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Sol e Tormenta - Leigh Bardugo

14 de janeiro de 2022

Título:
Sol e Tormenta - Grishaverso #2
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Planeta/Minotauro
Gênero: Fantasia/Jovem adulto
Ano: 2021
Páginas: 352
Nota:★★★★☆
Compre: Amazon
Sinopse: O boi sente o jugo, mas será que o pássaro sente o peso de suas asas? Na aguardada continuação de Sombra e Ossos, Alina e Maly precisam fugir das garras do Darkling após o terrível confronto na Dobra das Sombras. Apesar de finalmente ter se reunido com a pessoa mais importante de sua vida e de se ver livre do controle de Darkling e das pressões da corte, Alina está atormentada pela culpa depois dos acontecimentos na Dobra. Mas não há tempo para reflexões quando o seu principal objetivo é sobreviver. Nessa fuga frenética, em que precisa correr por sua vida e pelo destino de seu país, a Conjuradora do Sol acaba encontrando aliados – e inimigos – em figuras que nunca imaginou, como no corsário misterioso que é muito mais do que aparenta ser. Por sua vez, o Darkling está mais poderoso e determinado do que nunca. Com um novo poder assustador e extremamente perigoso, ele não irá poupar esforços para encontrar Alina e conquistar o trono de Ravka. O cerco está se fechando.

Resenha: Sol e Tormenta é o segundo volume da trilogia Grisha, escrita pela autora Leigh Bardugo, e dá sequência aos acontecimentos finais de Sombra e Ossos. Por esse motivo, a resenha pode ter spoilers do livro anterior!

O livro parte do ponto onde o anterior parou, com Alina e Maly fugindo do Darkling. Por estar sendo caçada por ele, ela esconde seu amplificador para que ninguém veja, e os dois vão tentando ao máximo possível passar despercebidos em meio as pessoas. Como Alina pára de usar seus poderes a fim de não chamar atenção de ninguém, ela começa a ficar pálida e fraca, então Maly continua fazendo papel de protetor, sempre cuidadoso e preocupado. Mas isso não foi o suficiente, e o Darkling não demora a encontrá-los. Com a ajuda do corsário Steamhold e sua tripulação, eles cruzam o Mar Real,  e nessa viagem ela encontra tanto inimigos quanto aliados, e a busca por um segundo amplificador começa... E quando ele é encontrado, tudo muda, e Alina decide, com ajuda de Nikolai, o segundo filho do rei, partir pra Osalta numa tentativa de tomar o comando do segundo exército para reunir forças contra as ameaças do Darkling. Porém, devido ao conflito que aconteceu da Dobra das Sombras, muitas pessoas acreditaram que Alina não tinha sobrevivido, então, quando ela chega ao Palácio, ela vai precisar lidar com a desconfiança do rei, que não sabe se ela é capaz de comandar um exército inteiro de Grishas (que também desconfiam dela) e quais são suas reais intenções (já que em sua fuga ela deixou o povo pra trás), e começa a tratá-la como se ela fosse uma pessoa qualquer. Alina, então, vai precisar conquistar a confiança de todos para provar que é capaz de derrotar o Darkling se tiver a ajuda necessária. 
Nesse meio tempo, ela acaba tendo acesso ao livro "A Vida dos Santos", e Alina faz uma associação do conteúdo desse livro com a posição em que ela se encontra, um tipo de "santa" da qual as pessoas tem fé e acreditam ser a salvação. Ela acredita que as informações do livro são pistas do que ela deve fazer e seguir, e a partir dalí ela vai em busca desses itens para se fortalecer, numa tentativa de vencer essa guerra.

Narrado em primeira pessoa, vamos acompanhando o ponto de vista de Alina nessa saga contra o Darkling. Ela ganhou um novo poder e começou a refletir sobre tudo, se questionando sobre o que é certo e errado, lidando com o sentimento de solidão constante mesmo que esteja cercada de gente, se sentindo culpada por tudo o que aconteceu e pelo "novo" comportamento de Maly, principalmente quando Nikolai sugere uma aliança com Alina que, embora aparentemente pudesse ajudar nessa jornada, tiraria Maly do sério. Mesmo que ela tome algumas decisões questionáveis e fique num vai e vem de evolução/retrocesso, ela é esperta, pega muitos detalhes úteis no ar, e está aprendendo cada vez mais a se impor quando pensa no quão importante é seu papel nessa guerra terrível, logo ela não poderia se dar ao luxo de se preocupar com as birras (sim, birras ridículas) que Maly faz. O abençoado está mais egoísta, inseguro e infantil do que nunca, acha que namorar com Alina lhe dá o direito de controlá-la ou tomar decisões por ela, não consegue aceitar e lidar com a ideia de que ela se tornou uma pessoa poderosa desde que descobriu ser uma Grisha, fica se lamentando porque sente falta da Alina sem poderes de antes, e fica se fazendo de vítima, se colocando numa posição inferior para que ela se sinta culpada por ele estar infeliz e por ela não colocá-lo em primeiro lugar em sua vida, mesmo que uma fucking guerra gigante esteja pondo a vida de toda a Ravka em risco. Ele parece um peso morto que ela precisa carregar sem motivo nenhum. A criatura não parece entender que a realidade agora é outra, que os poderes dela talvez sejam a única chance que eles tem, e que se apegar no passado ou no que poderia ter sido se fosse diferente não serve de nada. E como Alina ama esse completo imbecil, sua dependência emocional fica evidente, ela realmente se culpa em vez de mandá-lo pastar, e esse "romance" irritante e sem um pingo de química acaba tirando boa parte da graça da história. No começo cheguei a considerar que o problema com Maly pudesse estar na narrativa que traz exclusivamente o ponto de vista de Alina, e quem sabe ela estivesse o interpretando errado, não é mesmo? Penso que se a autora tivesse escrito um mísero capítulo com o ponto de vista de Maly, talvez fosse possível compreender esse comportamento detestável, mas não. Quanto mais páginas se passam, mais birra o dito cujo faz, a ponto dele achar que ir lutar com os Grishas, como se ele fosse um galo de briga querendo mostrar que é dono de si e sabe se virar sozinho, fosse uma boa ideia. É vergonhoso. E a coisa toda fica pior pro lado dele quando Nikolai entra em cena, porque, por mais que ele seja sarcástico e "liso", ele não só incentiva, mas mostra e ensina pra Alina o que é ser uma verdadeira líder, e em companhia dele, ela literalmente brilha e fica cheia de atitude.

