O Príncipe das Sombras - Sylvain Reynard

15 de julho de 2020

Título: O Príncipe das Sombras - Noites em Florença #0.5
Autor: Sylvain Reynard
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2015
Páginas: 128
Nota:★★★★☆
Sinopse: Um conjunto muito valioso de ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia, de Dante Alighieri, é exposto na Galleria degli Uffizi, em Florença. O dono das peças é o famoso professor de literatura Gabriel Emerson. Quando se deixou persuadir por sua amada esposa, Julianne, concordando em dividir com o mundo a beleza daquelas obras de arte, Gabriel jamais poderia imaginar que estaria atraindo para si um poderoso inimigo.
Mais de um século antes, aquelas mesmas ilustrações foram roubadas de seu verdadeiro dono, o Príncipe de Florença, uma criatura sobrenatural e misteriosa que governa o submundo da cidade e há muito não sabe o que é o amor. Agora um dos seres mais perigosos da Itália está disposto a recuperar o que lhe pertence e se vingar de Gabriel e Julianne. Mas logo seus planos são frustrados. Um atentado o obriga a deixar os Emersons de lado, afinal ele precisa resolver assuntos muito mais importantes. Tanto seu principado quanto sua própria vida parecem estar em risco. Passado na cidade mais artística da Itália, O príncipe das sombras é uma incrível introdução à nova série de Sylvain Reynard, Noites em Florença, e vai deixar os leitores com gostinho de quero mais.

Resenha: O Príncipe das Sombras se trata de uma introdução à série sobrenatural Noites em Florença do autor canadense Sylvain Reynard (da trilogia O Inferno de Gabriel) publicada no Brasil pela Editora Arqueiro.
Em 2011, no submundo de Florença, um vampiro antigo está atrás do casal Gabriel e Julianne (personagens da série anterior do autor). Os dois estão em posse de ilustrações valiosas e originais da Divina Comédia, obras de autoria de Botticelli, mas o que eles não sabiam era que essas ilustrações haviam sido roubadas de seu verdadeiro dono em 1870. Por acreditar que Gabriel está envolvido no roubo, o Príncipe de Florença planeja uma vingança para recuperar o que é seu e parte atrás do casal, mas uma ameaça seguida por um ataque à cidade interrompe seus planos e ele é obrigado a desviar seu foco do casal Emerson e bolar uma estratégia para descobrir quem atacou a cidade. Logo sua vida está em jogo, mas ele não vai desistir de proteger os assuntos de seu interesse, mesmo que tudo indique que uma guerra está a caminho.
Narrado em terceira pessoa de forma bem poética e tendo como pano de fundo a cidade italiana de Florença, o leitor é introduzido aos personagens e à atmosfera da nova série do autor de uma forma intensa, romântica e envolvente.
É bem notável que o Príncipe apareça como uma criatura sobrenatural perigosa, cruel e que segue seus instintos. Ele não sabe o que é desculpar alguém ou ter misericórdia, e não hesita em passar por cima de qualquer um que possa atrapalhar seus objetivos. Mas ele começa a ter um lado que não imaginou possuir sendo despertado dentro de si. A vida frágil e delicada de Julianne somada ao seu relacionamento com Gabriel passa a ser observada com objetivo de vingança. O Príncipe passa a presenciar seus momentos mais íntimos, sendo testemunha do desejo intenso que eles nutrem um pelo outro e acaba se lembrando de alguém em sua juventude que já havia o olhado com o mesmo carinho, mas que, devido ao tempo, ele havia se esquecido e deixado de saber o que era amor. Logo alguns sentimentos há muito escondidos e reprimidos vêm à tona.

O Príncipe das Sombras é um conto rápido de ser lido e cumpre com seu papel introdutório, pelo charme do Príncipe e, principalmente, por encantar o leitor com as descrições acerca do cenário e das belezas que só a Itália tem.
Os capítulos são curtos e ao final do livro há um glossário com uma pequena lista de personagens, termos e nomes usados na história para que o leitor possa saber quem é quem ou o que é o lugar ou função mencionados.

A caçada do Príncipe por respostas ainda não é resolvida, claro, e muito da personalidade e da própria vida do protagonista não são revelados, logo a curiosidade para saber mais sobre o que está por vir é imensa. Acredito que se a história viesse como um prólogo do primeiro livro da série seria melhor, pois ela traz informações que acrescentam e são importantes para que o leitor se situe melhor ao iniciar a leitura do primeiro livro da série, A Transformação de Raven, já lançado pela Arqueiro.
Mesmo que não a leitura não seja obrigatória para o entendimento da série em geral, por ser um conto extra, de alguma forma, pode fazer falta para quem gostar e quiser acompanhar os personagens nessa nova jornada.

