Caixa de Correio #94 - Dezembro

31 de dezembro de 2019

Última caixinha do ano, só coisa boa. Esse mês foi aquela confusão de sempre... Aniversário da Vivi no Natal, correria com preparativos, falta de dim dim, só Deus pra ter misericórdia. Mas, no final das contas, as coisas vão caminhando e se ajeitando do jeito que dá.

Bora ver o que chegou esse mês:

O Chamado de Cthulhu e outras histórias - H.P. Lovecraft

28 de dezembro de 2019

Título: O Chamado de Cthulhu e outras histórias - Biblioteca H.P. Lovecraft #1
Autor: H.P. Lovecraft
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Horror/Contos
Ano: 2019
Páginas: 448
Nota:★★★★★
Sinopse: Nascido em 1890, Howard Phillips Lovecraft revolucionou o gênero literário do horror ao inserir em suas histórias elementos típicos da fantasia e da ficção científica. Com um estilo de escrita único, por vezes de vocabulário e ortografia conservadores, Lovecraft elevou o terror a um patamar literário poucas vezes visto. Assim como Edgar Allan Poe no século XIX, Lovecraft é visto por autores como Neil Gaiman, Joyce Carol Oates e Stephen King como um dos principais autores de terror do século XX.
Neste primeiro volume da série "Biblioteca Lovecraft", traduzida e organizada por Guilherme da Silva Braga, encontramos textos clássicos como "O chamado de Cthulhu" e "A sombra de Innsmouth", e também textos menos conhecidos como "Dagon" (espécie de breve preâmbulo aos mitos de Cthulhu).

Resenha:  Nascido em 1890 e falecido em 1937, H.P. Lovecraft é considerado um dos principais autores do gênero de terror, reunindo não só admiradores de suas obras, como também inspirando autores de renome da literatura em todo o mundo. Neste primeiro volume da série "Biblioteca Lovecraft", encontramos dez textos clássicos do autor traduzidos e organizados por Guilherme da Silva Braga: Dagon, Ar frio, O modelo de Pickman, A música de Erich Zann, O assombro das trevas, O chamado de Cthullu, O horror de Dunwich, A sombra vinda do tempo, A casa temida, e A sombra de Innsmouth.

Os contos são curtos, alguns são narrados em primeira, e outros em terceira pessoa. Alguns inclusive parecem ter uma ligação com outros devido a algumas referências, e acabam se complementando ou preparando o leitor para algo que está por vir. Utilizando de uma escrita rebuscada, mas ainda assim um tanto fluída e cheia de detalhes e descrições minuciosas, é impossível desgrudar da leitura, mesmo que alguns trechos causem um enorme desconforto devido às descrições ora bizarras, ora sugestivas, ou ora assustadoras, mas que são capazes de despertar muita admiração e curiosidade em quem lê. Eu confesso que ainda não tinha tido oportunidade de ler nada do autor até então, mas posso dizer que o livro superou minhas expectativas pois foi bem além do que esperava encontrar.

Para os fãs do mestre do horror cósmico, ou pra quem gosta de contos de terror bizarros que se misturam com fantasia, é leitura mais do que indicada. Essa edição em particular, com capa dura e excelente diagramação é obra digna de se manter na coleção, pra ser lida e relida.

Abaixo um resumo do que se trata os contos do autor:

Na Telinha - Euphoria (1ª temporada)

27 de dezembro de 2019

Título: Euphoria
Temporada: 1 | Episódios: 8
Elenco: Zendaya, Hunter Schafer, Jacob Elordi, Sydney Sweeney, Barbie Ferreira, Alexa Demie
Gênero: Drama
Ano: 2019
Duração: 58min
Classificação: +18
Nota:★★★★★
Sinopse: Rue (Zendaya) é uma adolescente de 17 anos dependente química que acaba de sair da reabilitação. A medida que ela tenta voltar à rotina, percebe que seus colegas de escola também enfrentam os próprios desafios, envolvendo sexo, drogas, traumas e mídias sociais.

Rue é uma adolescente de dezessete anos que, desde pequena, já demonstrava ter uma percepção de mundo diferente das outras crianças. Mas, com a morte precoce do seu pai, ela acaba se viciando em drogas como forma de lidar com a perda e se "anestesiar", o que é agravado com seus problemas de ansiedade e bipolaridade. Depois de um episódio crítico, Rue vai pra reabilitação, mas ela não está nada preocupada em melhorar e não hesita em trapacear em exames que comprovam sua sobriedade. Ao voltar pra casa, sua vida ainda é marcada pela chegada de Jules no bairro, uma garota trans - e linda - com um histórico de vida super traumático. As duas logo se tornam melhores amigas e Rue acaba desenvolvendo uma certa dependência de Jules, mas será que elas vão ficar juntas até o fim para superar os vários obstáculos pessoais e sociais que aparecerão pelo caminho?


Rue é quem faz a narrativa dos acontecimentos, e, por ser viciada em drogas, fica meio implícito que ela pode não ser uma voz tão confiável para narrar os fatos, principalmente quando algumas cenas são baseadas em pensamentos ou alguma viagem muito louca dela.

Basicamente a série vai mostrar a vida de um grupo de adolescentes que fazem parte do círculo de amizade de Rue e que estão prestes a deixar o ensino médio, mas que já acumularam algumas experiências pessoais, amorosas e familiares pesadas o suficiente para moldar suas personalidades e influenciar em suas escolhas na vida, assim como as consequências bem amargas de todas elas. Experiências envolvendo drogas, sexo e sexualidade, abuso, saúde mental, exposição, vingança, violência e as expectativas que os pais depositam nos filhos e que nem sempre são superadas.


Um exemplo disso é as cenas em que Rue "ensina" a limpar o organismo ou burlar o resultado de um teste antidrogas, mas logo em seguida ela também mostra como o preço a ser pago por isso, seja física ou emocionalmente, pode ser alto demais. Ou como Jules, que tem um histórico delicado de depressão e automutilação, usa sua sexualidade pra provar o que quer que seja pra si mesma e ainda assim sempre aparece como alguém pura e iluminada, principalmente quando ela se torna um tipo de "cura" para Rue, que começa a deixar as drogas de lado, mas acaba criando uma certa dependência da amiga.
Os demais personagens também tem arcos fortes e bem construídos, que vão desde abandono, preconceitos sofridos, depressão, e traumas insuperáveis que colaboram na formação (e na corrupção) do caráter do indivíduo, princialmente nessa fase da adolescência que a série aborda, o que, consequentemente, pode gerar vários gatilhos.


Cada episódio se aprofunda um pouco mais no passado de algum personagem, explicando que um possível trauma desencadeou um determinado tipo de comportamento, mostrando que, querendo ou não, somos reflexos daquilo que vivenciamos e aprendemos na infância. Assim, cada personagem vai ganhando mais camadas, e é possível entender suas motivações na maioria das vezes, mesmo que não concordemos com eles por fazerem coisas condenáveis e absurdas.
A ordem cronológica não é muito exata, há uma transição constante entre passado e presente, e não dá pra saber ao certo se algumas cenas acontecem antes ou depois de um determinado evento, mas, fazendo um apanhado geral, dá pra compreender bem o que se passa.


O trabalho de fotografia é fantástico. As cores sempre se contrastam e evidenciam traços, o azul, o rosa e o vermelho se destacam bastante e geralmente se opõe ao laranja e ao verde. A iluminação sempre favorece todo tipo de brilho, seja nos cenários ou nas maquiagens, que, diga-se de passagem, são todas incríveis, e é impossível pensar na série sem pensar no visual maravilhoso. A série é indicada para maiores de dezoito anos tanto pelos temas pesados e delicados que abordados, quanto pelas cenas de sexo e nudez, e aqui a HBO ainda quebra alguns paradigmas e estereótipos quando não mostra apenas nudez feminina, mas a masculina, com pintos de todas as cores e tamanhos. Por que é "natural" quando mulheres aparecem nuas na TV, mas quando são homens as pessoas ainda ficam loucas? A naturalidade com que a nudez é tratada aqui é impressionante, principalmente por não ser "glamourizada". Outro ponto a ser destacado é a trilha sonora impecável dessa série, que ajuda a deixar tudo ainda mais intenso e emocionante. Sério: assistam e ouçam!


Ao final, a impressão que fica é que Euphoria não é só mais uma série em meio a tantas outras, mas uma verdadeira experiência crua e realista com esse "universo" adolescente cheio de representatividade, e regado a drogas, sexualidade a flor da pele e autodescobertas. Quero a segunda temporada na minha mesa agora, HBO! Nunca te pedi nada.