Dito isso sobre esse romance miserável que ganhou muito mais espaço do que deveria, basicamente são os personagens secundários que carregam o livro nas costas, principalmente Nikolai que chega roubando todo o protagonismo da história sem pedir licença. A coisa toda fica pior pro lado de Maly quando ele entra em cena, porque por mais que Nikolai seja sarcástico e impossível, ele não só incentiva e apoia, mas mostra e ensina pra Alina o que é ser uma verdadeira líder, e em companhia dele, ela literalmente brilha, pra desgosto e ofuscamento eterno do mala do Maly. Nikolai é super inteligente e carismático, e quando há um diálogo divertido e afiado, pode ter certeza que a fala partiu dele.

O Darkling também tem uma presença marcante nas poucas vezes em que aparece, e ele continua sagaz, implacável, manipulador, e mais cruel do que nunca, seja pelo grande poder que tem, ou pelas estratégias que ele vai colocando em prática acima de tudo e todos pra conquistar seus objetivos sombrios. O fato de Alina ter várias "visões" com ele trazem momentos de bastante tensão pro desenrolar da trama.

No mais, Sol e Tormenta amplia esse universo dos Grisha mostrando todo o potencial que a história tem e ainda pode ter, mas é um volume que, por mais reviravoltas que tenha, se arrasta em muitos pontos sem que nada aconteça, com dramas descartáveis e com esse romance deplorável demais pra se aturar. Não acho que o livro tenha sido atingido com a "maldição do segundo volume", é uma boa continuação, com acontecimentos importantes e necessários para dar prosseguimento à saga, mas se a autora não tivesse gastado tantas páginas tentado enfiar esse romance falido goela abaixo dos leitores, a experiência teria sido muito melhor.
Agora fico aqui, iludida e shippando Alina com Nikolai, e desejando que Maly seja desintegrado e vire pó... Seria pedir muito?

Na Telinha - Encanto

26 de dezembro de 2021

Título
: Encanto (Encanto)
Elenco: Stephanie Beatriz, John Leguizamo, María Cecilia Botero, Diane Guerrero, Angie Cepeda, Jessica Darrow, Ravi-Cabot Convers
Gênero: Animação/Fantasia/Musical
Ano: 2021
Duração: 1h 43min
Classificação: Livre
Nota★★★★★
Sinopse: Encanto é a nova animação da Disney situada na Colômbia, sobre a extraordinária família Madrigal, que vive escondida em uma região montanhosa isolada, conhecido como Encanto. A magia da região abençoou todos os meninos e meninas membros da família com poderes mágicos, desde superforça até o dom da cura. Mirabel é a única que não tem um dom mágico. Mas, quando descobre que a magia que cerca o Encanto está em perigo, ela decide que pode ser a última esperança de sua família excepcional.

Por volta de 50 anos atrás, o casal Alma e Pedro Madrigal, junto com seus trigêmeos, precisaram abandonar o vilarejo onde viviam devido a alguns ataques que colocavam a vida de todos em risco. Eles precisavam encontrar um lugar seguro pra recomerçar a vida, e várias pessoas os seguiram em busca da mesma coisa. No caminho, numa tentativa de proteger as pessoas dos invasores, Pedro ficou pra trás e acabou sendo morto, e Alma, com seu espírito de proteção materno, viu com os próprios olhos a vela que carregava ganhar poderes mágicos, afastar os inimigos e construir uma enorme proteção em volta do vale para que ela, os filhos e as demais pessoas ficassem seguras. A chama da vela mágica não se apagaria mais, Alma, que mais tarde ficaria conhecida como Abuela, a protegeria assim como protegeria os filhos, e a casa (ou casita) dos Madrigal, que foi construída com o poder mágico da vela, ganhou vida, vai aumentando e se adaptando a cada membro da família que recebe seu poder, e se tornou uma referência na vila que ganhou o nome de Encanto.



Quando os três filhos de Alma se tornaram crianças, eles receberam um dom, e a família Madrigal começou a usar esses poderes pra ajudar os moradores do vilarejo e todos viverem felizes e em harmonia. Julieta tinha o poder de curar as pessoas com a comida que ela preparava com muito amor, Pepa era capaz de controlar o tempo de acordo com suas emoções, e Bruno tinha o dom da visão, ele enxergava o futuro. O tempo passou, Julieta e Pepa se casaram e tiveram filhos, que quando crianças também receberam seus dons. O poder de Bruno não agradava as pessoas pois ninguém queria ouvir sobre as coisas ruins que iriam acontecer, e por medo de suas previsões catastróficas serem prejudiciais, ele acabou desaparecendo da família e ninguém nunca mais ousou falar sobre ele.


Pepa e seu marido Félix tiveram três filhos: Dolores, que consegue ouvir qualquer coisa independente da distância, então sabe tudo da vida de todo mundo; Camilo, que consegue mudar de forma e se transformar em quem quiser; e o pequeno Antonio, que ama animais e está prestes a passar pela cerimônia para receber seu dom.
Julieta e Augustin tiveram três filhas: A encantadora e irresistível Isabela, que além de conjurar flores e as fazer desabrocharem, tem sucesso em tudo que faz; Luisa, que ganhou o dom da superforça e faz todo e qualquer trabalho pesado em casa e na vila; e Mirabel que para a surpresa/desgosto de Abuela, foi a única da família que não foi agraciada com o dom magia.



Como Mirabel, agora com seus quinze anos, não tem poderes, ela não se sente especial seja na família ou na comunidade, principalmente por ser bem desastrada, e passa seus dias tendo que lidar com o que pra ela, e pra Abuela, parece ser um problema. Como ela é adolescente, as coisas tomam uma proporção ainda maiores do que deviam... E partindo dessa premissa, vamos acompanhando toda a animação dos Madrigal nos preparativos da cerimônia de Antonio, até Mirabel começar a ver a casita se enchendo de rachaduras e a vela mágica em perigo, com sua chama brilhante prestes a se apagar. Ao tentar avisar à família, ela é repreendida, mas Mirabel está decidida a ignorar os avisos e descobrir porque viu isso acontecer, e porque os poderes de sua família parecem estar tão fragilizados.



