Wishlist #73 - Funkos de Sailor Moon

10 de julho de 2019

Sailor Moon fez bastante sucesso nos anos 90, principalmente entre as meninas. O anime conta a história de Usagi Tsukino (ou Serena, na versão dublada), uma garota de 14 anos, que estuda na oitava série, bem inocente, bastante chorona, e aparentemente normal (ou pelo menos, é isso o que ela pensa). Um dia, ela encontra uma gatinha falante que revela a identidade de Usagi como "Sailor Moon", uma renascida guerreira mágica cujo destino é salvar a Terra das forças do mal. A gatinha, Luna, vai lhe dando tarefas e auxiliando Usagi a usar seus novos objetos mágicos contra vários vilões horripilantes.

Acho que, analisando hoje, talvez por ser direcionado ao público infantil, quem é mais velho pode achar o anime bem besta, com altas poses e movimentos estilo Power Rangers, mas que na época era um auge. A nostalgia que ele causa hoje é o que importa, tanto que recentemente voltei a assistir os episódios depois de décadas.
E os pops? São lindos, coloridos, com detalhes incríveis e quero todos!



Na Telinha - Big Little Lies (1ª Temporada)

9 de julho de 2019

Título: Big Little Lies
Temporada: 1 | Episódios: 7
Distribuidora: HBO
Elenco: Reese Whiterspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Laura Dern, Zoë Kravitz, Alexander Skarsgård, Adam Scott
Gênero: Drama/Suspense
Ano: 2017
Duração: 52min
Classificação: +16
Nota: ★★★★★
Sinopse: Na cidade litorânea de Monterey, estado da Califórnia, nada é o que parece. Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman) e Jane (Shailene Woodley) são três mulheres, com vidas aparentemente perfeitas, que se unem depois que seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Mas alguns acontecimentos as envolvem numa trama de assassinato.

Em 2015, o terceiro livro escolhido para o finado Clube do Livro da Liga foi o Pequenas Grandes Mentiras, da autora Liane Moriarty, e lembro de ter sido uma das melhores e mais empolgantes leituras que fiz naquele ano. Pouco tempo depois, a HBO anunciou que havia adquirido os direitos para produzir uma minissérie baseada na obra, ficamos todos na expectativa, e em 2017 ela foi ao ar. Eu cheguei a esboçar uma postagem para fazer a crítica, mas o tempo foi passando, eu fui adiando e, no final das contas, já não lembrava dos detalhes com tanta clareza para falar sobre a série com a devida propriedade, e acabei desistindo da crítica. Agora, com o recente lançamento da segunda temporada (que na época não havia sido mencionada e eu nem imaginava que iriam produzir), eu aproveitei o gancho para rever e relembrar do que havia esquecido, assim, eu poderia acompanhar os episódios da temporada nova estando por dentro do assunto.



Resumindo, a história se passa na cidade litorânea - e maravilhosa - de Monterey, norte da Califórnia. Inicialmente sabemos que houve um assassinato, o que nos leva a uma narrativa que se alterna entre presente e passado, com os potenciais suspeitos sendo interrogados e dando seus depoimentos sobre o incidente para os investigadores. O espectador não sabe quem matou, quem morreu, e o quê, de fato, aconteceu. Assim, em paralelo a esses relatos, acompanhamos os momentos que antecedem a dita morte naquela comunidade onde tudo parece tão perfeito, principalmente através da vida de três mulheres, Madeline, Celeste e Jane, nos levando à uma jornada de completa desconstrução de conceitos. Há também a questão das crianças e da confusão que um enorme mal entendido causa no relacionamento entre essas mulheres, como mães, e o que ele desencadeia em toda a comunidade. As camadas das personagens são relevadas gradualmente nos menores detalhes, e são responsáveis por nos mostrar que nem sempre as coisas são o que aparentam ser. Os traumas causados pela violência vem em diferentes nuances, pois cada uma lida com os problemas à própria maneira, assim como o impacto que isso tem em suas vidas. Cada uma é afetada de forma diferente e requer um tipo de atenção diferente.



Por se tratar de uma adaptação, algumas diferenças entre série e livro são notáveis, mas nada que prejudique o enredo ou fuja do tema. O início é um pouco lento e o suspense, mesmo que desperte muito nossa curiosidade, é construído devagar. Alguns personagens inclusive ganham destaque e profundidade a mais ao terem os próprios arcos desenvolvidos e explorados. É o caso de Renata (Laura Dern), por exemplo, que acaba representando o papel da mulher competitiva que batalhou duro para ser bem sucedida na vida, ao mesmo tempo que é mãe e super protetora.



Obviamente a realidade dessas mulheres na questão social é bem diferente da maioria das pessoas comuns, de gente como a gente. O estilo de vida que levam, as mansões que moram e afins estão longe da realidade da maioria, principalmente aqui no Brasil, mas a questão que envolve o emocional e a moral é o que ganha o maior destaque, e é o que realmente importa. A questão do mistério acerca do assassinato acaba sendo mero pano de fundo para destacar uma temática profunda e relevante sobre traumas, abusos, sororidade, relacionamentos, maternidade e superação, e também para deixar evidente que sustentar pequenas mentiras pode resultar em algo não só indesejado, mas que pode vir a se tornar grande o bastante para sair do controle.



Madeline (Reese Whiterspoon) é teimosa, controladora, invasiva e curiosa sobre tudo o que se passa com a vida alheia a ponto de ser inconveniente. Mesmo no segundo casamento, ela não lida bem com o entrosamento da filha mais velha com o ex-marido e sua atual esposa, Bonnie (Zoë Kravitz). Muito da sua personalidade e escolhas acaba interferindo no seu atual o casamento. Celeste (Nicole Kidman) abriu mão de tudo para se dedicar aos filhos e ao marido, mas por trás da vida perfeita e do casamento feliz, ela esconde segredos terríveis sobre o que vive dentro de casa. Jane (Shailenne Woodley) é a mãe solteira recém chegada à cidade. Ela já carrega um trauma do passado que ainda não conseguiu superar, e em Monterey ainda precisa lidar com julgamentos alheios por não se encaixar totalmente ao "padrão perfeito" dos moradores dalí. Jane constantemente se sente deslocada, mas em busca de um novo começo e uma vida melhor para seu filho, ela está decidida a enfrentar o que vier pela frente.



Os personagens masculinos, que geralmente representam papéis dos maridos ou alguma figura masculina familiar, mesmo que tenham certa importância para o desenrolar da história, ainda são coadjuvantes perto das mulheres. Elas são complexas, trazem um pouco de representatividade com seus defeitos e virtudes, e são elas quem movimentam a trama em meio aos temas delicados e polêmicos que se conectam com todo tipo de público.

A primeira temporada acaba tendo o mesmo desfecho do livro e o final é bem fechado, mas não deixa de atiçar nossa curiosidade acerca do que o futuro reservaria para essas mulheres peculiares e únicas. Talvez por isso, e pelo enorme sucesso que a série fez, tenham decidido fazer a segunda temporada trazendo as respostas para as perguntas que ficaram sobre o que viria depois.



No mais, com uma boa dose de drama, suspense e toques de bom humor, Big Little Lies é uma excelente pedida pra quem quer acompanhar uma história relevante sobre mulheres que, aos poucos, vão aprendendo que ser feliz e dar valor as pequenas coisas é mais importante do que viver de aparências.

Top 10 #7 - Mortes Mais Tristes em Animações

6 de julho de 2019


Quem nunca se emocionou ou chorou litros assistindo um desenho animado? Até eu, que sou uma pedra, já me escangalhei de tanto chorar em algumas cenas carregadas de emoção e tristeza.
Claro que existem animações com situações e cenas que não envolvem mortes mas são tão impactantes quanto, mas essas ficam pra um próximo Top 10. Aqui vou tratar só das mortes que me fizeram ficar com a cara na poeira.

De antemão, e a menos que você seja de outro mundo, já deixo o alerta de spoilers caso alguém não tenha assistido.

Eis aqui a lista das mortes que mais me deixaram "perplecta". E daqui a 100 anos, nesse mesmo horário, continuarei "perplecta".

