Novamente Você - Juliana Parrini

22 de dezembro de 2016

Título: Novamente Você
Autora: Juliana Parrini
Editora: Suma de Letras
Gênero: Romance/Literatura Nacional
Ano: 2016
Páginas: 362
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Miah Madsen precisa voltar para o lugar que fez questão de esquecer por doze anos e encarar sua família, seus amigos e, inclusive, seu ex-marido. Tudo o que ela não queria era ser novamente a Maria Rita. Mas, ao colocar os pés naquela ilha, ela percebe que aquele lugar seria o seu maior pesadelo. Porém, essa era a sua única opção.
Leonardo Júnior ou Léo, como é chamado por todos, era um caiçara típico que foi abandonado pela esposa de um dia para o outro. Porém, em vez de se entregar ao sofrimento, ele descontou sua mágoa e sua decepção no trabalho árduo, sendo recompensado com o sucesso. Léo se tornou um empresário bem-sucedido, dono da melhor pousada de Ilha Grande, o lugar onde nasceu. O que ele não imaginava é que Maria Rita, sua ex-esposa, voltaria e faria seus alicerces balançarem novamente.
Será que podemos nos apaixonar novamente pela mesma pessoa após tantos anos? Afinal, uma mágoa pode mesmo durar para sempre?

Resenha: Maria Rita agora é Miah, uma moça do interior do Rio de Janeiro que aos 20 anos, e de forma inesperada, abandonou o marido, as irmãs e seus pais para morar em outro país e fugir da vida simples que o destino lhe reservava. Doze anos depois e da mesma maneira repentina que ela os deixou, ela retornou à Ilha Grande, contudo ali nada permanecera igual como ela imaginou, Leonardo Júnior utilizou a dor da separação para superar Maria Rita através de seu trabalho. Agora, ele não é apenas um simples pescador, mas dono da maior frota pesqueira da região, como proprietário da pousada local.
Por que ela voltou agora, doze anos depois, sem avisar? Como e por que esse abandono despedaçou sua família e seu relacionamento com as irmãs? Essas são algumas das perguntas que o leitor se faz e vê respondidas ao logo da leitura.

Através de uma narrativa simples, leve e despretensiosa, a autora constrói mais uma doce história de amor. Com um começo meio arrastado e uma personagem estremamente irritante, Novamente Você desenvolveu uma trama que discorre de maneira crescente, e capítulo a capítulo o leitor vai se ambientando e se simpatizando mais com os personagens. Minha paixão pelo enredo e pela narrativa não foi instantânea como aconteceu com o livro de estréia da autora, contudo, confesso que um capítulo me levou a outro e esse a mais um e assim por diante até a última página, a qual virei já com saudades.

Se a intenção era transformar Miah no ser humano mais arrogante e no protagonista mais antagonista possível, a missão está completa. Foi difícil para mim me envolver com as dores da personagem, de forma que demorei a acreditar no casal e torcer por eles. Leonardo é tão bom moço, bom tio e bom amigo que me peguei várias vezes desacreditando um pouco já que o rapaz ficou desiludido por ter sido abandonado e quando ela voltou ele já estava balançado outra vez como se nada tivesse ocorrido.

É uma trama cuja história da protagonista vai sendo revelada aos poucos, contando com pontos altos e baixos, recheados de sentimentalismo, abordando os relacionamentos familiares e amorosos e algumas descobertas são de partir o coração, mas em contrapartida também nos deparamos com cenas bem humoradas e torcemos para que todos se entendam no final de tudo.

Pra quem procura por uma história que cativa com o passar das páginas e que encanta não só pelo romance, mas também pelo belo cenário, recomendo!

Você Se Lembra de Mim? - Megan Maxwell

21 de dezembro de 2016

Título: Você Se Lembra de Mim?
Autora: Megan Maxwell
Editora: Essência/Planeta
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 496
Nota:★★★★★
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Alana é uma mulher independente que não acredita no amor e tem na profissão sua única razão de viver. Jornalista freelancer, é enviada a Nova York para escrever uma reportagem sobre a metrópole, onde conhece o atraente Joel Parker. Quando ela descobre que aquele homem bonito e sedutor que tem lhe feito companhia nos últimos dias é um militar, como seu pai uma lembrança que ainda a assombra , a jornalista desaparece sem deixar vestígios. Apesar de resoluta em sua vontade de se afastar do capitão da Marinha americana para não repetir a história de sofrimento de sua mãe, ela não conseguirá aplacar o desejo de seu coração por Parker. Quem vencerá essa disputa entre razão e emoção? O passado de sua mãe irá assombrá-la ainda mais ou irá ajudá-la a esclarecer muitas questões mal resolvidas?
Resenha: Você se Lembra de Mim?, romance escrito pela autora espanhola Megan Maxwell e publicado no Brasil pelo selo Essência da Editora Planeta de Livros.
Há trinta e cinco anos, Carmen saiu da Espanha e foi para a Alemanha para trabalhar. Lá, ela se apaixonou por Teddy, um militar americano que proporcionou a ela um romance lindo e intenso, mas ele foi convocado para a guerra do Vietnã e, desde então, Carmen nunca mais o viu, nem recebeu uma carta com notícias, nada.
Passados todos esses anos, entra em cena Alana, a filha desse casal, uma jornalista freelancer e workaholic que só encontra razão para viver na profissão que escolheu. Ela é independente e não acredita no amor depois ter crescido vendo o quanto sua mãe sofreu por ter ficado sozinha.
Porém, quando Alana viaja para Nova York a trabalho, ela conhece Joel, o homem dos sonhos de qualquer mulher, do tipo "que abaixa a tampa do vaso". E considerando a história de vida de sua mãe, Alana viu que um relacionamento com Joel jamais poderia fazer parte de seus planos. Ele é um fuzileiro naval e se envolver com um militar, assim como seu pai foi, era tudo o que ela não queria para sua vida, logo, ela só quer distância dele. Mas Joel está encantado por Alana e seu jeito de ser, e ele está determinado a ficar com ela, custe o que custar, resta a ela ceder e assumir que também está apaixonada...

O livro superou minhas expectativas, não só pelo romance em si, mas, por ter conseguido evidenciar de forma tão realista o quão difícil é para uma mulher se assumir como mãe solteira  (mesmo que ela estivesse esperando pelo noivo que partiu para lutar na guerra sem saber quando, e se, ele voltaria), numa época marcada por ser tão rigorosamente tradicional. Carmen só se importa com o fato de fazer a filha feliz, nem que pra isso tenha precisado enfrentar a sociedade e suas "regras". Ela também se orgulha por ter vivido um amor forte, intenso e bonito, do qual Alana é fruto.

O livro é dividido em duas partes e a primeira, que se passa nos anos sessenta, é destinada a contar a história de amor mais linda que foi a de Carmen. Ela é uma mulher de fibra e muito guerreira, e acredito que não poderia ser muito diferente, visto que a autora se inspirou na história de sua própria mãe para escrever a obra. Tem coisa mais fofa?
E isso sem contar com o fato de que ainda temos um vislumbre do que foi a imigração, das jovens que saíram de seus lares rumo a Alemanha, que na época era uma das maiores potências industriais do mundo, em busca de oportunidades de trabalho.

Na outra parte temos Alana, que apesar de ter algumas semelhanças com sua mãe, também é uma personagem muito boa e que rende muitas risadas, mas por ser impulsiva demais, acaba tomando decisões que, por vezes, demonstram o quanto ela ainda é imatura e precisa rever seus conceitos.
Sua história é envolvente e bastante divertida, mas não me arrancou todos os suspiros como aconteceu ao acompanhar Carmen e Teddy.

Eu gostei muito da história, da forma como Alana estava "fadada" a um destino parecido com o de sua mãe, como ela quis fugir disso inicialmente e como ela e seu "Capitão América" resolveram esse problema. E é essa "jornada" em busca do felizes para sempre, cheio de confusões e momentos super divertidos é o que se desenvolve na trama, de um jeito super legal e gostoso de se acompanhar.

A capa é bem bonitinha e combina com a história. Os capítulos são numerado com um pequeno ornamento para enfeitar, os capítulos são curtos, mas o que me incomodou foram as notas de rodapé sobre as músicas que são mencionadas, quem as interpreta, de que gravadora são e etc. Até então eu nunca havia visto esses tipos de dados em outros livros que mencionam músicas (pra mim bastava dar os créditos ao artista). Sempre acho que notas de rodapé, quando não estão alí para dar significado a alguma palavra de origem desconhecida ou que não seja alguma nota do tradutor que realmente seja relevante, são uma enorme distração em meio a leitura e detesto isso. Então, fui lendo e ignorando essas informações lindamente.
Ao final podemos espiar algumas fotos reais e que tornam o livro ainda mais especial e memorável.

No mais, Você se Lembra de Mim? é um romance super fofo, leve, que faz rir, arranca suspiros, emociona e arranca algumas lagriminhas se bobear. Super recomendo!

À Procura de Alguém - Jennifer Probst

20 de dezembro de 2016

Título: À Procura de Alguém - Searching For #1
Autora: Jennifer Probst
Editora: Paralela
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★★★☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Sorte nos negócios, azar no amor: essa é a sina de Kate. Aos 28 anos, ela está longe de ter conhecido alguém especial com quem dividir a sua vida. Sua carreira de cupido profissional, por outro lado, vai de vento em popa: todos na pequena cidade de Verily, Nova Iorque, conhecem e admiram a Kinnections, agência de relacionamentos que Kate fundou com suas duas melhores amigas. Até que, um dia, um homem tão lindo quanto furioso entra em sua sala. Slade Montgomery é um advogado de divórcios que não acredita em finais felizes e muito menos em agências de relacionamentos. Para ele, a Kinnections é uma grande farsa, criada para ludibriar pessoas frágeis e ingênuas, como sua irmã. Agora, é uma questão de honra: Kate não vai medir esforços para provar a Slade que seus talentos são legítimos e suas intenções nobres, nem que para isso precise encontrar a namorada ideal para ele. Mas um simples toque vai fazer com que essa tarefa se torne muito mais difícil do que ela poderia conceber...

Resenha:  Kate Seymor é uma mulher de vinte e oito anos que se juntou às amigas para abrirem a Kinnections, uma agência de relacionamentos onde ela poderia por seus dons de cupido em prática e unir casais para dar a eles seus finais felizes. É uma sina, um dom que está em sua família do qual Kate se orgulha muito. Mas mesmo tendo essa habilidade, ela mesma não teve sorte para encontrar a sua alma gêmea, e os encontros desastrosos que teve até então só serviram para desiludí-la, coitada. Ainda assim ela não perde o foco e sua energias agora estão concentradas em encontrar um par para Jane. O problema é que o irmão de Jane, Slade, é um cara superprotetor que jurou manter a irmã feliz e livre de decepções amorosas após um relacionamento traumático que ela teve, e quando ele descobre que sua irmã havia se inscrito na Kinnections, não tem outra reação a não ser tentar impedí-la. Ele é advogado de divórcios, está acostumado a encarar o pior dos relacionamentos de forma rotineira e nada tira de sua cabeça que finais felizes não existem. Pra ele a agência de Kate é uma farsa completa e depois de adentrar o lugar feito um louco, ele faz uma ameaça: se a incrição de Jane não for cancelada ele processaria a Kinnections.
Kate não se sente intimidada por Slade e ainda o coloca no programa para encontrar um par ideal para ele, para provar que seus métodos realmente funcionam e que ela sabe o que faz. O problema é que há uma atração entre os dois pairando no ar, mas como a união de uma pessoa que une casais com outra que os separa funcionaria?

Narrado em terceira pessoa, para que o leitor tenha uma visão mais ampla sobre os fatos, a história é bem escrita e vai direto ao ponto, porém, em alguns casos, se tornou um pouco cansativa devido a certos dramas mal desenvolvidos e até mesmo fúteis, e os capítulos enormes não colaboraram muito para tanto envolvimento. Embora tenha vários clichês, a história é boa de se acompanhar, principalmente pelos personagens que foram bem construídos e conseguiram sustentar a trama de forma satisfatória no final das contas.
Kate é uma mulher independente e decidida, uma sonhadora, romântica de carteirinha que acredita muito em seu potencial e, claro, em finais felizes. Em contrapartida, Slade é aquele machão que acredita que pra se proteger de alguma coisa o jeito mais fácil é evitá-la. Ele se agarra a ideia de que o amor é algo que não funciona, principalmente quando é a longo-prazo, e a única conclusão que tive diante desse comportamento é que, por já ter quebrado a cara e estar acostumado a relacionamentos que estão fadados ao fracasso, sua forma de defesa é essa, por mais boba que seja. É frustrante quando a felicidade está alí batendo à porta, dando oportunidade, e a criatura abissal, por ser cabeça dura, se nega a abrir.
A atração entre eles parece ter sido muito forçada, uma fixação pelo corpo um do outro quase que inexplicável mas no final não deixa a desejar embora previsível. Algumas histórias apresentadas na trama deram a impressão de terem ficado inacabadas, faltando conexões entre elas e os personagens, mas não sei se isso sugere que o livro terá uma continuação...

A edição gráfica é simples mas é muito linda (e eu adoro essas capas minimalistas com uma tipografia chamativa). Diferente das capas das outras obras da autora, esta é discreta, singela e consegue passar algum sentimento mais intenso só pela ilustração dos olhos fechados, sem necessidade de apelar pra fotos mais provocantes. A diagramação é simples, os diálogos seguem o padrão da Paralela e são apresentados com aspas em vez de travessão. Não percebi erros na revisão.

Pra quem quer curtir um romance que aborda os encontros e os desencontros amororos que as pessoas estão sujeitas a passar, além de um relacionamento improvável entre duas pessoas que, na teoria, não tem nada a ver uma com a outra, é livro mais do que indicado.

Desejo Concedido - Megan Maxwell

19 de dezembro de 2016

Título: Desejo Concedido - Guerreiras #1
Autora: Megan Maxwell
Editora: Essência/Planeta de Livros
Gênero: Romance
Ano: 2016
Páginas: 464
Nota:★★☆☆☆
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas
Sinopse: Na Inglaterra do século XIV, após a morte dos pais, a jovem lady Megan Phillips, de vinte anos, segue uma vida tranquila, focada na educação e na criação de seus dois irmãos mais novos. Para fugir de um casamento arranjado por sua tia, Megan e a irmã, Shelma, vão para o castelo de Dunstaffnage, na Escócia, onde vive seu avô Angus de Atholl, do clã McDougall. Anos depois, durante o casamento de um de seus primos, Megan – uma mulher aguerrida, pronta a empunhar uma espada pra defender sua família e que não se dobra por nada e nem por ninguém –, conhece o temido guerreiro de olhos verdes Duncan McRae – um homem acostumado a liderar exércitos, mas que nunca esteve preparado para enfrentar o gênio forte de uma mulher. O destino trama contra (ou a favor de) Megan, que, contra a sua vontade, acaba se casando com Duncan. Conseguirão os dois se entender e seguir a vida como um casal feliz? Ou viverão às turras, como se estivessem num campo de batalha?

Resenha: Desejo Concedido, o primeiro volume da trilogia Guerreiras, nome dado às fãs da autora ao redor do mundo, narra a história de Megan e Shelma, duas irmãs que vivem na Escócia do século XVIII. As duas, que são órfãs de pais e vivem com tios carrascos que apenas querem casá-las com quaisquer brutamontes para herdar suas terras, se veem obrigadas a fugirem para terras distantes com a ajuda de um amigo. Em novo território, vivendo de modo diferente, as duas irmãs embarcam em aventuras com muitos conflitos, e claro, romances com guerreiros escoceses.

A premissa do primeiro volume de Guerreiras é muito boa: ambientar um romance de época num cenário que envolve guerreiros e duas protagonistas que lutam e defendem seus ideias.  Geralmente, o gênero sempre traz vestidos pomposos, bailes e aquele clima "donzela e cavaleiro". Megan Maxwell foi na contra-mão disso e esse é um ponto interessante a se levar em consideração, o que torna a sinopse do livro atrativa. Porém, exceto isso, Desejo Concedido peca em diversos pontos, que vão apagando levemente o potencial da história.

A narrativa é feita em terceira pessoa, o que em determinadas situações contribui muito para o desenvolvimento da trama. O que acontece na maior parte, infelizmente, é um atropelamento de acontecimentos. A estruturação se dá de um modo que, em apenas duas páginas a autora narre acontecimentos paralelos demais, sobrepondo um ao outro. Se em determinado parágrafo os personagens estão numa taberna, num outro o dia já amanheceu e a situação é completamente diferente. Narração dinâmica é diferente disso. O autor pode, sim, transcorrer a história rapidamente sem transformar tudo numa confusão.

O comportamento de homens de forma dominadora é muito presente numa trama de época, tendo em vista que nos séculos passados a figura masculina é muito predominante. O leitor que embarca em romances do gênero deve estar ciente e aberto a isso, mas certas atitudes vindas de um homem podem - e devem - ter limites. Duncan, o par romântico de Megan, está sempre a tratando como uma propriedade, mas fora isso a imaturidade leva a situações chatas de ciúmes e desentendimentos que, previsivelmente, levam ao clímax de tudo. Só que o sexo não sustenta uma trama sozinho. Quando não estão atracados na cama, o casal é mais mimado do que o aceitável. Em vez de acompanhar um par romântico de uma época medieval, Duncan e Megan transparecem um imagem muito atual, com dilemas bobos que tornam o enredo incoerente.

O que há de atrativo na história de Megan e Shelma - mesmo que não sendo suficiente para cobrir tudo que é fraco na trama - é a ambientação e os fatos históricos que estão inseridos ali. A Guerra da Independência da Escócia foi um grande marco no século XIII e é uma porta interessante para se aprofundar mais no assunto. As irmãs, meio inglesas e meio escocesas, são fortes e independentes, o que funciona bem no que acontece ali. Elas lutam e usam espadas, o que é completamente inesperado para "mocinhas".

Desejo Concedido tem uma premissa muito boa para um desenvolvimento mediano. As protagonistas têm muitas qualidades e conseguem salvar um pouco a história. Porém, é nítido que guerreiros bonitões e cenas de sexo quente não são fatores que tornam um livro bom. Faltou uma narrativa melhor e uma estruturação bem colocada, que proporcionasse um desenvolvimento digno para o bom enredo que a autora tinha em mãos.