Ambientado na Colômbia, Encanto é realmente um encanto de se ver. É tudo muito colorido e cheio de vida, tudo muito mágico e de encher os olhos. A trilha sonora é bem divertida e acaba servindo pra contar as partes da história que o público precisa saber pra entender alguma particularidade, conexão ou característica dos personagens, mas que não aparece em forma de acontecimento. O único problema é que algumas delas soam um pouco confusas devido a enorme quantidade de informações, e a primeira música que explica a árvore genealógica da família, por exemplo, só ficou clara pra mim quando fui assistir a animação pela segunda vez, depois de já saber quem é quem. Também não teve nenhuma música que entrou na cabeça a ponto de me fazer sair cantando por aí, como foi com Frozen ou Moana. Não que isso seja um problema, mas quando a gente ouve falar em Disney e animações musicais, a gente logo imagina e espera mais um "hit".

Sobre os personagens, eu fico cada vez mais impressionada de ver como a Disney vem se superando em apresentar pessoas reais do tipo "gente como a gente", com dilemas relevantes que causam uma reflexão super importante, independente da idade de quem esteja assistindo. Essa coisa de que numa história é preciso ter um relacionamento amoroso pra se ter um feliz para sempre, ou um vilão caricato pra acabar com os planos dos personagens está ficando cada vez mais deixada de lado, ainda bem.

Através de Mirabel, percebemos como temos o hábito de nos compararmos aos outros em relação a habilidades e propósitos, de como às vezes nos sentirmos inferiores frente a pessoas que tem algum talento ou sucesso, e como demoramos a entender que todos temos nossas qualidades, e elas são tão importantes quanto a de qualquer outro. A busca pela identidade, pelo amor próprio, e pelo sentimento de pertencimento é uma busca de todos que precisam dar valor a quem são, e como são.



Isabela e Luisa são personagens super interessantes e opostas uma da outra. Isabela, a irmã mais velha, representa a delicadeza e graciosidade, inicialmente demonstrando ser aquele arquétipo de clássica princesa Disney com direito a cabelo esvoaçante em câmera lenta e tudo, mas que tem camadas que vão sendo exploradas ao longo da história que mostram que ela está longe de ser assim. Luisa, a irmã do meio, representa a força e a resistência, aquela de quem todos esperam ajuda e socorro por se mostrar alguém inabalável, mas que no fundo se apavora com a ideia de falhar ou de não conseguir ajudar alguém. Independente disso, elas mostram como as mulheres ainda sofrem uma grande pressão na sociedade para corresponderem às expectativas e agradar os outros enquanto, por dentro, se frustram ou vivem infelizes, até enxergarem que não precisam se preocupar com os outros podendo ser livres pra serem quem quiserem ser, além de poderem tomar as próprias decisões.



Não posso deixar de falar sobre as personalidades dos demais membros da família e como eles podem representar qualquer parente nosso (isso se um deles não representa a nós mesmos). Julieta é a mãe preocupada, carinhosa, que quer manter todos felizes e de barriga cheia. Pepa é um tanto dramática, uma hora está feliz, outra hora está full pistola, fica andando pra lá e pra cá totalmente descontrolada e suas emoções vão de 0 a 100 em questão de segundos. Félix é o típico tiozão que só quer saber de diversão, dança e comilança. Dolores é a prima fofoqueira que sabe da vida de todo mundo, e por aí vai...



Abuela Alma também é uma personagem muito importante para o desenvolvimento e desfecho da história, pois ela, como a grande matriarca e base da família, representa a estrutura, estrutura esta que acabou se estendendo à própria casa por causa da magia. Desentendimentos, falta de compreensão, falta de diálogo e qualquer outra situação negativa em família que acabe colocando em risco a integridade dessa estrutura só vai machucar as pessoas e desencadear mais e mais problemas, e tudo começa quando a família rejeita as visões do futuro trágicas de Bruno sem sequer considerar ver o outro lado, como se quisessem varrer os problemas pra debaixo do tapete com a ideia de que se não podem ver é porque não existe, e se não existe, tá tudo bem. Nem se deram ao trabalho de irem procurá-lo quando ele sumiu. Depois vem Mirabel, que por não ter poderes não é a pessoa que esperavam que fosse a ponto dela se sentir culpada e até excluída por isso. Quantas famílias por aí vivem um inferno por falta de comunicação, pelo excesso de controle e zero abertura para tentar resolver as coisas com diálogo? Talvez a gente possa considerar essa questão como o "vilão" da situação toda.



Encanto é sobre isso, é sobre lidar com nossas falhas, pois ninguém é perfeito. É sobre aprender que uma coisa não pode anular a outra e que é preciso equilíbrio. É um espaço familiar, seguro e acolhedor, mas ao mesmo tempo cheio de pressão, intolerância e assuntos mal resolvidos, afinal, não é preciso ter poderes mágicos pra fazer a diferença. Uma boa conversa e atitudes positivas podem ser capazes de reparar as piores rachaduras...

Mordida - Sarah Andersen

19 de agosto de 2021

Título: 
Mordida
Autora: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Gênero: Juvenil/Tirinhas
Ano: 2021
Páginas: 112
Nota:★★★★★
Compre: Amazon
Sinopse: Em seus trezentos anos de vida, a vampira Elsie nunca encontrou um par perfeito. Tudo muda quando ela conhece Jimmy, um lobisomem encantador, com uma forte tendência a sair correndo por aí na lua cheia. Cada qual com seus hábitos incomuns, juntos eles levam uma vida de casal deliciosamente macabra, curtindo filmes de terror e livros de suspense, fazendo passeios à sombra e saciando seu apetite voraz em jantares refinados (sem alho!).
Com traço gótico, humor ácido e repleto de romantismo, Mordida retrata os dramas reais de se apaixonar por alguém perfeito para você — mas ao mesmo tempo muito diferente. Em edição de luxo, com capa dura de tecido e laterais pintadas de preto, este é um livro de morrer.

