23 de janeiro de 2017

Louca Por Você - A.C. Meyer

Título: Louca Por Você - After Dark #1
Autora: A.C. Meyer
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance/Literatura Nacional
Ano: 2014
Páginas: 208
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Julie tem dois grandes sonhos: cantar profissionalmente e fazer com que Daniel a enxergue como mulher. Ele é o charmoso dono do badalado bar After Dark e se diz avesso a compromissos, sempre pronto para noitadas casuais. Em uma noite de muito movimento, o estabelecimento se vê sem um vocalista para dar continuidade à programação musical, e Julie é colocada por um dos sócios de Daniel à frente da banda para resolver o problema.
Mas a voz e a presença de palco da nova cantora encantam o público... e também o atraente garanhão. Descontrolado de ciúmes, Daniel está disposto a usar toda a sua autoridade para tirar Julie dos holofotes e dar uma chance ao seu verdadeiro amor. Ele só não contava com as investidas insistentes de Alan, o sexy guitarrista da banda, que resolveu fazer de tudo para conquistar o coração da nossa mocinha.
Será que o sonho de Julie finalmente vai se concretizar com Daniel ou seu verdadeiro príncipe encantado é o guitarrista sensual?

Resenha: Louca por Você, escrito pela autora brasileira A.C. Meyer, é o primeiro volume da série After Dark, publicada no Brasil pela Universo dos Livros.

Juliette Walsh, ou Julie, é uma mulher de vinte e oito anos que, aos quatorze, depois de ter perdido a família num acidente, foi acolhida e criada pela família vizinha que era muito amiga dos seus pais, os Stewart. Os filhos deles, Johanna e Daniel acabaram se tornando "irmãos" de Julie também. Jo já era sua melhor amiga, e Daniel é o garoto por quem ela era apaixonada desde pequena, mas depois do acidente e da mudança seria mais complicado que ele a enxergasse já que ele sempre cuidava dela e a protegia como uma irmã.
Com o passar dos anos, Julie, que sempre cantou muito bem, tinha o sonho de cantar profissionalmente, mas Daniel nunca permitiu que ela se apresentasse para evitar sua exposição. Só de imaginar que outros caras pudessem cobiçá-la ele já ficava maluco.
Daniel, agora com trinta e um anos, é dono do After Dark, um bar super badalado com atrações musicais. Porém, num certo dia, a banda que iria se apresentar tem um problema com o vocalista que abandona a banda na última hora, e Julie, que trabalhava lá como garçonete, o substitui para resolver o problema sem que Daniel soubesse, já que estava viajando a trabalho e não respondia mensagens nem atendia as ligações de seu sócio, Rafe.
Essa apresentação não resulta apenas em Julie ter atenção do público e fazer o maior sucesso como nova vocalista da banda, mas do próprio Daniel que, ao chegar de viagem e descobrir que ela salvou a noite se apresentando, fica louco da vida e se vê num dilema que mudaria sua vida, e a de Julie também...

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Julie e de Daniel de forma alternada e direcionada ao leitor, temos um romance recheado de clichês: a mocinha que acredita não ter atrativos (mas é gostososa) e ama o garotão desde a infância, mas este, mulherengo até não poder mais, a considera como uma irmã, até ela dar um up na aparência e demonstrar interesse - forjado - por outro cara...

Embora a fórmula seja bastante conhecida, quando há um bom desenvolvimento na trama de forma a torná-la interessante, os clichês não são o problema. O problema é quando nada parece fazer sentido, alguns elementos são forçados e não fariam diferença se existissem ou não, e as atitudes dos personagens não condizem com a realidade e com a idade que têm, ou simplesmente soam absurdas demais para que os nossos olhos não entrem num looping infinito, de tanto se revirarem.
E tudo isso pode ser encontrado aqui...

Os personagens já estão beirando os trinta anos mas se comportam como adolescentes que não sabem o que querem da vida e agem no impulso a cada decisão que precisam tomar. Ao final fiquei com a impressão de que li um monte de asneiras pra não chegar em lugar nenhum, como se a história não tivesse conteúdo o bastante ou um propósito relevante.
Também tive alguns problemas com o texto propriamente dito, que é superficial demais, incompleto e nem sempre consegue fazer com que o leitor visualize as cenas. A sexualidade que jorra dos personagens é exagerada e torna as cenas que deveriam ser mais calientes em algo ridículo e doentio, além de cafonas.

