Graça e Fúria - Tracy Banghart

7 de novembro de 2018

Título: Graça e Fúria - Graça e Fúria #1
Autora: Tracy Banghart
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto/Fantasia/Distopia
Ano: 2018
Páginas: 304
Nota:★★★★★
Sinopse: Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

Resenha: Serina e Nomi Tessaro são irmãs que vivem em Viridia, governada pelo Superior através de uma monarquia, onde as mulheres não têm direitos e estão destinadas à completa submissão. As mulheres vivem para seus maridos e filhos, são proibidas de ler, de estudar, só podem trabalhar em indústrias, não podem cortar os cabelos e, principalmente, nunca podem ir contra essa realidade que foi imposta a elas. Elas não têm voz.
Serina é a irmã mais velha, tem dezessete anos, e foi treinada desde que se entende por gente para ser uma Graça, uma das várias mulheres do Superior de Viridia. Ele mantém algo bem semelhante a um harém, cheio de Graças para o servir como e quando ele quiser. Agora, pela primeira vez, o herdeiro do trono irá escolher três Graças, e o maior sonho de Serina é ser uma das escolhidas. Pra ela, ser uma Graça é uma benção, uma chance de fugir da vida miserável que tem pra viver no luxo do palácio, e uma forma de dar uma vida digna e confortável à sua família.
Por outro lado, Nomi, de quinze anos, é mais rebelde, não aceita a ideia de um mundo onde as mulheres devem se calar, e muito menos aceita a possibilidade de ver sua irmã presa a uma vida onde será submissa, subjugada, e escrava de um homem pra sempre.

Assim, quando Serina foi escolhida como representante de sua cidade para ir até o castelo na capital a fim de participar do baile do herdeiro, ela leva Nomi como sua aia, mas ao chegar lá, a irmã mais nova, sem querer, acaba enfrentando Malachi, o dito herdeiro. Com isso, Nomi foi notada, e o herdeiro a escolhe como uma de suas Graças em vez de Serina. A escolha dele foi totalmente inesperada. Nomi, que odiava a ideia da irmã se tornar uma Graça, ficou louca da vida ao se tornar uma, e Serina, além de preocupada com a irmã, se sentiu magoada por ter sido rejeitada depois de se dedicar a vida toda para ser uma das Graças do Superior. E como se não bastasse que tudo tivesse saído fora de controle, as irmãs ainda são pegas com um livro, e por desrespeitarem as regras, afinal, as mulheres são proibidas de ler, seriam castigadas. Serina, que nem sabia ler, numa tentativa de proteger Nomi, assume a culpa, e então é enviada para uma prisão numa ilha controlada por homens. A partir daí, as duas protagonistas, agora separadas pela distância, tentam lidar com os problemas para se adaptarem a uma vida que elas nunca desejaram para si mesmas.

O livro é narrado em terceira pessoa com alternância entre os pontos de vista de Serina e Nomi. A sensação é a de estar lendo dois livros com histórias diferentes que se passam no mesmo universo. A capa do livro inclusive combina muito bem com essa ideia de duas histórias num único livro ao trazer uma irmã na frente e a outra atrás.



Embora a história tenha seus clichês e traga elementos bem parecidos com os de outros livros, a forma como a autora conduz a trama é muito interessante. No começo ficamos com aquela ideia de um sistema machista e opressor que inferioriza as mulheres, que Serina, sendo submissa, já tinha se conformado com a situação e que passaria seus dias se lamentando pela chance perdida, e que Nomi seria o estopim para uma grande revolução, mas as coisas não seguem esse rumo. Quando Serina é presa, ela começa a abrir mão de tudo aquilo que aprendeu a ser e acreditar, e passa por uma enorme transformação envolvendo coragem, empoderamento e feminismo, e seu desenvolvimento e amadurecimento é um dos melhores que pude acompanhar. Literalmente ela passa de Graça para fúria. Ao contrário de Nomi, que começa a aprender a se tornar uma Graça, e embora rebelde, é impulsiva e nunca, nunca mesmo, pensa nas consequências de seus atos ou como as pessoas poderão ser afetadas com isso. Lá no fundo ela até pode acreditar que as besteiras que faz são certas, mas, num determinado ponto, as coisas passam tanto do limite que a vontade é de entrar na história pra dar um basta naquilo.