Resenha: Sarah Andersen está de volta, e dessa vez, trazendo Mordida (Fangs, no original), publicado pela Editora Seguinte. As tirinhas vão abordar uma história de amor bastante inusitada entre uma vampira e um lobisomem.
Cada página vai apresentar uma situação específica do cotidiano de Elsie e Jimmy, mostrando que, embora não sejam um casal convencional e tenham que lidar com suas diferenças, limitações e hábitos sobrenaturais, eles vão levando o relacionamento com muito bom humor.

Como o livro é feito por várias tirinhas, não existe uma história propriamente dita. Não se sabe de onde os personagens vieram e tudo começa quando eles se encontram em um bar. A partir daí, vamos acompanhando a evolução desse relacionamento através de pequenas situações, como um jantar, uma manhã onde acordam juntos, uma ida ao parque e por aí vai. São relances de uma vida a dois que se passa na sociedade atual, e como eles contornam alguns "obstáculos" sendo as criaturas que são.


Depois de Elsie matar tantos homens por aí, Jimmy é o primeiro namorado que parece ser seu par perfeito, então ela também está aprendendo como é estar junto de alguém que seja tão peculiar quanto ela.

Elsie é uma vampira de 300 anos e tem todas as características típicas dessa raça. Ela não suporta a luz do dia e pega fogo se ficar exposta ao sol, detesta alho, é fria, não tem reflexo, só entra nas casas alheias se for convidada e sobrevive a base de sangue.
Por outro lado, Jimmy tem um comportamento um tanto "canino", sempre muito protetor e compreensivo, e é muito fofo e engraçado acompanhar as situações onde ele se transforma em um lobo.

Embora sejam opostos, o casal se completa de uma forma que é impossível não dar uma risadinha desses momentos que passam juntos, ou um suspiro quando percebemos como é fofo um casal recém apaixonado, e talvez a ideia seja mostrar que é possível haver cumplicidade, companheirismo e muito amor, mesmo que existam tantas diferenças.


O projeto gráfico do livro é a coisa mais linda. A capa é dura tem a textura de tecido, o corte nas laterais é pintado de preto pra dar todo aquele ar gótico da protagonista, e as páginas são grossas, brancas e de excelente qualidade. As ilustrações da autora também não ficam atrás: Os traços são delicados e dão uma expressão bem marcante aos personagens.

Pra quem conhece e gosta dos livros da autora, e gosta de histórias em quadrinhos, eu super indico, principalmente se você quiser fazer uma pausa de uma leitura mais complexa e esteja procurando por uma leitura mais leve. O livro é super rápido de ser lido, é divertido, e, mesmo que tenha alguns toques sombrios e algumas piadas meio óbvias, é muito amorzinho.

Já quero mais quadrinhos de Elsie e Jimmy ♥

Sombra e Ossos - Leigh Bardugo

2 de maio de 2021

Título:
Sombra e Ossos - Grishaverso #1
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Planeta/Minotauro
Gênero: Fantasia/Jovem adulto
Ano: 2021
Páginas: 288
Nota:★★★★☆
Compre: Amazon
Sinopse: Em um país dividido pela Dobra das Sombras – uma faixa de terra povoada por monstros sombrios – e no qual a corte real está repleta de pessoas com poderes mágicos, Alina Starkov pode se considerar uma garota comum. Seus dias consistem em trabalhar como cartógrafa no Exército e em tentar esconder de seu melhor amigo, Maly, o que sente por ele. Quando Maly é gravemente ferido por um dos monstros que vivem na Dobra, Alina, desesperada, descobre que é muito mais forte do que pensava: ela é consegue invocar o poder da luz, a única coisa capaz de acabar com a Dobra das Sombras e reunificar Ravka de uma vez por todas. Por conta disso, Alina é enviada ao Palácio para ser treinada como parte de um grupo de guerreiros com habilidades extraordinárias, os Grishas. Sob os cuidados do Darkling, o Grisha mais poderoso de todos, Alina terá que aprender a lidar com seus novos poderes, navegar pelas perigosas intrigas da corte e sobreviver a ameaças vindas de todos os lados.

Resenha: Escrita pela autora israelita Leigh Bardugo, a Trilogia Grisha foi publicada em 2013 aqui no Brasil pela Editora Gutemberg. Agora, a trilogia está sendo relançada pelo selo Minotauro da Editora Planeta, que adquiriu os direitos de publicação e está lançando a trilogia sob novo - e mais bonito - projeto gráfico, e com nome de "Grishaverso" (achei feio, viu).

Num universo onde os humanos convivem com os Grishas, pessoas dotadas de poderes muito especiais chamados de "pequena ciência" e que fazem com que eles sejam capazes de controlar energia e elementos ao seu redor, Alina Starkov é uma jovem órfã e comum que serve o primeiro exército do rei de Ravka. Ela faz parte da equipe de Cartógrafos da linha de frente, responsáveis por desenhar mapas a fim de guiar os soldados. Alina cresceu num orfanato junto com seu melhor e inseparável amigo Malyen Oretsev, ou Maly, e ele serve o mesmo exército na função de Rastreador, seguindo pistas para definir o melhor caminho a ser seguido, além de ter muita facilidade para caçar e encontrar pessoas.

Ravka é uma monarquia, e mesmo que o rei tenha dois exércitos para protegê-lo, o primeiro formado por humanos na linha de frente, e o segundo exército por Grishas como soldados de elite liderados pelo Conjurador das Sombras, ou Darkling, desde que o país foi dividido por um mar de trevas, tudo se tornou um grande problema...

Conta a velha lenda que, há centenas de anos, um Grisha dotado de poderes incomparáveis e sombrio, conhecido como Herege Negro, conjurou uma densa e gigantesca onda feita de escuridão que dividiu o país, mais especificamente a cidade de Kribirsk. A faixa negra passou a ser chamada de Dobra das Sombras, ou Não-Mar, e é habitada pelos Volcras, monstros alados e terríveis que atacam e destroçam tudo o que adentra a escuridão. Era praticamente impossível que alguém conseguisse atravessar e sobrevivesse pra contar a história. Com o passar dos anos, a Dobra continuava sendo o pior e mais perigoso problema que Ravka precisava enfrentar, pois com a rota principal bloqueada, o país ficou estagnado, não se comunicava como deveria, e costumava ser alvo de ataques vindos dos países vizinhos. E nem o próprio Darkling, o único em Ravka com o poder de controlar as trevas, era capaz de destruir o Não-Mar. Devido aos inúmeros conflitos, também não era possível simplesmente contornar a Dobra pois era tão arriscado quanto atravessá-la. Enquanto Shu Han, ao sul, capturava Grishas para fazer experimentos a fim de tentar descobrir a fonte desse poder, Fjerda, ao norte, os caçava feito animais acreditando que se tratavam de bruxos perigosos e nada confiáveis. Logo, fora de Ravka, os Grishas além de não estarem seguros, eram tratados com muito preconceito, como se fossem a escória da humanidade. A esperança de todos era que um dia um Conjurador do Sol aparecesse e usasse seus poderes de luz para destruir de uma vez por todas a Dobra, mas ninguém nunca havia visto um...

