A Duquesa Feia - Eloisa James

3 de setembro de 2018

Título: A Duquesa Feia - Fairy Tales #4
Autora: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance de época/Releitura
Ano: 2018
Páginas: 272
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?
Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado.
Ainda assim, os tabloides dizem que a união não durará mais do que seis meses.
Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote.
E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação.
Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.

Resenha: A Duquesa Feia é o quarto livro da série Fairy Tales escrita por Eloisa James. A série traz releituras dos contos de fadas mais famosos da literatura e este é inspirado na história do Patinho Feio. Pelas histórias serem independentes e distintas, não é necessário ler os livros na sequência de lançamento. No Brasil ele foi lançado pela editora Arqueiro como o volume 3.

Theodora Saxby é uma jovem de dezessete anos e bem pé no chão, principalmente para a época, e está conformada por não se encaixar nos padrões de beleza femininos da sociedade. Não importa que sua mãe, que a enche de roupas com milhões de babados, e seu melhor amigo, quase um irmão com quem foi criada e que carinhosamente a chama de Daisy, James Ryburn, digam o contrário.
O duque de Ashbrook é o pai de James, o que torna o rapaz de dezenove anos o herdeiro do ducado, e, por ter sido melhor amigo do falecido pai de Theo, ficou responsável por cuidar do dote da garota até que ela se casasse.

Tudo estava indo bem até Theo se interessar por lorde Geoffrey Trevelyan e pedir a ajuda de James para chamar sua atenção, mas James acha que ela está acima de qualquer imbecil, principalmente deste biltre a quem ela manifestou interesse, e não fica nada feliz com essa ideia. E é essa situação que nos leva a uma discussão bastante tensa entre James e seu pai logo início da história, onde o problema maior é que o pai dele, que deveria cuidar dos assuntos financeiros de Theo, se endividou até o pescoço ao fazer investimentos absurdos ate perder a fortuna da família. Então, pra continuar com sua alta posição na sociedade, ele passou a gastar o dinheiro pertencente a garota, e sem ter pra onde recorrer, encurrala o filho para que ele finja estar interessado nela para que se casem e James possa colocar as mãos no que sobrou do dote, salvando a sua pele desse golpe.

Porém, mesmo acreditando que enganar a melhor amiga poderia significar seu fim, James começa a perceber que sempre esteve atraído por Theodora, e o casamento não seria uma farsa completa como ele havia imaginado, e faz um acordo com seu pai de forma que o pilantra não conseguisse mais ter controle sobre o dinheiro de Theo e sobre a propriedade ou terras da família.

Então, após um pedido de casamento que deixou toda a sociedade incrédula (toda a Londres considerava a garota horrorosa e vê-la com alguém tão bonito e charmoso como James foi um grande choque), ela acredita que a sorte estava a seu favor e que, enfim, poderá se casar e ser feliz. Até descobrir sobre seu dote e acreditar que James só se casou com ela por causa do dinheiro.
O escândalo que essa separação causou foi inevitável, e James, que foi expulso junto com seu pai da propriedade, acabou partindo.

Enquanto Theo decidiu abrir o próprio negócio, James se tornou um verdadeiro pirata. Sete anos se passaram e muita coisa mudou desde então, e ele decidiu que voltar para tentar reatar o casamento é o melhor a se fazer. Será que Theodora vai acreditar que ele sempre a amou?

Narrado em terceira pessoa, A Duquesa Feia é um livro que, até certo ponto, envolve bastante devido a forma fluída e gostosa como foi escrito, assim como a apresentação de personagens cativantes e divertidos, mas depois acaba se tornando arrastado e o desenvolvimento deixa a desejar. Já devo ter comentado sobre a escrita maravilhosa da autora nas resenhas dos outros livros dela, mas este, embora tenha seus pontos positivos, eu cheguei a estranhar um pouco pela falta do bom humor e dos pontos não serem amarrados com a devida coerência.

Neste romance, temos os personagens e o desenvolvimento de cada um deles, que se dividem no antes e no depois. A mudança de comportamento e personalidade que ambos sofreram a partir da separação, foi algo que, embora possa ter algumas justificativas, não me soaram tão agradáveis de se acompanhar, e a sensação é de que a autora teve uma ideia muito boa, mas num determinado ponto parece ter perdido a mão e deixou a história com uma resolução feita às pressas depois de um desenvolvimento raso e sem profundidade sobre perdão, redenção e amor.

