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Holly - Stephen King

15 de novembro de 2023

Título:
 Holly
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Gênero: Suspense/Mistério/Policial
Ano: 2023
Páginas: 448
Nota: ★★★★★
Sinopse: Holly Gibney surgiu tímida e reclusa em Mr. Mercedes e se tornou uma detetive particular talentosa. Neste romance inédito de Stephen King, ela retorna para enfrentar dois adversários perversos.
Penny Dahl está desesperada para encontrar a filha, Bonnie, que sumiu sem deixar vestígios. Em busca de ajuda profissional, ela liga para a agência Achados e Perdidos, sob o comando de Holly Gibney. A detetive reluta em aceitar o caso, porque deveria estar de licença, mas algo na voz de Penny faz com que Holly não consiga ignorar o pedido.
A poucos quarteirões de onde Bonnie foi vista pela última vez, moram Rodney e Emily Harris. Um casal de acadêmicos octogenários, dedicados um ao outro, eles simbolizam a banalidade da classe média suburbana. No entanto, no porão de sua casa bem cuidada e repleta de livros, os dois escondem um segredo terrível, que pode estar relacionado ao desaparecimento de Bonnie.
Descobrir a verdade se torna uma tarefa quase impossível, e Holly dependerá de seus talentos extraordinários para desmascarar os professores ― antes que eles ataquem novamente.

Resenha:
 Ambientado em plena pandemia de Covid 19 em 2021, a detetive particular Holly Gibney se depara com um caso de desaparecimento do qual ela não pôde recusar, mesmo que estivesse de licença. Bonnie sumiu sem deixar vestígios e sua mãe, desesperada, vai até a agência "Achados e Perdidos" pedir ajuda para Holly e convencê-la a encontrar a filha.
A poucos quarteirões de onde Bonnie foi vista pela última vez, há uma casa bem cuidada onde vive um casal de professores acadêmicos octogenários que, aparentemente, estão acima de qualquer suspeita. O que ninguém imagina é que há algo de sinistro acontecendo no porão dessa casa e que pode ter relação com o sumiço de Bonnie, logo cabe a Holly usar seu talento para descobrir a verdade, desmascarar os professores e impedir outro ataque.

Antes de dar minha opinião, vou dizer que não li a trilogia Bill Hodges, onde a protagonista aparece pela primeira vez. As resenhas disponíveis aqui no blog foram feitas pelo Lucas, na época em que ele ainda era colaborador, e eu acabei não tendo a oportunidade de ler esses livros (ainda). Talvez fizesse alguma diferença ou desse uma noção melhor do que esperar dela pois, pelo que pesquisei, há muita informação sobre Holly e seu passado na trilogia que não é abordada nessa obra. Claro que é possível ler este sem ter lido os outros livros e sem risco de se perder, mas com um conhecimento prévio talvez a experiência poderia ter sido diferente, não sei.

Diferente de histórias policiais onde o autor segura a identidade do vilão até a última página, aqui os maníacos já são revelados no começo. A expectativa é acompanhar pra saber quando vão ser descobertos e como (e se) isso vai acontecer. King já fez isso em outros de seus livros e é um formato que funciona muito bem pois ele consegue conduzir a história mantendo o suspense e o mistério para os personagens que estão envolvidos alí mas não sabem o que está acontecendo. Narrado em terceira pessoa, com capítulos que se alternam entre presente e passado dos personagens, vamos acompanhando Holly em meio às investigações, além dos detalhes dos crimes horrendos cometidos pelo casal de professores. As motivações para os crimes são expostas, assim como o modus operandi desses dois, que é usar a aparência inofensiva para atrair e capturar as vítimas até que sejam levadas ao porão. Várias cenas são desesperadoras, causam muito desconforto, são bizarras, e o nível de crueldade chega a revirar o estômago. É uma representação muito extrema do que é a maldade humana.

Eu realmente gostei muito da história, fiquei super envolvida e até agoniada em diversas cenas bizarras e apavorantes. A Covid 19 foi praticamente um personagem da história e fiquei com a impresão de que o autor estava um tanto indignado e quis politizar o tema, não só se posicionando contra o governo da época, mas mostrando o contraste enorme entre aqueles que levam o perigo da doença a sério e se protegem, e os birutas negacionistas que não estão nem aí ou recorrem a "tratamentos" que não existem. Essas questões políticas e sociais acabam trazendo muita realidade à trama, até mesmo porque também representa o que vivenciamos aqui no Brasil. O autor retrata os acontecimentos que o mundo inteiro passou, assim como incorpora o comportamento das pessoas em quarentena diante da insegurança, da confusão e do medo de não saberem o que estava por vir.

Holly é uma mulher madura e muito persistente que precisa lidar com os próprios desafios pessoais enquanto se dedica ao trabalho com bastante afinco. A história, que já é rica devido aos detalhes do mistério que gira em torno dos crimes, fica ainda mais interessante quando as camadas da vida de Holly começam a ser reveladas. E tudo isso em meio a pandemia onde todas as pessoas ou estão sem saber o que fazer por nunca terem tido uma experiência desse nível na vida, ou estão se comportando feito loucas por não acreditarem que aquilo é real.
Os demais personagens também são bem construídos e desempenham papeis relevantes e importantes para Holly no que diz respeito às investigasções e até a sua própria rotina.

Um ponto que achei genial é a dualidade criada por King ao retratar esse casal. Ao mesmo tempo em que eles representam a banalidade da classe média que vive no suburbio, eles representam o que há de pior no ser humano, mostrando que por trás de uma aparência inofensiva, algo de terrível pode estar escondido e não se pode confiar em ninguém.

No mais, pra quem é fã de Stephen King, já sabe o que esperar do mestre. Recomendo muito a leitura, principalmente pela ideia do autor de inserir o tema da pandemia à história de forma orgânica e imersiva, mostrando que o horror vai além do true crime, e que a vida de milhões esteve nas mãos de pessoas limitadas, imbecis, egocêntricas e só tomaram decisões horríveis que resultaram no que todos nós testemunhamos, não só nos EUA, mas por aqui também...

Na Telinha - Wandinha

5 de dezembro de 2022

Título
: Wandinha (Wednesday)
Temporada: 1 | Episódios: 8
Distribuidora: Netflix
Elenco: Jenna Ortega, Gwendoline Christie, Catherine Zeta Jones, Luis Guzmán, Christina Ricci, Emma Myers, Hunter Doohan, Percy Hynes-White, Riki Lindhome, Georgie Farmer, Joy Sunday, Moosa Mostafa, 
Gênero: Sobrenatural/Fantasia/Mistério
Ano: 2022
Duração: 55min
Classificação: +12
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Inteligente, sarcástica e apática, Wandinha Addams pode estar meio morta por dentro, mas na Escola Nunca Mais ela vai fazer amigos, inimigos e investigar assassinatos.

Baseada nos personagens clássicos de A Família Addams, Tim Burton e companhia produziram a série Wandinha, que traz a adolescente de olhar penetrante, fria e calculista, e que despreza tudo e todos, de volta às telinhas ao incorporar uma detetive astuta que se vê ligada a um tipo de profecia macabra e se dedica a passar por cima da polícia para desvendar enigmas mirabolantes e investigar uma série de assassinatos misteriosos que acometem a fictícia cidadezinha de Jericho e a Academia Nunca Mais, a escola/internato pra onde ela é enviada contra sua vontade depois de ter sido expulsa da anterior por "tentativa de homicídio", onde seus pais estudaram quando eram adolescentes, e onde os "excluídos, aberrações, criaturas sobrenaturais e afins" aprendem a dominar suas habilidades numa época contemporânea e cheia de referências às tecnologias e redes sociais da atualidade, tecnologias estas que Wandinha se recusa a utilizar e tem uma opinião sólida e formada sobre.
"As redes sociais são um vazio de afirmações insignificantes"
Addams, Wandinha

Com a ajuda de Mãozinha, conforme Wandinha investiga os mistérios da cidade e da escola para descobrir quem é o assassino, ela também equilibra as investigações fazendo amizades e inimizades por aí, e ainda tem sessões de terapia compulsória numa tentativa de controlar melhor seu temperamento bizarro e seu instinto assassino.

A série tem vários toques de bom humor e traz várias referências que, num geral, casam bem com as cenas um pouco mais pesadas que envolvem violência, sangue esguichando, partes de corpo espalhadas e feridas abertas e horrorosas. Mas apesar de ser divertida e bem instingante, o que não curti muito foi exatamente o aproveitamento dos personagens da família Addams, que inclusive já foi bastante explorada, pra criar uma história que poderia ter sido feita com qualquer outro personagem nesse estilo a la Tim Burton (tornando as coisas um pouco mais originais talvez?). Essa pegada adolescente de primeiro amor, primeiro beijo, paixões não correspondidas, enemies to friends e afins não parecem se encaixar muito bem na atmosfera mórbida e obscura da qual quem cresceu assistindo Família Addams se lembra, e a nostalgia acabou ficando prejudicada pra mim nesse sentido. Muitos personagens não foram bem aproveitados, como é o caso de irmão de Wandinha, Feioso, que só aparece pra comer; Tio Chico, que acaba aparecendo pra ser um facilitador de enredo, fazendo uma participação um tanto conveniente para o desenrolar dos fatos; e os próprios pais, Mortícia e Gomez, que parecem estar deslocados e sem personalidade alguma.

Outra coisa é que em meio a essa investigação sobrenatural da qual Wandinha deposita toda a sua energia, ao final quando a identidade do monstro enfim é revelada, fiquei com aquela sensação de que qualquer um poderia ter assumido esse papel e a série poderia ter tido dezenas de finais diferentes de acordo com a conveniência.



