4 de junho de 2016

Outro Conto Sombrio dos Grimm - Adam Gidwitz

Título: Outro Conto Sombrio dos Grimm - Um Conto Sombrio dos Grimm #2
Autor: Adam Gidwitz
Editora: Galera Record
Gênero: Fantasia/Infantojuvenil/Contos
Ano: 2016
Páginas: 352
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Depois de revisitar a história de João e Maria, mostrando o conto original dos irmãos Grimm, o autor mais uma vez usa a escrita original dos autores para mostrar a verdadeira aventura de João e o Pé de Feijão. Juntem-se a este conto de fadas pra lá de diferente e acompanhem João e Jill pelas histórias dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de outras figurinhas do universo do faz de conta. E se preparem para descobrir paisagens incríveis, que podem - ou não! - ser assustadoras, sangrentas, aterrorizantes e cheias de surpresas.

Resenha: Outro Conto Sombrio dos Grimm é o segundo volume da trilogia Um Conto Sombrio dos Grimm, escrita pelo autor Adam Gidwitz e publicado pelo selo Galera Júnior do Grupo Editorial Record.
Como o livro é independente do primeiro volume, a resenha está livre de spoilers.

Você sabe qual é a "verdade" por trás da história de João e o Pé de Feijão?
Todos sabem que contos de fadas são bonitos e por mais que existam obstáculos e infortúnios o final feliz é sempre certo, menos pela visão dos Irmãos Grimm, que contam o lado obscuro e trágico de todos esses contos...
Um Sapo - que em vez de ser beijado teve a perna arrancada -, um garoto chamado João - que trocou a vaca magricela da família por sementes de feijão mágico -, e uma garota chamada Jill - cujo vestido fora feito com uma seda tão majestosa que só poderia ser vista pelos "olhos mais refinados" - embarcam numa grande aventura quando escalam o pé de feijão e juram encontrar um espelho mágico que fora perdido. A viagem irá levá-los através da verdade de vários contos de fadas e contos populares famosos e inesquecíveis, mesmo que aqui sejam "sangrentos e horríveis"...

Os contos são narrados em terceira pessoa de forma fácil e bastante fluída, e o humor pontual é responsável por ficarmos com a impressão de que existe alguém nos contado as histórias já que constantemente somos avisados e alertados pelo próprio autor, que sempre se intromete no meio da história, para falar sobre as coisas terríveis que estão por vir da forma mais natural possível. Não que elas sejam realmente sangrentas e horripilantes, mas quem não se assusta em ler a descrição de um pobre sapo sendo capturado com violência e arremessado longe enquanto sua perninha se solta do corpo? Ou quem não morre de nojo ao ler sobre gigantes que formam uma poça de 30cm de altura com os próprios vômitos? Eca!
"Na verdade, se vocês são o tipo de pessoa que não gosta de ler sobre sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas, por que não fingem que o dia acabou ali e fecham o livro agora mesmo?
Por outro lado, se vocês são o tipo de pessoa que gosta de ler sobre sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas... bem, posso perguntar educadamente:
- O que há de errado com vocês?"
- Pág. 84
Nos primeiros capítulos o autor é mais participativo com seus alertas sobre possíveis cenas desagradáveis, mas no decorrer do livro a frequência de suas intromissões diminui bastante, e mesmo assim são alertas divertidos, ora pela interação com o leitor ou por ele ter se "esquecido" de nos avisar algo importante anteriormente, fornecendo dicas hilárias que acabam sendo as maiores responsáveis por manter o leitor envolvido e interessado na história.

Cada capítulo faz referência a um conto de fadas diferente, porém, os contos sempre estão interligados e acabam se fundindo por fazerem parte da grande aventura de João, Jill e o Sapo. A medida que esses contos são desenvolvidos, há todo um clima de tensão e ansiedade que também é criado pela expectativa que ficamos sobre o sucesso ou o fracasso da busca. Os personagens transitam pelos contos, saindo de um e entrando em outro, e isso fez com que houvesse um fluxo na história que torna o enredo dinâmico durante todo o tempo.
"Eu diria que todos os espelhos são mágicos, ou podem ser.
Eles lhes mostram vocês mesmos, afinal de contas.
Realmente enxergar vocês mesmos, no entanto - essa é a parte dificil.
- Pág. 336
Embora os personagens principais sejam sempre alvos de azar e vergonha, fica claro que a jornada não é somente pela procura de um objeto, mas também do autoconhecimento e a capacidade que eles desenvolvem de conseguirem enfrentar obstáculos em prol de algo que acreditam que resolverá seus problemas. Levando isso em consideração, tanto os contos quanto os alertas de que devemos ver além e confiarmos em nós mesmos são uma forma de dar um impulso à nossa autoestima através de mensagens que estão nas entrelinhas.

A capa é super chamativa e bonita e alguns detalhes possuem verniz. Os capítulos são numerados e possuem um título que tem a ver com o conto da vez. Cada capítulo se inicia com uma pequena ilustração em forma de silhueta que também se remete ao conto que será apresentado. Não percebi erros de revisão e de forma geral, o trabalho gráfico do livro é ótimo.

Outro Conto Sombrio dos Grimm é um livro cheio de magia que traz contos com certo teor assustador e violento, sim, mas é evidente que o autor, que é um exelente contador de histórias por sinal, inseriu uma boa e afiada dose de muito bom humor nessa releitura que é mais do que indicada pra leitores de todas as idades.

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