Caixa de Correio #59 - Janeiro, a primeirinha do ano

31 de janeiro de 2017

Primeira caixinha de 2017!
Foi pouca coisa, mas amei tudo!
Bora ver o que recebi esse mês?

Suzy e as Águas-Vivas - Ali Benjamin

30 de janeiro de 2017

Título: Suzy e as Águas-Vivas
Autor: Ali Benjamin
Editora: Verus
Gênero: Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 224
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado. Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava. Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente.

Resenha: Suzy e as Águas-Vivas é o livro de estreia da norte-americana Ali Benjamin, publicado no Brasil pelo Grupo Editorial Record através do selo Verus. O livro foi um dos finalistas do National Book Award for Young People's Literature de 2015.

Suzy Swanson é uma garotinha de doze anos e está sofrendo muito após Franny, sua única e melhor amiga, ter morrido afogada. Desde então Suzy não fala mais e está arrasada. Ela quer descobrir a causa da morte da amiga como forma de superar o ocorrido, logo, a trama gira em torno de seu processo de luto, mostrando as formas dela de lidar com essa perda tão triste ao mesmo tempoem que inicia uma pesquisa sobre águas-vivas, que pode dar a ela respostas sobre o quê, de fato, aconteceu.

O livro tem uma narrativa que se alterna entre primeira e terceira pessoa, mas ambas com foco na protagonista. Os capítulos em primeira pessoas são narrados no passado, o que lembra bastante um diário. Essa dinâmica na narrativa é um fator que colabora para o desenvolvimento da história, permitindo ao leitor uma visão bastante ampla sobre todos os acontecimentos relevantes da trama ao mesmo tempo em que se aprofunda dos personagens de forma bastante adequada e realista. A escrita é fácil, simples, delicada, fluída e bastante poética, e a ideia dos diálogos serem poucos (ja que Suzy parou de falar), mostra que é possível transparecer uma sensibilidade e uma carga dramática muito grande a partir de pensamentos e atitudes.
Há uma quantidade considerável de curiosidades científicas relacionadas às pesquisas de Suzy, o universo e afins em meio a narrativa. São curiosidades bastante interessantes e que, de certa forma, tem a ver com o momento em questão pelo qual Suzy está passando e/ou refletindo.
Eu gostei muito da construção da protagonista mesmo que ela esteja naquela fase complicada da pré-adolescência, cheia de dilemas e conflitos. As mudanças, físicas e psicológicas, parecem que não vão acabar, tudo é novo, muitas coisas assustam, e diferente dos adultos, não é possível se prender ao comodismo ou fugir do que não se quer encarar, mas quem disse que é fácil aceitar tais mudanças e ainda ver o próprio mundo desmoronando com a perda de uma pessoa mais do que especial e que faz parte das nossas vidas?

No desenrolar da história vamos acompanhando Suzy aprendendo com as próprias experiências e com as pesquisas que se dedica a fazer, e a morte de Franny funciona mais como um estopim para desencadear esse comportamento, e as reflexões levantadas alí servem de lição não só para a personagem, mas para o próprio leitor que se pega pensando em várias atitudes e escolhas feitas em sua própria vida.
Suzy e as Águas-Vivas é um livro sobre luto e sobre mudanças, mas também sobre aprender da forma mais difícil a lidar com os obstáculos que surgem pelo caminho. A história é tocante, surpreende e com certeza vai encantar os leitores.


Garota Desaparecida - Sophie McKenzie

29 de janeiro de 2017

Título: Garota Desaparecida - Garota Desaparecida #1
Autora: Sophie McKenzie
Editora: Verus
Gênero: Suspense/Drama/YA
Ano: 2016
Páginas: 238
Nota:★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Lauren mora na Inglaterra e sempre soube que é adotada. Mas, quando uma breve pesquisa sobre o seu passado revela a possibilidade de ela ter sido roubada de uma família americana ainda bebê, a vida de Lauren de repente parece uma fraude. O que ela pode fazer para tentar encontrar os pais biológicos? E seus pais adotivos terão sido os responsáveis por sequestrá-la? Lauren convence sua família a fazer uma viagem para o outro lado do Atlântico e, lá chegando, foge a fim de tentar descobrir a verdade. Mas as circunstâncias de seu desaparecimento são sombrias, e os sequestradores de Lauren ainda estão à solta — e dispostos a qualquer coisa para mantê-la calada.

Resenha: Garota Desaparecida é o livro de estreia da autora inglesa Sophie McKenzie publicado no Brasil pela Verus.
Lauren Matthews vive na Inglaterra e é uma adolescente de quatorze anos que foi adotada quando tinha três anos de idade, mas nunca obteve respostas dos pais sobre sua família biológica. Aparentemente tudo ia bem, até ela receber uma lição de casa que mudaria sua vida. Ela deveria escrever uma redaçaõ sobre quem ela é, mas, sem saber exatamente de onde veio, as coisas não seriam tão fáceis assim... Ao fazer uma pesquisa na internet, ela se depara com um site de pessoas desaparecidas, e fica surpresa ao encontrar uma menina parecida com ela e que desapareceu há onze anos, quando Lauren fora adotada. O que ela sabe não é suficiente, várias dúvidas sobre seus pais adotivos começam a surgir, afinal, como saber se eles são os responsáveis ou não por sequestrá-la? E o que ela poderia fazer para encontrar seus pais biológicos que aparentemente são americanos?
Lauren foge para tentar descobrir a verdade sobre seu passado, mas isso pode colocar sua vida em risco...

Narrado em primeira pessoa, vamos acompanhando Lauren, junto com seu amigo James, numa missão para descobrir o que aconteceu.
O livro parece ter sido classificado como um Young Adult, mas pela escrita e pela forma de agir da protagonista, acho que se encaixaria melhor como sendo um suspense juvenil com alguns toques dramáticos.
Lauren não é uma personagem que cativa o leitor, não só pelo seu típico comportamento irritante de adolescente rebelde sem causa, mas por ser muito egoísta e completamente impulsiva. Ela age sem pensar nas consequências e ainda, sabe-se lá como e porquê, consegue convencer as pessoas a fazer o que ela quer de uma forma conveniente para que a história continue sendo desenvolvida, mas, ao meu ver, de um jeito impossível, forçado e até fantasioso, a ponto de eu não acreditar que alguns acontecimentos fossem mesmo verdade.

Nessa jornada, Lauren enfrenta perigos, é forçada a encarar verdades que não esperava e ainda precisa confrontar um passado dificil e doloroso, e fica no ar a ideia de ela ter ou não um final feliz depois de tudo o que descobre. Temas como a dinâmica familiar e o impacto que a adoção - principalmente quando é ilegal - tem na vida das pessoas são abordados, e o drama inserido é até interessante, principalmente quando consideramos um sequestro e o quão triste isso é para uma mãe que tem seu filho levado, mas o problema que tive com o livro é que pelo tema ser delicado e interessante, esperava um desenvolvimento melhor, mais drama, mais intriga, e não uma história superficial em que a autora quer passar muitas mensagens mas no final não passa praticamente nada.
A sensação que tive é que se o leitor se atentar aos mínimos detalhes em vez de se prender a escrita fácil e envolvente da autora, vai encontrar furos e partes que não fazem muito sentido, mas, posso dizer que Garota Desaparecida mostra que quanto mais se cava, mais fundo se chega, e encontrar as respostas para tantos questionamentos nem sempre será algo bonito ou agradável de se ver.

A diagramação do livro é bastante caprichada. Os capítulos são numerados e possuem títulos que combinam com o da capa, simulando frases cujas letras foram recortadas individualmente de algum jornal ou revista. A capa também combina bem com a proposta do livro.

No mais, pra quem procura por uma leitura rápida que levanta algumas reflexões sobre alguém que se propõe a embarcar numa aventura para descobrir mais sobre seu passado e acaba descobrindo mais sobre si mesma, é uma leitura que vale a pena, sim. Só não vá com muitas expectativas esperando por uma coisa específica, pois você encontrará outra bem diferente...


Fellside - M.R. Carey

28 de janeiro de 2017

Título: Fellside
Autor: M.R. Carey
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Terror/Suspense
Ano: 2016
Páginas: 464
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Uma história de terror moderna, perturbadora e emocionante, assinada pelo mestre dos quadrinhos M. R. Carey, pseudônimo de Mike Carey, roteirista de sucessos como X-Men e Hellblazer e autor do cultuado A menina que tinha dons, adaptado para a telona pela Warner Bros (ainda sem previsão de estreia no Brasil). Em seu segundo romance, Carey conta a história de uma mulher que vive em Fellside, uma prisão de segurança máxima localizada nos confins da Inglaterra. Acusada de ter incendiado o seu apartamento e matado por acidente uma criança, Jess Moulson vive afundada em culpa e medo, e sabe que não pode confiar em ninguém ali. Até que começa a ouvir a voz de uma criança. Uma criança morta, que tem uma mensagem para Jess. 

Resenha: Fellside é o segundo livro do autor M.R. Carey publicado no Brasil pelo selo Fábrica 231 da Editora Rocco.
Nele vamos acompanhar a história de Jessica Moulson, uma mulher viciada em heróina que foi acusada de ter matado Alex Beech, um garoto de dez anos que morava no andar de cima, após ter incendiado o próprio apartamento. Agora Jess é prisioneira em Fellside, uma prisão de segurança máxima localizada em Yorkshire. Diariamente ela sente o gosto amargo da culpa pelo que fez pois Alex, mesmo sendo uma criança, era um amigo por quem ela tinha um grande apreço. Nada do que passou ainda é o suficiente para servir como uma punição e, mesmo sem ter muitas lembranças do ocorrido, ela quer esquecer tudo de forma definitiva e até para de se alimentar, se entregando a própria morte. Jess vai ficando cada vez mais fraca e começa a ter visões de uma criatura fantasmagórica, e é quando ela percebe que aquele visitante é Alex, que lhe faz algumas revelações confusas por também não se lembrar de muita coisa. Jessica decide ajudar o garoto a descobrir o mistério que está por trás da verdadeira causa de sua morte...