A Rainha Aprisionada - Kristen Ciccarelli

5 de julho de 2019

Título: A Rainha Aprisionada - Iskari #2
Autora: Kristen Ciccarelli
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia/Jovem adulto
Ano: 2019
Páginas: 376
Nota:★★★★
Sinopse: Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder. Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E, assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa.
Roa é uma forasteira vinda das savanas — um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso. O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem-vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.

Resenha:  Embora seja o segundo volume, A Rainha Aprisionada também funciona como um companion da trilogia Iskari, por trazer uma história focada em outra protagonista que carecia de ter a história contada, Roa. Existem personagens que já foram apresentados anteriormente que fazem parte da trama em questão, e já saber sobre eles facilita e torna a leitura muito mais satisfatória. Não é obrigatório ler o primeiro para entender este, mesmo que o desenvolvimento esteja diretamente ligado com as consequências do que aconteceu antes, mas recomendo que se leia na ordem, sim, pois as coisas se entrelaçam e fazem mais sentido.

Roa era uma forasteira cansada da tirania e do domínio de Firgaard sobre seu povo, assim, ela se alia a Dax, o filho do Rei Dragão, e irmão de Asha (a protagonista do livro anterior), para tomarem o trono e ambos pudessem reinar de forma justa para o povo, como rei e rainha. Agora, como rainha, Roa pretende usar seu poder para melhorar a vida do seu próprio povo.
Roa tinha uma irmã gêmea, Essie, e a conexão entre as duas era fortíssima, mas ela acabou morrendo em circunstâncias trágicas. Porém, o espírito de Essie não fez a passagem para o mundo dos mortos, e ela volta em forma de falcão. Roa, apegada a uma lenda antiga, vê a possibilidade de trazer a irmã de volta à vida, mas isso teria um preço...

A escrita da autora é bem fluída e não é carregada de detalhes desnecessários, o que colabora para uma leitura dinâmica. A narrativa é feita em terceira pessoa e um ponto que me agradou bastante foi a perspectiva que a autora deu a Roa, que faz com que as protagonistas da trilogia, Asha e Roa, tenham, por exemplo, uma concepção diferente sobre um mesmo personagem.
Outro ponto positivo é a forma como a autora encerra os capítulos, que geralmente terminam com alguma lenda daquele mundo ou com algum flashback da infância dos personagens.

A trama aborda a questão das crenças do povo e das lendas que passam pelas gerações, e embora esse universo já tenha se estabelecido no livro anterior, aqui ele continua sendo desenvolvido, porém de forma mais enxuta, e talvez os leitores possam sentir falta de maiores detalhes se houver comparação com o primeiro volume.
Roa é uma protagonista que a gente ama ou odeia. Sei que os protagonistas não precisam ser os maiores exemplos de força e coragem mas tem que, no mínimo, terem algum diferencial. Pra que sejam convincentes e humanos eles precisam ter falhas também, e por mais que Roa pense no bem estar do seu povo e evidencie a conexão bonita que tinha com a irmã, ela é ingênua, insegura, e toma algumas decisões frustrantes que causam algum tipo de reviravolta lá na frente. Achei que faltou alguma coisa em Roa pra me fazer comprar sua causa e torcer por ela. Talvez criar maiores expectativas sobre ela com base na personalidade de Asha não seja uma boa ideia, pois as duas são totalmente opostas.

A Rainha Aprisionada aborda questões políticas e os demais interesses e intrigas acerca do assunto, mas o foco maior é sobre a conexão entre as irmãs gêmeas Roa e Essie e o quanto essa união era bonita. Mas, por mais que Roa queira fazer de tudo pra trazer a irmã de volta, a impressão que fica é que sempre existe um obstáculo que a impede de seguir com esse propósito e a desvie do caminho, e em vez dela permanecer fiel ao seu maior desejo, ela se prende às suas crenças para aproveitar outras oportunidades em vez de manter o foco no que realmente importa pra ela.

Pra quem procura por uma história com uma construção de mundo mágica e evocativa, cuja trama seja cheia de intrigas, perdas e traições, mas também regada a muita cumplicidade e amor fraternal, é leitura mais do que recomendada.

Minha Coisa Favorita é Monstro - Emil Ferris

4 de julho de 2019

Título: Minha Coisa Favorita é Monstro - Livro 1
Autora e Ilustradora: Emil Ferris
Editora: Quadrinhos na Cia
Gênero: Fantasia/Drama/Thriller/HQ
Ano: 2019
Páginas: 416
Nota:★★★★★
Sinopse: Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.
Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.
Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Resenha: Karen Reyes é uma garotinha de dez anos bem diferente das outras meninas da sua idade. Em vez de bonecas, Karen é alucinada por histórias de terror, com direito a todo tipo de monstro, afinal, os monstros são fortes, ferozes, e capazes de se proteger. Assim, ela mantém um diário onde faz várias ilustrações, inclui seu relatos e faz observações do que está à sua volta. Nesse diário ela reproduz a si mesma como uma "lobismoça", fazendo referências aos filmes B de terror e das HQ's de monstro que ela tanto adora. Karen acredita que ser um monstro lhe dá coragem para lidar com as crianças cruéis da escola e outros infortúnios da vida. Um dia, Anka Silverber, a bela vizinha do andar de cima - que inclusive sobreviveu ao Holocausto -, é encontrada morta em seu apartamento em circunstâncias muito misteriosas. Aparentemente, trata-se de um suicídio, mas Karen suspeita de alguns detalhes e acredita que a Anka foi assassinada. Assim, em meio a personagens bizarros e um cenário tumultuado e sombrio que se mescla às paisagens urbanas de Chicago dos anos 60, acompanhamos a tentativa da garota de investigar e desvendar esse mistério.


O projeto gráfico do livro é um dos mais bonitos que já vi numa obra literária. Ele simula o diário de Karen, um enorme caderno pautado e todo ilustrado com canetas esferográficas, cujas cores se misturam para que vários tons, camadas, sombreados e efeitos enriqueçam ainda mais a história e encham nossos olhos. Há várias anotações nos cantos das páginas junto com os relatos da protagonista, com observações, informações e afins. A riqueza dos detalhes, assim como a forma como a história é contada, é surpreendente.


Assim, a narrativa é feita pela protagonista e mostra a forma como ela precisa lidar com as coisas, geralmente do modo mais difícil, e tudo que ela desenha e escreve se refere aos seus pensamentos e as próprias experiências durante essa jornada. Acompanhamos também alguns dramas pessoais e familiares bastante comoventes, alguns abordam temáticas mais delicadas e outras mais pesadas (como preconceito, homofobia, intolerância, solidão, abusos, sexualidade e afins), com uma boa e necessária dose de crítica social, ao mesmo tempo em que a garotinha faz suas investigações, todas sempre regadas a suspense, mistério, horror e um toque impressionante de inocência em meio ao cenário político, caótico e cheio de brutalidade da época, ou das décadas passadas onde muitos sofreram com a Guerra. É de partir o coração quando a história de Anka vem á tona, pois aborda os horrores que os judeus sofreram durante a Segunda Guerra, mas Karen, que está narrando e ilustrando o que ouviu, não entende muito bem o que tudo aquilo significou.


A história é um pouco complexa e é o tipo de leitura que deve ser feita com calma até engatar e se acostumar com o estilo, apreciando os detalhes das ilustrações e sempre atenta às observações da menina e às metáforas que se fazem presentes. Como se trata de um diário, a diagramação remete ao mesmo com perfeição, logo as páginas simulam colagens, papéis presos com clipes, rabiscos aleatórios, anotações em todos os cantos, fora as ilustrações maravilhosas cujos traços são únicos, e é preciso uma interação maior com o livro. Como é um livrão enorme e pesado, pode ser um pouco desconfortável no começo girar o livro ou ficar virando a cabeça para ler as laterais, mas acho que faz parte da experiência de ter esse "diário" em mãos, e achei o máximo.


