Caixa de Correio #115 - Setembro

30 de setembro de 2021

Não sei se é efeito da pandemia ou da correria do meu bendito dia a dia, mas esse mês pra mim também passou voando. Pisquei e acabou. Recebi alguns livritchos, alguns deles pra poder agregar nos meus estudos, e um dois decks que são lindos demais. Esse Dark Wood nem se fale, mas é uma pena que as cartas sejam fininhas e mais frágeis do que eu gostaria. Já o Tattoo tem cartas com uma gramatura absurda de alta e parece que vai durar o resto da vida. Popinho da Lilo com a Xêpa é a coisa mais fofa, e mês que vem é capaz que eu pegue o pop dela com o Fofucho, o peixe XD. Eu bem que também queria os milhões de Stitchs que estão saindo, mas como ando sem grana, é impossível colecionar tudo, ainda mais quando a gente inventa de colecionar os pops de Harry Potter.

Enfim... Espiem a caixinha desse mês:

Suzane - Assassina e Manipuladora - Ullisses Campbell

28 de setembro de 2021

Título:
Suzane - Assassina e Manipuladora
Autor: Ullisses Campbell
Editora: Matrix
Gênero: True Crime/Biografia/Não ficção
Ano: 2020
Páginas: 258
Compre: Amazon
Nota:★★★★☆
Sinopse: Suzane Louise von Richthofen é uma lenda do mundo do crime. Em 30 de outubro de 2002, ela abriu a porta de casa para guiar os matadores dos seus pais. Enquanto dormiam, Manfred e Marísia morreram com dezenas de pauladas, desferidas pelo namorado de Suzane e pelo irmão dele, Daniel e Cristian Cravinhos. O crime abalou o país. Pela monstruosidade, a assassina recebeu dois vereditos: o primeiro saiu do Tribunal do Júri em 2006, quando foi condenada a 39 anos de cadeia. A segunda sentença foi proferida pelo Tribunal do Crime, existente dentro das penitenciárias. A comunidade prisional não perdoa pedófilos, estupradores, nem filhos que matam os pais. A menina rica, branca e de cabelos loiros foi condenada. As mulheres sanguinárias do PCC receberam a missão de matá-la dentro da Penitenciária Feminina da Capital, ainda nos anos 2000. Esperta, extremamente manipuladora, Suzane sobreviveu. Este livro esquadrinha o caminho que a criminosa trilhou desde que foi presa pela primeira vez até o momento em que começou a sair da prisão. Para detalhar a vida da assassina, o repórter Ullisses Campbell realizou dezenas de entrevistas e mergulhou nos emaranhados universos do Direito Penal e da Psicologia Forense. A obra mostra uma Suzane que deseja se casar no religioso, virar pastora evangélica e que nutre um sonho agora revelado.

Resenha: Depois da estreia dos filmes sobre um dos homicídios mais escabrosos do Brasil ocorrido em 2002, o caso dos von Richthofen e dos irmãos Cravinhos voltou à tona, e muita gente começou a procurar mais fontes de informações sobre o que aconteceu e o que os envolvidos andam fazendo desde que tiveram a prisão decretada.

Manfred Alfred von Richthofen nasceu na Alemanha e veio com a família para o Brasil na década de 50 onde se naturalizaram como brasileiros. Manfred foi sobrinho neto de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, um aviador alemão que ficou conhecido como Barão Vermelho. Ele fez parte da história, onde lutou na Primeira Guerra Mundial entre 1914 e 1918, servindo no braço aéreo do Exército Imperial Alemão, e se tornou o piloto de caça mais famoso da Alemanha por ter abatido cerca de 80 aviões de tropas inimigas. Manfred cultuava o mito pelo tio-avô e sempre foi um grande admirador de aeronaves, tanto que depois de já ter constituído sua família com Marísia, sua esposa, presenteou seu filho Andreas com um aeromodelo caríssimo em seu aniversário. Ao procurar um professor de aeromodelismo para montar o objeto e ensinar o filho a controlá-lo, ele acabou apresentando Suzane a Daniel, o professor de Andreas, e a partir daí o destino da família foi traçado.