O Festim dos Corvos - George R.R. Martin

24 de dezembro de 2019

Título: O Festim dos Corvos - As Crônicas de Gelo e Fogo #4
Autor: George R.R. Martin
Editora: Suma de Letras
Gênero: Alta Fantasia
Ano: 2019
Páginas: 608
Nota:★★★★☆
Sinopse: Há séculos os sete grandes reinos de Westeros se enfrentam em amargas disputas, batalhas e traições. Agora, com Joffrey Baratheon e Robb Stark fora da jogada e lordes insignificantes competindo pelas Ilhas de Ferro, a guerra que devorou o continente parece ter finalmente chegado ao fim.
No entanto, como após todo grande conflito, não demora para que os sobreviventes, os bandidos, os renegados e os carniceiros avancem para disputar o espólio dos mortos. Por toda Westeros os lordes se agitam, formando alianças e fazendo planos, enquanto nomes conhecidos e desconhecidos se apresentam para tomar parte das danças políticas.
Todos precisam lançar mão de suas habilidades e poderes para encarar os tempos de terror que se aproximam. Nobres e plebeus, soldados e feiticeiros, assassinos e saqueadores devem arriscar suas fortunas... e suas vidas, pois em um festim de corvos, muitos são os convidados ― e poucos os sobreviventes.

Resenha:  Dando continuidade à saga épica escrita por George R.R. Martin, em O Festim dos Corvos, depois das mortes de Robb e Renly Stark, Balon Greyjoy e Joffrey Baratheon, a Guerra dos Cinco Reis chega ao fim para dar lugar a novos conflitos políticos e disputas de posse entre sobreviventes e renegados. Assim, os lordes de Westeros começam a bolar planos e formar alianças afim de se fortalecerem para enfrentar algo pior que se aproxima cada vez mais.

Seguindo o mesmo padrão dos livros anteriores, a história é narrada em terceira pessoa com capítulos que se alternam entre os vários personagens que movimentam essa parte da trama. Pelo fato de não ter nenhuma guerra acontecendo, os acontecimentos se referem mais ao amadurecimento e jornada dos personagens em questão em meio ao jogo dos tronos, sem que haja aquela tensão de batalhas e sangue no ar. A realidade e as consequências do pós guerra ficam em evidência, mostrando como os jogos políticos dos poderosos, que se fartam com banquetes e ouro, afetam os pobres e os menos favorecidos quando terras são arrasadas e milhares de vidas são destruídas.

A narrativa em si é bastante lenta e detalhada, mantendo o mesmo nível de violência, mortes e sexo dos quais já estamos acostumados a ver na série, e pelo fato de focar somente nas tramas e intrigas políticas de Porto Real, Correrio e proximidades, ele acaba sendo um pouco mais cansativo do que os anteriores, mas ainda assim, muito bem amarrado, juntando conflitos de várias casas de diferentes regiões e mostrando os bastidores dos jogadores quando estão fora dos campos de batalha.

Tommen herda o trono depois da morte do irmão, Joffrey; Cersei Lannister "orienta" seu filho como rainha regente, enquanto continua bolando maneiras de governar através do filho sonso, de se manter no poder e eliminar seus inimigos, mas a partir daqui é que percebemos que ela é a única responsável por seu destino; Sansa, enfim, consegue escapar com a ajuda de Mindinho, e com a orientações dele, ela começa a deixar de ser tão ingênua e começa a aprender a jogar o jogo dos tronos, mesmo que ela vá sofrer muito com isso; Arya parte numa jornada para aprender a se tornar uma assassina sem rosto. Os capítulos mais movimentados no quesito da ação ficam com Brienne de Tarth, e é ela quem ganha um excelente POV aqui, apesar de bem curto. Jon Snow, Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister nem são mencionados. Ao que parece, o quarto livro acabou sendo dividido para formar o quinto devido à sua extensão, logo a história também ficou dividida entre as regiões sul e norte.

No mais, o livro, obviamente, traz muito mais detalhes do que a adaptação pras telinhas e pra todo fã da saga e do autor, é leitura mais do que obrigatória.

Na Telinha - Klaus

20 de dezembro de 2019

Título: Klaus
Elenco: Jason Schwartzman, J.K. Simmons, Rashida Jones, Joan Cusack
Gênero: Animação
Ano: 2019
Duração: 1h38min
Classificação: +10
Nota:★★★★★
Sinopse: Em Smeerensburg, remota ilha localizada acima do Círculo Ártico, Jesper é um estudante da Academia Postal que enfrenta um sério problema: os habitantes da cidade brigam o tempo todo, sem demonstrar o menor interesse por cartas. Prestes a desistir da profissão, ele encontra apoio na professora Alva e no misterioso carpinteiro Klaus, que vive sozinho em sua casa repleta de brinquedos feitos a mão.

Jesper é um jovem aprendiz de carteiro na Academia Postal. Muito mimado e preguiçoso, ele quer viver as custas do pai, que é presidente da Academia, usufruindo do bom e do melhor enquanto os outros trabalham duro. Até que seu pai, cansado dessa folga sem fim, lhe dá um ultimato: ou Jesper vai para Smeeresnburg, um vilarejo nórdico, afastado e esquecido do mundo para fazer o envio de seis mil cartas no prazo de um ano, ou perderá seu direito na herança. Contrariado e sem mais escolhas, Jesper parte para o vilarejo e, ao chegar ao local, ele percebe que um conflito entre os clãs Krum e Ellingboes desencadeou não só uma briga centenária entre os habitantes, como deixou o local desolado e caindo aos pedaços.


A questão é: como um bando de pessoas que vivem em pé de guerra, sem sequer se lembrarem do motivo que iniciou essa confusão, e que só pensam em matar uns aos outros, usarão os serviços postais para que Jesper cumpra seu objetivo? Assim, sem muitas perspectivas e prestes a desistir, Jesper descobre um morador misterioso que vive sozinho numa casinha cheia de brinquedos que ele mesmo construiu e, ao fazer uma visita, descobre que ele poderia ser muito útil nessa sua missão.
A trama, então, se desenrola de forma fluída, levantando uma hipótese bastante criativa sobre as origens do bom velhinho.

Além dos toques de bom humor e sensibilidade que emocionam, a animação é muito bonita, com um estilo gráfico de encher os olhos e personagens bastante expressivos e que cativam o espectador. As paletas escuras e frias que gradualmente vão mudando pra cores mais quentes e alegres mostram a aproximação entre os moradores e a alegria que começa a surgir num local tão inóspito como é a Smeeresnburg. O trabalho de iluminação na animação é super bonito e caprichado, e é um dos desenhos mais bonitos que já vi em se tratando de visual e gráficos.



O vilarejo parece ser um personagem a parte. A medida que o plano de Jesper pra entregar as milhares de cartas é posto em prática, a cidade vai ganhando vida e as partes da história do Papai Noel começa a ganhar forma. De onde surgiram as cartinhas e os presentes, como começaram a ser recebidos pelas crianças, de onde vieram as renas, os ajudantes, e as roupas vermelhas e afins. É bastante criativo e bem amarrado.


Um ponto bastante interessante é a forma como a animação abordou a ideia da educação e da gentileza entre as pessoas. Como o ódio entre os clãs é uma coisa que passa através das gerações, as crianças acabam gastando o tempo que têm para fazerem travessuras e bolando planos para atacar seus rivais em vez de irem pra escola, o que fez com que Alva, a única professora da cidade, desistisse e transformasse o lugar num depósito de peixes fedidos até que pudesse dar o fora dali. Mas, como pra ganhar um presente as crianças precisam escrever uma carta para enviar a Klaus, consequentemente elas também precisam aprender a ler e a escrever, e onde mais aprenderiam isso se não for na escola? Alva deixa de ser uma moça amargurada e vai ganhando vida, esperança e passa a ter certeza de que as coisas, finalmente, vão mudar pra melhor. Essa evolução acaba fazendo com que a mudança parta das crianças, de forma que elas se tornem além de mais inteligentes, mais gentis, solícitas e amáveis umas com as outras, já que agora passaram a ter acesso a educação. E o mais legal é que isso passa para os seus familiares, que passa pros seus vizinhos, e a gentileza gera mais gentileza. A educação realmente transforma as pessoas, não dá pra negar.


Em alguns pontos, a animação lembra bastante A Nova Onda do Imperador, da Disney, com aquela ideia do protagonista egoísta que faz as coisas visando o benefício próprio, mas que acaba se redescobrindo através da jornada com um companheiro, e encontrando bondade em si mesmo. A amizade entre Jesper e Noel é construída de forma orgânica, acaba mudando a forma como os dois encaram a vida, e se torna um gás a mais que os impulsiona a continuar fazendo o bem, levando alegria pra quem precisa e merece.


No final, achei muito válido pensar que o Natal é uma época para aproximar as pessoas e despertar o que há de bom em cada um de nós. Klaus é uma animação divertida, encantadora, cheia de surpresas e reviravoltas dignas dos mais famosos clássicos, e é tão legal quanto as festividades em família.