Como nem tudo pode ser um mar de rosas, eu tive, sim, um problema com as protagonistas. Mesmo que elas tenham sido apresentadas como sendo opostos uma da outra, e a narrativa seja alternada entre elas, senti que suas "vozes" e suas atitudes eram muito, muito parecidas. A pegada feminista da história é clara, e acho muito importante que o tema seja abordado, principalmente nos dias de hoje, para mostrar que as mulheres podem lutar contra os absurdos e os abusos do machismo e do patriarcado, mas sempre que elas precisam fazer alguma escolha ou tomar uma decisão importante, tomam as piores possíveis, prejudicando elas mesmas e quem está ao redor delas, sem de importar com as consequências, desde que a ideia de estarem se "rebelando" se fortalecesse, principalmente do que diz respeito a Nomi.
O romance que surge não me convenceu e não poderia ser mais óbvio que não é algo que vai prestar. Acho que romance deve ser algo meio que obrigatório nessas histórias, mesmo que não faça muito sentido estar alí.

Mas, tirando esse fato, achei muito importante a forma como a autora abordou as questões que envolvem esse universo, e a ideia de como os homens detém o poder e subjugam as mulheres por MEDO do que elas são capazes de fazer e que podem ter a mesma força que qualquer um deles. E mesmo que eles tentem oprimir todas elas, fica bem claro que as mulheres ainda têm poder, têm força, basta que se unam pra isso. O foco da autora é a luta pela liberdade e a resistência contra esse sistema terrível.

Acho que já deu pra perceber que o tema é interessante, não deixa de ser atual, e a leitura é bem gostosa e flui num piscar de olhos. Muitos temas são até bem pesados, e a forma como a autora escreveu tudo com bastante sutileza acabou amenizando a situação, o que foi um ponto positivo levando em consideração que se trata de um jovem adulto. Em muitos momentos fiquei revoltada com algumas cenas, e o ritmo cheio de reviravoltas, ação e muita intriga é responsável por manter o leitor preso à leitura como se não houvesse amanhã.

Acho que, mesmo com algumas pequenas inconsistências, a leitura de Graça e Fúria deveria ser obrigatória para servir de porta de entrada para esse tema. As mulheres são fortes e precisam, sim, lutar por espaço.

A Missão Traiçoeira - Erin Beaty

6 de novembro de 2018

Título: A Missão Traiçoeira - Traitor's #2
Autora: Erin Beaty
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto/Fantasia
Ano: 2018
Páginas: 456
Nota:★★★★☆
Sinopse: Sage Fowler abandona seu posto como aprendiz de casamenteira e se envolve em uma nova missão secreta ao lado do capitão Alex Quinn no segundo volume da série O Beijo Traiçoeiro.
Depois de se provar uma espiã habilidosa e uma casamenteira estrategista, Sage Fowler passou a ocupar uma posição confortável na alta sociedade, dando aulas para as princesas do reino de Demora. Quando surge a oportunidade de participar de uma nova missão secreta, porém, Sage quer aproveitar a chance para servir ao seu reino mais uma vez — e ficar mais próxima de seu noivo, o capitão Alexander Quinn. Alex não fica nada feliz com a ideia, já que está determinado a proteger a namorada de qualquer perigo.
A insistência de Sage em fazer parte da missão faz com que eles se desentendam cada vez mais e, quando um conflito com um reino vizinho resulta em uma tragédia, os dois acabam separados. Para completar a missão de Alex — e a sua própria —, Sage precisará contar com a ajuda de aliados inesperados para sobreviver em um território inimigo e salvar o reino de Demora mais uma vez.

Resenha: Em O Beijo Traiçoeiro, podemos acompanhar Sage, uma jovem que depois de ter ficado órfã foi morar com os tios, e logo depois enviada para uma casamenteira, pois já estava na idade de se casar. Só que Sage sempre foi uma garota livre, seu temperamento é muito difícil, e a casamenteira já percebeu que ela não serviria para ser a esposa submissa ideal. Assim, Sage se tornou sua aprendiz e partiu numa missão para acompanhar as demais noivas rumo a um grande evento onde as famílias firmavam uniões. Mas, no caminho, a escolta militar que acompanhava a comitiva começa a perceber algo de estranho, e a jovem se envolve num jogo de espionagem e fica bem próxima de um dos oficiais, Quinn...