Narrado em terceira pessoa, a história se inicia num ritmo lento, alterna os pontos de vistas entre outros personagens e esse desenvolvimento dinâmico ganha uma guinada que envolve o leitor de forma que fica impossível largar o livro.
O mistério que envolve Alex começa a ganhar profundidade mas outros temas que fazem parte da vida de Jess começam a ser trabalhados, mostrando o lado obscuro da vida de um viciado, mas também a vida dentro da prisão, o que dá mais camadas à trama e faz com que as peças desse suspense comecem a se encaixar relevando algo muito pior e mais sinistro.
Eu gostei de Jess, e mesmo que seu estado seja de total desesperança, ainda há aquela faísca de que tudo vai dar certo, mesmo que a ajuda venha de alguém improvável... Ela não é uma pessoa ruim, só fez escolhas erradas que a levaram a própria ruína e agora quer consertar as coisas pois acredita que não é insistindo nos mesmos erros que ela vai ter sua tão almejada redenção.
Os demais personagens também são bem construídos e desenvolvidos, mas nem sempre as coisas sobre eles ficam tão claras, pelo menos até que o leitor se aproxime do desfecho e comece a entender tudo o que parecia não fazer sentido.

Não sei se o gênero desse livro pode ser considerado como terror, pois ele é mais voltado pro lado do mistério, do sobrenatural já que envolve o lance de aparições fantasmagóricas e afins.
A capa, apesar de simples, é bem caprichada e os arames farpados são ásperos e em altorelevo. A diagramação é bem simples, as páginas amarelas e os capítulos são numerados e possuem poucas páginas, o que colabora para a fluidez da leitura.
Um ponto interessante é que a cada capítulo temos um novo ponto de vista, e isso impulsiona o leitor a prosseguir com a leitura de forma frenética, mesmo que, às vezes, ele seja levado em direções completamente diferentes do que se espera.

Fellside traz uma história inteligente e bem construída que mostra que, às vezes, só quando a pessoa chega no seu limite e está no fundo do poço, é que ela percebe que precisa sair dessa já que se entregar às drogas é o mesmo que abdicar da capacidade de levar uma vida social, se autodestruir e ainda corroer a vida das pessoas que estão ao redor. Não é fácil se redimir, não é fácil aceitar que ter ajuda é necessário, mas só com a devida ajuda é possível escapar desse terrível abismo...


Eu Estou Aqui - Clélie Avit

27 de janeiro de 2017

Título: Eu Estou Aqui
Autora: Clélie Avit
Editora: Fábrica 231
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Thibault está no hospital visitando seu irmão. Ele entra por acidente no quarto de Elsa, e alí ele encontra uma paz há muito perdida. Thibault passa a visitá-la frequentemente. E só duas certezas passam a habitar seu coração: a primeira, é que ele está apaixonado por ela. E a segunda, que ela ouve cada uma de suas palavras.

Resenha: Eu Estou Aqui é romance escrito pela autora francesa Clélie Avit e publicado no Brasil pelo selo Fábrica 231 da Editora Rocco.

Elsa é uma mulher de vinte e nove anos que praticava montanhismo até sofrer um acidente e entrar em coma. Já faz vinte semanas que ela se encontra no hospital, mas ninguém sabe que há seis semanas ela consegue ouvir e perceber o que está acontecendo ao seu redor, só não consegue fazer seu corpo "desligado" reagir. É como se os médicos e as enfermeiras já não demonstrassem interesse pelo caso dela, as visitas estão cada vez menos frequentes e tudo indica que ninguém mais tem esperanças de que ela saia dessa.
Thibault é um jovem que visitava o irmão que está internado devido a um acidente de carro no mesmo hospital onde Elsa está. Ele não consegue aceitar que o irmão tenha causado um acidente com duas vítimas fatais por pura irresponsabilidade e não quer mais continuar com essas visitas. Porém, ao ir embora, ele se confunde e entra no quarto onde Elsa está. Ele fica curioso ao sentir um cheiro de jasmin e se aproxima um pouco mais, percebe que Elsa está num estado bastante delicado mas ao mesmo tempo sente conforto em estar alí, dessa forma, visitá-la se torna um refúgio pra ele se desligar do que o perturba.

O livro é narrado em primeira pessoa e os capítulos se alternam entre Elsa e Thibault. As vozes de cada um deles são distintas, eles possuem peculiaridades e características próprias e é possível saber quem é quem pela forma de falar ou pensar, não sendo necessário nem a indicação do nome deles nos capítulos. A escrita é delicada, cheia de sutilezas e até poética, mas ao mesmo tempo muito intensa. Acredito não ser nada fácil descrever como alguém que está preso no próprio corpo não é capaz de reagir a estímulos, sem poder dizer com todas as letras que está alí, que está viva e não quer desistir, e a autora conseguiu realizar esse feito com maestria. Não é frustrante só para Elsa essa sensação de impotência, o leitor também se pega extremamente angustiado por considerar essa situação.
E é aí que entra Thibault, pois a aproximação dele faz com que o coração de Elsa bata mais forte, mais rápido e ele é o único que parece perceber isso já que com o passar do tempo ele se apaixona e sua necessidade de proteger e cuidar dela são suas únicas motivações.
Thibault compartilha fatos sobre si mesmo com Elsa, e mesmo que ela não reaga e não responda, ele está convencido - e com razão - de que ela pode ouví-lo. Isso mexe com Elsa pois, até então, ninguém lhe tratava dessa forma nem lhe dava tanta atenção como ele faz, e mesmo que tudo o que ela sinta e pense fique guardado só pra ela, no fundo Thibault sente que o sentimento é recíproco.

O que não me convenceu 100% foi a forma como Thibault se apaixonou, mas isso não foi um fator que me fez desgostar da história, muito pelo contrário. Acho bastante improvável que alguém se apaixone por outra pessoa sem conhecê-la, sem poder ouvir o que ela tem a dizer e que não pode reagir a nada do que lhe é dito, mas pelo fato de Elsa dar conforto e trazer a sensação de que Thibault esta livre de seus problemas e preocupações quando está na companhia dela, e levando em consideração e última decepçõ amorosa que ele teve com a ex esposa, tudo isso foi bastante compreensível.
Pelo fato da trama se passar num hospital, a sensação de frieza fica no ar, como se a história estivesse estagnada, logo o que dá fluidez ao desenvolvimento são os momentos que os dois passam juntos enquanto o sentimento cresce cada vez mais no peito deles.

Claro que nada são flores e em determinado momento o livro começa a abordar o lado da família de Elsa, que já está prestes a desistir de sua recuperação e passa a considerar que os aparelhos sejam desligados, e isso gera momentos de tensão pois seria difícil para Thibault, um mero desconhecido, convencer a todos de que eles deviam mantê-la viva se baseando apenas em seus argumentos.

Eu Estou Aqui é um livro doce e singelo, e mesmo que aborde temas difíceis como conflitos familiares e eutanásia, também fala sobre o amor em sua forma mais verdadeira e como ele pode surgir nas circunstâncias mais improváveis que se possa imaginar. Pra quem procura por um livro que vai ficar na memória e causa uma péquena ressaca literária, é leitura mais do que indicada.

Novidade de Janeiro - Paralela

23 de janeiro de 2017

O Perfume da Folha de Chá - Dinah Jefferies

Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence, no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império.
Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos.
Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Louca Por Você - A.C. Meyer

Título: Louca Por Você - After Dark #1
Autora: A.C. Meyer
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance/Literatura Nacional
Ano: 2014
Páginas: 208
Nota:★☆☆☆☆☠
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Julie tem dois grandes sonhos: cantar profissionalmente e fazer com que Daniel a enxergue como mulher. Ele é o charmoso dono do badalado bar After Dark e se diz avesso a compromissos, sempre pronto para noitadas casuais. Em uma noite de muito movimento, o estabelecimento se vê sem um vocalista para dar continuidade à programação musical, e Julie é colocada por um dos sócios de Daniel à frente da banda para resolver o problema.
Mas a voz e a presença de palco da nova cantora encantam o público... e também o atraente garanhão. Descontrolado de ciúmes, Daniel está disposto a usar toda a sua autoridade para tirar Julie dos holofotes e dar uma chance ao seu verdadeiro amor. Ele só não contava com as investidas insistentes de Alan, o sexy guitarrista da banda, que resolveu fazer de tudo para conquistar o coração da nossa mocinha.
Será que o sonho de Julie finalmente vai se concretizar com Daniel ou seu verdadeiro príncipe encantado é o guitarrista sensual?

Resenha: Louca por Você, escrito pela autora brasileira A.C. Meyer, é o primeiro volume da série After Dark, publicada no Brasil pela Universo dos Livros.

