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Harry Potter e o Cálice de Fogo - J.K. Rowling

18 de março de 2020

Título: Harry Potter e o Cálice de Fogo - Harry Potter #4
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2019
Páginas: 464
Nota:★★★★★
Sinopse: Verão, Harry Potter, agora com 14 anos, sente sua cicatriz arder durante um sonho bastante real com Lord Voldemort, o qual não consegue esquecer; três dias depois, já em companhia da família Weasley, com quem foi passar o restante das férias, na final da Copa Mundial de Quadribol, os Comensais da Morte, seguidores de Você-Sabe-Quem, reaparecem e alguém conjura a Marca Negra – o sinal de Lord Voldemort – projetando-a no céu pela primeira vez em 13 anos, causando pânico na comunidade mágica. Será que o terrível bruxo está voltando? Tudo indica que sim...


Resenha: Antes de voltar para Hogwarts, em seu quarto ano na escola, Harry, que agora está com quatorze anos, tem a chance de assistir a um jogo profissional entre Irlanda e Bulgária, na Copa Mundial de Quadribol. O que ninguém esperava era que o acampamento bruxo montado em volta do estádio fosse atacado por Comensais da Morte, nome dado aos seguidores do Lorde das Trevas. Quando a chamada "marca negra", é conjurada no céu de forma misteriosa, todos começam a temer a volta daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
Como se isso já não fosse o bastante para preocupar a todos, o ano letivo já começa num clima bastante agitado. Olho-Tonto Moody, um auror que lutou contra bruxos das trevas no passado e se aposentou, foi convidado por Dumbledore a ser o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e os métodos dele são bastante peculiares.

Este ano, além do grande Baile de Inverno, Hogwarts vai sediar o Torneio Tribruxo, uma competição amistosa entre as três maiores escolas de bruxaria da Europa, e com isso vai receber Beauxbatons e Durmstrang. Pelas tarefas serem bastante perigosas, somente alunos com pelo menos dezessete anos podem se inscrever depositando seus nomes no Cálice de Fogo para tentarem concorrer a uma vaga de campeão e, assim, poderem competir no evento afim de demonstrarem suas habilidades adquiridas durante os anos de estudo, a coragem e suas capacidades de enfrentar o perigo.

Porém, de alguma forma inexplicável, Harry é escolhido pelo Cálice e se torna o quarto campeão que vai competir no Torneio Tribruxo junto com Cedrico Diggory, o primeiro campeão selecionado de Hogwarts; Fleur Delacour, campeã de Beauxbatons; e Viktor Krum, que além de ser o campeão de Durmstrang, também é o famoso apanhador do time profissional de Quadribol da Bulgária (de quem Rony é um grande fã). Assim, ele tem permissão para participar do torneio com intuito de descobrirem quem foi o responsável por inscrevê-lo e porquê. Será que Lorde Voldemort está por trás disso?

Diferente dos três volumes anteriores, este já começa com o primeiro capítulo dedicado a contar um pouco mais da família Riddle e alguns mistérios que cercam a morte deles, levando o leitor a um senhor, que, na época, foi o principal suspeito das mortes, mas ainda assim permaneceu como o fiel caseiro da família. Cinquenta anos depois, quando o velho percebeu uma movimentação estranha na casa, ele vai averiguar, vê um homem cuidando de uma criatura pavorosa, dona de uma cobra gigantesca, e acaba morto. Somente após essa cena trágica, vamos à casa dos Dursley, onde Harry continua levando aquela vida miserável com os tios, com a diferença que agora ele se aproveita da ideia de Sirius Black, seu padrinho "criminoso" que fugiu da prisão de Azkaban, possa fazer alguma coisa caso descubra que o afilhado está sendo maltratado, basta que o menino mande uma coruja pra lhe contar, o que rende alguns momentos bem engraçados com tio Válter apavorado de tanto medo de confrontar alguém dessa "laia". Os Weasley vão buscá-lo e todos partem rumo à Toca.

Narrado em terceira pessoa, é impossível não se empolgar com a leitura, com os detalhes desse universo mágico e fantástico e com o bom humor que a autora insere na história. Confesso que algumas passagens descrevendo detalhes de partidas de quadribol são bem extensas, um tanto cansativas e não acrescentam muito à trama de uma forma geral, a não ser reforçar a paixão dos bruxos por esse esporte e o quanto ele é importante em suas vidas, assim como o futebol, por exemplo, é para os trouxas.

Alguns pontos a serem destacados e que não podem ser vistos no filme (que foi bastante modificado pra adaptar o livro), é a presença de novos personagens que são bastante importantes pro desenvolvimento da história, como Winky, uma elfo-doméstico que é expulsa da família a quem serve (para sua completa desgraça) e vai trabalhar em Hogwarts, e o retorno de Dobby (a vergonha dos elfos por ter sido libertado e absurdamente exigir pagamento por seus serviços), o que acaba gerando a revolta de Hermione em ver o quanto essas criaturas são "exploradas" de forma injusta (na visão dela) a ponto de ela criar uma associação em prol dos direitos e da liberdade dos elfos-domésticos, o F.A.L.E., e sair militando exaustivamente por aí, tentando convencer os bruxos dessa nobre causa enquanto os próprios elfos, horrorizados com a decisão dela, só querem viver suas vidas servindo felizes e satisfeitos aos seus senhores da melhor forma possível.
Outros personagens também movimentam a história e prometem algo mais pro futuro, como a jornalista sensacionalista Rita Skeeter, Madame Maxime, diretora de Beauxbatons, e a abordagem de várias criaturas mágicas e novos feitiços que enriquecem ainda mais esse universo.

Assim, em meio a tantos desafios no torneio e na escola, tanta coisa nova pra se aprender, e diante dos conflitos internos que todo adolescente tem, este volume mostra o início do amadurecimento do garoto e também marca uma nova e terrível realidade para o mundo bruxo. Daqui pra frente, as coisas vão ficar bem mais pesadas e perigosas do que já estavam, não só para Harry e seus amigos, mas para toda a comunidade bruxa.


Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J.K. Rowling

9 de março de 2020

Título: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - Harry Potter #3
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2018
Páginas: 336
Nota:★★★★★
Sinopse: Durante 12 anos o forte de Azkaban guardou o prisioneiro Sirius Black, acusado de matar 13 pessoas e ser o principal ajudante de Voldemort, o Senhor das Trevas. Agora ele conseguiu escapar, deixando apenas uma pista: seu destino é a escola de Hogwarts, em busca de Harry Potter. Neste livro o leitor estará mais uma vez mergulhando no mundo mágico de Hogwarts e participando de aventuras repletas de imaginação, humor e emoção, que repetem o encantamento proporcionado pelos livros anteriores dessa maravilhosa série de J. K. Rowling.