Logo que iniciei a leitura já fiquei ressabiada por Julie alegar que "se assusta" todas as noites com gemidos aleatórios vindos da casa vizinha, a casa de Daniel... Mas se os tais gemidos fazem parte da rotina, já que acontecem todas as noites desde sabe-se lá quanto tempo, ela já deveria estar acostumada em vez de se "assustar", não? Não estamos falando de assassinatos ou espiritões agourentos pra deixá-la tão assustada assim, a menos que ela tenha cinco anos de idade pra ser tão ingênua e inocente... Ela ainda acredita que deveria ser ela alí com Daniel e morre de inveja da "vadia" da vez, mas quem, em sã consciência, fica décadas a fio sofrendo iludida por um cara como ele, que está com uma mulher diferente a cada dia, enquanto ela está alí, encalhada como uma tiazona que cria mil gatos e ainda usando pijama do Bob Esponja? Eu, sinceramente, não entendi essa personagem e nem fui capaz de sentir empatia alguma por ela... Muito pelo contrário. As atitudes e os sentimentos dela são contraditórios, ela quer demonstrar ser forte e cheia de garra e coragem quando na verdade está longe disso... Idealizar que o homem de sua vida é um mulherengo de carteirinha ao mesmo tempo que sonha com um "príncipe encantado"? Bitch, please... E outra: trocar o pijama nerd por uma roupa sexy e encher a cara de maquiagem não transforma a personalidade de ninguém e nem é desculpa para um "amadurecimento". Ela só consegue ser infantil e digna de pena, além de se passar por ridícula, vide quote abaixo:
"Meus pais eram um casal irritantemente feliz: eu não acho que um dos dois sobreviveria à perda do outro.
Foi deles que herdei minha crença de que o amor deve mover nossas vidas e que um dia eu também encontrarei um príncipe encantado que me resgatará dos meus problemas, me levará para cavalgar ao pôr do sol e com quem serei feliz para sempre..."
- Pág. 12
Daniel consegue ser ainda pior. Há uma tentativa de explicar o motivo pra ele ser tão protetor e algumas passagens que induzem o leitor a acreditar que, por eles não serem irmãos de sangue, então tudo estaria liberado mais tarde... É tão tosco que nem vale o comentário, mas resumidamente, Daniel é um egoísta, machista e que só consegue pensar com a cabeça de baixo. E tudo é tratado como se fosse perfeitamente normal e bonito agir assim, inclusive pra Julie.

Não fica claro em que lugar a história se passa exatamente, mas pelos nomes estrangeiros penso que sejam americanos ou coisa do tipo. Logo não faz sentido querer "americanizar" uma história - escrita por uma autora nacional, diga-se de passagem - sem incluir a cultura (ou de parte dela, pelo menos) para que as coisas se tornem críveis ou, pelo menos, convincentes. Os diálogos, os termos e até os apelidos utilizados são todos extremamente abrasileirados e, pra mim, foi impossível associar esses personagens a outra nacionalidade.

E por fim, romantizar certos tipos de situações foi o cúmulo do absurdo. Ciúme exagerado, sentimento de posse e controle, assédio constante, complexo de inferioridade ou superioridade de mulher e homem respectivamente, argh... Como assim Daniel, que a vida inteira enxergava Julie como irmã, se interessa por ela quando a vê toda produzida e pronta pra arrasar no palco e começa a imaginar coisas e até partir pra cima dela como se a pobre fosse um objeto? Que sentimento "fraternal" mais doentio é esse?
O livro parece uma fanfic mal desenvolvida e mal escrita sem qualquer elemento que realmente esteja alí pra salvar alguma coisa. É tudo muito, mas muito ruim.

Enfim... Confesso estar meio saturada dessas histórias cujo propósito parece ser fazer o leitor perder a paciência e ter vontade de entrar no livro pra sacudir os personagens idiotas e nada mais. Estou super relutante em dar continuidade ao restante da série depois desse desgosto. Eu só fiquei com vontade de ler depois de julgar pela capa, que é bem bonita por sinal, e ter tido indicações boas (o que prova que gosto é uma coisa particular demais), mas só de pensar em me deparar com algo desse nível mais uma vez já entro numa depressão eterna... Não gostei e, sinto dizer, não recomendo.

PS.: After Dark (Peach Pit After Dark) não é o nome da danceteria que faz parte do cenário do seriado mais famoso dos anos 90, Beverly Hills 90210 (Barrados no Baile aqui no Brasil)?
Pra que originalidade, né?


Nenhum comentário

Postar um comentário