Suzane e Daniel se conheceram no parque do Ibirapuera em 1999 durante uma dessas aulas de aeromodelismo do irmão Andreas, e pouco tempo depois engataram um namoro. No começo seus pais não deram muita importância, acreditaram se tratar de um namorinho adolescente e que acabaria logo, mas quando perceberam que a filha estava saindo dos trilhos, começaram a implicar e proibiram o namoro com Daniel. A diferença de classe também foi um dos motivos para que não aceitassem o namoro, pois os Richthofen era uma família muito rica da zona sul de São Paulo e os Cravinhos eram de classe média, "inferiores". Manfred era um engenheiro bem sucedido que inclusive participou do projeto de construção do Rodoanel Mário Covas, e Marísia uma psiquiatra bastante renomada. E por mais que, aparentemente, fossem pessoas frias, eles sempre deram do bom e do melhor para os filhos, mas faziam questão de controla-los impondo regras e condições que Suzane não queria mais seguir depois de ter experimentado a "liberdade" na companhia de Daniel, liberdade essa que incluía sexo, drogas e nenhum limite. Assim, acreditando que só poderiam viver esse amor avassalador para serem felizes se os pais de Suzana não existissem, eles arquitetaram um plano para não só matar Manfred e Marísia, mas também saírem impunes para que Suzane botasse as mãos na herança milionária e pudesse continuar usufruindo dos bens e da fortuna junto com o namorado. E mesmo com a tentativa de não deixar provas que os incriminassem, vários erros foram cometidos, incluindo o comportamento de Suzana frente à tragédia, resultando na prisão dos três num tempo relativamente curto após o crime.

Suzane - Assassina e Manipuladora é um livro escrito pelo jornalista paraense Ullisses Campbell, publicado em 2020 pela Editora Matrix, e depois de pesquisas intensas, acesso a documentos e reportagens, e várias entrevistas feitas com pessoas diretamente ligadas aos assassinos feita pelo autor, podemos encontrar no livro uma fonte de informações e curiosidades bastante rica sobre esse caso que explodiu na mídia e chocou (e ainda choca) o Brasil.

Além de discorrer sobre o crime, descrevendo os detalhes cruéis e chocantes do assassinato a sangue frio de Manfred e Marísia, o jornalista aborda o relacionamento doentio de Suzane e Daniel evidenciando, através de relatos, depoimentos e confissões, qual foi a motivação que os levaram a cometer essa atrocidade e as consequências disso. O autor também dedica espaço para falar sobre Andreas, como ele se comportava e idolatrava Daniel antes do assassinato dos pais, e o que ele fez depois da condenação de Suzane, principalmente com relação a herança, mas não se aprofunda muito numa versão dos fatos pela visão do garoto já que o mesmo preferiu se reservar e não ter mais contato com a irmã.

A escrita é simples, objetiva e bem didática, e percebemos um toque de dramatização através dos diálogos que aparecem nas cenas (dos quais, obviamente, não podemos ter certeza se realmente aconteceram daquela forma), que se misturam com as informações, com os fatos, e com os relatos apresentados a fim de trazer uma riqueza maior de detalhes. A partir desses acontecimentos não temos uma visão somente sobre a personalidade do trio, mas também sobre o funcionamento do sistema penal, a diferença de tratamento de crimes que se tornam midiáticos para os que  mal são noticiados, assim como o comportamento dos detentos nas penitenciárias, que também possuem um tipo de hierarquia e criam seus próprios tribunais de acordo com a gravidade do crime cometido pelo recém chegado. Campbell também explica como Suzane conseguiu sobreviver mesmo sendo um alvo dentro da prisão, e como conseguiu se tornar a líder da penitenciária e ter várias regalias através de incontáveis artimanhas, usando de manipulação, vitimismo, sedução e muita inteligência. O autor também aborda algumas entrevistas famosas, como a que foi feita para o Gugu e pro Fantástico, e fala dos crimes cometidos por outros presos e presas que acabam se aproximando e fazendo amizade com os assassinos, e chega a ser inacreditável saber do que o ser humano é capaz de fazer contra outro. São crimes tão terríveis, se não piores, do que o planejado por Suzane, só não ganharam holofotes.

"Um fantasma, um jardim, diabos e um corpo de cara virada"

Cada capítulo se inicia com uma imagem que faz parte do teste psicológico de Roschach seguido de uma descrição feita pela própria Suzane indicando o que ela vê em meios aquelas manchas. Esse teste costuma ser aplicado em alguns criminosos que pleiteiam o regime semiaberto. Embora tenha passado em outros testes mais simples e ter sido considerada apta a voltar a viver em sociedade por alguns profissionais (sabe-se lá como), ela não consegue passar no de Roschach, e o autor mostra as explicações de acordo com os estudos científicos.