Resenha: Depois de aturar a irmã do tio Válter, tia Guida, que ficara hospedada por uma longa e eterna semana na casa dos Dursley, Harry se desentende com a intragável mulher por ela não parar de falar abobrinhas para humilhar o garoto, a transforma num balão que sai voando pelos céus de Londres afora, e foge de casa no meio da noite. No meio do caminho ele se depara com um enorme cão preto que parecia vigiá-lo, mas acaba sendo salvo pelo Nôitibus Andante, um transporte bastante peculiar que resgata bruxos que se encontram em casos de emergência. Harry vai para o Caldeirão Furado, no Beco Diagonal, e fica por lá até que as aulas comecem. Ao tomar o Expresso de Hogwarts, Harry, Rony e Hermione se deparam com uma das criaturas mais malignas que habitam no mundo, os Dementadores, seres sombrios que se alimentam da felicidade das pessoas e guardam a Prisão de Azkaban.


Os Dementadores estavam vasculhando o expresso em busca do notório assassino e partidário do Lorde das Trevas, que fugiu da prisão, Sirius Black. Os rumores contam que Sirius, além de ter sido acusado de matar treze pessoas e ter destruído um bruxo de nome Pedro Pettigrew, e que a única coisa que sobrou do coitado foi um único dedinho encontrado, foi o maior responsável pela morte de Lílian e Tiago Potter, os pais de Harry, quando ele os traiu e os entregou a Lord Voldemort. E agora, com sua fuga de Azkaban, ele iria atrás de Harry para, enfim, terminar o serviço.


Agora, em seu terceiro ano em Hogwarts, Harry vai lidar com os novos desafios e matérias da escola, vai ter Hagrid como o novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, a excêntrica Sibila Trelawney como a professora de Adivinhação, o misterioso Remo Lupin como o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas (nenhum professor dura mais de um ano nesse cargo amaldiçoado), e ainda vai precisar se proteger da suposta ameaça que corre ao ser caçado por Sirius.
Quando Harry ganha o curioso Mapa do Maroto dos gêmeos Weasley para poder ver não só todas as passagens secretas da escola, mas também o local onde estão e o que todos na escola estão fazendo para escapar de Hogwarts e visitar o povoado bruxo de Hogsmead com sua capa da invisibilidade, ele percebe que o nome de Pedro aparece no mapa. Mas como poderia se ele foi morto? Será que o mapa mágico está com algum defeito? Ou será que há muito mais coisas escondidas por trás da história de Sirius que ninguém ainda não sabe? E o que significa esse cão, chamado de Sinistro, que parece estar sempre a espreita?


Esse volume é um dos melhores da série, seja por ter muito mais toques de bom humor, por trazer mais elementos desse universo mágico que se expandiu pra fora da escola, quanto pela introdução de Sirius Black e a importância que ele traz pra série de uma forma geral, assim como Lupin com suas frases inteligentes e de efeito (só não tanto quanto as de Dumbledore) e tudo o que ele tem a ensinar a Harry e as crianças.
Com treze anos, Harry já é um adolescente, e mesmo que tenha preocupações em aprender as matérias da escola, e agora que pensa estar correndo risco de vida, ele também começa a se interessar por garotas, mostrando que ele também tem características e comportamentos comuns de garotos dessa idade.
Rony continua engraçado e meio sonso, e está bem preocupado com Perebas, seu rato de estimação que anda se comportando de forma estranha ultimamente, principalmente agora que Hermione arrumou um novo bicho de estimação, Bichento, um gato amarelo de focinho achatado que não deixa o rato em paz e é muito inteligente.


Hermione, estudante voraz, de alguma forma misteriosa anda frequentando todas as aulas para não perder nenhum tipo de conteúdo e aprender tudo sobre esse universo, mas o que ninguém sabe é como ela pode estar em mais de uma aula ao mesmo tempo. Ela continua afiada com toda sua inteligência e lógica, e sempre age com a razão, alertando e repreendendo Harry mesmo que isso o contradiga e faça com que os meninos passem a ignorá-la deixando-a arrasada. Ela inclusive perde a paciência com a professora de Adivinhação, pois pra ela, tudo que Sibila diz não passa de falácia e charlatanismo, mas no final descobrimos que, por mais que ela seja exagerada em suas falas e pareça mesmo uma fraude, ela tem grande importância na história de vida do próprio Harry.
Agora que Hagrid se tornou professor de Hogwarts, ele, com todo o seu amor pelas criaturas mágicas, quer impressionar os alunos e mostrar a beleza desses bichos, e aí é que entra o hipogrifo Bicuço, que também tem uma grande participação e importância na trama.


O professor Lupin foi considerado o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, seja pela sua forma de ensino divertida quanto por ele mesmo ser um homem inteligente, legal e bastante compreensivo, o problema é que ele parece guardar um segredo, de vez em quando se ausenta e ninguém sabe pra onde ele vai, o que acaba sendo visto com desconfiança pelo trio de amigos. Através de Lupin, Harry consegue entender o que são e o que realmente fazem os Dementadores, descobre porque ele é mais afetado do que os outros na presença deles, e aprende um feitiço avançado chamado "Expecto Patronun", que conjura um Patrono para combater essas criaturas. Cada bruxo tem um Patrono representado por um animal que tem algum tipo de ligação com sua personalidade ou experiência de vida. É um feitiço bastante avançado pra idade de Harry, mas Lupin acredita no potencial do garoto.

Um dos pontos mais interessantes do livro é a ideia de que a autora, enquanto o escrevia, passava por uma época bastante pesada em que sofria de depressão, e os Dementadores foram criados baseados nessa condição. Uma criatura que suga a felicidade das pessoas até que ela definhe por completo, trazendo suas piores lembranças à tona e fazendo com que a pessoa perca a vontade de viver. Logo a forma de combater os dementadores com Patrono, que deve ser conjurado através de uma lembrança feliz, não foi por acaso. Até na pior situação, J.K. consegue ser genial, é incrível.


O quadribol também é bastante explorado, mostrando o quanto esse esporte é importante para Harry e a equipe da Grifinória.
Talvez esse seja o livro cuja adaptação cinematográfica foi a que mais "sofreu", pois são tantas coisas que ficaram de fora e/ou foram modificadas e resumidas para contar a história, que chega a dar desgosto. Uma das coisas que senti falta foi Sir Cadogan, um cavaleiro de armadura, baixinho e invocado que perambula pelos quadros mágicos da escola e que usa de um vocabulário "rebuscado" e hilário para tratar os garotos, brandindo sua espada para enfrentá-los, chamando-os de "patifes", "cães desprezíveis", "vilões" e coisas do tipo. Quando ele precisa substituir a Mulher Gorda, as cenas são impagáveis, pois ele vive dificultando a vida dos alunos.