Juliette Walsh, ou Julie, é uma mulher de vinte e oito anos que, aos quatorze, depois de ter perdido a família num acidente, foi acolhida e criada pela família vizinha que era muito amiga dos seus pais, os Stewart. Os filhos deles, Johanna e Daniel acabaram se tornando "irmãos" de Julie também. Jo já era sua melhor amiga, e Daniel é o garoto por quem ela era apaixonada desde pequena, mas depois do acidente e da mudança seria mais complicado que ele a enxergasse já que ele sempre cuidava dela e a protegia como uma irmã.
Com o passar dos anos, Julie, que sempre cantou muito bem, tinha o sonho de cantar profissionalmente, mas Daniel nunca permitiu que ela se apresentasse para evitar sua exposição. Só de imaginar que outros caras pudessem cobiçá-la ele já ficava maluco.
Daniel, agora com trinta e um anos, é dono do After Dark, um bar super badalado com atrações musicais. Porém, num certo dia, a banda que iria se apresentar tem um problema com o vocalista que abandona a banda na última hora, e Julie, que trabalhava lá como garçonete, o substitui para resolver o problema sem que Daniel soubesse, já que estava viajando a trabalho e não respondia mensagens nem atendia as ligações de seu sócio, Rafe.
Essa apresentação não resulta apenas em Julie ter atenção do público e fazer o maior sucesso como nova vocalista da banda, mas do próprio Daniel que, ao chegar de viagem e descobrir que ela salvou a noite se apresentando, fica louco da vida e se vê num dilema que mudaria sua vida, e a de Julie também...

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Julie e de Daniel de forma alternada e direcionada ao leitor, temos um romance recheado de clichês: a mocinha que acredita não ter atrativos (mas é gostososa) e ama o garotão desde a infância, mas este, mulherengo até não poder mais, a considera como uma irmã, até ela dar um up na aparência e demonstrar interesse - forjado - por outro cara...

Embora a fórmula seja bastante conhecida, quando há um bom desenvolvimento na trama de forma a torná-la interessante, os clichês não são o problema. O problema é quando nada parece fazer sentido, alguns elementos são forçados e não fariam diferença se existissem ou não, e as atitudes dos personagens não condizem com a realidade e com a idade que têm, ou simplesmente soam absurdas demais para que os nossos olhos não entrem num looping infinito, de tanto se revirarem.
E tudo isso pode ser encontrado aqui...

Os personagens já estão beirando os trinta anos mas se comportam como adolescentes que não sabem o que querem da vida e agem no impulso a cada decisão que precisam tomar. Ao final fiquei com a impressão de que li um monte de asneiras pra não chegar em lugar nenhum, como se a história não tivesse conteúdo o bastante ou um propósito relevante.
Também tive alguns problemas com o texto propriamente dito, que é superficial demais, incompleto e nem sempre consegue fazer com que o leitor visualize as cenas. A sexualidade que jorra dos personagens é exagerada e torna as cenas que deveriam ser mais calientes em algo ridículo e doentio, além de cafonas.

Logo que iniciei a leitura já fiquei ressabiada por Julie alegar que "se assusta" todas as noites com gemidos aleatórios vindos da casa vizinha, a casa de Daniel... Mas se os tais gemidos fazem parte da rotina, já que acontecem todas as noites desde sabe-se lá quanto tempo, ela já deveria estar acostumada em vez de se "assustar", não? Não estamos falando de assassinatos ou espiritões agourentos pra deixá-la tão assustada assim, a menos que ela tenha cinco anos de idade pra ser tão ingênua e inocente... Ela ainda acredita que deveria ser ela alí com Daniel e morre de inveja da "vadia" da vez, mas quem, em sã consciência, fica décadas a fio sofrendo iludida por um cara como ele, que está com uma mulher diferente a cada dia, enquanto ela está alí, encalhada como uma tiazona que cria mil gatos e ainda usando pijama do Bob Esponja? Eu, sinceramente, não entendi essa personagem e nem fui capaz de sentir empatia alguma por ela... Muito pelo contrário. As atitudes e os sentimentos dela são contraditórios, ela quer demonstrar ser forte e cheia de garra e coragem quando na verdade está longe disso... Idealizar que o homem de sua vida é um mulherengo de carteirinha ao mesmo tempo que sonha com um "príncipe encantado"? Bitch, please... E outra: trocar o pijama nerd por uma roupa sexy e encher a cara de maquiagem não transforma a personalidade de ninguém e nem é desculpa para um "amadurecimento". Ela só consegue ser infantil e digna de pena, além de se passar por ridícula, vide quote abaixo:
"Meus pais eram um casal irritantemente feliz: eu não acho que um dos dois sobreviveria à perda do outro.
Foi deles que herdei minha crença de que o amor deve mover nossas vidas e que um dia eu também encontrarei um príncipe encantado que me resgatará dos meus problemas, me levará para cavalgar ao pôr do sol e com quem serei feliz para sempre..."
- Pág. 12
Daniel consegue ser ainda pior. Há uma tentativa de explicar o motivo pra ele ser tão protetor e algumas passagens que induzem o leitor a acreditar que, por eles não serem irmãos de sangue, então tudo estaria liberado mais tarde... É tão tosco que nem vale o comentário, mas resumidamente, Daniel é um egoísta, machista e que só consegue pensar com a cabeça de baixo. E tudo é tratado como se fosse perfeitamente normal e bonito agir assim, inclusive pra Julie.

Não fica claro em que lugar a história se passa exatamente, mas pelos nomes estrangeiros penso que sejam americanos ou coisa do tipo. Logo não faz sentido querer "americanizar" uma história - escrita por uma autora nacional, diga-se de passagem - sem incluir a cultura (ou de parte dela, pelo menos) para que as coisas se tornem críveis ou, pelo menos, convincentes. Os diálogos, os termos e até os apelidos utilizados são todos extremamente abrasileirados e, pra mim, foi impossível associar esses personagens a outra nacionalidade.

E por fim, romantizar certos tipos de situações foi o cúmulo do absurdo. Ciúme exagerado, sentimento de posse e controle, assédio constante, complexo de inferioridade ou superioridade de mulher e homem respectivamente, argh... Como assim Daniel, que a vida inteira enxergava Julie como irmã, se interessa por ela quando a vê toda produzida e pronta pra arrasar no palco e começa a imaginar coisas e até partir pra cima dela como se a pobre fosse um objeto? Que sentimento "fraternal" mais doentio é esse?
O livro parece uma fanfic mal desenvolvida e mal escrita sem qualquer elemento que realmente esteja alí pra salvar alguma coisa. É tudo muito, mas muito ruim.

Enfim... Confesso estar meio saturada dessas histórias cujo propósito parece ser fazer o leitor perder a paciência e ter vontade de entrar no livro pra sacudir os personagens idiotas e nada mais. Estou super relutante em dar continuidade ao restante da série depois desse desgosto. Eu só fiquei com vontade de ler depois de julgar pela capa, que é bem bonita por sinal, e ter tido indicações boas (o que prova que gosto é uma coisa particular demais), mas só de pensar em me deparar com algo desse nível mais uma vez já entro numa depressão eterna... Não gostei e, sinto dizer, não recomendo.

PS.: After Dark (Peach Pit After Dark) não é o nome da danceteria que faz parte do cenário do seriado mais famoso dos anos 90, Beverly Hills 90210 (Barrados no Baile aqui no Brasil)?
Pra que originalidade, né?


Recomeços - K.A. Robinson

22 de janeiro de 2017

Título: Recomeços - Torn #2
Autora: K.A. Robinson
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Romance/New Adult
Ano: 2016
Páginas: 320
Nota:★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: No segundo livro da série Torn, que faz parte da coleção Curti,voltada para quem não abre mão de uma boa história romântica com final feliz, Chloe Richards tem que encarar um difícil reencontro com sua mãe, com quem sempre teve uma relação complicada, e superar muitas dificuldades para manter o relacionamento com Drake Allen, o charmoso vocalista de uma banda de rock que ela conheceu em seu primeiro dia na universidade.
Depois de Cicatrizes, K.A. Robinson põe sua protagonista frente a frente com o passado, o que inclui não só um acerto de contas com Andrea Richards, mas também um antigo namorado que vai ajudar Chloe nessa missão, despertando o ciúme de Drake. E o casal mais uma vez vai precisar contornar uma série de mal-entendidos para, enfim, seguir em frente e recomeçar.

Resenha: Recomeços é o segundo volume da trilogia Torn que dá sequência a história iniciada em Cicatrizes.
O livro começa de onde o anterior parou, por esse motivo a resenha pode ter spoilers!

Depois de tantos problemas, Chloe e Drake estão juntos, felizes e tudo parece perfeito entre o dois. Drake iria aproveitar o verão para sair em turnê, Chloe o acompanharia mas o inesperado acontece: Jen, a tia de Chloe, está a beira da morte e quer vê-la. O que ela não esperava era ser chantageada por Andrea, sua própria mãe, que está louca para por as mãos na herança que Jen deixaria, e caso Chloe não colabore, Andrea não hesitará em tornar a vida da filha um verdadeiro inferno.
Drake precisa seguir viagem enquanto Chloe, sem poder recusar o pedido da tia, fica para ajudar e confortar Danny, seu primo.
E como se a ideia de perder a tia e a volta de Andrea já não fosse um problema para Chloe, a ex de Drake passa a infernizar a vida dos dois, forjando fotos para fazê-lo pensar que Chloe está traindo-o, e como Chloe já teve um relacionamento com Jordan, amigo do seu primo, as coisas ficam ainda mais complicadas. Tudo começa a dar errado, o mundo dos dois parece estar desmoronando, e a distância não é um fator que ajuda muito nesse momento... Mal entendidos e falta de confiança deverão ser superados para que ambos se entendam e possam recomeçar.

Recomeços é narrado em primeira pessoa mas neste volume o leitor também irá acompanhar o ponto de vista de Drake, que se alterna com o de Chloe. A escrita da autora continua fluída e neste volume percebi um certo amadurecimento no desenvolvimento da história, e a ideia de não haver mais aquele ridículo triângulo amoroso para fazer com que o leitor perca tempo com o que não acrescenta em nada me agradou muito mais. A preocupação agora gira em torno dos drama vivenciados pelos protagonistas e a forma como eles encaram os problemas diantes das dificuldades.
Enquanto em Cicatrizes o foco fica sobre o triâgulo amoroso, Recomeços tem uma pegada totalmente diferente ao abordar um relacionamento que já enfrentou poucas e boas (e ainda vai enfrentar um pouco mais) e agora está em outro nível, assim como os dramas familiares e os problemas que surgem daí.

