28 de maio de 2016

Jovens de Elite - Marie Lu

Título: Jovens de Elite - Jovens de Elite #1
Autora: Marie Lu
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Gênero: YA/Fantasia
Ano: 2016
Páginas: 304
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de Star Wars e X-Men.

Resenha: Jovens de Elite é o primeiro volume da trilogia homônima escrita pela autora Marie Lu, a mesma de Legend, e publicado no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.

O ano é 1361. Uma terrível doença aniquilou grande parte da população. Os sobreviventes não conseguiram escapar totalmente ilesos da febre. Seus DNA's sofreram um tipo de mutação e, por terem tido suas características físicas modificadas que os marcaram e os diferenciavam dos normais, passaram a ser chamados de Malfettos.
Os Malfettos são jovens e têm em média a mesma idade e, além de serem diferentes no que diz respeito a aparência devido as sequelas da febre de sangue, também desenvolveram alguns poderes "mutantes", logo foram humilhados, marginalizados, perseguidos pela Inquisição e condenados a fogueira.
E em meio a esse cenário, somos apresentados a Adelina, uma jovem de dezesseis anos que também teve a febre e ficou marcada com as mudanças genéticas que sofreu. Ela perdeu um olho - arrancado a fogo pelos médicos - ganhando uma cicatriz no lugar, e seus cabelos, sobrancelhas e cílios ficaram prateados. Adelina é um Malfetto e assim como os demais, também é mal vista e discriminada. Em meio a miséria que assolava os Distritos, seu pai, precisando de dinheiro, a negocia com um comerciante, mas sem intenção nenhuma de pertencer a um velho que abusaria dela, Adelina decide fugir... Mas seu plano não foi bem sucedido. Ao ser pega pelo pai, seu odio desencadeia sua força interior, ele acaba morto e Adelina é capturada pelos inquisidores e presa. Condenada a morte, a garota acaba sendo resgatada pelos Jovens de Elite. Seus poderes são únicos e logo desperta o interesse de Enzo, o líder da Sociedade dos Punhais composta pelos mais habilidosos Jovens de Elite, e a partir daí, ela seria treinada para aprimorar seu dom, que a fará mostrar o que realmente existe dentro de si...

Adelina Amouteru
Narrado em primeira pessoa de forma muito fluida e direta, acompanhamos a saga de Adelina ao fazer parte dos Jovens de Elite e seu ingresso ao Punhais. Alguns capítulos são destinados a Teren, Rafaelle e Enzo, e esses são narrados em terceira pessoa. A trama em si é muito bem construída e seu desenvolvimento é lento, o que pode deixar a leitura um pouco arrastada em alguns pontos, mas acredito que por Adelina fugir de estereótipos e clichês de protagonistas, este ritmo foi necessário para que os leitores possam se acostumar com suas características peculiares, e como ela aprimora suas habilidades - que até então ela desconhecia - de forma progressiva.
Não considerei o livro como sendo distópico, pois a única parcela da população que é perseguida e vive em condições de extrema opressão e privação são os Malfettos. O restante do povo, apesar das dificuldades e da pobreza que os assola, ainda podem ser considerados livres.
Adelina é forte e determinada, mas por tudo o que passou, ela acabou nutrindo medo e raiva, se tornando muito imprevisível e até cruel, o que, de certa forma, a caracteriza como uma anti heroína. Mesmo que o medo e a insegurança possam atrapalhar um pouco, é do ódio que Adelina carrega dentro de si que ela tira suas forças, e, diante disto, seus poderes são muito perigosos ao ponto de não ser possível distinguir o que é ilusão e o que é realidade. A personagem acaba abandonando seu senso de moralidade e se precisar manipular os outros, usar seus poderes para se dar bem em diversas situações ou até trair alguém em nome do que acredita ou quer, ela não hesita. Ao meu ver foi uma das melhores personagens do gênero que já tive o prazer de acompanhar, pois da mesma forma como ela fica indignada e se rebela contra as injustiças que as pessoas como ela sofrem, ela também se preocupa com o bem estar da irmã mostrando que apesar de tanta raiva, ela também consegue amar e se importar com os outros.
Uma das coisas que mais me agradaram no livro, além da protagonista ser uma anti-heroína, foi o fato de que houve uma mescla com fatos históricos da era medieval a fim de que o enredo tenha ganhado toques de autenticidade, como por exemplo, a carta que inicia o livro falando a respeito da misteriosa doença que acometeu os Distritos do Sudeste de Dalia, na Kenettra, datada de 1348. Embora os locais sejam fictícios, esse foi o ano em que a Europa sofreu com a Peste Negra, e em consequência da doença, a população teve sequelas irreversíveis e muitos passaram a viver às margens da sociedade, sendo considerados como a escória. Então, a ideia de que esse fato histórico possa ter servido de base para a construção de Jovens de Elite foi algo simplesmente genial! As intrigas que cercam a monarquia também foram bem construídas, mas pelo fato de este livro ser mais introdutório, espero reviravoltas grandiosas no futuro.
A autora também não economiza personagens, então se apegar a alguém pode ser uma furada visto que qualquer um podem morrer a qualquer momento...

Mesmo que o destaque maior fique em Adelina, eu gostei dos demais personagens, pois todos têm algo a acrescentar e cada um deles têm sua própria história e particularidades que os tornam únicos. Eles não são perfeitos, alguns deles tem grandes ambições que podem torná-los perigosos, mas outros são muitos amáveis e carismáticos. Enzo é o líder dos Punhais, sabe que Adelina tem grande potencial e acredita na capacidade dela. Rafaelle é o braço direito de Enzo. Ele é sempre fiel, dedicado e atencioso, e a construção da amizade com Adelina é algo bastante convincente. Ele é um jovem com gostos particulares, e sua beleza e requinte acrescentam muito à história. É como se ele trouxesse um pouco de esperança e beleza a um mundo feio e cruel, e pela sua forma de agir e ver o mundo, ele acabou se tornando meu personagem favorito.
Teren é um personagem que me deixou com várias dúvidas e ainda não formei uma opinião muito concreta sobre o rapaz... Ele é o líder dos Inquisidores, é forte e corajoso, mas ao que parece sua ligação com a rainha é algo que beneficia somente ela, e me fez acreditar que ele nada mais é do que um capacho...

O trabalho gráfico, apesar de simples, é bastante significativo, e a espada remete bem à era medieval. As páginas são amarelas e não lembro de ter encontrado erros na revisão. Há trechos de obras fictícias do universo medieval e eles sempre antecedem os capítulos destinados a Adelina. Alguns capítulos são bem curtos, e outros são mais longos de acordo com o desenvolvimento da cena em questão.

No mais, Jovens de Elite superou bastante minhas espectativas por conseguir transformar um material que poderia ser batido e clichê em algo único e original. Pra quem procura por uma aventura que promete, com personagens de moral duvidosa e dotados de poderes assustadores, é uma ótima pedida.


2 comentários

  1. não conhecia o livro e eu amo esse tipo de livro, então fiquei morrendo de vontade de ler!
    Sério mesmo *-*

    beijos
    http://tamigarotaindecisa.blogspot.com.br/

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