Suzane - Assassina e Manipuladora - Ullisses Campbell

28 de setembro de 2021

Título:
Suzane - Assassina e Manipuladora
Autor: Ullisses Campbell
Editora: Matrix
Gênero: True Crime/Biografia/Não ficção
Ano: 2020
Páginas: 258
Compre: Amazon
Nota:★★★★☆
Sinopse: Suzane Louise von Richthofen é uma lenda do mundo do crime. Em 30 de outubro de 2002, ela abriu a porta de casa para guiar os matadores dos seus pais. Enquanto dormiam, Manfred e Marísia morreram com dezenas de pauladas, desferidas pelo namorado de Suzane e pelo irmão dele, Daniel e Cristian Cravinhos. O crime abalou o país. Pela monstruosidade, a assassina recebeu dois vereditos: o primeiro saiu do Tribunal do Júri em 2006, quando foi condenada a 39 anos de cadeia. A segunda sentença foi proferida pelo Tribunal do Crime, existente dentro das penitenciárias. A comunidade prisional não perdoa pedófilos, estupradores, nem filhos que matam os pais. A menina rica, branca e de cabelos loiros foi condenada. As mulheres sanguinárias do PCC receberam a missão de matá-la dentro da Penitenciária Feminina da Capital, ainda nos anos 2000. Esperta, extremamente manipuladora, Suzane sobreviveu. Este livro esquadrinha o caminho que a criminosa trilhou desde que foi presa pela primeira vez até o momento em que começou a sair da prisão. Para detalhar a vida da assassina, o repórter Ullisses Campbell realizou dezenas de entrevistas e mergulhou nos emaranhados universos do Direito Penal e da Psicologia Forense. A obra mostra uma Suzane que deseja se casar no religioso, virar pastora evangélica e que nutre um sonho agora revelado.

Resenha: Depois da estreia dos filmes sobre um dos homicídios mais escabrosos do Brasil ocorrido em 2002, o caso dos von Richthofen e dos irmãos Cravinhos voltou à tona, e muita gente começou a procurar mais fontes de informações sobre o que aconteceu e o que os envolvidos andam fazendo desde que tiveram a prisão decretada.

Manfred Alfred von Richthofen nasceu na Alemanha e veio com a família para o Brasil na década de 50 onde se naturalizaram como brasileiros. Manfred foi sobrinho neto de Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, um aviador alemão que ficou conhecido como Barão Vermelho. Ele fez parte da história, onde lutou na Primeira Guerra Mundial entre 1914 e 1918, servindo no braço aéreo do Exército Imperial Alemão, e se tornou o piloto de caça mais famoso da Alemanha por ter abatido cerca de 80 aviões de tropas inimigas. Manfred cultuava o mito pelo tio-avô e sempre foi um grande admirador de aeronaves, tanto que depois de já ter constituído sua família com Marísia, sua esposa, presenteou seu filho Andreas com um aeromodelo caríssimo em seu aniversário. Ao procurar um professor de aeromodelismo para montar o objeto e ensinar o filho a controlá-lo, ele acabou apresentando Suzane a Daniel, o professor de Andreas, e a partir daí o destino da família foi traçado.

Suzane e Daniel se conheceram no parque do Ibirapuera em 1999 durante uma dessas aulas de aeromodelismo do irmão Andreas, e pouco tempo depois engataram um namoro. No começo seus pais não deram muita importância, acreditaram se tratar de um namorinho adolescente e que acabaria logo, mas quando perceberam que a filha estava saindo dos trilhos, começaram a implicar e proibiram o namoro com Daniel. A diferença de classe também foi um dos motivos para que não aceitassem o namoro, pois os Richthofen era uma família muito rica da zona sul de São Paulo e os Cravinhos eram de classe média, "inferiores". Manfred era um engenheiro bem sucedido que inclusive participou do projeto de construção do Rodoanel Mário Covas, e Marísia uma psiquiatra bastante renomada. E por mais que, aparentemente, fossem pessoas frias, eles sempre deram do bom e do melhor para os filhos, mas faziam questão de controla-los impondo regras e condições que Suzane não queria mais seguir depois de ter experimentado a "liberdade" na companhia de Daniel, liberdade essa que incluía sexo, drogas e nenhum limite. Assim, acreditando que só poderiam viver esse amor avassalador para serem felizes se os pais de Suzana não existissem, eles arquitetaram um plano para não só matar Manfred e Marísia, mas também saírem impunes para que Suzane botasse as mãos na herança milionária e pudesse continuar usufruindo dos bens e da fortuna junto com o namorado. E mesmo com a tentativa de não deixar provas que os incriminassem, vários erros foram cometidos, incluindo o comportamento de Suzana frente à tragédia, resultando na prisão dos três num tempo relativamente curto após o crime.