A edição ilustrada e em capa dura dispensa maiores comentários. Pra quem é fã, é artigo essencial na coleção. Não digo que a revisão é perfeita, porque é comum encontrarmos um monte de erros, mas a história é tão boa e prende tanto que supera esse detalhe.


Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban traz muitas informações novas sobre o mundo bruxo, sobre Hogwarts, sobre o passado de Harry e sobre o passado de Tiago Potter e sua turma enquanto eles eram estudantes da escola. Mesmo que as descobertas de Harry e os acontecimentos envolvendo Sirius representam algo muito maior, fica evidente que Lord Voldemort está conseguindo retornar e que as coisas tendem a ficar bem mais perigosas a partir daqui.

Harry Potter e a Câmara Secreta - J.K. Rowling

20 de fevereiro de 2020

Título: Harry Potter e a Câmara Secreta - Harry Potter #2
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2017
Páginas: 272
Nota:★★★★★
Sinopse: Os Dursley estavam tão anti-sociais naquele verão, que tudo o que Harry queria era voltar às aulas da Escola de Bruxarias de Hogwarts. No entanto, quando já terminava de fazer suas malas, Harry recebe um aviso de um estranho chamado Dobby, que diz que um desastre acontecerá caso Potter decida voltar à Hogwarts. Harry não liga para aquela mensagem e o desastre realmente acontece. Naquele segundo ano estudando em Hogwarts, novos horrores surgem para atormentar Harry, incluindo o novo professor Gilderoy Lockhart e um espírito chamado Murta-que-Geme, que assombra o banheiro feminino, além de olhares indesejados da irmã mais nova de Ron Weasley, Gina. Todos esses problemas, no entanto, parecem menores quando o verdadeiro problema começa e algo transforma os alunos de Hogwarts em pedra. Dentre os suspeitos: o próprio Harry.

Resenha: Depois de enfrentar o Lorde das Trevas e sobreviver mais uma vez pra contar a história, Harry volta para a casa dos tios para passar as férias enquanto aguarda o início das aulas em Hogwarts mais uma vez. Porém, enquanto seus tios o mantém preso e escondido em seu quarto numa tentativa de evitar que ele se comunique com seus amigos "anormais", Harry recebe a visita inesperada de uma criatura curiosa, Dobby, um elfo doméstico que vive se autocastigando, mas que está alí para tentar impedir que Harry volte para Hogwarts. Segundo Dobby, há algo muito perigoso sendo tramado por lá, e um grande desastre irá acontecer caso Harry volte. É claro que Harry não pode deixar de voltar pra escola, pois lá é seu lugar de verdade. Resgatado por Rony, Fred e Jorge num carro enfeitiçado, Harry consegue fugir da casa dos Dursley e vai para A Toca, a casa da família Weasley, onde aguarda o início das aulas ansioso.


Gilderoy Lockhart é o novo - e convencido - professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e agora, no segundo ano, as crianças começam a praticar alguns feitiços de ataque e defesa para aprender a desarmar oponentes, mas quando um feitiço não dá muito certo e Harry demonstra ter uma habilidade incomum entre os bruxos e ouvir vozes ameaçadoras que mais ninguém escuta, o menino começa a ser visto com muita desconfiança pelos alunos. E isso piora quando o real perigo começa a surgir e alguns alunos nascidos trouxas começam a ser encontrados petrificados. Harry é o principal suspeito pois sempre está no lugar errado, na hora errada, mas ele precisa provar para todos que ele não só é inocente, como descobrir quem está por trás dos ataques, e é quando o professor (e fantasma) Binns, de que leciona História da Magia, conta aos alunos sobre a lendária câmara secreta, e que lá existe um monstro que só pode ser controlado pelo herdeiro de Salazar Slytherin, o fundador de Sonserina. Mas quem será essa pessoa? E será que a Câmara realmente existe ou não passa de lenda para assustar crianças?


Narrado em terceira pessoa, a história se mantém fluída, com detalhes maravilhosos, toques de muito bom humor e é impossível de largar. No segundo ano de Harry Potter em Hogwarts, já temos uma noção muito boa sobre o funcionamento da sociedade bruxa e da escola em si, mas sempre aparece alguma informação nova para incrementar a história e nos surpreender. Outra coisa super legal nos livros é que J.K. sempre insere alguma situação ou informação que, aparentemente, parece não ser tão importante ou que acaba sendo um obstáculo a ser enfrentado, mas acaba tendo uma ligação com algo que acontece lá na frente e tudo de encaixa, como mágica.


Harry já está mais familiarizado com o universo bruxo, com o quadribol, com os professores, e com os perigos que sempre estão a espreita, e dessa vez não seria diferente. O Lorde das Trevas ainda representa uma ameaça e sempre está buscando meios de retornar, e Harry não vai hesitar em estar alí para tentar impedir.
Rony, por mais que seja o amigo bobalhão de Harry, mostra que apesar de ter pavor de aranhas, ele é corajoso e também enfrenta o perigo quando necessário, mesmo com uma varinha quebrada que causa destruição se utilizada. E a ideia de Gina, sua irmã mais nova, ter ido pro seu primeiro ano em Hogwarts e estar correndo perigo, o deixa ainda mais preocupado em fazer alguma coisa para ajudar a resolver o mistério acerca do monstro da câmara secreta.


E mais uma vez, Hermione, com sua astúcia e inteligência, consegue resolver problemas aparentemente impossíveis, desvendando mistérios que ninguém, em décadas, soube resolver. Hermione sempre deixa se guiar pela razão, mesmo que isso signifique contrariar as ideias de Harry, e é incrível como a menina, de uma forma até irritante, sempre está certa.
Snape está mais odioso do que nunca, perseguindo os garotos e destilando toda a sua antipatia pela vida contra as crianças. Gilderoy é aquele tipo de embuste que se acha o centro das atenções, que gosta de espalhar seus grandes feitos por aí como se ele fosse alguém famoso e muito importante. Desde o início fica claro o quanto ele é ridículo e narcisista - o que chega a ser inacreditável e muito engraçado - mas a reviravolta que ele sofre no final é perfeita, pois mostra que as pessoas não são o que fazem questão de aparentar ser.
Através das memórias em um diário mágico, sabemos um pouco mais sobre Tom Riddle, um estudante de Hogwarts de décadas atrás, que mostra algumas passagens ocorridas na escola a fim de trazer algumas respostas para Harry, e que acaba se tornando alguém bastante conhecido no mundo bruxo futuramente...


