Resumo do Mês - Maio, o mês do caos

3 de junho de 2019


Como eu tinha dito no post de resumo do mês passado, estava aqui desvairada em busca de um apê novo pra alugar depois de tanto problema que o outro me causou. Então, depois de visitas em vários e vários imóveis, eis que encontrei um que me atenderia perfeitamente. Espaçoso, com duas escolas pras crianças praticamente do outro lado da rua, comércio e posto de saúde pertinho, bairro tranquilo, sem vizinhos escandalosos e toscos, condomínio organizado e livre de bizarrices, enfim... Tudo que ia facilitar minha vida... Só de pensar em ficar livre daquele outro tormento que estava me deixando doente de tanto estresse, eu já me sentia mais leve e zen. Era bom demais pra ser verdade e nem morta que eu ia ficar perdendo tempo procurando outros que, com certeza, não iria oferecer essas vantagens que eu procurava. Já juntei todos os documentos necessários, preenchi a proposta e fiquei super feliz quando foi aprovada já no dia seguinte. Tudo acertado, lá fui eu buscar as chaves bem no dia do aniversário do Ian, que por causa da confusão toda ficou sem festa, coitado, dia 17/05, e já tinha acertado com o caminhão a mudança pro sábado, dia 18. Ainda na sexta, perguntei se tava tudo ok, se eu precisava saber de algo ou fazer alguma coisa a mais, e o pessoal da imobiliária me garantiu que tava tudo certo e que eu poderia "ficar tranquila". Eu lá, alegre e saltitante, casa nova, vida nova, nada mais podia dar errado. SQN. Mal sabia eu que essa seria a maior provação da minha vida... Senta que lá vem textão.

Eu e maridón fomos no apê novo na mesma sexta a noite levar algumas caixas, e a primeira surpresa foi que o apartamento estava sem luz... Achamos que a chave geral podia estar desligada, mas chegando lá, não tinha medidor de energia. Marido já surtou, e eu, ainda tentando me manter zen pra não deixar NADA me abalar, pedi calma que no dia seguinte eu ligaria na imobiliária cobrando explicações. Mas ainda na sexta a noite, eu liguei na companhia de energia só pra confirmar se tinham feito o pedido da ligação mesmo, pra eu saber o prazo de quando iriam instalar esse medidor e ter luz, e pra minha segunda surpresa, nem pedido tinha sido feito. Fiquei com cara de meme da Lisa Simpson, mas não tinha o quer fazer em plena sexta feira 22hs da noite.

E sábado começa a saga. Liguei na imobiliária no primeiro horário de funcionamento, ficaram de verificar com a responsável que não estava lá, e, pediram pra aguardar, que me ligariam de volta. Nesse tempo, chegou o cara com o caminhão da mudança, ninguém me ligava pra dar satisfação, o contrato já estava correndo e o que a gente podia fazer a não ser juntar a tralha toda e mudar? Começaram a encher o caminhão e seja o que Deus quiser. Mais de 2hs se passaram e voltei a ligar na bendita imobiliária, e pra minha terceira surpresa, quem me atendeu foi uma pessoa morta por dentro e pobre de espírito, totalmente desprovida de bom senso e empatia, que não considerou nem por um momento sequer que eu ficaria num apartamento sem luz com três crianças pequenas e o quanto isso iria prejudicar a gente. Ela só alegava que "de acordo com o contrato a responsabilidade pra ligar a energia é do inquilino", e ficava insistindo nisso o tempo todo, parecia um maldito robô. Mas e a informação que eu recebi quando peguei as chaves que eu "poderia ficar tranquila", que estava tudo certo? Por que ninguém me avisou que o apartamento estava sem relógio ou me orientou sobre qual era o procedimento, assim como o prazo de instalação, pra uma merda dessas? Se eu soubesse eu teria adiado o contrato e reprogramado a mudança, por mais que eu tivesse urgência em mudar, mas a criatura enviada das profundezas não se importou nem um pouco com isso, a única coisa que ela fazia era jogar a responsabilidade pra cima de mim pra tirar o dela e da imobiliária da reta. Fiquei puta da vida, desliguei o telefone na cara dela sem acreditar no que estava acontecendo, mas o que mais eu podia fazer? Ficar xingando e estressando não resolveria o problema. Liguei na cia de energia de novo, nada de pedido, e eu também não poderia fazer nada já que, pra pedir a ligação pessoalmente, eu teria que ir numa agência, mas era final de semana e nenhuma agência estava aberta. Ou seja, estava lascada.