Partindo dessa premissa, tudo começa quando um grupo de soldados dos dois exércitos, incluindo Alina e Maly, precisam atravessar a dobra numa missão, mas tudo dá errado. Maly é atacado por um Volcra, e numa tentativa desesperada de salvar o amigo, Alina acaba revelando um poder que, até então, ela desconhecia ter, e não só salvou Maly, como destruiu os Volcras que atacavam o esquife.
Alina, então, foi reconhecida como uma Grisha, mas não uma Grisha qualquer, pelo poder que ela havia manifestado durante a travessia na Dobra, tudo indicava que era a Grisha lendária, a tão esperada Conjuradora do Sol, aquela que seria capaz de destruir a Dobra de uma vez por todas. Mas será esse um fardo que Alina pode carregar?

Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista da própria Alina, a escrita da autora é muito fluída e os detalhes da construção de mundo tornam a leitura um tanto empolgante. Vamos acompanhando a jornada de Alina se descobrindo como Grisha, aprendendo a controlar seus poderes com a ajuda, proteção - e proximidade - do Darkling, lidando com a ideia de ser um tipo de santa que veio pra salvar o mundo das trevas, mas vista por outros como uma abominação que merece a morte. E por essa parte da fé que as pessoas de Ravka depositam em Alina, é possível perceber que a autora consegue fazer uma crítica nada sutil sobre o poder da fé e como ela afeta as pessoas, seja pelo lado positivo de acreditar que as coisas vão melhorar desde que se tenha esperanças, como pelo lado negativo incluindo o fato de como é possível manipular os outros através dessa fé, assim como os absurdos do fanatismo e da ignorância (que nem sempre é uma benção). E ainda tem aqueles que só acreditam se puderem ver com os próprios olhos, e quando vêem, não acreditam.

Alina é uma personagem em processo de amadurecimento, auto aceitação e autodescoberta. Apesar dela ficar deslumbrada por sair do lixo e ir viver no luxo do palácio, ela precisa lidar com o fato de que muitas pessoas acreditam que ela é uma fraude total que deve ser impedida, e ela precisa provar pros outros e pra si mesma que ela tem sim os tais poderes de luz, fazendo demonstrações a todo momento para o rei enquanto é humilhada por humanos intolerantes e também por Grishas invejosos que se aproveitam por ela ainda não saber controlar muito bem seus poderes durante os treinamentos.
Diante dessa situação, ela acaba se apegando muito ao Darkling, pois desde que ela descobriu suas habilidades, ele tem sido o único que entende a real grandeza do seu poder, faz qualquer coisa pra mantê-la em segurança, e sabe usar as palavras pra confortá-la - e despertar seu interesse - como ninguém. Mas, ela também sente a falta de Maly, afinal, antes disso tudo acontecer e sua vida ter virado de cabeça pra baixo, era ele o seu porto seguro, a única pessoa que ela tinha, e não ter noticias dele desde que foi para Os Alta se apresentar pro rei a deixa angustiada. O problema é que entre Alina e Maly não existe química, talvez porque a amizade se evidencie mais que qualquer outro interesse, mas com o Darkling a coisa pega fogo, meudeus (mesmo que eu tenha achado isso meio forçado). Talvez a ideia de unir esses dois seja aquela história dos opostos se atraírem, mas por mais que ela tivesse o apoio dele desde o início, eu ainda ficava desconfiada de que tinha alguma coisa de errado e que boa coisa essa história não ia dar.

Sabe aquele meme "O INÍCIO DE UM SONHO/DEU TUDO ERRADO"? Pois ele resume bem a situação de Alina do início ao fim, coitada.

Como a construção desse universo tem muitos detalhes, confesso que demorei quase metade do livro pra entender todas as classificações dos Grishas e pronunciar os nomes esquisitos dos personagens, mas depois as coisas ficaram mais fáceis.

Sendo assim, vou colocar aqui o resumão que me ajudou a entender a divisão das Ordens e classificação dos poderes dos Grishas, é só clicar no botão abaixo e o texto vai ser expandido. Não deixei aberto pra resenha não ficar gigantesca e maior do que já está, e pra dar opção pra quem não quiser ler não precisar ficar procurando o trecho onde acabam as explicações. Talvez possa facilitar pra quem teve um pouco de dificuldade para acompanhar a construção de mundo enorme e cheia de detalhes da autora, mas caso já saiba ou não queira ler sobre isso agora, ignore o botão.

Os Grishas são divididos em três Ordens, os Corporalki, os Etherealki, e os Materialki, e elas são divididas em subcategorias que definem o que exatamente eles manipulam/controlam. Além disso, cada Ordem é representada por uma cor, que é usada nas vestes oficiais dos Grishas, chamadas de keftas. Além da cor básica da ordem, cada kefta traz ornamentos e detalhes bordados com uma segunda cor que representa a subcategoria da tal Ordem.

Os Corporalki são a Ordem dos Vivos e dos Mortos, e eles são capazes de manipular o corpo humano. Dentro dos Corporalki, existem duas subcategorias principais: os Sangradores, que basicamente controlam o corpo afim de causar alguma mudança em seu funcionamento ou algum tipo de dano (letal ou não), e isso faz com que sejam muito temidos em confrontos já que conseguem causar danos e até matar oponentes a distância; e os Curandeiros, que curam feridas, doenças, salvam enfermos, e etc. Ainda dentro dos Corporalki existe a subcategoria dos Artesãos, que têm o dom de mudar a aparência dos outros e de si mesmos temporariamente. Artesãos, embora raros, são considerados inferiores e não tem uma cor definida em suas keftas. Os Grishas da ordem dos Corporalki vestem keftas vermelhas. As keftas dos Sangradores tem detalhes bordados em preto, e a dos Curandeiros tem detalhes cinza.

