Caixa de Correio #33 - Novembro

30 de novembro de 2014

Novembro, mês de correria, mas não tanto quanto espero de dezembro... Só de pensar dá vontade de chorar.
Esse mês chegou livro de parceria, de cortesia, de presente, teve comprinhas na Saraiva, no Sub, na Bienal de Minas (que fui dia 22 mas nem tive como tirar foto nem nada porque levei Vivi e Theo)...

Fiz umas compritchas na Black Friday, obviamente passei raiva com o Submarino (quem nunca?), mas só devo receber tudo que comprei em promoção, e pelo site da Livraria Cultura porque desisti do Sub, depois.
Enquanto espero chegar pra fazer a caixa gorda do mês que vem, espiem o que chegou em Novembro:

Coração de Tinta - Cornelia Funke

27 de novembro de 2014

Lido em: Outubro de 2014
Título: Coração de Tinta - Mundo de Tinta #1
Autora: Cornelia Funke
Editora: Seguinte
Gênero: Infanto juvenil/Fantasia
Ano: 2006
Páginas: 454
Nota: ★★★☆☆
Sinopse: Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.
É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado "Coração De Tinta". Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de "Coração De Tinta" um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.
Resenha: E se tudo que você já leu se tornasse realidade? Se Rose e Dimitri de repente ganhassem vida? E se Clare e Jace fossem reais? Em Coração de Tinta, primeiro volume da Trilogia Mundo de Tinta escrita por Cornelia Funke, publicado originalmente pela Companhia das Letras e relançado pela Seguinte, tudo isso é possível.
Mo, pai de Meg, tem um dom: dar vida ao que lê. Mas isso pode não ser tão perfeito, afinal, existem vilões nos livros. Mo trouxe Capricórnio, um temido vilão, para o mundo real. O intuito do malvado é achar Língua Encantada, apelido carinhoso dado ao pai de Meg, para fazê-lo ler livros e trazer algumas coisas que deseja para esse mundo.

Quando peguei Coração de Tinta em mãos pensei: "Uau, finalmente vou ler esse livro tão famoso e elogiado". Essa empolgação durou bem pouco. Não sei vocês, mas, às vezes, sinto que o problema não é o livro, e, sim, o momento da leitura. O começo da história me pegou, lia com veracidade e vontade. Logo antes do meio minha ânsia por descobrir o final do enredo se dissipou, e foi acabando pouco a pouco.

 A narrativa de Cornelia é boa, detalhada até demais. A descrição dos personagens é rica e envolvente. Meg, Mo, Dedo Empoeirado e Elinor formaram um quarteto excelente. A personalidade de cada um é bem delineada, formada de peculiaridades. Meg, uma jovem com maturidade além da idade, tinha uma força admirável. Me afeiçoei a esta personagem, de verdade. Ela fez de tudo para ajudar seu pai, sua tia e Dedo Empoeirado, mesmo não tendo tanta possibilidade de êxito. Elinor é rabugenta, mas de uma forma agradável e divertida. Mo é destemido e sempre pronto para dar o que for em troca do bem estar da filha.

O livro contém ilustrações feitas pela própria Cornelia, o que achei muito interessante. Foi uma forma, creio eu, de aproximar o leitor do universo de Meg e Mo. E deu certo. Houve uma aproximação maior com os desenhos de Gavin, um Marta de chifres do Dedo Empoeirado, a aldeia de Capricórnio e tantos outros ambientes.

O livro tem a dose certa de ação e aventura, mas por que será que ele não me agradou tanto? A história começou bem, mas se tornou muito acíclica. Todos os fatos se repetem ao longo da trama, e acabei por me cansar um pouco disso. Imaginem aquele filme que o mocinho está prestes a fazer algo errado, sabe disso e mesmo assim vai pro covil do bandido? É por ai que Coração de Tinta anda. O mesmo discurso do Capricórnio, as situações repetitivas e que não me surpreendiam deixaram o ritmo da leitura bem lento do meio para o fim.

Coração de Tinta, apesar de não ter sido a leitura espetacular que esperei, foi satisfatório. A magia que envolve o livro valeu a pena. Nesse ponto admiro os autores infantojuvenis: sabem criar um mundo mágico maravilhoso. Isso me fez ir adiante e ter a certeza que quero continuar a série.

Tag - Meus livros, ninguém sai!

26 de novembro de 2014


Numa das minhas poucas andanças por blogs visitei um que deixou a tag em aberto (sorry, esqueci o nome) e como foi um negócio que me matou de rir, resolvi trazer pra cá.

Quem criou foi o blog De cara nas letras e a tag consiste em mostrar livros que, de certa forma, tem a ver com as frases do video "Meu óculos. Ninguém sai!"

      

O vídeo, a primeira vista, principalmente com essa "dublagem" tosca e sem emoção, não tem muita graça. A primeira vez que assisti o vídeo do acidente (segundo vídeo a direita, assistam!), foi ao som de um remix com direito a um incansável replay em cima daquele saco de batatas careca de óculos escuro que caiu feito um pedaço de pau depois de um 360º desgovernado da lancha água afora. Madeeeeeeeira! Ploft!
Acho que só quem já tinha visto antes é que acha engraçado e entende melhor a "piada" do video que ganhou tantas zoeiras e adaptações pela internet, essa terra sem lei e sem limites ahahahaha, e como se não fosse o suficiente, mais piadas sobre a própria piada foram criadas, novas piadas usando o remix também foram criadas em forma de video montagens pra tudo quanto é assunto que existe, tudo se tornou viral em poucos dias, e até hoje se fala da pobre "Juliana que está des-mai-ada", dentre outros.

É uma bobagem, eu sei, mas vamos rir, pelo menos do vídeo com o remix ahahahahahahaha!
The zoera never ends.

Bora nos divertir e descontrair um pouco e tô aqui até agora sem acreditar que criaram uma tag usando esse tema ahahahahahahaha. A criatividade realmente não tem limites. Espiem as perguntas da tag e minhas respostas pra elas:

1.  "Ei, coisinha, vá devagar"
Sabe aquele livro que você devorou rapidamente? Qual foi ele?
Já li vários livros em poucas horas, mas os que lembro agora são os seguintes:

2. "Eu vou me segurar aqui"
Qual livro te prendeu?
Muitos também já me prenderam, espiem:

3. "Se eu cair eu quebro a minha cla-vícula"
Qual obra te desestabilizou emocionalmente?
Agora me lembro de dois:

Tem Alguém Aí? e um livro que me fez rir muito, mas também me fez chorar ainda mais, e mesmo tendo passado tanto tempo depois de ter lido, continuo indicando sempre pra todo mundo, e até hoje não resenhei por não saber como expressar minha opinião pra que seja possível passar tudo o que senti sem soltar spoilers. Esse é um livro fácil de ler, mas difícil de falar sobre... Só se entende o começo ao chegar no fim. Complicado, né? Pois então... Um dia vou resenhar, só não sei quando hehehe
E claro, Um Caso Perdido, que também chorei litros.

4. "MEU ÓCULOS, ninguém sai!"
Qual livro você não empresta ou tem muito ciúmes?
Não gosto de emprestar livros, empresto pra gente da família (irmaos, mãe, pai, não parentes em geral), mas fico de olho pra não despirocarem tudo. Porém, tenho alguns que considero tesouros, relíquias, e não empresto pra ninguém, nunca, em hipótese alguma, jamais, never, não:
Trilogia Fronteiras do Universo

5. "Juliana, você viu meu óculos?"
Qual livro você emprestou e nunca mais viu na vida?