Não posso deixar de falar sobre a estadia de Harry n'A Toca e é uma pena enorme que as cenas que se passam lá ficaram de fora do filme. A Toca é uma casa torta e mágica, com direito a vampiro que mora no sótão e um jardim enorme que precisa ser desgnomizado com frequência, pois os gnomos - criaturas muito diferentes daquelas parecidas com um mini papai noel que os trouxas insistem em usar para enfeitar seus jardins - são pragas que infestam o terreno e destroem as plantas. O processo de dar fim nos bichos é hilário e muito criativo. Outra passagem super interessante é o aniversário de morte do fantasma Nick-quase-sem-Cabeça, do qual o trio de amigos foi convidado a participar e ficam totalmente abismados, e a ideia de que o zelador da escola, Argo Filch, é um aborto (que nasce em uma família bruxa mas não tem poderes, o que seria o oposto da Hermione, que nasceu bruxa numa família de trouxas).


Enfim, eu poderia ficar aqui falando sobre os detalhes do livro, da saga em si, de como a autora começou a introduzir a questão do preconceito e das diferenças entre bruxos e trouxas, e do quanto eu amo esse universo mágico e fantástico criado pela genial J.K. Rowling eternamente, mas vou me conter e só dizer que é livro cuja leitura - e releitura - é mais do que recomendada.

Harry Potter e a Pedra Filosofal - J.K. Rowling

19 de fevereiro de 2020

Título: Harry Potter e a Pedra Filosofal - Harry Potter #1
Autora: J.K. Rowling
Ilustrações: Jim Kay
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto juvenil
Ano: 2016
Páginas: 256
Nota:★★★★★
Sinopse: Conheça Harry, filho de Tiago e Lilian Potter, feiticeiros que foram assassinados por um poderosíssimo bruxo, quando ele ainda era um bebê. Com isso, o menino acaba sendo levado para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdava roupas velhas do primo gorducho, tinha óculos remendados e era tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, entretanto, ele parece deslizar por um buraco sem fundo, como o de Alice no país das maravilhas, que o conduz a um mundo mágico. Descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais, o terrível Lorde das Trevas.
O menino de olhos verdes, magricela e desengonçado, tão habituado à rejeição, descobre, também, que é um herói no universo dos magos. Potter fica sabendo que é a única pessoa a ter sobrevivido a um ataque do tal bruxo do mal e essa é a causa da marca em forma de raio que ele carrega na testa. Ele não é um garoto qualquer, ele sequer é um feiticeiro qualquer; ele é Harry Potter, símbolo de poder, resistência e um líder natural entre os sobrenaturais.


Resenha: Harry Potter é um garoto de dez anos, magricela, com olhos verdes, uma cabeleira desgrenhada e uma cicatriz em forma de raio na testa. Ele foi criado pelos tios preconceituosos e intragáveis, os Dursleys, num armário debaixo da escada, depois de ter ficado órfão quando ainda era apenas um bebê. Desde que foi deixado na porta dos Dursleys, Harry sempre foi rejeitado e tratado com desprezo, sempre apanhava de Duda, seu primo mimado, sempre era castigado por nada, e, para os tios, sempre foi um grande estorvo. Ainda assim, ele aceitava sua vidinha miserável pois os Dursleys era a única família que lhe restou, infelizmente. Ao completar onze anos, Harry descobre ser um bruxo quando, depois de muitas mentiras e sabotagens por parte dos tios e do primo, ele recebe uma carta entregue por Hagrid, o guardião das chaves da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde ele iria pra estudar e aprender tudo sobre esse universo mágico, e se tornar o grande bruxo que ele está destinado a ser. Seus tios abominam qualquer coisa relacionada a mágica e esconderam tudo o que podiam do garoto. Sendo trouxas (nome dado a quem não é bruxo) os Dursleys, mesmo que façam de tudo pra fingir que não existe, são um dos poucos que sabem do mundo mágico, pois Lilian, a falecida mãe de Harry e irmã de tia Petúnia, também era bruxa, o que causava asco na irmã.


O que Harry ainda não sabia, é que no mundo bruxo, desconhecido pelo garoto até então, ele é muito famoso, conhecido como "o menino que sobreviveu". Seus pais não morreram num acidente de carro como ele fora levado a acreditar, mas sim foram assassinados por um bruxo terrível que, ao tentar matar Harry também, foi atingido de alguma forma misteriosa e desapareceu. Porém, por mais que o Lorde das Trevas, também conhecido como "aquele-que-não-deve-ser-nomeado" ou "você-sabe-quem", seja somente uma lembrança que ainda assusta e é evitada a todo custo por muitos bruxos, ele não morreu definitivamente, e planeja voltar para terminar o serviço.
Agora, depois de passar pelo Beco Diagonal para comprar todo o material que precisa, e ainda ganhar uma coruja de estimação, ele embarcará na plataforma 9 ½, na estação de Kings Cross, rumo ao seu primeiro ano em Hogwarts, Harry finalmente está feliz, fez novos amigos e se sente em casa pela primeira vez, mas o perigo está mais próximo do que todos imaginam, principalmente quando ele e seus amigos começam a perceber que há algo de estranho e misterioso acontecendo na escola envolvendo a lendária pedra filosofal.

Narrado em terceira pessoa, a história é muito bem humorada e tão fluída e envolvente que pode ser lida em questão de poucas horas. Cada detalhe, cada cenário, cada frase de efeito dita por Dumbledore só mostra o quanto J.K. é genial. Não importa se você tem 8 ou 80 anos, a leitura é simplesmente maravilhosa. Mesmo que o primeiro livro seja mais introdutório, é perfeitamente possível imaginar e imergir nesse universo fantástico e mágico como se fosse algo real.


Lugares mágicos que só podem ser vistos por bruxos, correspondência através de corujas, a ideia que os bruxos passam 7 anos na escola aprendendo e aprimorando suas habilidades para, quando adultos, executarem os mais diversos feitiços, criarem poções, terem conhecimento da história da magia em geral e ainda seguir alguma carreira no mundo bruxo. A sociedade bruxa mantém um sistema que funciona plenamente, mantendo sua existência em segredo dos trouxas para que eles não achem que todos os problemas que arrumam possam ser resolvidos com mágica, e tem suas próprias regras criadas pelos responsáveis pelo Ministério da Magia e vária outras peculiaridades.
A ideia da autora em incluir a vassoura como elemento da bruxaria também foi super bacana, pois aqui ela é um item principalmente esportivo, que os bruxos usam pra voar enquanto jogam o famoso - e perigoso - Quadribol, que tem regras rígidas, campeonatos e equipes profissionais por todo o mundo. Harry inclusive demonstra ser bastante habilidoso com a vassoura e logo entra no time na posição de Apanhador.