A Casa Negra - Stephen King e Peter Straub

17 de dezembro de 2019

Título: A Casa Negra - O Talismã #2
Autores: Stephen King e Peter Straub
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia/Suspense/Terror
Ano: 2014
Páginas: 704
Nota:★★★★★
Sinopse: Vinte anos se passaram e Jack Sawyer não é mais um menino. Aos trinta e dois anos, não se lembra dos acontecimentos terríveis que o levaram, quando tinha apenas doze, a um estranho universo paralelo - os Territórios. Em busca de um valioso talismã, o pequeno Jack enfrentou inimigos perigosos e situações de grande risco, tudo para salvar a mãe desenganada.
Agora Jack é um detetive aposentado, depois que um acontecimento suspeito o forçou a deixar a polícia, e leva uma vida tranquila, protegido de recordações perigosas. Mas sua tranquilidade está prestes a acabar.
Uma série de assassinatos macabros faz com que o chefe de polícia local, amigo de Jack, lhe implore para ajudar um policial inexperiente a encontrar o assassino. O universo parece desejar que Jack retorne aos Territórios.
Atormentado por mensagens enigmáticas que lhe aparecem como que em sonhos, Jack decide enfrentar o desafio e acertar as contas com o próprio passado.
Em A casa negra, a aguardada sequência de O talismã, grande sucesso de Stephen King e Peter Straub, Jack Sawyer precisará encontrar forças para entrar em uma casa medonha, perdida em uma floresta, e enfrentar os males insanos que a habitam. Jack não se recorda dos tormentos que teve que enfrentar quando menino, mas, de alguma forma, sabe que o pior ainda está por vir.

Resenha: Vinte anos se passaram desde que Jack se aventurou pelos Territórios e enfrentou perigos inimagináveis em busca do talismã. Agora, aos trinta e dois anos, ele não se lembra de nada do que viveu aos doze anos de idade. Jack é um detetive aposentado que, depois de ter sido forçado a deixar a polícia, leva sua vida de forma tranquila e sem lembranças que possam atormentá-lo. Para todos, ele aparenta ser uma pessoa marcada, que viu coisas e teve experiências que ninguém nunca teve.
Até que uma série de assassinatos na pequena cidade de French Landing deixa a polícia em polvorosa e Jack é requisitado para ajudar na busca pelo assassino conhecido como O Pescador, um canibal que ataca crianças. O que ele não esperava era retornar a um universo já esquecido para acertar as contas com seu passado pois os assassinatos brutais cometidos pelo Pescador pode afetar a Terra e outros mundos...

Embora tenha umas páginas 50 páginas a menos do que o primeiro livro, a leitura é mais rápida tanto pela história ser mais envolvente, quanto pelo tamanho da fonte que é maior e mais confortável.
Diferente do primeiro livro, talvez pelo fato de que não há mais o toque infantil de um protagonista de doze anos, a narrativa é mais sombria e voltada para as investigações acerca dos crimes terríveis que tanto preocupam as pessoas e a polícia. A narrativa se mantém em terceira pessoa, mas com o diferencial de que o narrador convida o leitor a observar os acontecimentos contados por ele de forma onipresente. É como se estivéssemos lá, acompanhando tudo, mas sem poder interferir em nada.
Como de costume em todos os livros do autor, o início da história, com suas descrições ricas e minuciosas, é um tanto monótona, mas com o desenrolar do enredo vamos ficando cada vez mais curiosos, os momentos de adrenalina crescem e as 700 páginas acabam passando mais rápido do que imaginamos por causa da empolgação.

Mesmo que eu tenha gostado muito do primeiro livro, principalmente pelo fato dele ser mais fantasioso e mais leve pelo protagonista ser um menino que parte numa aventura pra salvar sua mãe, tenho que admitir que, embora não exista uma aventura/viagem real e tenha um estilo diferente, eu também gostei do tom mais adulto e macabro que essa continuação ganhou, até mesmo porque aqui as vítimas são as crianças, o que torna as coisas ainda mais aterrorizantes e até mais "dignas" do mestre do terror. Talvez isso possa dificultar um pouco a leitura de quem tenha o estômago mais fraco ou seja mais sensível, pois algumas descrições dos pequenos corpos, de torturas, e outros detalhes do tipo, são chocantes, assombrosas, e difíceis de acompanhar. Pra quem tem filhos, então, pode ser um desastre completo, principalmente pelas reações da população e dos pais das vítimas.

O problema talvez seja pelo pequeno detalhe de que essa (até então) duologia faz um crossover com a série A Torre Negra, e alguns acontecimentos acabam ficando meio vagos ou até incompreensíveis pra quem não leu pelo menos até o quinto volume (dos sete). Outro ponto que deixou o livro maior do que o necessário é devido ao tempo "perdido" pra desenvolver personagens que não são essenciais para a trama. Mas, os personagens importantes, são - e se mantiveram - complexos, e o que ganha destaque é a personalidade de cada um, a forma como eles enxergam o mundo e se moldam àquela realidade.

O final, apesar de não ser feliz, é satisfatório e faz sentido no contexto da trama, e pra quem gosta do estilo de King e de histórias com toques macabros, é leitura mais do que recomendada.

Wishlist #81 - Funkos de Care Bears

14 de dezembro de 2019

Aquele gostinho de infância é inevitável quando lembro de Ursinhos Carinhosos, e nem preciso dizer que desde que a Funko anunciou o lançamento desses pops (coisa que já faz um tempinho) eu já dei um jeito de incluir na minha wishlist que não acaba nunca mais.
Confesso que não serão prioridades, apesar de serem super fofos, coloridos e deixar qualquer estante enfeitada do jeitinho que gosto, mas um dia terei todos, mesmo que os exclusivos (os três últimos da imagem) sejam os olhos da própria cara.


O Talismã - Stephen King e Peter Straub

12 de dezembro de 2019

Título: O Talismã - O Talismã #1
Autores: Stephen King e Peter Straub
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia/Suspense
Ano: 2014
Páginas: 752
Nota:★★★★★
Sinopse: Jack Sawyer, um garoto de 12 anos, está prestes a iniciar uma jornada fantástica: a empolgante e assustadora busca de um talismã. Jack sabe que correrá muitos riscos, que terá sua coragem e resistência física testadas a cada segundo, mas vai lutar até fim: de seu sucesso depende a vida de sua mãe...
Para atingir sua meta, Jack terá que lutar contra um inimigo furioso e cruel que está disposto a fazer qualquer coisa para destruí-lo e atravessar não apenas os Estados Unidos de costa a costa, mas também os Territórios, uma região assombrosa e ameaçadora.
Onde ficam os Territórios? Como chegar a esta região fantástica e mítica que não pode ser alcançada de modo comum? Em que plano de existência se situa esse mundo tão intrigante quanto a Atlântida? Jack vence estes mistérios ao atravessar para os Territórios. Aí, descobre a desconcertante existência dos "Duplos", reflexos de pessoas que conhece na Terra, como a Rainha Laura, o "Duplo" de sua mãe, que também está com a vida por um fio.
Jack não tem muito tempo e é longa a viagem. A cada passo de sua jornada, precisa enfrentar inimigos perigosos que o perseguem nos dois mundos. No entanto, ele persiste, pois só terá sossego quando o valioso talismã estiver em suas mãos.

Resenha:  Jack Sawyer só tem doze anos, mas a idade é suficiente para ele embarcar na maior, mais assustadora e mais empolgante aventura de sua vida. Órfão de pai, depois de descobrir que sua mãe está muito doente, Jack tem a chance de ir em busca de um valioso talismã, que, supostamente, não só pode salvar sua mãe de uma doença, quanto também salvar os mundos onde batalhas épicas entre luz e trevas ocorre. Ele vai cruzar os EUA e os Territórios, um universo paralelo onde irá fazer muitas descobertas sobre os mundos, e sobre si mesmo, além de enfrentar os maiores perigos que nunca imaginou.

É complicado falar sobre muitos detalhes dessa história para não estragar todas as surpresas que ela nos reserva, então vou tentar ser bem sucinta nessa resenha. Narrado em terceira pessoa e dividido em quatro partes, os dois autores se unem para equilibrar fantasia e horror em uma escrita única, criando, assim, uma história de aventura e esperança complexa, em meio a um universo fantástico, alternativo e sombrio. No começo, assim como a maioria dos livros do autor, há muita informação, sempre descrita de forma lenta e muito detalhada, o que torna a história um pouco cansativa e difícil de engatar, mas penso que isso não é por acaso, e, sim, para que o leitor possa se habituar à mitologia presente e se familiarizar com a jornada de Jack. A medida que a história avança, as coisas começam a se encaixar melhor e se tornam muito mais interessantes e empolgantes. São os detalhes que tornam a experiência com essa leitura algo único e surpreendente, pois a sensação é a de estar lá, ao lado de Jack, mesmo que algumas mudanças bruscas de cenário nos tirem a concentração.

Jack Sawyer é um protagonista incrível. Além de ser especial por ter a habilidade de transitar entre mundos, tudo o que ele aprende e enfrenta nesse percurso vão testar sua resistência ao máximo, e é exatamente essa experiência que o torna mais forte. Embora ele seja muito corajoso, há algumas situações que o deixam com muito medo, mas ele não pensa em desistir jamais.

Lobo é um dos melhores, se não o melhor, personagem desse livro. Ele é carismático e seu espírito protetor acaba fazendo com que ele seja aquele melhor amigo que sempre dá o ombro e estende a mão pra ajudar o outro. Ele é uma das melhores representações de lealdade e amizade verdadeira que já me deparei em qualquer livro que já li na vida.

Os vilões aqui, Morgan e Osmond, são um caso especial, pois embora sejam sádicos e oportunistas, são bem construídos e com motivações que realmente causam impacto e medo. A forma como usam e manipulam as pessoas através de suas fraquezas é doentia e cruel.