No início, a autora apresenta uma jovem Theo alegre, inteligente, sarcástica e, em alguns momentos, uma mocinha impulsiva e até bem à frente de sua época. Ela é adorável, encantadora e as referências à sua falta de beleza são praticamente inexistentes a ponto de nem ser possível fazer alguma ligação real com a história do patinho feio. James também não fica atrás no quesito simpatia. Ele é um jovem bonito, e por mais atrevido que seja, ele é gentil, respeitoso e tem um coração enorme. E mesmo que as circunstâncias (não muito ideais) tenham feito com que esses dois se casassem, James realmente amava Theo, o casal era uma graça e foi bem divertido ver os dois juntos, até que eles se separam de forma traumática e deixaram que a má experiência os transformasse pra pior. Talvez a "feiura" tenha vindo daí, quem sabe.

Nesse período de sete anos, Theo se tornou uma mulher bem sucedida, mas muito fria, amarga, dependente da opinião da sociedade e focada exclusivamente nos negócios, e esse ponto deixa a impressão de que a mulher só pode ter sucesso numa área da vida (a profissional) se outra for inexistente (a amorosa). Ok, a ideia de uma mulher ter ficado amargurada depois de tamanha decepção a ponto de não acreditar mais no amor é algo aceitável, mas não quando essas feridas são curadas de forma instantânea, com "band-aid", como se nada tivesse acontecido.
James, que, depois de ter sido expulso, não pensou duas vezes em se jogar na vida de pirata e deixar tudo pra trás se tornando um cara grosseiro e intragável. Ele passou sete anos sem dar notícias, aproveitou a vida da forma que quis durante esse tempo, até que num momento de conveniência, ele decide que deve voltar e retomar o casamento com Theo como se o tempo nem tivesse passado. Mas, se ele realmente amava Daisy como dizia, por que diabos esse cara não lutou por ela antes de ter ido embora?

Depois desse balde de água fria me peguei pensando "agora a coisa vai ficar boa, porque Theo, que ficou tão insensível desse jeito, não vai aceitar esse embuste tão fácil, a menos que ele faça algo realmente grandioso pra reparar seus erros e mostrar o cara legal que ele foi lá no começo", mas não.
James não teve trabalho nenhum pra conseguir o que quis, e a reconciliação, que eu apostava ser o ponto alto e emocionante da história, foi resolvida com informalidade, em poucas páginas, com situações e diálogos desnecessários, e de forma bem inconsistente. Eu não consegui comprar essa ideia e o desfecho não me convenceu.

Enfim, talvez as leitoras que apreciem com mais afinco esses romances de época e suas características consigam encontrar explicações ou aceitar melhor a ideia desse romance, mas comigo não foi bem assim. Apesar de não ter concordado com o desenvolvimento dos personagens e a forma deles resolverem as coisas desde o reencontro até o desfecho da história, não foi uma leitura ruim, e pra quem curte romances de época é um livro que recomendo.


Resumo do mês - Agosto

1 de setembro de 2018


Acho que nunca na história da humanidade um mês passou tão rápido! Esse mês foi uma vergonha, acho que a pior da minha vida em relação ao blog, porque não consegui dar atenção quase nenhuma pra ele. Foram tantos problemas que apareceram na minha vida pra resolver praticamente sozinha, um estresse danado com tudo do dia-a-dia, incluindo meu computador que pifou e me deixou na mão por quase 10 intermináveis dias (e minha vida tá nesse computador, Jesus), que não tá nada fácil. Sete anos de arquivos importantes que quase foram perdidos, mas, por um milagre divino, consegui recuperar e passar a maioria das coisas pro HD novo. Os poucos posts que fiz foi pelo notebook do marido, que só serviu pra quebrar o galho já que o note é bem lento e eu não levo o menor jeito pra mexer naquilo, e agora que o pc voltou, preciso colocar tudo de volta no lugar, instalar todos os programas que uso, e já vi que vai ser mais uma coisa pra tomar o pouco do tempo que não tenho.

Pra quem ainda acompanha o blog, minhas mais sinceras desculpas, mas a sensação é a de uma bola de neve gigante rolando montanha abaixo que vem com tudo de uma vez só pra cima da gente D:

♥ Resenhas
A Louca dos Gatos - Sarah Andersen

Desafio Literário
- The Rory Gilmore Reading Challenge

♥ Wishlist
- Funkos de Matrix
- Funkos de Hocus Pocus

♥ Caixa de Correio de Agosto

Caixa de Correio #78 - Agosto que passou voando

31 de agosto de 2018

Mexer com qualquer coisa que envolva o governo é pedir pra ter dor de cabeça, e quando o assunto é importação, taxação e correios, a coisa é pra acabar. Mais de um mês mofando, dias e dias de espera depois de ter pagado uma taxa altíssima, eis que vários dos popinhos que importei chegaram, por isso a caixa de pops desse mês ficou bem gorducha. Os livros foram poucos, mas um melhor do que o outro, e no final das contas fiquei bem felicinha com tudo que recebi ♥
Nota pros pops do Skeeter, da Murta que Geme e do Nick Quase-Sem-Cabeça, que são edições exclusivas da SDCC, e eu não poderia estar mais apaixonada, modeuzo *o*!
Bora ver o que chegou nesse mês, que eu esperava durar uns 200 dias mas passou muito mais rápido do que pensei, socorro:

Novidades de Agosto - Paralela

22 de agosto de 2018

Os Números do Amor - Helen Hoang

Já passou da hora de Stella se casar e constituir família - pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada.
Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional.
Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor.

Amores Eternos de Um Dia - Michele Contel

Como identificar um boy lixo? O que fazer quando VOCÊ age como um boy lixo? Como lidar com o ghosting? A jornalista Michele Contel tenta responder a essas e outras perguntas em seu primeiro livro, Amores eternos de um dia.
Escrito com sensibilidade e leveza, ele ajuda a desmitificar o casamento de romance com tecnologia, combinando reflexões autobiográficas com ficção. A autora defende que sim, pode haver sentimento por trás de um match no Tinder ou no Happn. E não, isso não significa que é errado aderir aos apps só por diversão.
Um livro original, que vai fazer você repensar tudo o que sabia sobre o amor nos tempos do like. 

Novidade de Agosto - Suma de Letras

21 de agosto de 2018

Celular - Stephen King

Em Celular, King leva o medo da tecnologia e do terrorismo digital às últimas consequências. De uma hora para outra, telefones celulares se tornam os responsáveis pelo apocalipse, ao apagar do cérebro de milhões de pessoas qualquer traço de humanidade, deixando no lugar apenas violência e impulsos destrutivos.
Aqueles que não possuem um celular, como o artista gráfico Clayton Riddell e seu pequeno grupo de normies - pessoas que não sofreram o ataque -, agora lutam por sobrevivência. Enquanto batalha para chegar a um lugar seguro e reencontrar sua família, Riddell se vê cada vez mais rodeado por caos, carnificina e uma horda terrível de humanos que foram reduzidos aos instintos mais básicos... mas que parecem estar começando a evoluir.

A Louca dos Gatos - Sarah Andersen

17 de agosto de 2018

Título: A Louca dos Gatos
Autora: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Gênero: Juvenil/Tirinhas
Ano: 2018
Páginas: 112
Nota:★★★★★
Sinopse: A terceira coletânea da cartunista Sarah Andersen traz novas tiras que retratam os desafios de ser um jovem adulto num mundo cada vez mais instável.
Os quadrinhos de Sarah Andersen são para todos que precisam lidar com níveis de ansiedade cada vez mais alarmantes, que sentem que o mundo está à beira do colapso e que se esforçam para sair ao menos um centimetrozinho da zona de conforto. Ou seja, é basicamente um manual de sobrevivência para os dias de hoje.
Além de suas tirinhas sagazes e encantadoras, a autora, que já reuniu mais de 2 milhões de fãs no Facebook, traz também ensaios ilustrados com dicas para os artistas aspirantes aprenderem a lidar com críticas, ignorarem os trolls na internet e não desistirem de mostrar seu trabalho.

Resenha: Mais uma vez Sarah Andersen consegue abordar assuntos atuais e relevantes através de tirinhas cômicas e muito inteligentes. A autora fala, de forma descomplicada e bastante realista, sobre como as pessoas lidam com ansiedade, críticas (muitas vezes destrutivas), fobias sociais, surtos passageiros, feminismo, e outras dificuldades do dia-a-dia, mas tudo isso apresentado num tom satírico, mas bastante leve e divertido. É muito fácil que os leitores se identifiquem com as situações cotidianas e com os pensamentos da personagem.


Mais pro final do livro, as tirinhas dão espaço a textos mais sérios, quase beirando a autoajuda, como se a intenção da autora fosse conversar com o leitor e lhe abrir os olhos sobre ser quase impossível separar a vida real das mídias sociais na internet, sobre bullying virtual, e sobre como o medo de críticas e de rejeição afeta as pessoas que usam a rede para exporem seus trabalhos artísticos. Fica bem evidente que ela faz uma crítica direcionada aqueles que se enchem de coragem pra falar asneiras quando estão na internet, "protegidos" por um monitor, mas na vida real, ao vivo e a cores, são uns babacas e covardes.


A edição em capa dura segue o mesmo padrão dos livros anteriores e é super bonitinha. A diagramação é uma graça e as ilustrações, cujos traços são simples e super cativantes, conseguem transmitir as expressões e todas as emoções da personagem.


Apesar do nome, o livro não é exatamente sobre uma personagem que é louca por gatos. Existem tirinhas voltadas para o amor aos bichos e o espaço que eles tem na vida da personagem, mas o foco mesmo é a forma como as pessoas lidam com ansiedade e as críticas alheias. Pra quem procura por um livro divertido e que brinca com questões da atualidade, é leitura indicada.