Na série, Wandinha está aprendendo mais sobre seu dom sobrenatural há pouco descoberto, que é ter visões do passado e do futuro quando encosta em alguém ou em alguma coisa ligada a determinado acontecimento, o que, obviamente, a ajuda muito durante suas investigações. Quando ela entra em transe durante as visões é um tanto assustador, pois ela fica com os olhos vidrados e joga o corpo pra trás de repente como se fosse se partir ao meio, e acredito que o incômodo que essa esquisitice causa em quem assiste, assim como a expressão firme e mega rígida da personagem que não pisca uma vez sequer e faz qualquer um pensar que ela seja uma maníaca, é totalmente proposital - e bem colocada inclusive. A ideia dela estar num ambiente que faz com que ela demonstre o quanto é forte, corajosa e amadureça com essas experiências é bastante interessante e fortalece essa personalidade peculiar, e penso que seja mais interessante do que os momentos em que ela começa a ceder a ponto de demonstrar um pouco de humanidade, compaixão e, pasmem, sentimentos. É quase a mesma coisa que esperar que, por exemplo, uma Miranda Priestly da vida (Meryl Streep em O Diabo veste Prada) peça desculpas pra alguém. Inconcebível.


Enfim, o visual da série é super adequado ao que se propõe, pois parece ampliar a atmosfera sombria da família pra outros ambientes, fazendo com que a protagonista leve o preto e branco por onde passa. O ar de lugubridade que cerca Wandinha promove um enorme constraste com a escola e a cidade, principalmente no que diz respeito a sua colega de quarto, Enid Sinclair, uma adolescente que descende de uma família de lobisomens, feliz, sorridente e saltitante, sempre empolgada com qualquer coisa, viciada em redes sociais, maquiagem, contato físico e mais cores do que Wandinha é capaz de suportar.


Sei que as propostas são diferentes, mas ainda acho que Angelica Houston como Mortícia, e Christina Ricci como Wandinha da família Addams dos anos 90 são insuperáveis, inclusive Ricci também faz parte do elenco interpretando Marilyn Thornhill, a professora de Herbologia (se não me engano) de Nunca Mais e que parece ter muitos segredos. Achei super legal a participação dessa atriz na série.


No mais, penso que seja uma série pra assistir sem compromisso, pra se divertir e curtir, e pra se curar de uma ressaca de outra série mais pesada. Tem suas falhas, tem seus clichês, talvez funcione melhor com um público que teve pouco ou nenhum contato com o material original para evitar comparações, mas não nego que gostei e maratonei até acabar.


Garota, 11 - Amy Suiter Clarke

4 de dezembro de 2021

Título:
Garota, 11
Autora: Amy Suiter Clarke
Editora: Suma
Gênero: Thriller/Suspense/Mistério
Ano: 2021
Páginas: 304
Nota:★★★☆☆
Compre: Amazon
Sinopse: Uma apresentadora de podcast obcecada por um crime não resolvido. Um serial-killer que volta a matar garotas, vinte anos depois de ter desaparecido. A caçada começa agora.
Elle Castillo é a apresentadora de um podcast popular sobre crimes reais. Depois de quatro temporadas de sucesso, ela decide encarar um caso pelo qual sempre foi obcecada ― o do Assassino da Contagem Regressiva, um serial-killer que aterrorizou a comunidade vinte anos atrás. Suas vítimas eram sempre meninas, cada qual um ano mais jovem que a anterior. Depois que ele levou sua última vítima, os assassinatos pararam abruptamente. Ninguém nunca soube o motivo.
Enquanto a mídia e a polícia concluíram há muito tempo que o assassino havia se suicidado, Elle nunca acreditou que ele estava morto. Ao seguir uma pista inesperada, no entanto, novas vítimas começam a aparecer. Agora, tudo indica que ele está de volta, e Elle está decidida a parar sua contagem regressiva.

Resenha: Elle Castillo é uma ex assistente social que largou para apresentar o "Justiça Tardia", um podcast bem popular sobre crimes reais que nunca foram resolvidos.
Depois de ter feito sucesso com 4 temporadas do seu podcast, Elle quer retomar um caso antigo de um serial killer que fazia vítimas cuja idade era sempre um ano mais jovem que a vítima anterior, o caso ficou conhecido como "Assassino da Contagem Regressiva" (ou ACR). Nenhum assassinato aconteceu mais depois que uma menina de 11 anos foi morta, vinte anos se passaram desde então e a polícia acredita que o criminoso já estás morto depois de duas décadas sem notícias.
Mas Elle não acredita na teria da polícia, e sua obsessão por esse caso, para que a justiça seja feita, não permite que ela simplesmente esqueça.

Até que uma criança desaparece e o padrão do suposto crime é o mesmo do ACR. Não se sabe se o assassino voltou a ativa, ou se é alguém o imitando motivado pelo sucesso do Justiça Tardia, e agora Elle ficará envolvida com a investigação do caso, e com os dilemas e a angústia de manter o podcast no ar, mas independente do que aconteça, ela está decidida a interromper essa contagem regressiva.

A narrativa é uma transcrição do podcast de Elle, com detalhes de situações de seu cotidiano, e com passado e presente se intercalando pra abranger a trama, e é um tipo de formato que deixa a história bem dinâmica, envolvente e fluída. Além das entrevistas, há descrições de vinhetas e efeitos sonoros do podcast, aumentando a experiência de imersão. É como se estivéssemos mesmo acompanhando o podcast. Um ponto super positivo é sobre as pesquisas que a autora fez sobre esses tipos de casos, então a investigação em si tem uma base sólida e bem aprofundada pra ser desenvolvida tornando tudo muito crível, e por ser um livro de estreia tudo isso deve ser levado em consideração. Pode ser que essa "lentidão" incomode quem goste de thrillers com mais adrenalina.

O problema pra mim (e talvez pra quem já leu outros thrillers mais pesados), é que muitas coisas que acontecem são convenientes e facilitam muito essa jornada da investigação, e isso acaba fazendo com que os leitores consigam pegar pistas que tornam algumas descobertas óbvias. A construção de Elle é muito boa, é uma personagem com camadas e que tem sua motivação justificada para insistir em resolver esse crime. Ela não quer se meter nesse caso apenas pela curiosidade, a coisa vai muuuito além e, mesmo que ela tenha algumas atitudes bem irresponsáveis e que jamais resultariam em boa coisa se fosse algo verídico, é tudo bem interessante de se acompanhar. O assassino é muito bem construído e os detalhes de sua forma de agir dá aquela sensação de pavor. A trama de maneira geral não preza por reviravoltas mirabolantes, mas sim, foca nos mínimos detalhes para não só mostrar esse lado investigativo do caso, mas também transmitir uma mensagem super relevante sobre feminismo e empoderamento feminino, enquanto faz críticas pertinentes ao machismo e a responsabilidade de influenciadores que seguem esse nicho ao falar de crimes na internet enquanto há pessoas envolvidas que podem assistir e serem afetadas por isso.

Stalker - Tarryn Fisher

25 de janeiro de 2019

Título: Stalker
Autora: Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Gênero: Suspense/Mistério
Ano: 2018
Páginas: 256
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Deprimida após sofrer um aborto espontâneo, Fig Coxbury passa seu tempo em praças observando as crianças que poderiam ser a sua filha. Até que uma menininha brincando com a mãe desperta uma obsessão. Logo, Fig se vê mudando de casa e de bairro não por necessidade, mas porque a casa vizinha oferece tudo o que ela mais deseja: a filha, o marido e a vida que pertence a outra pessoa.

Resenha: Depois de sofrer um aborto, Fig se tornou uma mulher extremamente perturbada que passou a acreditar que sua filha reencarnaria em alguma criança próxima. Assim, ela passa seu tempo em parques e praças observando crianças com intuito de encontrar sua filha em uma delas. Mercy, filha de Jolene, chama a atenção de Fig, que começa observando e tirando algumas fotos da menina, mas logo ela se muda para a casa ao lado da de Jolene para ficar mais próxima de sua família. A aproximação gera uma amizade, e não demora para que Fig copie tudo que Jolene faz na intenção de fazer melhor, pois segundo ela, Jolene é uma Mãe Desnaturada que não merece a vida e a família que tem. Jolene não enxerga o problema e acredita que o comportamento de Fig foi desencadeado pela perda da filha e pela solidão, e que ela só precisa ser compreendida. Até que Darius, psicólogo e marido apaixonado de Jolene, percebe que existe algo de errado: Fig está obcecada não só por sua esposa, mas pela vida que ela construiu.

O livro é dividido em três partes destinadas ao ponto de vista de cada personagem, Fig, Jolene e Darius. Num primeiro momento conhecemos Fig e como ela se tornou tão obsessiva, porém as descrições e seu desenvolvimento se estendem mais do que o necessário, tornando esta parte longa, arrastada e muito repetitiva em alguns pontos.
Jolene é uma mulher que, embora se esforce, é um tanto ingênua por preferir enxergar o lado que ela acredita ser bom nas pessoas. Por mais que ela seja alertada sobre o comportamento questionável e perigoso de Fig, ela sempre encontra justificativas, se nega a enxergar o problema e continua dando a mão para a nova "amiga" sempre que necessário.
Já o ponto de vista de Darius é o mais interessante e esclarecedor, talvez por ele ser psicólogo e ter conseguido identificar melhor as características doentias de Fig. Ela inclusive acredita que ele seja o homem e marido perfeito que Jolene não valoriza, mas pelos olhos de Darius percebemos que ele é um homem que também tem, seus defeitos.

A história foi baseada em acontecimentos reais da vida da própria autora, o que torna tudo ainda mais assustador. A trama em si é interessante e, mesmo que com vários problemas de construção e desenvolvimento, mostra um lado bastante perturbador do que é ser uma sociopata, assim como ser perseguida por uma stalker, porém existem muitos pontos confusos e sem as devidas explicações que só fazem milhões de pontos de interrogação pairar sobre nossas cabeças. Um deles é sobre o marido de Fig, que embora exista, é totalmente esquecido, aparecendo num pequeno momento por questão de conveniência.
A sensação que tive com essa leitura foi a de acompanhar fragmentos de uma situação problemática por três pontos de vista diferentes, como se a história estivesse sendo contada faltando pedaços e a obrigação do leitor é montar esse quebra-cabeças maluco. O final também é totalmente WTF, surreal, e a impressão é de estar ali só pra deixar aquela sensação de amargo na boca.

Enfim, este foi um livro ok, com mais falhas do que méritos, mas ainda assim vale a leitura pelo tema delicado. Stalker é uma história interessante, porém mal executada, sobre o desejo de se ter o que não deveria estar ao alcance, e que consegue mostrar um pouco da fraqueza humana, da sociopatia, da psicopatia, e que a mesma história pode ter a mesma versão, só depende do ponto de vista de quem vê.


Sempre Vivemos no Castelo - Shirley Jackson

8 de janeiro de 2019

Título: Sempre Vivemos no Castelo
Autora: Shirley Jackson
Editora: Suma de Letras
Gênero: Mistério
Ano: 2017
Páginas: 200
Nota:★★★★☆
Sinopse: Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.

Resenha: Os Blackwood são uma família endinheirada e bem esquisita, e nunca foram bem vistos no vilarejo onde moram. Cochichos e fofocas sempre rodearam esta família peculiar, mas as coisas pioraram quando a filha mais velha, Constance, foi acusada de matar quase toda a família envenenada. Constance foi inocentada mais tarde, mas deixou de sair de casa, passou a sofrer de agorafobia, e quem ficou responsável por ir até a cidade para fazer compras da casa foi Merricat, a irmã de dezoito anos, já que Tio Julian não sai de casa por ser paraplégico e esclerosado. E toda semana, quando Merricat vai até a cidade para fazer compras ou visitar a biblioteca, ela ouve várias ofensas de todo tipo de gente maldosa que vive na cidade, e seu ódio é tanto que o mínimo que ela deseja para todos eles é a morte. Ela só quer viver feliz com seu gato, sua irmã e seu tio sem que nada nem ninguém atrapalhe.
Até que um dia, o primo Charles aparece na residência, quebrando aquele frágil equilíbrio que resistiu a tanta hostilidade, e ele logo começa a ditar ordens. Merricat, pressentindo o perigo e convencida de que ele está acabando com a alegria de todos, vai fazer qualquer coisa para defender a irmã.

A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista fantasioso, imaturo e nem um pouco confiável de Merricat. Embora ela tenha dezoito anos, a impressão que fica é que se trata de uma criança de cinco anos de idade contando o que está acontecendo sem que tenha um pingo de credibilidade.
Merricat é cheia de manias absurdas e irritantes, vive sonhando acordada, e seu único intuito é o de manter a harmonia na casa a qualquer custo.
Parte da narrativa é feita por tio Julian, que vai contar o que aconteceu com a família, mas as lembranças dele são tão confiáveis quanto as da protagonista. Assim vamos acompanhando a rotina da família que precisa ser mantida a qualquer custo, o quanto Merricat odeia e amaldiçoa cada morador do vilarejo, o quanto se preocupa com a irmã, suas desconfianças com a presença do primo Charles, suas simpatias e rituais de proteção para cuidar da casa e da família e afastar as outras pessoas de suas vidas, e a dúvida que todos tem: Quem matou os Blackwood?

Há alguns pontos questionáveis, como por exemplo, a reação das pessoas diante de algo feito por Merricat quando anteriormente ela só estava pensando em fazer algo, ou a ideia dela passar um tempo na biblioteca mas nunca estar lendo nada, ou até elementos sobrenaturais que parecem estar alí sem um sentido maior. Já o mistério que cerca a história, e os dramas que as meninas vivem por causa da tragédia e também por serem consideradas diferentes é, sim, interessante. Por esse ponto vemos um pouco do lado de quem se sente rejeitado e excluído da sociedade, por mais maluca que essa pessoa seja.

Como o livro é fininho, não é possível contar muito mais sem que spoilers sejam dados, mas posso dizer que a autora soube, sim, inserir boas doses de terror na história com intenção de causar incômodo e perturbação, mas a ideia do amor entre irmãs estar alí, fazendo com que elas tirem forças sabe-se lá de onde para cuidarem uma da outra já que não podem contar com mais ninguém, é simplesmente adorável. Até onde alguém vai para proteger e manter próximo quem se ama?
O fato dos personagens terem comportamentos estranhos, dificilmente vão conquistar a simpatia dos leitores, mas talvez a boa ideia de Shirley Jackson tenha sido exatamente essa, fugir de estereótipos de mocinhos e vilões para trazer personagens irritantemente interessantes.

Pra quem gosta de narrativas poéticas e diferentes, com toques de terror, mistério e humor negro, é leitura mais do que indicada.

A Garota do Lago - Charlie Donlea

8 de novembro de 2018

Título: A Garota do Lago
Autor: Charlie Donlea
Editora: Faro Editorial
Gênero: Suspense/Policial
Ano: 2017
Páginas: 296
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Alguns lugares parecem belos demais para serem tocados pelo horror...
Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada.
Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.
E logo se estabelece uma conexão íntima quando um vivo caminha nas mesmas pegadas dos mortos...
E enquanto descobre sobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado...

Resenha: Becca Eckersley é uma estudante de direito, filha de um advogado poderoso, no auge da vida. Ela é jovem, bonita e com um futuro promissor, mas, há algumas semanas, Becca foi assassinada. Embora o crime tenha chocado os moradores da cidadezinha de Summit Lake, a polícia decidiu manter o caso em sigilo, e isso acaba despertando a atenção da jornalista Kesley Castle, que quer descobrir quem matou Becca, e o porquê.
Enquanto Kelsey começa sua investigação, ela, inevitavelmente, se identifica com Becca. As duas sofreram e tiveram momentos dolorosos em comum, e isso serviu como um gatilho para que a jornalista vá a fundo nessa história, sem descanso. Porém, a medida que a investigação de desenrola, várias pessoas se tornam suspeitas, e Kelsey se vê cercada de informações cruciais e segredos sombrios que não só iriam ajudá-la a resolver o caso, mas ajudá-la a superar as cicatrizes de um passado bem parecido com o de Becca.

Assim como nos outros livros do autor, este tem uma narrativa bem fluída, feita em terceira pessoa, carregada de detalhes, e o leitor praticamente participa da investigação feita pela protagonista. Fatos do passado e do presente se alternam de forma dinâmica e intensa, conectando os pontos dentro da investigação.
Os capítulos são curtos e vão mostrando os últimos momentos da vida de Becca, e como eles se encaixam para Kelsey solucionar este caso trágico, e, através disso, podemos perceber o quanto as duas são parecidas e por que Kelsey faz tanta questão de resolver tudo. Ela acredita que resolver o caso ajudaria ela superar um trauma sofrido no passado.

No decorrer da história, é possível que o leitor bole teorias a fim de tentar descobrir quem é o assassino de Becca, e as reviravoltas que a trama oferece acabam nos levando para outro lado várias vezes, porém, desde os primeiros capítulos, eu já desconfiei de um personagem em particular, e por mais que o autor tenha dado voltas e tentando nos fazer pensar que fosse outra pessoa dentre os suspeitos, e inserindo toques de suspense que não me deixaram nada apreensiva, eu não acreditei que o assassino pudesse ser outro. Assim, por mais que a trama prenda e traga situações inesperadas, não foi algo que me surpreendeu tanto como esperei. Não achei que título também tenha muito a ver com a história em si, e talvez fosse melhor que o título original, que é o nome da cidadezinha, fosse mantido, e nem achei que a própria Kelsey teve o devido aprofundamento que merecia para torná-la no mínimo uma personagem interessante. Por mais que ela tenha ficado envolvida emocionalmente com o caso, o que poderia justificar uma suposta fragilidade, Kelsey é uma jornalista experiente e com algum renome, mas o que percebi foi uma enorme falta de tato e percepção. As informações que ela precisava para seguir em frente eram obtidas de forma muito fácil e conveniente, com ajuda dedicada de pessoas improváveis que sequer a viram alguma vez na vida, logo a investigação em si não me soou tão convincente, e nem que ela, como escritora e jornalista, fosse tão competente como fizeram parecer que fosse.

A capa é muito bonita e chamativa, as página amarelas são grossas e de qualidade superior, a diagramação da Faro é ótima, como sempre, e nesta parte só tenho elogios a fazer.

A Garota do Lago, apesar de ter algumas falhas estruturais, é um bom livro policial para quem quer ler de forma despretensiosa e não se liga muito em clichês. Os personagens, embora sem muito aprofundamento, são interessantes e muitas vezes acabam sustentando a trama nas costas, mas não acho que seja um livro totalmente imperdível para os fãs do gênero. É bom, mas esperava mais.


Origem - Dan Brown

16 de janeiro de 2018

Título: Origem - Robert Langdon #5
Autor: Dan Brown
Editora: Arqueiro
Gênero: Suspense/Mistério
Ano: 2017
Páginas: 432
Nota:★★★★☆
Sinopse: De onde viemos? Para onde vamos?
Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete "mudar para sempre o papel da ciência".
O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento... algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana.
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch... e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.

Resenha: Quando Robert Langdon chega ao Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, o que ele tinha em vista era apenas assistir a uma apresentação de Edmond Kirsch, seu ex-aluno e amigo. Kirsch alegou ter feito uma descoberta tão importante envolvendo ciência e religião que o mundo inteiro ficaria abalado. Respostas para as perguntas "De onde viemos?" e "Pra onde vamos?" seriam, enfim, respondidas na dita apresentação. Porém, em meio a apresentação, alguns acontecimentos inesperados que instalam o caos no museu colocam a descoberta em risco, e, se nada for feito, a descoberta de Kirsch estaria perdida para sempre.
A fim de tornar as informações públicas, Robert se junta a Ambra Vidal, diretora do museu e amiga de Edmond, e eles partem numa jornada cheia de ação, aventura e recheada de elementos históricos e simbologia, em busca da chave para desvendar o segredo de Kirsch, que mudaria a percepção da humanidade sobre o mundo.

Origem é o quinto livro da saga Robert Langdon onde mais uma vez o protagonista se vê em meio a uma corrida frenética em busca da solução de algo de suma importância para o mundo.
Assim como nos livros anteriores (só não posso falar com propriedade sobre O Símbolo Perdido e Inferno pois ainda não li), a trama tem uma estrutura que funciona a base de uma "fórmula", a)  Robert em perigo, b) uma mulher que se torna sua parceira, c) um segredo que vai abalar todas as estruturas envolvendo ciência e religião, d) personagem acima de qualquer suspeita que se revela o vilão, e e) elementos históricos com simbolismo, e por mais que o autor combine esses elementos e construa uma história crível, envolvente e capaz de fazer com que o leitor reflita acerca de várias questões relacionadas ao tema, ela acaba sendo bastante previsível e até arrastada quando toca no ponto da descoberta de Kirsch, que demora uma eternidade para ser revelada e quando as explicações aparecem não é nada tão drástico assim. Sim, o autor é genial e consegue emendar fatos como ninguém, assim como a forma como ele articula essas questões que acabam sendo o grande clímax da trama, trabalhando em cima de questões que não são inéditas, mas dando um ponto de vista bastante criativo e que, de certa forma, funciona como as tão esperadas respostas.

Os capítulos são curtos, a narrativa é feita em terceira pessoa e alterna o ponto de vista entre os personagens, dessa forma a história é contada de uma forma "fragmentada" forçando o leitor a montar um tipo de quebra-cabeças, onde os encaixes vêm a medida que as coisas vão se desenrolando de forma bem gradual.

Claro que não é possível falar de um livro escrito por Dan Brown e não elogiar o homem pelo cuidado com os detalhes sobre fatos históricos e descrições sobre arquitetura, obras de arte e afins, assim como os inúmeros enigmas mirabolantes que os cercam, mas neste livro ele dá um espaço maior para as teorias científicas e na busca de uma senha específica para que o protagonista e sua companheira tenha acesso às informações bombásticas que devem ser reveladas, e as questões dos enigmas e a forma como os demais elementos estão interligados são bastante escassas.

Enfim, Origem é um livro muito bom pra quem é fã de Dan Brown e gosta de um suspense envolvendo questões delicadas e polêmicas das quais muitas pessoas buscam por respostas, e embora não seja meu livro preferido do autor, a leitura é válida pelas referências utilizadas e pela grande quantidade de informações que, querendo ou não, acabam sendo uma notável fonte de conhecimento.

Objetos Cortantes - Gillian Flynn

18 de março de 2017

Título: Objetos Cortantes
Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Gênero: Thriller/Suspense/Mistério
Ano: 2015
Páginas: 254
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas | Amazon
Sinopse: Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.
Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado.
Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Resenha: Depois do sucesso estrondoso de Garota Exemplar, a autora Gillian Flynn teve outras obras publicadas pela Intrínseca aqui no Brasil.
Objetos Cortantes narra a história de Camille, uma repórter de um jornal em Chicago. A morte de duas garotas em sua cidade natal, Wind Gap, a faz retornar para lá a fim de investigar o ocorrido e redigir uma reportagem para seu editor. Esse retorno, entretanto, gera mais do que uma simples investigação: além de descobrir a identidade do assassino, Camille terá que lidar com os fantasmas do seu passado.

A capacidade de Gillian trabalhar o modo psicológico em seus livros fica evidente a cada obra lançada pela autora. Enquanto em Garota Exemplar a insanidade de uma mulher é mostrada ao decorrer da história, em Objetos Cortantes temos também várias figuras femininas como principais no enredo. Pouco a pouco a personalidade delas é trabalhada e desenvolvida, mas há um mistério excelente na relação das personagens e isso instiga muito, criando dúvidas quanto ao papel desempenhado por cada uma delas. Flynn consegue construir figuras interessantes em cada obra sua, de modo que o necessário é mostrado e o principal é escondido e guardado para o final.

A narrativa é feita em primeira pessoa por Camille, uma mulher de trinta e poucos anos que carrega um passado turbulento e cheio de "marcas". A personagem é complexa, tem uma personalidade profunda e é até meio similar a Amy Exemplar. O contato o dela com a mãe, Adora, é o que há de mais interessante em Objetos Cortantes. Espera-se de relação mãe versus filha algo cheio de amor e compreensão, mas entre as duas não há nada além de frieza. É estranho ver com as duas se relacionam. Gradativamente, Flynn vai esmiuçando os diversos pontos dessa proximidade maternal tão peculiar e surpreende ao mostrar o modo como isso se originou.

Outra personagem que tem grande importância é Amma, filha de Adora e meia-irmã de Camille. A representatividade da precocidade juvenil é evidente nela. Com apenas treze anos, muitos seios e uma sexualidade já aflorada, a garota é tudo o que não espera-se de uma menina tão jovem.  Mas além disso, a forma como ela se porta diante de diversas situações é muito medonha. Em diversos momentos ela profana coisas horríveis para irmã e em outros está calma e doce. Uma verdadeira bipolar.

Objetos Cortantes é um livro curto de leitura fácil e rápida. A história instiga não pelo fato de seu desenvolvimento acelerado e investigação policial, mas, sim, por ter acontecimentos intrigantes em torno da protagonista. A história tem um foco maior no teor psicológico e é isso que a torna tão boa. Por que Amma se comporta de maneira tão estranha? Por que Adora não gosta da própria filha? Por que Camille usava objetos para cortar-se? Perguntas como essas surgem e se arrastam até o final. O desfecho surpreende e deixa uma moral: nem tudo que parece realmente é.

Por que esta noite é diferente das outras? - Lemony Snicket

19 de setembro de 2016

Título: Por que esta noite é diferente das outras? - Só Perguntas Erradas #4
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Gênero: Infantojuvenil/Aventura/Mistério
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota: ★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: O jovem Lemony Snicket começou seu aprendizado em uma organização misteriosa e partiu para Manchado-pelo-mar, uma cidade decadente onde se criavam polvos para a produção de tinta. Sua excêntrica tutora, S. Theodora Markson, foge no meio da noite para pegar o trem rumo à cidade grande. Agora ele precisa investigar por que ela está indo embora sorrateiramente e quem ela precisa encontrar nesse trem. Mas um crime terrível acontece no meio da viagem?
Quem é o culpado?
Quem são os passageiros - bem suspeitos - do trem?
Por que uma parada não programada acontece?
Será que tudo isso faz parte dos planos do vilão Tiro Furado?
Você descobrirá tudo isso no quarto e último volume da série Só Perguntas Erradas. 

Resenha: Depois do roubo da Fera Ressonante, depois de Cleo Knight ter desaparecido, e depois de uma onda de incêndios misteriosos terem acometido Manchado-pelo-mar, o jovem aspirante a detetive, Lemony Snicket, no quarto e último volume da série Só Perguntas Erradas, está de volta para encerrar sua saga cheia de aventuras em companhia de sua tutora S. Theodora para acabar de uma vez por todas com Tiro Furado, aquele vilão inescrupuloso e maligno.

Dessa vez, Lemony segue S. Theodora após tê-la flagrado no meio da noite fugindo sorrateiramente do quarto que compartilhavam, e percebe que todos na cidade estão indo embora de Manchado-pelo-mar, fantasiados e a bordo de uma locomotiva cheia de mistérios. Lemony só precisaria de um plano para descobrir o que está acontecendo, fazendo suas famosas investigações e ainda tentando atrair Tiro Furado para uma armadilha e derrotá-lo de uma vez por todas, mas claro, ele ainda faz as perguntas erradas...

Nos livros anteriores é possível acompanhar um progresso no que diz respeito ao amadurecimento e ao aprendizado de Snicket, assim como na complexidade dos mistérios que ele deve resolver, e neste volume senti que as coisas ficaram um pouco estagnadas e sem maiores emoções.
Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista do protagonista, temos o humor ácido e típico do autor e algumas situações que parecem ser previsíveis de forma proposital, tudo isso mesclado à ingenuidade e a inteligência do protagonista, e posso dizer que essa fórmula é totalmente funcional nessa série. Acompanhar Lemony seguindo sua intuição, que sempre conflita com o que sua tutora pensa, é muito divertido. Snicket pode ser inocente, mas é esperto, inteligente, sarcástico e seu bom humor chega a ser contagiante.

Se comparado aos livros anteriores, talvez para dar foco no desfecho e na descoberta da identidade do vilão, os personagens não foram tão bem desenvolvidos, a interação entre eles foi bastante sucinta e algumas perguntas não tiveram respostas realmente satisfatórias, mas vindo desse autor, não esperava menos e isso não foi um ponto negativo pra mim. O que me incomodou um pouco foi o enredo que parece ter dado voltas desnecessárias para se chegar ao mesmo lugar, como se tivesse mudado o estilo de ser conduzido e ficasse oscilando, e mesmo sendo composto pelos fiéis 13 capítulos, parece ter sido muito mais curto do que os anteriores. O que parece é que os capítulos não se alinham perfeitamente por ter acontecimentos distintos e isolados que fragmentam a trama. Talvez isso tenha alguma relação com as inseguranças de Lemony ao lidar com sua grande investigação final, mas não senti muita conexão com todos os elementos de forma geral. Ao final fiquei com a impressão de que o livro foi feito às pressas mas, ao mesmo tempo, enrolando o máximo possível com informações repetidas ou ireelevantes, e o tempo dedicado a descobrir a identidade de Tiro Furado foi uma forma de prender o leitor à história mesmo que eu já tivesse adivinhado quem era no terceiro volume. Também senti curiosidade por saber um pouco mais dos outros personagens, mas não houve aprofundamento sobre eles.

A capa segue o padrão dos livros anteriores e traz elementos que compõe a história. A parte interna é estampada, os capítulos são iniciados com ilustrações peculiares do ilustrador Seth, que manteve o mesmo estilo de mistério, com personagens nas sombras e Snicket ainda com o rosto oculto por seu quepe. As páginas são amarelas, a fonte é grande e a diagramação de forma geral é uma graça.

Em suma, a série inteira (e o volume extra) é uma ótima pedida para leitores que buscam por uma aventura despretenciosa, engraçada e muito divertida. Snicket é carismático, tem um vocabulário bastante rico e ainda cumpre com seu papel de exímio investigador mirim.


Eu sou Jack, o Estripador - James Carnac

15 de julho de 2016

Título: Eu sou Jack, o Estripador
Autor: James Carnac
Editora: Seoman
Gênero: Suspense/Mistério
Ano: 2016
Páginas: 312
Nota: ★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Em Whitechapel, em 1888, pelo menos cinco mulheres foram brutalmente assassinadas e mutiladas. O assassino tornou-se conhecido como Jack, o Estripador. Houve muitos suspeitos, porém ninguém foi preso pelos crimes. Este livro apresenta um novo suspeito a partir de um manuscrito redigido nos anos 1920 por James Willoughby Carnac. O texto abrange desde a sua infância até a sua morte, e contém informações que nunca foram divulgadas. Além disso, os acontecimentos da época e a geografia de Whitechapel, em 1888, são descritos com total precisão, tornando James um convincente Jack, o Estripador. Para completar, o motivo oferecido por ele, para ter se tornado um assassino, nos faz crer que seu relato é puramente genuíno. Seria este livro a verdadeira confissão de Jack, o Estripador, ou um extraordinário romance muito bem escrito?

Resenha: Jack, o Estripador foi um serial-killer que ficou conhecido pelos assassinatos brutais que cometeu em Whitechapel, em 1888. Tudo isso teve uma enorme repercussão fazendo com que o assassino se tornasse o mais famoso da história, sendo real ou não, e Jack se tornou inclusive uma lenda urbana. Sua verdadeira identidade nunca foi revelada e ele nunca foi capturado.
No início, o leitor se depara com uma introdução que alega que o livro seja a autobiografia do assassino cuja autoria pertence a um homem desconhecido, e que pode nem mesmo ter existido já que não há registros sobre sua pessoa (e nem mesmo de parentes), JamesWilloughby Carnac, o autor. Logo, fica a dúvida se a obra se trata de um relato verídico sobre sua vida, ou se não passa de uma obra de ficção com as memórias que o suposto assassino deixou pouco antes de sua morte, com informações e detalhes elaborados o bastante para ser capaz de levantar tal questionamento no leitor, ou não...

A narrativa é feita em primeira pessoa e Carnac retorna à infância a fim de registrar como seu fascínio por sangue surgiu antes mesmo de se dar conta sobre a disfuncionalidade da própria família até quando começou a planejar friamente cada estripamento de forma minuciosa, o que acaba causando as mais diversas sensações no leitor, seja curiosidade ou verdadeira repulsa.
A diagramação do livro é ótima, pois é como se o autor tivesse utilizado uma máquina de escrever para registrar sua história. Podemos conferir um mapa de Whitechapel com a marcação dos lugares onde os assassinatos ocorreram, ilustrações de lugares, fotos de vítimas, cópias do manuscrito (em inglês) o que, de certa forma, dá uma credibilidade sobre a autenticidade do relato.

Pra quem gosta do tema e sente curiosidade para ter um pouco mais de informações sob uma perspectiva diferente, mas não tão nova quanto pensei, acerca Jack, o Estripador, é uma leitura indicada, sim, mas confesso que a obra não me convenceu no que se refere a autobiografia. O livro me soou mais como uma pesquisa exaustiva e cuidadosa sobre o serial-killer e uma tentativa de instigar o leitor a dar ao autor o benefício da dúvida com relação a sua verdadeira identidade, mas diante de um tom de escrita que beira a perfeição, pra mim não houve dúvidas de que o livro só pode ter sido escrito por alguém usando de um pseudônimo e que possui experiência ou conhecimentos de escrita profissionais o suficiente para ter me feito desacreditar que tais relatos possam ter vindo de uma mente psicopata e tão cruel. Não faz sentido pra mim ter acesso a relatos e lembranças de uma pessoa que, mesmo tendo escapado de pagar pelos seus crimes e até mesmo após a morte, continua se escondendo atrás de pseudônimos e ainda fazendo com que os casos tenham permanecido insolúveis...


O Preço do Sangue - Justin Somper

28 de junho de 2016

Título: O Preço do Sangue - Aliados e Assassinos #1
Autor: Justin Somper
Editora: Galera Record
Gênero: YA/Mistério
Ano: 2016
Páginas: 376
Nota: ★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Após a misteriosa morte do irmão, Jared se torna o Príncipe de Toda a Archenfield. Aos 16 anos, no entanto, não acredita estar preparado para governar e enfrentar o caos que toma conta de todo o Principado, além de todas as intrigas que assolam toda a corte. Jared mergulha numa investigação que pode colocar em risco não apenas a sua vida, mas a de todos os seus amigos e familiares. O passado do seu irmão logo se torna turvo e cheio de mistérios. Muitos poderiam ter motivos para matá-lo. Mas quem? O preço de sangue deve ser pago. O assassino do Príncipe deve morrer. Mas Jared sequer sabe em quem pode confiar.
Resenha: O Preço do Sangue é o primeiro volume da série Aliados e Assassinos, escrita pelo autor Justin Somper, o mesmo da série best-seller (e super bacana) Vampiratas, e publicado no Brasil pela Galera Record.

Archenfield é um principado da era medieval governado pelo Príncipe Anders. Logo no ínicio a notícia de que Anders foi morto misteriosamente corre pela corte, e a tragédia acaba fazendo com que as responsabilidades do governo recaiam sobre seu irmão de dezesseis anos, Jared. Além de ter que lidar com o luto, Jared também terá que aprender a lidar com os conselheiros do Príncipe, chamados de Os Doze, que ajudam e interferem em todas as decisões políticas do principado. Mas diante da ideia de que Anders foi assassinado por envenenamento numa provável disputa de poderes para derrubar Archenfield, resta ao garoto descobrir quem está por trás do que aconteceu e cobrar o Preço do Sangue, pois quem matou o príncipe deve morrer. Mas sem saber em quem pode confiar, Jared se vê numa investigação envolvendo intrigas políticas e o próprio caos que se instalou no principado, que pode colocar a vida de seus amigos, de seus familiares e a vida dele próprio em risco.

Narrada em terceira pessoa, a história começa num ritmo lento, instável e bastante introdutório, apresentando personagens e suas inúmeras funções. Chega a ser um pouco cansativo pois a impressão é de que nada importante acontece. Mas não se deixem vencer pelo cansaço, vale a pena insistir. Acredito que esse primeiro volume tenha sido fundamental para a construção de mundo, então explicar seu funcionamento e dar detalhes para que o leitor se familiarize com a história é importante.
A escrita do autor é ótima e bastante envolvente, mas neste livro em particular, talvez pelo tipo de história, é perceptível um amadurecimento maior, uma linguagem mais formal, como se o público ao qual se destina não fosse exclusivamente juvenil. Apesar do cenário medieval e pela capa, não há elementos na história que possam sugerir que se trata de uma fantasia. Não há magia, não há criaturas fantásticas ou místicas além dos falcões que levam mensagens.
Não se enganem pelo título. O Preço do Sangue não se trata de uma história com guerras e batalhas épicas e sangrentas, pelo menos não nesse volume. A comparação feita com Game of Thrones faz sentido apenas no que diz respeito a intrincada trama que se foca nas intrigas políticas e em Jared tentando desvendar o mistério do assassinato do irmão que é mais complexo do que se pode imaginar enquanto está cercado por aqueles que são aliados e outros que são os assassinos, só não se sabe quem é realmente quem diz ser. Isso é um ponto super favorável para a trama em si, pois o mistério convida o leitor a tentar desvendar o crime junto com Jared, mas são várias reviravoltas que mudam o cenário e mesmo que o leitor tenha suas suspeitas sobre quem é o culpado, o final vem para mostrar que o autor é genial e que não podemos afirmar coisa alguma.

Apesar de alguns personagens carregarem alguns estereótipos, principalmente pela época, eles são carismáticos e bem construídos, até mesmo os mais suspeitos e tortuosos, cada um com características distintas que os tornaram únicos. A história inclusive me lembrou jogos de RPG onde cada personagem tem um "job" específico, pra mostrar que cada um tem funções próprias e que aquele tipo de sociedade se desenvolve respeitando isso. Há caçadores, apicultores, médicos, poetas e etc..
Jared não foi meu personagem preferido, mas gostei de acompanhar sua tragetória ao tentar ser um bom príncipe. Ele não é perfeito, comete erros mas é determinado no que faz. Ele foi praticamente forçado a governar sem o menor preparo e sua inexperiência leva as pessoas a acreditarem que ele não conseguirá ser bem sucedido, mas ele não é ingênuo, tanto que com os acontecimentos ele não confia em qualquer um e desconfia daqueles que sempre estiveram ao seu lado.

O livro é dividido em sete partes, do primeiro ao sexto dia, e sete dias depois. São quarenta e um capítulos relativamente curtos e bem divididos, então mesmo que o começo seja bem arrastado devido aos vários detalhes e explicações, a leitura não se torna tão cansativa quanto parece e a medida que avança prende a atenção sendo impossível largar. No final podemos dar uma conferida nas árvores genealógicas de alguns personagens e outras informações bacanas sobre a história, mas senti falta do mapa de Archenfield para me situar melhor no lugar.
O final deixa uma abertura para a continuação nos matando de curiosidade, então resta aguardar o lançamento de "A Conspiracy of Princes".
Pra quem procura por uma história bem construída, com mistério, intrigas políticas e até mesmo uma leve promessa de um provável romance, vai gostar. Apesar de ter achado a história mais longa do que deveria, mergulhar num ambiente medieval muito bem descrito com personagens admiráveis fez a leitura valer a pena.


O Túmulo da Borboleta - Anne Cassidy

20 de fevereiro de 2016

Título: O Túmulo da Borboleta - The Murder Notebooks #3
Autora: Anne Cassidy
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Tradutora: Viviane Diniz
Gênero: Juvenil/Policial/Mistério
Ano: 2016
Páginas: 272
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Depois de Hora morta e A morte de Rachel, a série de suspense The Murder Notebooks chega ao seu terceiro volume, O Túmulo da Borboleta, levando os jovens Rose e Joshua a Newcastle, onde o tio de Joshua está internado e onde os dois descobrirão fatos surpreendentes sobre seus pais e o mistério que cerca seu desaparecimento. Decididos a investigar o paradeiro de Kathy, mãe de Rose, e Brendam, padrasto da garota e pai de Joshua, os dois adolescentes se veem enredados numa trama de perigos e segredos que envolve uma tatuagem de borboleta e seis cadernos com anotações em código, mapas e foto que eles terão que desvendar se quiserem descobrir o que realmente aconteceu. E principalmente se quiserem sobreviver.

Resenha: The Murder Notebooks é uma série composta por quatro livros que giram em torno de Rose e Joshua e dos mistérios que rondam suas vidas. Os livros são de autoria de Anne Cassidy e no Brasil são publicados pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.
No primeiro volume somos apresentados ao casal de irmãos postiços que após o sumiço dos pais foram morar com parentes até se reencontrarem, e a partir daí passaram a procurar os pais enquanto investigavam algum mistério envolvendo assassinatos que eles acabam envolvidos.

Em O Túmulo da Borboleta, terceiro livro da série, a história é iniciada com um acidente nos penhascos de Cullercoats que o tio de Joshua, Stuart Johnson, sofreu, Tio Stu é levado para o hospital em Newcastle e Joshua e Rose partem para a cidade a fim de tomar conta do tio. A presença na cidade onde Joshua e o amigo cresceram é ótima, de uma nostalgia sem tamanho, mas o que eles não esperavam era descobrir uma pilha de provas sobre um caso de assassinato que ocorreu há vários anos além de descobrirem que tio Stu guarda segredos, incluindo o fato de que ele ainda tem contato com o pai de Joshua, Brendam. Com a ajuda de Skeggsie, os garotos conduzem a própria investigação sem imaginar as surpresas que viriam a descobrir...

A leitura é fácil, mas mesmo que seja um thriller voltado ao público juvenil não achei muito fluída, talvez pelo próprio gênero a que se destina. Mas mesmo que o ritmo da leitura e dos acontecimentos sejam lentos, tudo é bastante interessante de se acompanhar.
O livro é narrado em terceira pessoa e um ponto bacana é que a voz narrativa também faz indagações acerca de acontecimentos dos quais os protagonistas estão envolvidos, e dessa forma o leitor é convidado a questionar os detalhes, se atentar às pistas que são deixadas e ter um envolvimento maior com a trama, principalmente no que diz respeito ao desaparecimento dos pais de Joshua e Rose. Enfim é possível saber o que diabos está acontecendo com os pais de Joshua e Rose e esse fato dá um gás maior à leitura pelas peças, enfim, começarem a se encaixar, então posso dizer que a ideia de ler os livros fora de ordem não é tão boa assim, mesmo que os casos paralelos sejam resolvidos em cada um deles...
A trama continua tendo o mesmo estilo dos livros anteriores, em que o mistério principal fica a cargo do desaparecimento dos pais enquanto há outros em pararelo, e nesse caso o mistério é sobre a queda de Sturat nos penhascos e a descoberta do assassinato ocorrido há anos entitulado o Caso Borboleta.
Esse caso também é bastante interessante pois ele é sobre uma garota de dez anos que foi encontrada morta após ter se passado cinco dias em que desapareceu num estacionamento de supermercado e o culpado nunca foi acusado, logo fica no ar o que tal caso tem a ver com tio Stu e o mistério dos pais dos dois protagonistas.
Os personagens sofrem algumas mudanças e um acontecimento inesperado com um deles é responsável por toda uma reviravolta na história.
Joshua costumava ser um jovem tranquilo e pé no chão, mas passa a se tornar bastante grosseiro com Rose além de ficar extremamente individualista e mal humorado. Já Rose passa a ficar acuada devido as represálias de Joshua, mas é partir desses pontos que ela mostra que embora seja tímida e insegura, principalmente com relação ao que sente por ele, tem os sentidos aguçados e é muito inteligente, tanto que decide investigar as coisas sem depender dele.
Um dos pontos que mais gostei foi a exploração acerca do passado de Rose e mais sobre a vida de Joshua e o amigo Skeggsie que se desenrolaram antes do início da série.

A capa também é bem sugestiva pois além de evidenciar a borboleta (que está presente em todos os livros, seja na capa ou na diagramação) mostra o penhasco que é cenário do acidente abordado na história. A tipografia também é ótima pois lembra um scrapbook ou algo relacionado a arquivos. A capa é fosca e há aplicação de verniz sobre a borboleta, títulos e nome da autora, dando um visual bem bonito e caprichado à ela.
As páginas desta edição são brancas, os capítulos são apresentados através de numerais romanos e a cada início deles há uma borboleta ilustrando o canto superior da página. Não percebi erros na revisão e de forma geral o trabalho gráfico é super satisfatório, principalmente pelas capas da série combinarem entre si.

O Túmulo da Borboleta é um volume bastante importante e que acrescenta muito à série e, mesmo que tenha uma carga emocional maior do que os outros livros, já que tráz o passado à tona e ainda se aprofunda num crime bárbaro envolvendo uma criança indefesa mexendo com os sentidos dos protagonistas, mostra personagens vulneráveis mas mais maduros. O mistério é bem desenvolvido e unido isso ao fato de a leitura ser bem sólida, fiquei super curiosa para saber o que virá no próximo livro.


Sobrenatural - Paige McKenzie

26 de dezembro de 2015

Título: Sobrenatural - The Haunting of Sunshine Girl #1
Autora: Paige McKenzie e Alyssa Sheinmel
Editora: Fábrica 231/Rocco
Gênero: Suspense/Terror/Mistério/YA
Ano: 2015
Páginas: 304
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Aos 16 anos, Paige Mckenzie criou, produziu e estrelou uma série no YouTube que virou um hit na internet e ganhou milhões de seguidores em seu canal The Haunting of Sunshine Girl. Primeiro livro da websérie de sucesso, que também será adaptada para o cinema, Sobrenatural – The Haunting of Sunshine Girl chega ao Brasil pelo selo Fábrica231. Escrito em parceria com Alyssa Sheinmel, o livro conta a história de Sunshine, uma garota de 16 anos que se muda com a mãe da ensolarada Austin, no Texas, para a chuvosa Ridgemont, no estado de Washington. Mas a poeira e o aspecto sombrio do lugar logo se tornam os menores dos problemas de Sunshine. Vozes no meio da noite, portas se fechando sozinhas, risadas... aos poucos a garota percebe que ela e sua mãe correm sérios riscos ali. E ela terá que encarar seus maiores medos antes que seja tarde demais.

Resenha: The Haunting of Sunshine Girl é uma websérie no Youtube criada, produzida e estrelada pela adolescente Paige McKenzie e que, devido ao sucesso que teve, acabou virando livro ao ter tido sua essência captada pela escritora Alyssa Sheinmel.

Quando a mãe de Sunshine recebe uma nova proposta de emprego para trabalhar como enfermeira-chefe num hospital na chuvosa cidade de Riggemont, em Washington, ela não pensa duas vezes em aceitar. Ela mal teve tempo de procurar saber como a filha se sentiria com a ideia de deixar a cidade de Austin, no Texas, um lugar ensolarado onde ela morou desde que nasceu, para ir para outro tão longe e diferente do qual elas estavam acostumadas. A casa alugada pela internet não fora visitada com antecedência já que tudo foi feito às pressas, e, logo que se mudaram, Sunshine percebeu que havia algo estranho no ar, algo que ia além da poeira e do aspecto sombrio, frio e úmido da casa.
Ao começar a ouvir passos, vozes, choros e risadas, objetos flutuantes e portas que se fecham sozinhas, a garota, aos poucos, se dá conta de que sua mãe, que antes era amorosa e carinhosa, começa a ficar cada vez mais alheia e distante, até tudo começar a ficar mais claro quando Sunshine conhece e se aproxima de Nolan, um garoto da escola. Com a ajuda dele, Sunshine começa a entender que o que anda acontecendo não é coisa de sua cabeça, a história que há por trás dos espíritos em sua casa existe e o destino dela é algo do qual ela não pode fugir...

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Sunshine, mas também podemos acompanhar um segundo narrador misterioso que desde o começo sente e observa a garota.
A escrita é muito fluída e, por mais que o começo do livro seja um pouco cansativo, já que é toma um bom espaço para falar mais sobre os gostos de Sunshine, com várias conversas e tudo mais, realmente prende o leitor devido ao ótimo desenvolvimento. As situações de mistério que remetem ao suspense e ao terror são bem descritas e causam uma baita ansiedade por serem incômodas para aqueles que têm medo quando o assunto é sobrenatural, mas nada que nos faça sair acendendo todas as luzes da casa no meio da noite com medo do capeta aparecer e puxar nosso pé... não... A coisa realmente prende pela forma como é contada sem causar pavor e desespero. A ordem dos fatos tem grande influência das situações, e cada uma delas é explicada de forma plausível para que a história se encaixe.

Eu gostei da construção dos personagens e a forma como são autênticos e convincentes em suas atitudes. Sunshine é uma boa menina, preocupada com o próximo e, às vezes, até se põe em segundo lugar em nome da felicidade de quem ama. Ela é diferente das demais adolescentes pelas coisas que curte já que seu gosto pessoal é bastante peculiar. Eu também gostei da forma como a relação com a mãe foi exposta, principalmente por ela ter sido adotada.
Nolan ganha espaço aos poucos. Ele ajuda Sunshine e desvendar os mistérios que cercam a casa, já que é o único que acredita nela por causa do seu passado. Um passado que ainda faz parte de sua vida e que faz com que ele tenha grande importância nesse papel de ajudar a garota. Ele acaba se revelando alguém admirável e não é a toa que o leve toque de romance parta daí. Gostei da personalidade dele, pois além de nerd ele é bastante descolado.

Sobrenatural é um livro cheio de mistérios, que remete ao horror com maestria e sutileza fazendo com que o a história como um todo seja bastante agradável e surpreendente em vez de ser aterrorizante, já que toda aquela fantasia obscura é bastante intrigante e inteligente. Uma excelente leitura que, embora gire em torno do sobrenatural, aborda a essência humana e a forma como as pessoas lidam com o novo ou com a perda, além de trabalhar a atmosfera familiar entre mãe e filha de uma forma muito satisfatória. Pra quem curte o gênero, vale a leitura!


Moriarty - Anthony Horowitz

16 de dezembro de 2015

Título: Moriarty
Autor: Anthony Horowitz
Editora: Record
Gênero: Policial/Mistério
Ano: 2015
Páginas: 350
Nota: ★★★★★
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sherlock Holmes está morto, e as trevas avançam.
Dias após Holmes e seu arqui-inimigo Moriarty encontrarem seu fim nas cataratas de Reichenbach, Frederick Chase, um detetive da Agência Pinkerton, chega à Europa vindo de Nova York. A morte do professor Moriarty deixou um vazio no poder que logo foi preenchido por um novo gênio do crime, que ascendeu para tomar o lugar do rival de Holmes. Auxiliado pelo inspetor da Scotland Yard Athelney Jones, um devoto estudioso dos métodos de investigação e de dedução de Holmes, Frederick Chase precisa trilhar um caminho através dos cantos mais escuros da capital inglesa para lançar uma luz sobre essa figura sombria, um homem temido, mas raramente visto, determinado a dominar Londres em uma onda de ameaças e assassinatos.
Chase é auxiliado pelo Inspector Athelney Jones, um detetive da Scotland Yard e estudante devoto do métodos de dedução de Holmes, a quem Conan Doyle introduziu em O signo dos quatro. Os dois homens unem forças para abrir um caminho através das ruas sinuosas de Londres vitoriana – das praças elegantes de Mayfair para os cais e becos sombrios das Docks em busca dessa figura sinistra, um homem muito temido, mas raramente visto, que é determinado a estabelecer seu nome como sucessor de Moriarty.

Resenha: Anthony Horowitz é um autor inglês que obteve reconhecimento e autorização da entidade que protege e administra as obras originais de Sherlock Holmes que Arthur Conan Doyle escreveu no fim do século XIX. A Casa de Seda foi o primeiro caso de Sherlock escrito por Horowitz onde ele traz o famoso detetive de volta através das memórias de seu fiel companheiro Dr. Watson, que narra um caso que investigaram nas gélidas ruas da Inglaterra vitoriana. Este livro foi publicado no Brasil pela Editora Zahar.
Moriarty, lançado pela Record, se trata de uma leitura bastante independente embora seja o segundo livro.

A história começa com uma pequena nota de abril de 1891 retirada do jornal Times de Londres, que traz a informação sobre uma morte de um homem que a polícia ainda não foi capaz de explicar.

As cataratas de Reichenbach foi o local onde o detetive Sherlock Holmes e seu arqui-inimigo, professor James Moriarty, tiveram o seu fim num último confronto. O detetive Frederick Chase, da Agência Pinkerton, ainda tem suas dúvidas quanto aos fatos e alguns dias depois do ocorrido a Scotland Yard envia o Inspetor Athelney Jones, um dedicado estudioso dos métodos que Holmes usava para fazer suas investigações e deduções, para ajudar no novo caso que surgiu, pois tudo indica que o lugar que Moriarty deixou ao morrer foi preenchido por um novo gênio do crime, um homem raramente visto mas determinado a dominar Londres através de ameaças e assassinatos. Será que a dupla terá sucesso ou será que a morte de Sherlock fará com que o crime ascenda em Londres?

Frederick Chase narra e descreve os acontecimentos desta trama ao mesmo tempo em que faz observações sobre suas impressões do caso, indagações e questionamentos sobre alguns pontos ou sobre o que aconteceu com Holmes enquanto era vivo. Gostei da narrativa pois é como se o protagonista estivesse conversando com o leitor. Embora o livro se refira a Holmes, há muito pouco sobre ele! Pode até parecer estranho, mas este livro leva o mundo deste detetive para um nível totalmente novo. Chase e Athelney serão capazes de preencher os lugares que Sherlock e Watson deixaram?

Confesso não ter lido outros livros sobre as aventuras de Sherlock Holmes, mas posso afirmar que minha experiência com este livro superou minhas expectativas. Primeiramente fui fisgada pela capa. O que ela tem de simples, tem de bonita. O azul escuro dá um ar sombrio e misterioso, a água é um elemento bastante sugestivo e as letras rebuscadas dão o toque final. A diagramação é simples, os capítulos são numerados seguidos de um título, as páginas são amarelas e a fonte é grande.
Acho que livros do gênero policial, ao trazerem mistérios que envolvem o leitor ao protagonista, deve fazer com que a maioria dos demais personagens seja um possível suspeito, assim como seus atos sejam questionados para, através dessas pequenas análises, aos poucos, podermos desvendar o mistério que move a trama. Acredito que o autor fez um excelente trabalho pois cada personagem que passou a ingressar a história poderia ser um suspeito.
A história se desenvolve de forma rápida, a cada final de capítulo ficamos ansiosos por novas informações e acontecimentos o que acaba tornando a leitura empolgante. É praticamente impossível largar!

Os personagens de Frederick Chase e Athelney Jones foram muito bem construídos e desenvolvidos ao longo da história. Athelney Jones, que tem acompanhado de perto os métodos de Sherlock Holmes, traz um pouco do famoso detetive para a história. Frederick, por outro lado, traz um ritmo diferente quando perseguições e investigações são feitas. Juntos, eles formam uma dupla admirável. Confesso que a maioria dos meus palpites sobre o culpado foram falhos, logo posso afirmar que Moriarty é um livro com um grande misterio, que leva o leitor a não só participar das investigações, mas também a fazer uma incrível viagem pela Londres vitoriana que o autor descreve com tanta maestria.

O final é bastante estarrecedor e chocante. As pistas estão lá o tempo todo, mas o autor usa de sutilezas para não evidência-las de forma descarada, mantendo a incógnita no ar. Mesmo que o leitor suspeite de algo, não há bases para que as evidências tenham fundamento, pelo menos não inicialmente pois o autor consegue nos enganar direitinho!
Para os fãs de Sherlock Holmes, Moriarty é um prato cheio. E para os fãs de mistérios e romances policiais em geral, também! A história é intrigante e inteligente e vai envolver o leitor do início ao fim!