Os Etherealki são a Ordem dos Conjuradores, e eles são capazes de conjurar e manipular elementos. Dentro dos Etherealkis, existem três subcategorias principais, e duas especiais que são extremamente raras. Os Aeros controlam o ar, formando rajadas de vento, aumentando ou diminuindo a velocidade do ar; Os Hidros, que controlam a água; e os Infernais, que manipulam o fogo
A kefta que os Etherealki vestem é azul. Os detalhes da kefta dos Aeros é cinza, dos Infernais é vermelho, e dos Hidros é azul claro.
As subcategorias especiais dos Etherealki são de conjuradores únicos e ainda mais raros: o Conjurador das Sombras, que sempre se veste todo de preto, o temido Darkling; e o lendário - e jamais visto - Conjurador do Sol. O Darkling tem o poder de detectar e invocar os poderes dos outros Grishas, assim como amplificar seus poderes, mas o poder principal dele é controlar as sombras e as trevas, trazendo a escuridão absoluta, e ainda sendo capaz de transformar a sombra em matéria para atacar - e fatiar em pedaços - os inimigos. O Conjurador do Sol é o completo oposto do Conjurador das Sombras, pois ele é capaz de conjurar e emitir grandes feiches de luz, assim como invocar o calor do sol iluminando e aquecendo tudo a sua volta.

Os Materialki são a Ordem dos Fabricantes, que conseguem detectar e controlar materiais compostos para fabricarem itens úteis aos Grishas. As subcategorias dos Materialki são os Durastes, que trabalham com materiais sólidos como metais, aços, vidros e etc (inclusive são eles que fabricam as keftas fazendo com que sejam blindadas a fim de proteger os Grishas de ataques com armas e flechas); e os Alquimistas, que lidam com compostos químicos líquidos, podendo fabricar poções, venenos e etc. Eles vestes keftas roxas. As keftas dos Durastes tem detalhes cinza, e a dos Alquimistas tem detalhes vermelho. Os Materialki não são muito úteis para lutar em batalhas, mas são úteis para fabricar itens que podem ser usados nelas, principalmente artefatos que amplificam o poder dos Grishas.

Como acontece com a maioria dos primeiros volumes de trilogias ou séries, Sombra e Ossos não fugiu muito dessa "regra", e funciona mais como uma introdução a esse universo fantástico. Sabemos sobre a origem da Dobra, sabemos como é a vida dos Grishas dentro e fora de Ravka, mas algumas partes são meio repetitivas (principalmente no que diz respeito a Alina e sua teimosia, ou quando está no modo iludida), assim como a falta de maiores detalhes da história de alguns personagens que tem uma certa relevância na trama. Outra coisa que não me agradou muito foi o fato de várias situações serem descobertas com suposições feitas por qualquer um, o que tornou algumas situações tensas ou perigosas um tanto convenientes. A impressão que tive é que ninguém pode tentar passar despercebido em paz, porque surge alguém do além dotado de inteligência afiada pra desmascarar quem vem lá com essas suposições e atrapalhar tudo.
No final das contas, eu gostei muito da história, principalmente pela construção de mundo com relação aos países e às características das pessoas de cada um deles, quanto pelo universo dos Grishas. Achei bem original. Mas não posso dizer o mesmo com relação aos personagens, pois além de ter sentido falta de mais informações sobre alguns deles, principalmente de Genya (a Artesã da corte que serve a rainha pra mantê-la sempre bonita) houve sim vários clichês que acabaram empobrecendo a experiência com a leitura. Não tenho muita paciência com possíveis preocupações românticas no meio do apocalipse, muito menos quando há qualquer possibilidade pra um triângulo amoroso onde a protagonista fica dividida entre dois amores e/ou não é capaz de enxergar a cilada que está se metendo.
Pra quem procura por uma história envolvente e muito bem construída, cheia de intrigas, perigos, traições e esperança, Sombra e Ossos é livro mais do que recomendado.
PS.:  E se você pretende assistir a série na Netflix, recomendo muito que o livro seja lido primeiro pra experiência ser ainda melhor. Se eu não tivesse lido, não teria entendido nada e não teria passado do primeiro episódio até hoje.

Na Telinha - Raya e o Último Dragão

11 de março de 2021

Título: Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon)
Elenco: Kelly Marie Tran, Awkwafina, Gemma Chan, Alan Tudyk, Daniel Dae Kim, Sandra Oh
Gênero: Animação/Fantasia/Aventura/Distopia
Ano: 2021
Duração: 1h 57min
Classificação: Livre
Nota★★★★★
Sinopse: Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Kumadra era o verdadeiro paraíso. Há 500 anos a terra era fértil, abundante, e humanos e dragões mágicos coexistiam na mais perfeita harmonia. Os dragões ajudavam os humanos trazendo água, chuva, e paz. Mas um dia a terra foi ameaçada pelos Druun, criaturas sombrias que se multiplicavam como pragas, e não causavam só a destruição, mas consumiam a vida de quem cruzasse seus caminhos, as transformando em pedras.
Os dragões, então, se sacrificaram para salvar a humanidade, e a única coisa que restou após a batalha foi a Jóia do Dragão, artefato mágico criado com o poder dos dragões, e capaz de destruir os monstros. A batalha se tornou uma lenda, e Sisu ficou conhecida como o dragão que derrotou os Druun e salvou Kumandra. Porém, em vez dos humanos darem valor ao sacrifício feito pelos dragões e manterem a paz e a harmonia, eles se tornaram inimigos, se dividiram em tribos, traçaram fronteiras para separar Kumandra em reinos distintos, e passaram a lutar pela posse da Jóia.



Com tantos conflitos, Kumandra deixou de existir como um único reino, e cada sub reino formado desenvolveu suas próprias características que os tornaram únicos: O deserto escaldante de Cauda está cheio de mercenários perigosos; Garra é um mercado sobre as águas habitado por lutadores muito ágeis; Presa é protegida por assassinos e gatos gigantes tão perigosos quanto seus donos; a floresta fria e sombria de Coluna é guardada por temíveis guerreiros; e Coração é o reino da paz, onde há abundância e prosperidade, e é onde a Jóia está escondida.