Suzane - Assassina e Manipuladora é um livro escrito pelo jornalista paraense Ullisses Campbell, publicado em 2020 pela Editora Matrix, e depois de pesquisas intensas, acesso a documentos e reportagens, e várias entrevistas feitas com pessoas diretamente ligadas aos assassinos feita pelo autor, podemos encontrar no livro uma fonte de informações e curiosidades bastante rica sobre esse caso que explodiu na mídia e chocou (e ainda choca) o Brasil.

Além de discorrer sobre o crime, descrevendo os detalhes cruéis e chocantes do assassinato a sangue frio de Manfred e Marísia, o jornalista aborda o relacionamento doentio de Suzane e Daniel evidenciando, através de relatos, depoimentos e confissões, qual foi a motivação que os levaram a cometer essa atrocidade e as consequências disso. O autor também dedica espaço para falar sobre Andreas, como ele se comportava e idolatrava Daniel antes do assassinato dos pais, e o que ele fez depois da condenação de Suzane, principalmente com relação a herança, mas não se aprofunda muito numa versão dos fatos pela visão do garoto já que o mesmo preferiu se reservar e não ter mais contato com a irmã.

A escrita é simples, objetiva e bem didática, e percebemos um toque de dramatização através dos diálogos que aparecem nas cenas (dos quais, obviamente, não podemos ter certeza se realmente aconteceram daquela forma), que se misturam com as informações, com os fatos, e com os relatos apresentados a fim de trazer uma riqueza maior de detalhes. A partir desses acontecimentos não temos uma visão somente sobre a personalidade do trio, mas também sobre o funcionamento do sistema penal, a diferença de tratamento de crimes que se tornam midiáticos para os que  mal são noticiados, assim como o comportamento dos detentos nas penitenciárias, que também possuem um tipo de hierarquia e criam seus próprios tribunais de acordo com a gravidade do crime cometido pelo recém chegado. Campbell também explica como Suzane conseguiu sobreviver mesmo sendo um alvo dentro da prisão, e como conseguiu se tornar a líder da penitenciária e ter várias regalias através de incontáveis artimanhas, usando de manipulação, vitimismo, sedução e muita inteligência. O autor também aborda algumas entrevistas famosas, como a que foi feita para o Gugu e pro Fantástico, e fala dos crimes cometidos por outros presos e presas que acabam se aproximando e fazendo amizade com os assassinos, e chega a ser inacreditável saber do que o ser humano é capaz de fazer contra outro. São crimes tão terríveis, se não piores, do que o planejado por Suzane, só não ganharam holofotes.

"Um fantasma, um jardim, diabos e um corpo de cara virada"

Cada capítulo se inicia com uma imagem que faz parte do teste psicológico de Roschach seguido de uma descrição feita pela própria Suzane indicando o que ela vê em meios aquelas manchas. Esse teste costuma ser aplicado em alguns criminosos que pleiteiam o regime semiaberto. Embora tenha passado em outros testes mais simples e ter sido considerada apta a voltar a viver em sociedade por alguns profissionais (sabe-se lá como), ela não consegue passar no de Roschach, e o autor mostra as explicações de acordo com os estudos científicos.

Como li pelo Kindle, não posso opinar sobre a parte física em si, mas a revisão em muitos pontos deixou a desejar. Percebi alguns erros e alguns trechos mal escritos e confusos, mas fora isso, é aquele tipo de leitura empolgante, que não desgrudamos. Ao final também há algumas fotos dos criminosos e uma breve descrição do local e da situação em que foram tiradas.

Enfim, pra quem gosta de livros que abordam crimes reais e tem curiosidade de saber mais detalhes sobre o caso da família Richthofen e dos irmãos Cravinhos, é leitura mais do que indicada, pois há muito mais informação do que as passados nos filmes (que foram baseados apenas nos depoimentos que os acusados deram no julgamento), e mesmo que não seja possível "julgar", é possível termos plena noção do que essa moça é capaz e como sua cabeça funciona, e posso afirmar que é tão fascinante quanto assustador. Pra complementar, recomendo também entrevistas disponíveis no YouTube com o perito criminal que iniciou as investigações do caso, Ricardo Salada, e o livro "Casos de Família", da escritora Ilana Casoy.

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