

É uma leitura que recomendo para ser feita em doses homeopáticas, mas que com certeza irá lhes marcar profundamente.

Novidades de Junho - Paralela

23 de junho de 2016

21 Dias - Sara Gottfried
Quando se trata de emagrecimento, a maioria das pessoas não pensa em hormônios. Mas o que poucos sabem é que sete deles - cortisol, testosterona, hormônios da tireoide e do crescimento, leptina, insulina e estrogênio - podem afetar negativamente o metabolismo, diminuindo a capacidade de digerir e absorver corretamente a comida e resultando em ganho de peso e cansaço constante. E não para por aí: esses hormônios são responsáveis por regular a perda de peso, o que também explica o motivo de as dietas comuns não funcionarem.
Ao longo dos últimos vinte anos, a dra. Sara Gottfried tem ajudado milhares de mulheres a desvendarem as causas hormonais de seus problemas de saúde. Neste livro, ela apresenta um programa de sete etapas, cada uma com duração de três dias, para que mulheres de diferentes tamanhos, etnias e idades restaurem seu metabolismo com alterações alimentares específicas para cada tipo de problema. Gottfried explora ainda os motivos emocionais que podem causar compulsão por comida e maus hábitos alimentares.
Com 21 dias: Perca peso e melhore o seu metabolismo em 3 semanas, você irá reequilibrar seus hormônios e sua saúde, além de redescobrir seu corpo.

A Arte de Correr na Chuva - Garth Stein
Enzo sabe que é um cachorro diferente. Quase humano, passa horas filosofando e é obcecado com televisão: aprende tudo por lá. Além disso, presta muita atenção nas palavras de seu mestre, Denny Swift, um piloto de corridas.
Enzo aprendeu muito sobre o que significa ser um humano com Denny. A vida, assim como a corrida, não é apenas sobre a chegada. As técnicas para a pista podem ser aplicadas a todas as etapas da vida.
Agora, prestes a morrer, Enzo reflete sobre tudo pelo qual já passou com sua família humana. Os sacrifícios que Denny fez para ser bem-sucedido, mesmo após a morte de sua esposa, Eve; assim como as dificuldades em ser pai de Zoë. Apesar de estar ciente de suas limitações, Enzo ainda consegue ser o herói da família Swift.
Uma história comovente sobre lealdade, esperança, família e amor.
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Novidades de Junho - Suma de Letras

Gigantes Adormecidos - Themis Files #1 - Sylvain Neuvel
Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro. Dezessete anos depois, Rose é ph.D em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada. Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana. Mas, uma vez montado o quebra-cabeças, ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa? Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.

PC Siqueira Está Morto - Alexandre Matias
O paulistano Paulo Cezar Siqueira se tornou um dos primeiros youtubers do Brasil no começo dos anos 2000, uma época em que quase ninguém ligava uma câmera para dizer o que pensava e depois jogar o vídeo na internet. Hoje surgem novos influenciadores digitais (como eles são chamados) a cada dia, mas PC continua tendo lugar de destaque. Ele é a voz crítica dos seus pares, que conhece o poder e também a responsabilidade de ter milhões de seguidores.
Escrito pelo jornalista Alexandre Matias, PC Siqueira está morto é uma viagem pela cabeça única do youtuber e, como ele, está mais preocupado em provocar do que em apresentar respostas. Oscilando entre a ficção e o real, o livro reúne transcrições de arquivos digitais e analógicos que podem (ou não) ter pertencido ao ex-VJ da MTV. Nesses fragmentos, PC vive outras existências, revela episódios do seu passado, expõe seus medos e taras e brinca com os mitos que sempre cercaram sua personalidade polêmica.
Mais do que um retrato de um personagem fascinante, é um flagrante dos nossos tempos onde as fronteiras entre fama, realidade e internet se confundiram de vez. PC é ao mesmo tempo testemunha e protagonista dessa história. 

Novidades de Junho - Bertrand

Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo -  Heart of Dread #1 - Melissa de la Cruz
Bem-vindo a Nova Vegas, uma cidade antes repleta de brilho, agora coberta de gelo. Com grande parte do planeta agora destruído, o lugar só conhece uma temperatura: a congelante. Lá encontramos Natasha Kestal, uma jovem crupiê à procura de uma saída. Como muitos, ela ouviu falar de um lugar mítico simplesmente chamado de Azul, um paraíso onde o sol ainda brilha e as águas são azul turquesa — e um lugar onde Nat e seus semelhantes não serão perseguidos, mesmo que seu segredo mais obscuro venha à tona. Mas o caminho para o Azul é traiçoeiro, senão impossível de atravessar, e sua única chance é apostar em um grupo de mercenários liderados pelo arrogante Ryan Wesson para conduzi-la a seu destino. Ciladas e perigos os aguardam em cada esquina, à medida que Nat e Wes se veem inexoravelmente atraídos um pelo outro. Mas seria possível o amor verdadeiro sobreviver a mentiras? Corações em chamas colidem nesta trama sobre a maldade do homem e o incrível poder que existe dentro de cada um de nós.

Noturnos - John Connolly
Crianças acreditam que monstros são reais. Adultos tentam convencê-las do contrário — ou de que, no final, eles sempre serão derrotas. Nesta que é sua primeira coletânea de contos, John Connolly escreve sobre os mundos infantil e adulto em confronto em dezesseis histórias absolutamente assombrosas, com ecos de alguns dos mestres do horror — M.R. James, Ray Bradbury, Stephen King —, mas sem abrir mão da voz única e inconfundível que o consagrou em O Livro das Coisas Perdidas. Amores perdidos, crianças desaparecidas, demônios predatórios e fantasmas vingativos são apenas alguns dos ingredientes que compõem esta imperdível antologia.