O Pau e A Câmara Secreta. Tive que comprar outros pra repor os que se foram e não voltarão nunca mais.

6. "Juliana está DES-MAI-ADA!!!"
Qual livro te deixou com ressaca literária, sem poder ler outros livros?

7. "Shamuchamochamu chama o SAMU!"
Que livro te deixou louco pela continuação?
Pode ser livroSSS?
Quero a continuação de todos!

8."Eu errei, viu?"
Escreva aqui um pouco sobre aquele livro que você achou se seria uma coisa e é outra!

Chá de Sumiço foi um livro que me decepcionou um pouco justamente porque pensei que seria algo MUITO divertido devido a protagonista maluca da silva, mas foi MUITO diferente do que esperei.

Polêmica, eu? #8 - Pano de fundo ou plano de fundo?

25 de novembro de 2014



Faz séculos que não escrevo nada nessa coluna... Ela acabou ficando esquecida, abandonada, jogada as traças... Alguém se lembra da pobre? Eu quase esqueci...
Mas também, faz tempo que não tenho tempo, e como não acho o bicho no supermercado pra comprar, faço o que posso, quando posso, como posso.... enfim...
Acho que o tema que escolhi não é necessariamente tão polêmico, mas apontar erros - principalmente os de português que o povo inventa ou tira do além - incomoda, tanto quem escreve errado, quanto quem sente a facada no peito rasgando o coração ao meio ao ler tamanhos absurdos.
Como sempre, não direciono o post a alguém em particular, mas se você aí se sente tão incomodado quanto eu quando lê esse tipo de expressão usada incorretamente, junte-se ao clube. Mas se você é do outro time, #prestatenção, man. Os leitores, aqueles a quem passamos nossas opiniões, agradecem!

Pano de fundo ou plano de fundo? Qual é o certo? Qual é o errado? Quando e como usar?
Voltemos a linguagem do teatro... Era (e ainda é em muitos casos) colocado um pano no fundo do palco com intuito de complementar o cenário da apresentação. Como consequência, e funcionando como uma extensão para esse tipo de arte, tal elemento passou a designar também o ambiente para fotografias, pinturas, cinema e o que me importa mais dentre todos: o conjunto de eventos/elementos sobre os quais se desenrola uma história/ação/situação.
Então, ao se referir a qualquer cenário e/ou ambiente, seja no meio cinematográfico, seja no meio literário, ou em qualquer meio, o correto é usar a expressão PANO DE FUNDO. Capisce?

Exemplos:
1 - "...E partindo dessa premissa, com a linda Paris como pano de fundo (oh, Paris), Onde deixarei meu coração se desenrola." (trecho da resenha de Onde Deixarei meu Coração, no blog)

2 -  "Tendo como pano de fundo os anos 1960, A vida secreta das abelhas é uma história marcante sobre o poder feminino e o poder do amor." (trecho da sinopse de A Vida Secreta das Abelhas)

3 - "O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça..." (trecho da sinopse de Dark House)

4 - "Porém, a tragédia que todos conhecem e que dá fim a história do navio é somente o ponto de partida e um excelente pano de fundo para que possamos acompanhar o que o destino reservou para Tess e Lady Duff." (trecho da resenha de A Costureira, no blog)



Dentro do contexto, "plano de fundo" não se encaixa para corresponder ao cenário, visto que iria se tratar de outra coisa que não tem nada a ver... nada... O que seria o tal plano? A foto de uma paisagem linda na área de trabalho do seu computador? Ideias mirabolantes que serão postas em prática um dia? Um estado astral pra onde você foi após sair do seu próprio corpo? Uma dimensão distante pra onde você foi sugado? Heim? Oi? Ma oe?

Na dúvida, vá direito ao ponto e simplifique: substitua plano/pano pela palavra cenário e seja feliz.


O Reino das Vozes que Não se Calam - Carolina Munhóz e Sophia Abrahão

23 de novembro de 2014

Lido em: Novembro de 2014
Título: O Reino das Vozes que Não se Calam - O Reino das Vozes #1
Autoras: Carolina Munhóz e Sophia Abrahão
Editora: Fantástica/Rocco
Gênero: Juvenil/Fantasia/Nacional
Ano: 2014
Páginas: 288
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Se você encontrasse um lugar onde todos o aceitassem... Seria capaz de abandoná-lo?
Sophie se esconde de todos e de si mesma: insegura, não consegue enxergar sua beleza e talento, e sente dificuldade em se relacionar com os outros. Seu dia a dia se perde entre os caminhos tortuosos dos que convivem com a depressão e o bullying, e a jovem aos poucos vai se fechando na escuridão de seus pensamentos. Desamparada e sem coragem de lidar com seus problemas, ela acaba descobrindo um lugar mágico: um Reino onde as vozes não se calam e as criaturas encantadas se tornam reais. Um local colorido onde ela finalmente poderá se encontrar. Dividida entre a realidade e a fantasia, Sophie contará com a ajuda preciosa de um rapaz comum e uma guardiã encantada, que lhe mostrarão os segredos da alma e a farão decidir se vale a pena enfrentar seus medos ou viver em um eterno conto de fadas.

Resenha: O Reino das Vozes que Não se Calam foi um dos livros de estreia do selo Fantástica da Editora Rocco, e seu lançamento foi em Agosto/2014. Escrito por Carolina Munhóz em parceria com a atriz Sophia Abrahão, o livro conta a história de Sophie, uma garota de 17 anos tímida, com baixa autoestima, depressiva e que acredita que ser feliz é algo inalcançável. Por ser muito magra, sofre bullying constantemente e nem ao menos tem o apoio de Anna, sua melhor amiga, nem dos seus pais, nem de ninguém.

Numa noite, Anna acaba colocando Sophie numa situação muito delicada e constrangedora numa festa e a humilhação foi tanta que Sophie, que já se isolava, criou barreiras das quais ninguém poderia atravessar. Sophie se tornou ainda mais reclusa, sem ter com quem contar e sem coragem de continuar seguindo em frente. Incompreendida, a garota acaba perdendo as esperanças.
Até que Sophie descobre um Reino através de seus sonhos e acaba sendo transportada para lá, e para sua agradável surpresa, se trata de um lugar onde ela é querida e respeitada do jeito que é, ninguém a ofende, ninguém a humilha e ela, enfim, sente que a felicidade que parecia estar perdida, finalmente foi encontrada. E a escolha entre enfrentar seus medos e problemas ou viver num mundo encantado está diante de si.

Narrada em terceira pessoa de forma direta e até um pouco poética, e com várias referências literárias e musicais, a história se desenrola fazendo uma mistura de fantasia com drama de uma adolescente deslocada e desamparada que encontrou no Reino tudo o que mais desejava pra sua vida.
Ainda que os personagens de forma geral tenham sido apresentados de um jeito superficial, foi possível ter uma visão maior acerca de todos eles, que contribuíram para a construção da história e o próprio desenvolvimento e amadurecimento da protagonista devido ao tipo de narrativa, e um ponto que me agradou bastante é que como tudo vai direto ao ponto, não há enrolação. Sophie não é apresentada como uma mocinha indefesa e inocente apesar de sofrer (e as vezes sendo bem chata com tanta autodepreciação), pois  há outros temas em torno da vida adolescente que são trabalhados fazendo com que a história fique mais próxima da realidade, e ao meu ver, o toque fantástico, o Reino no caso, soou mais como uma metáfora para ilustrar o impulso que Sophie precisava para ter forças e mudar o que estava lhe fazendo tanto mal.