Enfim, não posso negar que este é um dos melhores livros do gênero que já li. A história é mágica, bastante original, cheias de surpresas e super emocionante. É impossível não se emocionar com a jornada de amadurecimento de Jack enquanto ele, aos poucos, vai deixando sua infância e sua ingenuidade para trás, ou com a mensagem implícita sobre as crueldades e os perigos do mundo.

Anota aí #8 - Méliuz - Cupons de Desconto e Cashback

10 de dezembro de 2019


Pra quem gosta de fazer compritchas pela internet, aqui vai uma dica mara de economia. O Méliuz é um portal que disponibiliza, gratuitamente, cupons de desconto das melhores lojas online do Brasil e ainda te devolve parte do valor gasto em suas compras. O melhor disso é que o valor é devolvido em dinheiro, direto em sua conta bancária.

Depois de criar um cadastro, pra ativar o cashback, é só entrar no site do Méliuz e procurar a loja online do seu interesse pra começar a fazer as compras. Outra forma é instalar a extebsão do Méliuz no navegador, que ela te avisa se a loja é parceira, e se for, é só clicar no botão do dinheiro de volta. Pelo celular, é só instalar o app do Méliuz, procurar a loja online e voilá!
Algumas lojas físicas também estão aceitando o Méliuz, e nesses estabelecimentos é só informar o telefone celular associado ao seu cadastro.

Assim, a cada compra confirmada vamos juntando saldo, e ao atingir o valor mínimo de R$20,00 já podemos solicitar o saque. Num prazo médio de 10 dias, o dinheiro do cashback já cái na conta e pronto!

Além do cashback em suas compras, no app do Méliuz você ainda encontra cupons de desconto e ofertas das lojas parceiras, que são acumulativas com o dinheiro de volta.

O único ponto negativo é que o dinheiro de volta pode demorar até 90 dias pra cair no extrato, e em épocas onde há grande volume de compras, como Black Friday por exemplo, o sistema fica instável pelo grande número de acessos e é difícil acessar a conta pra ativar o cashback, mas o sistema em si funciona muito bem e até então não tenho nada a reclamar.

Se ainda não conhecem, clique na imagem abaixo pro convite esperto que te dá R$5,00 de bônus, mais o cashback, na primeira compra!


Você também pode convidar mais gente pra usar e também ganhar R$5,00 quando eles também fizerem compras. Todo mundo ganha!

Wishlist #80 - Funkos de Backstreet Boys

5 de dezembro de 2019

Pááááraaaa tudo, Jesus!
Eu já tinha tido um mini infarto quando algumas artes do que seriam os popíneos de Backstreet Boys começaram a vazar. Eis que agora os abençoados foram confirmados e quero toooodos.
A boy band marcou minha adolescência e, até hoje, mais de vinte anos depois, ainda sou super fã, continuo acompanhando as novidades, e amo demais ♥


Na Telinha - Bojack Horseman (3ª Temporada)

3 de dezembro de 2019

Título: Bojack Horseman
Temporada: 3 | Episódios: 12
Elenco: Will Arnett, Alison Brie, Amy Sedaris, Paul F. Tompkins, Aaron Paul
Gênero: Animação/Comédia/Drama/Fantasia
Ano: 2016
Duração: 25min
Classificação: +16
Nota
Sinopse: Com o enorme sucesso de "Secretariat", BoJack finalmente se sente importante na indústria. Mas quando o assunto é vida pessoal, ele ainda fracassa em tudo o que se propõe a fazer.

Depois de duas temporadas recheadas de humor ácido essa terceira temporada manteve a narrativa subversiva, e trouxe críticas sociais inacreditáveis, que cutucam até a alma da sociedade. O roteiro se aproveita de sutilezas acerca de questões sociais, morais e éticas, e é capaz de enfiar reflexões nas cabeças alheias, principalmente devido ao toque de drama que tornou essa temporada bem mais pesada que as demais.



BoJack voltou aos tempos de glória, conseguiu recuperar a fama perdida e agora fica imaginando como será sua vida quando receber seu cobiçado troféu. Porém, seus defeitos superam qualquer virtude que ele possa ter e chega a ser doloroso acompanhar um personagem que faz tanta merda num espaço de tempo tão curto. Por mais que ele sempre esteja rodeado de gente, é nítido o quanto ele é um cara sozinho e impotente quando precisa lidar com algo mais sério. Mesmo que Princesa Carolyn e Diane estejam alí o aconselhando da melhor forma possível, ele continua tomando decisões questionáveis e dignas de puro repúdio.


Uma coisa que acho super interessante nesse seriado é o fato de que a grande maioria dos personagens antropomórficos tem características da própria espécie. É como se, por mais que eles tenham evoluído a ponto de conviver lado a lado dos humanos como iguais, eles ainda mantiveram hábitos clássicos dos animais que representam. Um exemplo é Mr. Peanuttbutter, que por ser um cachorro, é leal, meio abobalhado, bastante agitado, fica com a língua pra fora e outros comportamentos caninos do tipo. Uma cena interessante é quando BoJack observa um grupo de cavalos correndo juntos e levantando poeira numa pradaria, coisa que animais de outra espécie não tem costume de fazer. A cena, além de demonstrar essa característica, também evidencia o quanto BoJack é solitário, infeliz e almeja por uma vida que está bem distante de sua realidade. O episódio onde BoJack vai pra um evento no fundo do mar e podemos acompanhar, entre outras coisas, um pouco da vida de um cavalo marinho, que como pai é responsável pela gestação e criação dos filhos, também é um dos mais filosóficos e interessantes da temporada, principalmente por não ter quase nenhum diálogo, e as ações falam por si.



Em contrapartida e como exceção à regra, Princesa Carolyn, que é uma gata, precisa lidar com sua vida profissional que toma todo seu tempo e a isenta de uma vida social. Ela mal tem tempo pra comer e dormir, mas ainda sonha com um relacionamento duradouro.
E falando em relacionamentos, é interessante acompanhar o relacionamento entre Diane e Mr. Peanuttbutter e como o casamento deles vai de mal a pior, mostrando que nada é perfeito por mais que eles pareçam ser feitos um pro outro. Todd, que é o maior alívio cômico da série com sua total falta de noção, reencontra uma antiga colega de escola e dá um novo vislumbre à série acerca de sua sexualidade.



A série aborda temas contemporâneos e controversos sem rodeios, mostrando uma verdade crua sobre os bastidores da fama e levantando questões sobre a objetificação da mulher, aborto, abandono, drogas e até a morte, mas sempre com aquele humor negro e típico da série, além das referências hilárias de outros atores, como "Jurj Clooners", ou cenas clássicas de princesas de desenhos animados famosos reproduzidas por Sarah Lynn, que está tentando se manter sóbria e falhando miseravelmente pois a companhia e a má influência de BoJack é a pior que existe, por mais que suas observações e comentários sejam geniais.
"Viu, Sarah Lynn? Não estamos condenados. No panorama geral das coisas, somos apenas partículas mínimas que, um dia, serão esquecidas. Então, não importa o que fizemos no passado, ou como vamos ser lembrados. A única coisa que importa é o presente. Este momento. Este momento único e espetacular que estamos compartilhando. Certo, Sarah Lynn? Sarah Lynn? Sarah Lynn?''
- Temporada 03, episódio 11
É impossível não se identificar de alguma forma, refletir com os tapas na cara que vem com as verdades cômicas e amargas, e/ou sentir a dor dos personagens devido aos dramas que vivem. A oscilação entre o trágico e o cômico é evidente, e é quase impossível não sentir a ferida sendo cutucada com tudo que o roteiro aborda. No mais, BoJack Horseman é um retrato fiel à tragicidade daquilo que há de mais depreciativo na sociedade e que está tão presente na vida de muitos nos dias de hoje.

Resumo do Mês - Nem Tão Doce Novembro

1 de dezembro de 2019


Confesso que esse mês eu achei que iria ter um troço e cair dura no chão. Não vou entrar muito em detalhes, mas, pela primeira vez na vida, acabei desabafando no meu perfil do face, depois de passar por um desgosto por ter que lidar com a criatura amarga que é o ser humano, e não tô muito a fim de falar do caso outra vez, porque a sensação é a mesma de cutucar uma ferida aberta com um graveto pontudo, e quero evitar a fadiga.

Tirei força e coragem do além pra finalizar minhas leituras, e acabei demorando duas semanas pra voltar pro blog pra atualizar o pobre com as minhas pendências. Então, sorry pela ausência. Juro que estou me esforçando pra não deixar nada largado. Pode parecer que não, mas eu ainda me importo com esse cantinho já que, de alguma forma, ele me ajuda a esfriar a cabeça e até organizar minhas ideias, que não andam prestando nada ultimamente.

Enfim, bora ver o que teve no blog:

♥ Resenhas
- Aprendiz de Assassino - Robin Hobb
- A Fúria dos Reis - George R.R. Martin
- A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
- Os Sete Maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid
- Sessão da Meia-Noite com Rayne e Delilah - Jeff Zentner

♥ Na Telinha
- Gilmore Girls (3ª Temporada)
BoJack Horseman (2ª Temporada)

♥ Games
- Cat Room

♥ Wishlist
- Funkos de The Devil Wears Prada ♥

Caixa de Correio de Novembro

Caixa de Correio #93 - Novembro

30 de novembro de 2019

Novembro foi um mês meio brochante, vou ser sincera. A caixinha em si, apesar de simples, me deixou super feliz. Fazia tempo que eu queria ler esses livros do King por sempre ouvir falar muito bem e enfim, vou conseguir. Mesmo que eu não tenha comprado muitos pops (muitos só vão chegar mês que vem, principalmente os que estou importando), também fiquei feliz com o pop do Harry. Faltava ele pro trio do baile ficar completo e foi o primeiro dessa wave nova que dei um jeito de comprar. O desânimo maior é saber que a Funko já lançou mais uma cacetada de pops de Harry Potter, com os personagens usando as roupinhas do baile (e já anunciaram mais alguns outros pro ano que vem, pelamordosantodeus) e eu estou aqui, falida. Quando penso que falta pouco pra completar essa coleção sem fim, brotam mais cem do além pra deixar qualquer um desesperado.
Mas, coleção é assim mesmo, a gente conquista devagarinho e com paciência. Minha falta de coragem vai um pouco além disso, mas acho que não cabe comentar aqui, afinal, caixinha de correio é postagem pra coisas boas, que me deixam alegrinha e feliz, e a lamúria fica pra lá.

Bora ver o que chegou esse mês:

Sessão da Meia-Noite com Rayne e Delilah - Jeff Zentner

25 de novembro de 2019

Título: Sessão da Meia-Noite com Rayne e Delilah
Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto
Ano: 2019
Páginas: 408
Nota:★★★★☆
Sinopse: Toda sexta-feira, as melhores amigas Josie e Delia se transformam em Rayne Ravenscroft e Delilah Darkwood, apresentadoras de um programa de terror exibido em um canal da TV local. Com o final do ensino médio se aproximando, Josie precisa decidir se vai mudar de cidade para estudar em uma universidade grande e ir atrás de seu sonho de seguir carreira na televisão – mas isso significaria ficar longe de sua melhor amiga... Enquanto isso, Delia sonha que seu pai, um fã de filmes de terror que abandonou a família anos atrás, assista ao programa delas na TV e retome o contato.
Em um fim de semana, as duas resolvem fazer uma viagem para a Flórida, onde vai acontecer a ShiverCon, a maior convenção do universo do terror e o lugar perfeito para conseguir um contrato com uma grande emissora. Mas pode ser que um jovem lutador de MMA, um produtor de televisão excêntrico e um basset hound idoso acabem transformando a vida dessas melhores amigas de uma maneira inesperada.

Resenha: Josie e Delia são melhores amigas, do tipo inseparáveis. Toda noite de sexta-feira, as duas se tornam Rayne Ravenscroft e Delilah Darkwood, apresentadoras de um programa de terror amador exibido em um canal na TV local chamado Sessão da Meia-Noite. O programa é filmado em Jackson, no Tennessee, mas tem um alcance considerável a ponto de ter alguma audiência. Os filmes são ruins e nem sempre elas conseguem manter o "profissionalismo" diante de algumas barbaridades e se encangalham de rir durante as filmagens. Os telespectadores lhes escrevam comentando os episódios, apontando erros, dando sugestões, fazendo críticas e fazendo comentários desnecessários sobre as meninas. Ainda assim elas continuam tentando dar o seu melhor para terem algo de que possam sentir orgulho.
Mas, diferente de Josie, que pensa em televisão 24hrs por dia, Delia se dedica a isso porque seu pai era um grande fã de filmes de terror. O problema é que ele abandonou a família há anos, e a ideia que Delia teve para tentar reencontrá-lo é produzindo algo que possa vir a chamar a atenção dele de alguma forma, como se isso fosse fazer com que ele retomasse o contato com a filha.

Agora, com o ensino médio chegando ao fim, as meninas começam a fazer planos sobre a faculdade, mas sem abrir mão das filmagens do programa. Assim, num final de semana, as duas partem para a Flórida, onde aconteceria uma grande convenção de terror, a ShiverCon. Seria uma ótima oportunidade se elas conseguissem um contrato com uma grande emissora e tudo dependeria de uma reunião que Delia organizou com um produtor, que não tem nada de convencional.

Narrado em primeira pessoa, com capítulos que se alternam entre os pontos de vista das duas protagonistas, o livro traz uma história sobre amizade doida e verdadeira, e a vontade de lutar pelos sonhos. Ao comparar este com os dois livros anteriores do autor, percebi que essa história é mais positiva, mais leve e divertida, enquanto os outros seguem pelo lado mais sério do emocional. Embora seja uma história sobre adolescentes e para adolescentes, o tom desta destoa um pouco e isso me causou um leve estranhamento no começo, porque eu acho que esperava mais sentimento e menos humor. E o humor nesse livro foi um problema pra mim, pois as piadinhas e o sarcasmo das meninas não me fizeram rir nem um pouco. Desde as primeiras páginas achei esse humor forçado demais, deixando a história com um tom abestalhado, e foram poucos os trechos que conseguiram arrancar um sorriso no cantinho da minha boca. Outro problema pra mim foi que só conseguia distinguir as vozes das personagens e saber qual era o ponto de vista da vez porque o nome delas vem no topo da página do capítulo, caso contrário seria impossível pra mim. Não vi diferença nenhuma que mostrasse quem era quem só pela narrativa. Além disso, não consegui identificar nenhum momento grandioso ou significativo o bastante para uma ligação emocional que deveria ser tão forte como o autor quis mostrar para torná-las melhores amigas, e se houve algo do tipo, me perdi totalmente.

Fora isso, não nego que o autor tem uma habilidade única quando o assunto é falar sobre sentimentos, angústias e receios sobre essa fase da vida, e suas personagens acabam sendo muito genuínas, como se fossem um retrato da vida como ela é. De um lado temos Josie, que tem a vida um tanto fácil e confortável por vir de uma família rica e, talvez por isso, é bastante antipática. Todas as facilidades que ela poderia ter pra se dar bem na vida estão em suas mãos, e ela não parece entender muito bem quando alguém não tem o que ela tem, mas, a medida que as coisas vão acontecendo envolvendo alguns grupos sociais, ela acaba tentando mudar de atitude pois passa a enxergar que o mundo não é tão cor-de-rosa assim.

De outro lado temos Delia, que é totalmente o oposto de Josie. Ela sente falta do pai e tem que lidar não só com as consequências desse abandono e dessa rejeição, como também com a mãe instável e depressiva, que vive a base de remédios numa tentativa de manter a própria sanidade. A vontade de reencontrar o pai é tanta que ela deposita todas as suas forças e esperanças nesse projeto, esperando que ele retorne. Ela se sente prejudicada, se sente triste e as vezes despeja suas frustrações em quem não tem nada a ver, mas ela tem capacidade pra reconhecer seus erros e está disposta a melhorar.

Dessa forma, por mais que eu concorde ou discorde de alguma atitude, ou não tenha sentido tanta simpatia assim (principalmente por Josie), eu ainda torcia por elas (mesmo que eu quisesse meter a mão em Josie as vezes) e acho que uma história pra ser boa, deve mexer com a gente desse jeito.

No mais, Sessão da Meia-Noite com Rayne e Delilah traz uma mensagem muito válida e bonita, e mostra que seguir nossos sonhos é uma tarefa difícil, às vezes parece impossível, e muitas vezes requer sacrifícios que nem sempre estamos dispostos ou prontos pra fazer. O mais importante dessa vida é dar valor a quem está perto da gente e tem algo a acrescentar, e não correr atrás de quem partiu e deixou apenas um vazio.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid

23 de novembro de 2019

Título: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Gênero: Romance
Ano: 2019
Páginas: 360
Nota:★★★★★
Sinopse: Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes – seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido... pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história – ou sua "verdadeira história" –, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso – e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

Resenha: Depois de ter curtido muito a escrita e a história de Daisy Jones & The Six, da autora Taylor Jenkins Reid, não pensei duas vezes quando soube do lançamento de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e já queria ler o quanto antes, cheia de expectativas. Diferente do primeiro que tem foco na indústria da música, este nos leva aos bastidores de Hollywood.

Prestes a completar oitenta anos, Evelyn Hugo, a lendária estrela de Hollywood, vive reclusa em seu apartamento depois de protagonizar vários escândalos no meio cinematográfico em sua época de glória. Agora, Evelyn quer contar sua verdadeira história, com direito aos mínimos detalhes e todos os segredos de sua vida, desde que a entrevistadora seja Monique Grant, uma jornalista inexperiente de trinta e cinco anos que ninguém nunca ouviu falar. Inicialmente, Monique não entende o motivo de ter sido escolhida para escrever um livro com a biografia de Hugo em meio a tantos jornalistas famosos que poderiam fazer o mesmo, e ela percebe que escrever e publicar essa biografia não só poderia alavancar sua carreira, como descobrir que as trajetórias das duas poderiam estar conectadas de uma forma surpreendente.