Socorro, meu vídeo bombou na Internet! - Marni Bates
Mackenzie Wellesley é o tipo de aluna em que as pessoas só reparam quando precisam de ajuda com o dever de casa. Isso é, até que ela sem querer manda um jogador do time da escola escada abaixo com um golpe acidental de sua mochila e faz uma desastrosa tentativa de reanimação por massagem cardíaca. Antes do fim do dia, todo o fiasco vai parar no YouTube. E quando Mackenzie se dá conta das dimensões do acontecido, já é tarde demais: o vídeo do incidente se tornou uma sensação na rede, com mais de 4 milhões de visualizações. Agora, levada por um redemoinho de astros do rock, paparazzi e roupas de grife grátis, Mackenzie precisa descobrir um jeito de conciliar esse caos à sua vida de garota normal. E quando começa a receber até mesmo olhares do cara mais popular do colégio, ela percebe que essa fama pode ser bem interessante.

Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello - Chris Grabenstein
Conheça a biblioteca mais divertida do mundo! Kyle é fanático por todos os tipos de jogos — de tabuleiro, palavras-cruzadas e principalmente videogames. Seu ídolo, Luigi Lemoncello, o mais famoso, excêntrico e criativo criador de jogos, também é o responsável pelo projeto da nova biblioteca da cidade. E o melhor: O próprio Sr. Lemoncello estará presente na especial e exclusiva noite de inauguração. Com algum esforço e um pouco de sorte, Kyle consegue ser uma das doze crianças convidadas a passar a noite na biblioteca repleta de jogos. Quando amanhece, no entanto, todas as portas estão trancadas! Agora Kyle e as outras crianças terão que solucionar cada pista e decifrar cada charada para encontrar a saída! Será que você consegue descobrir como escapar da biblioteca?

O Tesouro dos Deuses - Mission Survival #1 - Bear Grylls
Primeiro volume da nova série juvenil do especialista em sobrevivência que é fenômeno da TV! Acompanhado de dois amigos, Beck Granger se vê forçado a desbravar, sem comida, bússola ou esperança de resgate, a selva colombiana onde panteras caçam suas presas na escuridão da noite, anacondas engolem cervos inteiros e sapos armazenam veneno suficiente para matar dez adultos. Mas Beck não é um adolescente comum — ele é o mais jovem especialista em sobrevivência do mundo. Se há alguém capaz de sair dessa com vida, é ele. Acompanhe Beck e seus amigos em suas aventuras por um dos lugares mais inóspitos do planeta, encarando perigos desconhecidos em sua busca frenética por uma cidade há muito perdida e descubra se você seria capaz de sobreviver!

Os Vivos e Os Mortos - Os Últimos Sobreviventes #2 - Susan Beth Pfeffer
Um meteoro em rota de colisão com a Lua: um evento astronômico previsto com antecedência pelos cientistas. Só que para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e a Lua sai de órbita, aproximando-se da Terra e alterando de modo catastrófico o clima do planeta. À medida que Nova York é devastada e tanto comida quanto ajuda tornam-se escassas, o adolescente porto-riquenho Alex Morales luta para manter suas irmãs, Bri e Julie, de 14 e 12 anos, a salvo. Com os pais desaparecidos, cabe a ele assumir responsabilidades inimagináveis e dar o seu melhor para sobreviver enquanto reza para que o restante de sua família volte com vida para casa. 


A Fome - Martín Caparrós
A Fome é um livro construído a partir de histórias de pessoas que trabalham em condições bastante precárias para mitigá-la, daqueles que usam o alimento como meio de especulação financeira provocando fome em muita gente. Para entendê-la e narrá-la, Martín Caparrós viajou pela Índia, Bangladesh, Níger, Quênia, Sudão, Madagascar, Argentina, Estados Unidos e Espanha. Nestes países, encontrou pessoas que, por diferentes motivos — secas, miséria, guerras, marginalização —, passam fome. A Fome tenta, sobretudo, destrinchar os mecanismos que fazem com que quase um bilhão de pessoas não comam o que precisam. Incômodo e apaixonado, é uma crônica que faz pensar, um ensaio que relata e um panfleto que denuncia a pressão de uma vergonha incessante.

A Sociedade Santa Zita - Ruth Rendell
Vistas de fora, as vidas dos moradores e empregados domésticos de Hexam Place parecem plácidas e ordeiras. Mas debaixo dessa camada superficial de tranquilidade, as relações de trabalho estão prestes a entrar em combustão. Henry, o belo criado de lorde Studley, está dormindo tanto com a mulher quanto com a filha universitária do patrão. Em troca de gorjetas, Montserrat, a preguiçosa au pair da família Still, ajuda a dona da casa a manter em segredo um caso com um ator de televisão. June, a esnobe empregada doméstica de uma princesa de origem duvidosa, tenta convencer outros trabalhadores domésticos a participarem de uma “sociedade” para tratar de reclamações sobre seus empregadores. Enquanto isso, Dex, o perturbado jardineiro, que presta serviços a várias famílias da rua, acredita que uma voz em seu telefone celular está lhe dando instruções divinas, comandos que podem colocar em perigo as vidas de todos em Hexam Place.