Agora, Chefe Benja, guardião da Jóia (e também pai de Raya), numa tentativa de unir as tribos e retomar a paz, convoca todos os cinco reinos afim de tentar fazer com que entendam de uma vez por todas que é preciso união e confiança entre os povos para que Kumandra volte a existir, caso contrário, a desconfiança e o ódio só os levarão à ruína, porém nada do que foi planejado correu como deveria, e a história de 500 anos atrás, se repetiu: os Druun ressurgiram causando devastação e transformando todos em pedra.
Seis anos depois, em meio a um cenário árido e distópico, Raya, junto com seu inseparável tatuzinho Tuk Tuk, passou a explorar o que sobrou das terras, enfrentando perigos e procurando nos rios qualquer vestígio de Sisu, numa tentativa secreta de encontrá-la e, com a ajuda dela, trazer todos aqueles que foram petrificados de volta, mas Namaari, sua adversária de Presa, sempre vai estar em seu caminho.



Como de costume, toda animação da Disney se passa em algum lugar fictício com características culturais muito marcantes de lugares reais, e Raya e o Último Dragão não é diferente. Baseado na cultura de países do sudeste asiático, como Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas, entre outros (obrigada pela cola, Wikipedia), o longa evidencia comidas típicas, fenótipos, vestuário e afins desses países. Os próprios dubladores têm características físicas orientais, tanto por serem asiáticos ou por serem descendentes de um.
A história gira em torno do tema confiança e união entre as pessoas, e o que a falta delas causam na vida. A construção de mundo é incrível e a ideia de reinos distintos lembra muito a sociedade de Zootopia, e é impossível controlar a vontade de saber mais detalhes sobre o modo de vida, como e porquê as pessoas se tornaram tão egoístas, e o que mais fazem além da descrição inicial que os resume.



O cenário e os gráficos em si são um dos mais bonitos já vistos numa animação, desde as texturas dos elementos, a luz do sol que entra por uma fresta, a chuva molhando alguém, a sincronia da fala e o movimento da boca dos personagens e, principalmente, os detalhes que diferenciam cada indivíduo de forma que não pareçam todos iguais, como acontece em outras animações. Mesmo que o mundo esteja desolado, ainda é possível enxergar beleza pois ainda há esperança. Cada ambiente traz uma paleta diferente que combina muito bem com a proposta daquele reino, como por exemplo, a floresta gelada de Coluna que é cinzenta, o deserto de Cauda que é bem alaranjado, e o verde que pode representar uma vida próspera é bem evidente em Coração. O recurso de alternar o estilo gráfico quando alguns detalhes aparecem para explicar melhor a história também é ótimo e super dinâmico.



Os personagens também são ótimos e tem arcos e papeis importantes no desenrolar da trama, mas o maior e mais legal de todos, com um contraste bem evidente, é entre Raya e Sisu. Embora elas queiram a mesma coisa, a forma como encaram a vida e resolvem suas questões é totalmente oposta uma da outra. Raya não confia em ninguém, não consegue mais enxergar o melhor nas pessoas porque ali é cada um por si, ela é amargurada por ter sido traída no passado e acaba usando isso como um tipo de escudo para impedir que os outros tentem se aproximar. Ela já começa se mostrando alguém forte, mesmo que quebrada, sempre fica de cara fechada, é uma guerreira solitária e destemida, sem tempo a perder, e nada nem ninguém vão impedir que ela alcance seu objetivo de salvar o pai. Raya tem um coração enorme, mas as decepções que teve fazem com que ela não demonstre isso. Talvez ela aparente ser um tanto individualista, e até desprovida de qualquer pinguinho de otimismo, mas ela aprendeu a ser assim devido as circunstâncias.



Sisu é oposto, tanto no visual quanto na personalidade. Ela inclusive destoa bastante dos demais personagens, como se não combinasse com o padrão da animação, mas acredito que ela foi criada dessa forma, colorida, iluminada e radiante, justamente pra mostrar a diferença e o abismo que há entre pessimismo e otimismo, amargura e bom humor, raiva e alegria, cautela e vontade de dar uma chance, falta de fé e esperança. Ela quer ajudar a salvar o reino, mas é ingênua demais, sempre tenta enxergar o melhor nas pessoas por mais maldosas que aparentem ser, sempre está bem humorada e brincando mesmo quando não se deve, e quer provar pra Raya que ter confiança nos outros, independente de quem seja, é a melhor maneira de resolver os problemas e salvar o reino dos Druun. Mas, num mundo onde ninguém está disposto a ceder e nem a ouvir o que o outro tem a dizer, quando há lutas intermináveis para se conquistar algo para benefício próprio, e onde a ignorância deixa de ser uma benção para se tornar uma maldição, é difícil lidar... É difícil tomar decisões, e às vezes é preciso apenas seguir ordens, mesmo que no fundo fique claro que o medo de uma suposta retaliação é maior do que fazer a escolha certa. E é aí que entra a rival de Raya: Namaari.



Namaari, apesar de sempre estar no caminho de Raya tentando descobrir seus planos, perseguindo e atrapalhando ao máximo, não é uma vilã propriamente dita, ela só foi levada a acreditar em algo desde a infância em prol de seu povo, e acha que o caminho é sempre obedecer e lutar pelo que quer que seja, logo, embora eu tenha discordado total e ficado com ódio da forma como ela age, é compreensível pois ela tem um motivo que justifica o que ela faz. Inclusive um ponto interessante sobre a inimizade dos reinos vem do fato de que as vezes as pessoas acreditam naquilo que ouvem falar, mas que, claro, não necessariamente correspondem com a realidade...



Assim, Raya em companhia de Tuk Tuk, Sisu, e o grupo que elas formam a medida que avançam na missão, com integrantes de reinos distintos, incluindo uma bebê ninja e golpista com seus macacos delinquentes, um guerreiro que não parece saber lidar com os próprios sentimentos, e um garotinho que teve que aprender a cuidar de si mesmo, além de ajudarem com a carga dramática que vem ao final, vão tentar reparar esse estrago causado pela desunião dos povos, mesmo que Namaari insista em se intrometer, e mostrar que no meio desse caos, alguém precisa ceder e dar o primeiro passo pra mudança começar a acontecer.