Sophie é o tipo de personagem que tem a vida sofrida, e ela mesma consegue se colocar ainda mais pra baixo, não enxergando suas qualidades tampouco a ajuda dos que se importam em querer vê-la feliz. O tema delicado que é o bullying, por mais que já tenha sido abordado em outras histórias, não trouxe nada de novo ao mostrar uma personagem infeliz que tem a chance de dar a volta por cima, mas foi trabalhado com bastante delicadeza e sensibilidade, mostrando que as pessoas podem ser frágeis e estarem a beira da desistência, mas com coragem e força de vontade é possível sair dessa, principalmente quando elas percebem que não estão sozinhas.

Ainda não decidi se gostei ou não da ideia do mundo encantado, com muitas referências a elementos já conhecidos de clássicos como Alice no País das Maravilhas ou O Mágico de Oz, mas posso afirmar que houve um bom equilíbrio. Em meio a um mundo caótico muitos se sentem infelizes com a situação de vida em que se encontram e só precisam se redescobrir, encontrando a própria voz e seu lugar no mundo, dando um pouco de cor a uma vida completamente cinzenta e sem graça.

Com relação a parte física, só tenho elogios para a capa muito bonita e bem trabalhada, com aplicações em verniz e o título em alto relevo. As páginas são amareladas, e a diagramação é um luxo só, com ornamentos ilustrando cada início de capítulos. A revisão está impecável.

Leitura indicada a todos que queiram ter o prazer de se deparar com uma grande lição de autoconhecimento e até de vida.

A Mais Bela de Todas - Sarah Mlynowski

22 de novembro de 2014

Lido em: Novembro de 2014
Título: A Mais Bela de Todas - Era Outra Vez #1
Autora: Sarah Mlynowski
Editora: Galera Record
Gênero: Infanto Juvenil
Ano: 2014
Páginas: 176
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Dois irmãos numa mágica viagem pelo mundo dos sete anões.
Após se mudarem de Chicago para Smithville, os irmãos Abby e Jonah sentem que há algo estranho na sua nova vizinhança. Quando o irmão caçula acorda Abby no meio da noite com uma novidade pra lá de esquisita - o espelho do porão está assobiando -, os dois são sugados para o meio da história da Branca de Neve. E pior: precisam consertar as coisas... Sem querer, Abby pode ter influenciado a princesinha a dar um pé no príncipe.
Abby e Jonah terão que criar os mais mirabolantes planos para colocar o destino de Branca nos trilhos ou o mundo dos contos de fadas nunca mais será o mesmo!

Resenha: Abby é uma garotinha de 10 anos, muito madura pra idade e que sonha em ser juíza. Quando seus pais se mudam pra Smithville, a menina vê sua vida revirada, tanto pela nova escola onde ela terá que se adaptar com aquele bando de crianças com hábitos dos quais ela não consegue se acostumar, quanto pela nova casa que tem um porão com um espelho pra lá de misterioso. Até que numa noite, Jonah, seu irmão caçula, a acorda no meio da noite dizendo que ouviu o espelho assobiar, e ao investigarem de perto, acabam sendo sugados e levados ao mundo dos contos de fadas, mais especificamente para a história de Branca de Neve. Porém, eles acabam impedindo Branca de Neve de comer a maça envenenada da bruxa, mudando todo o curso da história, afinal, com ela acordada, quem o príncipe iria salvar? Agora precisam dar um jeito nas costas enquanto tentam voltar pra casa. O melhor é que a história é bem dinâmica e rápida, o livro é curtinho, então em poucas horas pode ser lido.

A Mais Bela de Todas é uma história leve com um humor bem peculiar e doce voltada ao público infanto juvenil. Já conhecia a escrita da autora e além de bem fácil e fluída, é bem envolvente e cumpre com o papel de entreter o leitor.
Os personagens são cativantes e bem desenvolvidos dentro do contexto e Abby é muito corajosa e engraçada.

A capa não seguiu a original, mas achei o desenho super fofo e combina muito bem com a protagonista. As páginas são amareladas, os capítulos são curtos e há uma ilustração referente a algum elemento dos contos do início de cada um.

As crianças passam por vários perigos e aventuras para tentarem deixar as coisas nos eixos e por mais infantil que a história seja, não deixa de ser uma ótima releitura em que o nome da série, "Era outra vez" faz total jus ao propósito e com certeza vai agradar a todos que procuram por uma leitura rápida e agradável.

"Mascarados" é censurado pelo Metrô de São Paulo

21 de novembro de 2014

Arte do anúncio censurado pelo Metrô de São Paulo. Crédido da arte: Nathalia Pinheiro
Mascarados – a verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc, livro reportagem lançado neste mês pela Geração Editorial, teve anúncio censurado pelo Metrô de São Paulo, sem motivos plausíveis.

A peça publicitária seria veiculada a partir do dia 28 deste mês nas linhas verde e vermelha. Segundo a funcionária da equipe de vendas, a peça não foi autorizada pois poderia incitar a violência e que o Metrô tem total autonomia para barrar anúncio que eles julgam ir contra o regulamento da companhia. Até o momento a Geração Editorial não foi informada sobre as regras do regulamento e elas não constam no mídia kit.

Mascarados, livro escrito pela cientista social e professora da Universidade Federal de São Paulo Esther Solano e pelos jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes, revela quem são, o que pensam e o que queriam os Black Blocs. A obra mostra uma realidade bem mais complexa dos adeptos da tática Black Bloc que, a partir de junho de 2013, invadiram as ruas com suas manifestações violentas e, para alguns, selvagens. “Essa atitude do Metrô é justamente o que eu queria criticar escrevendo o livro, por que julgar, censurar, sem conhecer? Por que sempre cair em preconceitos? Mascarados é a proposta contrária, traz o debate, o conhecimento e a pesquisa e serve para combater essa intolerância que nos faz a cada dia mais ignorantes”, disse a professora Esther Solano, coautora da obra.

Como uma empresa proíbe o anúncio de um livro sem ao menos ler? Isso é censura!  Vale lembrar que Mascarados têm entrevistas com policiais, jovens e inclusive com um coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo que leu a obra e aprovou o conteúdo. O livro em nenhum momento é uma apologia à tática Black Bloc e sim uma grande reportagem mostrando quem são e o que pensam esses jovens. Enfim, é uma vergonha o que aconteceu já que julgaram o livro pela capa. Isso é de uma ignorância sem tamanho.”, avalia o jornalista Willian Novaes, um dos autores do livro.

Onde Deixarei Meu Coração - Sarra Manning

20 de novembro de 2014

Lido em: Novembro de 2014
Título: Onde Deixarei Meu Coração
Autora: Sarra Manning
Editora: Galera Record
Gênero: Jovem adulto
Ano: 2014
Páginas: 336
Nota: ★★★★★
Sinopse: Simples, careta e sem graça. É assim que Bea se vê. Então quando a super descolada Ruby e seu bando de populares passam a se interessar por sua opinião, isso só pode ser uma pegadinha. Certo? Pelo menos é assim que sempre acontece nos filmes... Mas o convite para passarem as férias em Málaga parece pra valer. E com um bônus: Bea pode se afastar da mãe irritante e controladora. No entanto, depois de apenas 48 horas na Espanha, Bea se flagra mudando o itinerário. A menina decide visitar Paris para encontrar o pai que nunca conheceu. Afinal, a cidade luz pode emprestar um pouco de clareza a um período nebuloso de sua vida familiar. No caminho, ela conhece Toph, um estudante americano mochilando pela Europa. Enquanto procuram pelo pai dela nos cafés e boulevards de Paris, ela perde a cabeça em vez disso. Será que Bea é a garota de Toph ou a boa menina que sua mãe espera que ela seja? Ou será esse o verão mágico em que Bea finalmente torna-se dona do próprio nariz?