Como li pelo Kindle, não posso opinar sobre a parte física em si, mas a revisão em muitos pontos deixou a desejar. Percebi alguns erros e alguns trechos mal escritos e confusos, mas fora isso, é aquele tipo de leitura empolgante, que não desgrudamos. Ao final também há algumas fotos dos criminosos e uma breve descrição do local e da situação em que foram tiradas.

Enfim, pra quem gosta de livros que abordam crimes reais e tem curiosidade de saber mais detalhes sobre o caso da família Richthofen e dos irmãos Cravinhos, é leitura mais do que indicada, pois há muito mais informação do que as passados nos filmes (que foram baseados apenas nos depoimentos que os acusados deram no julgamento), e mesmo que não seja possível "julgar", é possível termos plena noção do que essa moça é capaz e como sua cabeça funciona, e posso afirmar que é tão fascinante quanto assustador. Pra complementar, recomendo também entrevistas disponíveis no YouTube com o perito criminal que iniciou as investigações do caso, Ricardo Salada, e o livro "Casos de Família", da escritora Ilana Casoy.

Sem Ar - Jennifer Niven

10 de setembro de 2021

Título:
Sem Ar
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Gênero: Romance/Jovem adulto
Ano: 2021
Páginas: 392
Compre: Amazon
Nota:★★★★☆
Sinopse: Passar o verão numa ilha remota não era o plano de Claudine Henry. Ela deveria estar viajando de carro com sua melhor amiga, aproveitando cada minuto antes de ir para a faculdade. Mas depois que seus pais anunciam o divórcio, o mundo dela vira de cabeça para baixo ― e Claude vai parar nesse destino improvável, acompanhando a mãe que tenta se reconstruir depois da separação. Ali, a garota não tem internet, sinal de celular ou amigos. Até que conhece Jeremiah. Com o espírito livre e um passado misterioso, a química entre os dois é imediata e irresistível. Enquanto vivem aventuras pelas praias, dunas e florestas, Claude e Miah tentam não se apaixonar ― afinal, esse relacionamento tem os dias contados. Mas talvez viver esse romance seja exatamente o que Claude precisa para começar a escrever sua própria história feliz...

Resenha: Claudine, ou Claude, é uma adolescente de dezoito anos que vive em Ohio e está terminando o ensino médio. Sua mãe é escritora e é a pessoa mais legal e compreensiva do mundo, seu pai trabalha numa faculdade e adora usar camisas de bandas dos anos 90. Ela também tem uma melhor amiga, Saz, com quem planeja fazer uma viagem fantástica logo depois da formatura, e que sempre está ali para o que der e vier. Claude, como a maioria dos adolescentes, está com os hormônios a flor da pele, e não para de pensar em como e quando será sua primeira vez, e mesmo que ela esteja se guardando pra outro cara, ter um rolo com Shane, um menino que estuda na mesma escola que ela, proporciona a ela algumas experiências preliminares que não só colocam o sujeito em banho-maria, como a deixa mais desesperada por sexo ainda.
Mas, quando seus pais anunciam que estão se divorciando, tudo na vida de Claude muda. Sua viagem com Saz já era, e agora ela precisa acompanhar a mãe, que está arrasada e que só quer ocupar seu tempo, passando algumas semanas numa ilha remota e cheia de histórias, onde seus antepassados viveram. Sem internet e sem sinal no celular, Claude fica sem rumo, até conhecer Jeremiah, um garoto diferente de todos aqueles que ela já conheceu. O interesse é recíproco, a química é inegável, e talvez um relacionamento com prazo de validade seja o que ela precisa pra dar uma guinada na vida...