Assim, Sage agora tem um emprego, mora no castelo e trabalha como tutora das princesas e do príncipe, e sua vida está repleta de conforto. Até a rainha começar a perceber que algo estava acontecendo no castelo. Tratava-se de uma missão secreta onde um grupo de elite do exército iria partir levando o príncipe como escudeiro, e a rainha ordena que Sage vá junto com a desculpa de que o garoto, de apenas quatorze anos, não deveria interromper seus estudos. Dessa forma, Sage seria a espiã da rainha e a manteria informada do que realmente se tratava a tal missão.
Mas um ataque acaba separando Sage do grupo e agora a garota precisa mostrar que tudo que veio aprendendo, principalmente sobre lutas, não foi em vão.

A Missão Traiçoeira é um livro cuja narrativa é bastante fácil de se acompanhar. Os personagens têm muitos diálogos, as situações e os cenários são descritos de uma forma bem direta e mesmo que a autora faça poucas descrições, crie situações questionáveis, ou não se aprofunde muito em alguns detalhes, a leitura desperta a curiosidade do leitor para o que virá a seguir.

Sage é uma personagem um tanto complicada, pois ao mesmo tempo que ela preza pela liberdade e mostra que é uma garota forte, determinada e cheia de personalidade, sua teimosia beira o ridículo. Então mesmo que eu tenha gostado muito de ver uma personagem feminina dando a cara a tapa para enfrentar os problemas em meio a um bando de marmanjos, eu não posso negar que em alguns momentos revirei os olhos em suas discussões com Quinn sobre ela querer fazer alguma coisa enquanto ele tentava impedi-la, e em vão, ou ainda quando ela possuía informações que podiam ajudá-lo, mas ela só lhe passava alguma coisa quando era conveniente, sem um motivo realmente justo. Eu tenho a mesma idade que ela mas não consigo me colocar em seu lugar. Em alguns momentos ela é muito infantil.
Como a narrativa se alterna entre o ponto de vista dela e de Quinn, acabou que eu me senti mais próxima dele por ter uma afinidade maior com a forma como ele encara as coisas. Então sempre que Sage aparecia com alguma ideia mirabolante ou com uma determinada posição, eu já ficava cheia de antipatia.

Claro que não posso negar que ela, como protagonista, tem o papel principal da história, sempre vai roubar as melhores cenas e ser a heroína de tudo e de todos, e isso ficou mais evidente da metade do livro pro final, onde, de acordo com algumas situações e descobertas, Sage começou a mostrar o quanto é inteligente e brilhante. Mas achei que tudo foi fácil de ser resolvido e conveniente demais, o que me pareceu um pouco forçado.

Eu gostei da história em si e de suas reviravoltas, mas achei que ele prometeu mais do que cumpriu. Apesar da autora tratar alguns momentos que deveriam ser mais dramáticos e tocantes com muita superficialidade, a construção de mundo de uma forma geral é muito legal, mas os personagens não são muito cativantes a ponto de eu realmente torcer por eles. O romance está lá, resistindo e se fortalecendo em meio a perigos e dificuldades, brigas e discussões malucas, mas achei que faltou um pouquinho mais pra realmente me conquistar. No primeiro livro eu fiquei mais convencida do que neste. Resta aguardar o terceiro para saber que fim tudo isso irá levar.


Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Hank Green

5 de novembro de 2018

Título: Uma Coisa Absolutamente Fantástica
Autor: Hank Green
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto/Sci-fi
Ano: 2018
Páginas: 344
Nota:★★★★★
Sinopse: Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial.
Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós.
Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização.

Resenha: April é uma jovem de vinte e poucos anos que mora em Nova York. Ela divide o apartamento com Maya, cujo relacionamento amoroso ela não assume de jeito nenhum, trabalha numa start-up que prefere manter anônima depois de ter assinado um contrato absurdo, se endividou fazendo faculdade de design, e assim vai levando sua vida.