O livro foi dividido em duas partes, a segunda ainda não foi lançada, então não esperem por um desfecho que encerra essa jornada. Pra quem gosta de obras emocionantes com foco no visual, que trazem personagens sólidos e bem construídos, com toques de mistérios, sensibilidade, e com uma abordagem cirúrgica e emocionante sobre questões relevantes para a sociedade e para nós mesmos, é leitura mais do que indicada.


Na Telinha - Chernobyl

3 de julho de 2019

Título: Chernobyl (Chernobyl)
Temporada: 1 | Episódios: 5
Distribuidora: HBO
Elenco: Jared Harris, Emily Watson, Stellan Skarsgård, Paul Ritter, Jessie Buckley
Gênero: Drama/Obra de época
Ano: 2019
Duração: 60min
Classificação: +16
Nota:★★★★★
Sinopse: Ucrânia, 1986. Uma explosão seguida de um incêndio na Usina Nuclear de Chernobyl dizima dezenas de pessoas e acaba por se tornar o maior desastre nuclear da história. Enquanto o mundo lamenta o ocorrido, o cientista Valery Legasov, a física Ulana Khomyuk e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina tentam descobrir as causas do acidente.

Pripyat, Ucrânia: Em 26 de abril de 1986, um reator da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança, causando o maior desastre nuclear da história da humanidade. A contaminação atingiu 3/4 do território europeu, e a radioatividade lançada na atmosfera era equivalente a mais de 200 bombas atômicas, iguais a que atingiu Hiroshima.
Porém, os soviéticos jamais cogitaram a hipótese de que o reator em questão pudesse explodir. Eles não tomaram as medidas de segurança necessárias antes ou depois da tragédia e catástrofe não só afetou - e matou - milhares de pessoas, como foi o estopim para a quase falência e dissolução da União Soviética.


Baseada nesse contexto histórico, a HBO não perdeu tempo em produzir Chernobyl, uma minissérie intensa, significativa e relevante, e que retrata as causas e as consequências - sociais e políticas - do acidente. E se levarmos em consideração as questões políticas da atualidade, as coisas se tornam ainda mais preocupantes do que parece.
Assim, vamos acompanhando as explicações de como funciona um reator nuclear e o porquê, na teoria, o mesmo jamais poderia explodir, mas a medida que os fatos vão sendo levantados, percebemos que ambição e negligência foi a combinação responsável pelas falhas que ocasionaram a terrível explosão, que jogou no ar incontáveis partículas radioativas, e que poderia vir a ser um desastre de nível global, caso o problema não fosse contido a tempo.


Dividida em cinco episódios com arcos distintos, a série começa com um suicídio e logo em seguida volta exatos dois anos no tempo para mostrar a explosão do reator e as circunstâncias que envolveram o acidente, desde a arrogância como os trabalhadores eram tratados, a descrença do chefe da usina de que algo deu errado, a negligência dos responsáveis em não conter o incêndio da maneira correta expondo de imediato dezenas de pessoas à radiação, a percepção tardia de que o problema era muito mais grave do que imaginaram, e a demora para tomarem providências contra o desastre até assumirem que algo deu muito errado. E enquanto isso, as informações eram omitidas ou adulteradas para que ninguém soubesse da real gravidade da situação. A União Soviética não poderia assumir que seus métodos eram passíveis de falhas. Isso significaria um atraso nas corridas tecnológicas contra os EUA e uma imagem manchada que precisaria ser evitada a todo custo, mesmo que pra isso sacrifícios tivessem que ser feitos enquanto o governo tentava acobertar o desastre.


E é exatamente esse tipo de resistência que torna a vida dos cientistas e dos demais envolvidos um verdadeiro inferno, pois eles precisam trabalhar sem descanso para resolverem o problema, ao mesmo tempo que devem cumprir ordens dos poderosos que não querem perder suas posições políticas, e isso incluía a proibição de vazar informações confidenciais e afins para que a reputação da grande potência que era a URSS, não fosse comprometida perante ao mundo. Os responsáveis não hesitavam em afirmar que o acidente estava sob controle, que não representava riscos pra população, mas mandavam seus subordinados por a vida em risco em direção ao buraco no teto aberto pelo reator, pondo a cara dentro da fumaça radioativa e sofrendo queimaduras instantâneas de sabe-se lá qual grau, enquanto eles se escondiam do perigo que eles mesmos negavam existir, os hipócritas. Se não tinha perigo, por que não iam eles mesmos?

Nos demais episódios, a série se encarrega de mostrar os efeitos causados pela radiação naqueles que ficaram mais próximos da área contaminada e com maior nível de radioatividade, como os bombeiros que chegaram lá acreditando se tratar de um incêndio comum; a forma como o governo evacuou as cidades, alegando se tratar de uma evacuação temporária; as reuniões feitas entre políticos e cientistas em busca de solucionar o problema, mas sempre relutantes em assumir a culpa; e o que começou a ser feito para amenizar os efeitos da catástrofe. Acompanhar civis que se apresentaram para ajudar, sabendo que aquela ajuda resultaria em seus sacrifícios, é tão gratificante quanto devastadora. Se não fosse por eles, sabe-se lá o que poderia ter acontecido, mas o preço foi pago com suas vidas, ou com a qualidade delas. Os liquidadores, como foram chamadas essas pessoas, literalmente, se sacrificaram para limpar os focos de contaminação para que a radiação não se espalhasse ainda mais, e por mais heroico que isso possa ter sido, é extremamente angustiante saber que as pessoas se arriscaram tanto. Eu ficava aflita de ver as pessoas tão próximas às áreas contaminadas e que isso as condenaria à própria morte. Meu coração se partia em ver animais de estimação e indefesos sendo caçados por estarem contaminados. Eles eram abatidos e enterrados em enormes valas cobertas com cimento para impedir a emissão de radiação de seus corpos e por mais triste que fosse, era um trabalho necessário para evitar que as partículas radioativas se espalhassem ainda mais. A própria usina foi coberta com um gigantesco sarcófago. A radiação emitida dos destroços não vai desaparecer por milhares e milhares de anos...
Mesmo que o desastre tenha acontecido há mais de 30 anos, as consequências existem até hoje e vão continuar existindo por centenas de gerações. A maior área afetada abrange 2600km e é inabitável. Vários objetos permanecem isolados, como as roupas usadas pelos bombeiros que foram descartadas num porão do hospital e estão intocadas até então devido ao altíssimo e mortal nível de radioatividade que elas apresentam.


Um ponto bastante positivo da série remete à forma utilizada para exposição de informações, assim como o desenvolvimento dos relacionamentos entre os envolvidos. Muitas vezes os espectadores precisam de explicações para compreenderem a história e a situação vivenciada pelos personagens, e a série consegue passar tudo com a devida maestria, sem que nada soasse forçado ou subestimando a inteligência de quem assiste. A atuação dos atores é impecável, e eles convencem se passando por profissionais qualificados que realmente entendem do assunto e sabem do que estão falando, e isso torna as coisas muito mais realistas, sólidas e críveis. É diferente quando você assiste um filme e percebe que o ator só está reproduzindo frases decoradas de um tema complexo sem ter a menor noção do que se trata, mas aqui não ficamos com essa sensação, até mesmo porque um tema aparentemente complexo é explicado de uma força acessível, e que todos conseguem entender sem dificuldades. Nós terminamos a série sabendo, por exemplo, da forma mais natural, interessante e prática possível, como um reator nuclear do modelo RBMK funciona, sem que pareça uma aula chata de física. É interessante acompanhar alguns profissionais que representam figuras de autoridade e cheios de si deixando o orgulho de lado a medida que vão compreendendo a gravidade da situação e formando amizades.

A parte técnica da minissérie também é executada com perfeição, desde a fotografia, que expõe um cenário que vai morrendo e se acinzentando a medida que o perigo se espalha, até a trilha sonora, que é composta por sons metálicos e que colaboram para gerar tensão, desconforto e termos a sensação de um ar carregado, como se fosse possível sentir na pele não só o perigo que paira no ar, mas também o gosto do metal.