Drake é retratado como um cara bastante real dessa vez, mas irracional. Ele não parece saber lidar com os problemas que aparecem em sua frente, tem recaídas e começa a estragar tudo. A vontade é de sacudí-lo para que acorde pra vida. Claro que fica no ar aquela ideia de que isso tudo não passa de um ponto de tensão na história e que mais cedo ou mais tarde tudo vai ser resolvido, a trama é previsível, mas ainda assim foi melhor do que o primeiro livro. Jordan é um personagem que dá a ideia de que mais um triângulo amoroso iria aparecer alí, mas não foi bem assim. Por mais que soasse que eles poderiam ter um algo a mais, não há. Chloe só tem que seguir seus instintos para resolver a bomba que está em suas mãos e esperar que Drake confie nela. Fiquei muito satisfeita por ver que agora Chloe não age sem pensar e usou as experiências que teve para amadurecer, mas fiquei decepcionada com Drake pelas atitudes que tomou.

O trabalho gráfico é caprichado e manteve o mesmo padrão do livro anterior, seja com relação aos tons alaranjados e a iluminação ou com a fonte utilizada. A diagramação também está ótima e os capítulos apresentam o nome do personagem da vez no lugar de um título.

Depois da decepção que tive com Cicatrizes, comecei a ler Recomeços cabisbaixa e sem expectativa alguma, mas no decorrer da leitura acabei me surpreendendo com a guinada que a autora deu à história e como ela conseguiu mudar o foco para consertar as coisas ao explorar as fraquezas dos personagens de forma íntima e ate dolorosa. Não digo que o livro seja perfeito mas me animou um pouco mais para dar uma chance ao próximo volume.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Patrick Ness

21 de janeiro de 2017

Título: Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Autor: Patrick Ness
Editora: Novo Conceito
Gênero: Fantasia/Juvenil/Drama
Ano: 2016
Páginas: 160
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida.
A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido.
O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade.
Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.

Resenha: Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um drama juvenil publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito e recentemente teve sua adaptação cinematográfica lançada dos cinemas.

O livro conta a história de Conor O'Maley, um garotinho de treze anos que mora na Inglaterra e está passando por uma fase muito difícil e delicada em sua vida. Sua mãe está com câncer, já num estado bastante avançado, e não anda respondendo muito bem aos tratamentos e por isso a avó de Conor, uma bruaca velha e horrorosa, vai passar uns dias em sua casa, para o desgosto do garoto. Seu pai é ausente, mora nos Estados Unidos e até já tem outra família. Na escola ele nunca foi notado por ninguém, até começar a ser constantemente provocado por um dos alunos "valentões". Como se isso não fosse o bastante, ele ainda anda tendo pesadelos terríveis e começa a receber a visita de um teixo monstruoso e gigantesco que se levanta da terra e vao ai seu encontro exatamente às 00:07hs.
Mas Conor não teve medo do monstro, e inclusive o enfrentava com toda a sua coragem. O que o monstro queria era lhe contar três histórias em troca de Conor lhe contar uma quarta história verdadeira, mas, o garoto não quer aceitar uma verdade que o fará lidar com o pior problema que está enfrentando...

Narrado em terceira pessoa, o leitor acompanha o dia-a-dia de Conor, seja em casa fazendo suas tarefas e cuidando da mãe, seja na escola se metendo em problemas, ou seja no meio da noite quando ele recebe a visita do Teixo. Com o desenrolar dos acontecimentos vamos percebendo o quanto Conor é um garoto inseguro, por mais que ele demonstre ser cheio de coragem, e o quanto ele teme perder a pessoa que ele mais ama nesse mundo a ponto de se negar a encarar os dolorosos fatos.
Embora Conor seja uma criança, ele sabe se virar sozinho já que a mãe constantemente é incapaz de realizar atividades simples por estar tão debilitada, e diante de todos os problemas que o garoto enfrenta, o monstro é a única figura amigável com quem ele pode contar, e não importa que suas histórias sejam trágicas.

As histórias que o monstro conta são metáforas muito sutis e sempre trazem alguma mensagem relacionada à perda da qual ninguém está realmente preparado e que, querendo ou não, é algo que faz parte da vida de todos nós.
A primeira história tem elementos de contos de fadas com um toque de crueldade no que diz respeito à humanidade quando objetivos precisam ser alcançados, não importa que meios sejam utilizados para se chegar ao fim.
A segunda história é um contraste do que significa alguém que se diz firme na fé mas no fundo não acredita realmente no que prega, o que eleva consideravelmente o conceito da hipocrisia e até explica o motivo das coisas nem sempre darem certo pra essas pessoas.
A terceira história já retrata um homem cansado de sua condição de ser "invisível", e está diretamente relacionada com a vida de Conor.

De forma geral, é como se o monstro fosse aquele empurrão que Conor precisava para ter certos tipos de atitude das quais, normalmente, ele não teria. Eu gostei muito da construção dele, pois ele se mostra uma criatura imponente, cheio de poder e que intimida, mas ao mesmo tempo é benevolente e age muito mais com a razão do que com a emoção.
"... Sua mente vai acreditar em mentiras agradáveis e ao mesmo tempo vai reconhecer as verdades dolorosas que tornam essas mentiras necessárias. E sua mente vai puní-lo por acreditar nas duas coisas."

"- Você não escreve sua vida com palavras - explicou o monstro. - Você escreve com ações. O que você pensa não é tão importante. Só é importante o que você faz."
- Pág. 149
A capa do livro é a mesma do filme, a diagramação é simples, os capítulos são curtinhos e possuem títulos que descrevem resumidamente o que vem a seguir. As falas do monstro são apresentadas em italico mas não gostei muito da fonte utilizada alí por considerar que ela é meio floreada com algumas letras pouco legíveis.

A narrativa é muito fluída, direta e embora as poucas páginas foram mais do que suficientes para contar uma história melancólica, delicada e que emociona com uma mensagem de esperança e de amor muito bonita. Amar também significa deixar partir... Às vezes só dizer a verdade não basta, por mais que libertador que isso possa parecer... É necessário aceitá-la, mesmo que essa verdade nos machuque.

Órfão X - Gregg Hurwitz

20 de janeiro de 2017

Título: Órfão X
Autor: Gregg Hurwitz
Editora: Planeta de Livros
Gênero: Sci-Fi/Ação
Ano: 2016
Páginas: 336
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Quando garoto, Evan Smoak foi recrutado no orfanato onde vivia para fazer parte de um programa americano ultrassecreto. Rebatizado de Órfão X, ele foi treinado para ser um exímio assassino e enviado aos piores lugares do mundo para missões que ninguém mais conseguia executar. Depois de longos anos de atividade, Evan deixa o programa e usa as habilidades de agente secreto para “desaparecer” e viver para um único propósito, agora sob o codinome de “Homem de lugar nenhum”: salvar e proteger pessoas pobres e indefesas como ele havia sido. No entanto, seu passado de matador sangrento passará a assombrá-lo e também a seus protegidos. Alguém tão bem treinado quanto ele – talvez um ex-colega de programa?– está na sua cola, para tentar eliminá-lo.

Resenha: Órfão X conta a história de Evan, um homem que foi treinado para ser um espião. Ele, que está acostumado a muitas identidades e metamorfoses, vive uma vida clandestina, mas com muitos luxos. Depois de decidir pelo anonimato para ajudar pessoas comuns, ele descobre estar sendo perseguido e um inimigo poderoso tentará eliminá-lo a todo custo.

O enredo criado por Gregg Hurwitz é muito semelhante a um filme de ação: cenas dinâmicas, diretas e uma narrativa recheada de descrições de lutas e tensão. O personagem principal, o assassino de aluguel, tem sua história contada em capítulos alternados entre o passado, quando se tornou um membro do programa Órfão, e o presente, onde abandonou isso para ajudar aos outros. Após salvar Morena, uma jovem latina que estava enrascada num problema, o homem passa seu número de telefone a ela e a instrui a passar o contato a alguém que necessite de algum tipo de socorro. Deste modo, Evan passa a ajudar uma outra pessoa, e essa nova missão faz com que, além de proteger, ele precise fugir também.

Há uma breve explicação sobre as origens de Evan, mas não é tão aprofundado, já que o foco está na ação e nas situações vividas pelo protagonista em busca de justiça. Um romance pequeno surge como uma pequena chama que se acende e apaga rapidamente. É notável que o enlace de Evan com uma personagem feminina foi necessário para dar um toque diferente ao conjunto, já que o envolvimento cativa e serve como gancho para mais ação.

Órfão X é o que podemos considerar um bom roteiro para um filme. Diferente de alguns livros, que usam a ação misturada ao romance, aqui temos em pouco mais de trezentas páginas muito mais ação e menos amor. Em alguns aspectos a história se mostra meio rasa, pois o protagonista teve seu passado mostrado de forma nebulosa, e no presente ele ainda é um enigma. O conteúdo do livro tem um foco maior na ação do que descrever minimamente a personalidade do espião. Vale lembrar que este livro é o primeiro volume de uma trilogia que tem previsão de lançamento ainda para o primeiro trimestre de 2017 no exterior.


Nerve - Jeanne Ryan

19 de janeiro de 2017

Título: Nerve
Autora: Jeanne Ryan
Editora: Planeta de Livros
Gênero: Suspense/Thriller
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota:★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Você já se sentiu desafiado a fazer algo que, mesmo sabendo que pode se arrepender depois, acaba levando em frente? A heroína deste livro também. Vee cansou de ser só mais uma garota no colégio, e quer deixar os bastidores da vida para assumir seu merecido posto sob os holofotes. E o jogo online Nerve, febre nacional transmitida ao vivo, pode ser o início dessa trajetória de sucesso. Basta que ela clique no botão “Jogador” em vez de “Espectador” para entrar na disputa, que propõe, a cada etapa, um desafio novo. A adolescente acaba formando uma dupla imbatível com Ian, um garoto desconhecido com quem trava contato ao se inscrever em Nerve. Juntos, vão galgando posições no jogo. Mas, conforme os dois avançam na disputa, os desafios ficam cada vez mais complexos... e perigosos.

Resenha: Nerve, da autora Jeanne Ryan e publicado pelo selo Outro Planeta da Editora Planeta de Livros é um suspense juvenil protagonizado por Vee, uma garota sem atrativos que além de estar nos bastidores do teatro da escola, ainda vive às sombras da popularidade da melhor amiga e estrela da peça, Sydney. Cansada de não ser reconhecida, Vee resolve tomar uma atitude e tudo muda quando ela decide participar do Nerve, um jogo super popular exibido em forma de vídeo na internet para que as pessoas acompanhem cada passo dos jogadores. Nerve é um tipo de reality show em que os participantes devem cumprir alguns desafios que lhes são propostos ao vivo, e em caso de sucesso os jogadores são recompensados.
Ao cumprir um dos desafios, o video de Vee se torna um sucesso e ela vira o centro das atenções. Ela acaba ganhando oportunidades para desafios cujos prêmios seriam ainda maiores e se junta a Ian, um jogador de Nerve. Juntos eles vão conquistando seguidores, avançando nas tarefas, sendo levados a lugares mais distantes e tendo que cumprir tarefas mais perigosas, algumas até ilegais, e a ideia de que Nerve é apenas um jogo onde os participantes são filmados e os vídeos são postados na internet lhes dão a impressão de que tudo é seguro e que nada daquilo é, de fato, real. Mas o que eles não esperavam era que o jogo se transformasse numa corrida por suas vidas.

Confesso que por mais que a premissa seja interessante e tenha despertado meu interesse, senti que a história não foi tão bem desenvolvida a ponto de eu me empolgar. O livro tem alguns clichês, mas o problema não está aí. Vee é uma adolescente deslumbrada com a atenção que recebeu com o jogo e que, assim como muitos que ganham fama na internet, não tem a menor noção do que fazer com esse "status". Ela inclusive parece estar perdida, não tem atitude, e seus pensamentos parecem estar voltados aos crushes do que no perigo propriamente dito. Como o livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista dela, isso ainda fica mais evidente e é, no mínimo, irritante.
Através de Vee e da situação em que ela se encontra a autora traz questionamentos dignos de reflexão, de que Nerve é um jogo que poderia muito bem fazer parte da nossa realidade levando em consideração como as pessoas são dependentes de redes sociais, como buscam por popularidade, views, curtidas e afins a qualquer custo, mesmo que se comportem como completos idiotas, e tudo isso sem pensarem que com a possível fama, há consequências, muitas vezes irreversíveis. E isso sem contar com o fato de que há o outro lado da história, onde muitos se sentem protegidos e cheios de coragem por estarem "anôminos", e, às vezes, por serem sádicos o bastante, ainda pagam fortunas só pra observar ou invadir a vida e a privacidade alheia como forma de satisfação. Mas, ainda assim, no final das contas, pelo menos pelo ponto de vista de Vee, fiquei com a sensação de que ela não se toca e demora mais do que deveria para agir, mesmo que por impulso.

Os personagens também não são exemplos de simpatia e talvez a falta de aprofundamento sobre suas vidas ou a abordagem vaga ou fútil que todos eles tiveram de forma geral pode ter sido responsável por isso. Por não me apegar a nenhum dos personagens, por mais que ele se encontre num momento de tensão ou perigo, eu simplesmente não me importava, e, talvez, se eu tivesse mais informações sobre eles, e de preferência que não fossem aleatórias para que fizessem sentido, algumas de suas escolhas poderiam ser justificadas e compreendidas, mas não.

Apesar de alguns pontos negativos, posso dizer que a crítica social que o livro faz a essa fama repentina quando um video (ou qualquer publicação) se torna viral, assim como a falta de limites e os perigos da exposição nas redes, fazem de Nerve um livro muito bom e que vale a leitura. Além da reflexão, ele aborda um tema atual e ao mesmo tempo perturbador, que leva o leitor a uma viagem recheada de adrenalina, suspense e ação.

Novidades de Janeiro - Leya

18 de janeiro de 2017

O Enigma de Blackthorn - Christopher Rowe #1 - Kevin Sands

Após uma série de assassinatos, um aprendiz de boticário precisa solucionar enigmas e decifrar códigos na busca por um segredo que pode destruir o mundo.
Poções, quebra-cabeças e uma ou outra explosão. Tudo isso pode acontecer em um dia normal de trabalho do jovem Christopher Rowe, aprendiz de boticário. Mas o que ele não sabe, e logo vai perceber, é que este é um péssimo momento para ser assistente de Benedict Blackthorn. Uma série de assassinatos abala Londres, e Christopher está na mira. Seus únicos aliados são seus melhores amigos. Suas únicas pistas são uma mensagem codificada sobre o projeto mais perigoso de seu mestre, e um aviso criptografado: “Não conte a ninguém!”. Agora, resta a ele desvendar o código e descobrir o segredo que pode destruir a humanidade. Ou se tornar a próxima vítima.
Uma história que faz perder o fôlego, repleta de suspense, mistério, e personagens inesquecíveis.

Às na Manga - Wild Cards #6 - George R. R. Martin

Os super-heróis mais poderosos e os vilões mais bizarros estão de volta nos novos volumes da saga de ficção científica de George R.R. Martin.
Mesmo que um dia Games Of Thrones acabe, ninguém ficará órfão das tramas do gigante George Martin. Os direitos de adaptação de Wild Cards para a televisão foram comprados e as filmagens devem começar ainda em 2017!
Em Atlanta, começam as preparações para a disputa eleitoral. De um lado, o carismático Gregg Hartmann, candidato liberal que representa o interesse os curingas, do outro, o conservador Reverendo Barnett, com sua política de mais segregação e opressão. Quase quarenta anos depois, a população ainda enfrenta as consequências da devastação que o vírus alienígena causou. Os curingas continuam vivendo à margem da sociedade, e apenas com a possível candidatura de Hartmann há uma promessa de que essa realidade comece a mudar. O que poucos sabem é que Hartmann não é o bom moço que parece. Por trás de todo o seu engajamento político e da assistência que presta aos curingas, ele utiliza certas artimanhas nada honrosas para se aproveitar da vulnerabilidade deles e, assim, alavancar sua carreira.
Em meio a uma trama política que envolve jogos de poder e interesse, ases e curingas disputam o controle da nação, que tenta a todo custo se reconstruir e superar a herança de separação e sofrimento que o vírus carta selvagem instaurou na sociedade americana.
Editado e coescrito por George R.R. Martin, a série “Wild Cards” nos apresenta um planeta Terra com sua história completamente alterada pela chegada de um vírus alienígena que deu superpoderes a quem sobreviveu a seus efeitos. Como o homem reagiria a esses poderes? Como se daria a política americana com essas pessoas entrando em equação? Como as obsessões e paranoias da população seriam afetadas? Cruelmente real e adequada ao momento histórico atual, essa é a história de super-heróis que as revistas em quadrinhos não contam.

A Mão do Homem Morto - Wild Cards #7 - George R. R. Martin

Os super-heróis mais poderosos e os vilões mais bizarros estão de volta nos novos volumes da saga de ficção científica de George R.R. Martin.
Mesmo que um dia Games Of Thrones acabe, ninguém ficará órfão das tramas do gigante George Martin. Os direitos de adaptação de Wild Cards para a televisão foram comprados e as filmagens devem começar ainda em 2017!
Uma notória curinga conhecida como Chrysalis foi morta. Um detetive particular e um policial de Nova York saem em busca do assassino. A saga que conta a história de um mundo profundamente transformado pelo impacto do vírus Carta Selvagem continua, agora com toques de mistério e romance policial, além da ação que já a caracterizava.
Editado e coescrito por George R.R. Martin, a série “Wild Cards” nos apresenta um planeta Terra com sua história completamente alterada pela chegada de um vírus alienígena que deu superpoderes a quem sobreviveu a seus efeitos. Como o homem reagiria a esses poderes? Como se daria a política americana com essas pessoas entrando em equação? Como as obsessões e paranoias da população seriam afetadas? Cruelmente real e adequada ao momento histórico atual, essa é a história de super-heróis que as revistas em quadrinhos não contam.

Mulheres Perigosas - George R. R. Martin

George R. R. Martin apresenta as mulheres mais perigosas dos livros de fantasia.
No ano em que o filme Rogue One chega às telas com uma heroína que reina absoluta, forte e autônoma, você vai conhecer as mulheres mais perigosas da literatura de fantasia mundial. Editada por George R. R. Martin, esta antologia traz 21 histórias inéditas sobre magia, ciúme, ambição, traição e rebeldia para Joana D’Arc nenhuma botar defeito. Esqueça o estereótipo de mulheres vítimas e heróis másculos enfrentando sozinhos qualquer perigo. Aqui você irá encontrar mulheres guerreiras, intrépidas pilotas, destemidas astronautas, perversas assassinas, heroínas formidáveis, sedutoras incorrigíveis e muito mais.
Assinado por monstros da ficção científica e fantástica como Brandon Sanderson, (“Mistborn”), Megan Lindholm (“A Saga do Assassino”, sob o pseudônimo Robin Hobb), Melinda M. Snodgrass, Caroline Spector (“Wild Cards”) e novos nomes da literatura jovem como Megan Abbott (A febre) e Diana Gabaldon (“Outlander”), o volume conta ainda com uma novela do próprio Martin sobre A dança dos dragões, a guerra civil que assolou Westeros dois séculos antes dos acontecimentos de A guerra dos tronos.
Mulheres perigosas é um livro simplesmente imperdível, daqueles que você não consegue parar de ler. Prepare-se para todo o tipo de perigo e para perder o fôlego com essas mulheres mais que poderosas.

Novidades de Janeiro - Galera Record

Busca e Destruição - The Walking Dead #7 - Jay Bonansinga

Lilly Caul e seu bando acreditaram que a paz estava mais próxima. Uma velha ferrovia que ligava Woodbury e Atlanta permitiu um projeto de reconstrução que acarretaria uma nova era de trocas, progresso e democracia. Isso até a cidade ser mais uma vez atacada e todas as crianças raptadas. Quem seria capaz submeter inocentes a tal violência gratuita, e por quê? As respostas para tais perguntas vão revelar que os mortos-vivos não são o maior problema do mundo pós-apocalipse. O maior dos desafios sempre repousa em seus adversários humanos...

A Festa dos Sonhos - Era Outra Vez #4 - Sarah Mlynowski

O quarto volume da série que mistura contos de fadas e problemas modernos para ensinar às crianças a lidar com várias situações do dia a dia.
Tudo o que Abby queria era passar uma noite tranquila e divertida comendo brigadeiros e trocando segredinhos com a melhor amiga, Robin. Tudo o que Abby não queria era ser sugada novamente para dentro de um conto de fadas, ainda por cima vestindo um pijama.
Tudo o que a Bela Adormecida queria era dormir por cem anos, acordar e conhecer seu príncipe encantado. Tudo o que a Bela Adormecida não queria era descobrir que a amiga sonâmbula de Abby tomou seu lugar e chegou antes na roca enfeitiçada.
E Jonah, bem, tudo o que ele queria era um cachorrinho fofo e um crocodilo que luta caratê (irmãos mais novos são tão bobos!). Mas nem nos contos de fadas as coisas acontecem como o desejado. E sobrou para Abby salvar o dia mais uma vez!

Diários do Vampiro: O Despertar - Diários do Vampiro #1 - L. J. Smith (Ed. de luxo)

Edição de luxo, em capa dura do primeiro volume da saga de L. J. Smith deu origem à série de televisão Vampire Diaries.
Em Despertar, um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem, que conquistou uma enorme legião de leitores. Elena: a garota que pode conquistar o que quiser. Stefan: soturno e misterioso, ele terá de lutar para proteger Elena dos horrores que assombram seu passado. Damon: sexy, perigoso e guiado por um ódio cego, tudo que ele quer é se vingar de Stefan, o irmão que o traiu.

Novidades de Janeiro - Universo dos Livros

Deep - Stage Dive #4 - Kylie Scott

A série mais sexy dos últimos tempos chega ao final... Positivo. Com aquelas duas linhas do teste de gravidez, tudo na vida de Lizzy Rollins, uma simples estudante de Psicologia, estava prestes a mudar para sempre. E tudo por causa de um grande erro em Las Vegas, cometido com Ben Nicholson, o irresistível baixista da banda Stage Dive. E daí que Ben é o único homem que fez Lizzy se sentir completamente segura, adorada e descontrolada de desejo ao mesmo tempo? A universitária sabe que o lindo astro do rock não quer nada além de um pouco de diversão, ainda que ela mesma busque justamente o contrário. Por outro lado, Ben sabe que Lizzy está em zona proibida. Totalmente. Ela é a nova cunhadinha do seu melhor amigo, e pouco importa o quanto a química entre ambos seja fenomenal, não importa o quão sexy e doce ela seja: o baixista não vai tomar nenhuma atitude. No entanto, quando Ben precisa mantê-la longe de problemas na Cidade dos Pecados, ele rapidamente descobre que o que acontece em Vegas nem sempre fica em Vegas. A partir daquele momento,Ben e Lizzy estarão ligados do modo mais profundo que existe... mas será que isso os fará ligar seus corações?

A sabedoria de Tyrion Lannister - Lambert Oaks

Tyrion Lannister é um dos personagens mais emblemáticos e queridos pelos fãs de Game of Thrones. Uma das figuras mais inteligentes e menos conformistas da saga, e talvez por isso mesmo o personagem favorito de George R. R. Martin. Sua eloquência e agilidade mental compensam em muito sua baixa estatura.
Tyrion Lannister não se contém na hora de dizer o que pensa ou fazer o que lhe apetece, e enfrenta quem for necessário sem desanimar nem retroceder. A fim de inspirar os inúmeros apreciadores da série – e em particular os fãs do amado personagem –, esse livro visa trazer a sabedoria de Tyrion para o nosso cotidiano.
A sabedoria de Tyrion Lannister, que serve como um manual para a vida, é estruturado em 55 máximas de Tyrion Lannister e 46 de outros personagens de Game of Thrones. Com este livro, é possível aprender onde estão nossos potenciais e aproveitar nossas fraquezas para superar os desafios, assim como passar à ofensiva antes que seja tarde demais e nos orientar na busca pela felicidade em meio ao tédio cotidiano.

Nujeen - Nujeen Mustafa e Christina Lamb

A emocionante jornada de uma garota que fugiu da guerra na Síria em uma cadeira de rodas e se tornou inspiração para milhares de pessoas em meio a uma tragédia humanitária.
Escrito pela mesma coautora de “Eu sou Malala”.
Christina Lamb, premiada jornalista e coautora do best-seller Eu sou Malala, agora conta a história inspiradora de outra notável jovem heroína: Nujeen Mustafa. A angustiante jornada de Nujeen para fugir da Síria devastada pela guerra até chegar à Alemanha é uma história empolgante de força, coragem e esperança que dá um rosto para a grande questão humanitária do nosso tempo: a crise dos refugiados sírios.
Para milhões de pessoas ao redor do mundo, essa adolescente de dezessete anos personifica o melhor do espírito humano. Com a locomoção limitada à cadeira de rodas devido à paralisia cerebral e sem poder frequentar a escola na Síria por causa de sua doença, Nujeen aprendeu inglês sozinha, assistindo a novelas americanas na TV. Quando sua pequena cidade se transformou no epicentro do combate brutal entre os militantes do Estado Islâmico e os soldados curdos apoiados pelos EUA, em 2014, ela e sua família foram obrigados a fugir.
Apesar de suas limitações físicas, Nujeen iniciou a árdua jornada rumo à segurança e a uma nova vida. A exaustiva odisseia de dezesseis meses incluiu viagens de ônibus e travessias em botes, através da Turquia e do Mar Mediterrâneo até a Grécia, através da Macedônia até a Sérvia e a Hungria e, finalmente, até a Alemanha. Ainda assim, apesar de todas as dificuldades físicas, o extraordinário otimismo de Nujeen jamais esmoreceu. Ela manteve a cabeça erguida, recusando-se a ceder ao desespero ou a enxergar a si mesma como uma vítima passiva. “Você precisa lutar para conseguir o que deseja neste mundo”, disse a um repórter da BBC.
A positividade e a coragem de Nujeen permeiam esta história inesquecível de uma jovem determinada a encontrar uma vida melhor para si mesma. Este é um livro de memórias poderoso e único, que retrata a crise dos refugiados sírios, ajudando-nos a entender que o mundo precisa mudar, ao mesmo tempo em que nos oferece a inspiração para transformar essa mudança em realidade.

Madre Teresa - Madre Teresa de Calcutá

Emocione-se com o testemunho inabalável de esperança e fé de Madre Teresa de Calcutá. Por meio de suas próprias palavras, celebre a vida e a obra de uma das maiores figuras humanitárias do nosso tempo. Canonizada em 2016 pelo Papa Francisco e ganhadora do prêmio Nobel da Paz em 1979, Madre Teresa é uma das líderes espirituais mais conhecidas e mais amadas do mundo. Ela inspirou milhões de pessoas com seu extraordinário exemplo de trabalho altruísta e repleto de compaixão pelos pobres, doentes e excluídos. Até sua morte, em 1997, ela foi uma voz firme de amor e fé, proporcionando orientação e bondade imensuráveis para os “mais pobres dos pobres”, feito conseguido com a ajuda de suas Missionárias da Caridade. Madre Teresa: Amor maior não há apresenta a sabedoria essencial de Madre Teresa — uma compilação de seus ensinamentos mais inspiradores e acessíveis nunca antes publicados. Esta obra apresenta o pensamento de Madre Teresa sobre o amor, a doação, a prestação de serviços, o perdão e muito mais. O livro traz ainda uma biografia e uma conversa reveladora com Madre Teresa a respeito das alegrias e desafios específicos presentes em seu trabalho com os pobres e necessitados. Publicada para celebrar sua canonização em 2016, esta edição inclui também a homilia proferida pelo Papa João Paulo II na missa de sua beatificação em 2003, e a homilia do Papa Francisco na missa de canonização em 2016.
Sobre a autora: Madre Teresa de Calcutá foi uma religiosa católica de origem libanesa que dedicou a vida ao próximo. Fundou a congregação Missionárias da Caridade, em 1950, e recebeu diversos prêmios em decorrência desse trabalho, como o Nobel da Paz em 1979 e a Medalha Presidencial da Liberdade em 1985. Em 2003, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e, em 2016, canonizada pelo Papa Francisco.


O Amor nos Tempos do Ouro - Marina Carvalho

Título: O Amor nos Tempos do Ouro - O Amor nos Tempos do Ouro #1
Autora: Marina Carvalho
Editora: Globo Alt
Gênero: Romance de época
Ano: 2016
Páginas: 328
Nota:★★★★☆
Sinopse: Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino.

Resenha: O Amor nos Tempos do Ouro é um romance de época maravilhoso escrito por Marina Carvalho e publicado pela Editora Globo Alt.
A história é ambientada no Brasil Colonial, uma época difícil e complicada onde as mulheres não tinham voz e os negros nem eram considerados gente. O desrespeito e a desumanização eram evidentes e, mesmo que sejam elementos delicados e difíceis de lidar, a trama foi muito bem conduzida pela autora.

Começamos com Cécile escrevendo uma carta para os pais. Eles e seus irmãos morreram num trágico acidente deixando a menina sozinha. Precisando de um tutor, ela embarca em um navio rumo ao Brasil, onde seu único parente vivo mora. Ele, vendo uma oportunidade de aumentar sua riqueza, negocia o casamento da sobrinha com um fazendeiro velho, oportunista, "temente a Deus" e muito, muito ruim.
Ele mora no Rio de Janeiro e o noivo de Cécile em Minas Gerais. Uma viagem de duas semanas a espera até que Fernão entra em cena, um "bronco" nascido em Portugal que veio para o Brasil na infância. Seus pais faleceram há muito tempo, e o rapaz acabou crescendo sozinho, como dava. Se tornou meio rude e sobreviveu fazendo serviços não muito escusos para vários homens poderosos. Logo, sua reputação era de um homem perigoso.

Foi solicitado que ele fosse buscar Cécile. Era só um trabalho, e aquela dama oportunista que só queria dar o golpe do baú no velho não passava de mercadoria que ele buscaria e entregaria nas mesmas condições que recebeu. A viagem, dentro do possível, transcorreu tranquila, seja a cavalo ou a pé pela mata nativa brasileira.
Fernão começa a imaginar que estava pensando errado da francesa quando viu a maneira carinhosa que ela tratava a todos ao seu redor, inclusive os escravos que estavam viajando com eles. Ela não distinguia os brancos dos negros, para ela todos são seres humanos que devem ser tratados com respeito. Uma amizade meio às avessas começa a surgir, ele já não pensa tão mal dela, e ela já não o acha tão rude. Bem, acha rude mas agora começa a perceber que o cara é lindo... E tinha que ser, né!
Mas como o destino não está sendo nada generoso com Cécile, ela chega à fazenda e conhece seu futuro marido, mas olhaaaa, que homem viu....fiquei com pena dela nas mãos dele. O tal velho é realmente mau, daqueles que fazem as piores coisas e justificam em nome de Deus, maltrata todos a sua volta, inclusive sua futura esposa.

Enfim, o nome do livro é O Amor nos Tempos do Ouro, claro que uma menina de dezenove anos não vai encontrar o amor nos braços de um homem de idade tão avançada, que não gosta de ninguém e maltrata todo mundo, né? Imaginem se o grande amor da vida dela não deveria ser, justamente, o homem que a entregou para o seu noivo? Pois é! A luta deles para poderem ficar juntos e da maneira certa é tão intensa, tem tantas dificuldades como já deveria ter imaginado que seria, e tem pontos tão bonitos, assim como outros tão difíceis, que me surpreenderam.

Mas é claro que eu não vou contar mais nada porque as surpresas que as páginas trazem merecem ser lidas sem saber com antecedência. Um quê de Escrava Isaura estava sempre presente na leitura. Não que a autora tenha copiado ou sequer se baseado na estória de Bernardo Guimarães, não pensem isso porque não é o caso, penso que foi o contexto, a época, e o jeito intrépido de Cécile que me fez lembrar da obra.

Durante a leitura, que aliás fluiu de maneira tão gostosa como a muito não acontecia, não encontrei erros, nenhum. A linguagem formal usada foi algo que eu estranhei bastante pois não costumo ler obras desse gênero, mas fui pesquisar e vi que cabe perfeitamente bem à época tratada. Enfim, uma leitura doce, cativante, fluída e extremamente romântica onde vê-se claramente o trabalho de pesquisa cheio de cuidados da autora.

Jantar Secreto - Raphael Montes

17 de janeiro de 2017

Título: Jantar Secreto
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Thriller/Suspense/Literatura nacional
Ano: 2016
Páginas: 360
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.

Resenha: Jantar Secreto, do mesmo autor de Dias Perfeitos, conta - com direito a muito sangue e canibalismo - a história de Dante, Miguel, Leitão e Hugo. Os amigos sempre tiveram o sonho de viver numa cidade grande e realizar sonhos, mas a vida não é um conto de fadas. Com frustrações que surgem aos poucos para cada um, vem o desânimo e a vontade de desistir. Um problema inesperado, que exige muito dinheiro para ser resolvido, coloca os jovens num beco sem saída. A solução mais fácil encontrada para levantar a grana é promover jantares de carne humana.

Raphael Montes, jovem autor que teve seu livro Dias Perfeitos traduzido e comercializado no exterior, dá mais um passo na carreira com Jantar Secreto. Classificado no gênero policial, a obra caminha mais para o lado do suspense psicológico do que uma trama investigativa. Aos fãs de investigação, que sempre buscam por um quebra-cabeça complexo para ser resolvido, saibam que a jornada de Dante e seus amigos é mais um drama psicológico recheado a muito sangue.

A narração é feita por Dante, numa espécie de diário, relatando como os fatos se sucederam até chegarem aos jantares secretos. A personalidade do rapaz é moldada a partir dos anseios e medos que um jovem de vinte e poucos anos tem, em uma cidade nova, frustrado com sua carreira profissional e sem uma boa visão do futuro. Em uma prosa simples e direta, o autor desenvolveu em Dante um personagem complexo que tem certa fragilidade. Ele é altos e baixos o tempo todo, e essa personalidade instável é garantia de reviravoltas a qualquer momento. O que faltou foi, com certeza. descobrir mais sobre os seus amigos. Como todos fazem parte de um grande esquema e se envolvem muito nisso, seria esperado ter um ponto de vista deles, mesmo que curto, para entender melhor cada um. Tudo que se sabe dos outros é o que Dante enxergava, mesmo que nem ele mesmo pudesse concluir muito a respeito. Miguel, por exemplo, seria de grande proveito se tivesse tido um espaço maior. Apenas Cora, com suas falas afiadas e humor mordaz, consegue se sobressair no grupo.

Muito da capacidade de desenvolver uma história que se torne dinâmica vem da narrativa, e Raphael Montes sabe como fazer isso. A forma de escrita é muito simples e concisa, com capítulos que passam rapidamente sob os olhos, com um texto polido. Entretanto, essa velocidade. às vezes, atropela um pouco o que poderia ter ganhado mais atenção. Aqui, voltamos ao ponto de que, apesar de ser classificado como policial, o livro passa longe disso. O protagonista é um jovem com problemas psicológicos e fica nítida sua fragilidade emocional. Ele, o Dante, é sim bem explorado em suas nuances. No mais, uma boa parte da história, logo após a metade, é inconclusiva demais. A motivação para o crime não é forte o suficiente, os acontecimentos se desenvolvem de maneira rasa e sem muita argumentação e num epilogo, que serve para dar um desfecho a um mistério um tanto que irrelevante, fica evidente que o autor precisa dar mais atenção em como terminar suas tramas. Inesperado, mas não surpreendente, a conclusão parece ter sido escrita às pressas e sem nenhuma preocupação com seguir o nível que todo o conjunto teve. A leitura é como andar de montanha-russa, e o final parece apenas algumas voltinhas num carrossel.

Jantar Secreto é um prato cheio de muito sangue num submundo do canibalismo ambientado na cidade maravilhosa. O talento do autor é evidente, e isso se mostra mais uma vez com esta obra. Exceto por alguns fatos e pelo final que é caricato demais (parecendo até uma cena de um filme de terror categoria B), a leitura é mais que indicada. Para quem gosta de muita tensão psicológica, vá fundo, mas cuidado: você irá se deparar com muito sangue e corpos mutilados.

Sorteio de Aniversário - 5 anos de LC!

16 de janeiro de 2017


No comecinho desse mês o blog fez cinco aninhos! Dá pra imaginar?! Parece que foi ontem que tive a ideia de criá-lo pra falar um pouquinho de uma das minhas maiores paixões: Livritchos!
E claro, eu quase ia deixar passar batido por falta de ânimo e tempo, mas achei que seria injusto com o pessoal que ainda acompanha o blog, né?
Então, em parceria com a Companhia das Letras, o blog vai sortear O Acordo e O Erro, de Ellen Kennedy, os dois livros (que super adorei) pra um único ganhador!
Não fica de fora, não!
Confira as regrinhas abaixo e preencha o formulário:
Termos e condições:
- Ter endereço de entrega em território nacional;
- Perfis fakes ou exclusivos pra promoções não serão aceitos. Caso constatado, o ganhador será desclassificado sem aviso prévio;
- Não nos responsabilizamos por danos ou extravios por parte dos correios, nem por um segundo envio em caso de devolução por erro nos dados informados ou entrega sem sucesso;
- Comentar as resenhas são entradas opcionais! Caso o comentário não seja pertinente ou seja reaproveitado de outro blog, o mesmo não será considerado como entrada válida e a mesma poderá ser removida e/ou o participante poderá ser desclassificado;
- Após o resultado o ganhador será comunicado por email (o mesmo do formulário). O prazo para responder com os dados é de até 48 horas, caso contrário um novo sorteio será realizado. Em caso de falta de resposta por parte do ganhador, o sorteio será refeito por no máximo 3 vezes. Caso ninguém responda em tempo hábil, o sorteio será cancelado;
- Caso o ganhador seja sorteado com uma entrada extra que não tenha sido cumprida, estes serão desclassificados e será feito novo sorteio;
- O envio do livro será feito em até 30 dias úteis pela Companhia das Letras após o recebimento dos dados do ganhador;

a Rafflecopter giveaway

Boa sorte!