A narrativa é feita em primeira pessoa e a escrita da autora é bem fluída. As descrições do cenário são ricas e lindíssimas, sendo possível que o leitor sinta a magia da ilha, a brisa do mar, os pés se enterrando na areia ou na lama do pântano, visualize a desova das tartarugas marinhas, se encante pelos vaga-lumes, enfim, é tudo bonito demais.
A autora usa várias metáforas e frases de efeito que funcionam na maioria das situações, muita coisa que aparece nos diálogos de Claude e seus amigos acabam servindo como um tipo de lição de moral, ou pra causar uma reflexão sobre tabus da sociedade que dizem respeito ao machismo, patriarcado, virgindade, sexualidade e afins. No começo não achei muito legal porque é estranho uma personagem tão infantil "militando" por aí, mas a medida que ela vai se reconstruindo, as coisas vão se encaixando melhor.
"A virgindade é uma construção social idiota criada pelo patriarcado"
A história demora um pouco pra engatar e acho que a construção inicial da protagonista seja a maior responsável por isso. Claude é uma adolescente que tem suas questões adolescentes, principalmente a curiosidade por sexo e pela primeira vez por causa dos hormônios incontroláveis, mas o jeito como ela pensa em sexo e virgindade 24hrs por dia, ou a forma como ficava atiçando seu ficante, chega a ser muito cansativo, num ponto que, pra mim, foi até desconfortável, principalmente porque ela se comporta como uma criança, e em alguns momentos eu me esquecia que ela já era maior de idade e pensava o quão preocupante é uma "criança" pensando em sexo daquele jeito. Talvez seja exatamente assim que alguns adolescentes se sintam até que a vida se encarregue de ensinar as coisas, e acho que a intenção da autora tenha sido mostrar essa imaturidade e o quanto isso é irritante e digno de pena, até Claude perceber, de uma forma bem lenta, que o mundo não gira ao redor do seu próprio umbigo. Ainda assim, não deixa de ser um pouco cansativo acompanhar tanta chatice vinda de uma personagem só por uma quantidade considerável de páginas, e eu não via a hora disso acabar. E agradeço por ter acabado.
"Porque depois de sofrer uma perda, você se torna um fantasma no próprio corpo. Você se vê fazendo e dizendo coisas que não faria ou diria normalmente. Você precisa de algo que mantenha seus pés no chão e que prove que você ainda está aqui. Precisa de um jeito de sentir alguma coisa. Qualquer coisa."
O que importa é que enquanto o tempo passa, as experiências que ela tem na ilha vão moldando sua percepção de mundo. Ela começa a descobrir coisas bem interessantes sobre a ilha, sobre a história de seus ancestrais junto com sua mãe (que está lá reunindo vários documentos familiares), sobre o relacionamento de seus pais, e, claro, sobre si mesma. Jeremiah é uma parte muito importante nessa jornada de Claude, pois, por mais desapegado e cheio de segredos que ele seja, a medida que eles se envolvem com mais intensidade, ela começa não só a desvendá-lo gradualmente, mas também começa a enxergar e a entender coisas que antes estavam muito além de sua compreensão limitada. Então, a partir do momento que esse amadurecimento começa a acontecer e as coisas começam a rolar de uma forma mais natural e real, a história vai ficando muito mais interessante, envolvente e emocionante, até mesmo no que diz respeito às questões sexuais de Claude e as expectativas dela com relação a primeira vez, que nem sempre acontece da forma linda e maravilhosa como a gente acha que vai ser. E isso me fez considerar que vale muito a pena passar pelo suplício que é o início da leitura pra ser recompensada depois, e por mais que o desfecho não seja totalmente fechado e tenha me feito ficar triste com a forma como tudo aconteceu e acabou, ainda foi muito satisfatório pra mim porque entendi que não tinha outra forma de ser.
"A vida é um acúmulo de dores. Elas nos preenchem e nos tiram o ar e achamos que nunca mais vamos conseguir respirar. Mas antes de nos darmos conta, somos apenas palavras em um papel, silenciados e adormecidos até que alguém encontre essas palavras e as leia."
Ao final da leitura, a autora escreve seus agradecimentos, e podemos entender o motivo desse livro ser o mais pessoal que ela já escreveu. Ela se baseou nas próprias experiências pra escrever a história de Claude e Miah, e fala disso de uma forma tão íntima e bonita que é impossível não se emocionar. Eu mesma fiquei com os olhos cheios de lágrimas.

Sem Ar é um livro que nos mostra que nem sempre as coisas estão sob nosso controle e que nem sempre conhecemos as pessoas próximas de nós como pensamos conhecer, mas a medida que amadurecemos e vamos tendo novas experiências, principalmente aquelas que parecem tirar nosso chão fazendo tudo desmoronar, somos capazes de nos conectarmos com nosso eu interior, e controlar a maneira como lidamos com situações difíceis e delicadas para seguir com a vida. Claro que temos que pensar no futuro, traçar planos, ter sonhos e objetivos na vida, mas também temos que viver e aproveitar o presente, como se não houvesse amanhã. Ás vezes tudo começa quando a gente pensa que tudo acabou...

Venha o que vier - Rainbow Rowell

6 de setembro de 2021

Título:
 Venha o que vier (Any Way the Wind Blows) - Simon Snow #3
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem adulto/Romance
Ano: 2021
Páginas: 560
Compre: Amazon
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Em Sempre em frente, Simon Snow e seus amigos perceberam que tudo o que sabiam sobre o mundo podia estar errado. E em O filho rebelde, eles se perguntaram se o que estava errado era o que sabiam sobre si mesmos.
Em Venha o que vier, Simon, Baz, Penelope e Agatha procuram um jeito de seguir em frente.
Para Simon, isso significa decidir se ainda quer fazer parte do Mundo dos Magos ― e, se não quiser, o que isso representa para seu relacionamento com Baz?
Enquanto isso, Baz está dividido entre duas crises familiares e sem tempo algum para compartilhar com alguém seus novos conhecimentos sobre vampiros. Penelope adoraria ajudar, mas trouxe um americano normal para Londres e não tem ideia do que fazer com ele. E Agatha? Bom, Agatha Wellbelove já está farta de aventuras.
Venha o que vier leva os quatro amigos de volta à Inglaterra e à Watford e às suas famílias. Cada um a seu modo, todos estão prestes a viver a aventura mais longa e emocionalmente dolorosa de todos os tempos.
A conclusão dessa saga, que começou como uma história sobre o Escolhido, chega revelando segredos, dando as respostas que faltavam e resolvendo todos os mistérios. Venha o que vier é um livro sobre colocar um ponto-final nos lugares certos, sobre catarse e conclusão, sobre escolher seguir em frente apesar dos traumas e dos triunfos que tentam nos definir.

Resenha: Não sei se daqui uns anos Rainbow Rowell vai inventar de escrever mais um volume pra incrementar essa, até então, trilogia, mas enquanto isso, bora considerar que este é o fim.

Recapitulando: A trilogia é uma fantasia YA e LGBTQI+ que traz um universo mágico a lá Harry Potter onde Simon Snow e Basilton Pitch (ou Baz) são inimigos declarados que, em meio a uma guerra iminente contra um poderoso vilão terrível, descobrem ser almas gêmeas.
No segundo volume, algumas maluquices acontecem e, depois de derrotar o mal e ganhar uns "adereços" com isso, Simon se afunda na própria tristeza, e nada que alguém faça ajuda a criatura a sair da fossa, mesmo que eles embarquem numa viagem cheia de aventuras com direito a perseguição de vampiros e outros perigos mais.
Nesse terceiro volume, onde eles estão de volta a Londres, o leitor é levado a acompanhar os personagens em suas trajetórias "particulares", onde Simon e Baz vão investigar o desaparecimento de um feiticeiro importante; Penelope e Shepard partem numa tentativa de quebrar uma maldição; e Agatha e Niahm vão salvar cabras encantadas.
E em meio a essas "missões", juntos, eles vão adquirir experiências, lidar com os próprios conflitos e descobrir mais sobre si mesmos.

A narrativa segue o padrão dos livros anteriores, em primeira pessoa, com capítulos curtos que se alternam entre os personagens, e é uma leitura bastante fluída pra suas quase 600 páginas. Mas, ao finalizar a leitura de Venha o que Vier, fiquei com aquela sensação de vazio e tempo perdido, porque não foi nada daquilo que esperei. Não digo que a leitura e a história foram ruins, mas a quantidade de informação irrelevante e desnecessária que encontrei aqui, e a quantidade de coisas que ficaram sem resposta, e ainda as outras que foram resolvidas em dois minutos, me fizeram acreditar que essa trilogia não precisava se estender desse jeito, e que a história poderia ter ficado só no primeiro livro, mesmo.

Talvez um dos maiores problemas foi a ideia do universo mágico, de Watford, que não teve desenvolvimento nenhum. Acho que o "cenário" dentro desse contexto importa, e se for apresentado ao leitor pra depois ser ignorado como se não tivesse importância nenhuma, deixa uma cratera na trama e aquela sensação de "tá, mas e aí??". É como se a autora tivesse se esquecido que começou um assunto e nunca mais finalizou aquilo ali. Os personagens não se importam com Watford, a própria comunidade mágica não liga pro lugar onde eles aprenderam tudo, e esse descaso com uma parte que, ao meu ver, deveria ser importante para a história, acaba não despertando o interesse do leitor também, só levanta alguns pontos de interrogação e faz a gente se questionar por que foi criada/mencionada se não seria trabalhada com o mínimo de profundidade. E o lance com os pais de Simon, que fiquei esperando uma conclusão mas só fiquei com a cara na poeira?

Não sei se posso dizer que questões que vieram sendo trazidas desde o primeiro volume foram totalmente resolvidas, porque algumas pontas continuaram soltas, e no final eu fiquei só o meme da Nazaré, mas posso afirmar com todas as letras que o toque de bom humor que a autora insere nas cenas e nos diálogos, principalmente os de Penelope e Shepard, e do próprio Baz com seu jeitão único, é algo que realmente instiga a gente a continuar a leitura, porque, embora aconteçam algumas coisas que nos deixe morrendo de ódio ou revirando os olhos pra sempre, a gente sabe que vai acabar rindo de alguma coisa e achando tudo muito fofo.

Esse terceiro volume deixou um monte de brechas pra se concentrar quase que exclusivamente nos relacionamentos dos personagens e resolver as questões entre Simon e Baz no que diz respeito aos seus problemas sérios de comunicação por causa da imaturidade e depressão de Simon, e mesmo que seus desfechos (apesar de corridos demais) tenham sido satisfatórios, mesmo que Simon finalmente tenha conseguido enfrentar e discutir os problemas em vez de sair correndo deles, faltou aquele algo mais. Uma coisa que não posso deixar de comentar é que além da autora levar muita coisa pro lado sexual entre o relacionamento dos protagonistas, parece que os finais felizes daqui obrigatoriamente precisam envolver hormônios e beijos apaixonados entre casais já existentes e/ou recém formados.

Um novo vilão que não se parece em nada com um vilão, a ideia de haver um novo escolhido só pro livro ganhar mais páginas, e a pobre da Agatha que não teve praticamente nada a acrescentar a não ser criar algumas pontes entre um problema e outro em volumes anteriores e agora revelando uma coisa que já era óbvia, acabaram me deixando um pouco desanimada. É meio brochante ler um livro cheio de capítulos que não fazem diferença pro enredo, ou com personagens que vem trazendo os mesmos problemas que vem se arrastando desde o primeiro livro. Talvez o que tenha me feito ficar realmente empolgada foram os capítulos de Penelope e Shepard, pois o plot deles é super legal, e é uma pena que não ganharam espaço o bastante.

Enfim, não vou dizer que fiquei super satisfeita com esse desfecho porque realmente algumas coisas deixaram a desejar. Continuo achando que se tudo tivesse ficado no primeiro livro seria muito melhor, mas já que chegamos até aqui, posso dizer que é, sim, uma leitura válida que estende nosso contato com personagens peculiares e muito queridos.

Resumo do Mês - Agosto

1 de setembro de 2021



E esse mês que parece ter durado 5 minutos? Pisquei e acabou. O que foi isso? #chocada
Como mês passado não fiz resumo, não contei que fui vacinada, e acho que nunca fiquei tão feliz e satisfeita em ter tomado uma agulhada na vida. É engraçado (ou trágico?) como as coisas chegaram num ponto em que tomar uma vacina se transformou num verdadeiro evento. O povo filma, tira foto, comemora, usa fantasia, protesta...
Enfim... Continuo na sofrência com as coisas de casa e ultimamente ando meio desanimada, cansada, desacreditada com tudo, mas talvez seja só uma fase ruim. Nunca pensei que ia viver pra passar por uma pandemia e uma crise dessas, e pelo visto não vai ser nessa vida que vou ver o Brasilsão sair desse buraco.

Mas o que eu queria falar é que até que enfim comecei a liberar as resenhas aqui no blog depois de um tempo que pareceu um século. Foi pouca coisa? Foi, mas melhor esse pouco do que nada.

Sigo capengando, com dor nas costas, meio desvairada e cheia de cabelo branco, mas vamo que vamo.

Espiem: