Na Telinha - Esquadrão Suicida

9 de agosto de 2016

Título: Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
Produção: DC Entertainment e Warner Bros
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Jay Hernandez, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Adam Beach, Scott Eastwood, Jai Courtney, Adewale Akinnuoye-Agbaje
Gênero: Ação
Ano: 2016
Duração: 2h 10min
Classificação: 12 anos
Nota:★★★
Sinopse: Reúna um time dos super vilões mais perigosos já encarcerados, dê a eles o arsenal mais poderoso do qual o governo dispõe e os envie a uma missão para derrotar uma entidade enigmática e insuperável que a agente governamental Amanda Waller (Viola Davis) decidiu que só pode ser vencida por indivíduos desprezíveis e com nada a perder. No então, assim que o improvável time percebe que eles não foram escolhidos para vencerem, e sim para falharem inevitavelmente, será que o Esquadrão Suicida vai morrer tentando concluir a missão ou decidem que é cada um por si?

Após os eventos de Batman vs Superman - A Origem da Justiça, o governo americano decide apostar no plano arriscado e ambicioso de Amanda Waller (Vila Davis): Sua ideia é formar uma equipe controlada pelo governo com os piores super vilões que os super heróis já ajudaram a capturar a fim de combater forças malignas e sobre-humanas.
Waller escolhe a dedo vilões com pontos fracos que os tornariam vulneráveis a ela, e seu time fica composto por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), El Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e, até certo ponto, Magia (Cara Delevingne). A equipe, muito individualista em que cada um possui seus próprios interesses, se une às forças do governo e junto com o oficial Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara), partem numa missão suicida. Caso o plano desse errado, os vilões serviriam de bode expiatório e o governo poderia jogar a culpa toda sobre eles; caso eles quebrassem as regras, morreriam; e caso conseguissem cumprir com o acordo, teriam as penas reduzidas em dez anos.

O filme começa muito bem, a apresentação dos personagens é breve mas convence mostrando um pouco da vida de cada um deles, o que faziam como vilões e como foram capturados. O problema maior é que o foco fica sobre Pistoleiro e Arlequina, e o restante dos personagens não ganham o devido destaque causando um enorme desequilíbrio no que deveria ser uma equipe, por mais desunida que fosse. A ideia de reunir os piores dos piores é uma coisa bem bacana, principalmente uma em que os vilões seriam os responsáveis por fazer algum bem, mostrando que por mais impiedosos e cruéis que possam ser, lá no fundo ainda é possível encontrar alguma coisa, mesmo que mínima, de bom. Mas o filme inteiro eles são retratados como badasses que estão dando a mínima pra todo mundo, e chegar num ponto onde eles simplesmente decidem se importar um com o outro se tornando mais do que amigos, mas sim uma família, foi terrível e inexplicável, pois nada acontece pra justificar tais considerações.


É comum que sejam exibidas cenas que ilustrem explicações e fiquem sobre outras cenas, por exemplo, quando Waller está apresentando seu projeto e começa a falar sobre os vilões que ela quer recrutar. Ela pega a ficha de cada um deles e as cenas do passado de suas vidas vão passando enquanto ela fala sobre quem são e o que fazem, mas outros eventos entram em cena totalmente fora de cronologia e sem aviso de que são eventos de um passado recente, não sendo possível distinguir que aquilo foi algo que já aconteceu, logo fica aquela sensação de remendo, de coisa desconexa e mal explicada pois a impressão que tive é que ela recrutou os vilões antes mesmo de saber que haveria um outro vilão que iria ameaçar a cidade, e essa falta de cronologia acabou deixando tudo muito confuso. Uma indicação simples de que aquilo era um evento passado resolveria isso.

Deadshot

Somente três personagens realmente ganham as cenas nesse filme: Pistoleiro, Arlequina e Waller. Os demais parecem meros figurantes irrelevantes, sem peso e sem um arco bem trabalhado.
Amanda Waller é uma líder que marca presença com sua personalidade forte, enfrentando qualquer um que entre em seu caminho sem se deixar intimidar por ninguém. Ela se impõe entre um time de vilões perigosos sem medo e não hesita em tomar decisões drásticas em nome de um bem maior.
Pistoleiro é um mercenário. Ele é o assassino mais habilidoso que já existiu e faz o que faz por dinheiro, porém, sua filha é seu maior ponto fraco e isso faz com que sua construção e desenvolvimento sejam interessantes a ponto de torcermos por ele. A atuação de Will Smith é ótima pois ele demonstra claramento uma desenvoltura perfeita quando o assunto é empunhar armas, dar tiros certeiros pra todos os lados e se impor em meio aos demais vilões.