Magia do Sangue - Nora Roberts

13 de julho de 2020

Título: Magia do Sangue - Primos O'Dwyer #3
Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Há muitos anos, Branna O’Dwyer entregou seu amor a Finbar Burke. No entanto, o romance durou pouco. Uma maldição ligada ao sangue de suas famílias os proibiu de ficar juntos.
Branna tentou preencher esse vazio com amigos e familiares, mas sabe que, sem Fin, sua vida nunca estará completa. Ele, por sua vez, passou os últimos doze anos viajando pelo mundo, focado exclusivamente no trabalho.
Atormentados pela forte atração que nem a distância pôde aplacar, nenhum dos dois acha que um dia se entregará de novo ao amor.
Entretanto, em meio às sombras que ameaçam destruir tudo o que eles consideram mais precioso, esse relacionamento sem futuro pode ser também a última esperança que lhes resta.

Resenha: Magia do Sangue é o terceiro volume que fecha a trilogia Primos O'Dwyer, escrita por Nora Roberts e publicado pela Editora Arqueiro no Brasil.

A premissa da história gira em torno de Sorcha, uma bruxa poderosa que viveu no século XIII e que se sacrificou para salvar os filhos depois de ser perseguida por Cabhan, um demônio sedento por poder. Muitos séculos se passaram desde o ocorrido e seus descendentes, mais uma vez, irão precisar enfrentar o mal que tentará derrotá-los e tomar o poder. Dessa forma, cada livro da trilogia gira em torno de um dos primos e seu par, e juntos, irão enfrentar os perigos para derrotarem Cabhan em nome da família, da amizade e do amor.

Branna se apaixonara por Finbar há muitos anos, mas quando descobriu que ele era descendente do seu maior inimigo e que uma maldição pairava sobre suas famílias, eles não puderam ficar juntos. Dessa forma, sem poder viver o amor que gostaria, Branna investiu na família e no trabalho a fim de preencher esse vazio deixado por Fin em seu peito.
Fin, sendo descendente de Cabhan, tinha o poder de se conectar com os mundos do bem e do mal, mas por ter sido impedido de ficar com Branna devido a essa "maldição", ele tentou evitar a família O'Dwyer para seguir com sua vida. Porém, para derrotar Cabhan eles precisariam unir forças...
Depois de passar por tantos percalços, Fin e Branna deverão ser capazes de considerar que o amor que sentem um pelo outro pode ser maior do que a maldição que os separou e somente através da união dos dois haverá esperança no destino de suas famílias.

Magia do Sangue ira mostrar os seis amigos tentando descobrir uma forma de derrotar Cabhan de uma vez por todas, tendo ajuda de seus ancestrais, e revirando o passado do bruxo a fim de descobrirem possíveis fraquezas para derrotá-lo.
Branna e Fin, desta vez, são os protagonistas, que desde o começo possuem uma relação de amor e ódio, e que confesso ter tornado a história mais interessante de se acompanhar. Apesar de tudo, Fin sempre foi apaixonado por Branna mas por ele ser descendente de Cabhan elas não poderiam ter uma vida juntos, logo ele iria aproveitar todas as oportunidades que tivesse para provar seu amor e faria de tudo para derrotar o demônio para se unir a sua amada.

O livro, assim como os demais da trilogia, é narrado em terceira pessoa e acompanhamos Branna e Fin como os protagonistas deste volume. Apesar da história se manter num ritmo lento e bastante repetivivo, a autora amarrou bem as pontas que haviam ficado soltas nos volumes anteriores, fechando a história e seus ciclos de forma satisfatória. De forma geral, esperava bem mais da mitologia criada, pois a medida que os acontecimentos se desenrolam, percebi que não houve muito exploração e é como se tudo se resumisse em se envolverem e se apaixonarem, participarem de banquetes maravilhosos e salvarem o mundo, não necessariamente nesta ordem. E claro, não posso deixar de mencionar o enorme espaço dedicado às refeições fabulosas preparadas por Branna e toda aquela fartura sem fim que estão sempre presentes em meio ao enredo. Talvez as descrições desses jantares sirva mais pra ilustrar a união entre os personagens quando estão reunidos e compartilhando bons momentos, mas acho que, indo contra meus princípios taurinos, comida não é a base de tudo nessa vida e é possível ter momentos felizes fazendo outras coisas a fim de sair daquela rotina que, por ser tão repetitiva, acaba se tornando chata. Basta uma pontinha de aproximação que já podemos esperar uma mesa cheia de gostosuras.
Um dos pontos que gostei bastante foi que finalmente a verdadeira origem de Fin veio à tona e fui pega de surpresa por ser algo que estava lá o tempo todo mas não enxerguei.
Os feitiços e todos aqueles rituais são cantados em forma de rima e confesso que essa característica não me agradou.

