29 de julho de 2015

Ana K - Sergio Napp

Lido em: Julho de 2015
Título: Ana K
Autor: Sergio Napp
Editora: BesouroBox
Gênero: Juvenil/Nacional
Ano: 2012
Páginas: 152
Nota
Onde comprar: Saraiva
Sinopse: A história de Ana K poderia ser apenas uma história comum de uma menina que cresce sem a mãe, morta no parto, e é criada por um pai, atrapalhado e imaturo. Ou a história de um pai e de uma filha que vão aprendendo a ser pai e filha.
A história de Ana K, porém, é mais interessante. Mais profunda. Mais intensa.
É a história de uma menina que quer entender tudo, quer compreender seus sentimentos; quer buscar as razões e encontrar os significados para tudo que faz parte da sua vida: a falta da mãe, o amor confuso e possessivo pelo pai, a descoberta do amor verdadeiro.
Ana K precisa dar significado à sua existência. Precisa conhecer sua história desde o amor dos pais. Precisa aceitar a morte da mãe. E deseja um pai que seja mais que um irmão mais velho. Ela tem que aprender a amar sem as dores e as culpas que sempre a acompanharam.
Essa é a história de Ana K, que consegue, por fim, juntar as peças da sua breve vida, reconstruindo-se para ser capaz de amar e ser amada.

Resenha: Ana K é um romance juvenil escrito pelo autor Sergio Napp que conta a história de Ana, uma adolescente de dezesseis anos que é criada pelo pai, Marcos, devido a mãe ter morrido durante seu parto. Por Marcos ser jovem, acaba se comportando como um irmão mais velho que faz companhia à Ana e acaba não fazendo o papel de pai que deveria. Ana tenta compreender seus sentimentos enquanto procura por significados em cada situação ou atitude que tem, mas as coisas mudam quando seu pai conhece Gabriela e eles se casam. Ela não aceita que o pai tenha um relacionamento, não quer dividi-lo com ninguém, e, sem saber lidar com isso, se envolve com Cauê, um garoto da escola. Com ele, Ana aprende um novo tipo de amor, mas também aprende que a responsabilidade, às vezes, bate a porta cedo demais quando se toma atitudes levadas por impulso...

A história é narrada em terceira pessoa de uma forma muito simples e fácil, e a leitura é bem rápida. O estilo de escrita pode causar estranhez por não trazer muitas descrições ou detalhes seja sobre o cenário ou sobre as características dos personagens e ainda apresentar com frequência mudanças atemporais sem que saibamos o tempo exato que se passou, mas acho que pelo fato de a história ser uma novela juvenil, o autor preferiu contá-la de uma forma mais enxuta e direta para não se tornar cansativa ao público ao qual se destina.
São poucos personagens mas todos tem suas particularidades e colaboram para o desenvolvimento da história de forma bastante agradável. Ana é uma garota confusa por não ter tido uma referência materna e mesmo com o pai presente também não tem uma referência paterna já que Marcos é bastante imaturo e parece não saber lidar com essa "coisa de pai".
Cauê é o típico adolescente que muda a vida de Ana quando eles se envolvem. Ele lhe dá atenção e carinho e parece entendê-la como ninguém, então, Ana se apega a ele por considerá-lo um refúgio para os problemas e conflitos internos que tem.
Gabriela, a nova esposa de Marcos, é odiada por Ana pois a menina acredita que ela está lhe roubando tudo o que lhe restou, ou ainda que esteja tentando roubar o lugar de sua mãe. Acho que a forma como Ana lida com a madrasta foi bastante realista já que é bastante comum os novos companheiros dos pais nem sempre serem bem aceitos pelos enteados.
Acho que a forma como o "problema" da história foi resolvido soou bastante fácil e até um pouco fantasioso e o desfecho, apesar de fugir do clichê e ser bastante satisfatório, deixa uma brecha para que o leitor imagine onde a história pode chegar.

Gostei bastante do trabalho gráfico do livro. Entre alguns capítulos há a mesma imagem da capa com algumas edições a fim de ilustrar a situação em que Ana se encontra. As páginas são brancas, a diagramação é bem caprichada e não há erros no texto.

O livro como um todo funciona bem, até mesmo porque é uma história que muita gente pode se identificar. Eu mesma me identifiquei em vários pontos já odiava meu padrasto e também por ter sido mãe na adolescência, e claro, nada foi fácil. Acho que é um livro mais indicado para jovens na faixa de 13 a 16 anos, desses que são passados até como leitura na escola, seja como forma de entreter ou dar uma visão bacana sobre uma garota com conflitos e que ainda não conseguiu se encontrar. Uma lição legal que o livro deixa é que o que se faz com intenção de atingir alguém, por medo, raiva ou o que seja, pode acabar atingindo a nós mesmos, e ainda que nossos sonhos sejam interrompidos, é possível passar por cima do orgulho e aceitar que o que a vida nos tira ou nos dá de presente não é mera obra do acaso.

Um comentário

  1. Ótima resenha, adorei a dica do livro.
    Gosto muito quando uma resenha fala sobre a diagramação do livro :D

    bj
    @saymybook
    saymybook.blogspot.com

    ResponderExcluir