11 de agosto de 2017

O Livro das Coisas que Nunca Aconteceram - Ana Luiza Savioli

Título: O Livro das Coisas que Nunca Aconteceram - Uma Viagem no Tempo com Harry Darwin
Autora: Ana Luiza Savioli
Editora: Hoo Editora
Gênero: Romance/Young Adult/Fantasia/Literatura Nacional
Ano: 2017
Páginas: 400
Nota:
Sinopse: Harry Darwin deveria ter morrido. E há diversos universos e realidades nas quais tinha mesmo se afogado naquele 8 de outubro, no lago do colégio. Nesta realidade, porém, ele fora salvo. E de uma forma bastante singular: resgatado por um completo estranho, Harry descobre o nome de seu salvador quando seu corpo é encontrado nas dependências do internato, um dia depois: Damon Knight. E agora, ocupando o mesmo quarto que um dia foi de Damon, o irmão mais novo, Matthew, prova que mistérios e segredos rondam todos os Knight. Uma família responsável por curar o tecido da realidade. Por desfazer erros, traçar destinos e fazer a vontade do tempo. Em sua ânsia de entender o dia de sua não morte, Harry acaba envolvido no mistério do fim de toda a existência. O mistério do fim do tempo.

Resenha: Harry Darwin é um garoto de quinze anos e de origem humilde. Ele estuda numa escola da alta sociedade inglesa, a St. Raphael, graças as suas habilidades nos esportes aquáticos. Tais habilidades fizeram com que o garoto ganhasse uma bolsa para estudar em meio aos outros jovens mimados e intragáveis. Ele não tem muitos amigos e só é aceito pelos meninos do time de pólo aquático por jogar bem. Até que um dia ele vai em direção ao Lago dos Padres, dentro das imediações do colégio, e acaba se afogando, mas é salvo por um desconhecido que só faz lhe pedir perdão. Harry não assimilou muito bem o ocorrido e depois só soube que o garoto que o salvou se chamava Damon Knight quando descobriu que o corpo dele fora encontrado sem vida após o episódio que ele vivenciou.
Pouco tempo depois Harry conhece Matthew, o irmão mais novo de Damon que ocupa seu antigo quarto. Mas alguns mistérios rondam a família Knight, e, surpreendentemente, a ideia de fazer viagens no tempo para reparar erros é algo que fica diante de Harry. Assim, o garoto pode ter a chance de entender o que aconteceu no lago e se vê envolvido em algo relacionado ao tempo que vai muito além do que ele poderia imaginar...

A história se passa na Inglaterra, os personagens são ingleses e há vários elementos típicos do universo escolar, e mesmo que o livro seja nacional, em momento algum essa ambientação se torna forçada.
As descrições são ótimas e é possível imaginar os detalhes do cenário. A forma como o tempo é minuciosamente descrito e calculado também são importantes no desenrolar da história.
Harry é um personagem muito bem construído e que se adéqua a sua idade e situação em que se encontra. Ele está num processo de autoconhecimento e ainda precisa lidar com questões envolvendo a sua "não morte", sua família, sua escola e a nova realidade que ele descobre existir.

O livro é narrado em terceira pessoa e inicialmente pode soar um pouco confuso com informações acerca de acontecimentos que não são explicados até o desfecho, mas a leitura flui muito bem e a ideia de haver um mistério a ser desvendado acaba despertando a curiosidade do leitor, o instigando a continuar lendo e descobrindo cada vez mais o que está, realmente, acontecendo.
Viagens no tempo não é um tema totalmente original, mas a forma como foi abordado e o rumo que a história leva é algo totalmente surpreendente e que talvez tire vários leitores de suas zonas de conforto. Vários temas são abordados além da parte que remete à fantasia, como as fendas que permitem que viagens no tempo sejam feitas e até a presença de criaturas atemporais, mas o que realmente toca o leitor é o que se refere à realidade da sociedade e o quão difícil pode ser lidar com conflitos internos. Embora haja complexidade na trama em si, temas delicados como bullying, autoaceitação, problemas familiares, machismo, homofobia, violência e afins são trabalhados com sutileza mas de forma marcante, e o que se sobressai é o amor, em todas as suas formas.

A capa é bonita e tem um ar de mistério que combina bem com a história. A diagramação do livro é muito caprichada. Os capítulos são numerados e possuem um título em destaque numa tipografia diferenciada, e o texto da primeira página desses capítulos é todo em letras maiúsculas. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que tenha atrapalhado na compreensão e na fluidez da história.

O Livro das Coisas que Nunca Aconteceram aborda a adolescência num nível diferente da maioria dos young adults que já li. Ele traz as questões das descobertas e dos conflitos típicos, misturando fantasia e realidade de forma única e plausível, sem deixar questões importantes e dignas de reflexão de lado, principalmente pela a ideia do amor ser algo que deve ser vivido, sem restrições, sem que crenças, etnia e gênero importem ou influenciem nas escolhas e sentimentos.


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