12 de julho de 2016

Novidades de Julho - Companhia das Letras

Nuvem Negra - Eliana Cardoso
Nos últimos setenta anos, o Brasil atravessou muitas crises: a transição política após o suicídio de Vargas, o pavor do comunismo nos anos 1960, um golpe militar e a corrupção empresarial e política. Esse é o cenário da história de Lotta, ativista política que acreditava no progresso; de Manfred Mann, homem sensível em busca de seu lugar no mundo; e de Kalu, garota de origem simples que tenta driblar o próprio destino.
Com imensa concisão, Eliana Cardoso cria em Nuvem negra uma atmosfera sedutora, povoada de personagens que mostram como é complexa a equação entre amor, família e relações sociais – uma fórmula sobre a qual, muitas vezes, nenhum de nós tem qualquer controle.



Poemas Escolhidos - Mia Couto
O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. [...] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento”.

De Jogos e Festas - José J. Veiga
De jogos e festas reúne três novelas: “De jogos e festas”, “Quando a Terra era redonda” e “O trono no morro”. Livro vencedor do prêmio Jabuti em 1981, mostra que o extraordinário está nas pequenas coisas. Com olhar aguçado e sensibilidade para trazer os paradoxos do cotidiano, o autor apresenta três histórias que fogem do banal e trabalham - com humor e inteligência - os efeitos daquilo que nos parece completamente inesperado.
Como escreve o crítico José Castello no brilhante posfácio à edição, “José J. Veiga desmonta a identificação mecânica entre o fantástico e o alheio, mostrando, ao
contrário, que o fantástico não só está entre nós como é um efeito da constituição humana - um traço fundamental do próprio humano”.

Meu Nome é Lucy Barton - Elizabeth Strout
“Vocês só vão ter uma história [...]. Vocês vão escrever essa única história de muitas maneiras. Nunca se preocupem com a história. Vocês só têm uma.” O conselho de Sarah Payne, ficcionista e professora de escrita criativa, marca Lucy Barton em sua busca por uma voz literária no começo da carreira.
Hoje autora bem-sucedida e narradora deste romance, Lucy está há três semanas num hospital com vista para o edifício Chrysler, em Nova York, se recuperando das complicações de uma simples operação para extrair o apêndice. Sofrendo de saudade das filhas e do marido, ela recebe uma visita inesperada da mãe, com quem não falava havia anos.
Mas o que se segue durante as cinco noites em que as duas ficam juntas não são longas discussões de relacionamento ou uma reconciliação verbal. Estimulada pelo exercício da memória, a narradora convalescente lança um olhar aguçado e humano, sem sentimentalismos, para os acontecimentos centrais de sua vida: o isolamento e a pobreza dos anos da infância, o distanciamento de um núcleo afetivo desestruturado, a luta para se tornar escritora, o casamento e a maternidade.
Enquanto isso, Lucy ouve episódios envolvendo amigos, familiares e conhecidos que povoaram sua juventude em um vilarejo rural de Illinois e vê a intimidade com sua mãe se reinventar entre gargalhadas e silêncios. “Mamãe, você me ama?”, a menina do passado pergunta no presente. “Quando os seus olhos estão fechados”, é a resposta de quem nunca foi perfeita e nem poderá ser em seu amor, e talvez seja essa a única história possível para Lucy Barton.
Excelente ficcionista, atenta às relações humanas e aos momentos mais prosaicos de epifania e de revelação, Elizabeth Strout ilumina a relação primordial, ao mesmo tempo conflitiva e afetuosa entre mãe e filha.

Como se estivéssemos em palimpsesto de putas - Elvira Vigna
Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa.
Uma das grandes escritoras brasileiras da atualidade, Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

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