Felicidade Incurável - Fabrício Carpinejar
A “Felicidade Incurável” é aquela que nunca está reunida em um único lugar; é aquela que nem a tristeza consegue levar. A felicidade incurável contraria diagnósticos e medos, supera fobias e traumas e não se diminui perante o pessimismo dos outros. A felicidade incurável é aquela que não adoece. Com uma passionalidade reflexiva e racional, o autor, notável por sua prosa absolutamente passional e sincera, protege seu ímpeto sem perder a responsabilidade. Um atlas do que Carpinejar acredita ser um relacionamento, Felicidade Incurável trata de mudança de mentalidade amorosa e da família, diferentes fins de casamento, amizades em tempos eletrônicos, divertidas implicâncias de casal, debate sobre o que é alegria e liberdade e sugere: seja feliz por uma questão de justiça pessoal.
Não recomendado para menores de 16 anos.


Novidades de Junho - Novo Conceito

22 de junho de 2016

Um Novo Mundo: Gagui joined the game - Bibi Tatto
O tempo está correndo e Bibi precisa alcançar logo seu irmão, Gagui, senão...
Você conhece o mundo do Minecraft? Então certamente sabe quem é a Bianca Tatto, ou melhor, Bibi! Ela tem hoje um dos canais mais importantes no Youtube sobre Minecraft, com dicas e experiências que divide com um grupo de mais de um milhão de inscritos que a segue e comenta tudo que posta. Também é considerada a garota gamer mais assistida entre os youtubers do Brasil, além de uma das maiores do mundo.
Neste livro, Bibi apresenta uma incrível competição entre o avatar dela e o do Gagui dentro de um novo mundo que ela criou no jogo. Enquanto isso, alterna a história com momentos divertidos de sua vida e confusões reais que se meteu durante seus dezesseis anos de idade.
Se você faz parte do público que curte Minecraft e procura por uma empolgante história, não pode deixar de saber quem sairá vencedor dessa perseguição!
Preparado para a aventura?

Sergio Moro: O Homem, o Juiz e o Brasil - Luiz Scarpino
Conheça a vida de Sérgio Moro, desde a infância em Maringá até a trajetória acadêmica, a participação nos programas promovidos pelos Estados Unidos sobre lavagem de dinheiro, as inspirações, além das amizades que construiu ao longo dos anos e como veio a se tornar juiz federal. Você perceberá que o juiz Sérgio Moro, durante sua carreira , conduziu outros grandes casos de combate a corrupção no Brasil, como o Escândalo do Banestado, o Farol da Colina e o Mensalão, antes mesmo de comandar a operação Lava Jato, o esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro que envolveu a Petrobrás e trouxe enormes perdas para o país. Nesse importante momento histórico, você notará que Sérgio Moro é hoje a figura mais representativa em um processo de evolução que virou sinônimo de esperança para o povo, além de se tornar um símbolo que abre a possibilidade de darmos um salto ético e crer que dias melhores estão por vir na nação brasileira.

Novidades de Junho - Intrínseca

21 de junho de 2016

Loney - Andrew Michael Hurley
Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.
À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem.
O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.
Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês. 

Lugar Nenhum - Neil Gaiman
Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta edição preferida do autor.
Em Lugar Nenhum, Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, em que personagens únicos e cenários mirabolantes fazem a Londres de Cima parecer uma mera paisagem cinza.
Com muita ação, um bom humor peculiar e evocações sombrias de um mundo fantástico, Lugar Nenhum é leitura indispensável para os fãs de Neil Gaiman e um rico prazer para os que ainda não conhecem o autor.

No Reino do Gelo - Hampton Sides
No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte.
George Washington De Long, jovem tenente da Marinha americana, ficou obcecado pelo Ártico após retornar de uma viagem de resgate na costa da Groenlândia. Inspirado pela teoria amplamente difundida (embora pouco fundamentada) de que haveria águas quentes e navegáveis no topo do planeta, permitindo talvez a existência de terras e até mesmo civilizações perdidas, De Long traça um plano minucioso para alcançar esse local desconhecido. No mesmo período, James Gordon Bennett Jr., o rico e excêntrico proprietário do New York Herald, em busca de uma história que gere comoção nos leitores, decide patrocinar a expedição de De Long. Com a ajuda financeira do magnata, o navegador encontra e reforma o navio perfeito para a aventura e tem acesso aos mais variados equipamentos, a cartas de navegação e a círculos políticos, conseguindo todo o apoio necessário para a jornada.
Em 8 de julho de 1879, De Long e uma tripulação de 32 homens zarpam de São Francisco no USS Jeannette com o ambicioso objetivo de alcançar o Ártico pelo estreito de Bering, em vez da até então conhecida rota ao longo da costa da Groenlândia. No entanto, apenas dois meses após a partida o Jeannette fica totalmente preso a uma enorme banquisa, e assim permanece por quase dois anos, flutuando ao sabor da maré em meio ao oceano congelado. Quando, na primavera de 1881, parece que o navio finalmente se libertará de sua prisão, um violento choque com um bloco de gelo força os homens a abandonarem a embarcação. Horas mais tarde, o Jeannette afunda, e sua tripulação se vê obrigada a vencer a pé e em pequenos botes os mil quilômetros de oceano congelado que a separam do norte da Sibéria e da frágil tentativa de sobrevivência.
Enfrentando os terríveis efeitos do frio e da neve, a fome, ferozes ursos polares e labirintos de gelo, a tripulação segue rumo a um destino incerto. Com reviravoltas impressionantes, No reino do gelo é uma fascinante história de heroísmo e determinação num dos locais mais implacáveis do planeta.