A maquiagem também é incrível, tanto para mostrar as vítimas com seus corpos em processo de deterioração após as queimaduras, quanto para evidenciar o quanto a radiação afetou e diminuiu a expectativa de vida dos envolvidos. É incrível ver que em poucos meses a pessoa afetada parece ter envelhecido décadas e ter virado um caco humano.
No episódio final, temos um julgamento em busca de condenar os culpados e a reconstituição do momento em que houve a explosão, e ali podemos compreender não só o que realmente aconteceu, mas também quais as consequências e o custo das mentiras.
Assim, por mais que a minissérie não se aprofunde ou dê maiores detalhes sobre o contexto político da época, é inegável que ele está implícito em cada decisão tomada, seja antes da tragédia e depois dela. Isso acaba levando os mais curiosos a pesquisarem sobre os fatos para complementar as informações passadas e, assim, descobrimos que as mentiras e as sujeiras vinham sendo implantadas ali há vários e vários anos, e são bem piores do que a ficção mostra...


Com a Guerra Fria vivendo um dos momentos mais decisivos da História, e justamente para ficar à frente dos EUA, a União Soviética não media esforços para se expandir cada vez mais, ter mais poder, e usar toda a tecnologia disponível ao seu favor para superar seu maior concorrente e inimigo. O problema é que isso foi feito de forma inconsequente e irresponsável, o governo prezava por números e quantidade, e não por qualidade, e isso não poderia acabar bem... O desespero para não ficar atrás dos EUA era tanto que as coisas eram construídas às pressas, com materiais baratos e que não garantiam a segurança de ninguém. E como se isso não fosse surreal e absurdo o bastante, os próprios engenheiros das usinas, sejam eles chefes ou não, não eram informados pelo governo que investia naquilo sobre as reais condições das máquinas e reatores que precisavam controlar para gerar energia para as cidades, logo, eles se recusavam a acreditar ou não entendiam como algo poderia dar errado. E se algum subordinado questionasse a autoridade ou as ordens de um engenheiro-chefe, ele corria o risco de nunca mais conseguir um emprego na vida. É inevitável sermos consumidos pela indignação, pelo sentimento de impunidade e descaso por parte daqueles que deveriam priorizar a segurança e o bem estar de todo um país.


Se embates ideológicos e empreitadas políticas estão acima dos interesses do povo, o que será de nós se algo do mesmo nível acontecer e ninguém ser informado a tempo por "questões de imagem"?  A mistura de fascínio com terror segue inspirando as pessoas a conhecerem mais desse fatídico evento que marcou a história. Após assistir a série, é inevitável sair em busca de maiores informações sobre a tragédia, e é impressionante descobrir que, embora a minissérie tenha sido bastante completa e esclarecedora, ainda há muita informação sobre o ocorrido, sobre alguns sobreviventes, sobre o local hoje em dia, e sobre o governo em si, que deixa qualquer um chocado em cristo. Com exceção da personagem Ulana Khomyuk, que foi criada para representar a comunidade de cientistas que auxiliaram Valery Legasov, todos os demais representam as pessoas reais envolvidas e afetadas pelo desastre. A série acerta em todos os aspectos, drama, ambição, ganância, negligência, mentiras, desespero, sacrifício, redenção e tudo que rege a humanidade como um todo

Chernobyl confrontou o governo russo ao expor dados, até então, omitidos e adulterados acerca do desastre de forma objetiva e imparcial. A minissérie não se encarrega apenas de retratar o que a tragédia desencadeou no mundo todo com a devida maestria, como também nos fazer questionar sobre o preço que se paga pelas mentiras e até onde podemos confiar (ou não) no nosso governo...

Quotes que Inspiram #3 - A Herdeira

2 de julho de 2019


Às vezes, aqueles quotes que são verdadeiros tapas nas nossas caras vem dos livros mais inesperados, e ao ler A Herdeira, quarto livro da série A Seleção, da autora Kiera Cass, tirei vários que põe a gente pra pensar, principalmente ao considerar a mulher, e várias das coisas que elas são obrigadas a lidar/suportar em suas vidas. Confiram:

"Eu odiava quando ele falava assim do meu futuro. Como se sexo, amor e bebês não fossem coisas boas, mas deveres a ser cumpridos para manter o país nos eixos. Isso apagava qualquer traço de alegria das minhas perspectivas.
De todas as coisas da vida, essas não deveriam ser as melhores partes, os prazeres mais verdadeiros?"
- Pág. 36
"- Sei que acha que é egoísmo, mas você vai ver. Um dia o bem-estar do país vai recair sobre seus ombros, e você vai se surpreender com o que será capaz de tentar para evitar que ele desmorone."
- Pág. 56
"- Não sei ao certo se acredito em destino. Mas posso dizer que às vezes aquilo que você mais deseja vai cruzar sua porta determinado a te evitar a qualquer custo. E, ainda assim, de algum jeito, você descobre que é suficiente para fazê-lo ficar.
- Pág. 63
"...- Penso mil coisas maravilhosas sobre você. Um dia saberá o que é se preocupar com os filhos. E eu me preocupo com você mais do que com os outros. Você não é apenas uma garota, Eadlyn. Você é a garota. E eu quero tudo para você."
- Pág. 67
"- O que a senhorita procura em um marido?
O que eu procurava? Minha independência. Paz, liberdade... Uma felicidade que julgava ter até Ahren questionar se era real.
Dei de ombros.
- Não sei se alguém sabe o que procura até encontrar."
- Pág. 189

Resumo do Mês - Junho

1 de julho de 2019


Um mês e meio depois da mudança, cá estou eu, nem tão firme e muito menos tão forte, mas sobrevivi. As coisas vão caminhando, mesmo que eu ainda fique meio desnorteada com as crianças me pondo louca, mas ainda quero ajeitar e comprar algumas coisas que faltam aqui no apê pra dar uma melhorada no ambiente. Coisas pra sala e quarto que fazem falta, mas que foram ficando pra trás com tantas mudanças e com gente da família, que antes morava junto, caçando seus próprios rumos. Todo mundo vai se separando e as coisas da casa também vão sendo divididas aqui e alí.
Mas devagarinho a gente chega lá e, aos poucos, vou comprando o que preciso.
Fora isso, sinto que aqui nesse apê eu ando bem mais leve, talvez pela energia ser bem melhor, com vizinhos legais que cuidam das próprias vidas em vez de pescoçar a dos outros, e um total de zero encheção de saco. Não tem ninguém brigando e gritando dia e noite, com aquela voz de taquara rachada pra fazer todos os pelinhos do meu corpo irem parar no teto, de tanta antipatia. Foi um peso que ficou pra trás e que não quero topar nunca mais.

Claro que ainda fico na correria, ser mãe e dona de casa em tempo integral é uma tarefa difícil e super cansativa, mas daqui a pouco o Ian já vai estar maiorzinho. Deus que me ajude, mas logo logo ele larga esse peito (não aguento mais amamentar, Jeová), ano que vem ele já vai pra escolinha, e vou conseguir respirar e ter algumas horinhas do dia pra chamar de minhas, pra cuidar das minhas coisas e de mim. Eu tô precisando, viu... A única vantagem que vejo enquanto ele mama hoje, é que consigo ler e colocar minhas séries em dia, mas pra mim já deu. Tô tirando o peito aos poucos, e ele vai ter que aprender que pode viver sem. A diferença é que com os outros filhos eu tive ajuda, mas com o Ian eu fico sozinha e por conta, e não tem ninguém que leve ele numa viagem de uma ou duas semanas pra longe pra ele poder "esquecer" desse peito. Força na piruka, eu vou dar conta.

No mais, até que consegui atualizar o blog razoavelmente bem se compararmos com o mês passado que não teve nada, né?
Espiem:

♥ Resenhas
- Não Tá Fácil Pra Ninguém - Andrew Tsyaston
- Despertar - Nina Lane
- Bom Dia, Verônica - Andrea Killmore
- Sem Coração - Marissa Meyer

♥ Wishlist
- Funkos de The Big Bang Theory
- Funkos de Fullmetal Alchemist

♥ Games
- Fabulous: Angela's Wedding Disaster

♥ Na Telinha
- Aggretsuko (2ª temporada)

♥ Quotes que Inspiram
- O Oceano no Fim do Caminho

♥ Caixa de Correio de Junho

Caixa de Correio #88 - Já acabou, Junho?

