24 de dezembro de 2014

Mundo Novo - Chris Weitz

Lido em: Outubro de 2014
Título: Mundo Novo - Mundo Novo - Livro 1
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção
Ano: 2014
Páginas: 328
Nota
Sinopse: Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos. Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes. Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.

Resenha: Mundo Novo é o primeiro volume da trilogia de mesmo nome escrita pelo autor Chris Weitz e publicado no Brasil pela Seguinte.
Um vírus foi propagado na cidade de Nova York, causando a morte de adultos e crianças. Os adolescentes sobreviveram, mas sabem que têm um "prazo de validade". Eles foram se organizando em pequenos grupos, assaltando mercados e farmácias, montando seus próprios esquemas de segurança, tudo pra continuarem vivos em meio ao caos. Jeff e Donna fazem parte da gangue da Washington Square e tornam-se ainda mais próximos após a morte do irmão dele, o antigo líder. Quando o gênio da turma, Crânio, levanta a possibilidade de encontrarem a cura da Doença, Jeff lidera uma expedição rumo ao local onde encontrarão as respostas. Mas a cidade está cheia de perigos e outras gangues; quais surpresas esperam por eles?
Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas, mas armas definitivamente ajudam pessoas a matar pessoas.
Não foi difícil eu querer ler o livro quando vi a capa chamativa e soube que era distopia. Mas não sei se foi a expectativa alta, a escrita do autor ou a história mais do mesmo, Mundo Novo não me convenceu.

A primeira coisa que me incomodou foi o excesso de personagens. Peguei um papel e anotei cada nome, associando a uma característica ou função para que eu não me perdesse. Depois me acostumei à maioria, mas tenho minhas dúvidas se vou me lembrar de tudo no segundo volume.
Em muitos livros, o autor acha que é legal ter um "narrador não confiável". Para fazer com que a gente fique na dúvida, e para reconhecermos que nada é absoluto, tudo é relativo, ou qualquer coisa assim. Eu acho isso meio furado. Então, só para você saber, vou ser uma narradora confiável. Tipo, totalmente confiável. Pode confiar em mim.
O enredo não teve nada de muito inovador. Talvez a questão da arma biológica seja uma diferença, mas mesmo assim no contexto geral o livro repete uma estrutura já conhecida pelo público. E senti falta da característica marcante do gênero distópico: governo opressor. Cada grupo tem a sua própria organização, mas não há quem governe a sociedade no geral, pelo menos não nesse primeiro livro (o segundo parece que vai ser diferente).
Somos todos mendigos agora, penso comigo mesmo, erguendo a fronha do hotel que substituía minha mochila. Somos todos homens do saco, vagabundos e saqueadores. Não há uma sociedade em cuja margem ficar.
A narrativa intercalada entre Jeff e Donna deveria ser algo bacana, mas, além de eu não ter sentido muita diferença entre os 2 estilos, acabei ficando meio confusa em algumas partes por conta da pontuação. Nas partes narradas por Donna, principalmente, ao invés do clássico travessão o autor optou pela estrutura "Personagem: diálogo". Às vezes acabava misturando travessão e dois pontos. Bagunça mental define. Paralelamente à busca por respostas, eles travam batalhas internas em relação aos sentimentos, já que Jeff gosta de Donna e ela o enxerga como amigo. Em vários momentos, o romance se sobrepõe à trama e o livro meio que perde o foco. Isso acontece mais nas partes narradas por Donna; ela é muito sentimental, toda hora está sofrendo pela dúvida do que sente, pela ausência do irmãozinho que morreu, por ciúmes... Já ele até passa por esses momentos, mas, como homem, é mais racional, mais focado nos problemas e em como resolvê-los.
Quando penso nas várias vezes em que desejei que meus pais me deixassem em paz, tenho vontade de vomitar.
Mas obviamente o livro não teve só coisas ruins. Gostei de acompanhar a transição adolescência > vida adulta acelerada. Os personagens precisaram amadurecer muito rapidamente, lidando com várias perdas e um excesso de responsabilidades repentinas, mas em alguns momentos se permitiam o sofrimento, a saudade, a angústia. Fiquei pensando que essa é a realidade de muitas crianças e adolescentes de hoje, que perdem os pais pro crime, pras drogas, pra violência, e precisam se virar num mundo caótico. Mas como não é um sentimento comum, eles ficam marginalizadas, ignoradas pela sociedade. Se a Doença nos atingisse, provavelmente eles teriam uma adaptação muito mais fácil, enquanto a grande maioria dos adolescentes iria sofrer.

Falando em adaptação, outra discussão presente no livro diz respeito à questão do consumismo. Não tem mais moda, cada um usa o que quer, combinando da maneira que quer, assim como retratado na capa. Não tem mais como usar a tecnologia, acabou internet, energia é algo raro, o convívio presencial é necessário até mesmo por questões de segurança. Chris aborda um mundo sem tantos recursos tecnológicos, numa tentativa de prever o que aconteceria caso a nossa realidade fosse abalada.
Wash diz - dizia - que se trata de uma hierarqueia de necessidades. Ele dizia que não tínhamos tempo para ficar discutindo as coisas de sempre, como a legalidade do casamento homossexual, ou sei lá o quê, porque estamos ocupados demais tentando comer.
Agora me pergunta se eu quero ler o livro 2. A resposta é sim. Se fosse por 90% do livro, eu dispensaria de boa, mas os 10% finais trouxeram uma reviravolta que me deixou com vontade de descobrir mais. Final safado, com o maldito cliffhanger! Quando a gente acha que a história vai seguir por um caminho, vem o autor e muda tudo. Que bom, adoro ser surpreendida.
No geral, foi uma introdução bem arrastada, com algumas cenas de ação que não me prenderam, um romance chocho e um cenário já batido. Vamos ver se Chris consegue trazer algo melhor no segundo volume.
É errado ser feliz? Dane-se. Eu sou. Ninguém pode fazer nada quanto a isso.

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