Welcome to Night Vale - Joseph Fink e Jeffrey Cranor
O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas dessa pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, virem de cabeça para baixo.
Como todos em Night Vale, a proprietária da loja de penhores, Jeckie Fierro, gosta de sua rotina. Por isso, quando um homem de paletó bege aparece na loja e interrompe a imutável rotina da jovem, ela fica sem chão. Ele lhe entrega um papel com duas palavras escritas à mão: KING CITY. Tudo naquele homem a deixa nervosa, especialmente o papel, do qual Jackie não consegue se livrar.
Diane Crayton tem um filho de quinze anos. Josh é um adolescente normal: de humor e forma inconstantes. Ele às vezes é humano, mas em certas ocasiões prefere parecer um abajur ou ter asas e tentáculos. Josh está cada vez mais curioso sobre o pai que nunca conheceu, o que deixa Diane transtornada, pois Troy, pai do menino, começa a aparecer em todos os lugares onde ela está (e com a mesma aparência de quando deixou a cidade e se mudou para King City, anos atrás). É um desastre iminente.
As duas mulheres vão se unir na busca por respostas, assombradas por aquelas palavras que parecem ser a solução de tudo: KING CITY, a chave para todos os segredos, que, tomara, trancará o passado e abrirá as portas do futuro. Isso se elas conseguirem achá-la.
Caros ouvintes, bem-vindos a Night Vale.

F de Falcão - Helen Macdonald
Aclamado best-seller do The New York Times, F de Falcão é uma autobiografia nada usual sobre superação e autodesenvolvimento. A autora, Helen Macdonald, conta sua história a partir do momento em que viaja até a Escócia para comprar um falcão. A depressão que lhe acometera após a morte do pai criara um abismo entre ela e as demais pessoas e nada mais fazia sentido em sua vida. Porém, ao praticar a falcoaria com Mabel, sua nova ave de rapina, e ler os diários de T. H. White, clássico autor da literatura inglesa, Helen começa a entender que o luto é um estado que não pode ser evitado, mas que pode ser superado — inclusive com a ajuda de um inusitado açor.
Muito mais do que explicar como domesticar ou caçar com falcões, a prosa magnética de F de falcão narra a angustiante história de uma mulher que se sente infeliz e sem rumo. Uma mulher que, na ânsia por superar a melancolia, encontra ao lado de um dos mais ferozes animais o caminho para expulsar os próprios demônios.

Gentil Como a Gente - Fernanda Gentil
Fernanda Gentil é repórter esportiva e uma das apresentadoras mais queridas da tevê. Conquistou milhares de fãs na cobertura da Copa do Mundo de 2014, da qual foi eleita musa. No vídeo, é uma profissional competente e divertida. De perto, é igualmente engraçada. Nas páginas de Gentil como a gente, transforma suas experiências pessoais num relato adorável.
A protagonista é a Mocinha. Não é que a Mocinha seja neurótica — ela apenas pensa em todas as possibilidades. O par romântico: o Momô. Não é que o Momô seja avoado — ele só é do tipo que vai jogar tênis e esquece a raquete. Tem também a Nala, que a Mocinha não gosta que chamem de cachorra. Tem o Lucas, o afilhado que é como um filho. E os 300, a gangue de amigos, quer dizer, o grupo de amigos. Essa turma, que no rolar dos capítulos vai ganhar mais um integrante, se esbarra em um apertamento, onde a sala é um pouco da cozinha e um tico da varanda.
Com leveza e humor, Fernanda Gentil conta uma história de amores vivida por uma família singular e ao mesmo tempo igual a todas as outras. Fernanda briga e, com a frequência de eclipses lunares, pede desculpas. Quando quer, sabe ser fofa. E mostra ser craque em entender as diferenças entre masculino e feminino. Ela mata no peito, sai de impedimento, bota para escanteio e bate um bolão. Porque o que Fernanda mais quer é fazer e ser feliz. Sem firulas. Gentil. Como a gente.

A Outra História - Tatiana de Rosnay
Ágil, repleto de camadas e belamente escrito, A outra história é uma reflexão sobre identidade, o processo de ser escritor e a glória e o preço da fama, um retrato de como as decisões de antigas gerações ecoam no presente e moldam o futuro.
Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo de família perturbador mantido a sete chaves por muitos anos. Perplexo, embarca para São Petersburgo em uma jornada em busca da verdade. Porém, as respostas não surgirão tão facilmente.
Os mistérios de sua origem familiar o levam a escrever seu primeiro romance, O envelope, e a assiná-lo como Nicolas Kolt. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um escritor vaidoso, com muitos fãs, um autor obcecado pela fama e pelas redes sociais a ponto de deixar de lado a família e os amigos.
Tanta aclamação, no entanto, tem seu preço, e todos perguntam sobre o novo livro. Mas Nicolas não é capaz de escrever sequer uma linha e não suporta mais mentir. Desejando se afastar de tudo para encontrar uma nova inspiração, ele viaja para a Itália com sua namorada Malvina e se hospeda em um luxuoso hotel na costa da Toscana. Durante o fim de semana em que espera paz e tranquilidade para compor a outra história, Nicolas Kolt se vê diante de perigos e segredos que podem colocar seu futuro em jogo.


Vivian Contra a América - Katie Coyle

20 de junho de 2016

Título: Vivian Contra a América - Vivian Apple #2
Autora: Katie Coyle
Editora: Agir Now
Gênero: YA/Distopia
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: O arrebatamento previsto pelo Pastor Frick e pela Igreja Americana passou, deixando três mil Crentes desaparecidos ou mortos. As revolucionarias Vivian e Harp são as únicas que realmente sabem o que há por trás dos desaparecimentos e estão determinadas a expor os diabólicos poderes de manipulação da Igreja. Por outro lado, eles também precisam encontrar o crush de Vivian, Peter Ivey, que desapareceu sem deixar pistas do seu paradeiro. A continuação de Vivian contra o apocalipse vai responder às perguntas deixadas pelo primeiro volume com muito bom humor e ação, e ao mesmo tempo fazer os leitores se perguntarem: é possível se manter íntegro mesmo num mundo à beira do colapso?

