9 de abril de 2016

Reencontro - Leila Krüger

Título: Reencontro
Autora: Leila Krüger
Editora: Novo Século/Novos Talentos
Gênero: Romance/Literatura Nacional
Ano: 2011
Páginas: 496
Nota
Onde Comprar: Submarino | Americanas
Sinopse: "Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos, vai roubando o ar.” Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar.
"O amor é uma ferida”, ela sentencia. Mas a “garota de olhar longínquo” tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os “olhos imensos”, que tudo veem... Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu...
Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino?
Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão?
Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar.

Resenha: Ana Luiza é uma jovem de vinte e dois anos, fã de Guns 'n Roses e que mora em Porto Alegre. Ela é estudante de odontologia mas não se sente nada feliz com o curso. Na verdade, Ana Luiza não se sente feliz com coisa alguma já que ter pais relapsos e perder alguém que ela amava tanto a fizeram desmoronar. Nem Nana, sua fiel e melhor amiga, sabe de tudo o que ela passa pois Ana Luiza não se abre completamente com ninguém. Ela acredita que nunca vai encontrar o amor, que nem ao menos merece ser amada e, por estar tão desacreditada na vida, ela encontra nas drogas e no álcool um tipo de refúgio a fim de fugir da realidade em que se encontra, se entregando a depressão.
Na faculdade, Ana Luiza e Nana conhecem Rafael, e ele logo se torna amigo das duas também, mas apesar dessa proximidade, Ana ainda fica na defensiva vivendo em seu próprio mundo, guardando seus segredos e enfrentando várias barreiras sozinha sem deixar que ninguém tenha participação nisso.
A medida que o tempo passa, Ana se afunda cada vez mais e, sem conseguir enxergar o que há de bom na vida, ela se prende a todo e qualquer ponto negativo que apareça. Ela perdeu a fé, perdeu a coragem mas ainda é capaz de sonhar, e talvez o que ela precise para se reerguer está onde menos esperou...

Narrado em terceira pessoa através de uma escrita bastante poética, mas em muitos pontos amarga devido a tanta angústia, Reencontro é um livro que aborda a depressão mostrando como ela definha as pessoas, como lhes tiram a alegria e como a vida se torna completamente sem cor. É a descrição nua e crua do que isso faz com alguém pois a história consegue transmitir com bastante realidade o que pode levar alguém a se envolver com álcool e drogas a ponto de se viciar, assim como as consequências do uso desenfreado dessas substâncias. É doloroso, é difícil, mas é uma batalha que pode ser vencida desde que exista esperança, apoio e muita luta para suportar e superar as armadilhas que aparecerão no caminho.

Não costumo gostar de capas de livros nacionais, mas esta em especial eu gosto bastante pois é simples, bonita e cheia de significado. A diagramação é simples, os capítulos sempre são iniciados com algum trecho de algum escritor notável, como Cecília Meireles, Clarisse Lispector, Mário Quintana entre outros, ou de alguma letra de música de bandas ou cantores bastante conhecidos, como, Bon Jovi, Lenny Kravitz, Coldplay e etc... As páginas são brancas e a fonte tem um tamanho padrão e agradável para a leitura.

Às vezes, as pessoas não sabem lidar com o sofrimento e buscam meios ainda piores como forma de "ajuda" para enfrentar o que passam, mas não pensam que só estão piorando as coisas já que são impedidas de pensar com clareza devido a situação em que se encontram. E a história de Ana Luiza mostra que às vezes nos perdemos, às vezes deixamos de sonhar e acreditar que as coisas vão dar certo, e, às vezes vivemos de mentiras, iludindo a nós mesmos, mas é através de decepções e perdas que encontramos forças e, no caso de Ana, ela começou a acreditar em si mesma e encontrou forças num sentimento que ela havia enterrado: o amor. E, muitas vezes, as pessoas, por não conseguirem ser impulsionadas por elas mesmas, encontram o que precisam nesse sentimento, na ideia de serem queridas, amadas e se sentindo importantes de alguma forma. Mas, até lá, a dor será inevitável para que haja uma transformação interna e uma libertação, e é isso que Ana Luiza mostra, que para poder se reencontrar, ela precisou, primeiro, se perder.



Um comentário

  1. Oi! Adorei sua resenha <3 Vou adiciona-lo a minha lista de leituras.
    Beijos!

    http://nomundodaka.blogspot.com.br/

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