O Chamado de Cthulhu e outras histórias - H.P. Lovecraft

28 de dezembro de 2019

Título: O Chamado de Cthulhu e outras histórias - Biblioteca H.P. Lovecraft #1
Autor: H.P. Lovecraft
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Horror/Contos
Ano: 2019
Páginas: 448
Nota:★★★★★
Sinopse: Nascido em 1890, Howard Phillips Lovecraft revolucionou o gênero literário do horror ao inserir em suas histórias elementos típicos da fantasia e da ficção científica. Com um estilo de escrita único, por vezes de vocabulário e ortografia conservadores, Lovecraft elevou o terror a um patamar literário poucas vezes visto. Assim como Edgar Allan Poe no século XIX, Lovecraft é visto por autores como Neil Gaiman, Joyce Carol Oates e Stephen King como um dos principais autores de terror do século XX.
Neste primeiro volume da série "Biblioteca Lovecraft", traduzida e organizada por Guilherme da Silva Braga, encontramos textos clássicos como "O chamado de Cthulhu" e "A sombra de Innsmouth", e também textos menos conhecidos como "Dagon" (espécie de breve preâmbulo aos mitos de Cthulhu).

Resenha:  Nascido em 1890 e falecido em 1937, H.P. Lovecraft é considerado um dos principais autores do gênero de terror, reunindo não só admiradores de suas obras, como também inspirando autores de renome da literatura em todo o mundo. Neste primeiro volume da série "Biblioteca Lovecraft", encontramos dez textos clássicos do autor traduzidos e organizados por Guilherme da Silva Braga: Dagon, Ar frio, O modelo de Pickman, A música de Erich Zann, O assombro das trevas, O chamado de Cthullu, O horror de Dunwich, A sombra vinda do tempo, A casa temida, e A sombra de Innsmouth.

Os contos são curtos, alguns são narrados em primeira, e outros em terceira pessoa. Alguns inclusive parecem ter uma ligação com outros devido a algumas referências, e acabam se complementando ou preparando o leitor para algo que está por vir. Utilizando de uma escrita rebuscada, mas ainda assim um tanto fluída e cheia de detalhes e descrições minuciosas, é impossível desgrudar da leitura, mesmo que alguns trechos causem um enorme desconforto devido às descrições ora bizarras, ora sugestivas, ou ora assustadoras, mas que são capazes de despertar muita admiração e curiosidade em quem lê. Eu confesso que ainda não tinha tido oportunidade de ler nada do autor até então, mas posso dizer que o livro superou minhas expectativas pois foi bem além do que esperava encontrar.

Para os fãs do mestre do horror cósmico, ou pra quem gosta de contos de terror bizarros que se misturam com fantasia, é leitura mais do que indicada. Essa edição em particular, com capa dura e excelente diagramação é obra digna de se manter na coleção, pra ser lida e relida.

Abaixo um resumo do que se trata os contos do autor:

Dagon
Na falta de morfina, o protagonista/narrador viciado demonstra um grande desejo de por fim a sua própria vida, mas não antes de expor seus motivos. Ele então nos conta de uma experiência que teve no meio do Oceano Pacífico após fugir dos alemães, quando viu o grande Dagon, o Deus-Peixe
"Escrevo esta história sob uma pressão mental considerável, uma vez que hoje à noite eu me apago."
- Pág. 7

Ar frio
Algumas semanas depois de se mudar para um quarto numa pensão acabada, o protagonista se depara com um vazamento suspeito vindo do quarto de cima, e descobre que o morador é um velho médico conhecido por Dr. Muñoz. Não demora muito para que o dito médico socorra o protagonista quando este tem um ataque, e por causa disso, os dois acabam mantendo uma relação mais amigável e próxima de modo que alguns dos conhecimentos e segredos mais sombrios do velho começam a ser revelados, principalmente no que diz respeito à temperatura do quarto, que nunca ultrapassa os 13°C.
"É um erro achar que o horror está necessariamente associado à escuridão, ao silêncio, à solidão. Encontrei-o em pleno sol do meio-dia, no rumor de uma metrópole e em meio a uma pensão rústica e ordinária, com uma senhoria prosaica e dois homens robustos ao meu lado."
- Pág. 18

O modelo de Pickman
Pickman é um artista conhecido por retratar o horror através de suas artes de uma forma jamais vista. Quando o protagonista é convencido a lhe fazer uma visita para apreciar seus trabalhos, até então, inéditos, ele se depara com obras aterrorizantes.
"Qualquer amador que desenhe capas de revistas pode espalhar a tinta de um jeito qualquer e chamar o resultado de pesadelo ou de sabá das bruxas ou de retrato do demônio, mas só um grande pintor consegue fazer uma coisa dessas parecer realmente assustadora ou convincente. É por isso que só um artista de verdade conhece a fundo a anatomia o terror ou a psicologia do medo - o tipo exato de linhas e proporções que se ligam a instintos latentes ou memórias hereditárias de pavor, e os contrastes e a iluminação que despertam o sentimento de estranheza adormecido."
- Pág. 31

A música de Erich Zann
Aqui o narrador/personagem fala do tempo em que morou na Rue d'Auseil, local que não sabe como chegou, e que nunca mais encontrou depois de ter saído de lá. Durante o pouco tempo que morou numa pensão nessa rua, uma melodia intensa e desconhecida vinda do quinto andar chamou sua atenção. Curioso para ouvir a música pessoalmente, ele tenta se aproximar do vizinho, Erich Zann, mudo e com cara de poucos amigos, e embora o músico fique relutante, ele permite a aproximação. O outro só não sabia o que encontraria ao ouvir a melodia tão de perto.

O assombro das trevas
Blake é um escritor que estuda o ocultismo e tem interesse em lendas assustadoras e sombrias. Quando ele adentra uma igreja abandonada, movido pela curiosidade do que poderia encontrar ali, Blake começa a explorar o local empoeirado, cheio de símbolos misteriosos, e descobre o inimaginável.
"Aquele ser poderia ir até onde as trevas alcançassem, mas a luz sempre o poria em fuga."
- Pág. 85

O chamado de Cthulhu
Com a morte do seu tio avô George, Francis se torna o único herdeiro do pesquisador. Ao vasculhar os pertences do falecido, Francis encontra documentos e uma caixa que desperta seu interesse. O que ele não esperava era, após ler as anotações e decifrar vários símbolos, adentrar num caminho sem volta para um mundo onde a mente humana seria incapaz de compreender as criaturas gigantescas e horrendas que lá viviam. E talvez a morte de George não tenha sido um mero acidente...
"A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade da mente humana em correlacionar tudo o que sabe."
- Pág. 100

O horror de Dunwich
Dunwich é um vilarejo decadente onde reside a estranha família Whateney. Quando a albina Lavinia Whateney dá a luz ao pequeno Wilbur, os moradores começam a sugerir que o bebê nasceu de um incesto já que ninguém sabia quem era o verdadeiro pai. Wilbur cresce muito rápido e tem um desenvolvimento anormal para uma criança de sua idade, e suas feições, que lembravam um bode, causavam medo e desconfiança no povo de Dunwich. Antes da morte do velho Whateney, a casa foi reformada durante alguns anos a fim de construírem um cômodo especial para algo que ficava preso no andar de cima, o que levantava boatos pelo vilarejo do que estaria escondido alí. Quando Wilbur, já crescido, sai em busca de um livro proibido para obter algumas informações, ele acaba chamando atenção de alguns estudiosos e bibliotecários, em especial o dr. Armitage, que, ao terem acesso ao diário deixado pelo rapaz, descobrem não só a origem dele, como também o que estava escondido na casa.

A sombra vinda do tempo
Depois de um estranho desmaio, o professor Peaslee foi acometido por uma amnésia que durou cinco anos. Durante esse período, Peaslee incorporou uma outra personalidade, ficou afastado da família e começou a estudar as ciências ocultas. Quando ele recuperou a memória depois desses cinco anos, ele inicia uma pesquisa tentando encontrar um significado para os sonhos que teve nesse período, onde viu coisas e mundos indescritíveis.

A casa temida
Mortes estranhas e inexplicáveis ocorriam com frequência numa certa casa. Qualquer família que fosse morar no local era consumida pela energia negativa que permanecia ali. Sendo assim, a casa, agora abandonada, ficou conhecido por guardar histórias assustadoras. Quando o Dr. Elihu Whipple, em companhia de seu sobrinho, decide investigar, eles passam algumas noites no porão da casa em busca de respostas.
"Mesmo nos grandes horrores é bastante raro que a ironia se encontre ausente. Às vezes o sentimento entra de forma direta na composição dos eventos, e às vezes surge apenas em função do caráter fortuito que estes ocupam em meio a pessoas e lugares."
- Pág. 305

A sombra de Innsmouth
A fim de comemorar sua maioridade, Robert Olmstead decide viajar pela Nova Inglaterra quando ouve falar de Insmouth, um misterioso vilarejo cheio de histórias bizarras. Mesmo que tudo indicasse que a experiência poderia ser perigosa, Robert decide visitar o local, descobrindo segredos obscuros e inacreditáveis sobre o povo e suas crenças.

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