Não acho que seja lá muito justo escolher só alguns personagens para falar quando existem dezenas deles e todos são ótimos e relevantes na trama.
O universo criado por J.K. Rowling é simplesmente fantástico, cheio de bom humor e encantador, mesmo que a vida de Harry até seu ingresso em Hogwarts tenha sido de dar dó. Todos os personagens são interessantes e possuem várias camadas e pontos de personalidades marcantes, sendo possível identificá-los facilmente pela forma como falam ou agem, e sentir empatia (ou não) por cada um deles.

Harry está numa fase de aprendizado, é seu primeiro ano na escola, e por mais que a ideia de ser um bruxo tenha feito com que ele ficasse surpreso e até um tanto incrédulo, ele logo consegue se familiarizar com muita facilidade em sua nova realidade. Mesmo que tenha crescido num lar onde sempre foi tratado da pior maneira possível, o que muitas vezes é revoltante, ele ainda tem seus valores, é um bom menino, tem coragem pra enfrentar o que for preciso, mas não nega que sempre precisa de ajuda. Ele nunca faz nada totalmente sozinho e muitas vezes depende de auxílio e conselhos dos amigos, de Hagrid ou de Dumbledore, o diretor da escola, um dos bruxos mais poderosos, respeitados - e mais engraçado -  desse universo mágico.
Rony vem de uma família de bruxos, todos ruivos, bastante simples. Eles são pobres e passam por algumas dificuldades, mas são muitos amorosos e companheiros. A mãe de Rony, Molly, toma Harry praticamente como filho, tanto por sua história trágica, quanto por ter feito amizade com Rony. Seu pai, Arthur, trabalha no Ministério da Magia, na seção de Mau Uso dos Artefatos de Trouxas. Rony é meio sem noção, esfomeado e engraçado, e se torna o melhor amigo e confidente que Harry jamais sonhou que teria um dia. Rony é o sexto filho, de sete, e esse é seu primeiro ano em Hogwarts, assim como Harry.
Hermione é filha de trouxas e foi uma surpresa quando ela recebeu sua carta. Sim, é possível que nasça um bruxo numa família de trouxas (como a própria Lilian, mãe de Harry). Ela é super inteligente, aluna dedicada, devoradora de livros e nada supera sua capacidade de lógica. Se não fosse pela ajuda dela, Harry mal sairia do lugar pra resolver seus problemas.
Draco Malfoy, um menino pálido de cabelo platinado, veio de uma família importante e muito rica no mundo bruxo, e ele adora se aparecer ou tirar alguma vantagem por causa disso. Ele também é aluno do primeiro ano, foi escolhido pra Sonserina, é se tornou arqui inimigo de Harry. Desde o início os dois não se bicaram e vivem pra implicar um com o outro.


Os professores também são ótimos e desde o início demonstram o quanto são fundamentais no desenvolvimento de Harry e na trama em si. Alvo Dumbledore, o diretor de Hogwarts, é um velho sábio e bem humorado, que adora sorvete de limão, mas muito misterioso e um tanto reservado. Minerva McGonagall, professora de Transfiguração, é uma bruxa com poder de se transformar num gato e é tão rígida quanto justa. Ela também adora Quadribol e se empolga muito com Harry no time da Grifinória. Severo Snape, o professor de Poções, é mal encarado, mau humorado, e parece odiar Harry com todas as suas forças. Ele não pensa duas vezes quando o assunto é implicar com Harry ou perder a paciência com Hermione, e tira o máximo de pontos de Grifinória que ele pode. O professor Quirrell, de Defesa Contra as Artes das Trevas, parece ser muito medroso, ainda mais por viver gaguejando e se assustar com muita facilidade. Hagrid é um homem gigante com uma barba e uma cabeleira indomável que trabalha em Hogwarts e mora numa cabana dentro dos limites da propriedade. Ele tem uma sombrinha cor-de-rosa e foi proibido de usar magia por algum motivo. Hagrid tem a total confiança de Dumbledore, adora todo tipo de criatura mágica e desenvolve uma relação de amizade com as crianças que é tão adorável quanto engraçada.

A escola em si já é cheia de curiosidades na forma como funciona e é um lugar que devia existir de verdade, de tão incrível. Cheia de passagens secretas, lugares proibidos, quadros com fotografias que se mexem, fantasmas ilustres e escadas que mudam de lugar. Ela é dividida em casas, e o Chapéu Seletor, um chapéu pontudo mágico e inteligente que fala e canta muito, separa e encaminha todos os alunos recém chegados pra cada uma de acordo com suas personalidades e ambições (ou falta delas). Grifinória (a casa pra onde Harry, Rony e Hermione vão), Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa são as quatro casas de Hogwarts, que ganharam esses nomes devido aos seus fundadores. Cada casa tem suas cores, um animal como símbolo e seu próprio lema. Grifinória é a casa dos bruxos corajosos e companheiros. Corvinal é destinada aos bruxos mais sábios e criativos (Hermione poderia estar nela). Sonserina é uma casa onde os bruxos são astutos e não medem esforços para conseguirem o que querem, e ficou conhecida de uma forma negativa, pois todos os bruxos que seguiram o caminho das trevas foram de Sonserina. E por último, a Lufa-Lufa, onde seus moradores são leais, amigos e pacientes. Lufa-lufa é a casa mais inclusiva e flexível de Hogwarts, e muitos acham que nela só vão os bruxos mais fracos, mas na verdade são os mais sinceros, bondosos, persistentes e justos. No final do ano letivo, a casa que faz mais pontos ganha a Taça das Casas e é reconhecida como a casa vencedora até o próximo ano.


