Na Telinha - Anne with an "E" (3ª Temporada)

3 de abril de 2020

Título: Anne with an "E"
Temporada: 3 | Episódios: 10
Elenco: Amybeth McNulty, R.H. Thomson, Geraldine James, Dalila Bela, Lucas Jade Zumann, Aymeric Jett Montaz
Gênero: Drama/Romance
Ano: 2019
Duração: 50min
Classificação: +12
Nota:★★★★☆
Sinopse: Ao completar dezesseis anos de idade, Anne (Amybeth McNulty) decide buscar a verdade sobre sua família biológica, para o desespero de Marilla (Geraldine James). Enquanto isso, o relacionamento da menina com Gilbert (Lucas Jade Zumann) sofre uma evolução.

Agora que tem dezesseis anos, Anne já está numa fase da adolescência onde ela tem muito mais consciência dos seus sentimentos, do poder da sua voz e dos seus objetivos para o futuro, e se sente preparada e madura o bastante pra buscar a verdade sobre suas origens e sobre sua família biológica, na intenção de preencher o vazio sobre saber se já havia sido amada e como foi parar num orfanato, o que, de início, não agrada Marilla, que tem medo de "perder" a garota de alguma forma, dependendo do que ela descobrisse. Além de escrever para o jornal da escola e ainda conseguir causar algumas confusões com as verdades duras que a sociedade ainda não está preparada para ouvir, ela, enfim, assume seus sentimentos por Gilbert, mas ao que tudo indica, uma mocinha inesperada aparece para despertar a atenção do rapaz e deixar o coração de Anne apertado por causa de tantos desencontros.


Em paralelo a isso, Ka’kwet, uma garota que vive numa tribo indígena e bastante pacífica, se torna amiga de Anne quando a protagonista quer escrever um artigo sobre seus costumes, mas, além das pessoas não entenderem bem o ponto de vista de Anne, Ka'kwet acaba decidindo ir estudar numa escola católica depois de ter sido levada a acreditar que isso seria melhor para seu futuro, mas sabendo que a série também trata de temas delicados como a intolerância e o preconceito, já sabemos que a garota, que é índia, teria um destino um tanto incerto e até preocupante. Se já tratavam os negros como seres inferiores e desprezíveis, quem dirá os índios que mal eram considerados pessoas...


Nesse cenário de mudanças de ares e propósitos, a série acaba proporcionando a ideia não só de despedidas, mas do grande senso de justiça que Anne sempre teve, mas que agora é crescida o bastante pra não passar despercebida como uma criancinha sonhadora frente aos adultos, e que se para a sociedade ela é um "incômodo", fica bem evidente que foi por causa de "incômodos" como ela é que ideias retrógradas começaram a evoluir, ou pelo menos um pouco.

Anne continua sendo bastante carismática, sendo sensível ao lidar com questões mais difíceis, mas também mantendo a personalidade forte para conseguir seguir adiante. Claro que ela tem apoio dos Cuthbert's e das suas amigas que já aceitam ele como uma igual, principalmente de Diana e Cole, e isso também colabora para impulsionar a história e mostrar que qualquer um precisa de um ombro amigo nos momentos mais difíceis da vida.


Diana também ganha um pouco mais de espaço quando a série sugere um complicado relacionamento entre ela e um jovenzinho já conhecido que jamais seria aceito por sua família, e que por isso acaba sendo mantido em segredo causando algumas situações complicadas que afetam a amizade dela com Anne, e isso também levanta outras questões que envolvem o amor verdadeiro e os casamentos arranjados pelas famílias.
A ideia de mostrar de uma forma bem lúdica como as mulheres eram criadas para obedecer os homens é bastante interessante, principalmente pela desconstrução desses estereótipos. Por ter nascido mulher, ninguém é obrigada a viver exclusivamente pra marido e filhos como se essa fosse sua única função no mundo, e esquecer de si própria e dos seus sonhos e objetivos, e quando as mulheres começam a confrontar esse tipo de coisa, ao mesmo tempo que ficamos indignados de ver como tudo isso era absurdo, também ficamos orgulhosos de saber que existiram mulheres que enfrentavam esse "sistema", que corriam atrás de seus sonhos e objetivos, e não se deixavam calar por causa de um embuste qualquer.


Porém, essa terceira e última temporada deixou um pouco a desejar devido à algumas situações vivenciadas por personagens secundários, mas que acrescentavam relevância á trama, que ficaram sem desfecho, ou personagens completamente diabólicos não tiveram um castigo a altura por seus atos horrendos, deixando a gente com a cara na poeira, sem explicações. Não posso me basear nos livros pra fazer a crítica por ainda não ter lido, mas, pelo que pesquisei e conversei com quem leu, muita coisa fugiu bastante da história original, o que leva qualquer fã a pensar que material de sobra pra dar continuidade e um final digno a tudo aquilo, não era o problema. Assim, por mais que Anne with an "E" tenha se tornado uma série que gostei muitíssimo de acompanhar, seja pelo envolvimento que tive ou pelas questões tão importantes que ela levanta sob uma perspectiva super atual, no final, fiquei com aquele gostinho amargo de que faltou algo mais. Mas, como a esperança é a última que morre, não custa sonhar que algum estúdio ainda acredite no potencial que ela tem, e dê sequência ao que não acabou.

Resumo do Mês - Março

1 de abril de 2020


Quarentena é um negócio que assusta quando a gente tá acostumado com filmes e séries pós apocalípticas da vida, né? Sei lá o que vai ser daqui pra frente com esse surto horripilante desse vírus terrível que tá deixando o mundo inteiro nesse Deus- nos-acuda, mas minha parte, que é ficar em casa (coisa que tô há anos e anos e anos e anos e já me acostumei), eu tô fazendo lindamente. Tô colocando um monte de séries em dia, descobri uma que nunca tinha ouvido falar e que desgraçou minha cabeça (oi, Servant), to lendo meus livritchos e ouvindo os audiobooks de Harry Potter, voltei a jogar My Sims e já construí a cidade inteira, e, claro, mantendo o foco na minha coleção de pops do bruxinho também que, até a próxima wave sair, e graças a Dios ela não ficou gigantesca, tá quase completa, na medida do possível.

Enfim, bora ver o que teve no blog:

♥ Resenhas
Vermelho, Branco e Sangue Azul - Casey McQuiston
- Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J.K. Rowling
- Harry Potter e o Cálice de Fogo - J.K. Rowling

♥ Na Telinha
- Anne with an "E" (2ª temporada)
- BoJack Horseman (4ª temporada)

♥ Top 10
- Filmes sobre epidemias horripilantes

♥ Wishlist
- Funkos de Garfield

Caixa de Correio de Março
- Foco em HP, Brasil ♥


Caixa de Correio #97 - Março

31 de março de 2020

Mantendo o foco nos popíneos de Harry Potter, esse mês só teve a saga por aqui, e eu não poderia estar mais felicinha com minha coleção quase completa. Sei que a Funko não para de lançar novos pops de HP a cada 5 minutos, mas faltam poucos agora, grazadeus. Tem uns 3 que são beeeem caros por serem mais antigos e raros (Lucius com a profecia, o pack de criaturas e o Basilisco), mas talvez eu consiga os abençoados até o final do ano se der tudo certo em meio a essa crise terrível. Pelo menos tá na minha meta de "conquistas pra 2020", e espero conseguir cumprir se possível.