Arlequina é quem dá vida ao Esquadrão. Ela é linda, sexy e divertida, mas completamente perturbada e sem noção. Sua personagem é complexa e seu arco é o mais desenvolvido entre os demais mostrando que ela teve uma história trágica envolvendo abusos e transformações psicológicas irreversíveis, porém, em alguns pontos senti que a loucura dela ficou limitada a momentos de histeria irritante e uma coragem inexplicável para enfrentar e destruir criaturas das trevas com seu taco de baseball.
Já o Coringa (Jared Leto) só faz uma "participação especial". Além de ter pouquíssimas cenas, ele não faz parte do Esquadrão e sua função é, além de tentar resgatar Arlequina da prisão a qualquer custo, é ajudar a trazer a história dela à tona através de flashbacks da própria, mostrando que ela só se tornou quem é devido aos abusos e manipulações que sofreu nas mãos dele. Mesmo que fique óbvio que Arlequina foi uma vítima, não há muitos detalhes sobre esse relacionamento doentio onde ele fazia o que bem queria sem se importar em nada com ela ou com a destruição que causou em sua vida, mas ao mesmo tempo não consegue viver sem a mulher ao seu lado. No final das contas, ele é um lunático e sádico mas que não ganhou espaço suficiente para ser melhor desenvolvido e/ou comparado a outros Coringas... Logo, o papel de vilão não fica exatamente com ele, mas sim com uma criatura totalmente genérica sem um propósito realmente decente e plausível que está alí só pra reunir os vilões em missão.


Magia no começo tem uma história muito envolvente, os efeitos quando ela se transforma são muito legais e sombrios. Ela passa uma sensação de perigo que chega a arrepiar, mas é justamente quando ela decide agir por conta própria em nome de uma vingança injustificável que a coisa vira um caos.

Enchantress

Posso dizer que seus propósitos são completamente imbecis e a atuação de Cara Delevigne se resume a movimentos flutuantes com olhares enigmáticos. Parece um fantasma sujo de fuligem. Seu relacionamento com o oficial Rick Flag (enquanto Dra. June) é o mais sem sal e sem química que já vi na face da Terra e não transpassa em momento algum um amor tão grande assim a ponto de ele se juntar à missão em nome dele...
El Diablo é aquele que carrega a culpa por ter perdido a família quando perdeu o controle de seus poderes infernais, mas sua forma de redenção foi um fiasco completo. O tempo inteiro ele demonstra ser um cara reservado, que não quer se envolver em nada, que desistiu de usar seus poderes, então fica super previsível que mais cedo ou mais tarde ele vai explodir mostrando o quão poderoso é. Super clichê, coitado.


Aparições "ilustres" de outros personagens no universo DC e que estão diretamente ligados a esses eventos estão presentes, e quando eles aparecem é impossível não vibrar, mas cheguei num ponto em que me perguntei porque diabos Waller não foi atrás da Mulher Maravilha para dar um jeito no desastre que acometeu a cidade em vez de recorrer a vilões. Era só pra dar um gostinho ao público?

O tom do filme é bastante dark e se constrasta com iluminações retrô em neon que acabam deixando as coisas mais coloridas e dinâmicas em meio a escuridão. A apresentação dos personagens é feita em forma de flashbacks com suas devidas fichas técnicas animadas e muito divertidas, com uma tipografia cheia de cores vibrantes e em movimento que se sobrepõe ao fundo escuro e que dá ao filme um estilo único e descolado, porém, peca em excesso de CGI.
Eu assisti o filme em 3D, mas confesso que é totalmente dispensável visto que não há aquela sensação de estarmos mais próximos dos acontecimentos. A legenda ainda não se concentra somente no centro da tela, fazendo com que pareça que se trata de alguma descrição qualquer em vez de diálogo. Não assistam em 3D, sério! As coisas não voam nas nossas caras quando explodem, os socos nem passam perto, e é essa a sensação que espero ter num filme 3D...

A trilha sonora conta com músicas ótimas de artistas de peso, mas não são todas que se encaixam às situações do filme. A impressão que tive foi que se a ideia da Warner/DC era fazer algo bacana como foi feito em Guardiões da Galáxia, da Marvel, falhou miseravelmente, pois a coisa em conjunto não funciona. É como se várias músicas de sucesso e que agradam a maioria fossem jogadas alí só para agradar as pessoas, mas que na verdade estão totalmente fora de contexto.


Enfim... Esquadrão Suicida não é completamente um fracasso se você não for com as expectativas nas alturas e nem se basear no marketing de peso que o filme ganhou... É um filme que entretém apesar das falhas, dos buracos e das típicas conveniências que tornam a vida dos personagens mais fácil (ou não). Will Smith, Viola Davis e Margot Robbie carregam o filme inteiro nas costas e por causa deles a ida no cinema vale a pena.

Nenhum comentário

Postar um comentário