Não que isso tenha me feito desgostar da saga, mas talvez o único ponto negativo do livro seja a bendita tradução. E não digo isso pela tradução de muitos termos e nomes próprios pra aproximá-los do equivalente em português (James Potter, o pai de Harry, virou Tiago Potter; Charlie Weasley, irmão do Rony, virou Carlinhos; Vernon Dursley, o tio odioso de Harry, virou Válter; Fang, o cachorro de Hagrid, virou Canino; "muggle" virou "trouxa"; e por aí vai...), coisa que em alguns pontos não faz muito sentido pois alguns dos nomes, mesmo sendo em inglês, também podem ser bem familiares em português. A própria plataforma mágica e secreta, onde os bruxos embarcam no Expresso que os levam a Hogwarts, foi alterada na tradução, sendo que a original (que se pode ver nos filmes também) é a plataforma 9 ¾. Num contexto geral, a tradução de Lia Wyler (RIP) é muito boa, facilita a leitura pra crianças, e fica bem evidente que foi feita uma pesquisa minuciosa a fim de trazer as origens e o melhor sentido dos nomes pro correspondente em português, mas ainda assim, a tradução dos nomes das casas, pra mim, é um pouco problemática por questões "mitológicas". Como os nomes das casas são os sobrenomes dos seus respectivos bruxos criadores, não faz sentido manter o nome da casa traduzido e o sobrenome não, pois a referência acaba se perdendo nesse sentido. Um leitor mais desatento ou que não conhece a saga mais a fundo pode não fazer essa associação, e talvez fosse melhor que os sobrenomes deles também fossem traduzidos juntamente com os nomes das casas, ou que os das casas fossem mantidos nos originais.
Levando tudo isso em consideração, além de ficar aquela sensação de que teve muita coisa perdida (por mais que a história seja super rica em muitos sentidos), em vários momentos a gente se depara com erros na revisão da tradução também, como personagens com nomes trocados, ou ora traduzidos, ora não, como é o caso da Professora Minerva que uma hora aparece como "Morague MacGonagall", ou a artilheira de Quadribol (Quidditch no original), Cátia Bell, que às vezes não tem o nome traduzido e aparece como "Kate". E pra uma série de livros que teve incontáveis edições depois de tantos anos, qualquer fã (#iludido #xatiado) esperava que tais erros fossem corrigidos, mas não foram (nem a versão do audiolivro, que fiz questão de acompanhar e ouvir, foi).


Essa edição com capa dura em particular é maravilhosa, com ilustrações lindas feitas por Jim Kay, com uma disposição de texto que se encaixa bem com os desenhos, e é edição obrigatória pra se ter na estante quando se é um fã e colecionador. É meio incômodo ler essa edição pelo seu tamanho e peso, mas a história é tão boa, cheia de reviravoltas e detalhes geniais que o esforço - e o preço - sempre vai valer a pena.

Enfim, Harry Potter e a Pedra Filosofal deu início a uma saga épica, clássica, viciante e inesquecível que reuniu uma legião de fãs pelo mundo inteiro - inclusive essa pessoa que vos fala - e que, ainda bem, não vai acabar tão cedo. Se ainda não leu, ou só conhece a saga pelos filmes, volte pra Terra e faça esse favor a você mesmo: LEIA, é sério!
É livro pra ser lido, relido e guardado no coração, pra sempre!

Vidas Muito Boas - J.K. Rowling

9 de dezembro de 2017

Título: Vidas Muito Boas - As vantagens do fracasso e a importância da imaginação
Autora: J.K. Rowling
Editora: Rocco
Gênero: Não ficção/Autoajuda
Ano: 2017
Páginas: 80
Nota:★★★★☆
Sinopse: "Como podemos aproveitar o fracasso?", "Como podemos usar nossa imaginação para melhorar a nós e os outros?". J.K. Rowling responde essas e outras perguntas provocadoras em Vidas Muito Boas, versão em livro do famoso discurso de paraninfa da autora da série Harry Potter na Universidade de Harvard, que chega às livrarias brasileiras no dia 7 de outubro. Baseado em histórias de seus próprios anos como estudante universitária, a autora mundialmente famosa aborda algumas das mais importantes questões da vida com perspicácia, seriedade e força emocional. Um texto cheio de valor para os fãs da escritora e surpreendente para todos que buscam palavras inspiradoras.

Resenha: Vidas Muito Boas é uma transcrição do discurso inspirador que J.K. Rowling fez na Universidade de Harvard, em 2008.
De forma resumida, ela fala das próprias experiências e de como sua trajetória não foi feita apenas de sucesso e de vitórias. Antes da fama ela teve muitas dificuldades, inclusive financeiras, mas consegue mostrar que foi preciso fracassar pra chegar onde chegou. O fracasso não só faz parte da vida, como pode servir de impulso para se melhorar ou dar valor às boas coisas, para crescimento pessoal, para autoconhecimento, para que nossos medos possam ser enfrentados e superados em vez de desistirmos.
"É impossível viver sem fracassar em alguma coisa, a não ser que vocês vivam com tanto cuidado que acabem não vivendo de verdade - e, neste caso, vocês fracassam por omissão."
- Pág. 34
As lições são poucas, mas o que fica é a ideia de que devemos acreditar em nós mesmos, na nossa capacidade de conquistar o que almejamos, de realizar nossos sonhos e de enfrentarmos os obstáculos, independente do que - ou de quem - sejam.
É claro que J.K. não poderia deixar de lado seu toque de bom humor e a grande razão do seu sucesso, logo ela faz pequenas referências ao universo de Harry Potter e à magia que cada um carrega dentro de si.
O discurso é tocante por evidenciar os ideais da autora, que embora tenha se tornado umas das mulheres mais ricas do mundo, é humilde, não esqueceu suas origens e se preocupa em ajudar crianças tentando fazer do mundo um lugar melhor, e isso acaba trazendo uma reflexão sobre nossos próprios atos, sobre o que queremos para o futuro, sobre valorizar nossa capacidade e sobre concentrar nossos esforços no que acreditamos.
"Não precisamos de magia para transformar nosso mundo; todos já temos dentro de nós o poder de que precisamos: o poder de imaginar melhor."
- Pág. 67
O projeto gráfico do livro é uma graça. Apesar de ser pequeno e ter poucas páginas, a edição é um hard cover com ilustrações em tons de vermelho e preto de Joel Holland, o que torna a obra mais descolada e enche os olhos de qualquer fã da autora.

Vidas Muito Boas é um discurso que traz palavras que inspiram, que motivam e que dão força para que possamos investir na imaginação, e não só entender, mas aceitar que não devemos temer o fracasso e nem desistir do que acreditamos por causa dele.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

29 de dezembro de 2016

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia/Infanto Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 352
Nota:★★★☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é a edição impressa do roteiro de ensaio da peça escrita por J.K. Rowling em parceria com Jack Thorne e John Tiffany, que esteve em cartaz em Londres e se passa 19 anos após os acontecimentos narrados em Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Resenha: Dezenove anos se passaram desde a grande Batalha de Hogwarts. Harry Potter já beira os quarenta anos, se tornou diretor do Departamento de Execução das Leis da Magia, é casado com Gina Weasley e eles tiveram três filhos: Tiago, Alvo Severo e Lílian. Embora ele tenha uma vida bastante diferente de quando era um garoto, ainda é difícil pra ele lidar com o passado e com suas atuais responsabilidades.
Alvo, o filho do meio, nunca gostou de ser "famoso" pelos feitos de seu pai. O relacionamento entre Harry e Alvo é delicado, muito difícil e as farpas que eles trocam entre si são inevitáveis.
Quando Alvo foi para Hogwarts, ele foi para a Sonserina, e foi lá que ele fez amizade com Escórpio Malfoy, filho de Draco Malfoy. Os dois se tornaram melhores amigos. Eles só não esperavam que, após tantos anos, Amos Digory continuaria culpando Harry pela morte do seu filho, Cedrico, no último Torneio Tribruxo, e isso iria se tornar um fardo tão grande e pesado a ponto dos garotos decidirem tentar voltar no tempo para salvá-lo.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada irá narrar as aventuras de Alvo e Escórpio numa tentativa rebelde de salvar Cedrico, mas o que eles não imaginaram é que mudar o passado poderá alterar o curso do presente e do futuro de todos, inclusive o deles mesmos..

Pra ser sincera eu não sei até onde J.K. Rowling meteu o bedelho nesta obra, mas por mais que os leitores sintam aquela imensa nostalgia por terem contato com personagens inesquecíveis e memoráveis mais uma vez depois de tantos anos, todos sabem que grande parte do sucesso da saga Harry Potter foi devido a narrativa maravilhosa, detalhada, emocionante, bem humorada e cheia de criatividade da autora. Tais detalhes não existem quando o assunto é o roteiro de uma peça, pois as cenas são resumidas e diretas apenas pra ambientar os personagens em determinados locais, seguidas por diálogos identificados por seus nomes que, muitas vezes, tornam os acontecimentos confusos e muito limitados. Basicamente a história é contada através de diálogos rápidos e breves descrições do local em que os personagens se encontram. Eles aparecem de repente e sem a devida apresentação, depois já não estão mais lá, logo em seguida fazem coisas sem sentido e não há a menor preocupação em dar maiores explicações ao leitor sobre o quê, de fato, está acontecendo, mesmo que aquilo possa ter consequências futuras ou nos faça questionar sobre o improvável ou o impossível. Por esse motivo não me senti realmente conectada ao universo mágico de Harry Potter e fiquei com a impressão de ter lido só mais uma história inventada por qualquer pessoa que não se deu ao trabalho de tentar manter o padrão de qualidade da narrativa original, não por questão de ser originalmente um roteiro, mas pelo menos em respeito aos fãs. Já que a ideia de transformar o bendito roteiro em livro surgiu, que fizessem a coisa direito, pelo amor de Deus. O dinheiro ia entrar de qualquer jeito, oras.
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada poderia ser considerada uma fanfic, ou até um spin-off especial, mas continuação? Me perdoem por esse desabafo gigante, mas pra mim, como eterna fã, está muito longe disso. A história é interessante até certo ponto e cumpre com o papel de entreter, mas é praticamente inaceitável que este livro seja uma sequência oficial da série... Simplesmente não combina com o resto.
Sim, tentei relevar tudo por se tratar de uma peça de teatro que foi adaptada para a literatura para agraciar os leitores e fãs do bruxinho, mas é impossível sentir uma conexão com personagens tão diferentes do esperado, sejam eles novos ou antigos, atuando em uma história alheia, cheia de buracos, acontecimentos sem base, soluções fáceis e convenientes que não fazem o estilo de J.K. se compararmos com a saga original, e o problema maior, pra mim, foi este.
Sei que uma das características da autora, e que talvez seja uma das poucas presentes nessa história, é trazer alguns personagens imperfeitos, que não aprendem com os erros, ou ainda que adoramos odiar, mas quando esse personagem é um dos protagonistas a coisa muda de figura e fica mais delicada. Colocar alguém adorável e digno ao lado de um rebelde sem causa, idiota e inconsequente como forma de equilíbrio é uma escolha, no mínimo, arriscada... O que acontece quando um protagonista é ofuscado pelo brilho do outro? E nem quando Alvo cede e deixa de ser tão petulante é possível sentir simpatia por ele, o que é muito diferente da impressão que Escórpio causa no leitor, pois é ele quem rouba a cena.

Os demais personagens estão lá, mas senti que eles perderam suas essências e seguiram por caminhos que fugiram do que eles sonharam quando eram mais novos. Hermione agora é Ministra da Magia, mas em momento algum ela se passa por aquela "irritante" sabe-tudo que tanto gostava. Ela continua a agir com a razão, mas não da mesma forma como era antes. Rony, que era um personagem tão engraçado e cabeça dura, agora não passa de um bobão. Há cenas em que ele tenta ser engraçado, mas falha miseravelmente pois suas atitudes não soam naturais. Ele virou dono das Geminialidades Weasley mas não há nada que remeta que isso seja uma responsabilidade real que ele tenha em mãos. O que dá a entender é que uma lojinha de logros (que significava tudo para Fred e Jorge) não tem tanta importância assim em meio a assuntos mais sérios. Mesmo que ele e Hermione sejam casados, não é possível sentir que eles têm química pois eles não combinam enquanto adultos.
Já Harry e Gina demonstram uma cumplicidade mútua e o relacionamento deles é bastante bonito. Ela é a única que parece continuar uma personagem de fibra e que não sofreu tantas mudanças com o passar dos anos.
Não vou dar spoilers, mas o clímax da história gira em torno de uma grande revelação envolvendo Delfi, uma personagem que se diz prima de Cedrico e que incentiva Alvo e Escórpio a voltarem no tempo para salvá-lo, mas isso eu não pude engolir. Isso porque a tal revelação está ligada a algum possível acontecimento nos livros anteriores da saga, mas em momento algum houve qualquer tipo de brecha para tal. E quem leu os livros vai ficar com a cara na poeira tentando juntar as peças desse quebra cabeça, revirando o cérebro e cavando fundo tentando lembrar como pode ter acontecido aquilo em algum momento e sem encontrar nada, assim como eu.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, apesar de não ser um romance propriamente dito, cumpre com a função de levar o leitor pra perto de personagens tão queridos, mata um pouco da saudade, e é um livro de leitura extremamente rápida. Ele não prende logo de cara, mas logo já estamos mergulhados nessa aventura e querendo saber qual será o desfecho para tantos problemas que foram causados pelos garotos.
De forma geral, vale a pena ser lido, sim, desde que o leitor não vá cheio de expectativas esperando por algo emocionante e que vai ficar na memória pra sempre como a saga de Harry Potter ficou...

Morte Súbita - J.K. Rowling

24 de janeiro de 2013

Lido em: Janeiro de 2013
Título: Morte Súbita
Autor: J.K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Gênero: Ficção/Drama
Ano: 2012
Páginas: 504
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Quando Barry Fairbrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque. A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista. A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas?

Resenha: Morte Súbita é o primeiro romance voltado para o público adulto de J.K. Rowling, cuja história se desenrola na pequena e fictícia cidade de Pagford, interior da Inglaterra, e é dividida em 7 partes com em média 10 capítulos cada. Logo no início, além de nos depararmos com a trágica e repentina morte de Barry Fairbrother, somos apresentados a 7 núcleos familiares e a reação de todos após ficarem sabendo dessa notícia.

Barry era um cara querido, respeitado, admirado, e fazia parte do Conselho da cidade, que até é dividida entre os mais endinheirados e os mais pobres, e agora que sua cadeira está vaga, todos os moradores, que de certa forma tinham alguma ligação com ele (por menor ou mais distante que fosse), passam a se questionarem sobre quem irá substituí-lo a altura (ou não) e suas vidas acabam se entrelaçando.

E no decorrer dessa história, passamos a conhecer um pouco desses moradores de Pagford (e não são poucos!), incluindo seus segredos, suas conquistas, seus interesses, suas descobertas, seus medos, seus desejos, seus problemas, seus vícios, suas ambições, suas perdas, etc... Não vou falar de nenhum personagem em especial, mas alguns acabam tendo mais destaque que outros devido a própria história de vida e o que querem para si mesmos.

A primeira parte do livro é dedicada inteiramente a apresentação desses vários personagens, o que achei muitíssimo monótono e arrastado, pois fiquei com a impressão de que nada acontecia e que a história não teria rumo, mas como toda história, principalmente as grandes, é necessário uma introdução. Acho por mais confusa que tenha parecido, foi bastante importante para que entendêssemos um pouco dos personagens, mesmo que depois eu tivesse que ficar voltando pra lembrar quem era quem, pois são MUITOS e confesso ser bem difícil se familiarizar com todos logo de cara. É necessário persistir. No meu caso, persisti até quase a metade do livro pra ficar realmente envolvida com a história, pois até antes disso não estava 100% empolgada, e foi isso que me fez tirar uma estrela na avaliação. De início, sei que muitos vão pensar coisas do tipo: "mas e daí que fulano pensa assim?", "que diferença isso faz?", "o que diabos isso tem a ver?", quando na verdade, a história não trata apenas de contar o que acontece na cidade após a morte de Barry. Muitos detalhes no começo, por menores que sejam, tem grande influência em alguma coisa que irá acontecer mais tarde, fazendo com que todas as pontas que iriam parecer ficarem soltas ou sem maiores explicações plausíveis, fossem amarradas de forma genial!

A história não é adulta somente por conter diálogos repletos de palavreados chulos e sexo, mas por não ser uma leitura muito "leve", já que aborda vários assuntos sérios ao mesmo tempo, como uso de drogas e a vida do dependente e da família dele, a violência tanto física quanto psicológica que muitos enfrentam, estupro e outros abusos sexuais ou de poder, negligência e preconceito de todos os tipos, pedofilia e outros problemas que muitos insistem em acobertar para fingir que não existem ou pensam que só acontecem com desconhecidos.

Talvez por tratar desses assuntos mais pesados e que chocam as pessoas, esse livro deva ser lido com a mente aberta, e, talvez, só irão absorver a verdadeira mensagem, aqueles que tem maturidade para encarar esse tipo de história. E quem sabe assim, muitos irão identificar que personagens que se comportam como esses criados por J.K., nem sempre são fictícios, mas que pode ser aquele seu vizinho intrometido, aquele seu professor nervosinho, aquele carinha popular de quem todo mundo é a fim ou até mesmo você...

J.K. acertou em cheio quando descreveu o próprio livro como sendo "uma grande história sobre uma pequena cidade", pois trata de fazer uma enorme crítica a hipocrisia da sociedade, e como as pessoas, talvez por agirem por um impulso egoísta buscando pelo que desejam sem pensar no próximo ou nas consequências de seus atos, acabam por desencadearem a própria ruína, e que talvez aquela "vacância" esteja somente nas entrelinhas, não significando necessariamente que o espaço ou vaga a ser preenchida em algum lugar seja de algo físico ou material...

Por mais confuso e chato que seja o começo, leia! A lição, a mensagem, a reflexão (e até a ressaca literária que esse livro causa) valem muito a pena!

Make a Wish, Harry!

31 de julho de 2012

Hoje, dia 31 de Julho uma das maiores e melhores escritoras de todos os tempos, J.K. Rowling, assopra velinhas, e claro, junto com ela, nosso querido e inesquecível Harry Potter!

E nada melhor do que uma postagem especial para comemorar a ocasião, néam?

Antes de mais nada, quero contar que sempre gostei de ler, mas somente a partir do momento em que li Harry Potter pela primeira vez, há nem sei quantos anos atrás, é que tomei gosto pela leitura de verdade, colecionar livros e acompanhar os lançamentos. Acompanhar a ponto de ler o livro em .pdf antes de ser lançado, aquele traduzido de qualquer jeito por fãs que leram o original em inglês primeiro, e depois disso, aguardar ansiosa na porta da livraria pra ela abrir e eu entrar correndo e enfiar meu exemplar debaixo do braço pra ler de novo logo! Não tenho vergonha de assumir que sou fã incondicional (não fanática) de J.K. e Harry Potter, e que tenho orgulho de ter apresentado o bruxinho aos meus familiares que também viraram fãs e passaram a acompanhar os livros e os filmes!

Harry Potter causou uma "revolução literária" e significou muito na vida de vários leitores, mudando suas formas de enxergar a leitura, incentivando-os a lerem mais e viajarem nesse mundo criado pela rainha! E a ela só podemos agradecer por ter tido a ideia de escrever HP, por ter esse dom maravilhoso da escrita que ela domina com maestria e por ter nos agraciado com toda sua genialidade escrevendo a saga de maior sucesso no mundo da literatura! Obrigada, J.K, sua linda!


Apesar dos filmes terem sido um fenômeno, não irei falar sobre eles nessa postagem, visto que mesmo que sendo bons, foram adaptações. E por serem adaptações, muitas coisas faltaram ou foram modificadas, pra desgosto dos leitores. Se você só assistiu aos filmes, se baseia na história por eles e ainda não leu nenhum dos livros, não sabe o que está perdendo... Leeeeia!! *-*


Harry Potter não é só uma história de um bruxinho órfão que faz magia e corre muitos perigos e que é voltada ao público infantil como muitos pensam.. Harry Potter vai muito, muito mais além....
Que J.K. Rowling tenha um feliz aniversário e que continue a explorar o dom que tem, nos surpreendendo com suas histórias fantásticas! Parabéns, J.K, e make a wish, Harry!