Resenha: Bea é uma adolescente de 17 anos que, por ser certinha demais e ter a vida completamente regrada dentro de uma rotina pontualíssima, não vê graça em si mesma. Careta, apagada, invisível, sem atrativos, feiosa e completamente desinteressante, é assim que ela se sente.
Quando Ruby e seu bando de bitches mais populares da escola começam a se aproximar de Bea, a garota só poderia ter imaginado que se tratava de uma brincadeira de muito mau gosto. Desconfiada, ela se sentia deslocada em meio àquelas garotas exuberantes e namoradeiras que não tinham nada a ver com seu jeito. Até que um convite para passar as férias na Espanha com as populares é feito a ela e, levando em consideração seus problemas com a mãe superprotetora e o quanto Bea é correta, previsível e entediante, resolve dar uma de rebelde e parte em viagem. Mas ela percebe as reais intenções de Ruby, que de amiga não tinha coisa nenhuma, conhece um grupo de universitários mochileiros, entre eles Toph ♥, e ao invés de voltar para casa, o que era de se esperar, resolve ser um pouco mais rebelde, fugir de estereótipos e dois dias depois de chegar a Espanha, #partiu para Paris procurar seu pai que, a propósito, ela nem ao menos conhece.

E partindo dessa premissa, com a linda Paris como pano de fundo (oh, Paris), Onde deixarei meu coração se desenrola. Com uma capa perfeita e narrado em primeira pessoa, os pensamentos de Bea ganham voz, como se ela estivesse presa por muito tempo e agora, finalmente, está livre. Como um bom romance, o ritmo dos acontecimentos não é frenético nem cheio de intensidade, as coisas acontecem devagar e considerando o tipo de história era algo que eu já esperava. Bea vai levando seu jeito "careta" e quando explode é que tudo fica ainda melhor. Ela lida com os problemas que tem relacionados as amizades, a família e ao romance que começa a brotar de forma tão singela entre ela e Toph que vai arrancar suspiros das mais românticas... Quando Bea resolve enfrentar tudo que está engasgado, começa a amadurecer muito, pois até então ela não passava de uma típica adolescente, com comportamento de adolescente, e muitas vezes bem idiota (quem nunca, né?), e quando começa a descobrir quem é de verdade, pode ser motivo de inspiração pra muitas que se encontram em uma situação parecida e não sabem o que fazer para se sentirem melhores.

Preciso falar que Toph foi um personagem que me conquistou. O cara tem 20 anos e é um amor de pessoa, e mostra que em meio a tantos trastes não se deve perder as esperanças. Além de mostrar que o interesse de Bea por ele é recíproco, Toph é o tipo de cara que está alí pro que der e vier, daqueles com quem se pode contar sempre. Quem nunca sonhou com alguém assim? E quem nunca sonhou com alguém assim em Paris?? Gente! Paris! Pariiiss! Cenário melhor do que esse é impossível.

A história foi bem trabalhava e desenvolvida, os elementos foram bem apresentados, e a situação no geral (mesmo que não seja um tema tão original assim), consegue ser bem crível e próxima da nossa realidade, principalmente ao abordar os conflitos familiares da garota que não são nada fáceis. Acredito que muitas garotas (e até garotos) irão se identificar com os conflitos, anseios e desejos da protagonista.

Uma história leve, envolvente, doce e comovente que mostra que sair da mesmice, agir por impulso no calor do momento, às vezes, pode resultar em algo muito bom do qual podemos aprender alguma coisa que vale para a vida, como nos conhecermos, nos aceitarmos melhor ou simplesmente nos reencontrarmos dentro de nós mesmos...

É claro que recomendo. De olhos fechados.

O que Restou de Mim - Kat Zhang

Lido em: Novembro de 2014
Título: O que Restou de Mim - As Cronicas Híbridas #1
Autora: Kat Zhang
Editora: Galera Record
Gênero: YA/Sci-Fi/Distopia(?)
Ano: 2014
Páginas: 320
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.

Resenha: O que Restou de Mim é o primeiro volume d'As Crônicas Híbridas, escrito pela autora Kat Zhang e publicado no Brasil pela Galera Record. A história se passa numa sociedade onde todos nascem com duas almas. Enquanto crianças, as almas ficam entrelaçadas até se definirem, ou seja, a alma dominante permanecia no corpo para que o indivíduo pudesse ter uma vida normal enquanto a alma recessiva deve partir. Tal evento ocorre ainda na infância, porém, com Addie e Eva as coisas foram diferentes. O tempo passou, mas por mais que Eva fosse declarada como a alma recessiva, ela nunca partiu, fazendo com que o corpo se transformasse numa prisão abrigando as duas almas juntas o que as caracterizou como híbridas. Híbridos são malvistos pela sociedade, considerados perigosos, instáveis, culpados por separar a Américas do resto do mundo e precisam ser extintos, e por esse motivo, Addie e Eva guardam segredo sobre a condição da qual se encontram, até que elas descobrem que não são as únicas que se escondem ao conhecerem os irmãos Hally (e Lissa) e Devon (e Ryan) e que, ao serem capturados, há muito mais sobre os híbridos do que elas poderiam imaginar...

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Eva, e por ela ser a alma recessiva, em seus pensamentos/diálogos com Addie, a fonte é diferente para que possa haver distinção entre elas e isso foi um ponto a favor da diagramação. A capa é deslumbrante, pois ao mesmo tempo que consegue ser simples, ilustra perfeitamente duas pessoas em uma só com a parte de um rosto dentro de uma silhueta. O título ainda tem aplicação em verniz pra ter um destaque mais bonito. Os personagens foram muito bem construídos e desenvolvidos, todos tem falhas e isso os tornam mais próximos de nós, os tornam mais críveis e, pra mim, a relação fraternal entre Addie e Eva foi o que mais aproveitei, pois são personagens diferentes, que pensam diferente, mas compartilham um único corpo, procurando se esforçarem para que suas necessidades sejam supridas e seus desejos atendidos enquanto precisam enfrentar todo o horror da sociedade que perseguem pessoas como elas e de um laboratório do governo, onde a frieza com que são tratadas é de arrepiar os cabelos, e até mesmo os demais híbridos que são abandonados pelas famílias por serem vistos como verdadeiras aberrações.

Chega a ser angustiante. A história é bem fluída e tem um ritmo bem rápido, sempre está acontecendo alguma coisa, mas fica o mistério no ar em que o leitor fica curioso pela questão dos híbridos e qual o motivo de serem tão "perigosos" assim, pois as pessoas devem denunciá-los caso os identifiquem mas não há explicação do motivo. Sabem que são perigosos, mas não sabem realmente o que fizeram de tão terrível na realidade pra serem considerados assim. Há algumas reviravoltas na história, alguns pontos não são explicados, o que acaba deixando o leitor no escuro, e algumas coisas se repetem muito tornando alguns pontos cansativos, mas o enredo é brilhante e achei bem original, principalmente se levarmos em conta de que tudo é contado pela alma recessiva, fazendo com que o narrador saia do padrão do qual estamos acostumados. Eva é o tipo de personagem que mexeu comigo pois por ser a alma recessiva ela não tem voz, não tem ação, está fisicamente incapaz de fazer qualquer coisa a menos que Addie queira, mas ainda assim consegue ser mais forte do que muitas protagonistas cheia de coragem que vemos por aí. o romance é algo tão sutil e pouco aprofundado que nem formei opinião sobre ele, talvez seja abordado no próximo volume.