Com relação a parte física, a capa deste volume é a mais bonita dentre os três, talvez devido as cores utilizadas que são mais alegres dando a impressão de que haverá um fim feliz. A Diagramação é simples, há ornamentos sob os numerais indicando os capítulos, as páginas são amarelas e a revisão, apesar de ter algumas falhas e erros ortográficos bem perceptíveis, superou um pouco a dos outros volumes. O problema maior aqui é que em alguns pontos pode haver confusão entre os personagens, não sendo fácil ou possível distinguir quem está falando.

Acho que o único problema da história é a forma como foi montada. É como se seguisse uma fórmula mantendo uma sequência de acontecimentos em todos os livros da trilogia sendo possível prever o que vem a seguir... A história começa com as lembranças pontuais dos filhos de Sorcha, depois os primos discutindo sobre as maneiras de Cabhan ser derrotado, comida, as questões amorosas e como vão se desenrolando para serem resolvidas, mais comida, a batalha e pronto.

De forma geral, a história de Branna e Fin era a que eu mais esperava, devido aos conflitos deles serem maiores, mais trágicos e mais interessantes do que os de Iona e Boyle (protagonistas de Bruxa da Noite), ou Meara e Connor (protagonistas de Feitiço das Sombras).
Posso dizer que a autora apresentou uma trama focada na importância da família unida e a lealdade às origens, e Finn luta contra a sua própria origem, mostrando que seu amor por Branna é maior e vai além do que qualquer influência que seu ancestral maligno poderia exercer sobre ele.

Apesar de não ser a melhor trilogia de fantasia que já acompanhei devido a falta de profundidade na mitologia escolhida, e pela enrolação da história que, às vezes, pode ser bastante irritante, é de se aproveitar pela mensagem de que absorvemos sobre a importância da família e da amizade em nossas vidas, e que a união realmente faz a força quando há cumplicidade, respeito e determinação para atingirmos nossos objetivos.

Feitiço da Sombra - Nora Roberts

11 de julho de 2020

Título: Feitiço da Sombra - Primos O'Dwyer #2
Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2015
Páginas: 288
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Connor O’Dwyer se orgulha de chamar o Condado de Mayo de seu lar. É lá que Branna, sua irmã, mora e trabalha e onde Iona, sua prima, encontrou o verdadeiro amor. Foi nessa terra que seus parentes e amigos formaram um círculo de proteção que nunca poderá ser rompido... Até que um beijo põe em risco a segurança de todos. Depois de um breve encontro com a morte, Connor e a melhor amiga de sua irmã se entregam um ao outro. Eles se dão bem desde a infância e, depois do tórrido encontro, o rapaz tem esperança de que esse relacionamento evolua. Para frustração dele, no entanto, Meara se contenta apenas com o prazer do momento, temendo se perder – e perder a amizade dele. Essa mudança em sua relação pode abalar o círculo e permitir que uma perigosa ameaça ressurja aos poucos, como uma névoa. Para detê-la, Connor precisará novamente da família e dos amigos para despertar a força e a fúria que correm em seu sangue. Quem sabe pela última vez.

Resenha: Feitiço da Sombra é o segundo volume da trilogia Primos O'Dwyer, escrita por Nora Roberts e publicado pela Editora Arqueiro no Brasil.
A história se passa nos mesmos lugares e gira em torno das questões dos mesmos personagens, porém, cada livro é destinado a um casal principal formado por um dos primos. A resenha está livre de spoilers do livro anterior.

Assim como no primeiro livro, este começa sendo narrado no passado, quando os filhos de Sorcha - Brannaugh, Teagan e Eamon - estão prestes a decidir o rumo de suas vidas, escondendo ou assumindo de vez a magia que a mãe lhes deixou. No tempo presente, de volta ao Condado de Mayo, a história se desenrola ao mostrar Iona e Boyle, Connor e Meara, Branna e Fin. Todos formam um Círculo, preocupados em proteger a família, a amizade e o amor que nutrem um pelo outro travando uma luta contra Cabhan, que quer destruir todos eles.

Em Bruxa da Noite, o livro anterior, quem teve espaço foi Iona e seu relacionamento com Boyle. Neste volume, Connor O’Dwyer é o personagem que ganha foco, assim como Meara, amiga de infância dele e da irmã Branna.
Em meio ao perigo que enfrentam, Connor e Meara resolvem se entregar um ao outro, se rendendo a uma atração que já existia há muito tempo, mas ela não acredita mais no amor devido ao trauma pelo próprio pai ter abandonado a família. Meara só deseja aproveitar o momento sem que nada se torne sério e resiste a começar algo com Connor que, acostumado a sempre conseguir o que quer, deseja que o sentimento seja correspondido e tem esperanças de que eles engatem um relacionamento.
O problema é que Cabhan não foi derrotado como imaginavam e ainda quer destruir suas vidas, e sua brecha é a ideia do Círculo abalado pela fragilidade do relacionamento de Connor e Meara devido à resistência da moça...

Narrado em terceira pessoa, acompanhamos uma história cuja força está no Círculo. O tema da trilogia é mais voltado para a família e a forma como a união e o amor rege a vida de cada um dos envolvidos.
Apesar de o livro estar com uma revisão um pouco mal feita, a narrativa se desenvolve de forma fácil, fluida e lírica, mas em alguns diálogos houve algumas transições entre personagens de forma que eu mal sabia quem era quem. Todos têm o costume de falar do mesmo jeito e não têm particularidades nesse quesito que pudessem diferenciar um do outro, me confundindo em alguns trechos.
A história acaba sendo previsível pelo fato de girar em torno da mesma coisa e não ter grandes mudanças, ação ou reviravoltas. O enredo se desenvolve de forma repetida, e por esse motivo não surpreende, mesmo que os elementos mágicos estejam presentes.

Connor é aquele tipo de personagem que tem "experiência" quando o assunto é mulher, mas nem por isso é visto como alguém que arrasa e parte corações por onde passa. Ele parece ser o personagem mais focado entre os primos, sempre seguindo em frente com o pé no chão e sem descansar enquanto não atinge seus objetivos. Mas em alguns momentos ele age por impulso e se mete em problemas que não deveria, o que acaba tirando a paciência de qualquer um.
Meara é forte e determinada, tem problemas de confiança, mas ainda assim não se deixa abalar por coisas pequenas. O que ela não quer é se envolver amorosamente para evitar uma decepção maior, e pra mim foi um motivo compreensível.

Os personagens de forma geral, incluindo principais e secundários, são essenciais para o desenrolar da história e possuem um vínculo tão intenso, independente de seus propósitos, personalidades ou compreensão, que passam a mensagem de que o que realmente importa nessa vida é a amizade verdadeira, a família unida e o amor, e que tudo isso junto pode superar qualquer obstáculo. A relação deles foi construída de uma forma bastante real, apresentando características simples de um convívio social rotineiro do dia a dia que acabam sendo a melhor parte da história.

Achei que o nome do livro foi bastante adequado visto que se trata do feitiço utilizado por Cabhan para perseguir os O'Dwyer, além de que a autora ainda se aprofundou no feitiço que possibilita que os personagens façam viagens no tempo cruzando passado e presente de forma que haja interação com os filhos de Sorcha.
Acho que para que a história de Iona iniciada no primeiro livro não ficasse completamente esquecida, podemos acompanhar algumas poucas cenas dela e Boyle. O romance não é trabalhado e tampouco ganha espaço. Somente a ideia de que eles estão prestes a se casar se faz presente. E, por não ter curtido muito o romance deles, não me importei que isso tenha ficado pra escanteio nesse volume.
O livro, apesar de não ter superado totalmente minhas expectativas, teve um bom aprofundamento ao trabalhar a história dos personagens, dando mais espaço ao relacionamento e sem deixar a luta contra o mal em segundo plano.

A ideia do amor e da amizade ligada a laços familiares fortes e inquebráveis, e ainda tendo a Irlanda como pano de fundo, é algo encantador e com certeza vai chamar atenção de todos que apreciam uma leitura rica em detalhes e que explora o universo mágico de forma convincente.

Bruxa da Noite - Nora Roberts

9 de julho de 2020

Título: Bruxa da Noite - Primos O'Dwyer #1
Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2015
Páginas: 320
Nota:★★★★☆
Sinopse: Com pais indiferentes, Iona Sheehan cresceu ansiando por carinho e aceitação. Com a avó materna, descobriu onde encontrar as duas coisas: numa terra de florestas exuberantes, lagos deslumbrantes e lendas centenárias – a Irlanda.
Mais precisamente no Condado de Mayo, onde o sangue e a magia de seus ancestrais atravessam gerações – e onde seu destino a espera.
Iona chega à Irlanda sem nada além das orientações da avó, um otimismo sem fim e um talento inato para lidar com cavalos. Perto do encantador castelo onde ficará hospedada por uma semana, encontra a casa de seus primos Branna e Connor O’Dwyer, que a recebem de braços abertos em sua vida e em seu lar.
Quando arruma emprego nos estábulos locais, Iona conhece o dono do lugar, Boyle McGrath. Uma mistura de caubói, pirata e cavaleiro tribal, ele reúne três de suas maiores fantasias num único pacote.
Iona logo percebe que ali pode construir seu lar e ter a vida que sempre quis, mesmo que isso implique se apaixonar perdidamente pelo chefe. Mas as coisas não são tão perfeitas quanto parecem. Um antigo demônio que há muitos séculos ronda a família de Iona precisa ser derrotado.
Agora parentes e amigos vão brigar uns com os outros – e uns pelos outros – para manter viva a chama da esperança e do amor.

Resenha: Bruxa da Noite é o primeiro volume da trilogia Primos O'Dwyer, escrita pela autora Nora Roberts e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.
A história começa num inverno intenso, tomado por chuvas e nevoeiros, no ano de 1263 na Irlanda. Sorcha, mais conhecida como Bruxa da Noite devido aos seus enormes poderes, além de respeitada e ter alguns privilégios por ser esposa de Daithi, o cennfine (chefe do clã), leva uma vida cheia de amor com os três filhos pequenos - Brannaugh, Teagan e Eamon - enquanto seu marido, que estava lutando na guerra, era aguardado com bastante ansiedade quando a primavera chegasse.
Com o passar das semanas, Sorcha e os filhos são perseguidos por Cabhan, um demônio maligno e ambicioso, sedento por poder. A fim de acabar com esse mal, Sorcha trava uma luta com Cabhan, divide seu enorme poder entre os filhos, poder este que passaria para seus descendentes através das gerações, e se sacrifica acreditando que libertaria seus entes queridos do perigo, mas o mal resistiu e, na floresta, iria aguardar pacientemente o momento certo para voltar...

Setecentos e cinquenta anos se passaram desde o sacrifício de Sorcha, o ano é 2013, e Iona Sheenan entra em cena. Ela cresceu nos EUA, carente e procurando aceitação dos pais indiferentes. Recebendo atenção da avó e ouvindo dela histórias fantásticas envolvendo seus ancestrais, Iona descobre onde, enfim, poderia encontrar o que tanto desejava na vida. Então, ela decide deixar tudo para trás partindo para a Irlanda, no Condado de Mayo, com intuito de descobrir sobre suas raízes. Lá ela é recebida de braços abertos pelos primos Connor e Branna O'Dwyer e, por ter um talento nato para lidar com cavalos, Iona consegue um emprego no estábulo. Ao conhecer seu chefe, Boyle McGrath, percebe que encontrou a vida que sempre quis naquele lugar mágico e encantador.
Tudo parecia perfeito, mas o que ela não esperava era descobrir que seus primos, e agora ela também, seriam alvos de Cabhan, que anseia pelos poderes herdados de Sorcha que eles possuem, além da sede por vingança que ele tem...
Resta aos primos Iona, Branna e Connor se unirem para derrotarem esse mal de forma definitiva para, enfim, viverem felizes e manterem a chama do amor da família sempre acesa.

Eu ainda não tinha lido nenhum livro de Nora Roberts pra poder fazer comparações. A opção por essa leitura se deu devido ao tema fantástico envolvendo bruxas, magia e com o pano de fundo maravilhoso, convidativo e mágico que é a Irlanda. Isso bastou pra chamar minha atenção e posso afirmar que a autora tem uma escrita única e envolvente e criou personagens bem definidos, além de utilizar de uma mitologia convincente e madura que envolve elementos da natureza e animais que possuem ligação com seus donos e funcionam como uma extensão deles.

A narrativa é feita em terceira pessoa focando no ponto de vista de Iona. Apesar da carência inicial, ela é uma personagem doce e inteligente, mas bem imatura. Boyle já faz o estilo forte e misterioso. Quando Iona decide controlar os poderes que tem, a medida que ela aprende e convive com os primos e os amigos, ela também amadurece e cresce como personagem.
Aparentemente a única coisa que Iona e Boyle têm em comum são o amor por cavalos, mas com o desenrolar da história eles se envolvem cada vez mais. Boyle não tinha intenção de se envolver emocionalmente com ninguém, mas Iona vem pra mudar isso. A ideia, ao que parece, é que eles tivessem uma química explosiva digna de estremecer o chão, mas o único problema é que não consegui sentir química alguma e os dois, como casal, me soaram um tanto vazios, pelo menos até Iona perceber que havia, sim, um sentimento intenso e incondicional por parte de Boyle. O relacionamento, então, é desenvolvido gradualmente até que se torne sólido o bastante pra ser considerado interessante.
A caracterização dos personagens foi o que mais me agradou e os que mais gostei foram Fin e Meara, com quem ela cultiva uma amizade. Fin inclusive é descendente de Cabhan e ele mantém um relacionamento de amor e ódio com Branna, o que torna a história bem mais interessante. A autora já os colocou num caminho e trabalhou as mágoas, ressentimentos e problemas de confiança que eles têm e espero por um livro que se aprofunde melhor no relacionamento dos dois.
Um fator interessante e original sobre a história é que os primos são reconhecidos pelas pessoas como sendo bruxos devido a história de Sorcha, então eles não se mantém no anonimato precisando guardar segredo de suas origens.
Os personagens, como um todo, foram muito bem construídos e todos têm personalidades distintas. O temperamento de alguns dão até mesmo um toque engraçado à história.

O que não funcionou pra mim foi a falta de um aprofundamento maior sobre a história de Iona, pois ela fica constantemente choramingando sobre sua carência e falta de amor mas a autora não expõe nada sobre isso, o que passou com os pais e o que fizeram pra ela se sentir tão sozinha.
Um ponto que, pra mim, foi super desnecessário foi a insistência em falar sobre comida. Os personagens estão sempre comendo e bebendo e evidenciar isso em mais da metade do livro foi algo cansativo e inútil.
Senti falta de uma verdadeira ameaça, e por mais que o leitor saiba que há um perigo que permeia a história, não houve tensão suficiente pra criar um clímax e nada me tirou o fôlego.
O final não fez muito sentido pra mim e me deixou pensando que, ou há um furo enorme, ou eu deixei passar sem ter a menor ideia do que os personagens planejaram para tentar destruir Cabhan.
Os dois primeiros capítulos, que funcionam como a introdução contando como tudo começou, tiveram mais destaque e foram muito mais empolgantes e emocionantes pra mim. Meu erro foi me basear neles ao criar expectativas maiores para o restante da história. Não que ela seja ruim, muito pelo contrário, só esperei por uma coisa quando na verdade me deparei com outra.

Sobre a parte impressa e o trabalho gráfico, a capa é muito bonita e manteve a arte da obra original que remete a todo um mistério. O nome da autora e a moldura que envolve o título possuem aplicações em verniz pra se destacar do fundo fosco. A diagramação é simples, as páginas são amarelas, a fonte tem um tamanho agradável e não encontrei erros de revisão. Os capítulos são numerados com um ornamento inferior como detalhe.

No mais, pra quem procura por um livro que traga uma história com uma escrita envolvente e sólida sobre bruxas, família, amizade e um grande amor, Bruxa da Noite é uma boa pedida.

Na Telinha - Little Fires Everywhere (1ª temporada)

8 de julho de 2020

Título: Pequenos Incêndios por Toda Parte (Little Fires Everywhere)
Temporada: 1 | Episódios: 8
Elenco: Reese Witherspoon, Kerry Washington, Joshua Jackson, Lexi Underwood, Megan Stott, Jade Pettyjohn, Jordan Elsass, Gavin Lewis, Rosemarie DeWitt
Gênero: Drama
Ano: 2020
Duração: 60min
Classificação: +16
Nota:★★★★★
Sinopse: Um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. A dona de casa perfeita Elena Richardson (Reese Witherspoon) aluga a casa de hóspedes à Mia Warren (Kerry Washington), uma artista solteira e enigmática que se muda para Shaker Heights com sua filha adolescente. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada.

Little Fires Everywhere é uma minissérie americana, baseada no romance homônimo e best-seller de Celeste Ng. No Brasil, o livro foi lançado pela Editora Intrínseca. A série foi lançada pela plataforma gringa de streaming Hulu (a mesma que distribuiu a série The Handmaid's Tale) e agora foi disponibilizada com exclusividade pra gente pela Amazon Prime Video. A trama se passa nos anos 90 e mostra como a vida, aparentemente perfeita, da família de Elena Richardson é afetada pela chegada da artista Mia Warren e sua filha Pearl, ambas negras, na cidadezinha bucólica de Shaker Heights, Ohio, cujos princípios utópicos de conservadorismo, harmonia e ordem estão prestes a ser abalados.


Enquando Elena mantém as aparências de família perfeita e bem estruturada com seu marido advogado e seus quatro filhos adolescentes, Mia não tem raízes, não faz questão de cultivar amizades e perdeu as contas de quantas vezes se mudou, já que mantém um estilo de vida itinerante.
Mia se torna inquilina dos Richardson e tudo começa quando Pearl faz amizade com os filhos de Elena e fica maravilhada com a mansão que eles moram e com o estilo de vida que levam, afinal, ela nunca teve uma casa confortável ou um quarto pra chamar de seu. Logo ela se sente acolhida em meio aquela família que a trata tão bem. Em contrapartida, a filha caçula de Elena, Izzy, é a ovelha negra da família, não se encaixa, não aceita as imposições da mãe que exige que a menina seja alguém que ela não é, e acaba encontrando refúgio em Mia, pois é a única que realmente parece enxergá-la e compreendê-la.


E a partir daí, começa uma "guerra invisível" entre mães que só querem o melhor para seus filhos, mas que parecem não saber lidar muito bem com o que eles realmente querem. A trama ainda encaixa questões judiciais envolvendo Bebe Chow, uma personagem chinesa que sofre por ter abandonado a filha num momento de desespero, e que envolve Mia, Elena e sua melhor amiga, Linda, de forma direta ao caso, fazendo com que o drama sobre os privilégios das classes sociais mais altas, e as injustiças sofridas pelas mais baixas, se intensifique ainda mais.


Com tantas discussões acerca de questões raciais, que são tão relevantes para a sociedade, Little Fires Everywhere parece ter vindo a tempo e a hora para ajudar a conscientizar as pessoas sobre uma pontinha do que é o racismo velado e os privilégios dos brancos, assim como abordar questões sexistas, problemas familiares, as enormes dificuldades que envolvem a maternidade, e as consequências de se manter tantos segredos e viver de aparências, e a série faz isso muito bem.

Chega a ser desconfortável para o expectador acompanhar Elena e Mia se desconstruindo a medida que os problemas vão aparecendo e várias descobertas vão sendo feitas. Elena é uma jornalista que trabalha meio período e leva a vida da forma mais metódica que se possa imaginar. Ela faz listas de afazeres, impõe aos filhos o que devem vestir e como devem se comportar, e até tem os dias certos da semana para ter relações com seu marido (?), e ai de quem sair da linha. Nada pode sair fora do planejado pra essa mulher.
Mia é o oposto. Ela consegue ver a vida de uma forma diferente, consegue enxergar a essência das pessoas mesmo que as evite e as trate com secura, mas sabe que por ser negra, ela e a filha enfrentarão coisas que estão fora da realidade de quem é branco, mesmo que elas pareçam ter sido aceitas na comunidade. Assim, o relacionamento conturbado e incômodo das protagonistas e de seus filhos, começa a revelar um outro lado de Elena e como ela vai, aos poucos, perdendo a compostura, e como os segredos de Mia, que ela fez questão de esconder durante tantos anos, começam a vir à tona a ponto da vida de todos virar de cabeça pra baixo.


A temporada tem apenas 8 episódios, mas consegue se desenvolver bem e mostrar os pontos mais importantes sobre o passado das protagonistas através de flashbacks que se passam nos anos 70 e 80 que explicam muito sobre suas escolhas de vida e o que influenciou em suas trajetórias até o momento presente.
As pessoas são imperfeitas e tentam fazer as escolhas que elas julgam serem as mais corretas pra suas vidas com base no que aprenderam ou no que experimentaram, mas isso não significa que é a melhor escolha ou que qualquer coisa vai levá-las a redenção ou coisa do tipo. O final da temporada deixa algumas questões em aberto, e a curiosidade pra saber o que vai acontecer com os personagens fica no ar, mas conclui de uma forma bem trágica que, felizmente ou não, mostra que existe o reconhecimento de que as coisas nem sempre estão sob nosso controle ou como gostaríamos que fosse. Little Fires Everywhere é desconfortável e inquietante em alguns momentos, mas não nego que prende a atenção, surpreende com as atuações, dá vários tapas na cara com diálogos inteligentes e situações absurdas, e mesmo que cause algumas frustrações e revoltas com alguns acontecimentos, é mais do que recomendada.

Resumo do Mês - Junho

1 de julho de 2020


Esse mês não pude dar muita atenção pro blog, mais uma vez. Não gosto quando isso acontece porque sinto falta de sentar aqui e escrever sobre minhas leituras e as séries que vejo, mas isso fica meio difícil quando eu não ando lendo nada e ainda fico sem tempo pra escrever sobre o que ando assistindo.
Ando tendo uns problemas no condomínio do prédio onde moro por causa do Ian. Esse isolamento faz com que a gente fique PRESO DENTRO DE CASA DIA E NOITE e isso com certeza tá deixando as pessoas mais LOUCAS DO QUE NUNCA. Como já comentei várias vezes nessas postagens do resumo, que muitas vezes me servem como um desabafo, o Ian é uma criança terrível. Não pára um minuto, faz bagunça demais, grita demais, incomoda demais, e a vizinha aqui debaixo parece ter levado pro lado pessoal e não pára de reclamar do barulho que ele faz. Ela já reclamou comigo, já reclamou pro síndico, já reclamou pra imobiliária, já levei advertência por causa do incômodo e eu, sinceramente, não sei o que fazer. Sei que deve incomodar porque ele não para um minuto sequer, e quando corre pela casa dá cada pisão no chão que chega a tremer as paredes, mas por ser criança e não entender o que ele faz, fico sem saber como lidar.

Mas o que eu faço? Não tenho culpa do isolamento acústico nesse bendito apartamento ser zero e qualquer passo que a gente dê já faz barulho no teto da vizinha. Já pedi desculpas e falei que ia tentar controlar, mas vou amarrar o menino? Dar remédio pra dormir? Despachar pra longe? Sem escola e sem o acompanhamento com a psicóloga pra ajudar com o hiperativismo dele o menino só falta subir pelas paredes, e por mais difícil que seja, é complicado quando as pessoas não tem empatia e não entendem que a situação é complicada pra TODOS, inclusive pra mim que ando mais surtada do que nunca porque sou uma pessoa só, estamos todos presos, e não consigo ficar por conta dele 24hrs por dia pra manter ele em silêncio absoluto pra não incomodar os outros, até mesmo porque tenho outros filhos e uma casa inteira pra cuidar SOZINHA. Como não quero caçar briga com ninguém, e como fico incomodada por estar causando esses transtornos pros outros (mesmo que nunca tivesse sido minha intenção), o único jeito vai ser me mudar, MAIS UMA VEZ.

Já perdi as contas de quantas vezes mudei nos últimos 15 anos... Não podia fazer isso agora. É um gasto que eu não planejava ter, mas pra evitar a fadiga, vai ser o único jeito de dar paz e ter paz. É horrível quando a gente mora num lugar e não se sente em casa porque os outros reclamam sem sequer tentar entender o outro lado da história. Morar de aluguel é uma merda, mas a vantagem é que se tá ruim, a gente sai e pronto. Já achei uma casa espaçosa e bacana pra gente alugar, porque com o Ian, pelo menos enquanto ele for pequeno, não tem a menor condição de irmos morar em prédio, e agora só tô aqui esperando a análise dos documentos pra começar a preparar a mudança. Já deu tudo certo e agradeço todos os dias por isso.

Só preciso avisar a imobiliária pra colocar um aviso pro próximo que for alugar que é pra pessoa ter muito cuidado caso tenha filhos pequenos.... Nem sempre um comportamento problemático significa que o filho é mal criado, pode ter outras coisas por trás e quem não tem filho NUNCA vai saber e entender, de fato, como é. Então não adianta tentar explicar alguma coisa pra quem não pode se colocar no lugar do outro e nem vive nada do tipo entender. Criança faz barulho, criança grita, criança corre, criança chora, e pela experiência que tive aqui, percebi que não é qualquer um que entende e aceita que criança precisa disso pra ser criança.

Enfim... Acho que isso justifica um pouco minha ausência e desânimo, mas não quero desistir e pretendo me dedicar mais, assim que possível. Só não posso ficar me cobrando por algo que sei que não vou dar conta.

♥ Na Telinha
- 365 Dni

♥ Wishlist
- Funkos de The Craft

Caixa de Correio de Junho