Difamação - Renée Knight

15 de dezembro de 2015

Título: Difamação
Autora: Renée Knight
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense/Mistério/Thriller
Ano: 2015
Páginas: 336
Nota: ★★★★☆
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Imagine que você encontre um livro sobre a sua vida, que revele um segredo que você manteve escondido da sua família por vinte anos e que você achava que ninguém mais soubesse. Um segredo devastador.
Catherine Ravenscroft chegou à meia-idade levando uma vida perfeitamente normal: é casada, tem um filho, ama o emprego, gosta de ler nas horas vagas. Agora que o filho cresceu e seguiu seu próprio rumo, ela e o marido decidiram se mudar para uma casa menor. Em meio ao caos da mudança, Catherine encontra O completo estranho, um livro que não se lembra de ter comprado.
Intrigada, ela inicia a leitura, mas logo se dá conta de algo terrível. O que está ali não é ficção. A narrativa traz, com riqueza de detalhes, o dia em que Catherine se tornou refém de um segredo sombrio. Até então, ela achava que ninguém mais sabia o que havia acontecido naquele verão, vinte anos antes. Pelo menos ninguém ainda vivo.
Agora o mundo perfeito de Catherine está desmoronando, e sua única esperança é encarar o que realmente aconteceu naquele dia fatídico. Mesmo que a verdade possa destruí-la.

Resenha: Difamação é o livro de estreia da autora britânica Renée Knight publicado pela Suma de Letras no Brasil.

Catherine e Robert vivem em Londres e a vida e o casamento estável que levam, aparentemente, os tornam um casal feliz. Eles se mudaram pra uma casa menor agora que o filho saiu de casa a estudos mas tudo muda quando Catherine encontra um livro entitulado "O Completo Estranho" que ela nunca ouvira falar. O livro não era dela e ela não sabe como ele foi parar em suas mãos. Ao começar a ler o misterioso livro, Catherine percebe que se trata de sua história sendo revelada nas páginas, um segredo terrível de vinte anos atrás, que aconteceu em outro país e que ela guardou durante todos esses anos,agora está descrito nos mínimos detalhes. Se seu marido e seu filho, Nicholas, descobrirem, ela estaria arruinada. Catherine, que sempre foi independente e forte, teme que alguém esteja a chantageando e vê sua vida desmoronar diante de seus olhos, com medo de que o livro chegue aos seus familiares. Quem será essa pessoa que quer fazer com que Catherine pague por algo que aconteceu em 1993? Catherine acreditava que a única pessoa a saber do seu segredo havia morrido há muitos anos. Mas será que Catherine é o tipo de pessoa que fará qualquer coisa para manter sua integridade?

Entrelaçada com a narrativa da protagonista, conhecemos Stephen, um ex-professor viúvo que quer descobrir a verdade sobre a morte de seu filho. Ele ainda não superou essa perda, e dia após dia vive nutrindo muita raiva dentro de si, descontando em pessoas que nada tem a ver com sua situação.

Difamação é um thriller psicológico que traz questionamentos ao leitor sobre os segredos que as pessoas guardam e que fazem com que elas não sejam exatamente quem imaginamos. Será que conhecemos bem nossos familiares? Podemos ter certeza de que eles não mentem ou estão livres de segredos? E quanto aos nossos segredos? Somos totalmente sinceros ao expormos nossas vidas a quem amamos?

O livro é narrado em terceira pessoa quando o foco está em Catherine, e em primeira pessoa pelo ponto de vista de Stephen, e a trama foi magistralmente bem delineada e escrita. A história começa de forma lenta, mas a autora consegue manter o leitor por dentro dos fatos, que vão sendo construídos aos poucos. A cada detalhe revelado percebemos o quanto a história foi bem arquitetada, e percebemos isso quando pensamos que temos certeza sobre algo até que uma nova informação vem a tona e descobrimos que não sabíamos de nada. A autora deixa várias pistas falsas e o segredo acaba se tornando um jogo não só para os personagens, mas para o próprio leitor.

A história é instigante, engenhosa, perturbadora e o enredo e os personagens convencem por serem bem reais. O suspense se mantém através de várias reviravoltas inesperadas e a cada capítulo nos pegamos na expectativa do próximo acontecimento.
Para aqueles que gostam de thrillers psicológicos (ou que querem se aventurar iniciando nesse gênero) que envolvem segredos de pessoas que falham por serem extremamente humanas mas ao fim lhes restam a redenção, Difamação é uma ótima pedida.

13 Incidentes Suspeitos - Lemony Snicket

30 de outubro de 2015

Título: 13 Incidentes Suspeitos - Só Perguntas Erradas #2,5 (livro extra)
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Gênero: Infanto Juvenil/Aventura/Mistério
Ano: 2014
Páginas: 248
Nota: ★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Livro extra e independente da série Só Perguntas Erradas, com 13 contos que estimulam o leitor a desvendar os mistérios antes de ler as soluções no final.
A peculiar cidade de Manchado-pelo-Mar é palco de muitos eventos estranhos e é lá que o jovem Lemony Snicket - famoso solucionador de mistérios - tenta resolver seu primeiro grande caso, relatado em detalhes na série Só Perguntas Erradas.
Mas os mistérios se sucedem, e o detetive mirim agora terá de descobrir por que quadros caem sozinhos das paredes, quem roubaria um tritão amarantino, como é possível que um fantasma passeie pelo cais à meia-noite e quem faz parte da famigerada Gangue do Tijolão, entre vários outros enigmas. Lemony Snicket precisará juntar pistas e interrogar testemunhas para desvendar cada caso.
Os leitores se tornam membros da organização secreta de Snicket e também participam da investigação: o desafio será resolver os casos antes de ler as soluções, reveladas no final do livro.

Resenha: 13 incidentes Suspeitos é um livro extra e independente da série Só Perguntas Erradas escrita pelo autor (e também personagem da história) Lemony Snicket.
Até agora foram três volumes (de quatro) publicados pela Seguinte no Brasil, Quem Poderia Ser a Uma Hora Dessas?Quando Você a Viu Pela Última Vez?Você Não Deveria Estar na Escola?.
O livro foi lançado depois do segundo volume e os casos se passam durante e pouco depois do que ocorre em Quando Você a Viu Pela Última Vez, mas não há ligações entre as histórias.
Não é necessário ler nenhum dos livros da série para entender este visto que os personagens são devidamente (e novamente) apresentados e os mistérios são isolados e fechados por "casos".
É um livro curto e bem divertido com situações misteriosas que convidam o leitor a investigar com Lemony e tirar as próprias conclusões de acordo com as informações obtidas. Ao final de cada caso há a indicação da página com o mistério solucionado.

O cenário é a pequena cidade de Manchado-pelo-Mar, e ela continua sendo pano de fundo de eventos sinistros que Lemony insiste em investigar para solucionar o mistério da vez. Em 13 Incidentes Suspeitos, Lemony fez um arquivo para registrar e organizar pequenos casos a serem solucionados e de antemão alerta o leitor de que as informações são secretas e destinadas apenas aos membros de sua organização, e que nada é da nossa conta.
Lemony Snicket é membro de uma organização secreta com talentos para a investigação. Ele então, investiga ocorrências misteriosas como quadros que caem sozinhos das paredes, sabotagens aparentemente inexplicáveis, pequenos furtos ou o reconhecimento de alguma figura misteriosa que faz de tudo para não se revelar, e ainda tem que aturar sua tutora de cabeleira indomável, S. Theodora Markson (e continue sem querer saber o que o S significa).

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Lemony, vamos acompanhando os mistérios que ele tenta desvendar enquanto se mete em enrascadas e aventuras bizarras enquanto é cercado de outros personagens caricatos e muito engraçados que estão alí quase sempre para atrapalhar o andamento de suas investigações.
A escrita do autor é sua marca registrada, com metáforas, sempre cheia de sarcasmo e mostrando pré adolescentes inteligentes e irônicos contra adultos idiotas e incompetentes que ainda se acham donos da razão mas nunca dão uma dentro.

Os mistérios são divertidos e alguns deles são bastante óbvios, afinal, os livros são infanto juvenis, mas no geral são muito bem desenvolvidos e inteligentes, mas acho que o ponto forte são os personagens peculiares e engraçados em conjunto com a narrativa cômica do autor.
Um ponto bem relevante sobre a escrita é que o autor costuma usar palavras difíceis em diálogos ou descrições para em seguida explicar o que ela significa, então ele consegue fazer com que qualquer um, independente da idade, entenda o que ele quer dizer sem deixar de lado sua essência e o vocabulário "rico".


A capa do livro segue o padrão de ilustrações dos demais, com silhuetas misteriosas e expressivas. As páginas são amarelas e de uma gramatura maior, então as páginas são mais grossas do que o normal, a fonte é grande e bem espaçada e a diagramação em geral é muito bem feita, com várias ilustrações. Como de costume, Lemony sempre aparece com o rosto oculto pela sombra de seu chapéu.

O autor pode até fazer um apanhado com as histórias para que elas se entrelacem com as outras da série, com alguns personagens já conhecidos por seus infortúnios e desventuras...

Resumindo, pra quem já é fã da série é leitura obrigatória pois o livro relembra personagens e traz à tona um pouco mais da cidade arruinada e de seus moradores falidos, e pra quem não conhece e quer uma amostra do que irá encontrar, 13 Incidentes Suspeitos é uma ótima pedida pra poder se familiarizar com o estilo de escrita do autor e com os personagens, tendo uma provinha do que esperar. Pra quem gosta de livros bem humorados, rápidos de serem lidos e que coloca o leitor no papel de detetive junto com o protagonista, é leitura mais que recomendada.