Cicatrizes - K.A. Robinson

15 de janeiro de 2017

Título: Cicatrizes - Torn #1
Autora: K.A. Robinson
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Romance/New Adult
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★☆☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Foram poucos os relacionamentos de Chloe até a chegada à universidade. Ela escolheu ingressar na West Virginia e cursar Psicologia pela oportunidade de permanecer perto de Amber, a melhor amiga, e Logan, o fiel escudeiro e amigo desde os tempos de ensino médio. Chloe nunca teve uma boa convivência com a mãe, drogada e desequilibrada.
Mas justamente no primeiro dia de aula, o destino de Chloe começa a ser traçado em outra direção. É quando ela senta ao lado de um típico bad boy tatuado, piercings nos lábios e nas sobrancelhas. O coração bate mais forte, a respiração fica alterada, e a boca seca. Drake Allen é o motivo. Dono de um mustang e vocalista da banda Breaking the Hunger, o rapaz é bastante assediado pelas fãs e não se prende a ninguém.
Drake não resiste à troca de olhares com Chloe, quando se esbarram pela primeira vez na sala de aula. É o início de uma relação com muitos obstáculos, movida por desejo e paixão intensos. Mas Drake se declara num momento em que Chloe, desiludida, resolve ceder aos encantos de Logan, o melhor amigo, que há anos nutre um amor platônico, e que finalmente tem coragem de se declarar.
Seria válido trocar um amor seguro por um músico bad boy, ou mais cômodo manter a amizade disfarçada de namoro? De um lado, Logan, lindo, gentil e carinhoso. De outro, Drake, uma paixão rude e avassaladora. Mas por que será que os caminhos do coração indicam sempre as curvas mais tortuosas? Chloe decide então seguir em frente na busca pela felicidade, mas não contava que o passado voltaria a bater em sua porta. 

Resenha: Cicatrizes é o primeiro volume da trilogia Torn escrito pela autora K.A. Robinson e publicado no Brasil pelo selo Fábrica 231 da Editora Rocco.

Chloe é uma jovem que sempre teve problemas em casa com a mãe viciada em drogas e totalmente desequilibrada. Ingressar na faculdade seria uma forma de deixar esses problemas pra trás e ficar livre, ou pelo menos ela pensou que sim, e ela está bem satisfeita por ficar mais próxima da amiga, Amber, e de seu antigo e "fiel escudeiro", Logan que também estão na faculdade junto com ela.
Mas logo no primeiro dia de aula, Chloe se senta ao lado de Drake, o clássico bad boy cheio de piercings e tatuagens, vocalista de uma banda e super cobiçado pela mulherada. A atração é instantânea mas, segundo Chloe, seria impossível que Drake a notasse.
Desiludida, Chloe resolve dar uma chance a Logan, que sempre fora apaixonado por ela, mas com a aproximação, Drake, enfim resolve se declarar...
O que fazer diante dessa situação? Dar uma chance a Logan, tão amável e gentil, ou investir numa paixão avassaladora com o misterioso Drake? A ideia de Chloe é ser feliz, mas isso será um pouco complicado quando ela tiver que confrontar o passado outra vez...

A escrita da autora é bastante leve e envolvente, mas isso não significa que a história tenha me surpreendido de forma muito positiva... O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Chloe, e entendo em partes que isso seja um fator que não proporcione ao leitor tantas informações sobre os demais personagens quanto eu gostaria, afinal, é a protagonista descrevendo as coisas a partir do que vê e do que sente. Mas, a partir do que Chloe descreve, os personagens aparentemente são adoráveis, mas foram explorados com tanta superficialidade que se tornaram vazios, comose estivessem alí pra enfeitar.
Geralmente livros New Adult são clichês e apresentam personagens com algum trauma vivenciado no passado para que a história tenha a devida carga dramática, mas em Cicatrizes, esse fator não é aprofundado e acaba não ganhando a importância que deveria para fazer jus ao gênero. Não importa que o livro seja recheado de clichês, desde que eles sejam inseridos de uma forma convincente, que cative e que envolva, e isso não acontece aqui...
E como se isso já não fosse um problema considerável o suficiente, ainda temos o famoso - e terrível - triângulo amoroso. Confesso que já me deparei com alguns poucos livros abordando triângulos que, pela situação em si, convenceram e até me arrancaram lágrimas ou suspiros, mas o que dizer quando uma protagonista intragável e sem personalidade resolve se aventurar com dois caras sem saber o que quer? E não, se envolver com dois garotos não vai curar as cicatrizes de ninguém, muito pelo contrário, só vai causar mais dor de cabeça e trazer mais confusão pra vida dos envolvidos. O que parece é que o drama está alí por acaso e o foco da história fica sobre o triângulo e as experiências mais quentes vivenciadas pelos personagens, como se tudo se resumisse a isso.

O que posso, de fato, elogiar nessa obra é o trabalho gráfico. A capa é muito bonita, a fonte utilizada é bastante adequada e os detalhes em alto relevo dão um charme a mais ao livro, mas não se deixe enganar por ela, por favor... A escrita da autora é boa, e esse foi o único fator que me manteve lendo até o fim, mas ao fechar o livro, minha única reação foi revirar os olhos e pensar no tempo que perdi.

De forma geral, posso dizer que não faz mal uma autora utilizar de fórmulas tão batidas quanto essa para criar a própria história: garota linda que não enxerga atrativos em si mesma, melhor amigo apaixonado por ela, jovens quebrados que precisam recomeçar de alguma forma e encontram o que procuravam um no outro, até surgir mais alguém... Mas, a forma como a história foi desenvolvida, a falta de profundidade nos personagens, a total previsibilidade da trama e os incontáveis clichês fizeram de Cicatrizes uma grande decepção pra mim, infelizmente.

Cujo - Stephen King

14 de janeiro de 2017

Título: Cujo
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense
Ano: 2016
Páginas: 376
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.

Resenha: Cujo foi publicado originalmente em 1981 nos Estados Unidos e teve uma adaptação cinematográfica lançada em 1983. Na história, um São Bernardo dócil, que dá nome ao livro, é o protagonista. Essa amabilidade termina quando o cão é mordido por um morcego e contrai o vírus da raiva. Intercalando entre os pensamentos do cachorro e dilemas pessoais dos personagens, Cujo é uma trama cheia de tensão e com um enrendo muito original e diferente. A jornada do cachorro e seu dono Brett na pequena Castle Rock vale cada página lida.

A sinopse por si só já é peculiar o bastante para despertar a atenção do leitor: um cachorro raivoso que vira o terror de uma pequena cidade no Maine. Além desse curioso protagonista, Cujo traz ótimos personagens que complementam a trama com seus dilemas. Donna é uma dona de casa, mãe de um garoto de cinco anos, Tad, e vive com seu marido, Vic, num bairro de classe média. Charity, mãe de Brett, é casada com James, um homem carrancudo que não a trata com devido respeito. Essas duas famílias têm seus problemas e questão desenvolvidas de maneira exemplar por King ao longo da trama, uma vez que suas vidas se entrelaçam por causa de Cujo. Assim como em outros livros, Stephen cria em cada pessoa fictícia a personificação de alguém muito real. De um modo ou de outro, é fácil se identificar com a perspectiva de encarar certos problemas da vida do modo que os personagens fazem.

Esperar normalidade dos livros do autor é algo que não deve acontecer. Ele tem certas fórmulas ao construir uma história e isso é muito interessante. Há uma boa dosagem de suspense em Cujo, mas não o terror propriamente dito. A sinopse dá a ideia de que o cão colocará pânico em toda uma cidade, mas não é bem isso que acontece. O filme é muito caricato, enquanto obra literária consegue passar uma tensão enorme e os acontecimentos suscetivos dão um gás na trama, despertando a curiosidade para saber quem será a próxima vítima do São Bernardo. A narrativa tem o ponto de vista do cachorro, e a raiva traz a ele sentimentos muito conflituosos. É a partir daí que se cria toda expectativa para saber qual será o próximo passo dele.

Além de todos os pontos positivos e da excelência como King constrói tudo que escreve, há pequenas ressalvas quanto ao desenvolvimento e coerência de alguns fatos. Muito do que ocorre na trama parece "cômodo" demais, como se, por exemplo, a mocinha quebrasse o tornozelo ao correr do vilão. Apesar de toda a maestria do autor, isso é algo que incomoda. Ao terminar a leitura, resta a sensação de que alguns desfechos e acontecimentos poderiam ter sido diferentes de modo a tornar o livro mais crível.

Cujo tem uma história muito empolgante, com um final que surpreende e tem uma pequena moral. Os personagens são muito reais e seus dilemas são compreensíveis e podem se conectar a uma situação real da vida de cada leitor. O protagonista que dá nome ao livro, sem dúvidas, está entre um dos mais originais que se poderia ter em um livro. Excluindo alguns fatos que ficam inconcluídos ao fim da história e fogem um pouquinho do aceitável, Cujo é capaz de levar quem lê ao universo de Castle Rock sem sair de lá até descobrir o que o destino, ou melhor, Stephen King, reserva para o São Bernardo.