Resenha: Vivian Contra a América é o segundo volume da duologia (?) Vivian Apple da autora Katie Coyle e publicado pela Agir Now no Brasil.

Em Vivian Contra o Apocalipse, há um cenário praticamente distópico onde depois das mudanças climáticas e dos desastres que desencadearam o caos total nos Estados Unidos, as pessoas foram convencidas a se converterem e seguirem o Pastor Beaton Frick e a Igreja Americana. Logo em seguida houve um suposto Arrebatamento e milhares de Crentes desapareceram, incluindo os pais de Vivian que também haviam sido convertidos.
Em meio a crítica ao conceito de igreja capitalista e fanatismo religioso, Vivian e Harp, sua amiga, partem numa viagem pelo país e descobrem as farsas e os segredos assustadores desta doutrina que dominou a América e "previu" o Apocalipse, agora, um ano depois do início dessa baderna, as duas pensam na melhor forma de desmascarar esses "religiosos" manipuladores e oportunistas. O problema é que elas perderam tudo o que tinham, inclusive o carro, e agora, vulneráveis e perdidas em São Franscisco, as meninas estão em perigo pois estão sendo perseguidas pela Igreja, que pôs a cabeça das duas a prêmio...

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Vivian, a autora mantém o mesmo estilo de escrita e equilibra ação com momentos de leve diversão mas, apesar de fluída e envolvente, a história não continua a se desenvolver tendo como base os acontecimentos do primeiro livro. É como se a autora decidisse dar um novo rumo à história e aos personagens.
A religião ainda é pano de fundo da trama, e a crítica social sobre o oportunismo que tira proveito da fé alheia, sobre o fanatismo religioso que causa intolerância e preconceito tornando as pessoas cegas, assim como as consequências caóticas que vêm com a destruição e a degradação do meio ambiente ainda estão lá. Nesses pontos a autora tem uma capacidade incrível de expor polêmicas de forma imparcial, sem impôr ou mascarar a própria opinião nas entrelinhas, trazendo reflexões sobre elas através de situações fictícias mas que se encaixam em contextos atuais e que poderiam se tornar reais.
O problema é que a inserção de novos elementos e novos objetivos deixaram a trama um pouco confusa e por mais que algumas pontas que ficaram soltas tenha sido amarradas, ainda deixou outras sem as devidas respostas que esperei ter.

Vivian e Harp ainda têm o mesmo objetivo, mas senti que houve uma inversão no protagonismo da história. Vivian era uma personagem ótima que amadureceu de forma incrível, mas agora sua maior preocupação está em resgatar Peter. Ela aparece como uma garota carente, praticamente desiludida e desesperada que colocou a luta contra a Igreja em segundo plano por alguém sem garantias nenhuma de que realmente está do lado dela nessa confusão. A paixão é o fator que a motiva e por ela ser adolescente é até um pouco compreensível, mas isso acaba se tornando sua maior fraqueza...
Em compensação, Harper, com toda a sua acidez e inteligência, ganha um destaque master, rouba a cena e conduz a história com sua personalidade marcante e suas atitudes impactantes e cheias de ousadia. Ela cria um blog para contar a verdade e expor os motivos de ela e Vivian estarem sendo perseguidas pela Igreja e ainda incentiva seus leitores a duvidarem daquilo que chamaram de Arrebatamento e em tudo o que foram levados a acreditar.

O final ainda deixa um enorme gancho para uma provável continuação, mas ainda não sei se a duologia se encerra nesse livro. A sensação ao chegar no desfecho é de algo inacabado, ao ponto de me pegar pensando "e agora?", mas caso acabe, terá sido satisfatória.

Em suma, a autora criou uma história que, de certa forma, está próxima à nossa realidade e que fará com que os leitores reflitam sobre o quão arriscado é combinar medo e fé...

Salve-me - Rachel Gibson

19 de junho de 2016

Título: Salve-me - Lovett, Texas #3
Autora: Rachel Gibson
Editora: Jardim dos Livros/Geração Editorial
Gênero: Chick-lit/Romance
Ano: 2016
Páginas: 272
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: A salvação de Sadie Hollowell e Vince Haven depende de muitos fatores. Ele voltou traumatizado da guerra ao terrorismo no Afeganistão e ela, aos 33 anos, acha ridículo ser convidada para ser dama de honra do casamento de uma prima no interior do Texas, onde nasceu. Ambos estão perdidos, à procura das raízes e de uma identidade que a vida foi esfacelando, e são atormentados por uma atração sexual violenta que demora muito a se transformar em amor e compromisso.
O que se oferece aos leitores é uma história tensa, em que preconceitos e hesitações lutam contra o amor, sem saber qual dos lados terá o triunfo final. Vale a pena ler e torcer por ele.

Resenha: Salve-me é o terceiro livro da série Lovett, Texas da autora Rachel Gibson e publicado no Brasil pelo selo Jardim dos Livros da Geração Editorial.
Embora seja o terceiro volume, os livros são independentes um do outro já que abordam a vida de personagens diferentes, porém, as histórias se passam na cidadezinha de Lovett, no Texas.