No geral, apesar de algumas falhas que o livro apresenta, considerei que a autora soube conduzir a história com bastante habilidade e a busca pela identidade retratada aqui é algo que vale a pena ser lido.

PS.: Só eu senti que a história lembra vagamente o caso mirabolante das gêmeas June e Jennifer Gibbons?

Promoção - Livros de Natal

18 de novembro de 2014


Quem aí já tem a sua listinha de livros de Natal? \o/ É isso mesmo, dezembro está chegando e o Sonhos em Tinta resolveu convidar vários blogs amigos para comemorar essa época tão especial presenteando 10 leitores! Vocês podem participar de todos os sorteios, mas os ganhadores serão premiados uma vez, ok?! Vamos nessa!
Regras gerais:
- É obrigatório ter endereço de entrega no Brasil.
- Cada formulário tem regras obrigatórias diferentes. É necessário que as regras obrigatórias sejam cumpridas, do contrário, o vencedor será desclassificado sem aviso prévio.
- Cada blog ficará responsável pelo envio do prêmio que por ele foi disponibilizado para o sorteio, não tendo qualquer responsabilidade por extravio ou perda por conta dos correios.
- O ganhador terá 72 horas para responder o e-mail enviado, caso contrário um novo sorteio será realizado.
- O sorteio terá início em 18 de novembro e término em 22 de dezembro de 2014.
- Os blogs terão um prazo de 60 dias para o envio do prêmio.
- Se o seu twitter ou Facebook forem bloqueados, não utilize essas entradas, já que não tenho como verificar.

Kit 1

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Qualquer dúvida, envie um e-mail para sonhosemtinta@gmail.com (blog organizador da promoção)

Boa sorte!

Hora Morta - Anne Cassidy

17 de novembro de 2014

Título: Hora Morta - The Murder Notebooks #1
Autora: Anne Cassidy
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Tradutora: Viviane Diniz
Gênero: Juvenil/Policial/Mistério
Ano: 2014
Páginas: 320
Nota: ★★★☆☆
Sinopse: Uma noite, os pais de Rose e Josh saem para jantar... e nunca mais voltam para casa.
Depois de anos sem se ver, Rose e Josh conseguem se comunicar pela internet e resolvem investigar o desaparecimento que mudou o rumo de suas vidas.
Porém, na noite em que planejam se encontrar, Rose testemunha o assassinato de um colega de escola. O crime desencadeia inúmeras descobertas, que talvez sejam pistas para desvendar o mistério que a separou do irmão de consideração tantos anos antes.
A solução parece escondida numa série de diários com mensagens codificadas. Josh e Rose terão que correr contra o tempo para desvendá-las a fim de evitar a morte de desconhecidos... e a deles mesmos. 

Resenha: Hora Morta é o primeiro livro da série The Murder Notebooks, escrito pela autora Anne Cassidy e lançado no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.
Ambientado numa Londres urbana e moderna, Rose e Josh se separaram 5 anos atrás quando a mãe dela, Kathy, e o pai dele, Brendan, ambos policiais que trabalhavam com casos não solucionados, desapareceram sem deixar rastros. Depois do ocorrido, Rose nunca mais foi a mesma, pois enquanto foi morar com sua avó, se viu muito deprimida por ter se separado de seu irmão postiço que ela tanto gostava mas que foi morar com um tio.

Depois de estudar por bastante tempo num colégio interno, e de volta a Londres, Rose ingressou num colégio local torcendo por melhores oportunidades quando fosse para a universidade, mas mesmo feliz por finalmente poder reencontrar Josh após tanto tempo (e contrariando a ordem da avó de não encontrá-lo), seus problemas pareciam estar apenas começando. Rick Harris, o garoto mais implicante do colégio passou a persegui-la e atormentá-la sem parar. Ocorre que Rose acaba sendo testemunha de um assassinato  na plataforma do trem que esperava, cuja vítima era o odioso Rick. Rose precisou enfrentar um interrogatório e toda a burocracia policial, e Josh acabou lhe mostrando um "projeto" que ele desenvolveu: Criou sites com a finalidade de encontrar os pais desaparecidos pois se recusou a acreditar que eles estavam mortos. Mas Rose não acreditava que isso seria possível, sempre acreditou na polícia e não entendia como após tantos anos desaparecidos os pais ainda pudessem estar vivos. Mas Josh precisa ter certeza, precisa reunir pistas e, enfim, descobrir a verdade sobre esse misterioso sumiço.

Enquanto isso, outro assassinato acontece, novamente Rose está no meio, e tudo indica que as mortes podem ter alguma conexão, principalmente quando ela descobre uma ligação com o desaparecimento dos pais, pois o crime acaba por desencadear novas pistas que estavam escondidas, e agora resta aos dois correrem contra o tempo se quiserem descobrir a verdade e até mesmo continuarem a viver...

Narrado em terceira pessoa, mas pelo olhar de Rose, a trama de Hora Morta se desenrola fazendo um misto acerca do mistério que envolve o sumiço dos seus pais com as mortes que aconteceram no colégio. Ainda sobre a narrativa, por mais que seja fácil e fluída, considerei alguns trechos e diálogos muito superficiais e alguns sem sentido.

Rose é uma adolescente que faz o papel de revoltada com a vida, impulsiva e antipática, ao contrário de Josh que já conquista a simpatia do leitor lodo de cara. Até compreendo o comportamento devido ao que passaram, mas ainda assim foi demais.
Alguns personagens não me convenceram e algumas situações soaram muito forçadas pra mim. Não é lá muito comum nos depararmos com adolescentes que saem por aí investigando as coisas por contra própria, por mais que em alguns casos isso possa ser interessante e legal, mas que ainda conseguem atrapalhar o bom trabalho da polícia. Pra mim é normal que numa história existam empecilhos para atrasar ou atrapalhar alguma coisa, mas vindos dos maiores interessados foi difícil aceitar.

O mistério e a trama no geral são clichês, tudo ocorre de forma rápida, muitas informações são apresentadas de uma vez, algumas são óbvias, outras nem tanto, mas gostei da proatividade dos personagens em correr atrás do que querem em vez de ficarem esperando as coisas acontecerem.
Não me agradou muito a ideia de uma atração entre os personagens mesmo que não possuam uma relação consanguínea, não é uma coisa que me parece ser certa e soa bem doentio pra mim.
Há tensão, há ação, e é o tipo de história que o assassino é quem menos se espera e só ao final as coisas fazem mais sentido.
Gostei bastante da autora ter bolado uma interligação entre os personagens através da morte de Ricky e isso foi bem satisfatório.

A capa do livro é muito bonita, possui aplicações em verniz local, páginas amareladas, a revisão não deixou a desejar e a diagramação é ótima. Cada início de capítulo, que são numerados com numerais romanos, tem uma borboleta.

Perguntas sem respostas e novos mistérios encerram o livro e pretendo continuar lendo a série para saber o que está por vir. É um bom romance policial voltado ao público juvenil que cumpre com o papel.

