6 de janeiro de 2018

Tash e Tolstói - Kathryn Ormsbee

Título: Tash e Tolstói
Autora: Kathryn Ormsbee
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto/Romance
Ano: 2017
Páginas: 376
Nota:
Sinopse: Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?

Resenha: Natasha Zelenka, mais conhecida como Tash, é uma adolescente de dezessete anos que, aparentemente, não é muito diferente das outras garotas da sua idade, a não ser por ser fã de Liev Tolstói, o autor de Anna Kariênina, a quem ela carinhosamente chama de "Leo". Sua paixão por ele é tanta que ela, a melhor amiga, Jack Harlow, e o irmão dela, Paul, fizeram uma adaptação da obra e gravaram a websérie deprimente "Famílias Infelizes" para o canal delas no Youtube. O trabalho não foi nada fácil, e ver que as visualizações não cresciam não era nada animador. Até que Taylor Mears, uma das youtubers mais conhecidas e respeitadas da rede, recomenda a série em seu canal e o vídeo viraliza, rendendo a elas milhares de seguidores, incontáveis visualizações, uma indicação ao Tuba Dourada (uma espécie de Oscar das webséries com direito a evento de entrega de prêmio e tudo mais) e, claro, fama.
Mas, junto com essa fama inesperada vem os haters ridículos e suas críticas maldosas, e Tash não consegue lidar com esses "ataques". Ela também fica maluca com a ideia de continuar produzindo conteúdo de qualidade para agradar os fãs, e isso acaba causando vários conflitos com Jack, sua amiga. Agora, Tash precisa se preparar para o evento da Tuba Dourada, e lá ela teria a oportunidade de conhecer Thom Causer, um youtuber de quem ela sempre foi a fim. Porém, com o início dessa aproximação e um possível envolvimento, Tash precisa criar coragem para contar que, embora ela tenha interesse romântico por ele, ela é assexual, ou seja, ela não tem o menor interesse sexual por ninguém.

O livro é narrado em primeira pessoa e é tão fluído que quando a gente começa a ler não vê o tempo passar. A leitura é muito envolvente, e mesmo que Tash tenha problemas típicos da idade dela, não há aquela sensação de que esses problemas são bobos já que muitos adolescentes devem viver um pouco do que ela vive e podem se identificar.
Eu não gostei muito de Tash no começo pois ela é muito egoísta, exagerada e parece que não tem muita consideração pelos outros, ainda mais quando está surtada com coisas que ela ainda não aprendeu a lidar. Todo mundo trabalha duro no projeto da série, mas pra ela isso nunca é o bastante. Mas gostei de ver que com as experiências que ela teve após essa fama e, em nome da amizade muito bonita entre ela e Jack, ela cresceu e aprendeu com os próprios erros, e ter humildade para reconhecê-los é uma coisa muito importante. A sexualidade dela também é uma coisa muito legal, pois aqui a autora entrega uma personagem que se aceita do jeitinho que é, e sua preocupação é assumir isso para os outros que estão fora do seu círculo de amizade e que, talvez, poderiam não entender ou aceitar sua condição.

Outro ponto bem legal na trama é a forma como a autora mostra que a internet hoje em dia faz parte da vida de todo mundo, mas nem sempre é o mar de rosas que muitos pensam, ainda mais quando os bastidores são revelados. Por mais incríveis que as redes sociais possam ser, sempre há o lado negativo da coisa, principalmente quando a pessoa se torna um criador de conteúdo ou um formador de opinião e precisa encarar comentários de todos os tipos, todo santo dia, e ainda ficar na expectativa de agradar o seu público e correr o enorme risco de sair frustrado, e geralmente com gente que deveria ser ignorada.

Eu adorei a capa do livro, principalmente por trazer as cores da bandeira do orgulho assexual. O título e os detalhes da barba tem uma textura mais áspera e são um diferencial bem bacana.

Os conflitos adolescentes e os temas abordados são bem interessantes, e mostram um pouco dos problemas familiares, a importância da amizade, a rotina e as consequências de se ter fama na internet, e até as tristezas de se enfrentar a dor da perda, e o tema mais original e bacana do livro é com relação a assexualidade da protagonista, que não deixa de ser uma representatividade que eu nunca tinha visto em obras do gênero e é super importante para levar um pouco desta realidade aos leitores, mesmo que não seja tão aprofundada quanto eu imaginei, principalmente para quebrar alguns preconceitos bobos e mostrar que o interesse sexual por outras pessoas nem sempre é algo que deve fazer parte da vida, afinal, cada um é cada um.

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