Um dia, ao sair do trabalho de madrugada pra ir pra casa, ela se depara com uma estátua de três metros de altura que parece ter surgido do nada, bem no meio da rua. A escultura gigante, que é bem parecida com um Transformer, a deixou impressionada. Pra ela, que sempre gostou de belas-artes, se tratava de alguma obra de arte digna de admiração e amor, e, mesmo que fosse três horas da manhã, ela não hesitou em ligar para Andy, seu amigo da época da faculdade, para levar sua parafernália de audio visual ao local e gravarem uma "entrevista" para postarem no Youtube. Esta poderia ser a tão almejada oportunidade de Andy aparecer na internet, mas por ser mais carismática, April é quem conduz a entrevista enquanto ele fica responsável pela gravação e edição do vídeo.

No dia seguinte, April, que havia chamado o robô de Carl, descobre que várias outras esculturas apareceram em diversos lugares do mundo, e descobre também que, por ter feito o primeiro registro de um contato direto com o robô misterioso, o vídeo viralizou de tal forma que ela ficou famosa, e agora está sob holofotes da mídia e no mundo inteiro, ganhando dinheiro fácil, reunindo fãs - e, claro, haters também.

Assim, além de precisar lidar com a fama repentina e as consequências disso em sua vida e na vida das pessoas ao seu redor, April também se vê envolvida no mistério das aparições desses "Carls". E quando toda a humanidade começou a ter o mesmo sonho em que tudo parece ter a ver com essas figuras, April irá buscar respostas para o que elas são, e o que querem.

A história é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista de April, e logo no início ela já deixa uma observação um tanto petulante, deixando claro para o leitor o quanto ela não é lá muito confiável e muito menos humilde.
Embora a premissa soe familiar, a história é conduzida de forma bastante satisfatória, principalmente quando começam a surgir questões que remetem a atualidade. Dessa forma, Carl, e todos os outros Carls, acaba sendo um elemento que aparece para desencadear os demais acontecimentos, fazendo com que alguns comportamentos e atitudes venham à tona, e mostrando as pessoas da forma como elas são de verdade e do que são capazes. O que ficou evidente pra mim foi a questão da reação das pessoas ao desconhecido, o quanto o medo desencadeado por aquilo que não se conhece pode afetar suas vidas, e como tais elementos combinados podem ser o estopim para unir a humanidade de uma forma bastante peculiar...

O autor também trabalha no polêmico tema envolvendo a fama de youtubers, o desespero de alguns para se tornarem famosos, terem milhões de visualizações, e, assim, ganharem dinheiro "fácil" somente para aparecer nessa plataforma, independente do que o vídeo trate, e como isso se torna um vício. A fama acaba subindo pra cabeça, a necessidade de atenção aumenta, a sensação de estar acima dos meros mortais também, e a presença de haters é um verdadeiro tormento, pois nem todos entendem que é impossível agradar todo mundo e que as pessoas podem - e devem - discordar das outras. Um ponto bem interessante sobre isso é que as pessoas começaram a ficar divididas entre April e um outro youtuber, Peter, que pensa diferente dela. Isso desencadeia uma enorme polarização entre o povo. Peter é intolerante, ele ataca com discursos de ódio, espalha mentiras, faz as pessoas sentirem medo criando pânico, acusa April de traidora, e, ainda assim, muitos o idolatram e estão ao seu lado lutando a seu favor em prol da destruição dos Carls que April tanto defende... Do lado de April temos os Sonhadores, pessoas que acreditam que os Carls estão alí para unir a humanidade e fazer o bem, e do lado de Peter, os Defensores, que acham que os Carls são verdadeiras ameaças que devem ser combatidas. Não é um mero acaso que isso tenha uma ligação nada sutil com a a Esquerda e a Direita na política, e como as pessoas escolhem seu lado com base no que se identificam, no acreditam e o que querem para o futuro.

Ainda dentro desse tema, o autor trabalha a inclusão das minorias, orientação sexual, raça, credo e afins, e como muitos são perseguidos, sofrendo com intolerância e preconceito com base no que são levados a acreditar. As pessoas são iguais, merecem respeito e devem ter os mesmos direitos e deveres que qualquer um, mas sempre existem aqueles que acreditam que são melhores e que suas causas estão acima de tudo e de todos, e quando são estimulados por determinados discursos, acabam se sentindo invencíveis e intocáveis, como se pudessem sair por aí fazendo o que querem, como querem...