É possível ainda baixar o prequel disponibilizado pela Rocco Digital, que antecede a trama, logo quando os pais de Rose e Josh desaparecem e eles vão para um lar provisório. É um conto bem curtinho, com pouco mais de 20 páginas, pra introduzir os protagonistas na trama e atiçar a curiosidade do leitor sobre Hora Morta. Aproveitem a gratuidade para fazer o download:

Dias Sombrios - Anne Cassidy
Sete dias se passaram desde que a mãe de Rose e o pai de Joshua desapareceram. Enquanto a polícia investiga o paradeiro do casal, os irmãos se hospedam na casa de Paul e Alice Towsend, o casal do lar adotivo provisório. Tudo o que eles sabem é que nenhum corpo foi encontrado. E sem mais nenhuma pista só lhes resta a esperança.
Baixe na Amazon

Marca da Lua - Flávia Duduch

16 de novembro de 2014

Lido em: Outubro de 2014
Título: Marca da Lua
Autora: Flávia Duduch
Editora: Novo Século
Gênero: Juvenil/Fantasia
Ano: 2014
Páginas: 312
Nota: ★☆☆☆☆
Sinopse: Por favor, feche o livro e coloque-o de volta na estante. Você realmente não iria gostar de ser como eu: com uma teimosia a ponto de se meter em um monte de encrencas por causa de um livro. Recoloque-o na mesma prateleira onde foi achado. A relação conturbada com o pai, o acidente que leva o irmão a perder a memória, os conflitos na escola, o misterioso e envolvente professor que a está rodeando... Tudo isso ainda é pouco diante do que Julie Lynch terá de enfrentar. Ao cumprir uma detenção na biblioteca da escola, ela encontra um misterioso livro, que lhe dá a missão de matar sete criaturas. Além disso, uma estranha marca de meia-lua começa a surgir em sua nuca, tornando ainda mais intrigante seu envolvimento com este fabuloso mundo da magia. O que são estas criaturas? E por que este professor, Noah, a atrai tanto?

Resenha: Marca da Lua foi escrito pela autora Flávia Duduch e lançado pelo selo Talentos da Literatura Brasileira da Editora Novo Século.
Começamos a história conhecendo Julie, que acaba de acordar de um coma de dez dias após um acidente que sofreu com o irmão. Ao acordar, ela descobre que seu irmão continua em coma mas quando ele acorda, está completamente confuso e não se lembra de nada.
O acidente que os levou ao coma ocorreu no aniversario de Julie, em que ela e o irmão fugiram para ir a festa comemorar. Lá, ela e os amigos brincam com um tabuleiro ouija para conversar e invocar espíritos, e nesta brincadeira eles liberam algo...

Porém a historia só começa quando, em um castigo que o professor aplica em Julie, ela deve organizar livros na biblioteca e acaba encontrando um cujo aviso na capa alertava "Por favor, feche o livro e coloque-o de volta na estante. Você realmente não iria gostar de ser como eu".
Como toda protagonista, Julie tem que ser teimosa e abrir o livro, claro, e com esta atitude algo faz sua nuca queimar. Uma marca de lua com o numero 7 surge, e ela descobre que foi jogada para uma sociedade conhecida como Ciclo, e agora terá que matar 7 criaturas, e uma delas é o fantasma libertado na brincadeira com o tabuleiro.

Confesso que quando li a sinopse deste livro me interessei bastante, pois ele parecia bem promissor e eletrizante. Contudo, não foi como pensei.
Primeiro, devo ressaltar que os personagens ficaram um tanto confusos, e suas descrições não foram bem feitas. Suas atitudes sempre eram contraditórias de uma página para outra. Na descrição pessoal, não sei quem é quem e nem imagino como eles sejam. Por exemplo: A personagem principal, Julie, parece ser bipolar, uma hora é prestativa, encantadora e supersensível e noutra é uma garota mimada, não estando nem aí para as consequências de seus atos, agindo como uma completa ordinária. 
A narrativa, que é feita em primeira pessoa, foi um incomodo e tanto. Não sabia exatamente em que tempo estava a historia, não sabia como tal personagem surgiu ali, como a personagem conseguiu tal ação já que numa hora ela estava ali, cara a cara com a criatura, noutra ela já estava com a criatura morta. Não sabemos como conseguiu matá-la.

Senti que a autora estava totalmente perdida na sua própria historia, como se tivesse sido feita as pressas e nada fez sentido, tudo ficou desconexo. Uma hora acontecia uma coisa e do nada mudava para outro assunto, e depois voltava ao assunto anterior.
A revisão deixou a desejar e foi um completo desgosto. Falta de concordância gramatical, verbal e tempo fora os muitos erros de ortografia que encontrei. Este foi o livro com a maior quantidade de erros que já tive a oportunidade de ler.

A premissa é interessante e diferente, tanto que me interessei pela leitura, mas uma revisão para corrigir essas falhas terríveis viria a calhar, pois nem sempre uma ideia inicial dá certo se não for bem trabalhada, com aprofundamento adequado, dando importâncias a detalhes que podem fazer diferença ou a explicações para determinados acontecimentos.
As fontes tem um tamanho bom, as folhas são amareladas, a diagramação é simples e a cada capítulo há um detalhe em formato de lua.

Caso queiram investir na leitura e tirar suas próprias conclusões, fiquem a vontade, mas eu particularmente, não aproveitei nada e infelizmente não foi um livro que me agradou.
A primeira frase da sinopse já ilustra bem minha opinião principal "Por favor, feche o livro e coloque-o de volta na estante."


Promoção - Aniversário dos blogs Eu Li, e Você e Olímpico Literário.

15 de novembro de 2014


Os blogs Eu Li, e Você e Olimpico Literário comemoram seu primeiro aniversário! E para comemorar e agradecer aos leitores, juntamente com blogs amigos, preparamos uma festa totalmente recheada de prêmios legais!
São 33 prêmios, incluindo livros e mimos para 5 ganhadores, e um deles pode ser você!

Pra participar é super fácil, confira as regras abaixo:

- Ter endereço de entrega em território nacional.
- Cumprir as entradas obrigatórias de cada blog participante de acordo com o kit de interesse.
- Comentar essa postagem deixando email válido para contato.
- Ao fim do sorteio, o ganhador deverá responder ao e-mail enviado num prazo de até 48hrs. Caso contrário, será feito um novo sorteio.
- Devido ao recesso das férias, os livros serão enviado num prazo de até 90 dias úteis.
- Cada blog é responsável pelo livro que cedeu.
- Não nos responsabilizamos por danos ou extravio causados pelos Correios.
- Caso o livro retorne por endereço incorreto informado pelo ganhador ou impossibilidade de entrega, não será feito um novo envio e o sorteado perderá o direito ao prêmio.
- O ganhador que descumprir alguma das regras, ou for sorteado com uma entrada não obrigatória que não tenha sido cumprida, será desclassificado.
- Perfis promocionais não serão aceitos e, caso forem sorteados, serão desclassificados.


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Boa sorte!

Novidades de Novembro - Cia das Letras, Paralela e Seguinte

14 de novembro de 2014

Paralela
After - After vol. 1 - Anna Todd
Depois de bater a marca de um bilhão de acessos na plataforma de leitura Wattpad ao transformar os integrantes da banda One Direction em personagens de uma história de amor sexy, a série After vira livro e promete ser o novo fenômeno editorial.
No primeiro livro, Tessa, de 18 anos, sai de casa, onde mora com a mãe, para ir para a faculdade. Até então sua vida se resumia a estudar e ir ao cinema com o namorado doce que conheceu ainda criança. No primeiro dia na faculdade, onde ela passa a dividir um quarto com uma amiga que adora festas, Tessa conhece Hardin, um jovem rude, tatuado e com piercings que implica com seu jeito de garota certinha. Logo, no entanto, os dois se envolvem e Tessa, que era virgem, vê sua sexualidade aflorar. Hardin é inspirado em Harry Styles, um dos membros do One Direction. Os outros quatro músicos da banda – Zayn, Niall, Louis e Liam – também viraram personagens na trama.
Tessa logo descobre que Hardin possui um passado cheio de fantasmas e os dois começam um relacionamento intenso e turbulento. Depois dele, ela nunca mais será a mesma.

Somente sua - Crossfire, vol. 4 - Sylvia Day
Gideon me chama de anjo, mas é ele o milagre na minha vida. Meu deslumbrante guerreiro ferido, determinado a destruir meus demônios, ao mesmo tempo em que se recusa a encarar os seus. Os votos que trocamos deveriam ter nos deixado mais próximos do que nunca. Em vez disso, abriram feridas antigas, expuseram dor e insegurança, e atraíram os meus inimigos a sair das sombras. Senti que ele se distanciava. Meus maiores medos pareciam virar realidade; meu amor estava sendo testado, me deixando em dúvida se seria forte o suficiente para aguentar.No momento mais alegre de nossas vidas, a escuridão do passado dele ressurge e ameaça tudo pelo que trabalhamos até agora. Teremos que encarar uma escolha terrível - a segurança da vida que tínhamos antes de nos conhecermos ou um futuro que de repente parece um sonho impossível e sem esperança.


Seguinte
Diário da Seleção - Kiera Cass
A Seleção é aquele tipo de série que nos deixa pensando sobre a história e os personagens por muito tempo… e com vontade de compartilhar tudo com outras leitoras tão apaixonadas quanto a gente.
 Se você não consegue ficar muito tempo longe de America, Maxon e o mundo de Illéa, o Diário da Seleção será sua companhia perfeita durante um ano inteiro. Em suas páginas com design especial, você poderá mergulhar no universo da série, contar um pouco sobre você, além de montar playlists, criar desenhos, colagens, novas passagens para os livros e muito mais.





13 Incidentes Suspeitos - Volume extra da série Só Perguntas Erradas - Lemony Snicket
Livro extra e independente da série Só Perguntas Erradas, com 13 contos que estimulam o leitor a desvendar os mistérios antes de ler as soluções no final.
A peculiar cidade de Manchado-pelo-Mar é palco de muitos eventos estranhos e é lá que o jovem Lemony Snicket - famoso solucionador de mistérios - tenta resolver seu primeiro grande caso, relatado em detalhes na série Só Perguntas Erradas.
Mas os mistérios se sucedem, e o detetive mirim agora terá de descobrir por que quadros caem sozinhos das paredes, quem roubaria um tritão amarantino, como é possível que um fantasma passeie pelo cais à meia-noite e quem faz parte da famigerada Gangue do Tijolão, entre vários outros enigmas. Lemony Snicket precisará juntar pistas e interrogar testemunhas para desvendar cada caso.
Os leitores se tornam membros da organização secreta de Snicket e também participam da investigação: o desafio será resolver os casos antes de ler as soluções, reveladas no final do livro.

A Ascensão das Trevas - A Queda dos Reinos vol. 3 - Morgan Rhodes
No terceiro volume da série A Queda dos Reinos, todos acreditam estar perto de encontrar a Tétrade. Mas o destino é instável quando a magia está em jogo…
Depois de conquistar Mítica inteira, o rei Gaius ainda não está satisfeito: sua nova missão é encontrar a Tétrade, quatro cristais mágicos perdidos, capazes de conferir poderes indescritíveis a quem os reunir. Para isso, ele conta com os conselhos de Melenia, uma imortal que o visita em seus sonhos e que o instruiu a criar uma estrada ligando todos os reinos. Gaius acredita que está no caminho certo e que Lucia, sua filha adotiva, será a chave para localizar e despertar os cristais.
Mas o Rei Sanguinário não é o único que cobiça essa magia milenar: vindos de Kraeshia, um império vizinho muito influente, o príncipe Ashur e a princesa Amara conhecem as lendas de Mítica e desconfiam de que a Tétrade não seja apenas um mito. Logo eles entram na disputa e buscam seus próprios aliados nessa corrida pelo poder.
Um período de trevas se abate sobre Mítica, e nesses tempos sombrios Jonas, Cleo, Magnus e Lucia precisam descobrir o quanto antes em quem podem confiar.

O Terror das Terras do Sul - A Quase Honrosa Liga de Piratas vol 2 - Caroline Carlson
Em O tesouro da Encantadora, Hilary viveu grandes aventuras em alto-mar até encontrar o maior tesouro do reino, desaparecido havia muito tempo, e sua dona, a Encantadora das Terras do Norte. Como recompensa, recebeu um certificado de filiação à Quase Honrosa Liga de Piratas e o título de Terror das Terras do Sul.
Neste novo volume da série, a Encantadora voltou ao seu posto, e Hilary acompanha a redistribuição dos objetos mágicos pelo reino. Mas o presidente da QHLP não está satisfeito: Hilary precisa se envolver numa atividade verdadeiramente pirática logo, como matar um monstro marinho ou derrotar um líder pirata num duelo, senão perderá seu título - e sua filiação à Liga.
 Antes que consiga recuperar sua reputação, a garota fica chocada ao descobrir que a Encantadora foi sequestrada. Contrariando as ordens do presidente da Liga, Hilary se junta à gárgula e a seus amigos para investigar o caso, ainda que resgatar Encantadoras não esteja na lista de atividades próprias a um pirata.


Companhia das Letras
Middlesex - Jeffrey Eugenides
Nasci duas vezes: primeiro como uma bebezinha, em janeiro de 1960, num dia notável pela ausência de poluição no ar de Detroit; e de novo como um menino adolescente, numa sala de emergências nas proximidades de Petoskey, Michigan, em agosto de 1974.” Ironicamente, Calíope Stephanides está morando em Berlim, cidade que por décadas se viu dividida, quando começa a relembrar sua própria história, marcada pelo desvio e pela busca de unidade. Para entender o que a tornou tão diferente das outras meninas, Calíope precisa investigar segredos de família e a espantosa história de uma mutação genética que atravessa as décadas e a transformará em Cal, um dos mais audaciosos narradores da ficção contemporânea. Sofisticado, recheado de referências literárias, e ao mesmo tempo envolvente, Middlesex é uma reinvenção do épico americano, que alia as tradicionais sagas familiares à mais virtuosa narrativa pós-moderna.

Sete anos - Fernanda Torres
A entrada em cena de Fernanda Torres no mundo das letras foi apoteótica. Seu primeiro romance, Fim, lançado em novembro de 2013, cativou centenas de milhares de leitores pelo Brasil, atraiu a atenção e diversas editoras ao redor do mundo e ainda foi elogiado pelos críticos mais prestigiados do país. Era de esperar que suas crônicas não demorassem a sair. Desde 2007, Fernanda tem mantido assídua relação com a imprensa. Estreou na revista piauí, assumi uma página quinzenal na Veja Rio e em seguida uma coluna mensal na Folha de S.Paulo. Sete anos reúne parte dessa contribuição. São pensamentos divertidos e reveladores sobre cinema, teatro, política, família e assuntos do cotidiano. Há ainda um texto inédito: o pungente “Despedida”, que trata da morte de seu pai. Os leitores de seu romance e de suas colunas na imprensa, seu público na TV e no teatro, todos encontram neste livro o tom confessional, o carisma a inteligência aguda e o olhar irônico que fazem de Fernanda Torres uma das artistas mais brilhantes de nosso tempo.

Put some farofa - Gregorio Duvivier
Don’t repair the mess. The house is yours. I make question. Pardon anything. Go with god. Come back always. Publicada em julho de 2014, a crônica que dá título a este volume, que cria uma conversa imaginária entre um brasileiro e um gringo visitando o Brasil durante a Copa, rapidamente se tornou um viral de internet com mais de 230 mil compartilhamentos, até ser comentada em artigo do Washington Post.
Trata-se de uma amostra da verve humorística - embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto - de Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos e promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofa traz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos.