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Monique, a trama retorna ao passado da icônica e famigerada atriz dos anos 60, se intercalando com os momentos presentes da jornalista, evidenciando, assim, o impacto que os detalhes da vida dela causam em Monique. Em meios aos capítulos também surgem as partes divididas por informações sobre cada casamento (que aconteceram por um motivo, e não por ela ter mania de se casar pra causar como muitos pensavam), e várias notícias sobre a atriz em jornais do passado ou em sites da atualidade, com direito a comentários do público e afins, o que mostra que quando a pessoa é pública, todos se acham no direito de julgá-la com suas opiniões que ninguém pediu.

O que realmente movimenta essa jornada é a curiosidade do leitor pela vida de Evelyn. Mas não aquela vida que todos conhecem através das notícias sensacionalistas e dos escândalos aos quais a atriz se envolveu, mas sim sua vida por trás das câmeras, os detalhes de sua rotina, dos seus desejos, dos seus sonhos, e de quem ela é na realidade. São coisas que ninguém sabe por conta da fachada de celebridade que lhe foi imposta. Assim, vamos acompanhando uma mulher forte e que assume tudo o que fez, por mais "sujo" que possa parecer. Evelyn é cativante, e entre as milhões de virtudes e defeitos que tem, talvez a maior delas seja sempre ser sincera com os outros e consigo mesma, sendo capaz de conseguir olhar pra si mesma e avaliar a quantas anda sua vida. Ela se aproveitou de sua beleza, de seu corpo estonteante, dos contatos e influências de Hollywood pra chegar onde queria, e, embora muito disso possa ter lhe dado vários problemas, ela não se arrepende de nada, principalmente porque nada foi por acaso, tudo fez parte das escolhas dela com propósito de se aproximar e conseguir algo muito maior e que a faria feliz de verdade. Monique, então, ficaria responsável por contar ao mundo quem é essa Evelyn Hugo.

Só posso dizer que a autora acertou em cheio outra vez com mais uma obra que levanta questionamentos e discussões sobre a representatividade que personagens femininas empoderadas tem na sociedade, principalmente quando envolvem assuntos ligados à violência contra a mulher, ao preconceito, à sexualidade e outras questões de gênero. E leituras assim são importantes e muito necessárias para que as pessoas aprendam a ser mais tolerantes quando o assunto é amor e felicidade alheia.

Sei que o ano ainda não acabou, mas já me arrisco a dizer que este foi o melhor livro que li em 2019, e sei que vai ser difícil algum outro superar.
Ao final, o que faz a gente se lamentar é que a obra não é baseada em fatos, e que se trata de apenas uma personagem - a melhor personagem -, e se Evelyn Hugo existisse de verdade, eu seria sua maior fã.

Games - Cat Room

21 de novembro de 2019

Título: Cat Room
Desenvolvedora: Cross Field
Plataforma: Android e iOS
Categoria: Simulação/Puzzle
Ano: 2016
Classificação Indicativa: Livre
Nota: ★★★★☆
Sinopse: "Cat Room" é um jogo gratuito onde você pode criar sua própria sala pessoal com gatos bonitos.

Eu adoro jogos de bichinhos fofinhos, e, se tratando de um de gatíneos, é claro que eu não podia deixar de conferir.

Cat Room é um game japonês de simulação e quebra-cabeças, que consiste basicamente em cuidar das necessidades dos gatinhos fofinhos, mas traz outros perequetês a mais pra incrementar as coisas e tornar o jogo mais dinâmico e social. Só é possível jogar nos idiomas japonês e inglês. Os mini tutoriais ou explicações iniciais são um pouco confusos, e inicialmente pode haver um pouco de dificuldade pra entender a mecânica do jogo e o que ele oferece, mas depois que a gente se acostuma e aprende, fica bem fácil e intuitivo.

  

Adotamos os gatinhos e vamos fazendo o que eles ficam pedindo, como dar comida, brincar, dar banho, comprar qualquer coisa que precisam, plantar alguma plantinha ou fruta pra preparar alguma receita na panela, dando amor e afins, e, ao realizar as vontades deles, vamos ganhando pontos de experiência pra subir de nível, o que permite desbloquear mais itens, e também dinheirinhos em forma de moedas pra poder gastar comprando mobílias super bonitinhas para a casa.
Os itens colhidos, assim como as receitas preparadas, podem ser dadas de presentes pra outros jogadores, seja numa visita ou no painel de pedidos. Essas visitas e presentes também rendem pontos de experiência e dinheiro.

Os gatinhos podem ser adquiridos num painel onde temos acesso à sua raça, porém só tem como sabermos a aparência dele após a compra, como se fosse uma "surpresa", pois até então só vemos a silhueta deles. Embora seja possível comprar vários gatos de uma vez usando as estrelas acumuladas ao passar nas fases do puzzle, a quantidade de gatos que podemos ter ao mesmo tempo na casa depende do nível de jogo e dos slots adquiridos. Quanto maior o nível, mais chance de ganhar ou comprar slots, e mais gatinhos pra se cuidar podem ser selecionados pra morar na casa.

  

Além disso, existe o minigame/puzzle, estilo Candy Crush que, além de permitir que ganhemos mais dinheiro no jogo, também desbloqueia novos itens, dão estrelas pra desbloqueio de novas raças, slots para criar mais gatos, ou receitas que podem ser preparadas na cozinha e dadas de presente pra outros jogadores ou pros nossos próprios gatitos. A dificuldade aumenta de acordo com o nível, e algumas fases parecem impossíveis de completar. Fico imaginando os níveis mais altos, e o desespero e a raiva que a gente não deve passar alí por não conseguir completar a fase...

Existe uma área chamada Paradise, que é onde podemos levar o bichano pra passear e realizar pequenas atividades, e até é possível interagir e fazer trocas com outros jogadores (a maioria dos jogadores são japoneses).

No menu existe a BabyRoom, que é onde cuidamos de um filhotinhos até que ele cresça pra levarmos ele pra casa, mas os cuidados com ele também são demorados e é preciso ter paciência até que ele fique pronto.
No menu, na opção de "Achievement" existem alguns desafios que a gente pode completar pra ganhar recompensas, desde dinheiro, latinhas, energia, ou facilidades pro puzzle. São coisas como logar todos os dias, dar mais amor pros gatos, chegar em determinado nível, e por aí vai... Mobiliar a casa com todos os itens de uma coleção em particular também pode render dinheiro e itens especiais.

  

Acho que o único ponto "negativo", talvez como forma de controle pra ninguém subir de nível de forma desenfreada e haver um pouco mais de equilíbrio, é que os itens utilizados passam por um tempo de "limpeza", e só podem ser usados novamente depois de alguns minutos. Assim, se um gato for brincar no arranhador, por exemplo, pra mandá-lo brincar outra vez é preciso esperar alguns minutos. As plantas também requerem um tempo pra crescerem e serem colhidas.
O minigame também é limitado, então após gastarmos a energia, é preciso esperar um tempo até que ela encha novamente pra podermos jogar de novo ou assistir algum anúncio pra adiantar esse tempo. É até possível acelerar o tempo de espera ou adquirir outras coisas bloqueadas, mas é preciso gastar as latinhas de comida, que seriam equivalentes a diamantes. Essas latinhas podem ser conseguidas através do puzzle, do aumento de nível, ou comprando com dinheiro de verdade. Essas latinhas também podem ser usadas pra comprar mais dinheiro no jogo pra gastar na compra de móveis ou expansões pra aumentar o espaço da casa, ou comprar móveis ou enfeites que são exclusivos e precisam ser pagos com latinhas também.

É um joguinho simples, mas que além de ter um visual fofo com musiquinhas agradáveis de se ouvir, é bem divertido pra se passar o tempo. Eu curti muito.

A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin

18 de novembro de 2019

Título: A Tormenta de Espadas - As Crônicas de Gelo e Fogo #3
Autor: George R.R. Martin
Editora: Suma de Letras
Gênero: Alta Fantasia
Ano: 2019
Páginas: 832
Nota:★★★★★
Sinopse: O futuro de Westeros está em jogo, e ninguém descansará até que os Sete Reinos tenham explodido em uma verdadeira tormenta de espadas.
Dos cinco pretendentes ao trono, um está morto e outro caiu em desgraça, e ainda assim a guerra continua em toda sua fúria, enquanto alianças são feitas e desfeitas. Joffrey, da Casa Lannister, ocupa o Trono de Ferro, como o instável governante dos Sete Reinos, ao passo que seu rival mais amargo, lorde Stannis, jaz derrotado e enfeitiçado pelas promessas da Mulher Vermelha.
O jovem Robb, da Casa Stark, ainda comanda o Norte, contudo, e planeja sua batalha contra os Lannister, mesmo que sua irmã seja refém deles em Porto Real. Enquanto isso, Daenerys Targaryen atravessa um continente deixando um rastro de sangue a caminho de Westeros, levando consigo os três únicos dragões existentes em todo o mundo.
Enquanto forças opostas avançam para uma gigantesca batalha final, um exército de selvagens chega dos confins da civilização. Em seu rastro vem uma horda de terríveis criaturas místicas - os Outros: um batalhão de mortos-vivos cujos corpos são imparáveis.

Resenha:  Dando continuidade à Guerra dos Cinco Reis, que agora na verdade são quatro porque um morreu, Stannis Baratheon, enfeitiçado pela Mulher Vermelha, tenta reerguer seu exército depois da Batalha da Água Negra que ocorreu em Porto Real. Foi nesta batalha que Tyrion sofreu um ataque e agora se recupera do enorme ferimento no rosto que lhe renderia sua famosa cicatriz.
Enquanto o intragável Joffrey ocupa o Trono de Ferro, o caos reina em Westeros. Comandando o Norte, Robb Stark continua tendo êxito nas batalhas que luta e passou a ser chamado de Jovem Lobo.
Representando a Patrulha da Noite, que ainda não tomou partido na confusão, Jon Snow se infiltra no grupo dos Selvagens, e fica de olho em Mance Rayder, o Rei Para Lá da Muralha.
Daenerys Targaryen segue para Pentos levando consigo seus três dragões, que crescem cada vez mais. Ao passar pela Baía dos Escravos, ela se torna a Quebradora de Correntes e ganha cada vez mais força enquanto planeja chegar em Westeros.
E enquanto a guerra ganha mais força, uma horda de mortos-vivos se levanta representando umdos maiores perigos que todos haveriam de enfrentar...

Mantendo o estilo de narrativa dos livros anteriores, A Tormenta de Espadas traz capítulos narrados em terceira pessoa com pontos de vistas de personagens distintos. Em alguns momentos, pelo excesso de detalhes, a leitura é um pouco maçante, mas a história é tão interessante que é impossível não se envolver e só querer saber mais.
Com mortes a perder de vista, traições inesperadas e reviravoltas incríveis, este volume consegue ser ainda melhor que os anteriores pois aqui é onde as coisas realmente começam a acontecer e a ganhar um desenvolvimento maior, que irão interferir no futuro e no destino de todos.

É meio difícil falar sobre esses livros quando a série fez tanto sucesso e muita gente já sabe o que acontece. Como são muitos personagens e os acontecimentos acabam se interligando, é difícil fazer comentários e tecer opiniões sem spoilers. É difícil também falar das características de cada personagem já que são tantos que mal dá pra contar, mas só posso dizer que é uma série incrível, com tramas políticas inteligentes, com personagens que são capazes de fazer coisas que até Deus duvida, e com um autor audacioso e desapegado o bastante para criar situações inacreditáveis, principalmente no que diz respeito às mortes.

Personagens que pareciam não fazer nenhuma diferença começam a evoluir e ganhando importância, e enquanto uns ganham nossa admiração, outros mereciam uma lenta e dolorosa morte. A medida que os acontecimentos pela visão de um determinado protagonista se desenrola, as camadas desse personagem começam a ser desvendadas, e vemos que cada um deles tem suas particularidades que os tornam únicos, com objetivos distintos, mas sempre presando por algo maior... Alguns querem sobreviver, outros querem conquistar algo que acreditam lhes ser de direito, outros só querem vingança por algo trágico que aconteceu ou por alguém que lhe foram tomados... Enfim...

Não é a toa que a série ganhou todo esse espaço. Foi mais do que merecido e realmente faz jus ao sucesso. Pra fãs de fantasias épicas, é leitura mais do que obrigatória.

Na Telinha - BoJack Horseman (2ª Temporada)

17 de novembro de 2019

Título: Bojack Horseman
Temporada: 2 | Episódios: 12
Elenco: Will Arnett, Alison Brie, Amy Sedaris, Paul F. Tompkins, Aaron Paul
Gênero: Animação/Comédia/Drama/Fantasia
Ano: 2015
Duração: 25min
Classificação: +16
Nota
Sinopse: Depois que sua autobiografia se torna um best-seller e o papel no filme dos seus sonhos parece finalmente ser realidade, BoJack está pronto para impulsionar sua carreira. A menos que ele estrague tudo.

BoJack Horseman está de volta nessa segunda temporada que consegue ser tão boa quanto a primeira. Enquanto seu completo fracasso como pessoa foi explorado na primeira temporada, dessa vez, o que entra em cena é seu retorno para os holofotes e sua autodescoberta em busca de algo maior e mais além do que o fundo do poço: BoJack quer voltar a ser feliz.
Depois do lançamento de sua biografia escrita por Diane Nguyen, BoJack recupera a fama perdida, volta a ser conhecido e consegue um trabalho para protagonizar o filme Secretariat. Porém, contrariando suas expectativas, esse retorno não lhe traz nenhuma alegria, muito pelo contrário.


Embora a temporada ainda aborde as questões sobre os bastidores podres do mundo das celebridades, o foco fica sobre BoJack que, depois de reconhecer que sua vida foi ladeira abaixo, está em busca da sua felicidade. Os episódios mantém a essência da série, trazem um humor sagaz, que beira a ironia, e os demais personagens que fazem parte da vida de BoJack, Diane, Todd, Princess Carolyn e Mr. Peanutbutter, ganham mais profundidade, espaço e relevância. Os altos e baixos do casamento de Diane com Mr. Peanutbutter é bem trabalhado e mostra um outro lado da vida de um casal que muitos tem, mas não contam pra ninguém, assim como as tentativas frustradas de BoJack se relacionar com alguém quando ele não está preparado pra isso, por mais que ele tente. Por falar em relacionamento, alguns são apresentados de uma forma tão absurda, mostrando que, por amor, muitas vezes ficamos tão cegos, que deixamos de ser capazes de enxergar a verdade que está na nossa frente, e isso chega a ser até preocupante se pararmos pra pensar.

Há uma abordagem bem interessante sobre o relacionamento falido de BoJack com sua mãe, que sempre o coloca abaixo de zero e nunca lhe dá apoio algum, e o quanto isso afeta sua vida, e por aí podemos ver que grande parte da personalidade dele vem do que ele precisou - e ainda precisa - enfrentar. A proximidade com uma ex-companheira de trabalho, que agora já está adulta e cheia de problemas, também ganha espaço e levanta vários questionamentos.

As situações e os diálogos trazem ótimas reflexões, pois não deixam de ser uma crítica à sociedade atual. Os personagens são tão "humanos", cheios de falhas e defeitos, que acabam estando bem próximos da nossa realidade, por mais bizarros que sejam. Logo é perfeitamente possível sentir alguma empatia ou se identificar com suas personalidades, seus desafios, seus obstáculos ou com seus sonhos.


Confesso que os primeiros episódios não são tão convidativos, mas a medida que as coisas vão acontecendo, os personagens vão sendo mais trabalhados, seus dilemas vão ficando cada vez mais interessantes, as sátiras se tornam certeiras, e as lições, que parecem ser sutis num primeiro momento, acabam ficando explícitas, sendo impossível não pegar os temas abordados e parar pra pensar na nossa própria vida.

BoJack Horseman pode não ter um visual muito atrativo a primeira vista, mas é uma das melhores e mais inteligentes animações adultas da atualidade.

Wishlist #79 - Funkos de The Devil Wears Prada

14 de novembro de 2019

Sabe aquele filme que vira favorito e a gente assiste um milhão de vezes sem cansar? Poizé.
Depois de ANOS de espera, enfim a senhora Funko ouviu as minhas preces. Os pops do filme O Diabo Veste Prada foram divulgados e serão lançados entre março/maio de 2020, e não estou aguentando de ansiedade, tendo pequenos ataques e faniquitos. Esperei séculos pra ter um mini Miranda Priestly pra chamar de minha e agora já posso fazer minha contagem regressiva. Olha que lindas essas mini divas do mundo da moda, meupai.
Quero.


A Fúria dos Reis - George R.R. Martin

9 de novembro de 2019

Título: A Fúria dos Reis - As Crônicas de Gelo e Fogo #2
Autor: George R.R. Martin
Editora: Suma de Letras
Gênero: Alta Fantasia
Ano: 2019
Páginas: 648
Nota:★★★★★
Sinopse: Da antiga fortaleza de Pedra do Dragão, às costas áridas de Winterfell, reina o caos.
Seis facções disputam o controle de uma terra dividida e o direito de ocupar o Trono de Ferro de Westeros - e estão dispostos a encarar tempestades, levantes e guerras para isso.
Nesta história, irmão trama contra irmão e os mortos se levantam para caminhar pela noite. Aqui, uma princesa se disfarça de menino órfão, um cavaleiro se prepara para encarar uma pérfida feiticeira e bárbaros descem das Montanhas da Lua para saquear os campos.
Em um contexto de incesto e fratricídio, alquimia e assassinato, a vitória será dos homens e mulheres que possuírem o mais frio aço... e o mais frio coração. Pois, quando se desperta a fúria dos reis, a terra inteira treme.

Resenha:  Dando continuidade aos conflitos apresentados no livro anterior, A Fúria dos Reis apresenta ainda mais ameaças em meio às diversas tramas políticas dessa guerra que está por vir.