April é uma protagonista bem difícil, e desde o início o revirar de olhos é inevitável. Acompanhamos seu processo de se tornar famosa, de precisar ter mais seguidores, da necessidade de ter mais visualizações e mais fãs clamando por ela, de lidar com opiniões contrárias e rejeição, e mesmo que ela fique obcecada em desvendar o mistério de Carl, ela acaba mostrando o quanto ela se torna irresponsável, egoísta, o quanto se distancia dos amigos e o quanto coloca o que pode ganhar em cima dos outros em primeiro lugar. E há um caminho razoavelmente longo até que ela caia em si.
Ela se acha "única", e seu "autoendeusamento" e carência extrema acerca da fama repentina que consegue é de matar qualquer um de preguiça, e pelo fato da narrativa partir do ponto de vista dela, não temos outra escolha a não ser engolir sua chatice e ver o mundo da forma como ela vê.

Enfim, o livro superou minhas expectativas e teve questões mais profundas e relevantes do que pensei. Não nego que existem, sim, algumas pequenas inconsistências e situações meio WTF na trama, mas a ideia de trazer reflexões acerca de um tema tão importante e atual, de forma leve e muito inteligente, é algo absolutamente fantástico.

Novidades de Novembro - Arqueiro

4 de novembro de 2018

Justiça a Qualquer Preço - John Grisham

Mark, Todd e Zola ingressaram na faculdade de Direito porque queriam mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Fizeram empréstimos altíssimos para pagar uma instituição de ponta e agora, cursando o último semestre, descobrem que os formandos raramente passam no exame da Ordem dos Advogados e, muito menos, conseguem bons empregos.
Quando ficam sabendo que a universidade pertence a um obscuro operador de investimentos de alto risco que, por acaso, também é dono de um banco especializado em empréstimos estudantis, os três se dão conta de que caíram no grande golpe das faculdades de Direito.
Então eles começam a bolar uma forma de se livrar da dívida esmagadora, desmascarar o banco e o esquema fraudulento e ainda ganhar alguns trocados no caminho. Mas, para isso, precisam abandonar a faculdade, fingir que são habilitados a exercer a profissão e entrar em uma batalha contra um bilionário e o FBI.
Arranje uma poltrona bem confortável, porque você não vai conseguir largar Justiça a qualquer preço.

Ilha de Vidro - Os Guardiões #3 - Nora Roberts

Nerezza, a deusa da escuridão, ainda não desistiu de obter as Estrelas da Sorte e destruir todos os mundos. As Estrelas de Fogo e de Água já foram recuperadas pelos seis guardiões, mas resta a Estrela de Gelo, e a batalha atingirá seu clímax.
Doyle McCleary, o espadachim imortal, prometeu nunca mais voltar para casa. No entanto, quando a procura pela última estrela o leva ao condado de Clare, na Irlanda, ele deve encarar o passado. Três séculos atrás, uma tragédia o obrigou a fechar o coração para o amor, sobrando em seu peito apenas morte e solidão. Sua natureza selvagem só não é mais intensa que a de Riley... e da loba que há dentro dela.
Arqueóloga e licantropa, a Dra. Riley Gwin não se rebaixa a ninguém. Fechada em sua biblioteca, em busca da misteriosa Ilha de Vidro, ela tenta negar a forte atração que sente por Doyle. Afinal, a última coisa de que precisa é uma distração.
À medida que o último desafio dos guardiões se aproxima, a loba e o imortal têm que unir forças pela vida de seus amigos. Com Nerezza recuperada e furiosa, os dois vão descobrir que a melhor arma para dar fim à escuridão talvez seja o amor.

A Irmã da Lua - As Sete Irmãs #5 - Lucinda Riley

Em A irmã da lua, quinto volume da série As Sete Irmãs, duas jovens separadas por um século têm suas vidas entrelaçadas numa emocionante história sobre fé, tradição, paixão e sobrevivência.
Entre as filhas adotivas de Pa Salt, Tiggy D’Aplièse é conhecida como a instintiva e sensível. Envolvida em sua carreira na proteção de animais selvagens, ela não sabe se está preparada para seguir as pistas de suas origens, deixadas pelo pai.
Ao aceitar um novo emprego nas belíssimas Terras Altas escocesas, Tiggy fica apaixonada pela remota propriedade, administrada pelo enigmático Charlie Kinnaird. O belo cirurgião cardíaco acabou de herdá-la e enfrenta problemas para reerguê-la e transformá-la em um santuário para as espécies nativas.
Em seu novo lar, Tiggy encontra o velho cigano Chilly, que altera totalmente seu destino. Ele conta que ela não só possui um sexto sentido, proveniente dos ancestrais, como há tempos foi previsto que ele a levaria até suas origens na Espanha, nas montanhas sagradas de Sacromonte, à sombra da magnífica Alhambra.