A Cabeça de um Homem - Georges Simenon
Maigret tenta provar a inocência de um homem condenado à morte por um assassinato brutal. Enquanto se desenrola seu plano, ele encontra expatriados americanos com segredos que poderão trazer toda a verdade à tona.

Gata Branca - Holly Black

13 de novembro de 2014

Lido em: Novembro de 2014
Título: Gata Branca - Mestres da Maldição #1
Autora: Holly Black
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Tradutora: Regiane Winarski
Gênero: Juvenil/Fantasia/Sobrenatural
Ano: 2012
Páginas: 360
Nota: ★★★★★
Sinopse: Cassel vem de uma família de mestres da maldição – pessoas que têm o poder de mudar emoções, memórias e destinos com o mais leve toque das mãos. Mas fazer isso é ilegal, o que significa que todos eles são criminosos. Exceto Cassel. Ele não tem o toque mágico, está de fora: é o único filho normal em uma família paranormal. O único detalhe é que matou sua melhor amiga.
Tentando fugir de seu terrível passado, Cassel faz de tudo para ser como os outros garotos. Uma noite, porém, tudo vai por água abaixo: depois de sonhar repetidas vezes com uma estranha gata branca, um ataque de sonambulismo o põe em perigo e ele começa a achar que seus irmãos estão escondendo mais do que alguns segredos.
Desconfiado de que não passa de uma pequena peça de um grande golpe, Cassel começa então a fazer uma busca em seu passado e em suas memórias, que parecem lhe fugir. Para desvendar os mistérios de sua vida, ele vai precisar armar um verdadeiro golpe de mestre. 

Resenha: Gata Branca é o primeiro volume da trilogia Mestres da Maldição escrito pela autora Holly Black e publicado no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.
A história se passa em um mundo alternativo em que existem pessoas com poderes... algumas são capazes de mudar a sorte de alguém, outras de manipular memórias, mudar emoções, destinos, causar a morte... Se tratam dos mestres da maldição, e quem é afetado acaba sendo "amaldiçoado", isso com um simples toque de suas mãos... Porém, como tudo na vida têm consequências, usar tais poderes se tornou algo ilegal, e quem tem o toque mágico é considerado um criminoso. Para evitar que maldiçoes fossem lançadas, mesmo que por acidente, todos que possuem o toque mágico são obrigados a usar luvas de couro.

Cassel Sharpe é um garoto de 17 anos que nasceu numa família de mestres, todos golpistas e envolvidos com a máfia, e cada um domina um tipo de poder, exceto ele próprio, que, aparentemente, nasceu sem poder algum, o que o tornou um intruso em sua família, mas, como ele mesmo aprendeu, não é preciso ser um mestre pra ser um golpista.

E falando em família, a dele não poderia ser pior... Irmãos ordinários que trabalham para mafiosos ardilosos, mãe sem vergonha que foi presa por ter usado seus poderes para manipular emoções e extorquir homens ricos, pai morto, e Cassel, em meio a esse ambiente desestruturado, acredita ser um criminoso porque, além de ser bom em dar golpes, mesmo não possuindo poderes, conseguiu matar sua melhor amiga e por quem ele era apaixonado, Lila Zacharov, aos 14 anos, mas não se lembra muito bem do que aconteceu de fato. Ninguém de sua família toca no assunto, pois a garota é filha de Zacharov, o terrível mafioso chefe de Philip e Barron, seus irmãos mais velhos. E essa morte é o o principal ponto de partida para o desenrolar da história.

Em Wallingford, uma escola preparatória para a qual Cassel foi enviado após a prisão de sua mãe, o garoto tem uma crise de sonambulismo e acaba sendo pego andando pelo telhado. Ele só se lembra de um sonho em que uma gata branca havia roubado sua língua e ele queria recuperá-la. O diretor quer expulsá-lo e mandá-lo de volta para casa, mas ele não tem mais uma família e um lar pra onde voltar e sua única opção é se submeter a uma avaliação médica para que seja atestado que ele não tem problemas graves que fariam com que ele andasse em telhados enquanto dorme outra vez colocando a própria vida em risco. Ele continua tendo sonhos com a tal gata até perceber que existe gatos rondando a propriedade, e entre dois malhados, um preto e um bege, há um branco... Ele começa a perceber que algo de errado está acontecendo e tenta descobrir o que é enquanto vai desvendando mistérios que o cercam e usando de todo o seu talento para atingir seus objetivos.
“Minha mãe explicou o essencial sobre golpes mais ou menos na mesma época em que explicou sobre as maldições. Para ela, a maldição era como conseguia o que queria, e o golpe era como escapava do que tinha feito. Não consigo fazer as pessoas amarem ou odiarem instantaneamente, como ela, nem fazer seus corpos se virarem contra si mesmos, como Philip, nem tirar a sorte das pessoas, como meu outro irmão, Barron. Mas não é preciso ser um mestre para ser um golpista.
Para mim a maldição é uma muleta, mas o golpe é tudo”.
- pág. 24
Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Cassel, Gata Branca é uma leitura muito fluída, daquele tipo que quando se começa é difícil largar enquanto não termina.
O melhor da narrativa é que ao se envolver com a história, nem sequer me lembrei que por trás de Cassel existia uma autora escrevendo tudo aquilo. Holly Black conseguiu dar "voz" ao protagonista fazendo-o passar por um adolescente autêntico, com personalidade e mentalidade que se adequaram perfeitamente a idade dele, inclusive na falta de senso em acreditar que o que faz de ruim através de suas mentiras (muitos boas por sinal) é alguma vantagem.
"A memória é fugidia. Ela se ajusta à nossa compreensão do mundo, se deforma para acomodar nossos preconceitos. Não é confiável. Testemunhas raramente se lembram das mesmas coisas. Identificam as pessoas erradas. Dão detalhes de eventos que nunca aconteceram. A memória é fugidia, mas minhas lembranças, de repente, parecem ainda mais fugidias."
- pág. 116
A trama é completamente inovadora, diferente e bem amarrada, e a autora foi simplesmente genial ao deixar pistas sobre o passado de Cassel que, literalmente, o persegue e que acabam por enganando e confundindo o leitor, e até o próprio protagonista que se vê em meio a uma grande conspiração, para, ao final, ficarmos de boca aberta, onde máscaras caem e ninguém é quem parece ser. Não existe aquela açããão frenética e talvez por ser o primeiro volume é algo mais introdutório, algumas coisas acabaram se tornando um pouco previsíveis, e senti falta de algumas explicações, mas ainda assim a leitura superou minhas expectativas, me deixou empolgada e Cassel se tornou um dos meus personagens favoritos.

Por mais que a magia seja tema de outras histórias, o universo que é apresentado é bastante original no que diz respeito a detalhes, personagens e suas crenças sobre o uso dos poderes.
Uma das melhores leituras que tive o prazer de aproveitar este ano.

Com relação a parte impressa, a capa ilustra bem Cassel (usando luvas) com a gata e o título em alto relevo dá um charme a mais. A parte interna da capa é preta o que dá um ar de mistério ao livro. As páginas são brancas, mas mesmo preferindo as amareladas, não tive problemas com a leitura (são quase 400 páginas que podem ser lidas em um único dia devido a fluidez e a cor da página não atrapalhou minha empolgação em momento algum). A fonte tem um tamanho agradável, a diagramação é simples e não encontrei erros na revisão.

Para quem curte histórias com conteúdo rico em detalhes, com mistérios a serem revelados, com novidades a cada página e personagens bem construídos e super cativantes, Gata Branca é leitura obrigatória.