Depois que um cometa vermelho corta os céus, algumas profecias começam a surgir, mas nada se equipara ao caos que se instaurou nos Sete Reinos. Depois da morte de Ned Stark e da separação dos membros da família Stark, Joffrey Baratheon reina com tirania, mas mesmo com Tyrion Lannister como sua mão, numa tentativa de amenizar os estragos causados pelo rei, não consegue impedir uma grande guerra civil.
Seis facções/casas entraram na disputa pelo poder, com o objetivo de ocupar o Trono de Ferro de Westeros. A ideia de Joffrey não ser o herdeiro legítimo do trono deixou o povo em polvorosa, e agora o irmão mais velho de Robert, Stannis Baratheon, se alia a uma misteriosa religião encabeçada por Melisandre, a sacerdotiza vermelha que serve o Senhor da Luz, para formar um exército que vai lutar para que ele consiga o que é seu por direito. Stannis foi convencido de que ele é o guerreiro profetizado que salvaria o mundo de uma grande escuridão iminente. Em contrapartida, Renly Baratheon, irmão mais novo de Robert, também se acha merecedor de ocupar o trono e se autoproclama rei, e se alia à Casa Tyrell.
Nas Ilhas de Ferro, Balon Greyjoy também é coroado rei, e um plano de vingança começa a ser tramado.
Com tantos reis em busca de um único objetivo, surgiu a Guerra dos Cinco Reis.
Os Lannister não medem esforços para manter sua posição no trono, mas o que ninguém imagina é que um perigo muito maior está vindo de além das grandes Muralhas, ou que do Leste, uma jovem garota de cabelos quase brancos e olhos cor de violeta, em companhia de seus três dragões, quer reconquistar o que foi tomado de seus ancestrais.

Narrado em terceira pessoa e com capítulos que se alternam entre os principais personagens dessa trama fantástica, a história vai ganhando ainda mais formas e camadas, evidenciando união, conflitos e traições entre todas as casas envolvidas nessa disputa. Não nego que a história seja maravilhosa e fez um sucesso gigantesco, e os personagens vão nos surpreendendo cada vez mais, mas a escrita do autor, embora seja fluída, é prolixa ao extremo. Metade do livro envolve planos a perder de vista e execução zero. É difícil quando a história é boa e intrigante, mas a forma de ser contada nos livros é cansativa, e talvez por isso muitos preferiram acompanhar a série (eu vi a série antes de ler os livros, sorry). Mas sou obrigada a concordar que a história é cheia de surpresas, reviravoltas e muita, MUITA ação. E MUITO SANGUE.

Os personagens vão mostrando cada vez mais para o que vieram, e a medida que passam a lidar com experiências cada vez mais trágicas, vão se moldando e se adaptando à realidade conflituosa e cheia de perigos que os cerca. E os perigos são tantos que aqui nãos e pode cogitar a hipótese de se apegar a ninguém. Todos morrem, a todo momento. Ninguém está a salvo. Quando você pensa que alguém é importante e que vai mudar o rumo das coisas, lá está ele sem cabeça ou com as tripas pra fora pra te provar que não.

A inserção dos dragões de Daenerys na trama traz o ar de fantasia, e a forma como ela vai se desenvolvendo e se tornando cada vez mais forte para lutar pelo que ela quer é incrível, e o que torna sua jornada ainda mais realista em meio ao cenário de disputas, porém, por mais que ela tenha um futuro promissor, ela ainda não chegou onde quer, sofre bastante, e suas cenas acabam sendo um tanto entediantes. Os caminhantes e o perigo que eles representam não fica atrás.

O que me incomoda um pouco na narrativa do autor é o excesso de detalhes que envolvem abuso, incesto e cenas extremamente pornográficas. Talvez, dentro do contexto da época isso tenha alguma relevância, mas acho que a história poderia ser a mesma se o assunto não existisse, ou fosse tratado de forma mais sutil.

No mais, é difícil falar sobre uma história tão complexa sem dar maiores detalhes e spoilers que possam estragar a experiência de quem ainda não leu. Só posso dizer que o sucesso não veio por mero acaso, a história, mesmo que demore pra ser finalizada devido ao excesso de descrições e detalhes, realmente é incrível e supera nossas expectativas, e pra quem é fã de alta fantasia recheada de tramas políticas, é leitura mais do que indicada.

O Aprendiz de Assassino - Robin Hobb

6 de novembro de 2019

Título: O Aprendiz de Assassino - Saga do Assassino #1
Autora: Robin Hobb
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia/Drama
Ano: 2018
Páginas: 450
Nota:★★★★☆
Sinopse: Fitz tem seis anos de idade quando seu avô o joga aos pés de um guarda real e anuncia que a partir de então o pai deve cuidar do bastardo que produziu ― e o pai de Fitz é ninguém menos que Chilvary Farseer, o príncipe herdeiro dos Seis Ducados.
Excluído pela realeza, mas importante demais para ser abandonado, Fitz é criado à sombra da corte, protegido pelo mestre dos estábulos e crescendo em meio aos criados e plebeus da Cidade de Torre do Cervo.
No entanto, um bastardo real é uma peça perigosa, e o rei Shrewd não demora a convocá-lo. Carregando no sangue a magia ancestral do Talento e uma habilidade ainda mais instintiva de se comunicar com os animais, Fitz passa a ser treinado para se tornar um assassino a serviço do rei.
Quando saqueadores selvagens começam a atacar as regiões costeiras dos Seis Ducados, Fitz recebe sua primeira missão. Embora alguns o vejam como uma ameaça, o jovem bastardo vai provar que pode ser a chave para a sobrevivência do reino.

Resenha: O Aprendiz de Assassino é o primeiro livro da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy), a primeira de cinco sagas que faz parte da enorme série O Reino dos Antigos, da autora Robin Hobb. O livro já havia sido publicado pela Editora Leya anteriormente, mas agora ganhou uma repaginada e foi relançado pela Suma sob novo projeto gráfico e nova revisão/tradução.

Fitz é um garotinho de seis anos de idade, filho bastardo do príncipe Chivarly Farseer, o herdeiro do rei Shrewd Farseer, dos Seis Ducados, que mais tarde abdicou do trono colocando seus irmãos mais novos, Verity e Regal, na linha de sucessão. Fitz foi excluído da vida da realeza por ser um bastardo, mas por ser importante demais (ou perigoso demais para os interesses reais) pra ser simplesmente abandonado à própria sorte, ele foi criado às sombras da corte em meio a criados e animais pelo mestre dos estábulos da Torre do Cervo, Burrich. Fiz herdou o Talento, uma magia ancestral que lhe dá a habilidade de se comunicar com os animais, e posteriormente ele é aceito pela família real, recebendo as devidas instruções, mas também sendo secretamente treinado a se tornar um assassino silencioso a serviço do rei Shrwed.
Até que um grande grupo de saqueadores bárbaros começam a ameaçar os Seis Ducados, e Fitz é enviado para sua primeira missão, mas ele acaba em meio a vários segredos numa trama misteriosa e cheia de reviravoltas.
"A minha vida tem sido uma teia de segredos, segredos que mesmo agora são perigosos de compartilhar. Devo colocá-los neste fino papel para fazer deles apenas chamas e cinzas? Talvez."
- Pág. 12
O livro é narrado em primeira pessoa, e a quantidade de detalhes e descrições é tão adorável quanto cansativa. Não que isso seja um ponto negativo no caso desse livro em particular, até mesmo porque a escrita poética da autora é bastante fluída e rica a ponto de a todo momento nos surpreender com a forma incrível que ela tem de expressar alguma emoção ou acontecimento através de uma frase genial, mas esse excesso de floreios, embora importante dentro do contexto, acaba tornando a leitura mais demorada do que o esperado, mostrando, lenta e gradualmente, cada passo da infância cheia de tribulações, dificuldades, privações e sofrimento do pequeno Fitz. Talvez a narrativa foi feita dessa forma de propósito, pois da mesma forma que o protagonista beira a exaustão com tantas experiências trágicas, os leitores também acabam ficando com o emocional desgastado ao acompanhar essa peleja sem fim.

Num primeiro momento, como leitora, eu me senti um pouco incomodada com a narrativa em primeira pessoa e como as lembranças da infância dele eram tão vívidas, pois, inevitavelmente, ficamos limitados ao ponto de vista e às experiências de Fitz, que conta sua longa jornada nos mínimos detalhes, desde sua primeira lembrança aos seis anos quando foi levado para os estábulos até mais velho. Muito tempo é investido em descrever as experiências de Fitz, e no final das contas, com esse ritmo devagar, quase parando, a sensação é de que vários anos se passaram durante tudo aquilo, como se compartilhássemos o peso que recaiu sobre os ombros do protagonista.

Sobre a parte gráfica, só tenho elogios. A capa, embora destaque bem o nome o nome da autora em prateado, é bem simples e bonita, fazendo referência a Cidade da Torre do Cervo.
Um ponto bastante relevante sobre esta edição da Suma de Letras em particular, diferente das edições publicadas anteriormente pela Editora Leya, é que os nomes dos personagens, que podem moldar ou definir a personalidade deles, não foram traduzidos a fim de manter a originalidade, e graças a Deus que fizeram isso aqui. Inclusive há um glossário no final do livro com o significado de cada nome.

No mais, O Aprendiz de Assassino é uma excelente introdução à série e ao universo fantástico e grandioso criado por Robin Hobb, entregando uma história sobre confiança, amor e lealdade sem igual, e ainda levantando questões interessantes sobre a importância do sangue, e se devemos confiar plenamente em alguém só por causa do bendito parentesco. O livro superou, sim, todas as minhas expectativas, e estou bastante ansiosa pra continuar lendo os próximos volumes. Não é todo dia que a gente encontra um livro de fantasia desse calibre. Super recomendado!