21 de janeiro de 2015

Toda Poesia - Paulo Leminski

Lido em: Janeiro de 2015
Título: Toda Poesia
Autor: Paulo Leminski
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Poesia
Ano: 2013
Páginas: 424
Sinopse: Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes onstruções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”.
Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia - do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer-se em mostrar um “à vontade” que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores. Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos.
Entre sua estreia na poesia, em 1976, e sua morte, em 1989, a poucos meses de completar 45 anos, Leminski iria ocupar uma zona fronteiriça única na poesia contemporânea brasileira, pela qual transitariam, de forma legítima ou como contrabando, o erudito e o pop, o ultraconcentrado e a matéria mais prosaica. Não à toa, um dos títulos mais felizes de sua bibliografia é Caprichos & relaxos: uma fórmula e um programa poético encapsulados com maestria. Este volume percorre, pela primeira vez, a trajetória poética completa do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia. Livros hoje clássicos como Distraídos venceremos e La vie en close, além de raridades como Quarenta clics em Curitiba e versos já fora de catálogo estão agora novamente à disposição dos leitores, com inédito apuro editorial.
O haikai, a poesia concreta, o poema-piada oswaldiano, o slogan e a canção - nada parece ter escapado ao “samurai malandro”, que demonstra, com beleza e vigor, por que tem sido um dos poetas brasileiros mais lidos e celebrados das últimas décadas. Com apresentação da poeta (e sua companheira por duas décadas) Alice Ruiz S, posfácio do crítico e compositor José Miguel Wisnik, e um apêndice que reúne textos de, entre outros, Caetano Veloso, Haroldo de Campos e Leyla Perrone-Moisés, Toda poesia é uma verdadeira aventura - para a inteligência e a sensibilidade.

Resenha: "Toda poesia é uma verdadeira aventura - para a inteligência e a sensibilidade." Assim termina a sinopse do livro. E, de fato, não sou esse tipo de aventureira. Confesso que nunca fui fã do gênero, mas achei que a vida adulta poderia ter me mudado, pensei que pudesse ter a sensibilidade necessária pra sentir as palavras, formas e rimas - ou pelo menos entender do que se trata. Definitivamente não sou cult o suficiente pra isso, e já fica o aviso: se você não costuma ler poesia, escolha outro título pra começar, porque esse não é uma boa iniciação.
um poema
que não se entende
é digno de nota

a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota
Acredito que me faltou base pra entender as construções dos poemas. Eu esperei encontrar aquela coisa mais tradicional, com rimas e tudo, mesmo sabendo que a poesia contemporânea não exigisse, mas o que encontrei foi algo bem diferente (ok, teve uma bem bonitinha que eu vou colocar mais embaixo). Tinha poema com 1 estrofe; às vezes o título aparecia, outras não; uns pareciam não dizer "coisa com coisa"; outros estavam desalinhados (e não consegui compreender o porquê de não ser reto); tinha poema em inglês, espanhol, francês, inglês misturado com português... Enfim, não sou o público-alvo do livro.

Toda Poesia é um livro póstumo, compilado de todas as publicações pré e pós-morte de Leminski. Por serem vários livros reunidos em um só, em alguns inícios de obras há uma nota do editor explicando quando e onde foram publicadas originalmente e, no caso de fazerem alguma alteração, o porquê de ser diferente. Assim, descobrimos que a última obra publicada em vida foi em 1987 e que praticamente a 2ª metade do livro é toda póstuma.
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha
No fim do livro há um índice de primeiros versos e também um apêndice com textos incluídos em outras edições de colegas, como se fossem opiniões e prefácios, incluindo um texto de 4ª capa escrito por Caetano Veloso.

Não consigo imaginar essa leitura em um e-reader. Tem que ler no físico mesmo, pegar o livro - que não é muito fininho - e folhear. A diagramação é fundamental, a mudança de fontes, tamanhos, alinhamento... Receio que o "desenho" do poema não irá aparecer no ebook.

A capa é bem chamativa, com esse laranjão todo. E isso que parece o cabelo do John Lennon na verdade é o bigode do autor (veja uma foto de Paulo Lemiski),
O tempo fica
cada vez
mais lento
e eu
lendo
lendo
lendo
vou acabar
virando lenda
Se vocês repararam, eu optei por não avaliar o livro com estrelas. Como fazê-lo se não tenho parâmetros pra comparar e sequer entendo do assunto? Mas, mesmo no auge da minha ignorância, consegui gostar de alguns. rs Em sol-te, Leminski brinca com as palavras, moldando-as a formatos diferenciados com fontes, espaçamentos e tamanhos, se apropriando da página para transmitir uma mensagem simples e direta. A diagramação em todo o livro deu show, mas nessa parte em especial foi muito boa.
Também achei legal que eu praticamente sabia de cor um dos poemas porque ele foi musicado. Zélia Duncan gravou Dor Elegante, e essa música inclusive fez parte da trilha sonora da novela Belíssima (ouça aqui). E eu achando que não ia ter identificação nenhuma com o livro. rs

Como eu disse lá no começo, só se arrisque se você já gostar de poesias. Se for um teste, não aconselho pra não ficar tão perdida quanto eu. Mas, se você gostar e entender, por favor, me explique.

4 comentários

  1. Eu comecei a ler ele em pdf.
    As poesias são lindas, mas confesso que também não gostei de ler assim.
    Parei, vou comprá-lo.
    Acho melhor ler o físico mesmo, dá para saborear melhor *-* rsrs

    bjooos
    anairados.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Eu sempre gostei de poesias, desde criança, mas não tenho uma bagagem tão grande assim, nem sou cult. Espero ler esse livro em breve e não ficar tão confusa quanto você. Ler poesias muito profundas sem ter a prática, realmente deixa tudo bem mais complicado. Achei lindo esses poemas que você colocou.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Estou desejando esse livro há um tempão, sendo que minhas experiências com livros de poesias são "A rosa do povo" e "Confissão". Mas, pelo que já pude ler do livro, as poesias trazem o estilo contemporâneo, inclusive a poesia práxis.

    Beijos! || ape56.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Poxa, eu demorei para conseguir gostar de poesia, mas desde que conheci poesias modernistas vi que poesia não precisava ser certinha e cheia de regras, então comecei a amar! Adoro esses jogos de palavras e palavras formando imagens, fiquei com vontade de conhecer esse autor!

    Espero que um dia você também encontre um tipo de poesia que você goste! :)
    Parabéns pelo post e saber fazer uma resenha imparcial!

    Beijos,
    Marina Cases

    Precisamos Falar Sobre Livros - http://pfslivros.blogspot.com

    ResponderExcluir