6 de janeiro de 2017

Na Telinha - Moana

Título: Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
Produção: Disney
Direção: John Musker e Ron Clements
Elenco: Auli'i Cravalho, Dwayne Johnson
Gênero: Animação/Fantasia/Aventura/Musical
Ano: 2016
Duração: 1h 47min
Classificação: Livre
Nota:
Sinopse: Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.

As animações que andam sendo lançadas ultimamente estão vindo com tudo quando o assunto é quebrar estereótipos de forma única e inovadora. A Disney anda surpreendendo cada vez mais, e com Moana não foi diferente.


A história é ambientada na Polinésia, a traz Moana Waialiki, filha do chefe da tribo Motunui, que foi escolhida pelo próprio oceano para atravessar os limites do recife e restaurar uma relíquia antiga, o coração da deusa Te Fiti, devolvendo a ordem e o equilíbrio à natureza afetada por uma maldição, para salvar seu povo da escuridão. Ela deve zarpar em sua canoa em busca de Maui, o lendário semideus metamorfo que a ajudaria nessa missão.
A partir desta premissa, vamos acompanhando as aventuras de Moana que, ao descobrir mais sobre seu ancestrais - e o que o futuro reserva, caso nada seja feito -, adentra o mar aberto para encontrar Maui e começar sua jornada.


Basicamente a trama não é lá muito complexa, não possui muitas mensagens sociais ou dignas de reflexões mais profundas (como foi feito em Zootopia, por exemplo). É até bem familiar se formos comparar com outras animações e analisar a protagonista no que diz respeito aos seus anseios e desejos. O diferencial de Moana para os demais desenhos animados envolvendo as famosas "princesas" é que não há uma figura masculina que possa representar qualquer tipo de relacionamento amoroso - e sequer há sugestões para isso. O único relacionamento abordado, e de forma até bem sucinta, é o da família, o quanto o pai de Moana quer protegê-la de qualquer perigo a ponto de querer impedí-la de seguir seu destino, e o quanto sua avó a incentiva e acredita que ela seja capaz de cumprir o que foi destinada a fazer. A preocupação de Moana é ser uma boa líder, é ajudar a tribo com soluções para os problemas, sempre de cabeça erguida, com coragem e determinação, mesmo sem saber se suas escolhas serão bem sucedidas, desde que ela ao menos tente (e se falhar, basta tentar outra vez). E mesmo que ela já tenha esse espírito de liderança, ela jamais age de forma que possa diminuir alguém, muito pelo contrário. Ela quer ajudar, mas também reconhece quando precisa de ajuda e não hesita se precisar pedir. Sua vontade de resgatar parte da cultura que foi perdida, a de explorar e descobrir novas terras, também faz parte de seus objetivos, principalmente porque é uma cultura que faz parte dela desde que ela se entende por gente.

Outro ponto muito interessante é que embora Moana recorra a Maui e aos poderes dele como forma de auxílio em sua jornada, é ela quem conduz a viagem, é ela quem toma as decisões, e por mais petulante e resistente que ele seja no início, no final fica claro que quem manda é ela, e não importa que ele seja imortal, forte, grandalhão (Dwayne Johnson quem o diga) e dotado de poderes metamorfos.


Maui tem um passado memorável como semideus e sua história é responsável por uma parte considerável da carga dramática da trama. Suas tatuagens se referem aos seus feitos e, literalmente, possuem vida a ponto de ser possível interagir com elas de uma forma dinâmica e original. Elas, assim como outros elementos, também estão alí pra contar e desenvolver os fatos do passado. Uma curiosidade sobre suas tatuagens é que as animações foram feitas em 2D e posteriormente combinadas ao 3D, e o resultado final ficou fantástico e super divertido. A ideia de um personagem como ele também quebra estereótipos, pois ele não tem nada de galã, muito pelo contrário. Maui é um troglodita com uma cabeleira desgrenhada, mas que ainda consegue despertar nossa simpatia podendo ser considerado um dos personagens mais originais dos desenhos animados.


Os personagens secundários sempre estão ao lado de Moana de alguma forma, seja sua avó que sempre está alí para mostrar que há coisas além do que ela imagina e a encorajando a superar suas inseguranças, o frango Heihei, que é o alivio cômico responsável por algumas risadas (mas ao meu ver foi dispensável), e até a própria água, que desde a infância de Moana está alí marcando presença, interagindo, ajudando a garota a sua maneira e ainda colaborando para que a história seja contada mesmo que não fale e nem participe de diálogos, o que não a impede de dar boas lições em quem precisa, e tudo isso através apenas de seus movimentos.


Os demais personagens colaboram para a construção da história, para mostrar como funciona a vida na ilha e a cultura do povo de forma geral, que é bastante rica, interessante e vai sendo revelada gradualmente ao longo do filme. E não digo isso apenas com relação à tribo, mas também às criaturas que a dupla encontra e enfrenta durante a jornada.

O visual da animação é maravilhoso. As ilhas paradisíacas da Oceania, o clima tropical, o contraste entre oceano, céu e vegetação e até os efeitos da água são de encher os olhos. Posso dizer que foi a animação mais perfeita que já assisti, visualmente falando. A parte musical também não fica atrás, pois além de ter um ritmo ótimo e que combina perfeitamente com o contexto, ainda possui letras inspiradoras e que também ajudam a contar a história, seja no idioma original da tribo ou em inglês.


No mais, Moana diverte, emociona e inspira, e é indicado para todas as idades, não só por trazer elementos que vão agradar a todo tipo de público, desde os mais cômicos, os mais emocionantes e até os mais sombrios, mas por conseguir representar perfeitamente uma das formas de empoderamento feminino através de uma "princesa" corajosa e determinada que foge do tradicional, que canta, encanta e brilha como poucas já fizeram na história das animações.

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