Não comprei nenhum livro esse mês e, por causa dessa pandemia horripilante, a editora suspendeu os envios de cortesias, então, nada de livritchos por aqui. Sendo assim, aproveito pra continuar ouvindo os audiobooks de HP, e investindo devagarinho e sem pressa no Desafio Literário The Witcher (se ainda não conhece ou não tá participando, vai lá no post que dá tempo, é até o final do ano). Como a edição ilustrada da Ordem da Fênix (e os seguintes) ainda não foi lançada, vou dar uma pausa nas resenhas da série, já que por mais que eu já tenha lido e assistido a saga mil vezes, quero manter o padrão que fiz no blog com as resenhas dos livrões ilustrados, caso contrário vou ter que editar tudo e não tô muito animada pra fazer isso. É nóis que voa, bruxão.

Enfim... Eis caixita de popineos:

Wishlist #87 - Funkos de Garfield

27 de março de 2020

Sabe aquele personagem que representa a gente?
Odeia segundas feiras e dieta. Ama café e lasanha. É sarcástico, preguiçoso, tá fora de forma, e adora assistir televisão. Quem nunca? Nem preciso dizer que quando soube desses lançamentos (que não são lá muito recentes), já quero. Pena que não tem as versões dos outros personagens, como o Jon, a Liz, e a Arlene, que eu também ia querer ter. A versão com a xícara de café é exclusiva da Funko Shop, logo é mais rara e beeem mais cara, mas não vou me preocupar com isso agora, visto que quero, mas não é prioridade por enquanto. Espie a belezura desses dois (ou três):


Top 10 #9 - Filmes Sobre Epidemias Horripilantes

26 de março de 2020


A gente sabe que epidemias e pandemias são assuntos delicados e que causam caos e pânico no mundo todo e, desde que anunciaram a contaminação pelo COVID19, as coisas não são muito diferentes. Ao mesmo tempo que as notícias sobre os estragos não cessam, as pessoas também parecem ter começado a manifestar um interesse e uma curiosidade bem grande em filmes sobre o assunto. Sendo assim, pegue seu álcool em gel e sua mascrinha, e confira essas dez indicações (separadas por ordem de lançamento) que podem ser procuradas e vistas nas telinhas:

Epidemia (Outbreak - 1995)

Sam Daniels (Dustin Hoffman) é coronel-médico do exército americano, além de ser o chefe do departamento de pesquisas epidemiológicas. Ele investiga uma nova doença contagiosa, que mata em pouquíssimo tempo e já dizimou um acampamento militar na África. Em virtude de um macaco ter sido levado de forma clandestina para os Estados Unidos, uma população de uma pequena cidade americana começa a apresentar os mesmos sintomas da doença, porém o contágio se desencadeia muito mais rapidamente, assim o exército coloca a cidade sob quarentena. Mas quando o cientista do exército tenta ajudar a população é inexplicavelmente afastado do caso.

Os Doze Macacos (Twelve Monkeys - 1996)

No ano de 2035, James Cole (Bruce Willis) aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar um mistério envolvendo um vírus mortal que atacou grande parte da população mundial. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar a sua sanidade para a médica Kathryn Railly (Madeleine Stowe), sua única esperança de mudar o futuro.

Extermínio (28 Days Later - 2003)

Após invadirem um laboratório de pesquisas em macacos, um grupo de ativistas encontra chimpanzés presos em gaiolas diante de telas que exibem continuamente cenas de extrema violência. Ignorando os avisos de um cientista que trabalha no local de que os macacos estariam infectos, os ativistas decidem libertá-los. Assim que são soltos os macacos atacam todos aqueles à sua volta, em verdadeiros ataques ensandecidos. 28 dias após este acontecimento desperta do coma em um hospital de Londres Jim (Cillian Murphy). Completamente confuso e estranhando a ausência de pessoas nas ruas, Jim nada sabe sobre o ocorrido e se esconde após encontrar diversos cadáveres e seres monstruosos, infectados pelo vírus disseminado. Após uma explosão Jim encontra outros sobreviventes, Selena (Naomi Harris) e Mark (Noah Huntley), que o levam a um local seguro e lhe explicam a situação atual. Decidido a reencontrar seus pais, Jim decide partir e é acompanhado pela dupla de novos companheiros. Até que, ao se refugiarem em um prédio, ouvem uma transmissão pelo rádio de que um grupo de soldados comandados pelo major Henry West (Christopher Eccleston) está se reunindo e diz ter a solução para a cura da infecção provocada pelo vírus. Sem outra alternativa, Jim, Selena e Mark decidem se juntar aos soldados em sua batalha.

Filhos da Esperança (Children of Men - 2006)

2027. Não se sabe o motivo, mas as mulheres não conseguem mais engravidar. O mais novo ser humano morreu aos 18 anos e a humanidade discute seriamente a possibilidade de extinção. Theodore Faron (Clive Owen) é um ex-ativista desiludido que se tornou um burocrata e que vive em uma Londres arrasada pela violência e pelas seitas nacionalistas em guerra. Procurado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), Theodore é apresentado a uma jovem que misteriosamente está grávida. Eles passam a protegê-la a qualquer custo, por acreditar que a criança por vir seja a salvação da humanidade.

Eu sou a Lenda (I am Legend - 2007)

Um terrível vírus incurável, criado pelo homem, dizimou a população de Nova York. Robert Neville (Will Smith) é um cientista brilhante que, sem saber como, tornou-se imune ao vírus. Há 3 anos ele percorre a cidade enviando mensagens de rádio, na esperança de encontrar algum sobrevivente. Robert é sempre acompanhado por vítimas mutantes do vírus, que aguardam o momento certo para atacá-lo. Paralelamente ele realiza testes com seu próprio sangue, buscando encontrar um meio de reverter os efeitos do vírus

Fim dos Tempos (The Happening - 2008)

Em questão de minutos estranhas mortes ocorrem em várias das principais cidades dos Estados Unidos. Elas coincidem em dois pontos: desafiam a razão e chocam pelo inusitado com que ocorrem. Sem saber o que está ocorrendo, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) apenas quer encontrar um meio de escapar do misterioso fenômeno. Apesar dele e sua esposa Alma (Zooey Deschanel) estarem em plena crise conjugal, os dois decidem partir para as fazendas da Pensilvania juntamente com Julian (John Leguizamo), um professor amigo de Elliot, e Jess (Ashlyn Sanchez), a filha dele de 8 anos. Lá eles acreditam que estarão a salvo, o que logo se mostra um equívoco.

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness - 2008)

Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de "cegueira branca", já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

Contágio (Contagion - 2011)

Contágio segue o rápido progresso de um vírus letal, transmissível pelo ar, que mata em poucos dias. Como a epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando.

Guerra Mundial Z (World War Z - 2013)

Uma terrível e misteriosa doença se espalha pelo mundo, transformando as pessoas em uma espécie de zumbis. A velocidade do contágio é impressionante e logo o Governo americano recruta um ex-investigador da ONU (Organização das Nações Unidas) para investigar o que pode estar acontecendo e assim salvar a humanidade, tendo em vista que as previsões são as mais catastróficas possíveis. Gerry Lane (Brad Pitt) tinha optado por dedicar mais tempo a sua esposa Karen (Mireille Enos) e as filhas, mas seu amor a pátria e o desejo de salvar sua família acabam contribuindo para que ele tope a missão. Agora, ele precisa percorrer o caminho inverso da contaminação para tentar entender as causas ou, ao menos, indentificar uma maneira de conter o contágio até que se descubra uma cura antes do  apocalipse. Começa uma verdadeira corrida contra o tempo, que mostra-se cada vez mais curto, na medida que a população de humanos não para de diminuir.

Caixa de Pássaros (Bird Box - 2018)

Em Caixa de Pássaros, Malorie (Sandra Bullock) e seus filhos estão em um mundo pós-apocalíptico e precisam chegar em um refúgio para escapar do Problema, criaturas que ao serem vistas fazem pessoas se tornarem extremamente violentas. De olhos vendados para não serem afetados, a família segue o curso de um rio para chegar à segurança.

Harry Potter e o Cálice de Fogo - J.K. Rowling

18 de março de 2020

Título: Harry Potter e o Cálice de Fogo - Harry Potter #4
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2019
Páginas: 464
Nota:★★★★★
Sinopse: Verão, Harry Potter, agora com 14 anos, sente sua cicatriz arder durante um sonho bastante real com Lord Voldemort, o qual não consegue esquecer; três dias depois, já em companhia da família Weasley, com quem foi passar o restante das férias, na final da Copa Mundial de Quadribol, os Comensais da Morte, seguidores de Você-Sabe-Quem, reaparecem e alguém conjura a Marca Negra – o sinal de Lord Voldemort – projetando-a no céu pela primeira vez em 13 anos, causando pânico na comunidade mágica. Será que o terrível bruxo está voltando? Tudo indica que sim...


Resenha: Antes de voltar para Hogwarts, em seu quarto ano na escola, Harry, que agora está com quatorze anos, tem a chance de assistir a um jogo profissional entre Irlanda e Bulgária, na Copa Mundial de Quadribol. O que ninguém esperava era que o acampamento bruxo montado em volta do estádio fosse atacado por Comensais da Morte, nome dado aos seguidores do Lorde das Trevas. Quando a chamada "marca negra", é conjurada no céu de forma misteriosa, todos começam a temer a volta daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
Como se isso já não fosse o bastante para preocupar a todos, o ano letivo já começa num clima bastante agitado. Olho-Tonto Moody, um auror que lutou contra bruxos das trevas no passado e se aposentou, foi convidado por Dumbledore a ser o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e os métodos dele são bastante peculiares.

Este ano, além do grande Baile de Inverno, Hogwarts vai sediar o Torneio Tribruxo, uma competição amistosa entre as três maiores escolas de bruxaria da Europa, e com isso vai receber Beauxbatons e Durmstrang. Pelas tarefas serem bastante perigosas, somente alunos com pelo menos dezessete anos podem se inscrever depositando seus nomes no Cálice de Fogo para tentarem concorrer a uma vaga de campeão e, assim, poderem competir no evento afim de demonstrarem suas habilidades adquiridas durante os anos de estudo, a coragem e suas capacidades de enfrentar o perigo.

Porém, de alguma forma inexplicável, Harry é escolhido pelo Cálice e se torna o quarto campeão que vai competir no Torneio Tribruxo junto com Cedrico Diggory, o primeiro campeão selecionado de Hogwarts; Fleur Delacour, campeã de Beauxbatons; e Viktor Krum, que além de ser o campeão de Durmstrang, também é o famoso apanhador do time profissional de Quadribol da Bulgária (de quem Rony é um grande fã). Assim, ele tem permissão para participar do torneio com intuito de descobrirem quem foi o responsável por inscrevê-lo e porquê. Será que Lorde Voldemort está por trás disso?

Diferente dos três volumes anteriores, este já começa com o primeiro capítulo dedicado a contar um pouco mais da família Riddle e alguns mistérios que cercam a morte deles, levando o leitor a um senhor, que, na época, foi o principal suspeito das mortes, mas ainda assim permaneceu como o fiel caseiro da família. Cinquenta anos depois, quando o velho percebeu uma movimentação estranha na casa, ele vai averiguar, vê um homem cuidando de uma criatura pavorosa, dona de uma cobra gigantesca, e acaba morto. Somente após essa cena trágica, vamos à casa dos Dursley, onde Harry continua levando aquela vida miserável com os tios, com a diferença que agora ele se aproveita da ideia de Sirius Black, seu padrinho "criminoso" que fugiu da prisão de Azkaban, possa fazer alguma coisa caso descubra que o afilhado está sendo maltratado, basta que o menino mande uma coruja pra lhe contar, o que rende alguns momentos bem engraçados com tio Válter apavorado de tanto medo de confrontar alguém dessa "laia". Os Weasley vão buscá-lo e todos partem rumo à Toca.

Narrado em terceira pessoa, é impossível não se empolgar com a leitura, com os detalhes desse universo mágico e fantástico e com o bom humor que a autora insere na história. Confesso que algumas passagens descrevendo detalhes de partidas de quadribol são bem extensas, um tanto cansativas e não acrescentam muito à trama de uma forma geral, a não ser reforçar a paixão dos bruxos por esse esporte e o quanto ele é importante em suas vidas, assim como o futebol, por exemplo, é para os trouxas.

Alguns pontos a serem destacados e que não podem ser vistos no filme (que foi bastante modificado pra adaptar o livro), é a presença de novos personagens que são bastante importantes pro desenvolvimento da história, como Winky, uma elfo-doméstico que é expulsa da família a quem serve (para sua completa desgraça) e vai trabalhar em Hogwarts, e o retorno de Dobby (a vergonha dos elfos por ter sido libertado e absurdamente exigir pagamento por seus serviços), o que acaba gerando a revolta de Hermione em ver o quanto essas criaturas são "exploradas" de forma injusta (na visão dela) a ponto de ela criar uma associação em prol dos direitos e da liberdade dos elfos-domésticos, o F.A.L.E., e sair militando exaustivamente por aí, tentando convencer os bruxos dessa nobre causa enquanto os próprios elfos, horrorizados com a decisão dela, só querem viver suas vidas servindo felizes e satisfeitos aos seus senhores da melhor forma possível.
Outros personagens também movimentam a história e prometem algo mais pro futuro, como a jornalista sensacionalista Rita Skeeter, Madame Maxime, diretora de Beauxbatons, e a abordagem de várias criaturas mágicas e novos feitiços que enriquecem ainda mais esse universo.

Assim, em meio a tantos desafios no torneio e na escola, tanta coisa nova pra se aprender, e diante dos conflitos internos que todo adolescente tem, este volume mostra o início do amadurecimento do garoto e também marca uma nova e terrível realidade para o mundo bruxo. Daqui pra frente, as coisas vão ficar bem mais pesadas e perigosas do que já estavam, não só para Harry e seus amigos, mas para toda a comunidade bruxa.


Novidade de Março/20 - Suma de Letras

13 de março de 2020

Apenas Humanos - Os Arquivos Têmis #3 - Sylvain Neuvel
A dra. Rose Franklin é uma cientista brilhante que dedicou toda sua carreira a resolver o mistério envolvendo o gigantesco robô alienígena que foi enterrado em partes pela Terra. A descoberta desse robô deu início a uma série de eventos cataclísmicos, com complexas ramificações geopolíticas.
Rose e o Corpo de Defesa da Terra precisaram correr para dominar a enigmática tecnologia em suas mãos quando outros robôs aterrissaram no planeta e dizimaram cem milhões de pessoas. Embora dra. Franklin e sua equipe tenham conseguido repelir o ataque, a vitória durou pouco. Os misteriosos invasores partiram da Terra arrasada... e a levaram com eles.
Agora, depois de quase dez anos em outro planeta, a cientista volta para encontrar a Terra em uma nova guerra devastadora – dessa vez, entre humanos. A Rússia e os Estados Unidos batalham para ocupar o poder; famílias são destruídas, amigos viram inimigos e países desmoronam sob o conflito de armas superpoderosas.
Parece que os alienígenas deixaram para trás suas imensas máquinas de guerra, para que a humanidade se oblitere.
Rose está determinada a encontrar uma solução, custe o que custar. Mas, no processo, ela pode acabar virando mais uma peça em um jogo apocalíptico que ninguém pode vencer.

Novidades de Março/10 - Companhia das Letras

12 de março de 2020

Tudo em seu Lugar - Oliver Sacks
Neste livro, o leitor terá acesso às várias facetas de Oliver Sacks, um dos cientistas mais acessíveis de todos os tempos. Desde sua paixão por plantas, museus e peixes, até histórias pungentes sobre pacientes com esquizofrenia, demência e Alzheimer.
Oliver Sacks foi um grande contador de histórias, amado pelos leitores tanto por seus relatos como neurocientista quanto pelo fascínio com o comportamento humano em sua acepção mais ampla. Tudo em seu lugar é uma celebração dos inúmeros interesses do autor, contados com a beleza e a erudição particulares de sua prosa luminosa.

Não Pararei de Gritar - Carlos de Assumpção
"Senhores/ O sangue dos meus avós/ Que corre nas minhas veias/ São gritos de rebeldia", declara Carlos de Assumpção no emblemático "Protesto". Escrito em 1956, o poema causou furor quando foi apresentado ao público pela primeira vez, na Associação Cultural do Negro, em São Paulo. Seus versos reescrevem a diáspora africana e denunciam um Brasil que traz na sua origem as marcas da injustiça, da desigualdade e da discriminação social. Décadas mais tarde, sua atualidade se mantém.
Com dor e revolta, mas também com vitalidade e esperança na construção de um país mais justo, a poesia de Carlos de Assumpção é um testemunho poderoso sobre os tempos em que vivemos, um símbolo de luta contra o silenciamento e a opressão histórica.
Esta edição conta com organização e posfácio de Alberto Pucheu.
"Esta publicação mostra a potência de seguir os caminhos trilhados por quem já rompeu muitos silêncios. Além de um presente para as próximas gerações, é canção para sonhar liberdades." – Djamila Ribeiro

Apátridas - Alejandro Chacoff
Depois de passar a infância na Filadélfia, o narrador de Apátridas retorna com sua mãe e irmã ao Centro-Oeste brasileiro. Numa pequena cidade do Mato Grosso, ele vai travar contato com sua família materna, principalmente seu avô, José, que fez fortuna como dono de cartório. A sombra do pai ausente, um homem de moral duvidosa, parece estar em tudo. À medida que acompanhamos as histórias do clã, somos enredados numa prosa que vai e vem no tempo, sem nunca perder a intensidade. Nesse primeiro romance, Alejandro Chacoff não idealiza; ao contrário, desdramatiza. Num Brasil violento e indiferente, cujo vazio das planícies é também o vazio histórico e de narrativas, ele busca os matizes da memória e constrói um romance inesquecível.

Amorhumorumor - Alice Ruiz S e Rodolfo W. Guttilla
Ao resgatar, atualizar e subverter as regras do haikai e do senryu, formas japonesas clássicas construídas por três versos, Alice Ruiz S e Rodolfo Guttilla estabelecem um diálogo delicioso, ágil e surpreendente. Com humor e inteligência, as palavras cintilam e reluzem no papel – de poeta para poeta.

O Fazedor de Velhos 5.0 - Rodrigo Lacerda
Prestes a completar cinquenta anos, parte da vida adulta de Pedro já se passou, e, como costuma acontecer, incluiu um punhado de tristezas e fracassos. Seu casamento com Mayumi não correu como o esperado, mas eles tiveram três filhos: Carlos, o mais velho, é também o mais problemático; Estela, a do meio, é uma estudante universitária, politicamente engajada e confrontada com um grande desafio de amadurecimento; e André, o caçula, é, nas palavras do pai, "uma mistura química de resultados imprevisíveis". A eles se juntam novos e incríveis personagens, como Filomena, uma milionária excêntrica, de coração ainda maior do que sua conta bancária; Rodolfinho "Puccini", um editor e colecionador de arte; e, por fim, José Roberto, o namorado de Estela, líder estudantil em um cenário político conturbado, que guarda ecos das manifestações de 2013 e de tudo que o Brasil viveu desde então. Embora este O Fazedor de Velhos 5.0 seja independente do livro anterior, o leitor terá a chance de constatar, não sem ternura, que a autodescoberta e o amadurecimento se dão em todas as idades. Nunca cessamos de aprender e de mudar – é o que parece nos dizer a todo momento este romance emocionante, escrito por um dos principais autores da literatura contemporânea brasileira.

O Braço Direito - Otto Lara Resende
Laurindo Flores é o zelador do Asilo da Misericórdia, na fictícia Lagedo, pequena cidade em Minas Gerais. Em seu diário, ele descreve seu dia a dia num casarão condenado, prestes a desabar, cuidando de crianças órfãs. Ao mesmo tempo que é capaz de praticar gestos covardes, e até mesmo atrozes, o protagonista alimenta o sonho de apagar seus erros e alcançar a redenção.
"Poderoso e estranho", com linguagem "habilmente construída pelo romancista", nas palavras do professor Antonio Candido, O braço direito é um romance magistral. Otto Lara Resende convida o leitor a mergulhar nos pensamentos de um personagem tacanho e conhecer um universo engenhosamente lapidado, feito de ressentimento e insignificância. O volume inclui posfácio da escritora Ana Miranda, que trabalhou arduamente, junto com o autor, na revisão final do livro.

Na Telinha - Bojack Horseman (4ª Temporada)

10 de março de 2020

Título: Bojack Horseman
Temporada: 4 | Episódios: 12
Elenco: Will Arnett, Alison Brie, Amy Sedaris, Paul F. Tompkins, Aaron Paul
Gênero: Animação/Comédia/Drama/Fantasia
Ano: 2017
Duração: 25min
Classificação: +16
Nota★★★★☆
Sinopse: Enquanto BoJack enfrenta a auto-sabotagem e aversão de sempre, além do sentimento de perda, Mr. Peanutbutter recebe a ajuda de Todd para concorrer ao cargo de governador da Califórnia, e Diane consegue um novo emprego.


Mantendo o tom ácido e carregada de humor negro, a quarta temporada de BoJack Horseman arriscou - e acertou em cheio, mesmo não sendo algo totalmente novo - ao abordar não só os dilemas, a autossabotagem e as crises do protagonista, que está desaparecido após os acontecimentos da temporada anterior, mas também ao tratar a política e o quanto o sistema é falido em todos os aspectos, tratando de temas relevantes da forma mais cômica e absurda possível.


Como sempre, o roteiro foge da zona de conforto quando trata do comportamento e da personalidade de BoJack. Ele é um retrato bastante fiel de como alguém inconsequente pode lidar com os próprios defeitos, seu pessimismo, com a culpa e com a ansiedade, tentando fazer com que a responsabilidade recaia sobre os outros ao invés de assumir que o problema é com ele mesmo.
Ao iniciar a temporada com BoJack afastado, há espaço para aprofundar os personagens secundários, e com exceção de Todd, que está pra lá de perdido nesse contexto, o resultado é ótimo. Mr. Peanutbutter está concorrendo ao governo da Califórnia e com isso podemos esperar tudo; Diane mostra como é difícil ser mulher nessa sociedade tóxica; e Princess Carolyn vê a vida desmoronar diante de seus olhos, mesmo após tanto esforço, e é impossível não sentir empatia e se compadecer pela coitada.


Nessa temporada a mãe de BoJack, Beatrice, dá as caras, e percebemos o quanto o retorno dessa mãe narcisista que trabalha as suas origens é algo que afeta o protagonista. Se antes ela pôde ser vista como alguém que parecia existir só pra menosprezar o filho, agora vemos que ela possui várias camadas e que é bastante vulnerável devido aos seus problemas psicológicos e seu passado difícil que não eram do conhecimento de BoJack, o que fazia com que julgar a mãe pelas suas atitudes com ele (que não digo serem as melhores) fossem mais conveniente.


Essa temporada, embora tenha o típico humor ácido e as referências ao mundo das celebridades, traz algumas piadinhas e trocadilhos sobre assuntos da atualidade que não acrescentam muita coisa e nem arrancam risadas, e parece um tanto forçado dando impressão de que estão tentando pegar carona no que está na moda, fazendo com que o drama particular de cada personagem, e a forma como é abordado, ganhe uma importância maior e supere quaisquer questões políticas.

No que remete a política, chega a ser cômico, pra não dizer que é trágico, como a série mostra que candidatos ou pessoas que já estão inseridos nesse meio fazem qualquer coisa para conquistarem eleitores e garantirem a vitória, optando por usar frases de efeito ou mantendo determinado posicionamento sem que haja a menor preocupação em mostrar a verdade ou um histórico dos seus feitos, afinal, manter as aparências ou criar um ilusão qualquer para agradar o público é muito mais válido e vantajoso. Fica bem evidente que a série faz várias referências às eleições americanas quando o atual - e laranjado - presidente dos EUA concorria à presidência.


Em suma, não digo que essa foi a melhor temporada até agora, mas ela é importante pra mostrar como muitas vezes as coisas boas ou ruins da vida acontecem sem que necessariamente os envolvidos tenham alguma culpa, mas é sempre possível tirar algo de positivo de qualquer experiência.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J.K. Rowling

9 de março de 2020

Título: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - Harry Potter #3
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2018
Páginas: 336
Nota:★★★★★
Sinopse: Durante 12 anos o forte de Azkaban guardou o prisioneiro Sirius Black, acusado de matar 13 pessoas e ser o principal ajudante de Voldemort, o Senhor das Trevas. Agora ele conseguiu escapar, deixando apenas uma pista: seu destino é a escola de Hogwarts, em busca de Harry Potter. Neste livro o leitor estará mais uma vez mergulhando no mundo mágico de Hogwarts e participando de aventuras repletas de imaginação, humor e emoção, que repetem o encantamento proporcionado pelos livros anteriores dessa maravilhosa série de J. K. Rowling.


Resenha: Depois de aturar a irmã do tio Válter, tia Guida, que ficara hospedada por uma longa e eterna semana na casa dos Dursley, Harry se desentende com a intragável mulher por ela não parar de falar abobrinhas para humilhar o garoto, a transforma num balão que sai voando pelos céus de Londres afora, e foge de casa no meio da noite. No meio do caminho ele se depara com um enorme cão preto que parecia vigiá-lo, mas acaba sendo salvo pelo Nôitibus Andante, um transporte bastante peculiar que resgata bruxos que se encontram em casos de emergência. Harry vai para o Caldeirão Furado, no Beco Diagonal, e fica por lá até que as aulas comecem. Ao tomar o Expresso de Hogwarts, Harry, Rony e Hermione se deparam com uma das criaturas mais malignas que habitam no mundo, os Dementadores, seres sombrios que se alimentam da felicidade das pessoas e guardam a Prisão de Azkaban.


Os Dementadores estavam vasculhando o expresso em busca do notório assassino e partidário do Lorde das Trevas, que fugiu da prisão, Sirius Black. Os rumores contam que Sirius, além de ter sido acusado de matar treze pessoas e ter destruído um bruxo de nome Pedro Pettigrew, e que a única coisa que sobrou do coitado foi um único dedinho encontrado, foi o maior responsável pela morte de Lílian e Tiago Potter, os pais de Harry, quando ele os traiu e os entregou a Lord Voldemort. E agora, com sua fuga de Azkaban, ele iria atrás de Harry para, enfim, terminar o serviço.


Agora, em seu terceiro ano em Hogwarts, Harry vai lidar com os novos desafios e matérias da escola, vai ter Hagrid como o novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, a excêntrica Sibila Trelawney como a professora de Adivinhação, o misterioso Remo Lupin como o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas (nenhum professor dura mais de um ano nesse cargo amaldiçoado), e ainda vai precisar se proteger da suposta ameaça que corre ao ser caçado por Sirius.
Quando Harry ganha o curioso Mapa do Maroto dos gêmeos Weasley para poder ver não só todas as passagens secretas da escola, mas também o local onde estão e o que todos na escola estão fazendo para escapar de Hogwarts e visitar o povoado bruxo de Hogsmead com sua capa da invisibilidade, ele percebe que o nome de Pedro aparece no mapa. Mas como poderia se ele foi morto? Será que o mapa mágico está com algum defeito? Ou será que há muito mais coisas escondidas por trás da história de Sirius que ninguém ainda não sabe? E o que significa esse cão, chamado de Sinistro, que parece estar sempre a espreita?


Esse volume é um dos melhores da série, seja por ter muito mais toques de bom humor, por trazer mais elementos desse universo mágico que se expandiu pra fora da escola, quanto pela introdução de Sirius Black e a importância que ele traz pra série de uma forma geral, assim como Lupin com suas frases inteligentes e de efeito (só não tanto quanto as de Dumbledore) e tudo o que ele tem a ensinar a Harry e as crianças.
Com treze anos, Harry já é um adolescente, e mesmo que tenha preocupações em aprender as matérias da escola, e agora que pensa estar correndo risco de vida, ele também começa a se interessar por garotas, mostrando que ele também tem características e comportamentos comuns de garotos dessa idade.
Rony continua engraçado e meio sonso, e está bem preocupado com Perebas, seu rato de estimação que anda se comportando de forma estranha ultimamente, principalmente agora que Hermione arrumou um novo bicho de estimação, Bichento, um gato amarelo de focinho achatado que não deixa o rato em paz e é muito inteligente.


Hermione, estudante voraz, de alguma forma misteriosa anda frequentando todas as aulas para não perder nenhum tipo de conteúdo e aprender tudo sobre esse universo, mas o que ninguém sabe é como ela pode estar em mais de uma aula ao mesmo tempo. Ela continua afiada com toda sua inteligência e lógica, e sempre age com a razão, alertando e repreendendo Harry mesmo que isso o contradiga e faça com que os meninos passem a ignorá-la deixando-a arrasada. Ela inclusive perde a paciência com a professora de Adivinhação, pois pra ela, tudo que Sibila diz não passa de falácia e charlatanismo, mas no final descobrimos que, por mais que ela seja exagerada em suas falas e pareça mesmo uma fraude, ela tem grande importância na história de vida do próprio Harry.
Agora que Hagrid se tornou professor de Hogwarts, ele, com todo o seu amor pelas criaturas mágicas, quer impressionar os alunos e mostrar a beleza desses bichos, e aí é que entra o hipogrifo Bicuço, que também tem uma grande participação e importância na trama.


O professor Lupin foi considerado o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, seja pela sua forma de ensino divertida quanto por ele mesmo ser um homem inteligente, legal e bastante compreensivo, o problema é que ele parece guardar um segredo, de vez em quando se ausenta e ninguém sabe pra onde ele vai, o que acaba sendo visto com desconfiança pelo trio de amigos. Através de Lupin, Harry consegue entender o que são e o que realmente fazem os Dementadores, descobre porque ele é mais afetado do que os outros na presença deles, e aprende um feitiço avançado chamado "Expecto Patronun", que conjura um Patrono para combater essas criaturas. Cada bruxo tem um Patrono representado por um animal que tem algum tipo de ligação com sua personalidade ou experiência de vida. É um feitiço bastante avançado pra idade de Harry, mas Lupin acredita no potencial do garoto.

Um dos pontos mais interessantes do livro é a ideia de que a autora, enquanto o escrevia, passava por uma época bastante pesada em que sofria de depressão, e os Dementadores foram criados baseados nessa condição. Uma criatura que suga a felicidade das pessoas até que ela definhe por completo, trazendo suas piores lembranças à tona e fazendo com que a pessoa perca a vontade de viver. Logo a forma de combater os dementadores com Patrono, que deve ser conjurado através de uma lembrança feliz, não foi por acaso. Até na pior situação, J.K. consegue ser genial, é incrível.


O quadribol também é bastante explorado, mostrando o quanto esse esporte é importante para Harry e a equipe da Grifinória.
Talvez esse seja o livro cuja adaptação cinematográfica foi a que mais "sofreu", pois são tantas coisas que ficaram de fora e/ou foram modificadas e resumidas para contar a história, que chega a dar desgosto. Uma das coisas que senti falta foi Sir Cadogan, um cavaleiro de armadura, baixinho e invocado que perambula pelos quadros mágicos da escola e que usa de um vocabulário "rebuscado" e hilário para tratar os garotos, brandindo sua espada para enfrentá-los, chamando-os de "patifes", "cães desprezíveis", "vilões" e coisas do tipo. Quando ele precisa substituir a Mulher Gorda, as cenas são impagáveis, pois ele vive dificultando a vida dos alunos.

A edição ilustrada e em capa dura dispensa maiores comentários. Pra quem é fã, é artigo essencial na coleção. Não digo que a revisão é perfeita, porque é comum encontrarmos um monte de erros, mas a história é tão boa e prende tanto que supera esse detalhe.


Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban traz muitas informações novas sobre o mundo bruxo, sobre Hogwarts, sobre o passado de Harry e sobre o passado de Tiago Potter e sua turma enquanto eles eram estudantes da escola. Mesmo que as descobertas de Harry e os acontecimentos envolvendo Sirius representam algo muito maior, fica evidente que Lord Voldemort está conseguindo retornar e que as coisas tendem a ficar bem mais perigosas a partir daqui.

Na Telinha - Anne with an "E" (2ª Temporada)

6 de março de 2020

Título: Anne with an "E"
Temporada: 2 | Episódios: 10
Elenco: Amybeth McNulty, R.H. Thomson, Geraldine James, Dalila Bela, Lucas Jade Zumann, Aymeric Jett Montaz, Kyla Matthews, Cory Gruter-Andrew, Dalmar Abuzeid
Gênero: Drama/Romance
Ano: 2018
Duração: 50min
Classificação: +12
Nota:★★★★★
Sinopse: Diante de uma falência iminente dos Cuthbert, a residência de Green Gables recebe dois novos misteriosos pensionistas: Nathaniel (Taras Lavren) e Sr. Dunlop (Shane Carty). Enquanto isso, Anne (Amybeth McNulty) estreita laços com Diana (Dalila Bela), Ruby (Kyla Matthews) e Gilbert (Lucas Jade Zumann), que faz um novo amigo estrangeiro.

Nessa segunda temporada, Anne já está melhor adaptada à vida em Avolea, assim como já conseguiu cultivar a simpatia e a amizade de algumas meninas da escola, e de Cole, que já se acostumaram com o jeitinho peculiar dela. Dessa vez, depois da perderem a colheita inteira num naufrágio, os Cuthbert estavam a beira da falência e, além de terem começado a vender seus pertences para conseguirem algum dinheiro, criaram um anúncio no jornal local oferecendo quartos em Green Glabes. Não demorou para que dois pensionistas misteriosos aparecem interessados no aluguel, mas ninguém sabe quais são as reais intenções deles alí, principalmente quando eles afirmam que existe ouro naquelas terras. Longe da cidade, Gilbert arranjou um emprego num barco, o que pra ele é uma aventura, e acaba fazendo amizade com Bash, um homem negro, pobre, e que tem uma experiência de vida bem diferente do garoto.


Com um roteiro mais maduro, se compararmos com a primeira temporada, Anne with an "E" traz uma trama que, mesmo se passando no século 18, aborda temas que resultam em reviravoltas interessantes e promove reflexões relevantes no espectador, que não remetem somente ao feminismo típico da série e a maneira como Anne tenta se encaixar quando ela é claramente diferente das outras meninas da sua idade, mas também ao machismo, ao racismo e a homofobia. Numa época onde a escravidão era permitida, a ideia de um homem negro ser livre e conviver entre brancos era absurda em meio a sociedade, assim como a homossexualidade era mau vista e tratada como uma doença, uma aberração, criando barreiras sociais e psicológicas, e impossibilitando a própria pessoa nessa condição a se assumir. Outra coisa bem interessante é a inserção de uma nova professora que tem métodos nada convencionais de ensino, e somando isso ao fato de ela ser mulher, também tem que aturar poucas e boas da população, pois o machismo também está entranhado no pensamento das próprias mulheres. E a série aborda isso de uma forma única, mostrando tanto os ataques, a forma de combate a esses preconceitos, e a reação de quem sofre com eles, o que emociona e surpreende bastante.


Anne, apesar de não ser perfeita, continua muito carismática, seja por ser sonhadora ou muito inteligente, o que a deixava a frente de sua época. A distância de Gilbert e a forma como ela se preocupa em manter contato com ele através de cartas, só reforça a ideia de que mais cedo ou mais tarde esses dois vão acabar juntos.

Além disso, também podemos voltar ao passado de Marilla e Matthew, o que nos permite entender porque ela se tornou uma mulher tão dura e que não demonstra seus sentimentos. Ter perdido um irmão e a mãe pouco tempo depois, fez com que ela assumisse o papel de responsável pela casa e por criar Matthew, logo ela se viu presa aquela condição e não pôde viver a própria vida da forma como ela gostaria por não ter outra escolha. Receber os pensionistas também é algo que lhe dá um choque de realidade, pois as pessoas nem sempre são aquilo que aparentam ser, e criar expectativas ou confiar demais pode gerar muitas decepções, infelizmente. A vida não é um mar de rosas.


Diante desses pontos e de novas experiências, é interessante ver como essa temporada consegue transitar entre a infância e a perda da inocência diante de alguma situação delicada mas que faz parte da realidade e do início de um amadurecimento necessário. Muita coisa que aprendemos vem com a dor, seja a nossa ou daqueles com quem nos importamos, e é preciso saber lidar com tudo isso pra seguir com a vida.
Há um episódio bem legal onde Anne, Diana e Cole vão a uma festa na casa de Tia Jô e se deparam com um pessoal bem diferente daqueles que vivem em Avonlea, e isso acaba expandindo a visão deles de que a vida é muito mais do que o que aprenderam naquela cidadezinha conservadora e que não evolui em nada, e que eles tem uma infinidade de opções a seguir além das tradições familiares ou sociais de se casar, ter filhos e viver nesse ciclo que parece reger a vida nessa sociedade.


Tirando alguns efeitos especiais bem mal feitos e nada a ver, o cenário e o visual no geral é muito bonito e inspirador, e é impossível não sentir vontade de visitar uma fazenda, fazer um passeio por um campo ou experimentar algumas das delícias feitas na cozinha de Green Gable.

Pra quem procura por uma série inspiradora, que emociona e trata de temas importantes com bastante delicadeza através de uma garotinha que está descobrindo o mundo à sua maneira, é série mais do que recomendada!

Novidade de Março/20 - Seguinte

4 de março de 2020

Um Lugar só Nosso - Maurene Goo
Lucky ingressou muito cedo no universo do K-pop. Aos dezessete anos, ela é uma febre na Ásia e a grande aposta de sua gravadora para conquistar o Ocidente – mas ainda tem dúvidas de que essa é a vida que realmente deseja. Por isso, em uma noite pouco antes de viajar para os Estados Unidos, ela resolve sair disfarçada de um hotel em Hong Kong para fazer tudo o que quiser.
É então que Lucky encontra Jack, um jovem paparazzo. Sem saber que está ao lado de uma das maiores celebridades do momento, ele acompanha a garota pela cidade e os dois desenvolvem uma conexão especial, mas Jack logo se vê num dilema quando percebe que tem o maior furo de sua carreira bem à sua frente.
Em um fim de semana repleto de música e reviravoltas, os dois se aproximam e aprendem muito um com o outro – mas as mentiras entre eles podem colocar tudo a perder.

Vermelho, Branco e Sangue Azul - Casey McQuiston

3 de março de 2020

Título: Vermelho, Branco e Sangue Azul
Autora: Casey McQuiston
Editora: Seguinte
Gênero: New Adult/Romance
Ano: 2019
Páginas: 392
Nota:★★★★★
Sinopse: O que pode acontecer quando o filho da presidente dos Estados Unidos se apaixona pelo príncipe da Inglaterra?
Quando sua mãe foi eleita presidente dos Estados Unidos, Alex Claremont-Diaz se tornou o novo queridinho da mídia norte-americana. Bonito, carismático e com personalidade forte, Alex tem tudo para seguir os passos de seus pais e conquistar uma carreira na política, como tanto deseja.
Mas quando sua família é convidada para o casamento real do príncipe britânico Philip, Alex tem que encarar o seu primeiro desafio diplomático: lidar com Henry, irmão mais novo de Philip, o príncipe mais adorado do mundo, com quem ele é constantemente comparado - e que ele não suporta.
O encontro entre os dois sai pior do que o esperado, e no dia seguinte todos os jornais do mundo estampam fotos de Alex e Henry caídos em cima do bolo real, insinuando uma briga séria entre os dois.
Para evitar um desastre diplomático, eles passam um fim de semana fingindo ser melhores amigos e não demora para que essa relação evolua para algo que nenhum dos dois poderia imaginar - e que não tem nenhuma chance de dar certo. Ou tem?

Resenha: Alex é o filho da presidente dos Estados Unidos. Queridinho pela mídia, bonito, talentoso e carismático, o jovem já faz parte do meio político e tem tudo para se dar bem se seguir os passos da mãe. Quando sua família é convidada para o casamento real do príncipe britânico Philip, ele não esperava ter que lidar com Henry, irmão do príncipe e que é sempre comparado a Alex, o que ele ODEIA e faz com que ele o considere uma enorme pedra em seu sapato. Até que uma situação inusitada faz com que eles pareçam inimigos frente à mídia, causando ameaças aos acordos entre os governos dos países. A fim de evitar maiores problemas, eles são obrigados a se comportar como se fossem melhores amigos para manter as aparências e afastar qualquer fofoca, mas esse lance vai acabar fazendo com que os dois se aproximem mais do que pensaram ser possível...

Eu gosto de romances que tem essa temática LGBTQ+, seja por desconstruir vários tabus sociais, quanto por, principalmente, ter uma história legal, bem amarrada e cheia de toques de bom humor, e com Vermelho, Branco e Sangue Azul a experiência é super positiva, porque é um livro muito amorzinho. É um romance contemporâneo com vários clichês (o relacionamento que começa na base do ódio e no final um não pode viver sem o outro é coisa que a gente tem muito costume de ver por aí), mas, tem o diferencial da trama estar inserida nesse meio onde o relacionamento improvável precisa não só quebrar barreiras e preconceitos, mas enfrenta-los.

A autora é bastante sutil nos detalhes e as coisas acontecem da forma mais natural possível, então não ficamos com aquela sensação de que esse é mais um romance LGBT da moda que querem nos enfiar goela abaixo. A história flui muito bem, de forma gradual, e explora os dilemas de Alex e Henry e o quanto pode ser complicado "sair do armário", principalmente por serem pessoas públicas e alvos de julgamentos e notícias constantes de sociedade e mídia.~

Embora Alex seja bastante teimoso e irritante, é bem legal acompanha-lo nessa jornada de autodescoberta sobre a própria sexualidade e a forma como ele aceita essa condição, porque mesmo que o relacionamento pareça ser "proibido", não quer dizer que ele deva se esconder ou negar ser quem ele realmente é.
Henry já é diferente, é mais discreto, mais elegante, talvez pela cultura britânica em si, mas também sofre com dilemas envolvendo se assumir publicamente. Logo, um acaba sendo o que o outro precisava pra resolver esses "probleminhas", pois passam a se entenderem e a terem confiança um no outro quando percebem que estão no mesmo barco.

Outro ponto bem bacana é a questão familiar. Por mais que os protagonistas e seus familiares estejam envolvidos com o meio político, eles não estão isentos dos dramas e dos problemas que toda família está sujeita a ter, e os embates entre Alex e sua mãe na Casa Branca são muito interessantes, assim como os dilemas da monarquia britânica, e tudo isso acaba refletindo na forma como eles encaram suas vidas, o que desejam pro futuro, o que passam a enxergar e quais as mudanças que vieram com a aproximação desses dois.

Eu gosto dos livros da Seguinte por serem mais voltados pro público juvenil e até infanto-juvenil, e fiquei um pouco surpresa por este livro estar nesse selo. Talvez se encaixasse melhor no selo da Paralela devido ao gênero e à história propriamente dita? Não sei... A capa colorida com ilustração meio infantilizada dos protagonistas é até bonitinha e sugestiva, mas não combina muito com o conteúdo já que se trata de um new adult. Não é a toa que logo na segunda folha do livro há um aviso de que a leitura é indicada para leitores a partir de 16 anos pois a história, apesar de leve e divertida, tem umas cenas bem "calientes". Em alguns pontos achei que a história se arrastou além do esperado, com descrições longas demais, e isso torna alguns capítulos meio cansativos, mas num geral, eu gostei muito.

No mais, indico muito a leitura do livro pra quem busca por uma história que aborda afinidade, confiança e aceitação de um jeito cativante, divertido e imperdível.

Resumo do Mês - Fevereiro

1 de março de 2020


Agora que o Carnaval acabou, podemos começar o ano oficialmente nesse país, né non? Fevereiro foi um mês bem tranquilo, fugi de festas porque detesto muvuca e continuo de boas, procuro andar sempre com pensamentos positivos e praticando gratidão. E partindo dessas pequenas mudanças já percebi várias coisas boas acontecendo, o que me deixa mais animada inclusive.
Voltei a reler os livros de Harry Potter, e aproveitei pra ouvir os audiolivros também, o que é uma experiência super legal (procurem no youtube, tem vários canais que disponibilizam um monte audiolivros) e isso me deixou ainda mais empolgada com a história, e também a completar a coleção de Funko Pop dessa saga que não acaba nunca mais. Um dia chego lá.

Enfim, bora ver o que teve no blog:

♥ Resenhas
Assombrado - Meg Cabot
Serotonina - Michel Houellebecq
Crepúsculo - Meg Cabot
- Enfim, Capivaras - Luisa Geisler
A Espada do Destino - Andrzej Sapkowski
- Harry Potter e a Pedra Filosofal - J.K. Rowling
Harry Potter e a Câmara Secreta - J.K. Rowling

♥ Na Telinha
- Anne with an "E" (1ª temporada)
- Abominável

♥ Games
Não Seja Demitido!

♥ Wishlist
- Funkos de Ralph Breaks the Internet
- Funkos de Cinderella

Caixa de Correio de Fevereiro
- Livritchos esperados e popinhos lindíneos ♥


Caixa de Correio #96 - Fevereiro

29 de fevereiro de 2020

Fazia um bom tempo que eu não comprava livros que estavam na minha wishlist literária, coisa de mais de ano. Mês passado eu só comprei dois livritchos em promoção porque saíram praticamente de graça pra mim pelo site do Submarino, e esse mês agora eu resolvi que, mesmo eu me desapegando de vários livros meus, alguns eu ainda faço questão de manter, e outros quero ter na estante, e é o caso desses abençoados da Darkside Books que comprei e espero não me decepcionar com a leitura.
Os próximos da lista que vou comprar, só não sei quando exatamente, vão ser as edições em capa dura da saga The Witcher (aquelas capas são lindas, meudeusdocéu) e a edição ilustrada de Harry Potter e o Cálice de Fogo, e espero achar num preço bom porque estão custando os olhos da própria cara ultimamente, socorro, Jesus...

Enfim... eis caixinha:

Na Telinha - Abominável

25 de fevereiro de 2020

Título: Abominável (Abominable)
Elenco: Chloe Bennet, Albert Tsai, Tenzing Norgay Trainor, Eddie Izzard, Sarah Paulson
Gênero: Animação/Fantasia/Aventura
Ano: 2019
Duração: 1h 37min
Classificação: Livre
Nota★★★☆☆
Sinopse: Shanghai, China. Yi (Chloe Bennet) é uma adolescente que, certo dia, descobre que um yeti está no telhado do prédio em que ela mora. A partir disso, ela e seus colegas passam a chamar a criatura mística de "Everest" e, ao criarem laços com o animal, decidem levá-lo até sua família, que está no topo do planeta. Porém, os três amigos terão que conseguir despistar o ganancioso Burnish (Eddie Izzard) e a zoóloga Dra. Zara (Sarah Paulson), que querem pegar o yeti a qualquer custo.

Em parceria com a produtora chinesa Pearl, a DreamWorks trouxe para o público mais uma aventura envolvendo uma jornada mágica e com vários perigos que se passa na China.
Yi é uma adolescente que perdeu o pai há um tempo e mora com a mãe e a vó. O sonho dela é realizar o que o pai não pode fazer ainda em vida, que seria viajar numa grande aventura pela China, e por isso vive ocupada fora de casa, fazendo diversos trabalhos para juntar dinheiro.
Num laboratório longe dalí, uma criatura enjaulada consegue escapar e acaba indo parar no telhado do prédio onde Yi mora, e quando a garota o encontra, percebe que ele é um yeti muito dorminhoco com algumas habilidades especiais e que só quer voltar pra casa, no monte Everest. Yi passa a chama-lo de "Everest", e parte com ele e mais dois amigos numa viagem cheia de aventuras pela China enquanto são seguidos pelo dono megalomaníaco do laboratório, Sr. Burnish, e pela zoóloga responsável, Dra. Zara, que querem capturar o yeti a qualquer custo.


Partindo dessa premissa, temos aquela trama bem clichê e previsível de um grupinho de amigos que precisam salvar alguém recém conhecido, e no meio do caminho passam por maus bocados até chegar ao destino. Talvez pela produtora ser a mesma, é impossível não notar uma enorme similaridade com o dragão Banguela, de Como Treinar seu Dragão. Everest é o dito "pé-grande", o "abominável-homem-das-neves", mas de assustador ele não tem nada, muito pelo contrário. Sua boca gigante faz com que ele pareça mais um cachorro feliz que adora enfiar a cabeça pra fora da janela do carro enquanto a língua voa, e ser muito peludo e fofinho reforça ainda mais essa característica. Só faltava o pobre latir.



Everest consegue controlar a natureza para que ela se mova a seu favor. Ele pode fazer as plantas florescerem e dar frutos gigantes, pode criar um verdadeiro tsunami e destruir tudo, e pode inclusive invocar nuvens e vento, logo, não entendi a real necessidade dele ter companhia de crianças que correm risco de vida ao entrarem nessa e serem perseguidas pelos agentes do Sr. Burnish e da Dra. Zara, sendo que pra voltar pra casa bastava que Everest fosse voando e pronto. A impressão que fica é que os momentos reservados ao uso desse dom são utilizados somente nas horas convenientes pra dar aquele clímax e impressionar, mas o efeito acaba sendo o contrário por ser óbvio.

Ainda assim, não nego que há algumas cenas fofas e encantadoras que podem divertir, inclusive aquelas envolvendo Yi tocando o violino que ela herdou do pai, e o que a motiva fazer tudo o que ela faz, é justamente por causa da morte e do luto por ele, e da homenagem que ela deseja prestar ao tornar esse sonho de viajar pela China que ele tinha em algo real, mas da forma que foi colocado, a ligação propriamente dita entre essa questão e o yeti, eu não acho que as crianças podem captar essa ideia de uma forma muito clara, mas, sim, fiquem ligadas à fofura de Everest e aos poderes dele que promovem os melhores efeitos visuais do filme.


Os amigos de Yi não tem muitos atrativos, visto que um deles não dava muita bola pra Yi por ela não ser popular, é viciado em redes sociais e selfies e só se preocupa com isso na vida, e o outro mais novo que adora basquete acaba sendo mais engraçadinho, mas, claro, a partir da aventura, eles acabam tendo uma visão de mundo diferente. Apesar de fracos, eles movimentam a trama dando toques de bom humor e trazendo alguma pouca tensão, já que algumas coisas dão errado, e mostrando que uma amizade improvável pode surgir e se fortalecer nessa dinâmica, onde a união em prol de algo maior é a única coisa que lhes resta.

Já não posso falar a mesma coisa dos "vilões", que não tem motivações convincentes pra seguir com seus planos "malignos", ou que causam "reviravoltas" inexplicáveis pra mudarem de lado numa tentativa bem xulé de causar qualquer emoção no público. Sei que em animações infantis é comum que as coisas se resolvam - e elas sempre se resolvem - de uma forma feliz, mas quando isso é feito de forma preguiçosa eu morro de dó.


Abominável traz uma aventura até divertida abordando temas como amizade, família, luto e autodescoberta num visual bem bacana e utilizando uma trilha sonora tocante e muito legal, mas a animação em si não traz nada de inesquecível, pra ser sincera.