7 de junho de 2017

Um Menino Em Um Milhão - Monica Wood

Título: Um Menino Em Um Milhão
Autora: Monica Wood
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance
Ano: 2017
Páginas: 352
Nota:
Sinopse: Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.
Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.
Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.

Resenha: Ona Viktus é uma senhora de cento e quatro anos de idade que acredita já ter vivido tudo o que há pra se viver. Sem maiores expectativas para o tempo que lhe resta, ela acaba sendo surpreendida por um menino de onze anos, obcecado pelo Livro dos Recordes e que adora colecionar objetos, que logo desperta sua simpatia e amizade através de um trabalho de escola. Ele deveria contar a história de uma pessoa idosa, e Ona não hesitou e nem se incomodou em contar detalhes de sua longa vida enquanto o menino usava um gravador para registrar todas as suas respostas. E essa entrevista os aproximou criando um elo de amizade improvável, mas muito verdadeiro.
Até que um dia o menino não apareceu, e em seu lugar Ona recebeu um músico fracassado de meia idade chamado Quinn Porter. Quinn mal o conhecia, mas devido ao pior ter acontecido de forma tão inesperada, ele, como seu pai, estava alí, pronto para cumprir a promessa que fez a Belle, sua ex-esposa e mãe do menino, para terminar a tarefa que o pequeno escoteiro jamais poderia terminar. Depois de ser um pai tão ausente na vida do filho, terminar a tarefa seria o mínimo que ele poderia fazer, e Ona se sente frustrada em ter que viver mais um luto, depois de ter vivido tantos outros ao longo de sua vida, por um garotinho tão adorável.
E assim, no decorrer da história, nos deparamos com Ona tentando permanecer firme para dar continuidade à tarefa do menino, Belle lidando com a dor irreparável por ter perdido seu filho, e Quinn, que mesmo tarde demais, tem a chance de, enfim, conhecer o garoto, e aprender muito com ele...

Dividido em cinco partes e narrado em terceira pessoa, o livro levanta a questão do luto e as formas de enfrentá-lo, vindas de diferentes pessoas, com percepções distintas. A autora aborda as relações familiares e os laços de amizades que são construídos ao longo da vida, principalmente aqueles que acontecem de forma inesperada e que se estreitam e se fortalecem com um convívio rotineiro, e o quanto isso é valioso e importante.

O nome do menino não foi mencionado e esporadicamente nos deparamos com alguma fala dele, mas sua presença sempre é constante do início ao fim, desde as entrevistas/gravações feitas (onde supomos suas perguntas que não estão evidentes, de acordo com as respostas de Ona), até a forma como ele, ao fazer uma conexão entre Belle, Ona e Quinn, proporciona aprendizados, reflexões e mudanças significativas em suas vidas.
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O projeto gráfico do livro é muito bacana. A capa com a silhueta do menino numa bicicleta em meio às árvores o representa bem como escoteiro. As páginas destinadas a indicar as partes e os capítulos tem detalhes de galhos como na capa, e não percebi erros de revisão.

Um Menino Em Um Milhão emociona e levanta alguns questionamentos relevantes no que diz respeito a forma como levamos a vida e como lidamos com as outras pessoas que nos cercam, trazendo importantes reflexões sobre o quão valiosa é a nossa presença na vida daqueles que são importantes para nós, e o que estamos dispostos a fazer a fim de levar um pouco de alegria a eles. Às vezes é na tentativa de se reparar um erro que encontramos paz e alívio para ficarmos livres da culpa.

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