Os Tambores do Outono - Outlander #4 - Diana Gabaldon

Após tomar a difícil decisão de deixar a filha no século XX e viajar no tempo novamente para reencontrar seu grande amor, Claire Randall tem mais um desafio: criar raízes na América colonial do século XVIII ao lado de Jamie Fraser. Eles partem rumo à Carolina do Norte para achar um novo lar e contam com a ajuda de Jocasta Cameron, tia de Jamie e dona de uma propriedade na região.
Enquanto isso, em 1969, Brianna Randall se une a Roger Wakefield, professor de história e descendente do clã dos MacKenzie, para descobrir as respostas sobre as próprias origens e sobre Jamie, o pai biológico que nunca conheceu.
Em meio às buscas, ambos encontram indícios de um incêndio fatal envolvendo os pais de Brianna. Mas Roger não pode lhe contar isso, porque sabe que a namorada tentaria voltar no tempo para salvá-los. Por outro lado, Brianna também não compartilha sua descoberta, pois tem certeza de que Roger tentaria impedi-la.
Nesse livro emocionante, repleto de ação, intrigas e detalhes históricos, as barreiras do espaço e do tempo são postas à prova pelo amor de um casal e pela coragem de sua filha em mudar o destino.

Um Acordo Pecaminoso - Os Ravenels #3 - Lisa Kleypas

Lady Pandora Ravenel é muito diferente das debutantes de sua idade. Enquanto a maioria delas não perde uma festa da temporada londrina e sonha encontrar um marido, Pandora prefere ficar em casa idealizando jogos de tabuleiro e planejando se tornar uma mulher independente.
Mas certa noite, num baile deslumbrante, ela é flagrada numa situação muito comprometedora com um malicioso e lindo estranho.
Gabriel, o lorde St. Vincent, passou anos conseguindo evitar o casamento, até ser conquistado por uma garota rebelde que não quer nada com ele. Só que ele acha Pandora irresistível e fará o que for preciso para possuí-la.
Para alcançar seus objetivos, os dois fazem um acordo curioso, e entram em uma batalha de vontades divertida e sensual, como só Lisa Kleypas é capaz de criar.


Os Portais da Casa dos Mortos - Steven Erikson

3 de novembro de 2018

Título: Os Portais da Casa dos Mortos - O Livro Malazano dos Caídos #2
Autor: Steven Erikson
Editora: Arqueiro
Gênero: Alta Fantasia
Ano: 2018
Páginas: 816
Nota:★★★★★
Sinopse: Já se passaram dez anos desde que Laseen tomou o trono com um ardil traiçoeiro, mas, à medida que o Ano de Dryjhna se aproxima, o Império Malazano se vê à beira da anarquia, enfraquecido pelos acontecimentos na cidade de Darujhistan. Muitas das regiões controladas pelo punho de ferro da imperatriz ameaçam acender a fagulha da revolução.
No meio do vasto domínio das Sete Cidades fica o Deserto Sagrado Raraku, onde estão os resquícios de incontáveis civilizações extintas há muito tempo. Nesse lugar repleto de segredos e magia, a Vidente Sha’ik e os seguidores do Apocalipse preparam um levante contra o poderoso império, conforme previsto nas antigas profecias.
Enquanto as forças convergem contra Laseen, ela reúne um exército de assassinos, feiticeiros e espiões para combater a rebelião e ampliar seu império cruel. Em meio a uma fúria e um poder jamais vistos, o mundo está prestes a mergulhar em uma guerra sangrenta, capaz de mudar os destinos de homens e civilizações, criando lendas que atravessarão os séculos.

Resenha: A história da série "O Livro Malazano dos Caídos" gira em torno da rebelião nas Sete Cidades. Enquanto o primeiro livro foi ambientado em Genabackis, este se passa dez anos depois dos acontecimentos anteriores, em Raraku, um outro continente. A maior parte do grupo de personagens permeneceu em Genabackis após os eventos finais do livro anterior, assim, Fiddler e Kalam seguiram para as Sete Cidades, onde uma rebelião estava prestes a eclodir devido a uma profecia que previa o Apocalipse. Quando a profetisa do Deserto Sagrado de Raraku receber o Livro de Dryjhna, ela receberá o espírito da deusa e a rebelião que visa libertar as Sete Cidades contra os Malazanos irá se erguer.
Dessa forma, com o Império prestes a se rebelar, as forças de Malazan são lideradas por Coltaine, um líder militar lendário e experiente que já havia liderado uma rebelião em outra ocasião.

Embora se trate de uma série, este volume é bem independente do anterior, já que traz novos personagens, se passa num lugar diferente e tem um plot diferente. Ainda assim, não acho que a leitura deva ser feita fora de ordem, pois é com o primeiro volume que somos apresentados a este universo fantástico para que, no segundo, já possamos estar habituados e tudo possa fluir melhor. Mesmo que seja mais complexo, a história acaba sendo mais fácil de seguir, principalmente devido a construção dos personagens cujo desenvolvimento de caráter, sentimentos e personalidades foram excelentes.

Narrado em terceira pessoa, a história aborda todos os aspectos de uma guerra, com batalhas sangrentas e jornadas de buscas pessoais que movimentam a trama e fazem com que o leitor mergulhe nesse universo surpreendente. A construção de mundo é fascinante, a forma como os plots se entrelaçam para que tudo faça sentido é incrível, e os elementos que compõe o enredo no que diz respeito a cultura e a atmosfera só enriquecem a trama.

As Sete Cidades retratam uma civilização desolada e em desespero devido às ruínas. E em meio a esse cenário de devastação, temos cinco histórias acontecendo paralelamente ao que se passa no Deserto Sagrado de Raraku.

Ainda topamos com alguns personagens vistos no primeiro livro, mas o foco recai sobre os novos. Não vou me aprofundar em cada personagem, mas posso afirmar que além de serem muito humanos, há momentos envolvendo amizade, coragem, determinação, honra, respeito e lealdade que acabam tornando a história ainda mais profunda e cheia de significados, principalmente quando contrastam com o desespero, a tristeza causadas por traições e falta de esperança desencadeadas pela profecia, e as ações de todos eles são memoráveis e dignas de admiração. São suas atitudes e escolhas que definem o desfecho.

As cenas de batalha são impressionantes, principalmente pelas táticas militares e magia. A escrita do autor remete a algo cinematográfico, então é possível visualizar as belezas e os horrores de cada detalhe. O cenário é vívido e parece ser um personagem a parte. Sangue, carnificina, caos, magia e uma avalanche de cenas de ação estão ali para ajudar no desenvolvimento da trama e causar diversos tipos de reações no leitor.

Faz vários meses que recebi esse livro, e depois de fazer a leitura dele em parcelas a perder de vista, eis que posso comemorar essa vitória de ter finalizado mais de 800 páginas de uma trama complexa, intrincada, sombria e genial o bastante para se tornar uma das melhores séries de alta fantasia já publicadas até então, e que é indispensável para quem é fã do gênero. Em suma, Os Portais da Casa dos Mortos oferece um enredo fantástico e envolvente, onde os leitores irão embarcar numa jornada épica e inesquecível.

Wishlist #57 - Funko Pop - Tom & Jerry

2 de novembro de 2018

Tom e Jerry, os de meados dos anos 40 até final dos anos 60, é um dos meus desenhos de Hanna Barbera favoritos da vida. Antigamente era comum a gente assistir essas animações, livres de preconceito e taxação, cheias de violência, insinuações diversas, humor negro, e outras barbaridades, que hoje não existem mais nos desenhos infantis. E mesmo sendo tão infame, o desenho é engraçado, divertido e, quase 70 anos depois, ainda consegue ser melhor que muito desenho da atualidade. Se eu quero os popinhos? Nããããão... imagina...

Pra quem tem dúvidas, segue a linha do tempo, através dos traços do Tom, dos episódios da animação: