Aquela que é insubstituível

30 de novembro de 2017

O apego é uma coisa engraçada... Tem que diga que é uma doença, ou que é o oposto do amor, mas nesse mundo todo errado, cheio de maldades e de gente que não se pode confiar, me apegar a essa bola de pelos da cara preta foi algo inevitável, desde que bati os olhos nela pela primeira vez... Desde pequenininha ela já demonstrava ser especial, com a personalidade forte, temperamental e antissocial, e o que eu não esperava era que ela fizesse parte da minha vida como fez...

Ela foi aquela que me fez cortar metade da cortina porque ainda não tinha aprendido a fazer xixi na caixinha;
aquela que aprendeu a abrir portas fechadas pra entrar no quarto e dormir na cama agarradinha no meu pescoço;
aquela que me dava baratas de presente;
aquela que gostava de brincar com gominhas de cabelo;
aquela que esperava eu jogar balas Butter Toffees longe pra ela ir buscar;
aquela que tinha medo de ratos;
aquela que andava comigo dentro da bolsa no meio da rua sem tentar fugir;
aquela que miava na janela;
aquela que empatava o foda;
aquela que enquanto andava a banha gorda balançava;
aquela que, às vezes, gostava de ficar sozinha;
aquela que sempre gostava de dormir em cima de mim;
aquela que sabia que eu estava chegando em casa antes mesmo de abrir o portão;
aquela que achava ser a rainha da casa (e era mesmo);
aquela que fazia carinho na minha mão com a própria cabeça;
aquela que tinha antipatia de outros bichos;
aquela que mordia as crianças;
aquela que se sentava igual gente;
aquela que foi amada desde o primeiro até o último momento, e sempre será...


Doze anos é uma vida e só quem tem um filhinho de quatro patas sabe o tamanho desse amor. Por mais que a única certeza que a gente tenha na vida seja a morte, nunca vamos estar realmente prontos pra quando ela chegar... Eu sabia dos riscos, sabia que ela já era uma "senhora" gata, mas não estava preparada pro pior... Acho que ninguém nunca está...

Com a perda dela, eu senti que um pedacinho de mim também se foi.
Não tá sendo nada fácil lidar com a falta que ela faz aqui em casa. Sinto falta dela se aconchegando no meu colo, deitando em cima de mim, ronronando e me afofando, e segurar as lágrimas é uma coisa que não consigo fazer quando lembro dela, quando olho pras coisinhas dela ou pra porta toda arranhada que ela adorava afiar as unhas.



Nada vai substituir... a saudade vai ser eterna... mas o amor incondicional e sincero é um sentimento que vai permanecer... Amei demais, e vou amar pra sempre...


Caixa de Correio #69 - Novembro (nada doce)

Não tenho muito o que comentar sobre esse mês. Perder um filhinho de quatro patas dói demais e é difícil ficar animada com outras coisas quando o pensamento ainda está na dor causada por essa ausência...
Como é de costume, último dia do mês é dia de caixinha. Então bora dar uma espiada no que recebi:

A Faca Sutil - Philip Pullman

29 de novembro de 2017

Título: A Faca Sutil - Fronteiras do Universo #2
Autor: Philip Pullman
Editora: Suma de Letras
Gênero: Fantasia/Aventura/Juvenil
Ano: 2017
Páginas: 288
Nota:★★★★★
Sinopse: Perdida em um mundo novo, Lyra Belacqua encontra Will Parry — um fugitivo que logo se torna um aliado mais que necessário. Pois este novo mundo é povoado por Espectros sugadores de alma, e no céu as feiticeiras disputam espaço com anjos. Will procura pelo pai, um explorador desaparecido há anos, e Lyra busca a origem do Pó. No entanto, o que os dois encontram é um segredo mortal e uma arma de poder absoluto, capaz de decidir o resultado na guerra que se forma ao redor deles. O que nenhum dos dois suspeita é do quanto suas vidas, seus objetivos e seus destinos estão conectados... até que precisam se separar.

Resenha: A Faca Sutil é o segundo volume da trilogia Fronteiras do Universo, e dá continuidade às aventuras de Lyra e seu deamon, Pantalaimon.
A busca por respostas sobre o Pó fez com que a garota se perdesse em Cittàgazze, um mundo paralelo que serve de ponte para outros mundos, onde ela encontra Will Parry escondido. Will vive no nosso mundo, onde as pessoas não tem deamons e usufruem das tecnologias modernas que não existem na Oxford de Lyra, mas foi encontrado em Cittàgazze, uma cidade fantasma infestada de espectros e habitada por crianças. Will estava fugindo de alguns problemas envolvendo o desaparecimento de seu pai.
Seguindo as orientações do aletiômetro, Lyra e Will se unem para ajudarem um ao outro, e contam com os poderes da faca sutil, um artefato raro que permite que eles cortem passagens no ar, abrindo as fronteiras do universo, e transitarem entre os mundos em suas buscas por respostas. O que eles não sabiam era que seus destinos estavam conectados, principalmente devido ao misterioso Pó, mas as coisas começam a mudar quando uma guerra está por vir...

O autor, mais uma vez, aborda temas delicados e polêmicos com sutileza mas de forma lúdica, fazendo críticas sociais relevantes em meio a uma trama complexa, mas maravilhosamente bem construída. A ideia de ter crianças como protagonistas torna o enredo mais leve, em alguns pontos até inocente, mas é possível perceber com clareza, mesmo que nas entrelinhas, uma mensagem muito poderosa e verdadeira. Cada elemento é inserido de forma gradual e naturalmente, assim as coisas não ficam vagas e tem a devida profundidade para que sejam compreendidos - e apreciados.
Como segundo volume, A Faca Sutil é um intermediário que enriquece a história propondo novos desafios aos protagonistas, que enfrentam mais perigos e estão em meio a um grande mistério a ser desvendado.

Lyra é uma garotinha com um comportamento questionável em alguns momentos, mas por já conhecer sua natureza e as experiências que teve não foi algo tão impactante de se acompanhar. Pelo menos não pra mim.
A história de Will é bastante trágica e sofrida, a ponto do garoto carregar o peso que carrega no olhar, e mesmo que envolva algumas mortes, Lyra leva tudo com naturalidade e ainda vê vantagem em ter um "assassino" em sua companhia, como se a ideia de se adaptar às circunstâncias extremas pedisse medidas igualmente extremas e está tudo bem.
A vida obrigou Will a abrir mão de sua infância. Perder o pai e ter que cuidar sozinho da mãe fez com que ele amadurecesse rápido demais e ser dono da Faca Sutil não é algo que tenha trazido algum benefício a ele. Ele enxerga aquilo como mais problemas, mais um fardo pra sua vida, tanto que ele a usa para fugir e se esconder.

Embora as críticas sejam visíveis no primeiro livo, neste segundo elas vieram com uma intensidade maior no que diz respeito ao aspecto religioso e, talvez, os questionamentos sobre algumas "verdades" e reflexões levantadas podem soar ofensivas para alguns cristãos. Eu particularmente acho incrível que o autor toque nesses pontos usando a fantasia e a ficção como pano de fundo numa história onde os personagens batem de frente com a tirania e com um tipo de autoridade questionável, principalmente por acreditar em Deus, mas não seguir nenhuma religião propriamente dita por não concordar com a maioria das práticas impostas, e por abominar o fanatismo.

Em suma, A Faca Sutil é um livro recheado de aventuras, com muitas cenas de ação, personagens já conhecidos que tiveram suas histórias mais trabalhadas, e os novos desenvolvidos de forma bem satisfatória. Mas assim como envolvente, também pode tocar na ferida de quem tem suas crenças e ideologias próprias, logo não acredito que seja um livro pra qualquer pessoa. É preciso ler com a mente aberta, respeitando que as pessoas são diferentes e acreditam em coisas diferentes. Há uma linha tênue entre o bem e o mal, e entre seguir o caminho certo e o errado, as vezes fazer escolhas questionáveis devido à situação crítica e até desesperadora em que a pessoa se encontra não é algo que possa definir a essência de alguém...

Wishlist #14 - Funkos de Mulan

Mulan é meu clássico da Disney favorito. A animação foi baseada na lenda chinesa de Hua Mulan e conta a história de uma jovem guerreira que se une ao exército no lugar do pai e acaba se revelando um exemplo fantástico de coragem e determinação numa época onde as mulheres deviam servir e obedecer os homens lixos. E como não podia faltar o toque de fantasia clássico, ela recebe ajuda do mini-dragão Mushu, e seu grilinho da sorte, Gri-li.
Coisa mais linda esse trio! Espiem as versões em Funko:

A Melodia Feroz - Victoria Schwab

26 de novembro de 2017

Título: A Melodia Feroz - Monstros da Violência #1
Autora: Victoria Schwab
Editora: Seguinte
Gênero: Distopia/Fantasia/Young Adult
Ano: 2017
Páginas: 384
Nota:★★★★★
Sinopse: Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unir para conseguir sobreviver.