Lovett é uma cidade que nunca combinou com Sadie. Seu temperamento não é fácil desde quando ela se entende por gente e o relacionamento dificil com o pai nada compreensivo fez com que ela fosse embora aos dezoito anos, assim que se formou no colégio. Agora com trinta e três, Sadie, solteira e sem filhos, o que é praticamente uma heresia na cidade, volta a Lovett para o casamento da prima em que seria dama de honra. No meio do caminho, cheia de desconfinança, ela resolve ajudar um cara encalhado na estrada com o carro enguiçado, Vince, mas mal sabia ela que esse ex-militar iria fazer com que sua vida tivesse um rumo totalmente diferente do que ela imaginou...
Eles se reencontram no casamento e mesmo que a atração seja inevitável, eles não tem a menor intenção de se envolverem mais a sério.
Vince já passou por muita coisa e carrega uma forte carga emocional devido as lembranças que teve da guerra, e Sadie só queria ficar livre daquela cidade pra continuar aproveitando sua vida ao máximo, mas acaba sendo obrigada a ficar em Lovett por motivos familiares. Essa estadia com prazo indeterminado a aproxima ainda mais do bonitão, e por aí podemos esperar por muitas emoções...

Narrado em terceira pessoa, Salve-me é o típico romance contemporâneo que parece seguir uma fórmula base: A protagonista que já foi magoada no passado, tem azar no amor e que conseguiu ser bem sucedida e independente. Ela conhece um homem lindo, de personalidade forte, que resiste a tudo mas tem seus segredos que o impedem de se envolver com alguém.
Mas embora seja um tema clichê, Rachel Gibson retrata personagens que vivem dilemas realistas, que levam diálogos dinâmicos e inteligentes e ainda acrescenta toques de muito bom humor mesmo que haja temas delicados pelos quais os personagens devem lidar.
O que os personagens vivem acaba sendo uma lição muito válida da definição de amor e o que as pessoas fazem - ou abrem mão - em nome dele.
Sadie é forte e decidida em seus objetivos e não tem medo de enfrentar quem quer que seja. Ela também tem seus defeitos, é orgulhosa e atrevida, mas é uma personagem muito humana e que faz com que qualquer um se identifique com ela.
Vince tem toda aquela pose de bonitão sedutor cheio de mistério, mas seu passado trágico o torna vulnerável e até frágil, e não poderia haver melhor momento para Sadie entrar em sua vida pois eles acabam encontrando o que precisavam para juntar os cacos e se refazerem um no outro.

A construção do romance convence pois o sentimento se desenvolve aos poucos a medida que Sadie e Vince se aproximam e se conhecem mais. É aquela coisa que, a princípio, nem eles mesmos sabem o que está acontecendo e quando percebem já estão envolvidos demais... Os sentimentos são mais intensos, as histórias de cada um são mais profundas e esses pontos fisgam o leitor fazendo com que fiquemos envolvidos, torcendo pelos personagens a todo momento.

Os personagens secundários são presentes e não estão na história só por estar... Eles têm papéis importantes e são essenciais para o desenvolvimento da trama. Mesmo que haja algumas pequenas subtramas sem muita relação com o romance prinicipal, elas não desviam o foco do leitor do que realmente importa.
Sadie e seu pai eram muito distantes e sempre tiveram problemas de relacionamento, e a forma como esse problema foi abordado na história foi bastante verdadeiro e convincente.
O cenário texano carrega vários estereótipos mas pra mim isso só serviu pra acentuar o estilo de vida das pessoas de lá, principalmente porque como a cidade é pequena, fica aquela sensação acolhedora no ar, mesmo que haja muita fofoca solta.
O final foi um pouco corrido e fiquei curiosa pra saber o que aconteceu com os personagens depois de tudo.

A parte gráfica do livro segue o mesmo padrão das demais obras da autora publicadas pela editora e é bastante caprichada. Os capítulos são curtos (o que ajuda na leitura), a fonte tem um tamanho agradável e as páginas são amarelas.

Salve-me é uma leitura muito fluida e divertida, que mesmo tendo seus clichês e sendo um pouco previsível ganha o leitor pela narrativa e pelo bom humor típico da autora.


A Garota Perfeita - Mary Kubica

18 de junho de 2016

Título: A Garota Perfeita
Autora: Mary Kubica
Editora: Planeta
Gênero: Thriller
Ano: 2016
Páginas: 336
Nota: ★★☆☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Mia, uma professora de arte de 25 anos, é filha do proeminente juiz James Dennett de Chicago. Quando ela resolve passar a noite com o desconhecido Colin Thatcher, após levar mais um bolo do seu namorado, uma sucessão de fatos transformam completamente sua vida.
Colin, o homem que conhece num bar, a sequestra e a confina numa isolada cabana, em meio a uma gelada fazenda em Minnesota. Mas, curiosamente, não manda nenhum pedido de resgate à familia da garota. O obstinado detetive Gabe Hoffman é convocado para tocar as investigações sobre o paradeiro de Mia. Encontrá-la vira a sua obsessão e ele não mede esforços para isso.
Quando a encontra, porém, a professora esté em choque e não consegue se lembrar de nada, nem como foi parar no seu gélido cativeiro, nem porque foi sequestrada ou mesmo quem foi o mandante. Conseguirá ela recobrar a memória e denunciar o verdadeiro vilão desta história?

Resenha: A Garota Perfeita é tudo que não se pode esperar. O nome remete a um famoso romance aclamado pela crítica em 2013, que mostra a relação doentia entre uma mulher psicopata e um homem que, aos olhos de todos, foi o responsável pelo seu desaparecimento. Porém, mesmo com a capa que se assemelha a história de Amy, a trama de Mary Kubica está longe de ser algo extraordinário e arrebatador.

O romance começa com a introdução sobre o que aconteceu com a Mia, uma jovem de vinte e poucos anos. Toda a trama gira em torno da busca pela moça, dividida em três pontos de vista: Gabe, o detetive; Colin, o sequestrador; e Eve, a mãe. A primeira deficiência de toda essa história começa aí: narração. Quem conta os fatos são os três, em uma divisão entre o que houve antes e depois. O problema é que alguns autores pecam grandemente em contar uma história sob o ponto de vista do personagem. No A Garota Perfeita, a autora falhou muito nesse sentido. Tudo que os outros "protagonistas" narram soa irrelevante e permaneci ávido para saber o que Mia sentia e isso não ocorreu.

Eve conta tudo de maneira monótona sobre como era sua relação com a filha, com o marido frio e o quanto acredita no retorno de Mia. Gabe foi um pouco menos enfadonho, dando só um toque de praticidade na história já complicada e cheia de inutilidades. Colin, o sequestrador, mostra seu ponto de vista envolto em muitas partes de sua vida e tentando explicar a origem de sua personalidade e condição de sequestrador. Juntando tudo isso, o que sobra? Nada de útil. Escrever pontos de vista em primeira pessoa requer muita técnica e parece que Kubica não dominou isso muito bem. O gênero, por ser um romance policial, poderia ter sido feito em terceira pessoa. Todo conteúdo é muito monótono, sem desenvolvimento. Não acredito que seja interessante saber o que fulano fez lá quando tinha sete anos, enquanto o xis da questão, que era o sequestro de Mia, ficava sem nenhuma justificativa até a última página. E não preciso nem falar que a protagonista só aparece na narração no último capítulo, não é?

A trama de A Garota Perfeita parece um nó cego, de tão difícil de se desfazer. Tudo que acontece é inconclusivo, sem atrativo e não prende a atenção do leitor. Há alguns acontecimentos tão "ãh?" que senti vontade de largar o livro no meio. É tudo muito amador. Imaginem uma cena de um filme em que a moçoila tropeça e cai nos braços de um homem lindo e encantador? É isso. A história de Mia e Colin é recheada de fatos que não surpreendem e estão ali, claramente, para amarrar pontas que não podem parecer soltas. O final, que foi muito mal desenvolvido, se dá em meras trinta páginas e tenta englobar todos os motivos pelos quais a garota foi raptada. A última página, bem, foi um pouco surpreendente, o que me levou a dar duas estrelas para o thriller. Porém, para quem acompanha o cenário literário há muito tempo, Garota Exemplar foi e continuará sendo, na minha opinião, o melhor romance do gênero.

Games - Spore

17 de junho de 2016

Título: Spore
Desenvolvedora: Maxis/EA Games
Plataforma: PC
Categoria: Simulação/Estratégia
Ano: 2008
Classificação Indicativa: 10 anos
Nota: 
Sinopse: Crie e comande uma criatura exclusiva em uma jornada épica por um universo criado por você. Passe pelas cinco fases evolutivas do SPORE: Célula, Criatura, Tribal, Civilização e Espacial. Cada uma das fases possui desafios e objetivos diferentes. Você pode começar como uma célula e acompanhar a evolução de uma espécie desde suas humildes origens aquáticas até a transição para uma raça inteligente. Você também pode começar criando tribos ou civilizações em vários planetas. Você é quem decide como jogar e o que fazer com o seu universo. O SPORE dá a você várias ferramentas de criação poderosas e fáceis de usar, para que você possa criar todos os aspectos do seu universo: criaturas, veículos, estruturas e até naves. Embora o SPORE seja individual, as suas criações e as de outros jogadores são automaticamente compartilhadas entre as suas galáxias, oferecendo um número ilimitado de mundos para explorar e jogar. Você também pode visitar o website do SPORE, ver todas as coisas legais que os seus amigos e as pessoas do mundo todo estão fazendo e usá-las como parte do seu próprio mundo!

Spore é um jogo de simulação criado por Will Wright, o mesmo criador do universo The Sims e Sim City (amo muito tudo isso). Nele o jogador terá toda uma galáxia a ser explorada e irá definir a forma de evolução de seu organismo unicelular, modificando sua aparência e lhe atribuindo características decidindo o caminho que ele irá tomar em seu progresso de conquista, sendo herbóviro, onívoro, carnívoro, amigável, agressivo e por ai vai.
A galáxia é formada por "braços" com milhares de "estrelas" (os planetas) que podem ser visitadas - e colonizadas - depois.

A Galáxia!

O jogo disponibiliza cinco fases evolutivas, Célula, Criatura, Tribal, Civilização e Espacial, e cada uma delas tem seus próprios desafios dando ao jogador objetivos distintos. Há também um pacote de partes que foi lançado depois que adiciona novas partes às nossas criaturas, assim como uma expansão que possibilita ao jogador ter novas missões referentes à explorações dos planetas no último estágio do jogo (mas não vou me aprofundar nessas opções extras).


A fase Célula se inicia quando a vida começa a surgir a partir de uma poça primordial após um meteoro cair sobre o planeta. Enquanto o organismo em forma de "ameba" (ou qualquer outra forma maluca que o jogador criar) nada por aí, ele come fragmentos de vegetal ou carne e procura por partes que podem ser usadas para incrementar suas características e funcões na cadeia alimentar.
Após um desenvolvimento considerável, a criaturinha está pronta para evoluir, deixar a poça e ir se aventurar pelo mundo afora quando ganha pernas e um cérebro minúsculo.
É bastante legal acompanhar nossa "célula" nadando enquanto tenta escapar de outras maiores e mais agressivas, e, a impressão que dá é que estamos jogando através da visão de um microscópio.