Mas ainda assim respirei fundo, umas 50 vezes, e tentei manter a calma. Mudança pronta, lá fomos nós. Ficaram várias caixas cheias de livros pra trás. Mais da metade dos meus livros não vieram entre outras coisitas que não couberam no caminhão e nem no carro, mas como a gente teria que voltar no outro apartamento que ainda seria pintado pra devolvermos as chaves (mais umas dez vezes), a gente buscava o resto durante a próxima semana, e haja gasolina pra isso. E ficamos no apartamento sem luz, ajeitando a bagunça enquanto a claridade permitia, e durante a noite eu ligava as lanternas dos nossos celulares, fazíamos uma roda em família e ficávamos olhando um pra cara do outro feito idiotas sem nada pra fazer. Era quase um ritual de ridiculice.

Eu tive que esquentar água no fogão pra todo mundo tomar banho de balde, por que depois de um dia tão exaustivo, nem chuveiro não tinha como ligar. Meu marido tava uma pilha de nervos, puto da cara, só faltava cuspir fogo, e eu ainda tentando manter a calma. Na segunda feira, dia 20, já comecei a ficar no pé da imobiliária e da companhia de energia, mas ninguém queria se responsabilizar pela merda. A cia só dizia que o pedido de ligação ainda não estava no sistema, que quando entrasse o prazo da ligação seria até dia 29, a imobiliária mentia dizendo que já tinha feito o pedido, e enquanto isso estava a palhaça aqui, rodeada de crianças famintas por Youtube e Netflix, sem luz. As baterias dos nossos telefones acabaram e pronto. Todo mundo ficou sem telefone, sem poder jogar joguinho, nem poder ligar pra alguém pra avisar se eu tava viva ou morta eu podia mais. Dois dias depois desse martírio, tive a ideia genial de ligar uma extensão na tomada do condomínio pra poder carregar os celulares e a gente poder usar as lanternas a noite, e claro, conversei com os vizinhos sobre o que estava acontecendo, pra ninguém achar que eu estava "roubando" energia alheia. A marmota do fio passando por baixo da porta da extensão ligada cortando o meio da casa tava me matando de vergonha, e só faltava uma placa na porta escrito "pobres sem luz inside". Todos os vizinhos são super gente boa, graças a Deus, e eles ficaram indignados com nossa situação. Alguns até ofereceram seus chuveiros e qualquer coisa que precisássemos, mas pelo amor de Deus... Eu jamais iria incomodar os outros com isso, ainda mais com o Ian que põe fogo e destrói tudo por onde passa. Continuei dando banho de balde neles, esperando iludida que alguém viesse logo resolver esse problema.

Tudo que eu tinha na geladeira estragou e foi pro lixo, eu tinha que comprar comida que desse pra fazer só no dia porque não tinha onde guardar se sobrasse, tive que ligar na NET pra reagendar a instalação do serviço, já que não tinha luz, e enquanto isso, além dos transtornos e inconvenientes, comecei a ter prejuízos que ninguém tem interesse em reparar.
Eu trabalho em casa e dependo do meu pc, minha vida inteira está nesse bendito computador, mas como eu ia trabalhar sem luz e sem internet? Eu tinha prazo pra entregar alguns serviços que tinha feito na semana anterior e não entreguei. Com meu "sumiço" o pessoal deve ter pensado que eu era algum tipo de golpista ou coisa do tipo, e já comecei a ficar desesperada. Recebi vários emails pedindo orçamento que não pude responder e as pessoas simplesmente desistiram de esperar, e mesmo eu explicando depois o que aconteceu, ignoraram e azar o meu. São poucas as pessoas compreensivas que entendem que imprevistos ou coisas que estão fora do nosso alcance acontecem, e eu fiquei bastante chateada com isso.