Resenha: Veracidade, ou Cidade V, é um lugar em trégua, dividido entre norte e sul, entre a família Harker e os Flynn, e onde cada ato de violência praticado por alguém gera um monstro... Os Malchais se alimentam de sangue, os Corsais de carne e osso, e o Sunais, que se alimentam da alma das pessoas e são capazes de roubá-las com uma simples nota musical...
O norte de Veracidade - a ordem -, está no controle de Callum Harker. Ele controla Malchais e Corsais, que se escondem na escuridão, e dá a ilusão de segurança para aqueles que pagam por ela, caso contrário, morrem pelas mãos daquelas criaturas que tanto temem.
Henry Flynn, ao sul - o caos -, protege as pessoas junto com os três Sunais que ele cria como filhos, e August é um deles. Ele é contra a violência, e não só quer proteger os inocentes, como também quer a paz.
Quando a trégua entre as família é ameaçada, August se disfarça de humano e é enviado ao norte numa missão de vigiar de perto a filha de Callum, Kate. Ela ficou fora de casa por anos e sempre tentava voltar aprontando alguma coisa de errado. Sua última tentativa foi incendiar a capela do colégio onde estudava e isso fez com que ela voltasse.
Quando Kate e August se conhecem, há uma ligação forte e diferente entre eles. Kate logo suspeita de que ele esconde algo pela forma como ele se comporta e sempre tenta se esquivar do que poderia entregar sua verdadeira identidade, mas após um evento em particular, percebe que August pode ser um grande aliado. E nesse cenário, onde violência gera violência, literalmente, e onde uma guerra está prestes a eclodir, eles embarcam juntos numa jornada cheia de perigos.

Narrado em terceira pessoa com pontos de vista alternados entre os protagonistas, a história é dividida em quatro partes, e vamos acompanhando uma trama onde a mitologia criada pela autora é algo bastante inovador e impressionante. O início tem um ritmo um pouco lento e cansativo, mas quando as coisas começam a acontecer é impossível largar o livro.
A história por trás da criação de cada monstro, assim como seus aspectos físicos, é super interessante. Cada tipo de monstro nasce de um tipo diferente de violência, desde as que não envolvem mortes, como é o caso dos Corsais, até aqueles que envolvem atentados terríveis que deixam várias vítimas, como é o caso dos Sunais. E estes, apesar de raros, são considerados os piores monstros já que nasciam da pior dor e sofrimento que alguém poderia sentir.
Embora seja um Sunai disfarçado de humano, August não gosta e nem aceita que ele seja um monstro de natureza tão sombria, e ele não quer o mal de ninguém, muito pelo contrário. Ele parece querer ser uma versão melhor de si mesmo, lutando contra suas crises existenciais. Ao lutar pelo que acredita com dedicação, ele mostra que é um dos maiores exemplos de força e lealdade, mesmo que em alguns momentos aparente ser frágil. Só aparente....
Kate é o oposto. O sonho de sua vida é ser tão cruel quanto seu pai e inicialmente ela demonstra ser não só imatura, como também muito cheia de vontades. Porém, essa implicância que tive com ela se perdeu quando maiores detalhes sobre ela foram sendo revelados, mostrando que, seus atos surgiam da vontade de ser reconhecida pelo pai, que fora sempre muito ausente. Ela tem um desenvolvimento muito significativo quando se depara com uma realidade que desconhecia e quando enfrenta o passado que lhe atormentava. Quando ela começa a agir pensando em si e não em agradar o pai, é possível sentir empatia por ela e por mais que alguns dos seus atos sejam condenáveis, é possível compreendê-los.

Mesmo que o enredo siga por um caminho já conhecido, aquele em que duas pessoas que estão de lados opostos se unem em prol de um bem maior, a narrativa faz o diferencial de tornar as coisas únicas e excluindo um possível romance que poderia tornar tudo muito clichê. A ideia de materializar a violência em forma de monstros que assombram os humanos é algo fantástico, mesmo que cruel, e tem impacto o bastante para fazer com que as pessoas reflitam sobre seus próprios atos.

Em A Melodia Feroz, a violência em pessoa cobra o preço por existir, e através de um cenário onde o caos parece superar a paz, fica a reflexão sobre os reais objetivos das pessoas e no que elas se transformam, conscientemente ou não, ao longo do tempo quando seus atos inconsequentes e a ambição falam mais alto...
Na expectativa pelo próximo volume da duologia.

Por um Toque de Sorte - Carolina Munhóz

24 de novembro de 2017

Título: Por um Toque de Sorte - Trindade Leprechaun #2
Autora: Carolina Munhóz
Editora: Fantástica/Rocco
Gênero: Fantasia Urbana
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★☆☆☆
Sinopse: De Dublin a Paris, Rio de Janeiro e Hollywood, eles estão por toda parte. São os donos das marcas que você usa, comandam os canais de televisão a que você assiste, criam os aplicativos de celular que você baixa. No segundo livro da série Trindade Leprechaun, iniciada com Por um toque de ouro, Carolina Munhóz dá continuidade à história da jovem Emily O’Connell, uma garota bonita e rica, dona de um império fashion, que descobre ser herdeira de uma rara linhagem desses pequenos seres mágicos considerados guardiões de potes de ouro escondidos. Ela só não esperava que esse legado sobrenatural pudesse levá-la para o centro de um esquema perigoso e cruel. Em “Por Um Toque de Sorte”, Emily deixa seu mundo de glamour para trás em busca de um impostor que rouba toques de ouro. Será que ela será capaz de cumprir sua jornada? Isso ela só vai descobrir no final do arco-íris. Se chegar até lá.

Resenha: Depois de Emily O'Connor ter sido magoada por um vilão salafrário que roubou seu toque de ouro e ainda ter tido os pais assassinados, a única motivação que ainda deixou a garota de pé foi a vingança. Agora, após conhecer Liam, que também fora vítima de Aaron, ela parte junto com ele e o amigo darren numa viagem pelo mundo procurando por esse impostor.

Considerando a ideia (que eu achava ser até bem original) da garota com o toque de ouro que teve o dom roubado e o coração partido em mil pedaços o primeiro livro não foi ruim. Apontei os pontos bacanas, relevei as gírias trash nos diálogos que abrasileiravam a história de personagens irlandeses e outras descrições desnecessárias e irritantes (como a insistência em se referir a Emily como "a ruiva"), mas como as coisas continuaram, e pioraram ainda mais, não consegui ignorar e a sensação que tive ao final da leitura foi de tempo perdido.

Se antes eu gostava de Darren pela amizade sincera e cumplicidade com Emily, mesmo ignorando ele ser uma "bicha má" do babado e totalmente estereotipado, agora eu só revirava os olhos para o quanto ele era esnobe, fútil e ridículo ao ponto de nem a própria protagonista, igualmente intragável, ser capaz de superá-lo. Emily estava lá, arrasada, enganada, falida, órfã, um trapo humano que queria vingança, mas o que Darren fazia era querer a antiga amiga glamourosa, cheia do dinheiro e bafônica de volta, como se dar a volta por cima depois de tanta desgraça fosse algo muito simples ou mais rápido do que destruir a reputação do próprio Kevin Spacey.

Inserir toques de "bom humor" na trama através de piadinhas sem a menor graça e feita nas horas mais inadequadas ever por Emily foi um desgosto tão grande que eu queria largar o livro na primeira delas, quando ela, infeliz e amargurada depois do golpe que sofreu, diz que não tomava banho há três dias porque estava pesquisando como um porco vive... Hahahahaha... Oi?

Por mais que as descrições acerca do cenário e das cidades turísticas, famosas e maravilhosas por onde Emily passava me fizessem ficar "viajando" com tanta beleza, fiquei me perguntando se era algo realmente necessário pra história, ou se a intenção era só exibir locais visitados pela autora que foram fontes de inspiração pra poder enfeitar o enredo. O problema é que tais descrições parecem vir em blocos avulsos que não se mesclavam naturalmente com a cena em questão, pois elas surgiam do nada, como uma propaganda de agência de turismo.

Muito da história é previsível e algumas cenas são tão ridículas e absurdas, principalmente as que deveriam ser engraçadas ou as que dizem respeito ao romance que surgiu sem um desenvolvimento convincente, que a vontade era de desistir. Mas, apesar da história não ter me surpreendido e ainda ter me deixado indignada com tanta bobagem, tenho que reconhecer que o final, assim como foi no primeiro livro, tem reviravoltas e é instigante o bastante pra ter me feito ficar curiosa pelo próximo.

Então, eu não sei onde diabos estou com a cabeça depois dessa decepção pra continuar insistindo em saber que final essa quizumba vai ter, mas vou respirar fundo, contar até dez e #partiu livro 3. Me desejem sorte, vou precisar.

Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial - Ethel Johnston Phelps

23 de novembro de 2017

Título: Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial
Autora/Org.: Ethel Johnston Phelps
Editora: Seguinte
Gênero: Contos/Infantojuvenil/Fantasia
Ano: 2017
Páginas: 248
Nota:★★★★★
Sinopse: Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.

Resenha: Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial é uma coletânea de vinte e cinco contos folclóricos de vários países e que seguem o padrão de colocar uma personagem feminina como heroína ou personagem principal da história, mostrando que não é necessário que nenhum príncipe encantado as resgate do perigo para que um final feliz aconteça.

A introdução escrita por Ethel Johnston também acrescenta informações importantes para explicar a pouca quantidade de personagens mulheres na posição de heroínas nos contos folclóricos, e como a maioria delas possuem estereótipos, levando leitores a definir conceitos, muitas vezes errados, sobre alguém ao julgar pelas aparências. Por que a velha feia automaticamente é uma bruxa má? Por que a personagem com rosto angelical cercada de bichinhos é sempre a mocinha indefesa? E aqui nesses contos o que é apresentado pra gente é o contrário disso, com intenção de desconstruir essas definições impostas por homens, e trazer mulheres inteligentes e corajosas que estão prontas para enfrentar desafios, independente da idade, cor da pele, ou físico.

Os contos são cheios de elementos da fantasia, as lendas trazem temas ligados ao cotidiano, à família, amizade e afins, mas sempre com o toque de feminismo que o próprio título do livro já nos apresenta.

A capa do livro, a diagramação, as ilustrações coloridas e o projeto gráfico em geral formam um conjunto bem caprichado para tornar o livro muito bonito visualmente.

Chapeuzinho Esfarrapado é um livro muito divertido, que em alguns momentos mostra, sim, que os homens tem sua devida importância, mas quem ganha destaque são as mulheres que foram muito bem representadas por personagens tão diferentes entre si, mas tão parecidas por mostrarem que são capazes de grandes feitos quando não são diminuídas e quando estão livres para escolherem o que vão fazê-las feliz.

Over the Rainbow - Varios autores

22 de novembro de 2017

Título: Over the Rainbow - Um Livro de Contos de Fadxs
Autores: Milly Lacombe, Renato Plotegher Jr, Eduardo Bressanim, Maicon Santini e Lorelay Fox
Editora: Planeta de Livros
Gênero: Contos/Releitura/Literatura Nacional
Ano: 2016
Páginas: 224
Nota:★★☆☆☆
Sinopse: E se a Cinderela se apaixonasse por uma garota, e não por um príncipe encantado? Ou se os irmãos João e Maria, homossexuais assumidos, enfrentassem a ira de uma madrasta religiosa que só pensa em “curá-los”? Ou, ainda, se a Branca de Neve, abandonada numa cidade bem distante de sua terra natal, fosse acolhida por... sete travestis? Pois pare de imaginar se os contos de fadas fossem revisitados e recebessem uma roupagem LBGTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Abra este livro e confira as clássicas histórias da infância de milhões de pessoas contadas sob a ótica de cinco autores que fazem parte desse universo, representado pelas cores do arco-íris. Ou melhor, contos de fadxs, como reza a nova norma de gêneros.

Resenha: Com tanta intolerância com a comunidade LGBT nos dias de hoje, livros que trazem representatividade com objetivo de esclarecer e desconstruir preconceitos são mais do que bem-vindos e necessários. A ideia de ter como base os contos de fadas clássicos da literatura se passando nos dias atuais e com uma roupagem totalmente diferente a fim de incluir o meio LGBT num compilado é simplesmente genial. Partindo daí, a proposta de Over the Rainbow seria ótima, se os pontos negativos da obra não tivessem superado o pouco que teve de bom...

O livro é composto por cinco contos, cada um escrito por um autor, e por mais que eles tenham trazido boa parte da realidade, dos dilemas e das dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBT, não me envolvi nem curti a escrita, as narrativas mal construídas que deixaram a trama subdesenvolvida, as cenas de sexo com detalhes dispensáveis, e muito menos o excesso de estereótipos de beleza, status e afins que acabou excluindo classes que também precisam de espaço e representatividade tão quanto qualquer outra, afinal, os LGBTs não são formados só por gente branca, linda, sarada e rica... Concentrando sempre as mesmas características nos personagens, penso que a tentativa de representá-los fica pela "metade" e o alcance acaba sendo inferior do que o esperado, pois a falta de leitores pra se identificarem com eles e com suas experiências para sentirem o mínimo de empatia será grande.

Em Mais do que manteiga com mel, Milly Lacombe traz uma Cinderela lésbica e masculinizada que vive num cubículo da mansão onde mora e ainda é apaixonada pela meia-irmã. Sua madrasta não aceita sua condição e vive pra torturá-la.
O Amargo da intolerância, de Renato Plotegher Jr., traz os irmãos João e Maria numa versão homossexual. Eles moram com o pai e a madrasta, que é uma fanática que quer curá-los dessa "doença" e arrancar a "entidade maligna" que se apossou dos seus corpos de qualquer jeito.
Eduardo Bressanim se baseou na história da Bela e a Fera e escreveu Atormentado, que apresenta um jovem isolado que navega por aplicativos de relacionamento em busca de algo a mais, e acaba conhecendo um jardineiro.
O loirinho do Joá, de Maicon Santini, é uma versão de Rapunzel onde o protagonista é confinado numa clínica quando seu pai descobre que ele é gay.
Lorelay Fox adaptou a história da Branca de Neve e os Sete Anões em A Ressurreição de Júlia, que aborda a temática dos transexuais de uma forma bem interessante e é, de longe, o que não fez da obra um completo fiasco. No conto a madrasta morre de inveja da garota cujo sonho é se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo. Porém, ela acaba sendo abandonada com a roupa do corpo e é acolhida por um grupo de sete travestis.

Enfim, com exceção do conto da Branca de Neve, que foi escrito com muito mais sensibilidade e cuidado, percebi que além da escrita amadora e da tentativa falha de florear o texto com palavras mais cultas e rebuscadas (a única pessoa que me vem à mente que conversa daquele jeito ridículo é um tal de Dudu Camargo), não houve muito cuidado com alguns termos utilizados, como "opção sexual" (sério que alguém do próprio meio LGBT não se atentou que quem é gay não escolhe ser gay?), ou com a construção de personagens e enredo para que se tornassem críveis, principalmente pelas histórias se passarem num cenário atual.

Mas mesmo com tantos pontos negativos, eu entendi que talvez a ideia tenha sido mostrar uma realidade crua, difícil e desconfortável de se encarar que muitos desconhecem ou ignoram, e mesmo não tendo sido um livro que superou minhas expectativas e que eu tenha realmente gostado, pode ser uma leitura válida para discutir o tema, levantar questionamentos e trazer uma boa reflexão sobre homofobia, preconceito, bom senso e respeito (que é bom e todo mundo gosta e devia ter).

A Desconhecida - Mary Kubica

21 de novembro de 2017

Título: A Desconhecida
Autora: Mary Kubica
Editora: Planeta
Gênero: Trhiller/Suspense
Ano: 2017
Páginas: 352
Nota:★★★★☆
Sinopse: Todos os dias, a humanitária Heidi pega o trem suspenso de Chicago e se dirige ao trabalho, uma ONG que atende refugiados e pessoas com dificuldades. Em uma dessas viagens diárias ela se compadece de uma adolescente, que vive zanzando pelas estações com um bebê. É fato que as duas vivem nas ruas e estão sofrendo com a fome, a umidade e o frio intenso que castigam Chicago. Num ímpeto, Heidi resolve acolher Willow, a garota, e Ruby, a criança, em sua casa, provocando incômodo em seu marido e sua filha pré-adolescente. Arredia e taciturna, Willow não se abre e parece esconder algo sério ou estar fugindo de alguém. Mas Heidi segue alheia ao perigo de abrigar uma total estranha em casa. Porém Chris, seu marido, e Zoe, sua filha, têm plena convicção de que Willow é um foco de problemas e se mantêm alertas. Em um crescente de tensão, capítulo após capítulo, a verdade é revelada e o leitor irá descobrir quem tem razão.

Resenha: Heidi Wood é uma mulher que trabalha numa ONG auxiliando refugiados e pobres, a maioria imigrantes. Ela também faz serviço comunitário, se preocupa com o meio ambiente, separa o que pode ser reciclado do lixo e é um exemplo de cidadã humanitária e consciente. Até que, a caminho do trabalho, num dia frio e chuvoso, ela vê uma jovem perambulando pela estação de trem com um bebê no colo. Heide se preocupou bastante com aquela mãe tão jovem e sua criança, pois aparentemente não estavam bem agasalhadas naquele tempo frio, deviam estar com fome, e talvez pudessem estar passando por várias dificuldades. No dia seguinte, a chuva havia piorado e Heidi avista a jovem outra vez e, num impulso em ajudá-la, seu instinto materno falou mais alto. Heidi se aproxima, descobre que o nome da garota é Willow e o da bebê é Ruby, e ela acaba levando as duas para dentro da própria casa, achando maravilhoso poder cuidar e dar apoio a elas, mesmo que isso contrarie Chris, seu marido, que acha a ideia de Heidi de levar uma desconhecida pra casa uma completa loucura. Zoe, a filha do casal, também acha que a presença de Willow é um problema e não fica nada confortável com ela alí. Então Chris, mesmo trabalhando e estando sempre muito ausente, vai tentar descobrir quem é, de fato, Willow e o que aconteceu para que ela fosse parar nas ruas com um bebê.

