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Na Telinha - Nimona

12 de agosto de 2023

Título
: Nimona
Distribuidora: Netflix
Elenco: Chloë Grace Moretz, Riz Ahmed, Eugene Lee Yang, Frances Conroy, Lorraine Toussaint, Beck Bennett, Indya Moore, RuPaul Charles, Julio Torres, Sarah Sherman
Gênero: Aventura, Fantasia, Animação
Ano: 2023
Duração: 1hr42min
Classificação: +12
Nota: ★★★★★
Sinopse: Um cavaleiro é acusado de um crime que não cometeu, e a única pessoa que pode ajudá-lo a provar sua inocência é Nimona, uma adolescente que está determinada a acabar com o mundo que a abandonou, que muda de forma e que também pode ser um monstro que ele jurou matar. Mas será que Nimona é realmente a vilã ou uma heroína disfarçada?

Nimona é uma das mais recentes animações lançadas pela Netflix baseada na HQ homônima criada por ND Stevenson (publicada em 2016 no Brasil pela Editora Intrínseca). A história começa com a lenda de Gloreth, uma guerreira jovem e muito corajosa que derrotou um monstro terrível que ameaçava destruir o reino onde vivia. A partir daí, ela se tornou rainha e determinou que um exército de Heróis deveria proteger o reino da ameaça de outros monstros, e que os descendentes desses heróis também se tornariam heróis, aumentando a linhagem para perpertuar esse legado e continuarem protegendo o reino da ameaça de outros monstros que poderiam surgir em algum momento.



Mil anos se passaram desde então, a sociedade vive sob um regime de monarquia que permanece com características medievais, porém bastante futurístico e com muita tecnologia, e a rainha atual, por mais que seguisse Gloreth, decide que não seria mais necessário ter sangue de Herói.
Ballister Coração Bravo (Ballister Boldheart no original), que desde criança já treinava pra se tornar um cavaleiro e, agora que se tornou adulto, era um forte candidato a ser nomeado como um Herói do Reino. Um cavaleiro que não herdou o título da família era algo que assustava assustava as pessoas, que tinham bastante preconceito com essa ideia, pois elas não sabiam se poderiam confiar suas vidas e a segurança do reino nas mãos de alguém que não era Herói de sangue como ele, mesmo que Ballister já tivesse demonstrado sua força, sua coragem, suas habilidades com a espada e conquistado a confiança da rainha. No dia da nomeação, algo dá muito errado e Ballister é acusado de um crime que não cometeu. Ele perde um braço na confusão e consegue fugir pra não ser capturado, mas fica conhecido como vilão do reino e se torna procurado.



Enquanto permanecia escondido, Ballister recebe a visita inesperada de Nimona, uma adolescente rebelde, com visual descolado, sem papas na língua, aspirante a vilã e metamorfa, que está se candidatando a "vaga" de ajudante de vilão para ajudar Balli a descobrir quem armou pra ele e, assim, poder se vingar. Mas, quando os dois unem forças, eles vão perceber que as aparências vilanescas enganam, e que há coisas bem mais profundas que vão descobrir um no outro.

Nimona me surpreendeu de uma forma super positiva, pois como não conhecia, fui assistir com expectativas zero e nem imaginei que fosse me emocionar tanto e chorar tanto com as diversas críticas sociais, com a representatividade e com a jornada incrível que os personagens adentram para se encontrarem.



A arte da animação é muito bonita, cheia de cores, movimentos fluídos e personagens com expressões marcantes, além de bater de frente com qualquer animação feita pela Disney/Pixar (que numa hora dessas deve estar bem arrependida por ter ignorado essa produção), principalmente pela abordagem audaciosa na questão do relacionamento de Ballister e Ambrosius Ouropelvis (o Herói que tem descendência direta com Gloreth e é super famoso), que embora seja discreto, existe. A trilha sonora incrível e, em conjunto com o roteiro, só torna o desenho mais emocionante.
Embora desde o começo da história já fique explícito a orientação sexual de Ballister e que existe o tema LGBTQIA+ na trama, todas as adversidades que ele precisa enfrentar não tem a ver com isso, mas sim com a armadilha que ele caiu por alguém não aceitá-lo como Herói já que ele não herdou isso de ninguém a ponto de fazer com que todos o enxerguem como vilão. Ele sofre, sim, um preconceito e passa a ser perseguido e odiado por ter se tornado esse "vilão", mas nada disso está relacionado à sexualidade dele. Com relação a Nimona não dá pra dizer o mesmo, pois mesmo que não esteja explícito, penso que seu dom de se transformar no que ela quiser está bastante ligado à fluidez de gênero, algo que ainda é tratado como tabu por grande parte das pessoas, e justamente por ela não estar encaixada dentro de um determinado padrão, ela é vista como um "monstro", como aberração que deve ser excluída da sociedade e tratada de forma hostil. Logo ela fica deslocada, nunca teve amigos, carrega um trauma bastante delicado relacionado a esse tipo de preconceito, e pensa que nunca será aceita nessa sociedade, por isso a rebeldia. Ela demora a revelar seu passado, mas quando ele vem à tona, preparem os lencinhos...



Nimona é uma animação é indicada para todas as idades por passar uma mensagem maravilhosa e super emocionante sobre amizade, aceitação, perdão, superação e ainda mostra que o conceito de herói e vilão é totalmente relativo. Às vezes o "monstro" não é exatamente um monstro. Ela ainda faz uma crítica super válida e importante sobre os falsos moralistas, os mesmos que querem controlar a sociedade através do pânico desencadeando um verdadeiro caos, fazem qualquer tipo de atrocidade e cometendo várias injustiças em nome da liberdade e dos "bons costumes".

Só posso dizer que Nimona já se tornou uma das minhas animações favoritas da vida.

Na Telinha - Bee e o Gatiorrinho

23 de maio de 2023

Título
: 
Bee e o Gatiorrinho (Bee and Puppycat)
Temporada: 1 | Episódios: 16
Distribuidora: Netflix
Elenco:  Allyn Rachel, Kent Osborne, Alexander James Rodriguez
Gênero: Aventura, Fantasia, Animação
Ano: 2022
Duração: 25min
Classificação: +10
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Bee e o Gatiorrinho acompanha uma jovem passando por um momento difícil em sua vida quando ela encontra Gatiorrinho, uma criatura híbrida que é ao mesmo tempo cachorro e gato. Gatiorrinho ajuda Bee a se encontrar na vida a levando por diversas aventuras fantásticas em universos paralelos.

Bee and Puppycat começou como uma websérie de desenho animado, criada e escrita por Natasha Allegri. Em 2013 ela foi lançada em um episódio de apenas 10 minutos que foi dividido em duas partes no canal Cartoon Hangover no Youtube. Após ganhar popularidade na internet, a Cartoon Hangover começou seu primeiro projeto no Kickstarter para financiar os dez episódios adicionais, que atualmente conta com mais de 19 milhões de visualizações. Com o sucesso da websérie, a Netflix investiu no projeto e em 2022 lançou um reboot da animação, misturando os episódios antigos com novos, mudando alguns conceitos, dando aquela polida básica no visual pra dar continuidade à história de Bee e Puppycat, e trazendo um conteúdo inédito em episódios mais longos. Porém, entretanto, todavia, contudo, os primeiros episódios na Netflix são um tanto confusos e desorganizados, e é bem possível que a pessoa perca o interesse por não entender o que está acontecendo ou do que a animação se trata, como se tivessem lançado a série supondo que todo mundo já conheça a história quando muita gente nunca ouviu falar a caiu alí de paraquedas, então recomendo muito que os dez episódios disponíveis no Youtube sejam assistidos primeiro pra que a série seja melhor compreendida e apreciada. Vale a pena gastar uma horinha da vida assistindo no Youtube antes de ver Netflix.