Eu fiquei aqui desesperada com as crianças, com a casa bagunçada e continuei "roubando" energia do condomínio pra carregar os telefones. Consegui fazer a matrícula do Theo na Umei aqui do lado, mas a matrícula da Vitória, que está na 3ª série, foi recusada pois não tinha vaga na bendita escola. Eu já tava prestes a desistir de viver, de tanto cansaço e desgosto, com tanta coisa dando errado ao mesmo tempo. No dia 27/05, fui na Regional de Educação pedir pelo amor de Deus pra me ajudarem com essa vaga pra ela, pois se ela fosse pra outra escola, iria desgraçar todo meu cronograma. Como que eu faria pra levar os dois pra escola a pé, no mesmo horário, sendo que uma escola ficava a quase 1km de distância da outra mais "próxima"?? Eu mudei pra cá justamente por causa das escolas. E pra minha outra surpresa, lá também me negaram ajuda, pois "não podiam passar por cima da decisão da escola". O sujeito me mandou esperar do lado de fora porque ele tentaria falar nas escolas pra saber da vaga. A única coisa que consegui fazer foi sair da sala dele, sentar e chorar, porque naquela hora eu só conseguia lembrar de tudo que andava acontecendo, todos os problemas, o que me fez mudar, o que eu esperava da mudança e a merda toda que aconteceu, e me perguntava o que eu fiz de errado pra merecer isso. Até que uma mulher abençoada apareceu, me viu naquele estado de lixo humano, perguntou o que tava acontecendo e eu só consegui responder "moça, eu não consigo mais aguentar esse peso, tá tudo dando errado na minha vida", e a lágrima escorrendo. A mulher já tomou minhas dores, já pediu explicações, mandou o bonito que recusou a me ajudar conferir meu endereço pra verem se ficava perto ou não da escola, e questionou "porque mandar a filha dela pra uma escola a 1km de distância se a outra é do lado da casa dela??? Pra que complicar uma coisa que a gente tem poder pra facilitar? Pode dar o encaminhamento, agora". E ela saiu da sala, me pediu pra ficar tranquila e que daria tudo certo, e foi embora. Gente... Ela foi lá só pra resolver isso por mim, não tem outra explicação. Foi obra divina. Nem acreditei. Agradeci a Deus, peguei o encaminhamento pra levar na escola e fazer a matrícula da Vivi, e mal saí de lá a Marina já me ligou pra falar que tinham ligado a bendita a luz. No 11º dia desde que peguei as benditas chaves! Gente!!! Consegui a vaga, a luz foi ligada, consegui matricular a menina! Finalmente, depois desse tempão, as coisas tavam se encaixando. Saí saltitando feito uma cabrita pela rua afora.

Essa saga durou 10 dias, sem contar com a primeira sexta, já que eu mudei mesmo no sábado. 10 dias sem luz, 10 dias sem internet (perdi a chegada de mala e cuia da Cleusa), 10 dias sem televisão (perdi o final de GOT e não sei se choro ou agradeço), 10 dias tomando banho de balde, 10 dias comprando marmitex na rua, 10 dias juntando roupa suja da família inteira sem poder lavar (fora o balaio que já estava cheio antes da mudança)... Um transtorno que não desejo pra ninguém, viu... Mas finalmente consegui me manter relativamente zen, apesar de ter desabado no último dia, e posso dizer que entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Agora é esperar que a imobiliária e a proprietária do apartamento tenham o mínimo de compaixão e bom senso, e estudem uma maneira de reparar todos os danos que tive, e que, claro, fiz questão de deixar registrado, porque não é possível eu ter passado por esse inferno por irresponsabilidade e falta de comunicação desses despreparados, e ainda ter que pagar por isso. Se não fizerem nada, eu desisto do projeto que é o ser humano. Não é certo, não é justo, não é humano uma empresa que, ao meu ver, agiu de má fé ao me ocultar essas informações, condicionar uma pessoa a viver isso, e privar ela de uma necessidade básica que é a luz. Se não fosse importante e necessária, eu moraria na selva, numa caverna no meio da floresta, voltaria pra era medieval pra viver a luz de velas e tochas... Onde já se viu uma coisa dessas...

E mesmo com toda essa confusão, posso dizer com todas as letras que eu tô me sentindo beeeem mais tranquila morando aqui, e só de pensar que nunca mais vou ouvir a voz horrorosa daquela mulher tapada e odiosa que assombrava minha vida, minha capacidade de me manter zen nunca vai ser superada. Obrigada. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Agora que a tempestade parece ter passado, vamos aguardar a bonança como se não houvesse amanhã. Ainda faltam fazer alguns ajustes, instalar as cortinas (tem uma viga aqui na parede a prova das brocas da furadeira, e não sei o que fazer), colocar prateleiras e nichos, e essas coisas pra ajudar na organização. Mas aos pouquinhos vamos fazendo. No final dá tudo certo. Já deu certo.

Enfim, seria impossível atualizar blog ou fazer qualquer outra coisa do tipo numa situação dessas, então, taí o resumo do que não teve no blog esse mês:

♥ Resenhas
- Nada

♥ Wishlist
- Nadica

♥ Na Telinha
- Necas de pitibiriba

♥ Caixa de Correio de Maio (atrasada e retroativa, mas pelo menos teve)


The end
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