A narrativa não discorre de forma cronológica e alterna os pontos de vista entre Heidi, Chris e Willow. Enquanto o casal conta sobre os momentos atuais, Willow está a frente narrando algo em forma de testemunho, o que dá ideia de que algo de ruim e errado aconteceu, mas ainda não sabemos o quê.
Dar mais detalhes sobre o enredo pode ser um problema, pois cada capítulo não só torna a história mais intensa abordando assuntos bem delicados e pesados, como também vai revelando aos poucos as facetas dos personagens e o que todos querem saber. A medida que a leitura progride, é possível ter uma ideia sólida do rumo que a história vai levar, mas ainda assim é algo que surpreende, principalmente no que diz respeito aos personagens, como nem sempre eles têm em sua essência o que aparentam para os outros, e a forma como suas camadas são exploradas.

O casamento de Heidi e Chris é um exemplo bem nítido da realidade de muitos casais. É como se o tempo tivesse transformado tudo em rotina, todos estão desgastados e não parece haver um interesse recíproco em melhorar as coisas. A ausência do marido, a falta de interesse da filha, o sentimento de solidão da mãe que faz tanto pelos outros e recebe tão pouco de volta... é um misto de comportamentos que desencadeiam sentimentos negativos e, talvez, a ideia de Heidi em levar Willow pra casa tenha sido uma forma de preencher essas lacunas.

Talvez o único ponto que eu não tenha gostado muito a fluidez dos acontecimentos na narrativa. Foi tudo lento e arrastado demais, e isso tornou a história um pouco cansativa, por mais interessante que ela possa ser. E quando as coisas começam a acontecer para que as revelações viessem à tona, é tudo muito rápido, como se a autora quisesse dar um fim no suspense e pronto.

Enfim, é um livro que traz temas sérios como abuso infantil, abandono, perdas, traumas psicológicos e as consequências de não tratá-los, a realidade dos moradores de rua, problemas familiares, matrimoniais e afins, todos eles tratados de uma forma palpável e bem crua, então penso que a intenção da autora não deve ter sido só fazer com que o leitor embarque num thriller psicológico instigante, mas mostrar a realidade difícil e cruel das pessoas mais carentes e que são tão tratadas com tanto descaso e indiferença.

Wishlist #13 - Funkos de Snow White

Branca de Neve não é minha princesa favorita, eu confesso, mas falou em clássico, ainda mais os da Disney, já estou de olho e virando fã.E depois que a Funko lançou essas belezuras é impossível não querer todos numa caixinha de vidro pra ficar namorando sem parar!

A Poção Secreta - Amy Alward

19 de novembro de 2017

Título: A Poção Secreta - Diário de Uma Garota Alquimista #1
Autora: Amy Alward
Editora: Jangada
Gênero: Fantasia/Juvenil
Ano: 2017
Páginas: 368
Nota:★★★☆☆
Sinopse: A Princesa do Reino de Nova toma acidentalmente uma poção do amor, e se apaixona por si mesma! Para encontrar um antídoto que possa curá-la, o rei mobiliza todos numa expedição chamada Caçada Selvagem. Competidores do mundo todo saem em busca dos mais raros ingredientes em florestas mágicas e montanhas geladas, enfrentando perigos e encarando a morte para encontrar a fórmula da poção secreta. Dentre eles, está Samantha, uma garota comum que herdou dos seus ancestrais alquimistas o talento para preparar poções. Esta pode ser a oportunidade para reerguer a decadente loja de poções da família, afinal o mundo todo estará acompanhando a Caçada nas mídias sociais. Será que ela conseguirá descobrir a cura e salvar a Princesa?

Resenha: Em pleno século XXI, o Reino de Nova é um lugar mágico cujos súditos possuem habilidades distintas. Embora convivam juntos, a sociedade é dividida entre Talentosos e Comuns.
No passado, o primeiro monarca de Nova criou a Caçada Selvagem, um evento com a finalidade de encontrar a pessoa mais habilidosa para proteger a família real, dando a ela títulos importantes e muita riqueza. O que sinaliza a necessidade de uma Caçada é um artefato mágico muito poderoso conhecido como Chifre de Alden, e sempre que algum membro da realeza corre qualquer tipo de perigo ele convoca todos aqueles que são aptos à Caçada Selvagem, porém, pela segurança que a realeza veio construindo em torno de si desde então, as Caçadas não são realizadas há sessenta e cinco anos. O reino é cheio de magia e fantasia, mas a tecnologia também é algo que faz parte da vida das pessoas. Eventos importantes são televisionados, a dependência de mídias sociais e celulares é algo normal alí e a própria Caçada é um verdadeiro reality show.

E em meio a esse cenário, conhecemos Samantha, uma jovem de dezoito anos que vive na cidade de Kingstown e descende de uma tradicional família de Alquimistas (são pessoas Comuns que possuem o dom de usar e manipular ingredientes mágicos sem corrompê-los). Ela é aprendiz do avô pois o dom da alquimia pulou uma geração e seu pai nasceu um Comum (sem o dom, os Comuns têm a capacidade de exercer os demais trabalhos envolvendo a tecnologia e afins). A família Kemi tem uma vocação incomparável quando o assunto é alquimia. Eles conhecem poções, distinguem as propriedades de cada ingrediente e são entendedores dos mais diversos tipos de processos de cura. Porém, a glória dos Kemi acabou faz tempo. No passado o avô de Sam venceu a Caçada, mas, desde que perdeu o título, a família tenta tirar o sustento da pequena loja de poções naturais que possui. Mas com o avanço tecnológico e a fabricação sintética de poções da última geração em grandes e sofisticados laboratórios da Corporação ZoroAster, as coisas não estão indo muito bem pra nenhum boticário tradicional na cidade, e a Loja de Poções dos Kemi é a única que restou.

O maior propósito dos Kemi é investir no futuro de Molly, a irmã mais nova de Sam. Ela é uma Talentosa (que possui o dom da magia e consegue canalizá-lo através de algum objeto), e o sonho da família é que ela aproveite todas as oportunidades que seu talento pode oferecer. Pra isso, eles estão investindo tudo o que tem em seus estudos para que ela possa ingressar na Escola Especial de Talentosos e garantir seu futuro. O problema é que com a falta de dinheiro, realizar tal objetivo poderia ser mais difícil do que parece, principalmente com clientes idosos que se recusam a comprar poções sintéticas nas grandes farmácias, mas vivem comprando fiado na botica dos Kemi por terem "esquecido suas carteiras".

Quando a princesa Evelyn completa dezoito anos, um grande concerto seria realizado e televisionado para toda Nova em comemoração ao seu aniversário. Mas os planos da festança acabam indo por água abaixo quando a princesa fica totalmente fora de si. Com intenção de fazer Zain, seu amigo e crush, se apaixonar por ela, Evelyn faz uma poderosa poção do amor, prática que há muito foi proibida, mas em vez de dá-la ao rapaz, ela a bebe por engano e acaba se apaixonando perdidamente por si mesma! Sua mente envenenada faz dela, e de suas obrigações como princesa, uma verdadeira ameaça para o reino. Assim, o Chifre de Alden não demora a perceber o perigo e fazer o chamado para a próxima Caçada Selvagem!

Então, os melhores (e mais inesperados) Alquimistas e Talentosos do Reino de Nova são convocados a fim de descobrirem a cura para Evelyn, e Samantha, claro, está entre eles... O que Sam não esperava era entrar numa competição acirrada e cheia de perigos em busca dos ingredientes raríssimos para a poção que irá salvar a princesa, e cujo prêmio, de quebra, vai deixar o vencedor milionário! Sam não teria uma oportunidade melhor para tentar reerguer a loja de poções de sua família e pagar os estudos da irmã, e não pensa duas vezes ao embarcar nessa aventura. Será que Sam vai conseguir vencer essa competição, salvar a princesa e ajudar a própria família?

A capa desse livro é muuuito fofa, dá vontade de apertar. Eu adoro ilustrações com traços irregulares que parecem ter sido feitos à mão e com detalhes em aquarela, e a tipografia escolhida para o título não poderia combinar mais, deixando tudo ainda mais descolado. As cores em harmonia são uma graça e o detalhe dourado da coroa e dos ornamentos deram um toque de charme ao projeto.

Os capítulos se alternam entre Sam, que são narrados em primeira pessoa, e Evie, em terceira. A escrita da autora é boa mas peca um pouco na narrativa no que diz respeito a detalhes de informações passadas e originalidade. Algumas brincadeiras com palavras também me soaram um tanto infantis. O próprio sobrenome "Kemi", que penso ter sido tirado da pronúncia da palavra em inglês "chemistry", é bem bobinho, mas não tanto quanto "Zoro Aster" e afins. Se o livro fosse infantil, ok, mas não é pra tanto, até mesmo porque os personagens são jovens adultos.

É bem óbvio que a maioria dos elementos utilizados para a construção de mundo não é novidade e a impressão que fica é de que já vimos aquilo em outro lugar. Funções específicas na sociedade, preparo de poções e magia, termos em latim, um artefato mágico que convoca competidores e aceita inscrições, um torneio cheio de fases e perigos, vilões trapaceiros e usurpadores, seres encantados ou assustadores, um tipo de teletransporte como forma de locomoção, e até uma escola especial e requisitada fazem parte desse universo, e mesmo que os personagens tenham sido moldados para seguir por um caminho distinto com propósitos diferentes, e aqui entra a parte contemporânea com tecnologia e reality shows da vida, não consegui deixar de fazer comparações com o mundo de Harry Potter, por mais que eu odeie isso. A narrativa pelo ponto de vista de Samantha em alguns momentos também se tornou um pouco problemática, pois é através dela sabemos os detalhes desse universo e muitas vezes ela interrompe o que está sendo dito para explicar outras coisas que ela (ou a autora) julga necessárias para um melhor entendimento. Já os capítulos de Evelyn, em terceira pessoa, nem sempre acrescentam algo realmente útil e, talvez, se fossem narrados em primeira pessoa, faria com que o leitor pudesse compreender melhor suas motivações, pois partiriam dela e não de um narrador onisciente falando por ela.

Levando em consideração de que se trata de um primeiro livro de trilogia e que este geralmente tem uma função mais introdutória, a história não é de todo ruim, pelo menos não a ideia dela. Alguns pontos até me fizeram refletir bastante, como o próprio envenenamento de Evelyn. Ela está idiotamente apaixonada pelo próprio reflexo, a quem passou a chamar de Lyn, como se fosse outra pessoa. Acho que as conveniências impostas pela autora na história meio que subestimam a inteligência do leitor, principalmente quando quem está em ação é Sam. Em meio a tantos competidores inteligentes e habilidosos, ela é a única que parece se atentar a detalhes, a única que tem intuição e sentido pras coisas, a única que percebe o problema de Evelyn...

A Poção Secreta é uma fantasia contemporânea que, embora peque na originalidade e não apresente personagens totalmente desenvolvidos, é divertida de se ler e ideal para sair de uma ressaca causada por uma leitura anterior mais densa. Pra quem gosta de fantasias que trazem a oportunidade de se explorar a alquimia de uma forma interessante, o livro é indicado.

Novidades de Novembro - Galera Record

15 de novembro de 2017

Escrito a Fogo - Brilhantes #3 - Marcus Sakey

O grande desfecho da trilogia Brilhantes
Durante trinta anos, a humanidade lutou para lidar com os brilhantes, o 1% da população que nasceu com dons incríveis, e tentou evitar uma guerra civil arrasadora. E falhou. Agora, com o mundo cambaleando à beira da destruição, Nick Cooper, que passou a vida inteira lutando pelos filhos e pelo país, precisa arriscar tudo o que ama para encarar seu mais antigo inimigo — um terrorista brilhante tão obcecado pelos próprios planos que pretende sacrificar o futuro da humanidade para realizá-los. Marcus Sakey, “o mestre da leitura empolgante e inteligente” (Gillian Flynn) e “um de nossos melhores contadores de histórias de todos os tempos (Michael Connely),” nos traz a conclusão explosiva da trilogia best-seller Brilhantes.

Cidade de Selvagens - Lee Kelly

Uma fantasia distópica repleta de ação no livro de estreia de Lee Kelly
A Terceira Guerra Mundial estourou há quase duas décadas. Manhattan transformou-se num campo de prisioneiros de guerra governado pela nova-iorquina Rolladin, que controla os sobreviventes com punhos de ferro. Para Skyler Miller, Manhattan é uma gaiola que a impede de conhecer o mundo. Mas para a irmã caçula de Sky, Phee, o campo de prisioneiros no Central Park é o único lar que ela poderia querer. Quando desconhecidos chegam ao parque com notícias surpreendentes, Sky e Phee descobrem que há muitas coisas sobre Manhattan – e a própria família – que sequer imaginaram. O livro de estreia de Lee Kelly é uma jornada de acelerar o pulso por uma cidade que é tão estranha quanto familiar, onde nada é preto no branco e os segredos enterrados podem destruir qualquer um.

Sem Filtro - Lily Collins

Lily Collins — estrela de filmes como Instrumentos mortais, Espelho, espelho meu e Simplesmente acontece — estreia na literatura com um livro confissão; uma conversa entre amigas. Honesta. Sem filtro. Pela primeira vez, Lily fala da vida pessoal e confessa seus segredos mais bem guardados. Lily desnuda suas vulnerabilidades com uma coragem comovente, e lembra que a vida não é feita apenas de risos e um eterno alvorecer cor-de-rosa. Para cada alegria há, também, dor e desilusão; luz e trevas, como em qualquer trama bem urdida. Aceitação é a palavra mágica. Para Lily, olhar o espelho e gostar do que vê, fazer as pazes com você mesma é a chave para suportar os dias ruins. Embora o caminho para o amor-próprio possa ser sinuoso, a autora aprendeu que basta uma pessoa estender a mão, alguém tomar uma pequena atitude para todos os demais entenderem que não estão sozinhos. Engraçada e terna, a voz de Lily irá inspirar você a ser quem é e a sempre dizer o que sente. Chegou a hora de achar sua voz. E viver sua vida... plenamente.

O Regicida - A Caçadora de Bruxos #2 -Virginia Boecker

O regicida está cada vez mais próximo de seus objetivos: poder absoluto e imortalidade. Segundo volume da série A caçadora de bruxos
A ex-caçadora de bruxos Elizabeth Grey está escondida na magicamente protegida vila de Harrow. Ali, ela tenta driblar os caçadores de recompensa, ansiosos pelo prêmio que Lorde Blackwell, o usurpador do trono da Ânglia, colocou em sua cabeça. Seu último encontro deixou o antigo mestre arruinado, mas a sede de poder do homem parece não ter fim. Ele reúne seus exércitos para a guerra contra todos que resistem a seu reinado imposto; ou seja, Elizabeth e seus aliados magos. Sem seu estigma, fonte mágica de proteção e cura, a força de Elizabeth é testada tanto física quanto emocionalmente. Guerra sempre significa sacrifício, e a tênue linha entre o bem e o mal mais uma vez se torna turva. Mais uma vez Elizabeth tem que decidir o quanto deseja arriscar para salvar aqueles que ama.

O Mago de Batalha - Conjurador #3 - Matharu Taran

A habilidade de um jovem em conjurar demônios vai mudar o destino de um império. O último livro da trilogia Conjurador
Depois de escapar da pirâmide sagrada, no coração do mundo órquico, Fletcher e seus amigos estão presos no éter. Agora precisam voltar para casa, enquanto enfrentam os inimigos mais aterradores. No entanto, o grupo conta também com a ajuda de novos e poderosos aliados, além dos companheiros de sempre. Mas isso não é nada comparado ao que está acontecendo com a Salamandra de Fletcher. Ignácio parece cada vez mais poderoso no éter e ninguém sabe o que está acontecendo. Para piorar, a nêmesis de Fletcher, o orc albino Khan, tem um plano para destruir toda Hominum. O desfecho épico da trilogia Conjurador que mistura clássicos da fantasia como Senhor dos Anéis e Harry Potter com fenômenos de popularidade, como Pokémon.

Wishlist #12 - Funkos das Princesas Disney (Dancing)

14 de novembro de 2017

Eu prefiro as vilãs, eu confesso, mas é impossível não se encantar pela coleção das personagens clássicas da Disney. E mesmo que as versões tradicionais estejam na minha lista infinita, as suas versões com esses vestidões esvoaçantes e essas poses que só estão esperando por um flash não poderiam ficar de fora, jamais. Espiem essas lindezuras, e nota especial pra Mulan, minha preferida da vida, com direito a cola no braço e tudo mais:




PS.: A Branca de Neve não está nessa coleção pois já tem um set da exclusiva com os Sete Anões e a Bruxa. Mais funkos pra lista sem fim... Post com as fotitas em breve...

Espada de Vidro - Victoria Aveyard

13 de novembro de 2017

Título: Espada de Vidro - A Rainha Vermelha #2
Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Gênero: Distopia/Jovem Adulto
Ano: 2016
Páginas: 496
Nota:★★★★★
Sinopse: O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar. Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.

Resenha: Depois de quase terem sido massacrados por prateados a mando de Maven, Mare e Cal conseguem fugir da prisão do palácio e são levados pela Guarda Escarlate para um local onde ela poderia não só se sentir em casa, mas também reencontrar sua família. Se sentindo traído pelo sangue, Cal se torna aliado de Mare e decide ajudá-la em sua jornada, mesmo que inicialmente seja tratado como prisioneiro pelos vermelhos.
E nessa sociedade dividida pelo sangue, onde vermelhos são explorados pelos prateados que detém poderes e fazem parte da elite, Mare descobriu que possui a habilidade de controlar a eletricidade, e isso a torna uma ameaça para Mavem e sua mãe, Elara. A novidade é que Mare não é a única vermelha a ter um dom especial e estes passaram a se chamar sanguenovos. Ela vai tentar, então, encontrar e recrutar esses sanguenovos a fim de formar uma exército e lutar contra a opressão da elite prateada.

Embora o ritmo de Espada de Vidro seja mais lento do que seu antecessor, principalmente por Mare não parar de pensar que todos podem ser traidores e não saber em quem pode confiar ou não, o que irrita bastante em alguns momentos, a história continua sendo muito bem construída e empolgante.
A impressão que fica é que antes da tempestade sempre vem a calmaria. Depois de alguns capítulos a protagonista parece levar um choque de realidade, literalmente falando, e amadurece bastante, e isso dá um ritmo diferente para a história, que se torna mais fluída e com acontecimentos frenéticos.
Como se esse universo já não fosse intrigante o bastante, os conflitos políticos presentes na trama elevam a história a um outro patamar, e os elementos voltados para as questões românticas saem de cena para darem espaço a batalhas sangrentas entre pessoas dotadas dos mais diversos e fenomenais poderes.
E nesse cenário acompanhamos Mare num tipo de transformação pessoal, onde ela precisa tomar decisões grandiosas e que a afetam de forma muito negativa. Ela quer salvar os seus, quer acabar com a tirania e a opressão, mas será que vai conseguir quando internamente está tão fragilizada? É como se ela precisasse cumprir com um papel para o qual não foi preparada, mas isso não a impede de pelo menos tentar e é justamente com os erros que ela aprende.
Os outros personagens também são bem trabalhados, apresentando pontos relevantes sobre suas histórias e como lidam com isso no momento presente, como é o caso de Cal, que foi traído e agora faz de tudo para superar.
Basicamente o livro fala sobre a busca pelos sanguenovos e os dilemas de Mare para persuadi-los a lutarem pela causa, enquanto os demais acontecimentos acabam interferindo nesse objetivo principal dela e de seus aliados.

A autora conduz a trama de uma forma inesperada, dando a ela um desfecho arrebatador. Não importa o que esteja acontecendo, desde simples diálogos até os piores momentos de tensão, é impossível não se envolver. O único porém aqui é sobre o dito romance que não faz muito sentido existir. Como eu costumo dizer em livros que trazem conflitos do tipo, há coisas mais urgentes para se preocupar do que forçar a barra tentando enfiar paixonites, até então inúteis, goela abaixo dos leitores, mas fora isso a história é maravilhosa e imperdível.

Novidades de Novembro - Seguinte

Dias de Despedida - Jeff Zentner

"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele.
Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto.
Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Extraordinarias - Mulheres que Revolucionaram o Brasil - Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.


Novidades de Novembro - Suma de Letras

12 de novembro de 2017

A Expansão - The Hatching #2 - Ezekiel Boone

Ao receber um pacote em seu laboratório, em Washington, a dra. Melanie Guyer não poderia prever que, de um dia para o outro, a espécie ancestral de aranhas que eclodiu daquela bolsa de ovos causaria o caos no mundo inteiro. Em Los Angeles, cidadãos desesperados furam a quarentena. No Japão, uma bolsa de ovos gigantesca pulsa e brilha na escuridão. Enquanto Espingarda e Gordon tentam criar uma arma capaz de conter as aranhas, a presidente Stephanie Pilgrim é pressionada a tomar decisões com consequências catastróficas. Milhões de pessoas estão mortas. Outras milhares foram feitas de hospedeiras. Aranhas devoradoras de carne marcham por todo lugar, e a expansão está só começando. Ninguém está a salvo.

O Livro das Sombras - La Belle Sauvage #1 - Philip Pullman

Phillip Pullman volta ao mundo da trilogia Fronteiras do Universo, para outra aventura eletrizante envolvendo daemons, aletiômetros, o Magisterium e, claro, o Pó. La Belle Sauvage é o primeiro volume de uma nova trilogia chamada O Livro da Sombras, e se passa dez anos antes dos acontecimentos de A Bússola de Ouro, se centrando em Lyra e Pantalaimon, ainda bebês. Apesar de ser uma história diferente, os fãs de Fronteiras do Universo vão reconhecer muito do mundo e dos personagens que povoam La Belle Sauvage. Enquanto o protagonista, Malcolm, se envolve em uma assustadora aventura para tentar salvar a pequena Lyra das garras do Magisterium, outros mistérios e vilões surgem para complementar a trama que já conhecemos tão bem.
"Sempre quis contar a história de como Lyra acabou morando na Faculdade Jordan. Este livro e o próximo cobrem dois momentos da vida dela: partindo bem do início e retornando vinte anos depois. Quanto ao terceiro livro, ainda é segredo." - Phillip Pullman

Novidades de Novembro - Paralela

11 de novembro de 2017

Antes da Tempestade - Dinah Jefferies

Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte de seu marido, a jovem inglesa Eliza tem como única companhia sua câmera. Determinada a se firmar como fotógrafa profissional, ela acaba de aceitar um convite do governo britânico para se hospedar durante um ano no castelo da família real local. Sua missão: fotografar, para o acervo da Coroa inglesa, a vida no Estado principesco de Juraipore.
Ao conhecer Jayant, irmão mais novo do marajá, Eliza embarca na aventura mais transformadora de sua vida. Acompanhada pelo príncipe rebelde e misterioso, ela conhecerá uma terra marcada por contrastes — com paisagens de beleza incomparável, cultura rica e vibrante e, ao mesmo tempo, a mais devastadora das misérias.
Enquanto Eliza desperta Jayant para a pobreza que circunda o castelo, ele mostra a ela as injustiças do domínio britânico na Índia. Juntos, descobrem uma afinidade de alma e uma paixão arrebatadora. Mas a família real fará de tudo — até o impensável — para impedir a aproximação entre o nobre indiano e a viúva inglesa.

Ainda Existem Caubóis - Fernando & Sorocaba

Qual é o maior sonho de um aspirante a astro do sertanejo?
Fazer parte de uma das duplas mais conhecidas do país?
Compor e produzir músicas que vão virar sucessos nacionais?
Revelar outros artistas que se tornarão sensações?
Pois Fernando e Sorocaba realizaram esses três sonhos e muitos outros nos seus dez anos de estrada. Primeiro estouraram no país fazendo um sertanejo para cima e festeiro, com grande influência do country americano. Depois revelaram e cuidaram da carreira de nomes como Luan Santana, Lucas Lucco e Marcos e Belutti e produziram canções como “Aquele 1%”, que projetou o fenômeno Wesley Safadão.
Neste livro, a dupla relembra suas origens e os episódios mais importantes de suas vidas, mostrando como ajudaram a transformar o sertanejo no ritmo mais ouvido do Brasil. Uma história de sucesso, superação e, sobretudo, paixão pela música.

Gorda Não é Palavrão - Fluvia Lacerda

Mesmo quem sabe que peso não é indicativo de beleza, saúde ou caráter ainda tem dificuldade em superar os valores associados às palavras “gorda” e “magra”. Pra quê? Por que permitirmos que “gorda” seja praticamente um palavrão, um insulto? Através de sua história única de trabalho duro e conquistas, Fluvia Lacerda, a mais renomada modelo plus size brasileira, oferece um manifesto inspirador de autoaceitação. Ela encoraja mulheres a questionarem a falta de representatividade de tamanhos na moda e na mídia e a deixarem de se submeter aos padrões alheios.

Príncipe Partido - Erin Watt

10 de novembro de 2017

Título: Príncipe Partido - The Royals #2
Autora: Erin Watt
Editora: Essência
Gênero: Romance/Young Adult
Ano: 2017
Páginas: 352
Nota:★★★★☆
Sinopse: Reed tinha tudo na vida: beleza, status e dinheiro. As garotas da sua escola matariam para sair com ele, os caras queriam ser como ele, mas Reed nunca tinha dado a mínima para nada disso. Nem para a família. Até que Ella Harper apareceu na sua vida. Quando Ella chegou à mansão dos Royal, o que ele mais queria era que a nova hóspede sumisse, mas ela o conquistou e, agora, Reed irá fazer de tudo para mantê-la por perto. Ella lhe dá segurança, lhe transmite paz, o aconchega... sensações que há muito tempo não sentia. Porém Reed comete um deslize e Ella se afasta por completo, trazendo caos à família Royal. Reed vê seu mundo desmoronar e toda a esperança de viver um romance com Ella desaparece. A garota dos sonhos de Reed não quer mais saber dele, porque sabe que se ficarem juntos, isso vai destruí-los. Ella pode estar certa.

Resenha: Príncipe Partido é o segundo volume da série The Royals e dá continuidade aos acontecimentos do primeiro volume, Princesa de Papel do ponto onde terminou.
Ella fugiu depois de um enorme deslize cometido por Reed e não quer mais saber dele. O rapaz sabe que é culpado pelo que fez e ninguém sente mais a falta de Ella quanto ele. Toda a família Royal está indignada e furiosa com Reed, mas não tanto quanto ele próprio, pois da mesma forma que desprezaram a moça quando a conheceram, com o passar do tempo eles a conheceram melhor e aprenderam a amá-la.

Depois de todas as besteiras inomináveis que Reed fez, e de como, muitas vezes, Ella parece não ter usado o cérebro para tomar algumas atitudes, fiquei na expectativa de encontrar algo próximo da redenção neste volume.
Narrado em primeira pessoa, desta vez temos o ponto de vista de Reed além do de Ella para tentarmos compreender as motivações do rapaz que continua achando que pode resolver tudo na base da violência ou, assim como seu pai, com dinheiro. Alguns pontos até esclarecem algumas das atitudes que o rapaz tomou, mas confesso não ter achado muito necessário entrar na cabeça de um personagem arrogante e, muitas vezes, desagradável. Ele deu uma melhorada? Sim! Mas pra mim não foi o suficiente, sorry.

A escrita das autoras é bastante envolvente e fluída, e por abordar o universo adolescente de uma forma mais crua, assim como no livro anterior, nos deparamos com um linguajar chulo e recheado de palavreados de jovens que tiveram as personalidades construídas com base num passado horrível, e por isso acabam tendo mais defeitos do que virtudes (e a beleza não é considerada aqui, claro).

Com a fuga de Ella, o que parece é que a família está em pleno declínio. Um começa a se envolver com o que não deve, outros começam a se distanciar dos demais irmãos, e embora Callum, o pai dos garotos e tutor da menina, seja capaz de usar de vários artifícios para encontrar a Ella e trazê-la de volta pra casa, vemos Reed totalmente alheio com a escola e com suas obrigações. Sua única preocupação é encontrar Ella. E ele faz o que pode para se redimir, para reconquistá-la e ser perdoado, mas a única coisa que importa para Ella, além de reparar o estrago que fez ao fugir sem aviso, é não ser enganada mais uma vez, e perdoar não significa esquecer... Ella também repensa suas atitudes pois por mais que a família Royal tenha incontáveis defeitos, é inegável que ela os considerou sua família depois de ter passado tanta coisa junto com todos eles, e levando tudo isso em consideração, ela percebeu que uma atitude tomada sem pensar direito, pode afetar pessoas que ela não queria magoar. O problema maior é que Ella é uma personagem que, teoricamente, deveria ser um exemplo de empoderamento depois de tudo o que viveu e aprendeu, mas suas tentativas de mostrar o quão é badass é só a tornam digna de pena. A impressão que tive é que ela quer mostrar que é superior a quem tenta prejudicá-la de qualquer forma, mas o que ela faz é "alimentar os trolls", tomando atitudes que só fazem com que tudo o que dizem sobre ela pareça ser verdade. Ou quer fazer outras coisas para se tornar alguém admirável sendo que fica claro que é uma forma forçada de fazer com que os leitores se simpatizem com ela. Mas reclamando tanto e querendo "vingança", só tive pena.

Talvez tudo que aconteceu na família fez com que Callum olhasse para dentro de casa e enxergasse o que estava acontecendo com os filhos e com Ella. Se antes ele era um pai relapso, agora ele se mostra mais preocupado e mais presente, e que ter o pulso firme quando o assunto é educação é algo necessário. Porém, penso que em alguns casos é tarde demais pra tentar recuperar o prejuízo, e educar filhos se encaixa perfeitamente nessa questão. Se alguém passa a vida acreditando num determinado conceito, é difícil ficar livre dele de uma hora pra outra, e se o próprio pai pensa que dinheiro é a solução pra todos os problemas, independente de quais sejam, então boa coisa não pode sair dalí...

Este volume também acaba com um gancho pro terceiro livro da série, Twisted Palace, (ainda não publicado no Brasil), e pretendo continuar a leitura esperando ansiosa para que os personagens amadureçam, aprendam com os erros e tenham algo de relevante para passar adiante que vá além da dinâmica de uma família poderosa e endinheirada que atrai problemas e gente oportunista como nenhuma outra. Penso que muita novela mexicana não é nada perto de The Royals.

Por mais que tenha alguns pontos que, talvez, pudessem ser desenvolvidos e trabalhados de outra forma visando o público alvo do livro, é impossível não querer saber o que mais a história dessa família tão disfuncional reserva.

Novidades de Novembro - Arqueiro

A Pérola Que Rompeu a Concha - Nadia Hashimi

Filhas de um viciado em ópio, Rahima e suas irmãs raramente saem de casa ou vão à escola em meio ao governo opressor do Talibã. Sua única esperança é o antigo costume afegão do bacha posh, que permite à jovem Rahima vestir-se e ser tratada como um garoto até chegar à puberdade, ao período de se casar.
Como menino, ela poderá frequentar a escola, ir ao mercado, correr pelas ruas e até sustentar a casa, experimentando um tipo de liberdade antes inimaginável e que vai transformá-la para sempre.
Contudo, Rahima não é a primeira mulher da família a adotar esse costume tão singular. Um século antes, sua trisavó Shekiba, que ficou órfã devido a uma epidemia de cólera, salvou-se e construiu uma nova vida de maneira semelhante. A mudança deu início a uma jornada que a levou de uma existência de privações em uma vila rural à opulência do palácio do rei, na efervescente metrópole de Cabul.
A pérola que rompeu a concha entrelaça as histórias dessas duas mulheres extraordinárias que, apesar de separadas pelo tempo e pela distância, compartilham a coragem e vão em busca dos mesmos sonhos. Uma comovente narrativa sobre impotência, destino e a busca pela liberdade de controlar os próprios caminhos.

A Pedra Pagã - A Sina do Sete #3 - Nora Roberts

Partilhando visões de morte e fogo, os irmãos de sangue Cal, Fox e Gage, e as mulheres ligadas a eles pelo destino, Quinn, Layla e Cybil, não podem ignorar o fato de que o demônio está mais forte do que nunca e que a batalha final pela cidade de Hawkins Hollow está a poucos meses de acontecer.
A boa notícia é que eles conseguiram a arma necessária para deter o inimigo ao unir os três pedaços de jaspe-sanguíneo. A má notícia é que ainda não sabem como usá-la e o tempo está se esgotando.
Compartilhando o dom de ver o futuro, Cybil e Gage podem descobrir a resposta para esse enigma se trabalharem juntos. Só que, além de não terem nada em comum, os dois se recusam a ceder aos próprios sentimentos. Um jogador profissional como Gage sabe que se entregar a uma mulher como Cybil – com a inteligência, a força e a beleza devastadora dela – pode ser uma aposta muito alta. E qualquer erro de estratégia pode significar a diferença entre o apocalipse e o fim do pesadelo para Hawkins Hollow.
Em A Pedra Pagã, Nora Roberts encerra a emocionante trilogia A Sina do Sete, uma história sobre família, amor e amizade que consegue arrancar arrepios e suspiros de seus leitores.

Tipos Incomuns (Algumas Histórias) - Tom Hanks

Um affaire agitado e divertido entre dois grandes amigos. Um ator medíocre que se torna uma estrela e se vê em meio à frenética viagem de divulgação de um filme. O colunista de uma cidadezinha com um ponto de vista antiquado sobre o mundo. Uma mulher se adaptando à vida na nova vizinhança após o divórcio. Quatro amigos e sua viagem de ida e volta à Lua num foguete construído num fundo de quintal.
Essas são apenas algumas das pessoas e situações que Tom Hanks explora em sua primeira obra de ficção. Os contos têm algo em comum: em todos, uma máquina de escrever desempenha um papel — às vezes menor, às vezes central.
Conhecido por sua sensibilidade como ator, Hanks traz essa característica para sua escrita. Ora extravagante, ora comovente, ocasionalmente melancólico, Tipos incomuns deleitará e surpreenderá seus milhões de fãs.

Um Beijo à Meia-Noite - Contos de Fadas #2 - Eloisa James

Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo. Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo. Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo. Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.

Novidades de Novembro - Intrínseca

9 de novembro de 2017

Mulheres Sem Nome - Martha Hall Kelly

A socialite nova-iorquina Caroline Ferriday está sobrecarregada de trabalho no Consulado da França, em função da iminência da guerra. O ano é 1939 e o Exército de Hitler acaba de invadir a Polônia, onde Kasia Kuzmerick vai deixando para trás a tranquilidade da infância conforme se envolve cada vez mais com o movimento de resistência de seu país. Distante das duas, a ambiciosa Herta Oberheuser tem a oportunidade de se libertar de uma vida desoladora e abraçar o sonho de se tornar médica cirurgiã, a serviço da Alemanha. Três mulheres cujas trajetórias se cruzam quando o impensável acontece: Kasia é capturada e levada para o campo de concentração feminino de Ravensbrück, onde Herta agora exerce sua controversa medicina. Uma história que atravessa continentes — dos Estados Unidos à França, da Alemanha à Polônia — enquanto Caroline e Kasia persistem no sonho de tornar o mundo um lugar melhor. Costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas, Mulheres Sem Nome é um romance extraordinário sobre a luta anônima por amor e liberdade. Um livro inspirador, que encanta e comove até a última página.