30 de junho de 2019

Esse mês passou tão rápido pra mim, que nem tô acreditando que metade do ano já se foi. Recebi três livros espertos e cinco Funko Pop, que desde o anúncio do lançamento eu estava aos prantos querendo. E se tem pop de Harry Potter no meio, só pode ser coisa boa. Espiem:

Na Telinha - Aggretsuko (2ª temporada)

22 de junho de 2019

Título: Aggretsuko (アグレッシブ烈子)
Temporada: 2 | Episódios: 10
Distribuidora: Netflix/Sanrio
Elenco: Kaolip e Rarecho (death metal voice), Sohta Arai, Rina Inoue, Shingo Kato, Maki Tsuruta, Komegumi Koiwasaki, Yuki Takahashi, Chiharu Sasa
Gênero: Anime/Drama/Comédia
Ano: 2019
Duração: 15min
Classificação: +12
Nota:★★★★★
Sinopse: Retsuko vive momentos difíceis no mundo corporativista, tendo uma pitada de humor e muita música death metal. A mistura do anime animou o público e o transformou em um dos mais populares da plataforma de streaming.

Após uma espera bastante considerável (principalmente se levarmos em conta a quantidade de episódios e sua duração), eis que a Netflix libera a segunda temporada de Aggretsuko, mostrando a batalha diária que é a vida da pandinha vermelha mais fofa que já se viu na televisão.
Depois de ter sofrido uma decepção num relacionamento que fracassou e conseguido dar a volta por cima, Retsuko volta pra casa e precisa lidar com sua mãe que, preocupada - e sem muita noção -, invade seu apartamento, logo, a "ajuda" que ninguém pediu, acaba não sendo muito bem vinda.


Além dela querer cuidar e controlar a vida da filha, limpando a casa, fazendo comidas caseiras, insistindo pra que ela "cresça", afinal, ela já tem seus vinte e poucos anos e ainda está "encalhada", sua mãe ainda fica arranjando vários encontros às escuras numa tentativa desesperada de conseguir um possível casamento para Retsuko. A ideia da mãe mostrar fotos cheias de edições dos pretendentes pra deixá-los mais atraentes e tentar aumentar o interesse de Retsuko por eles é tão trágica quanto cômica, principalmente porque a reação dela é de desgosto puro. E enquanto atura as exigências e inconveniências absurdas da mãe, Retsuko, bastante estressada, tenta encontrar motivação no trabalho enquanto precisa tirar paciência do além para treinar Anai, um funcionário recém contratado com comportamento mui esquisito e suspeito.


Embora a vida profissional de Retsuko tenha seu devido espaço no enredo, mostrando que é um ambiente com várias cobranças e pressão suficientes pra deixar qualquer um maluco; ou que trabalho em equipe, mesmo com alguém insuportável, é importante; essa temporada dá um destaque bem maior para as relações interpessoais - e imperfeitas - da protagonista. Retsuko vai aguentando o tranco de tudo calada, com aquele sorrisinho amarelo no rosto, engolindo o choro, pra mostrar que está tudo bem, e quando não aguenta mais, ela explode num estado de fúria suprema e sua única válvula de escape é cantar/gritar seu tão amado death metal para extravasar como se não houvesse amanhã. Agora, cansada de ser vista como certinha, ela sente vontade de quebrar padrões e fazer coisas que nunca teve coragem de fazer, mas ao mesmo, enquanto enfrenta alguns desafios, ela não quer abrir mão de seus sonhos, e nem mudar sua essência por causa de ninguém.


Um ponto interessante da personalidade de Retsuko é que ela tem o sonho de encontrar sua alma gêmea, se casar, ter filhos e formar uma família feliz, pois ela acredita que o casamento faz parte da vida. Ela busca estabilidade, alguém que se importe com ela e que, principalmente, seja bem sucedido. Assim, quando Retsuko, enfim, parece ter encontrado o amor de sua vida, com direito a todos os atributos que ela sempre procurou em alguém, ela descobre que não adianta insistir num relacionamento se cada um acredita - e investe - em coisas diferentes.


Os personagens são únicos e possuem características bastante peculiares e que os aproximam da nossa realidade, retratando cada um deles como alguém que poderia se passar por algum conhecido, amigo, familiar, ou nós mesmos. Neles podemos ver que nem sempre alguém é o que parece, e que podemos ficar surpreendidos com as ideias de quem pensávamos conhecer bem. Os amigos de Retsuko são sempre muito solícitos e, na maioria das vezes, compreensivos, mas eles também estão longe de serem perfeitos. Haida, a hiena, trabalha com Retsuko e é apaixonado por ela faz anos, mas a dificuldade que ele tem em se expressar acaba impedindo que ele se aproxime mais.

Eu não sei, mas tenho meus palpites... Mesmo que Haida já tenha tomado coragem e se declarado pra Retsuko na primeira temporada (e ter sido rejeitado), ainda acredito que, por ele ser um cara legal, ou ele vai encontrar alguém tão legal quanto ele pra fazê-lo feliz, ou Retsuko vai acabar lhe dando uma chance... Fico com uma dó danada de ver o coitado olhando pra ela com tanta ternura enquanto ela não dá a mínima. Mas como, até então, ela só consegue enxergá-lo como amigo, o jeito é aguardar as próximas temporadas e as cenas dos próximos capítulos pra ver onde isso vai dar...


Washimi e Gori são super compreensivas, conseguem separar a vida pessoal da profissional como ninguém, e aceitam a amiga do jeitinho que ela é, mas elas também tem seus segredos, brigam entre si e, às vezes, não conseguem ceder por não concordarem com uma opinião contrária à delas. Enquanto Gori acredita que contar uma "mentirinha" para conseguir alguma coisa não é um problema, Washimi não se importa em magoar os outros com sua sinceridade, e Retsuko fica no meio das duas tentando acalmar os ânimos, mas sem saber o que fazer.


Outro ponto legal é que, através da panda vermelha, podemos refletir um pouco acerca de preconceitos e julgamentos que são feitos baseados em achismos, e que nem sempre correspondem com a realidade. Isso acaba mostrando que Retsuko (assim como todos os demais personagens) não é perfeita, mesmo que seja tão boazinha. Um exemplo disso é a personagem Kabae, uma hipopótamo que é sempre muito exagerada, fofoqueira e escandalosa, vive pulando, fazendo o chão tremer, e atormentando todo mundo por aí, mas que consegue enxergar em Anai algo que os outros não conseguem ver. Enquanto para os outros Anai é um maluco que se sente perseguido e assediado por todo mundo, coisa que ninguém sabe lidar, para Kabae ele é um pobre incompreendido que só precisa de atenção, carinho e orientação. Retsuko começa a enxergar a colega sob uma nova perspectiva depois de perceber que ela é alguém bastante compreensiva com aqueles que mais precisam, mas mesmo que seja legal e tenha alguma sabedoria, Kabae ainda é a maior fofoqueira do escritório. Esses contrastes mostram que alguém pode ser muito chato, irritante, ter seus momentos de loucura e ser difícil de lidar, mas ninguém é totalmente desprovido de virtudes, basta que encontre seu espaço, se esforce um pouco para conviver em sociedade e saiba aproveitar oportunidades e momentos certos.


Embora o desenho tenha o visual infantil, todo coloridinho e super cute que, inevitavelmente, desperta a atenção da criançada, não se deixe enganar. A animação faz jus ao estilo dos animes, ainda mais quando se trata de expressões caricatas e exageradas para reforçar um sentimento mais intenso, e isso deixa os episódios super engraçados. A temática é indicada pro público adulto e, por mais que tenha cenas cômicas e toques de muito bom humor (a carteira de motorista de Retsuko é impagável), mostra uma realidade crua e complexa sobre os dramas da vida do jeitinho como ela é, assim como relacionamentos que idealizamos, desafios que enfrentamos, sonhos e decepções inevitáveis, e é impossível não se identificar, não sentir empatia, ou tomar as dores dos personagens.