Basicamente a animação gira em torno de Bee, uma moça na casa dos vinte e poucos anos, que mora numa ilha "mágica" e acabou de ser demitida de seu emprego no Cat Café. No caminho pra casa e chateada pelo ocorrido, Bee acaba encontrando uma criatura que caiu de um portal que se abriu no meio do ar chamada Puppycat.
Desempregada e sem dinheiro pra bancar o aluguel (e as despesas infinitas e descontroladas do seu novo amigo), Puppycat lhe apresenta a agência de trabalhos intergalática gerenciada por um supercomputador/tv gigante/portal chamada TempBot, e começa a levá-la pra outros mundos para que eles possam realizar alguns trabalhos temporários e ganhar dinheiro pra Bee pagar as contas.

A partir daí, a série vai se desenrolando da forma mais maluca possível, enquanto apresenta os personagens em meio a situações bizarras que, aparentemente, são desconexas e não fazem o menor sentido e revela, de forma muito sutil e sem nenhum contexto, alguns dos mistérios e dramas que os cercam.



Embora a classificação indicativa seja infantil, pra ser bem sincera, eu não acho que o desenho seja pra crianças. A complexidade da animação, que é super voltada pro surrealismo (e lembra muito Midnight Gospel) com toques e elementos tão mágicos quanto sombrios, é capaz de confundir e desgraçar a cabeça de qualquer adulto desavisado, logo não acho que as crianças vão entender muito bem o que se passa. Eu mesma estou com milhões de pontos de interrogação pairando em cima da minha cabeça, dando risadas e incrédula com as coisas que os personagens fazem e com as situações que eles se metem e, agora, bolando um monte de teorias enquanto a próxima temporada não vem.

Os personagens tem suas camadas, mas são exploradas sem muitos critérios, e enquanto algumas coisas são jogadas sem aviso, outras vão se mantendo em segredo e vão ganhando explicações somente nos últimos episódios, e é difícil segurar a curiosidade pra saber o que está acontecendo alí e o motivo. Muita coisa feita ou dita pelos personagens que parece não ter importância ou significado nenhum, vai fazer as coisas começarem a se encaixar a medida que a história avança.



Bee é bastante impulsiva, irresponsável, e sai fazendo as coisas sem pensar muito. Ela é observadora e está sempre atenta a pequenas coisas, e dá muito valor aos seus amigos fazendo tudo o que está ao seu alcance por eles, mas pra outras coisas ela não tem a menor noção. Coisas como apagar um incêndio no soco, guardar comida dentro da privada entupida, roubar brinquedos durante uma entrevista de emprego, ou carregar sua moto nas costas são coisas que ela faz com a maior naturalidade.
Puppycat é super mal humorado, impaciente e ranzinza. A primeira impressão é de que ele "atura" a Bee porque ela deixa ele fazer o que quer e se vira pra bancar seus caprichos, mas a gente sabe que ele se importa muito com ela e tem um motivo pra isso. É até legal acompanhar a evolução do relacionamento dos dois, que vai se estreitando cada vez mais. Apesar disso tudo, ele é engraçado, faz uns comentários hilários, e ainda gasta o dinheiro da Bee comprando boosts pra avançar o tempo nos joguinhos de celular porque ele não tem paciência pra esperar. Então ela tem que trabalhar pra bancar essas marmotagens. E mesmo que ela peça e explique que ele não deve gastar 500 dólares num jogo de ovos cozidos, ele faz e ela que lute.


No mesmo prédio que Bee mora, ainda tem a família de seis irmãos e uma irmã que são amigos dela, e cada um tem a própria personalidade e faz uma coisa diferente do outro. Tem um irmão médico caladão que finge de sonso, tem outro que adora peixes, outro que ama palhaços, outro que é super vaidoso e por aí vai... Dentre eles, Deckard é o melhor amigo de Bee e sempre está lá por ela, sendo compreensivo e pronto pra ajudá-la. Ele é um ótimo cozinheiro mas é a personificação da derrota quando o assunto é preparar qualquer coisa assada, tudo que ele tenta assar entra em combustão espontânea e o caos é instalado. Ele sonha em fazer um curso de culinária fora da ilha mas acha que deve abrir mão desse sonho por causa dos outros.
Cas é a única irmã dessa família de malucos e trabalha com programação. Ela é a pessoa que todo mundo procura pra resolver as coisas complicadas. Ela é boa no que faz mas não parece ser muito feliz com isso. Antigamente ela era lutadora, não era lá grandes coisas, mas pelo menos gostava disso. Na luta ela conheceu sua "rival" Toast, que é completamente obcecada por Cas e por luta, não para de perseguir ou bolar planos pra ficar próxima da coitada um segundo, se esconde dentro de paredes pra ouvir suas conversas e depois quebra tudo pra fazer aquela entrada triunfal.




Saindo da família, também tem o pequeno Cardamomo, que é amigo de Bee. Ele é um garotinho que vive um drama danado. Ele é o "senhorio" do prédio onde toda essa galera mora e leva esse trabalho muito a sério. Ele cobra o aluguel e faz os devidos reparos nos apartamentos usando sua marretinha de brinquedo, tudo isso enquanto sua mãe "dorme". O que ninguém sabe é que existe um grande mistério sobre a condição da mãe do garotinho, e num determinado ponto várias coisas na ilha começam a ter a realidade alterada por causa dela.
Essas e outras coisas relacionadas aos personagens, de onde vêm, por que fazem certos tipos de coisas, por que evitam outras e etc, acabam trazendo mais camadas, vários mistérios para a história e muitas perguntas que precisam de respostas. Como disse, algumas coisas que acontecem se encaixam e são explicadas, mas a maioria continua uma incógnita, restando aos fãs criarem suas teorias.



Assisti a animação no idioma original e, com exceção da voz de Puppycat (que foi sintetizada pelo Vocaloid Oliver) e da personagem Cas (irmã de Deckard), ouvir a voz dos personagens mais relevantes foi meio sofrível e me incomodou horrores. Não sei se as vozes dos atores foram forçadas pra combinar com as esquisitices do desenho mas, pra mim, não combinaram, são irritantes, melancólicas, não passaram a devida emoção e dão a impressão de sempre estarem "rachadas". Talvez a ideia tenha sido justamente essa, mas mesmo que eu tenha me acostumado depois, não curti. Algumas coisas na tradução também me pareceram desnecessárias e até agora estou me perguntando porque diabos Pretty Patrick, um apresentador do programa na TV do qual Bee e Puppycat são fãs número 1, virou "Patrick Patricinha".



A arte da animação é bem infantil e cheia de exageros no que diz respeito a expressões já que tem essa pegada de anime, mas é linda de viver, com uma iluminação super bonita e uma paleta de cores predominantemente em tons pastéis, super aconchegante e convidativa. A sensação é de estarmos assistindo um "anime doce". Cada vez que Bee e Puppycat visitam TempBot em busca de trabalho em outro planeta, eles vestem um uniforme diferente e mudam de cor de acordo com as características do trabalho e do mundo em questão, deixando tudo muito colorido e fofo, e ainda nos deparamos com criaturas das mais variadas espécies e formatos, desde as fofinhas, passando pelas as repugnantes, e chegando até as mais assustadoras. Inclusive também existe um mistério de criaturas que ficam perseguindo Puppycat pra dar aquele ar de suspense no desenho.



As esquisitices em si não são pontos negativos na animação, são curiosas, às vezes desconfortáveis, às vezes tem explicação ou não, às vezes emociona, mas é o que torna o desenho único, divertido e muito especial. No mais, pra quem gosta de animações diferentes, com humor bastante peculiar e alguns mistérios, eu super recomendo.

Na Telinha - Wandinha

5 de dezembro de 2022

Título
: Wandinha (Wednesday)
Temporada: 1 | Episódios: 8
Distribuidora: Netflix
Elenco: Jenna Ortega, Gwendoline Christie, Catherine Zeta Jones, Luis Guzmán, Christina Ricci, Emma Myers, Hunter Doohan, Percy Hynes-White, Riki Lindhome, Georgie Farmer, Joy Sunday, Moosa Mostafa, 
Gênero: Sobrenatural/Fantasia/Mistério
Ano: 2022
Duração: 55min
Classificação: +12
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Inteligente, sarcástica e apática, Wandinha Addams pode estar meio morta por dentro, mas na Escola Nunca Mais ela vai fazer amigos, inimigos e investigar assassinatos.

Baseada nos personagens clássicos de A Família Addams, Tim Burton e companhia produziram a série Wandinha, que traz a adolescente de olhar penetrante, fria e calculista, e que despreza tudo e todos, de volta às telinhas ao incorporar uma detetive astuta que se vê ligada a um tipo de profecia macabra e se dedica a passar por cima da polícia para desvendar enigmas mirabolantes e investigar uma série de assassinatos misteriosos que acometem a fictícia cidadezinha de Jericho e a Academia Nunca Mais, a escola/internato pra onde ela é enviada contra sua vontade depois de ter sido expulsa da anterior por "tentativa de homicídio", onde seus pais estudaram quando eram adolescentes, e onde os "excluídos, aberrações, criaturas sobrenaturais e afins" aprendem a dominar suas habilidades numa época contemporânea e cheia de referências às tecnologias e redes sociais da atualidade, tecnologias estas que Wandinha se recusa a utilizar e tem uma opinião sólida e formada sobre.
"As redes sociais são um vazio de afirmações insignificantes"
Addams, Wandinha

Com a ajuda de Mãozinha, conforme Wandinha investiga os mistérios da cidade e da escola para descobrir quem é o assassino, ela também equilibra as investigações fazendo amizades e inimizades por aí, e ainda tem sessões de terapia compulsória numa tentativa de controlar melhor seu temperamento bizarro e seu instinto assassino.

A série tem vários toques de bom humor e traz várias referências que, num geral, casam bem com as cenas um pouco mais pesadas que envolvem violência, sangue esguichando, partes de corpo espalhadas e feridas abertas e horrorosas. Mas apesar de ser divertida e bem instingante, o que não curti muito foi exatamente o aproveitamento dos personagens da família Addams, que inclusive já foi bastante explorada, pra criar uma história que poderia ter sido feita com qualquer outro personagem nesse estilo a la Tim Burton (tornando as coisas um pouco mais originais talvez?). Essa pegada adolescente de primeiro amor, primeiro beijo, paixões não correspondidas, enemies to friends e afins não parecem se encaixar muito bem na atmosfera mórbida e obscura da qual quem cresceu assistindo Família Addams se lembra, e a nostalgia acabou ficando prejudicada pra mim nesse sentido. Muitos personagens não foram bem aproveitados, como é o caso de irmão de Wandinha, Feioso, que só aparece pra comer; Tio Chico, que acaba aparecendo pra ser um facilitador de enredo, fazendo uma participação um tanto conveniente para o desenrolar dos fatos; e os próprios pais, Mortícia e Gomez, que parecem estar deslocados e sem personalidade alguma.

Outra coisa é que em meio a essa investigação sobrenatural da qual Wandinha deposita toda a sua energia, ao final quando a identidade do monstro enfim é revelada, fiquei com aquela sensação de que qualquer um poderia ter assumido esse papel e a série poderia ter tido dezenas de finais diferentes de acordo com a conveniência.



Na série, Wandinha está aprendendo mais sobre seu dom sobrenatural há pouco descoberto, que é ter visões do passado e do futuro quando encosta em alguém ou em alguma coisa ligada a determinado acontecimento, o que, obviamente, a ajuda muito durante suas investigações. Quando ela entra em transe durante as visões é um tanto assustador, pois ela fica com os olhos vidrados e joga o corpo pra trás de repente como se fosse se partir ao meio, e acredito que o incômodo que essa esquisitice causa em quem assiste, assim como a expressão firme e mega rígida da personagem que não pisca uma vez sequer e faz qualquer um pensar que ela seja uma maníaca, é totalmente proposital - e bem colocada inclusive. A ideia dela estar num ambiente que faz com que ela demonstre o quanto é forte, corajosa e amadureça com essas experiências é bastante interessante e fortalece essa personalidade peculiar, e penso que seja mais interessante do que os momentos em que ela começa a ceder a ponto de demonstrar um pouco de humanidade, compaixão e, pasmem, sentimentos. É quase a mesma coisa que esperar que, por exemplo, uma Miranda Priestly da vida (Meryl Streep em O Diabo veste Prada) peça desculpas pra alguém. Inconcebível.


Enfim, o visual da série é super adequado ao que se propõe, pois parece ampliar a atmosfera sombria da família pra outros ambientes, fazendo com que a protagonista leve o preto e branco por onde passa. O ar de lugubridade que cerca Wandinha promove um enorme constraste com a escola e a cidade, principalmente no que diz respeito a sua colega de quarto, Enid Sinclair, uma adolescente que descende de uma família de lobisomens, feliz, sorridente e saltitante, sempre empolgada com qualquer coisa, viciada em redes sociais, maquiagem, contato físico e mais cores do que Wandinha é capaz de suportar.


Sei que as propostas são diferentes, mas ainda acho que Angelica Houston como Mortícia, e Christina Ricci como Wandinha da família Addams dos anos 90 são insuperáveis, inclusive Ricci também faz parte do elenco interpretando Marilyn Thornhill, a professora de Herbologia (se não me engano) de Nunca Mais e que parece ter muitos segredos. Achei super legal a participação dessa atriz na série.


No mais, penso que seja uma série pra assistir sem compromisso, pra se divertir e curtir, e pra se curar de uma ressaca de outra série mais pesada. Tem suas falhas, tem seus clichês, talvez funcione melhor com um público que teve pouco ou nenhum contato com o material original para evitar comparações, mas não nego que gostei e maratonei até acabar.


Na Telinha - Dahmer: Um Canibal Americano

4 de outubro de 2022

Título
: Dahmer: Um Canibal Americano (Monster: The Jeffrey Dahmer Story)
Temporada: 1 | Episódios: 10
Distribuidora: Netflix
Elenco: Evan Peters, Richard Jenkins, Penelope Ann Miller
Gênero: Policial/Biografia
Ano: 2022
Duração: 55min
Classificação: +18
Nota: ★★★★★
Sinopse: Por mais de uma década, Jeffrey Dahmer conseguiu matar 17 jovens rapazes sem levantar suspeitas da polícia. Como ele conseguiu evitar a prisão por tanto tempo?

Dahmer: Um Canibal Americano, é uma minissérie de Ryan Murphy (mesmo produtor de American Horror Story) e distribuida pela Netflix, que conta boa parte da história do notório serial killer Jeff Dahmer, responsável pelo assassinato de 17 jovens entre os anos de 1978 e 1991, incluindo dois adolescentes de 14 anos, em sua maioria negros e imigrantes. A série explora a vida do assassino, desde a infância conturbada até sua vida adulta, e faz um panorama tão complexo quanto abominável da mente doentia por trás do monstro que ele foi, e como conseguiu agir por todo esse tempo sem ser capturado.

A série traz um conteúdo muito sensível no que diz respeito aos abusos, à violência, aos assassinatos e à dor das famílias das vítimas, e já deixo o alerta de gatilho desde já.

Nascido na cidade de Milwaukee em 21 de maio de 1960, Jeffrey Lionel Dahmer aterrorizou o estado de Wisconsin, onde foi pego em 1991, quando Tracy Edwards, um homem de 32 anos que fora atraído por ele, ter sobrevivido após horas de puro terror e conseguido fugir do apartamento 213 no complexo Oxford Apartaments, localizado num bairro afro-americano com alto índice de criminalidade e onde sequer existia patrulhamento policial. Dhamer se mudou para esse apartamento em maio de 1990, local onde fez mais 11 vítimas, além das outras 5 que ele já havia assassinado no porão da casa da avó paterna em West Allis durante o tempo que morou com ela, e a primeira vítima, um jovem de 18 anos que ele assassinou em sua própria casa, em 1978.
Após a fuga e a denúncia de Tracy, a polícia foi até seu apartamento e encontrou várias provas dos assassinatos. Dahmer foi preso, confessou e deu detalhes de todos os 17 assassinatos que cometeu durante todos esses anos. Após o julgamento em 1992, Dahmer recebeu 15 sentenças de prisão perpétua, o que somaria mais de 900 anos, e ficou preso no Columbia Correctional Institution, uma prisão de segurança máxima no estado de Wisconsin, onde foi assassinado pelo detento Cristopher Scarver, em 1994, aos 34 anos de idade.



Dahmer mantinha um modus operandi onde geralmente frequentava bares gays e saunas, atraía as vítimas (as quais ele considerava que ninguém sentiria falta) para seu apartamento, em sua maioria negros e homossexuais, e lá oferecia uma bebida batizada com soníferos fortíssimos para que ficassem inconscientes e imóveis, e era quando o horror se iniciava onde Dahmer considerava os corpos como objetos de prazer, com direito a estrangulamento, desmembramento, necrofilia, parafilia e canibalismo contra eles. Como se isso já não fosse macabro e bizarro o bastante, Dahmer guardava crânios e fotos terríveis do processo de desmembramento e multilação, e ainda armazenava partes dos corpos das vítimas na geladeira ou em um tambor de polietinelo cheio de ácido, onde mergulhava seus torsos para que fossem dissolvidos, fazendo com que o mau cheiro se espalhasse pelos dutos, invadindo os apartamentos dos vizinhos causando absoluta repulsa sem que soubessem o que, de fato, ocorria alí. Seus crimes hediondos o tornaram um dos serial killers mais conhecidos dos Estados Unidos, e o que mais choca nessa história toda é a ideia de que ele só conseguiu fazer tudo o que fez, por puro e total descaso por parte das autoridades em investigá-lo por ser um homem branco, até mesmo pelo fato de que, ao que tudo indica, ele não ter nenhuma mente brilhante...



Antes de mais nada tenho que falar sobre a atuação impressionante de todos os atores e como eles realmente passam toda a emoção, sofrimento e indignação por tudo aquilo, mas nada se compara a atuação de Evan Peters no papel de Jeff Dahmer. Se compararmos o comportamento percebido em entrevistas reais do assassino com o ator, parecem ser a mesma pessoa. Não sei se ter feito esse papel vai desgraçar a cabeça de Peters de alguma forma ou enfiá-lo em milhões de sessões de terapia pra superar tamanho peso, e eu espero do fundo do meu coração que ele não tenha ficado com nenhum tipo de trauma por causa disso, mas fiquei realmente impressionada de ver como ele se entregou a esse papel e parecia mesmo um psicopata, sádico e cruel, que me deixou abismada e apavorada. A presença dele nas cenas com aquela cara de que estava planejando atrocidades já causava um extremo desconforto, o olhar frio e calculista me causava pavor. Nenhum outro ator, em nenhum papel, me fez ficar tão horrorizada, socorro.



Enfim, embora a série seja uma espécie de dramatização e muitas cenas tenham sido criadas e adaptadas para as telas (como é o caso de Glenda Cleveland, uma senhora que morava no prédio do outro lado da rua, e não no apartamento ao lado como aparece na série), a história, mesmo que não siga a ordem cronológica dos fatos e fique transitando entre presente e passado sem muitos critérios, foi contada de forma satisfatória e compreensível, principalmente por não ter romantizado o assassino em momento algum e ter evitado ao máximo que se criasse qualquer situação que despertasse alguma simpatia por ele, mostrando a realidade do monstro que ele foi e como tinha consciência de tudo o que fez, e também a realidade daquelas pessoas negligenciadas e tratadas com total descaso pelas autoridades incompetentes, enfrentando racismo e homofobia. Acho que alguns episódios se alongam demais com cenas demoradas onde nada acontece, mas num geral é aquele tipo de série pra maratonar, tamanha a curiosidade pra saber o que vai acontecer e quando finalmente será feita justiça.

Talvez essa ideia de fazer com que quem esteja assistindo imagine o que aconteceu alí seja pior do que ver de fato, e confesso que desde que terminei a série estou com aquela sensação de assombro, chocada. Penso que seja um tanto problemático que existam produções que joguem holofotes sobre criminosos infames e o quanto isso deve afetar os familiares das vítimas, mas o propósito da série em mostrar que o assassino só agiu durante todos esses anos por falta de interesse das autoridades em investigar as várias denúncias que recebiam dos moradores, seja sobre o mau cheiro ou os sons horríveis de gritos e ferramentas que saíam do apartamento dele, foi feito com maestria. Inclusive a iluminação amarelada e esverdeada das cenas dentro do apartamento, ou até mesmo as cenas mais escuras, colaboram com essa imersão, dando aquele ar nauseante de imundície e podridão, e ver as expressões dos vizinhos diante do mau cheiro chega a causar um desconforto real pois chega a ser inimaginável viver num lugar que cheira a morte.



Pra se ter ideia do absurdo, Jeff já havia sido preso por se masturbar em público em frente a crianças, e por drogar e molestar um garoto do Laos de 13 anos que conseguiu escapar, mas basicamente acabou ganhando a liberdade condicional pelo juiz ter se compadecido e considerado que sua aparência - bonito, branco e loiro - era de bom moço, e mesmo que tenha ficado com ficha criminal e um registro de agressor sexual, nunca tinha essa ficha consultada pela polícia quando os moradores do complexo o denunciavam, deixando claro que os negros não tinham nenhuma voz e nunca tinham suas queixas levadas a sério quando o assunto era denunciar um homem branco. O sentimento de indignação e impotência aqui são inevitáveis, e imagino quando tudo foi descoberto o que se passou pela cabeça daquelas pessoas que não sabiam mais o que fazer quando quem deveria resolver o problema não movia um dedo sequer. E depois, mesmo que a polícia tenha sido obrigada a reconhecer o estrago gigantesco que o assassino causou numa tentativa de conter a população inflamada, nada foi feito para reparar os erros punindo os irresponsáveis que poderiam ter evitado várias mortes se tivessem agido a tempo.



Outro ponto interessante é a hipótese levantada sobre o comportamento do criminoso ter surgido devido aos incontáveis medicamentos que sua mãe tomava durante a gravidez (o que inclusive levanta um outro ponto incômodo sobre a necessidade de se conter uma suposta histeria feminina), ou as constantes brigas entre ela e o marido enquanto um Jeffrey criança claramente estava sendo negligenciado, o fato de o pai tentar consertar as coisas incentivando o menino a investir seu tempo em coisas que ele demonstrava interesse, interesse este que envolvia recolher pequenos animais mortos na estrada para dissecá-los, ou ter se tornado um alcoólatra aos 14 anos na intenção de "afastar maus pensamentos". Posteriormente sua obsessão por controle e dominação iriam se entrelaçar com suas habilidades de taxidermia aprendidas com o próprio pai, pois ele já sabia como usar produtos químicos para remover a carne dos ossos para preservá-los. Diante desses fatos, tanto pela ausência do pai quando pelo abandono da mãe que repudiava tudo que o filho fazia, a série passa a ideia de que Jeffrey era uma criança solitária, problemática, que sofria bullying na escola, e que nunca soube o que era ser amado, e essa rejeição supostamente poderia ter desencadeado tal comportamento. E chega a ser triste acompanhar o pai se culpando por todas as vezes que quis "se livrar" do filho o mandando pra faculdade ou pro exército como se isso fosse corrigí-lo, ou pra casa da avó quando ele é expulso e não tem pra onde ir, e quando fica arrependido por acreditar que se tivesse observado o filho mais de perto e lhe dado mais atenção, que ele não teria se tornado esse monstro.

Quando pensamos que o horror chega ao fim, a série ainda mostra que ainda existem pessoas por aí que se tornam fãs de assassinos, que enviam cartas, dinheiro, que tem interesse em colecionar seus pertences, que propõe relacionamentos a eles, que tatuam o rosto deles em seus corpos (???)... A mente humana realmente é um troço inexplicável, e por mais que eu entenda essa curiosidade natural que as pessoas têm por casos criminais, pra mim é inconcebível e inaceitável que alguém seja tão desprovido de bom senso e respeito quando acha uma boa ideia idolatrar um assassino tão diabólico.



No mais, a minha avaliação aqui é para a série de forma geral, pra atuação dos atores e como tudo foi retratado a fim de manter a exposição das vítimas na medida necessária pra se fazer entender e tentar respeitar as famílias (coisa que acho meio difícil, já que produzir a série já é uma forma de relembrar o sofrimento vivido ao colocar Jeff em evidência mais uma vez depois de tantos anos). Dahmer conta a história perturbadora desse assassino cruel, e mostra os horrores que ele foi capaz de fazer contra a vida de inocentes, mas também faz questão de colocar em evidência os nomes e algumas das histórias das vítimas, que são as pessoas que realmente deveriam ser lembradas no lugar do criminoso, e como as famílias ficam destruídas pra sempre.

Na Telinha - Aggretsuko (3ª temporada)

9 de novembro de 2020

Título: Aggretsuko (アグレッシブ烈子)
Temporada: 3 | Episódios: 10
Distribuidora: Netflix/Sanrio
Elenco: Kaolip e Rarecho (death metal voice), Sohta Arai, Rina Inoue, Shingo Kato, Maki Tsuruta, Komegumi Koiwasaki, Yuki Takahashi, Chiharu Sasa
Gênero: Anime/Drama/Comédia
Ano: 2020
Duração: 15min
Classificação: +12
Nota:★★★★★
Sinopse: Retsuko vive momentos difíceis no mundo corporativista, tendo uma pitada de humor e muita música death metal. A mistura do anime animou o público e o transformou em um dos mais populares da plataforma de streaming.

Depois de um longo ano esperando, até que enfim a Netflix liberou a terceira - e tão esperada - temporada de Aggretsuko, e já começo falando que, mais uma vez, a temporada superou minhas expectativas, e só me resta torcer para que em breve haja uma bendita confirmação de que irão produzir a quarta. Pelo amor de Deus, Netflix, nunca te pedi nada.

Pra quem ainda não conhece, Retsuko é uma pandinha vermelha de vinte e poucos anos, escorpiana, que trabalha como contadora numa grande empresa. Ela libera todo o seu estresse e fúria de ter que lidar com as frustrações e desgostos do trabalho cantando o mais escandaloso death metal num karaokê após o expediente.



Dessa vez, Retsuko já começa a temporada viciada num game virtual que proporciona o romance dos sonhos. O que ela demora a entender é que o jogo estava consumindo e prejudicando sua vida. Ela não estava mais dormindo, seu rendimento no trabalho estava abaixo de zero, e a coitada começou a gastar todo o seu dinheiro pra ter "vantagens" no namoro com alguém que não existe a ponto dela ir praticamente a falência, a viver de biscoito com água. Sem coragem de contar pros outros sobre a furada financeira que se meteu para pedir socorro, ela não sabe o que fazer para conseguir mais dinheiro pra pagar as próprias contas e nem enxerga nenhuma solução, até ela causar um pequeno acidente batendo o carro alugado que dirigia no carro do Sr. Hyodo, um leopardo (?) bastante rígido e misterioso que vai querer que Retsuko pague pelo conserto com um dinheiro que ela não tem. E é justamente por não ter esse dinheiro que ela começa a trabalhar - sem receber - como contadora para o Sr. Hyodo, que é empresário do OTMGirls, um grupo de idols em ascensão.



E partindo dessa premissa e mudando um pouco os ares típicos das temporadas anteriores, a 3º temporada vai se desenvolvendo trabalhando as questões e os dilemas pessoais de Retsuko, que, deixando um pouco a sua vida no escritório de lado, foca nesse "bico" no mundo das subcelebridades que estão buscando reconhecimento e sucesso. E como sua válvula de escape é praticar o bom e velho death metal no karaokê, talvez esse dom da pandinha vermelha venha a ser bastante útil para os negócios do Sr. Hyodo. O que Retsuko não esperava era que talvez a habilidade que ela fazia questão de manter em segredo, seja aquilo que a faça se encontrar e se sentir aceita, por mais diferente que seja, logo ela passa a ter mais controle sobre as coisas que ela quer e passa a se impor. Tem coisa mais libertadora do que soltar um grande e sonoro NÃO em vez de fazer o que os outros querem contra a nossa vontade, só pra agradar?



Os demais personagens mais relevantes e próximos a Retsuko também são mais bem trabalhados nessa temporada. Seus arcos acabam estando diretamente ligados a ela e coincidem com alguma escolha que ela faz. Gori, umas das melhores amigas de Retsuko, investiu num aplicativo para casamentos e Retsuko poderia ser uma ótima cobaia para testá-lo. Haida teve muito mais espaço nessa temporada. Ele continua apaixonado por Retsuko, mas a aproximação dele com Inui, uma colega de trabalho em comum, faz com que ele fique dividido e passe a fazer questionamentos sobre seus sentimentos. Vale a pena continuar esperando ou investindo em alguém que só o vê como amigo?



Talvez pegando o gancho da popularidade do k-pop, essa temporada adentra nos assuntos que remetem a esse mundo, mostrando como esses idols lidam com fãs, com stalkers, com as críticas e com a própria vida financeira que começa a alavancar de repente. E enquanto uns são mais pé no chão, tentando ir com calma, outros querem entrar de cabeça e seja o que Deus quiser. Logo, mostra um pouco dessa geração atual, e unido isso aos outros personagens e ao tema ligado aos fatos da vida adulta da série, é impossível não ter um personagem com alguma característica que faz com que alguém se identifique.

Adaptação da série "A Mediadora", de Meg Cabot, na Netflix!

5 de setembro de 2020


A Netflix anda investindo pesado em adaptações de livros populares entre os leitores de plantão. Quem não acompanhou o sucesso de The Witcher, Para Todos os Garotos que Já Amei, Desventuras em Série, e afins? Diante dessa variedade de títulos, e com a ideia de que A Seleção e As Crônicas de Nárnia também vão ganhar seu espaço, sempre vai caber mais adaptações de livros, e os fãs das mais variadas séries vão a loucura. Pra quem adora a diva Meg Cabot e suas séries hilárias, pode começar a comemorar, pois a série A Mediadora logo vai entrar no catálogo e vamos poder relembrar as peripécias de Suzannah e seu dom peculiar de se comunicar com os mortos. E a própria autora quem confirmou a notícia pela publicação no twitter da jornalista do The Sun, Rachel Ellenbogen:
Pra quem não conhece, a série conta a história de Suzannah Simon, uma adolescente de dezesseis anos que tem o dom de ver fantasmas com assuntos pendentes que não conseguem ou se recusam a seguir para a luz, mas, sendo uma completa badass sem um pingo de paciência, o jeito dela "ajudar" é descendo a porrada quando eles dão mais trabalho do que o previsto. Até que ela se muda de cidade e, na casa nova, seu quarto é assombrado há cento e cinquenta anos pelo fantasma de Jesse, um rapaz hispânico muito do encantador que começa a mexer com os sentimentos da garota.

Confira as resenhas da série completa aqui no blog:

Obrigada, Netflix! Já estou ansiosa desde já! ♥

Na Telinha - 365 Dni

11 de junho de 2020

Título: 365 Dias (365 Dni)
Elenco: Anna-Maria Sieklucka, Michele Morroner, Bronislaw Wroclawski
Ano: 2020
Duração: 1h 54min
Classificação: +18
Nota:★☆☆☆☆
Sinopse: Em 365 dias, Laura é uma diretora de vendas que tem sua vida virada do avesso com a chegada de Massimo, membro da família da máfia siciliana. Entretanto, numa viagem à Sicília, Massimo a sequestra lhe dando 365 dias para se apaixonar por ele.

Baseado no romance erótico da autora polonesa Blanka Lipińskae, o filme é uma produção (também polonesa) e adaptação que vai contar a história de Laura Biel, uma diretora de vendas, bonita e independente, e o que acontece com sua vida quando ela é sequestrada pelo chefe da máfia siciliana, o típico italiano sedutor, lindo, gostoso e tatuado, Massimo Torricelli. Juro que eu nunca tinha ouvido falar desse filme e muito menos do livro, e fui assistir por acaso quando começou o bafafá, e o desgosto tomou conta de mim.


Apesar de ser autêntica e bem sucedida na vida profissional, Laura é bem infeliz na vida pessoal devido a indiferença com que seu namorado a trata, e, mesmo sendo bonita, gostosa e fogosa, se sente jogada pra escanteio quando tem tanto amor e fuego pra dar, enquanto o mocorongo do boy lixo não está disposto e nem um pouco interessado em retribuir. Em seu aniversário de 29 anos, Laura vai passar as férias na Sicília com esse namorado horroroso e brocha e sua melhor amiga, confidente e inseparável, até que ela é sequestrada por Massimo e levada para a mansão dele, onde é obrigada a permanecer por 365 dias com propósito de se apaixonar por ele. Caso isso não aconteça nesse prazo, o que ele alega ser impossível porque ele confia no próprio "taco", ele a deixará ir embora. O motivo? Há cinco anos ele teve uma visão com o rosto de Laura, ficou maravilhado com toda aquela beleza, se apaixonou perdidamente, e desde então, ficou obcecado e passou a vida procurando ela pelo mundo, ao mesmo tempo que lidava com as questões criminosas depois que "herdou" o cargo de chefe da máfia com a fatídica morte do pai (gente¹?)


Laura, então, não tem escolha pois não pode fugir, não tem a quem pedir ajuda, está longe da família, e aceita seu destino entrando num tipo de jogo de sedução e provocações, se fazendo de difícil com suas caras e bocas, às vezes se faz de doida dando alguns ataques nada a ver, gastando a bufunfa do homem endinheirado com roupas chiques que marcam seu corpitcho esbelto, despertando atenção de outros homens tão odiosos quanto, e causando ciúmes em Massimo de propósito. Até ela, obviamente, ceder aos abusos disfarçados de "boa pegada" e às manipulações psicológicas disfarçadas de "encantos" de Massimo, afinal, Laura andava muito frustrada sexualmente já que não ganhava a atenção do namorado e estava muito infeliz, coitada, e agora achou um homão dos sonhos pervertidos que a trate como uma rainha. Isso deveria servir como desculpa pra alguém engolir essa situação, pelo amor de Deus? Não tem nada que justifique ou faça sentido nessa história, nem mesmo o fato de ela exigir seu notebook e seu celular enquanto está lá confinada quando não usa (nem pra ligar pra polícia e pedir socorro), e por ter algum problema cardíaco que, teoricamente, a deixa fragilizada mas isso não acrescenta em nada na história, a não ser fazer com que o maníaco se preocupe e queira "cuidar" dela melhor, até ser um detalhe inútil e completamente esquecido (gente²?).


Enfim... Odeio fazer comparações, mas diante de tanto absurdo e falta de originalidade, é impossível não comparar 365 Dni com Cinquenta Tons de Cinza. Tem sexo em lugares aleatórios; tem luxo, poder, riqueza e esbanjo de dinheiro como forma de agrado; tem a mocinha relutante e deslumbrada com o "macho alfa" e dominador que a coloca num pedestal; tem gente julgando o relacionamento dos dois por conta das diferenças; tem baile de máscaras; tem ameaças vindas da ex namorada louca; e tem tentativas de pequenas cenas de humor que não tem nem um pouco de graça. Talvez a diferença é que 365 Dni realmente entregou as cenas hots que as pessoas queriam ter visto em 50 Tons, e não viram. Enquanto Mr. Grey de Cinquenta Tons faz uma proposta mediante contrato, o que sugere que a Anastacia teve uma escolha, Massimo, como o verdadeiro criminoso que é, dopa e sequestra Laura, e a obriga a estar ali a sua disposição para que passe a gostar dele a força, enquanto ele, obcecado, finge que precisa da permissão dela pro que quer que seja, mas sempre está ali feito um predador, ofegante, alisando cada milímetro do corpo dela, vigiando, provocando, pegando a coitada pelo pescoço a cada desaforo, e andando pra lá e pra cá ora sem camisa mostrando o peitoral peludo, ora pelado mostrando a bunda e o pinto.


Por mais bonitos e sexys que os protagonistas aparentem ser, as atuações são horríveis, eles são super afetados e não param de fazer caras e bocas, poses coreografadas e irreais, sustentam olhares intensos e sedutores como se tivessem olhando direto pro próprio sol o tempo todo e sem o menor motivo, e têm diálogos tão terríveis quanto aquela peruca loira e imóvel de Laura, que só conseguiram me deixar com vergonha alheia e em estado de choque. Não nego que, apesar do absurdo mais doentio que já vi na vida, existe tensão sexual e química entre os dois e as cenas de sexo quase explícitas que só aparecem mesmo depois de mais de uma hora de filme, são ousadas e bem feitas até certo ponto, mas se a ideia era só mostrar o sexo desvairado e selvagem que deixa qualquer um assado e esfolado em carne viva, a história em si não era necessária e qualquer outra fantasia delirante podia ser usada para que os meios pudessem justificar os finalmentes.

No final das contas, além da lendária revirada de olhos naquele looping infinito, a impressão que tive é que a Netflix, que se diz tão descolada e apoiadora de tantas causas relevantes nessa sociedade podre, parece ter perdido o juízo ao enfiar esse troço no catálogo em busca não só de dinheiro, mas da audiência pela bendita polêmica e, principalmente, pela curiosidade do povo fogoso que não pode ouvir falar em filmes baseados em livros eróticos que já saem correndo pra assistir (vide cinquenta tons de cinza) e comentar.


Odioso, vergonhoso, triste... Se a ideia era causar alvoroço romantizando a Síndrome de Estocolmo e fazendo de Laura e Massimo o casal do momento, conseguiram, pena que de uma forma tão tosca e negativa. E pra quem pensa que aquele final ridículo e que sugere uma tragédia pôs fim nessa história, não se enganem. Pelo que parece a trilogia inteira vai ser adaptada para as telinhas, logo, esse martírio vai ter continuação. Pena que até onde soube, já que parece impossível a gente não se esbarrar em comentários envolvendo esse filme pela internet afora, a história continua desandando e só vai ladeira abaixo, porque a romantização de absurdos ainda piores segue firme e forte.

É ficção? Sim. Pode ser uma fantasia sexual maluca? Também. Assisti e depois senti que perdi 2 horas da minha vida que nunca mais vão poder ser recuperadas? Com certeza. Mas deixou o alerta. É complicado quando as mulheres, enfim, começaram a ter coragem e passaram a exigir seus direitos, principalmente sobre o próprio corpo, e a lutar contra o machismo, denunciando violências e abusos sofridos nas mãos de caras escrotos, mas um conteúdo tão errado desse tipo conquista fãs. Às vezes não sei nem o que pensar, principalmente porque o dinheiro acaba falando mais alto, e não vai demorar para que alguma editora pegue carona nessa onda pra adquirir os direitos de publicação dos livros no Brasil, já que ainda não foram lançados por aqui...

Na Telinha - Anne with an "E" (3ª Temporada)

3 de abril de 2020

Título: Anne with an "E"
Temporada: 3 | Episódios: 10
Elenco: Amybeth McNulty, R.H. Thomson, Geraldine James, Dalila Bela, Lucas Jade Zumann, Aymeric Jett Montaz
Gênero: Drama/Romance
Ano: 2019
Duração: 50min
Classificação: +12
Nota:★★★★☆
Sinopse: Ao completar dezesseis anos de idade, Anne (Amybeth McNulty) decide buscar a verdade sobre sua família biológica, para o desespero de Marilla (Geraldine James). Enquanto isso, o relacionamento da menina com Gilbert (Lucas Jade Zumann) sofre uma evolução.

Agora que tem dezesseis anos, Anne já está numa fase da adolescência onde ela tem muito mais consciência dos seus sentimentos, do poder da sua voz e dos seus objetivos para o futuro, e se sente preparada e madura o bastante pra buscar a verdade sobre suas origens e sobre sua família biológica, na intenção de preencher o vazio sobre saber se já havia sido amada e como foi parar num orfanato, o que, de início, não agrada Marilla, que tem medo de "perder" a garota de alguma forma, dependendo do que ela descobrisse. Além de escrever para o jornal da escola e ainda conseguir causar algumas confusões com as verdades duras que a sociedade ainda não está preparada para ouvir, ela, enfim, assume seus sentimentos por Gilbert, mas ao que tudo indica, uma mocinha inesperada aparece para despertar a atenção do rapaz e deixar o coração de Anne apertado por causa de tantos desencontros.


Em paralelo a isso, Ka’kwet, uma garota que vive numa tribo indígena e bastante pacífica, se torna amiga de Anne quando a protagonista quer escrever um artigo sobre seus costumes, mas, além das pessoas não entenderem bem o ponto de vista de Anne, Ka'kwet acaba decidindo ir estudar numa escola católica depois de ter sido levada a acreditar que isso seria melhor para seu futuro, mas sabendo que a série também trata de temas delicados como a intolerância e o preconceito, já sabemos que a garota, que é índia, teria um destino um tanto incerto e até preocupante. Se já tratavam os negros como seres inferiores e desprezíveis, quem dirá os índios que mal eram considerados pessoas...


Nesse cenário de mudanças de ares e propósitos, a série acaba proporcionando a ideia não só de despedidas, mas do grande senso de justiça que Anne sempre teve, mas que agora é crescida o bastante pra não passar despercebida como uma criancinha sonhadora frente aos adultos, e que se para a sociedade ela é um "incômodo", fica bem evidente que foi por causa de "incômodos" como ela é que ideias retrógradas começaram a evoluir, ou pelo menos um pouco.

Anne continua sendo bastante carismática, sendo sensível ao lidar com questões mais difíceis, mas também mantendo a personalidade forte para conseguir seguir adiante. Claro que ela tem apoio dos Cuthbert's e das suas amigas que já aceitam ele como uma igual, principalmente de Diana e Cole, e isso também colabora para impulsionar a história e mostrar que qualquer um precisa de um ombro amigo nos momentos mais difíceis da vida.


Diana também ganha um pouco mais de espaço quando a série sugere um complicado relacionamento entre ela e um jovenzinho já conhecido que jamais seria aceito por sua família, e que por isso acaba sendo mantido em segredo causando algumas situações complicadas que afetam a amizade dela com Anne, e isso também levanta outras questões que envolvem o amor verdadeiro e os casamentos arranjados pelas famílias.
A ideia de mostrar de uma forma bem lúdica como as mulheres eram criadas para obedecer os homens é bastante interessante, principalmente pela desconstrução desses estereótipos. Por ter nascido mulher, ninguém é obrigada a viver exclusivamente pra marido e filhos como se essa fosse sua única função no mundo, e esquecer de si própria e dos seus sonhos e objetivos, e quando as mulheres começam a confrontar esse tipo de coisa, ao mesmo tempo que ficamos indignados de ver como tudo isso era absurdo, também ficamos orgulhosos de saber que existiram mulheres que enfrentavam esse "sistema", que corriam atrás de seus sonhos e objetivos, e não se deixavam calar por causa de um embuste qualquer.


Porém, essa terceira e última temporada deixou um pouco a desejar devido à algumas situações vivenciadas por personagens secundários, mas que acrescentavam relevância á trama, que ficaram sem desfecho, ou personagens completamente diabólicos não tiveram um castigo a altura por seus atos horrendos, deixando a gente com a cara na poeira, sem explicações. Não posso me basear nos livros pra fazer a crítica por ainda não ter lido, mas, pelo que pesquisei e conversei com quem leu, muita coisa fugiu bastante da história original, o que leva qualquer fã a pensar que material de sobra pra dar continuidade e um final digno a tudo aquilo, não era o problema. Assim, por mais que Anne with an "E" tenha se tornado uma série que gostei muitíssimo de acompanhar, seja pelo envolvimento que tive ou pelas questões tão importantes que ela levanta sob uma perspectiva super atual, no final, fiquei com aquele gostinho amargo de que faltou algo mais. Mas, como a esperança é a última que morre, não custa sonhar que algum estúdio ainda acredite no potencial que ela tem, e dê sequência ao que não acabou.

Na Telinha - Bojack Horseman (4ª Temporada)

10 de março de 2020

Título: Bojack Horseman
Temporada: 4 | Episódios: 12
Elenco: Will Arnett, Alison Brie, Amy Sedaris, Paul F. Tompkins, Aaron Paul
Gênero: Animação/Comédia/Drama/Fantasia
Ano: 2017
Duração: 25min
Classificação: +16
Nota★★★★☆
Sinopse: Enquanto BoJack enfrenta a auto-sabotagem e aversão de sempre, além do sentimento de perda, Mr. Peanutbutter recebe a ajuda de Todd para concorrer ao cargo de governador da Califórnia, e Diane consegue um novo emprego.


Mantendo o tom ácido e carregada de humor negro, a quarta temporada de BoJack Horseman arriscou - e acertou em cheio, mesmo não sendo algo totalmente novo - ao abordar não só os dilemas, a autossabotagem e as crises do protagonista, que está desaparecido após os acontecimentos da temporada anterior, mas também ao tratar a política e o quanto o sistema é falido em todos os aspectos, tratando de temas relevantes da forma mais cômica e absurda possível.


Como sempre, o roteiro foge da zona de conforto quando trata do comportamento e da personalidade de BoJack. Ele é um retrato bastante fiel de como alguém inconsequente pode lidar com os próprios defeitos, seu pessimismo, com a culpa e com a ansiedade, tentando fazer com que a responsabilidade recaia sobre os outros ao invés de assumir que o problema é com ele mesmo.
Ao iniciar a temporada com BoJack afastado, há espaço para aprofundar os personagens secundários, e com exceção de Todd, que está pra lá de perdido nesse contexto, o resultado é ótimo. Mr. Peanutbutter está concorrendo ao governo da Califórnia e com isso podemos esperar tudo; Diane mostra como é difícil ser mulher nessa sociedade tóxica; e Princess Carolyn vê a vida desmoronar diante de seus olhos, mesmo após tanto esforço, e é impossível não sentir empatia e se compadecer pela coitada.


Nessa temporada a mãe de BoJack, Beatrice, dá as caras, e percebemos o quanto o retorno dessa mãe narcisista que trabalha as suas origens é algo que afeta o protagonista. Se antes ela pôde ser vista como alguém que parecia existir só pra menosprezar o filho, agora vemos que ela possui várias camadas e que é bastante vulnerável devido aos seus problemas psicológicos e seu passado difícil que não eram do conhecimento de BoJack, o que fazia com que julgar a mãe pelas suas atitudes com ele (que não digo serem as melhores) fossem mais conveniente.


Essa temporada, embora tenha o típico humor ácido e as referências ao mundo das celebridades, traz algumas piadinhas e trocadilhos sobre assuntos da atualidade que não acrescentam muita coisa e nem arrancam risadas, e parece um tanto forçado dando impressão de que estão tentando pegar carona no que está na moda, fazendo com que o drama particular de cada personagem, e a forma como é abordado, ganhe uma importância maior e supere quaisquer questões políticas.

No que remete a política, chega a ser cômico, pra não dizer que é trágico, como a série mostra que candidatos ou pessoas que já estão inseridos nesse meio fazem qualquer coisa para conquistarem eleitores e garantirem a vitória, optando por usar frases de efeito ou mantendo determinado posicionamento sem que haja a menor preocupação em mostrar a verdade ou um histórico dos seus feitos, afinal, manter as aparências ou criar um ilusão qualquer para agradar o público é muito mais válido e vantajoso. Fica bem evidente que a série faz várias referências às eleições americanas quando o atual - e laranjado - presidente dos EUA concorria à presidência.


Em suma, não digo que essa foi a melhor temporada até agora, mas ela é importante pra mostrar como muitas vezes as coisas boas ou ruins da vida acontecem sem que necessariamente os envolvidos tenham alguma culpa, mas é sempre possível tirar algo de positivo de qualquer experiência.

Na Telinha - Anne with an "E" (2ª Temporada)

6 de março de 2020

Título: Anne with an "E"
Temporada: 2 | Episódios: 10
Elenco: Amybeth McNulty, R.H. Thomson, Geraldine James, Dalila Bela, Lucas Jade Zumann, Aymeric Jett Montaz, Kyla Matthews, Cory Gruter-Andrew, Dalmar Abuzeid
Gênero: Drama/Romance
Ano: 2018
Duração: 50min
Classificação: +12
Nota:★★★★★
Sinopse: Diante de uma falência iminente dos Cuthbert, a residência de Green Gables recebe dois novos misteriosos pensionistas: Nathaniel (Taras Lavren) e Sr. Dunlop (Shane Carty). Enquanto isso, Anne (Amybeth McNulty) estreita laços com Diana (Dalila Bela), Ruby (Kyla Matthews) e Gilbert (Lucas Jade Zumann), que faz um novo amigo estrangeiro.

Nessa segunda temporada, Anne já está melhor adaptada à vida em Avolea, assim como já conseguiu cultivar a simpatia e a amizade de algumas meninas da escola, e de Cole, que já se acostumaram com o jeitinho peculiar dela. Dessa vez, depois da perderem a colheita inteira num naufrágio, os Cuthbert estavam a beira da falência e, além de terem começado a vender seus pertences para conseguirem algum dinheiro, criaram um anúncio no jornal local oferecendo quartos em Green Glabes. Não demorou para que dois pensionistas misteriosos aparecem interessados no aluguel, mas ninguém sabe quais são as reais intenções deles alí, principalmente quando eles afirmam que existe ouro naquelas terras. Longe da cidade, Gilbert arranjou um emprego num barco, o que pra ele é uma aventura, e acaba fazendo amizade com Bash, um homem negro, pobre, e que tem uma experiência de vida bem diferente do garoto.


Com um roteiro mais maduro, se compararmos com a primeira temporada, Anne with an "E" traz uma trama que, mesmo se passando no século 18, aborda temas que resultam em reviravoltas interessantes e promove reflexões relevantes no espectador, que não remetem somente ao feminismo típico da série e a maneira como Anne tenta se encaixar quando ela é claramente diferente das outras meninas da sua idade, mas também ao machismo, ao racismo e a homofobia. Numa época onde a escravidão era permitida, a ideia de um homem negro ser livre e conviver entre brancos era absurda em meio a sociedade, assim como a homossexualidade era mau vista e tratada como uma doença, uma aberração, criando barreiras sociais e psicológicas, e impossibilitando a própria pessoa nessa condição a se assumir. Outra coisa bem interessante é a inserção de uma nova professora que tem métodos nada convencionais de ensino, e somando isso ao fato de ela ser mulher, também tem que aturar poucas e boas da população, pois o machismo também está entranhado no pensamento das próprias mulheres. E a série aborda isso de uma forma única, mostrando tanto os ataques, a forma de combate a esses preconceitos, e a reação de quem sofre com eles, o que emociona e surpreende bastante.


Anne, apesar de não ser perfeita, continua muito carismática, seja por ser sonhadora ou muito inteligente, o que a deixava a frente de sua época. A distância de Gilbert e a forma como ela se preocupa em manter contato com ele através de cartas, só reforça a ideia de que mais cedo ou mais tarde esses dois vão acabar juntos.

Além disso, também podemos voltar ao passado de Marilla e Matthew, o que nos permite entender porque ela se tornou uma mulher tão dura e que não demonstra seus sentimentos. Ter perdido um irmão e a mãe pouco tempo depois, fez com que ela assumisse o papel de responsável pela casa e por criar Matthew, logo ela se viu presa aquela condição e não pôde viver a própria vida da forma como ela gostaria por não ter outra escolha. Receber os pensionistas também é algo que lhe dá um choque de realidade, pois as pessoas nem sempre são aquilo que aparentam ser, e criar expectativas ou confiar demais pode gerar muitas decepções, infelizmente. A vida não é um mar de rosas.


Diante desses pontos e de novas experiências, é interessante ver como essa temporada consegue transitar entre a infância e a perda da inocência diante de alguma situação delicada mas que faz parte da realidade e do início de um amadurecimento necessário. Muita coisa que aprendemos vem com a dor, seja a nossa ou daqueles com quem nos importamos, e é preciso saber lidar com tudo isso pra seguir com a vida.
Há um episódio bem legal onde Anne, Diana e Cole vão a uma festa na casa de Tia Jô e se deparam com um pessoal bem diferente daqueles que vivem em Avonlea, e isso acaba expandindo a visão deles de que a vida é muito mais do que o que aprenderam naquela cidadezinha conservadora e que não evolui em nada, e que eles tem uma infinidade de opções a seguir além das tradições familiares ou sociais de se casar, ter filhos e viver nesse ciclo que parece reger a vida nessa sociedade.


Tirando alguns efeitos especiais bem mal feitos e nada a ver, o cenário e o visual no geral é muito bonito e inspirador, e é impossível não sentir vontade de visitar uma fazenda, fazer um passeio por um campo ou experimentar algumas das delícias feitas na cozinha de Green Gable.

Pra quem procura por uma série inspiradora, que emociona e trata de temas importantes com bastante delicadeza através de uma garotinha que está descobrindo o mundo à sua maneira, é série mais do que recomendada!