Na Telinha - Tully

7 de janeiro de 2019

Título: Tully (Tully)
Distribuidora: Diamond Films
Elenco: Charlize Theron, Mackenzie Davis, Ron Livingston
Gênero: Drama
Ano: 2018
Duração: 1h 36min
Classificação: +14
Nota:★★
Sinopse: Marlo (Charlize Theron), mãe de três filhos, sendo um deles um recém-nascido, vive uma vida muito atarefada, e, certo dia, ganha de presente de seu irmão: uma babá para cuidar das crianças durante a noite. Antes um pouco hesitante, Marlo acaba se surpreendendo com Tully (Mackenzie Davis).

Marlo é uma mulher de quarenta anos, mãe de dois filhos e a espera do terceiro, não planejado. Esgotada pelo peso da maternidade e das tarefas domésticas, a exaustão está estampada em seu rosto como uma tatuagem. Marlo tem que lidar com os problemas escolares e o comportamento diferente do filho, lidar com os julgamentos alheios sobre suas escolhas, e ainda precisa contornar todas as situações de casa com muita paciência e jogo de cintura enquanto seu marido trabalha.
Depois do nascimento da bebê, a rotina difícil só piora e as noites passadas sem dormir deixam Marlo a beira do colapso. Ela não tem qualquer perspectiva de vida que não seja esta e se sente numa prisão. Até que seu irmão dá a ideia de presenteá-la com uma babá noturna, assim ela poderia ter um tempinho para si e dormir, enquanto a babá tomava conta de Mia durante a noite.


Inicialmente Marlo não gosta muito da ideia pois não poderia confiar a filha de poucos dias aos cuidados de uma estranha, mas, seu desespero chega num nível tão crítico, que ela acaba cedendo.
Quando Tully, a babá, chega, Marlo fica frente a frente com uma jovem feliz, divertida, sorridente, descolada e cheia de vida, que cuida da bebê - e da mãe também -, lhe tirando muito do peso que ela carregava nas costas sozinha. A partir daí, sua vida começa a mudar, pois Marlo acaba percebendo que elas tem muitas coisas em comum, mas também muitas diferenças, e vai redescobrindo um lado que ela tinha mas que havia esquecido, enquanto pensa em todas as escolhas que fez na vida para ter chegado onde chegou.


Não dá pra falar muito sobre o enredo e sobre a relação sincera que Marlo e Tully desenvolvem sem dar spoilers, mas posso dizer que Tully é aquele tipo de filme que mostra um lado tão real e cru da maternidade, com alguns toques de bom humor e ironia pra não deixá-lo tão pesado, que é impossível não se identificar, sentir empatia pela protagonista ou, como foi meu caso, chorar litros por ter me identificado com a situação dela. Logo nos primeiros minutos do filme eu já me enxerguei na pele de Marlo e soltei um "socorro, essa mulher sou eu!": exausta, deprimida, estressada, com uma olheira que bate no pescoço, desleixada, impaciente, acima do peso e sem vontade nenhuma de viver. Ela só está ali por que não tem outra escolha já que os filhos não só dependem dela, como a consomem totalmente, mas ninguém enxerga ou valoriza nada do que ela faz e do que abriu mão para ser mãe (a ponto de ter se transformado em outra pessoa), e nem se preocupa em estender a mão pra ajudar. Ela nem sabe o que é ter ajuda, já se acostumou a ficar com a carga pesada nas costas, por isso fica relutante com a ideia do irmão de aceitar a babá. Logo após o nascimento da terceira filha, ela já está num nível tão crítico de cansaço que ela não consegue sequer sentir felicidade pela chegada do novo bebê.
- Bom, você me parece uma ótima mãe.
- Ótimas mães organizam festas e noites de cassino. Fazem cupcakes que parecem Minions. Coisas que eu estou cansada demais para fazer. Sinceramente, até me vestir parece cansativo. Eu abro o armário e penso "Eu não acabei de fazer isso?"
O marido, Drew, no fundo, não é uma má pessoa, ele até acredita que está ajudando sendo "pai", mas em casa ele é desatento, sua única preocupação é jogar vídeo game e dormir tranquilo, não liga pra vida sexual inexistente que tem com a mulher, acha que ela não está fazendo nada além do que cumprir com seu papel de mãe e dona de casa, e ainda acha que ela,"aparentemente", está ótima. Ele olha pra ela todos os dias, mas não a vê realmente. Drew claramente representa a grande maioria dos maridos e pais por esse mundo: insensíveis, despreocupados, folgados e sem o menor senso.


Uma curiosidade que descobri sobre o filme é que a atriz Charlize Theron engordou 23kg para interpretar a personagem, e posso dizer que foi um dos melhores papeis que ela já fez, tanto que está concorrendo ao Oscar. Ela mostra com fidelidade o quanto é desgastante lidar com tantas cobranças e com a rotina de ser mãe quando não se tem ajuda, assim como deixa evidente a sensação de estar sozinha mesmo cercada de gente.
Os diálogos são sensíveis e afiados, muitos dele sugerem bem o que o desfecho da história reserva, e muito do que é dito pode ser levado pra vida.
- ...Garotas não se recuperam.
- Se recuperam, sim.
- Não, não nos recuperamos. Podemos parecer que estamos melhores, mas se olhar de perto, estamos cobertas de corretivo.
- Porra.
Se você é mãe, assista. Se você é pai, assista. Se você acha que a vida de uma mãe é fácil, assista. O realismo acerca da pressão e os sacrifícios, tanto físicos quanto mentais, sofridos pela mãe é tanto, que é impossível não sentir empatia, não se comover, e não ficar com os olhos cheios de lágrimas.


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