Wishlist #72 - Funkos de Fullmetal Alchemist

21 de junho de 2019

Depois de ter terminado de assistir Dragon Ball Z e ficado órfã de um anime a altura, eis que achei Fullmetal Alchemist disponível na Netflix. Eu nunca tinha ouvido falar do anime ou do mangá até então, e resolvi assistir os primeiros episódios para saber do que se tratava e se era legal o bastante pra acompanhar. Nem preciso dizer que AMEI, já pesquisei sobre e já estou assistindo a segunda versão, Brotherhood. Não vou me aprofundar nas diferenças pois o post não é pra isso. Talvez mais pra frente eu faça crítica e fale mais sobre, mas já adianto que é super legal.

Resumindo, o anime conta a história dos irmãos Edward e Alphonse Elric, que desde crianças aprenderam a arte da alquimia e conseguiam transmutar vários objetos através da Troca Equivalente (é preciso dar algo de igual valor para receber outro em troca). Depois do pai deles ir embora, eles ficaram com a mãe, que um tempo depois ficou muito doente e acabou morrendo. E mesmo sabendo que a transmutação humana era algo proibido na alquimia, os meninos tentaram trazê-la de volta à vida, mas tudo deu MUITO errado. Alphonse perdeu seu corpo e Edward perdeu um braço e uma perna, e para não ficar sozinho e tentar salvar o irmão, Ed usou alquimia para prender a alma de Al numa enorme armadura. A partir daí, os dois partem em busca da lendária pedra filosofal, acreditando que este é o único objeto capaz de trazer o corpo de Al de volta, mas no caminho passam por diversas situações que colocarão suas vidas em perigo, e que também levantam questões filosóficas e relevantes sobre a moral humana.

Nem preciso dizer que quando soube que a Funko já tinha lançado os popíneos dos personagens principais já tratei de colocar todos nessa lista sem fim, né? Os dois últimos são pops exclusivos e costumam ter um preço maior do que os regulares, mas não podem faltar na coleção. Alphonse é o personagem mais fofo que já vi até agora num anime e quero um pra mim! *o*



Sem Coração - Marissa Meyer

20 de junho de 2019

Título: Sem Coração
Autora: Marissa Meyer
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Gênero: Fantasia/Jovem adulto/Releitura
Ano: 2018
Páginas: 416
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Catherine era uma das garotas mais desejadas do País das Maravilhas e a favorita do ainda solteiro Rei de Copas, mas seus interesses eram outros. Por seu talento na cozinha, ela só queria abrir uma confeitaria em sociedade com sua melhor amiga e oferecer ao Reino de Copas os mais deliciosos doces e bolos.
Porém, de acordo com sua mãe, era uma ideia inaceitável para a jovem que poderia ser a próxima rainha. Em um baile real em que o rei pretende pedi-la em casamento, Cath conhece Jest, o belo e misterioso bobo da corte. Pela primeira vez, sente a força da pura atração. Mesmo correndo risco de ofender o rei e contrariar os pais, ela e Jest iniciam um relacionamento intenso e secreto.
Cath está determinada a escolher o próprio destino e se apaixonar nos seus próprios termos. Mas em uma terra repleta de magia, loucura e monstros, o destino tem outros planos...

Resenha:  Pra quem gosta de releituras de fantasias clássicas, principalmente no que diz respeito ao universo das princesas e outras personagens icônicas da literatura, Marissa Meyer é autora mais do que indispensável. Depois de ter sido fisgada com a série Crônicas Lunares, não consegui resistir quando soube do lançamento de Sem Coração, que contaria a história das origens daquela que se tornou a impiedosa Rainha de Copas. Como não ficar com as expectativas nas alturas?

Assim, acompanhamos a jovem Catherine Pinkerton, uma garota literalmente doce e sonhadora, uma confeiteira de mão cheia, que queria abrir uma confeitaria com sua melhor amiga, Mary Ann, e viver todas as emoções de um primeiro amor um dia. Porém, sua mãe não aceita que ela siga seus sonhos. Por Cath ser desejada pelo Rei de Copas, seu destino é ser rainha, mesmo que contra sua vontade. E durante um baile onde ela seria pedida em casamento pelo Rei, ela conhece o Bobo da Corte, Jest, e a atração entre os dois é inevitável, mas escolher seu próprio destino não é algo que Cath possa fazer.

Partindo dessa premissa, vamos acompanhando o processo de transformação de Cath, uma garota doce e gentil, se tornando alguém muito cruel devido a tudo que precisou enfrentar, e que foi impedida de ser e fazer o que mais queria de sua vida: ser feliz.

No início, a autora se dedica a apresentar e construir os personagens, com suas características particulares e personalidades únicas, assim como detalhar (de forma bastante cansativa e repetitiva) cada pedacinho ou aroma dos doces e bolos divinos feitos por Cath, e até as roupas que todos usam, e eu demorei muuuito pra avançar a leitura até, mais ou menos, a metade do livro, pois tudo estava se arrastando demais e nada me deixava empolgada pra continuar. Foi um século pra conseguir ler a metade, e a outra metade eu li num pulo só. Depois percebi que foi um artifício importante para situar o leitor nesse universo, e contextualizar personagens e suas condições para que a história continuasse sendo desenvolvida com a devida maestria até seu desfecho que, embora já esperado, não deixa de surpreender. Muitas cenas são chocantes, muitos personagens nos decepcionam profundamente e acabam mostrando que o destino pode, sim, mudar de acordo com atitudes infelizes e escolhas erradas que são tomadas por ambição ou ganância, mas talvez sejam essas reviravoltas dolorosas que tornaram a história única e com elementos que justificam o destino da protagonista e o desfecho do livro. Por mais horrível e triste que seja, conseguimos entender o que, de fato, motivou Cath a se tornar alguém tão amarga, tão vingativa e cruel. Nem sempre vamos ter um felizes para sempre, e isso não significa que a história não seja marcante ou digna de admiração.

A história é cheia de referências ao universo de Alice no País das Maravilhas, e quando personagens já conhecidos dão o ar da graça, como o Gato Cheshire, o Chapaleiro Maluco, o Coelho Branco, e outros, é impossível não sentir aquela satisfação por já termos uma certa familiaridade com eles.

No mais, Sem Coração é um livro que arrasa nosso emocional, seja por fazer com que saibamos que existem situações terríveis e dolorosas o bastante para transformar alguém tão doce em alguém tão amarga, como mostrar que, talvez, o fascínio por corações de copas espalhados pelo reino seja um reflexo para projetar o que ela perdeu: seu coração.

Bom Dia, Verônica - Andrea Killmore

16 de junho de 2019

Título: Bom Dia, Verônica
Autora: Andrea Killmore
Editora: Darkside Books
Gênero: Thriller/Literatura Nacional
Ano: 2016
Páginas: 256
Nota:★★★★
Sinopse: Em "Bom dia, Verônica", acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.
Andrea Killmore compõe thrillers como os grandes mestres, e sua experiência de vida confere uma autenticidade que poucas vezes encontramos em suspenses policiais, vibrante e cruel — como a realidade.

Resenha:  Bom dia, Verônica é um thriller nacional escrito por Andrea Killmore (pseudônimo de não faço ideia quem) e publicado pela Darkside Books. De antemão já posso dizer que o trabalho gráfico do livro, que tem capa dura, assim como de todos os outros da editora, está impecável e super caprichado.

Verônica Torres é uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo que está cansada de ver tantas injustiças acontecendo. Os casos são engavetados e esquecidos sem que nada seja resolvido e ela já está cansada dessa situação que a consome dia após dia. Seu chefe é um delegado que já está quase se aposentando e está fugindo de casos complicados (e dos simples também) e não resolve nem tem interesse por nada. Até que num dia rotineiro de trabalho, Verônica presencia o suicídio de um moça em plena delegacia, e como se a situação já não fosse chocante demais, ela ainda recebe uma ligação de uma mulher desesperada e que corre risco de vida nas mãos do marido, mas que ninguém na delegacia tem interesse em investigar se um inquérito não fosse aberto pela própria esposa.

Assim, Verônica resolve investigar os dois casos por conta própria diante de tanto descaso dos demais policiais, tanto para mostrar o quanto é competente, quanto para fazer um pouco de justiça, já que nunca é feita. Mas o que ela não esperava era se deparar com um caso complexo e sombrio, além de se envolver numa trama perigosa que ela jamais imaginou viver.

A narrativa é bastante fluída, e por se passar em São Paulo, tem várias gírias e referências que reforçam que se trata de uma história nacional. A escrita também é bastante crua, com detalhes que incomodam por trazer a realidade de uma forma bastante verdadeira e até cruel. O mistério é interessante e a forma como a autora prende o leitor, revelando detalhes de forma gradual, torna a leitura do livro uma experiência super satisfatória, mesmo que ele tenha várias facilitações narrativas pra dar explicações ou tirar o personagem de alguma situação impossível.

Verônica é um belo retrato da mulher brasileira, que trabalha mais do que ganha, se dedica à família e à casa, e se desdobra da melhor forma que pode pra dar conta de tudo, e por isso está esgotada. Ela está insatisfeita com seu emprego, seu casamento está um lixo, e ela precisa de alguma motivação pra dar um up na sua vida, logo investigar esses casos (e outras cositas mas), iria tirá-la dessa "zona de desconforto". Ela cai naquele clichê da policial inteligente e de personalidade forte que tem seus problemas pessoais que interferem em sua vida profissional, mas isso não significa que ela seja uma personagem admirável que sabe lidar com tudo. Ela é a anti-heroína que faz escolhas e tem atitudes questionáveis e desprezíveis, mas ainda assim busca pela justiça, mesmo que ela precise recorrer a medidas mais drásticas pra isso. Verônica acaba levantando vários questionamentos e reflexões acerca de seu comportamento e até da própria forma como ela encara a vida.
A história também aborda alguns temas bastante pesados, e talvez quem não esteja acostumado com livros policiais possa ficar bem mais impactado com o choque que algumas cenas causam.

No mais, pra quem gosta do gênero, curte personagens nada convencionais, e procura por um bom livro nacional, é leitura super indicada.

Quotes que Inspiram #2 - O Oceano no Fim do Caminho

12 de junho de 2019


Voltando com essa coluna há muito tempo esquecida, trago alguns quotes super legais e cheios de mensagens maravilindas de um dos livros mais interessantes que já li: O Oceano no Fim do Caminho, do ilustre Neil Gaiman. Bora conferir?

"Livros eram mais confiáveis que pessoas, de qualquer forma."
- pág. 18
"As plaquinhas que explicavam quem eles eram também me informaram que a maioria havia assassinado a família e vendido os corpos para a anatomia. Foi aí que, para mim, a palavra anatomia ganhou um quê de pavor. Eu não sabia o que era anatomia. Só sabia que a anatomia fazia as pessoas matarem os filhos."
- pág. 27
"A porta estava trancada. Portas trancadas impediam que outras pessoas entrassem. Uma porta trancada era sinal de que você estava lá dentro e, quando as pessoas queriam entrar no banheiro, elas mexiam na maçaneta e a porta não abria, e elas diziam 'Perdão!' ou gritavam 'Você vai demorar aí?' e..."
- pág. 85
"Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho. - Ela pensou por um instante. Então sorriu. - Tirando a vovó, claro."
- pág. 130
"Eu era uma criança normal. O que significava dizer que eu era egoísta e não estava totalmente convencido da existência de coisas que não eram eu, e tinha certeza, uma certeza sólida e inabalável, de que eu era a coisa mais importante da criação. Não havia nada mais importante para mim do que eu."
- pág. 177

Despertar - Nina Lane

11 de junho de 2019

Título: Despertar - Espiral do Desejo #1
Autora: Nina Lane
Editora: Paralela
Gênero: Romance
Ano: 2018
Páginas: 320
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Um casamento baseado no amor, no desejo e na confiança. Um segredo guardado com a melhor das intenções. Um relacionamento — intenso e imperfeito — colocado à prova.
Dean West é o grande amor e o porto seguro da vida de Olivia. Um marido dedicado, um parceiro intenso e, acima de tudo, um homem completamente apaixonado por sua mulher. Conhecedor dos segredos mais obscuros da esposa, Dean a possui por completo — hoje, amanhã e sempre.
Mas o casamento aparentemente perfeito dos dois é abalado quando Olivia descobre uma faceta até então desconhecida do passado do marido. Será que a força dos sentimentos que eles têm um pelo outro será capaz de prevalecer sobre a dor da decepção?

Resenha: Dean West é aquele tipo de marido que, a primeira vista, a maioria das mulheres mais conservadoras sonham em ter: um provedor bem sucedido, dedicado, carinhoso, companheiro, apaixonado e super protetor. Ele é casado com Olivia, uma mulher que, depois de sofrer muito na infância e ter aprendido a não confiar em ninguém, encontrou em Dean um verdadeiro porto seguro. O casamento é sólido e o relacionamento não poderia ser mais perfeito, principalmente por Olivia se sentir segura e confortável em falar sobre tudo com o marido. Ela confia em Dean de olhos fechados por acreditar que ele é a única pessoa que nunca desistiu dela e sempre irá protegê-la.
Mas nem tudo são flores... Quando Olivia decide dar um passo maior em sua vida, Dean demonstra uma posição contrária, e por estar acostumada a sempre ser apoiada por ele, Olivia, meio nonsense, fica decepcionada com a atitude do marido diante de algo que sequer aconteceu. E como se isso não bastasse para deixá-la arrasada e morta de desgosto, um segredo do passado de Dean vem à tona e ela não sabe lidar com a descoberta. A confiança sempre fora a base do relacionamento dos dois, e só de imaginar que o marido foi capaz de esconder alguma coisa, Olivia passa a se questionar sobre o quanto o conhece, desencadeando uma crise conjugal estratosférica.

O livro é dividido em três partes, e narrativa se alterna entre passado e presente para um maior entendimento dos fatos, principalmente por termos o ponto de vista de Dean ao final. Esses flashbacks acabam mostrando como era a vida de Olivia e o quanto ela era infeliz antes de Dean entrar em sua vida, além da versão de Dean para que possamos compreender (ou não) suas escolhas. Talvez o diferencial da trama se dê pelo casal de protagonistas já viverem casados há alguns anos e ainda consigam manter as chamas da paixão bem acesas, o que rende algumas cenas mais calientes (mas nem tanto).

Aqui temos Olivia, uma personagem que sempre fora bastante reservada, e isso acabou fazendo com que ela se tornasse uma esposa submissa e que tem a vida controlada pelo marido, mesmo que as intenções dele sempre tenham sido as melhores. A ideia era sempre proteger e cuidar da esposa, fazê-la se sentir sempre feliz, amada e respeitada, mas isso impediu que ela tomasse decisões por conta própria e sua vida ficou estagnada e dependente já que Olivia nunca teve iniciativa para tomar qualquer tipo de controle, e isso acaba fazendo dela uma personagem muito chata. A forma como ela coloca o marido num pedestal, como se ele fosse um deus, chega a ser irritante, e a quantidade de vezes que ela repete que Dean a "salvou" para se sentir protegida, dá um vislumbre meio doentio de ser o lado mais "frágil" desse relacionamento.

Confesso que algumas situações que Olivia enfrentou em seu passado mexeram comigo em vários momentos, mas a trama e o romance propriamente ditos envolvendo o casamento e a crise que surgiu, são exageradas ou não condizem muito bem com a idade dos personagens, que muitas vezes tem atitudes extremas demais para o que parece ser muito pequeno, ou se comportam como adolescentes que mereciam uns tabefes por ficarem insistindo na mesma coisa por muito tempo sem chegar a lugar algum. Eu morria de desespero de ver que em vez de conversarem feito pessoas normais para resolverem seus conflitos, eles iam embora e seja o que Deus quiser.

O título do livro, acredito eu, tem relação com a ideia de Olivia, enfim, conseguir enxergar que nada é realmente perfeito dentro de um relacionamento, e que, inevitavelmente, cedo ou tarde, irão surgir algumas situações das quais o casal vai ter alguma dificuldade em lidar. E é aí que ela percebe que seu casamento, seu marido, e ela mesma, tem falhas, mas nunca é tarde para tentar reparar, desde que os envolvidos estejam dispostos.

A escrita da autora é leve e bastante simples, e acaba fazendo jus à história. O livro tem algumas cenas mais quentes, mas pra quem está acostumado com romances eróticos vai sentir falta de maiores detalhes e mais "emoção" na hora do vamos ver. Achei que a história careceu de mais drama e de personagens mais maduros, e poderia ser um pouco melhor desenvolvida para sair do mesmo assunto, talvez assim o enredo fosse mais envolvente. Mas para um volume introdutório do que parece ser uma trilogia (?) a leitura é válida.

Pra ser sincera, eu não gostei muito da capa do livro. Não estou desmerecendo nem nada, mas achei que o estilo remete a esses romances de banca que fogem do padrão da editora. Em contrapartida, só tenho elogios para a diagramação e revisão da obra.

No mais, a história acaba mostrando que um relacionamento não pode ser perfeito. Duas pessoas, por mais que se completem, em algum momento terão suas divergências e precisarão aprender a lidar com os problemas que irão surgir. Não digo que o amor vai superar tudo, pois um casamento é construído e mantido com muito mais do que amor, mas se o casal reconhece que não é possível atingir a perfeição e que em muitos casos é preciso ceder, dar espaço ao outro e respeitar algumas de suas vontades e sonhos, as coisas tem muito mais chances de dar certo.


Wishlist #71 - Funkos de The Big Bang Theory

6 de junho de 2019

Acho que a série The Big Bang Theory dispensa maiores apresentações, visto que chegou ao fim agora, depois de 12 temporadas super incríveis. É uma das maiores e melhores séries da TV e só acabou por causa da saída de Jim Parsons, que interpreta Sheldon Cooper. Os personagens nerds, super inteligentes - e encalhados -, Sheldon, Leonard, Howard e Raj, acabam conhecendo Penny, a vizinha descolada, que vai tirá-los totalmente de suas zonas de conforto. A medida que a série avança, outras personagens peculiares vão aparecendo, tornando a história ainda mais engraçada e super genial.
A Funko já havia lançado os pops dos personagens (alguns com várias versões diferentes) uns anos atrás, mas o tempo acabou tornando todos eles raríssimos e com valores muito altos, e por serem de modelos bem antigos, eu acabei passando ilesa por eles (sempre achei eles bem judiados, tadinhos). Porém agora com o fim do seriado, os personagens foram relançados, alguns deles em versões de situações bastante cômicas (a Penny desleixada parecendo um bicho no episódio em que ela fica viciada num jogo online é impagável), e já fiquei de olho. Além de serem mais bonitos e com detalhes bem legais, estão com preço de pops regulares (na faixa dos 8 dólares em média). Quero todos, até o pobre coitado do Stuart (782) que também não ficou de fora dessa wave nova.


Games - Fabulous: Angela's Wedding Disaster

5 de junho de 2019

Título: Fabulous: Angela's Wedding Disaster
Desenvolvedora: GameHouse
Plataforma: Android e iOS
Categoria: Estratégia/Drama/Casual
Ano: 2018
Classificação Indicativa: Livre
Nota: 
Sinopse: Diga sim para o vestido nesse jogo de gerenciamento de tempo, com temática de casamentos!
Prepare-se para dominar a cena dos casamentos de Nova Iorque!
Trabalhando com um novo mentor, noivazillas e até mãezillas, as habilidades da Angela de criar modelitos são testadas em Fabulous – Angela’s Wedding Disaster! Angela vai encarar seu maior desafio até agora, quando ela e suas amigas, o Quarteto Fabuloso, se unem para planejar um casamento. Será que ela consegue lidar com o estresse? Ou isso vai acabar num desastre? Descubra nesse jogo hilário de gerenciamento de tempo, com temática de casamentos!
Após seu sucesso com a linha 'Rainha por Um Dia', Angela continua a desenhar vestidos para deixar as mulheres se sentindo Fabulosas! Agora, ela vai entrar no mundo atribulado de butiques para noivas. Quando se trata de casamento, você só precisa de amor e... do vestido perfeito, é claro! Angela dependerá de sua ajuda para deixar todas as noivas lindas em seu dia especial!
O casamento mais importante será para o seu amigo, Fran. Angela e o resto do Quarteto Fabuloso se unirão para dar a ele a mais incrível festa possível. No entanto, como tudo que a Angela faz, as coisas não seguirão bem como planejadas. Será que Angela poderá salvar o casamento de Fran do desastre ou será que só vai piorar as coisas?

Eu adoro joguinhos de gerenciamento de tempo com uma mecânica simples, e o diferencial dos da Game House são que eles vem com histórias divertidas, engraçadas, cheias de drama, e até emocionantes, o que torna os jogos envolventes e difíceis de largar.


Dessa vez escolhi o Angela's Wedding Disaster, o quarto da franquia Fabulous. Ele gira em torno do universo da moda em geral, e este, cuja história tem foco num casamento bastante especial, traz Angela Napoli como a protagonista. É divertido acompanhá-la em sua jornada para realizar seu sonho de se tornar uma estilista, e embora ela tenha bastante potencial, seja super competente e tenha Sebastian Worth, um renomado guru da moda, como seu mentor, ela também tem suas inseguranças, erra, reconhece e se esforça para que tudo fique perfeito.
Às vezes ela não sabe o que fazer diante de alguns pepinos, e é engraçado vê-la dividida entre suas mini versões do bem e do mal lhe dando conselhos, mas o bacana é que ela tem amigas que, juntas, formam o Quarteto Fabuloso, e sempre estão dispostas a ajudá-la, mesmo que entrem em algumas enrascadas junto com ela.

O jogo tem 60 fases e 24 desafios que complementam a história, e se dividem em 6 locais diferentes, todos eles com novos e simpáticos (ou não) personagens secundários. Cada local também conta com uma fase bônus e infinita, onde é possível jogar sem limite de tempo ou pontuação para quebrar records (não consegui mais do que 2 estrelas nessa peleja hahahaha). As histórias são individuais e envolvem relacionamentos e dramas com os moradores locais que, indiretamente, estão ligados com alguma das meninas do Quarteto, mas sem deixar de lado a história do casamento principal que gira em torno de Fran, o dono de um Café frequentado pelo Quarteto, e sua paixão por Caroline. Com ajuda das amigas, Angela começa a dar um jeitinho de reparar um grande prejuízo, preparar o casamento de Fran e criar o glorioso vestido para a noiva, mas até lá as meninas passam por lugares com estilos e cultura própria, o que acaba sendo bem interessante de se ver.


Confesso que o funcionamento em si não tem muita diferença dos demais jogos do gênero. Basicamente é pegar ou montar o item solicitado pelas clientes em tempo hábil o bastante para que elas não fiquem nervosas e não desistam do atendimento, pontuar, ganhar dinheiro e trocar por recompensas que vão facilitar a jogabilidade e o trabalho de Angela. Há também uma área exclusiva para coleções de roupas que podem ser iniciadas a partir dos diamantes coletados nas fases, ou um scrapbook descolado montado a partir de conquistas no jogo. O diferencial é o roteiro da história, é acompanhar a trajetória de Angela e suas amigas para saber o desfecho, que é bem bacana inclusive.


As fases são desbloqueadas assim que a anterior é completada, e uma grande vantagem é que, embora seja possível pagar para não assistir anúncios, é possível desbloquear o jogo por completo desde que os anúncios sejam assistidos. Basta ter internet disponível no celular para assisti-los (que variem entre 30 e 5 segundos) poder avançar nas fases e se divertir bastante.
No mais, é um joguinho viciante pra quem curte o gênero e quer passar passar o tempo! Super recomendo!