A fase Criatura é onde nosso bichinho se acomoda num ninho com seu bando e recebe pequenas missões onde deve explorar o planeta coletando partes como olhos, bocas, garras e afins para compor seu corpo melhorando suas habilidades, sua saúde e sua defesa a cada acasalamento, assim como o ajudando a sobreviver no ambiente, seja socializando com criaturas de outras espécies para torná-las aliadas, ou sendo um predador, derrotando e tornando extintas outras que podem (ou não) ser uma verdadeira ameaça. Nesta fase, a cada nova missão cumprida, vamos juntando pontos de DNA que permite ao jogador comprar no Editor de Criaturas as partes encontradas e que são responsáveis pelas melhorias no desenvolvimento da nossa criatura até que ele evolua e tenha inteligência o bastante para atingir a próxima fase do jogo. Seu cérebro cresce literalmente!


A fase Tribal é uma das mais engraçadas do jogo com as interações mais malucas e divertidas. Como o próprio nome sugere, as criaturas formaram uma tribo com direito a chefe e tudo, que vivem em cabanas e sobrevivem da pesca e da coleta de frutas. Aqui é possível usar instrumentos de caça e de música para interações, além de domesticarem animais selvagens (não jogáveis e que ainda estão na fase Criatura) que são úteis na produção de alimentos. Para avançar esse estágio, é necessário se aliar ou derrotar as demais tribos que se instalam no planeta e o destino da nossa espécie ao atingir a próxima fase está ligado diretamente às escolhas que tomamos nesta fase.


No Estágio Civilização, as criaturas estão bem mais inteligentes e utilizam dos recursos encontrados no planeta para evoluírem. Nessa fase não controlamos a criatura propriamente dita, mas sim os meios de transporte que eles desenvolveram - terrestres, aéreos ou aquáticos - para dominar os povos de sua própria espécie já que dominamos o planeta mas com o crescimento da população eles se dividem. O avanço consiste em conquistar todo o planeta usando o poder que a nossa nação desenvolveu após terminar a fase Tribal, e cada tipo de nação tem sua própria tecnologia. Podemos construir uma Prefeitura, ter fábricas para gerar dinheiro e ajudar no desenvolvimento da cidade, construir casas para terem onde morar e etc. Se fomos amigáveis na fase anterior, a nação será religiosa, logo a conquista de novas civilizações funciona na base de sua conversão. Se éramos predadores com postura agressiva, a nação que se formará será Militar, e a conquista será por meio de ataques para que as civilizações sejam dominadas, e se ficamos no meio-termo (se aliando a alguns e destruindo outros levando em consideração nosso histórico), a nação terá poder econômico e o objetivo é dominar o planeta com base no comércio por meio de rotas comerciais, comprando as cidades e ganhando respeito pela quantidade de dinheiro que conseguirmos juntar. Essa fase requer estratégia por parte do jogador já que a cidade que construímos tem que ser planejada a fim de evitar possíveis ataques, além de incluir os prédios que trarão lucro para continuarmos prosperando. Não gosto muito dessa fase por ser um pouco confusa e rápida demais, mas por ela temos uma noção de como funciona o processo de colonização dos planetas e o que iremos fazer no próximo estágio.


A fase Espacial é a mais foda e melhor de todas! Ela é o último estágio do jogo e chegando nela nossa civilização está livre para explorar o universo, viajando pelo espaço e conhecendo novos planetas da galáxia para a criação de novas colônias e cumprindo várias missões, que vão desde analisar objetos encontrados, fazer contato com outros alienígenas estabelecedendo rotas comerciais, alianças ou declarando guerra, capturar espécies para repovoar outros planetas, alterar a condição climática de um planeta inóspito para que ele se torne habitável, enfrentar outras naves em batalhas com direito a tiros e explosões, e muito mais!
Pra quem quiser viajar mais longe ainda pode encontrar o próprio Sistema Solar com o Sol e todos os nossos planetas.
Pra que se tenha uma noção da quantidade de planetas, basta ver que cada pontinho brilhante da galáxia corresponde a um sistema solar, e cada sistema é composto por vários planetas.


Os gráficos são bem caprichados e o visual do jogo é lindo quando as configurações estão no máximo. Há transição entre dia e noite, o que dá um tom de realidade ao cenário. A diversidade de planetas também é um ponto bastante favorável, principalmente porque cada um deles tem características próprias, como cor do solo e da água, se tem vegetação, se é desértico ou se é cheio de vulcões. "Construir" a criatura pode ser um pouco difícil quando não coletamos partes o suficiente, então é válido que no segundo estágio do jogo exploremos o lugar o máximo possível, pois depois dele não é possível mais encontrar nada para incrementar nosso bichinho.
As animações são hilárias e é impossível não rir dos bichos tentando se aliar às outras criaturas, dançando e cantando, ou fugindo desesperados de catástrofes naturais, criaturas gigantescas ou de naves alienígenas que aparecem para abduzi-los (coisa que na fase Espacial conseguimos fazer). Na fase Tribal é muito engraçado vermos os "aldeões" saltitando e jogando flores pro alto ao presentar outras tribos, assim como as outras animações que tornam o jogo agradável e atrativo para várias idades.
O que é um pouco incômodo são as câmeras e os controles do jogo, pois cada estágio tem um modo diferente de girar a tela para que tenhamos uma melhor visibilidade do planeta e do movimento das criaturas, e até nos acostumarmos com cada é um pouco difícil. Fora isso, muitas opções são bem intuitivas e o jogo tem vários tutoriais explicativos para que possamos saber o que deve ser feito na fase em questão.

No mais, Spore é uma experiência única que faz com que o jogador descubra um universo bonito e grandioso através de um novo e criativo conceito sobre a vida. Quem gosta de jogos que mesclam simulação, aventura e estratégia vai adorar!