Endurance - Scott Kelly

Veterano de quatro viagens espaciais, o astronauta americano Scott Kelly viveu experiências pelas quais pouquíssimas pessoas tiveram oportunidade de passar. Agora, depois de ficar um ano na Estação Espacial Internacional, batendo o recorde americano de dias consecutivos no espaço, ele compartilha com o leitor o desafio extremo representado pela longa permanência no espaço — tanto os aspectos mundanos, como a saudade da família e o isolamento, quanto os potencialmente mortais, como os impactos em seu corpo e as expedições fora da estação. Memórias sem precedentes de uma viagem única para Kelly e definitiva para a humanidade.

Vejo Você no Espaço - Jack Cheng

Alex tem onze anos e adora o espaço sideral, foguetes, sua família e seu cachorro, Carl Sagan - uma homenagem a seu maior herói, o astrônomo autor de Cosmos e Pálido ponto azul. A missão de vida de Alex é enviar seu iPod dourado para o espaço, do mesmo jeito que Sagan (o cientista, não o cachorro) enviou os Discos de Ouro nas sondas Voyager, em 1977, com sons e imagens da Terra, a fim de mostrar aos extraterrestres como é a vida no nosso planeta. Por isso, Alex constrói um foguete. E por isso ele viaja do Colorado ao Novo México, de Las Vegas a Los Angeles, gravando tudo o que acontece pelo caminho. Ele encontra pessoas incríveis, gentis e interessantes, desencava segredos e descobre que, mesmo para um menino com uma mãe complicada e um irmão ausente, família pode significar algo bem maior do que se imagina.
Um livro tocante e delicioso sobre aprendermos a discernir realidade e aparências, Vejo Você No Espaço é uma lição de que família também se constrói e de que, com honestidade, força e amor, nos tornamos tão grandes quanto o próprio universo.

A Sutil Arte de Ligar o F*da-se - Manson Mark

Chega de tentar buscar um sucesso que só existe na sua cabeça. Chega de se torturar para pensar positivo enquanto sua vida vai ladeira abaixo. Chega de se sentir inferior por não ver o lado bom de estar no fundo do poço.
Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva - sem querer desprezar o valor de nada disso, a grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. É um pecado social se deixar abater quando as coisas não vão bem. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. Não dá mais. É insuportável. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se.
Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. E ele faz isso da melhor maneira. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão.
Para os céticos e os descrentes, mas também para os amantes do gênero, enfim uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto. Livre-se agora da felicidade maquiada e superficial e abrace esta arte verdadeiramente transformadora.

O Touro Ferdinando - Munro Leaf

Um dos maiores clássicos da literatura infantil. A história que deu origem ao filme da Fox, dirigido por Carlos Saldanha.
Com mais de 80 anos de vida, o simpático Ferdinando continua em boa forma. Sua história não envelheceu um dia sequer, ainda hoje conquistando corações e inspirando o respeito pelas diferenças.
Publicado originalmente em 1938, O touro Ferdinando marcou gerações no mundo todo, tendo sido traduzido para mais de 60 idiomas. Com uma narrativa singela, uma união perfeita entre as ilustrações e o texto de humor delicado, o livro conta a história de um touro que, apesar de seu tamanho e sua força, não tem interesse em lutar nas touradas. Tudo que ele quer é cheirar as flores e ficar quietinho no seu canto, mas às vezes o mundo à nossa volta não compreende aqueles que são diferentes da maioria.
Com um personagem encantador e ilustrações impecáveis, a obra traz uma mensagem universal e atemporal e certamente será amada também pelo público brasileiro.

Princesa de Papel - Erin Watt

8 de novembro de 2017

Título: Princesa de Papel - The Royals #1
Autora: Erin Watt
Editora: Essência
Gênero: Romance/Young Adult
Ano: 2017
Páginas: 368
Nota:★★★★☆
Sinopse: Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo.

Resenha: Princesa de Papel é o primeiro volume da série The Royals, escrita por Elle Kennedy (da série Amores Improváveis) e Jen Frederick (Woodlands e Gridiron) sob o pseudônimo de Erin Watt. Os livros da série estão sendo publicados no Brasil pela Editora Planeta de Livros através do selo Essência.

O livro conta a história de Ella Harper, uma jovem que não leva uma vida muito fácil já que, devido aos problemas pessoais e familiares, a garota se tornou uma verdadeira sobrevivente. Sem nunca ter conhecido o pai e com a recente morte da mãe, Ella busca pelo sonho de se formar na faculdade e assim se submete a qualquer trabalho para poder se sustentar, inclusive falsifica a identidade para fingir ser maior de idade e poder trabalhar num clube como dançarina de pole dance.
Em meio as dificuldades que Ella vinha enfrentando, algo de inesperado aconteceu: Callum Royal, um amigo do pai que ela nunca havia conhecido, aparece como seu tutor com a promessa de ajudá-la não só com dinheiro, mas com um lugar seguro onde morar.
Seria difícil recusar uma oferta tentadora como essa e, Ella, mesmo relutante, parte para a mansão dos Royal e passa a conviver com os cinco filhos de Callum, entre eles Reed, o bad boy sedutor tão lindo quanto os outros irmãos. Mas nenhum deles está disposto a fazê-la se sentir bem vinda naquela casa, principalmente na nova escola que ela passa a frequentar onde o que eles ditam acaba virando lei... Reed quer distância da garota pois ela simplesmente não pertence aquele mundo...
O que Ella não imaginava era que toda a raiva e repulsa que ela sentia poderia dar lugar a outro tipo de sentimento tão contrário a esses que ela havia desenvolvido. Resta a garota aprender a lidar com as confusões e fofocas típicas dos estudantes da escola, e a se encaixar num mundo regado a requinte e luxo, mas cheio de oportunismo e trapaças...

O livro é narrado em primeira pessoa e flui muito bem. Embora possa parecer algo clichê e bobo pela premissa, não se deixe enganar. A história da órfã que cái de para-quedas num universo de riqueza pode não ser algo tão original, mas as questões que as autoras levantam, mesmo que muitas delas não devam ser tratadas com seriedade, fizeram a diferença e tornaram o livro bem divertido. Algumas situações são bem nonsense e outras deixam qualquer um indignado e com vontade de transformar o livro numa pessoa, de preferência no próprio Reed, para socá-la na cara. Mas levando em consideração que o livro deve ser encarado sem maiores pretensões (de acordo com as próprias autoras), dá pra ir levando e fazendo cara de paisagem pra algumas cenas nada a ver.

Ella é uma tem apenas dezessete anos, mas já viu e viveu muitas coisas que deram a ela um certo grau de experiência de vida que muitos de sua idade não tem. Ela é determinada e tem a personalidade muito forte, com algumas excessões, mas ao mesmo tempo é desconfiada e resistente quando o assunto é o desconhecido, seja no que diz respeito às pessoas ou novidades, mas mesmo que esteja numa situação que a tenha tirado de sua zona de conforto, ela faz de tudo para se adaptar. Ao se sentir ameaçada e constantemente confrontada por Reed, que acredita que ela não passa de uma oportunista que quer se aproveitar de sua família, eles praticamente entram em guerra, mas muitos sabem que sentimentos mais intensos nascem de situações caóticas e cheias de más interpretações... Assim, um inimigo pode acabar se tornando o que menos se espera. Porém, e coloque um porém bem grande aqui, quando qualquer coisa surge de um relacionamento abusivo, por mais que haja tentativas de se justificar comportamentos questionáveis de sujeitos que crescem sem limites numa família completamente disfuncional, questões envolvendo a moral, desvios de caráter, os valores de alguém e etc, não consigo aceitar muito bem que um final feliz esteja alí esperando por todos no fim quando a personagem aceita ser tratada de forma abusiva. Reed é apresentado como um carinha mimado que acha que é dono do mundo e pode controlar os outros como bem entende, e, até que isso fosse desconstruído, eu já tinha tomado uma antipatia enorme da criatura. Não sou muito fã de relacionamentos nem um pingo saudáveis, mas é exatamente este elemento que serve para o desenvolvimento não só da história, mas do próprio caráter dos personagens envolvidos em toda aquela confusão que chamam de família.

O projeto gráfico do livro é muito bem feito, assim como a diagramação. Percebi alguns erros na revisão/tradução mas nada que tenha afetado a compreensão da frase.

Embora seja cheio de exageros e vagamente tenha me lembrado outras tramas, Princesa de Papel é uma leitura que dá pra curtir e até me arrancou algumas risadas, pois tem seus momentos de bom humor. Assim, recomendo a leitura pra quem goste de histórias a lá novelas mexicanas, com reviravoltas, segredos e revelações bombásticas e vários conflitos familiares que só fazem com que a vontade de devorar cada capítulo aumente. É leitura pra um único dia, pois é impossível largar o bendito livro.