Acredito que nessa animação não há um vilão do tipo clássico, que quer destruir o mundo, ou que quer dar um golpe e acabar com os mocinhos em busca de poder, acho que os Druun também não se encaixam como vilões, mas como uma consequência de péssimas decisões. O maior vilão aqui é o egoísmo, é a desunião, é a falta de diálogo, é a incapacidade de se chegar num consenso por só se pensar no individual em vez do coletivo. E cá entre nós, nos dias de hoje, com tanta tragédia acontecendo devido a essa pandemia tenebrosa, com a irresponsabilidade dos governantes que tiram decisões do bueiro, impõe qualquer absurdo e azar o povo, e com tanta gente imprudente a solta que não pensa em nada além do próprio umbigo, o que a gente vê na animação acaba indo mais além da ficção e da fantasia e é impossível não pensar que o fim está mesmo próximo... É literalmente cada um por si, e salve-se quem puder. E, talvez, pelo próprio estilo da animação, que remete a distopia e fim dos tempos, não teve espaço pra personagens sentimentais cantarolando empolgados e felizes e nem algum boy que possa sugerir qualquer interesse romântico, e aposto que mesmo se existisse ninguém estaria interessada, obrigada. 



A Disney, apesar de estar acertando demais, vem caminhando em passos mui lentos quando o assunto é representatividade LGBTQ+, e ainda acho que vai demorar um bom tempo até que os personagens realmente demonstrem explicitamente algum relacionamento, mas, não nego que a quebra total de estereótipos daquela típica princesa ingênua e indefesa (e sonsa), que espera pelo príncipe encantado, já é um grande avanço, e isso nos permite supor que Raya e Namaari possuem algo a mais que vai além da rivalidade, da luta pela sobrevivência e da busca pelos seus ideais. A química ali é inegável. Elas estão a anos luz de serem donzelas indefesas, elas metem a porrada mesmo, sem dó nem piedade, pisam duro, as lutas são brutais, beirando a letalidade, e, mesmo sabendo que a Disney jamais iria enfiar uma cena bizarra e sanguinolenta numa animação, as brigas de espadas causam uma apreensão danada, dando a impressão que a qualquer momento as tripas de alguém vão escorrer ou uma cabeça vai sair voando por aí.



O final é previsível, não vou negar, mas o rumo que a história toma até o desfecho é incrível, emocionante, cheia de significados, digna de reflexões. Chorei litros no final, chorei mesmo. É o tipo de desenho que eu posso ver e rever milhões de vezes sem cansar (igual Mulan XD).
Dito isso, só posso afirmar que, depois de Mulan, Raya se tornou a minha segunda princesa da Disney favorita, e depois dessa aventura cheia de ação e magia, acho difícil aparecer alguma outra que a desbanque. Quero todos os pops na minha mesa já.

Com estreia simultânea, Raya e o Último Dragão pode ser assistido nos cinemas (mas cuidado com a pandemia, gente!) ou no conforto de casa pela Disney+ pela incalculável bagatela de R$69,90 além da assinatura mensal do app de streaming. A partir de 23 de abril a animação entrará no catálogo e poderá ser assistida sem cobrança adicional.

Trocas Macabras - Stephen King

19 de janeiro de 2021

Título:
 Trocas Macabras
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense/Fantasia
Ano: 2020
Páginas: 656
Nota:★★★★☆
Sinopse: Castle Rock, na Nova Inglaterra, é um lugar tranquilo para se viver. Mas a chegada de Leland Gaunt desestabiliza a cidade através do preconceito, ódio, fraqueza e cobiça, provocando mortes e sofrimentos. Gaunt consegue isto através de uma loja de utilidades, que sempre tem algo especial para cada morador, que para conseguirem o que desejam pagam um preço simbólico para Leland, além de conceder a ele um simples “favor”.

Resenha: Castle Rock, que serve como pano de fundo de várias outras histórias horripilantes de Stephen King, é uma cidadezinha pacata, com moradores ilustres e suas questões banais, onde tudo - de pavoroso - pode acontecer. Desta vez, a chegada do misterioso Leland Gaunt e a inauguração da "Artigos Indispensáveis", uma loja que vende de tudo que se possa imaginar, vai despertar o interesse dos moradores e, consequentemente, desencadear situações e acontecimentos tão inevitáveis quanto terríveis.

Basicamente, quem entra na loja sempre vai encontrar aquilo que mais deseja, e mesmo que o preço seja inacreditavelmente simbólico, vai variar pra cada cliente, incluindo o fato de que para levar o item, também é preciso fazer alguns favores ao Sr. Gaunt, os quais definem bem o título da obra. E embora pareçam favores bobos e inofensivos, alguns inclusive que não passam de travessuras infantis, aos poucos, desestabilizam a cidade e vão se tornando cada vez mais sombrios, causando dor, sofrimento e mortes, e virando uma gigantesca bola de neve, afinal, todo desejo tem seu preço, e cabe a pessoa ser capaz de enxergar se é um preço que realmente vale a pena pagar, ou se vai haver tempo pra se arrepender...

Em meio a toda essa "diversão", Gaunt sabe que o xerife da cidade, Alan Pangborn, é o único entre os moradores que pode estragar seus planos, sendo assim, ele vive criando situações "urgentes" pra desviar a atenção de Alan a fim de impedir que ele entre na Artigos Indispensáveis e essa apresentação seja formalizada.

Sendo assim, com o desenrolar dos fatos e várias tragédias acontecendo, o xerife consegue pistas que apontam pro dono da loja e o mistério começa. A curiosidade do leitor em saber quais as consequências de um favor e quem vai ser a vítima da vez, e quando, enfim, Gaunt será confrontado e desmascarado, é inevitável.

Gaunt é uma figura demoníaca, manipuladora e extremamente cruel, que traz à tona o que há de pior nas pessoas, e assim como todos os livros de King, este também tem personagens bem construídos, consistentes e cheio de camadas, que mostram o quanto o passado de cada um deles foi marcado por alguma tragédia que deixou cicatrizes que eles carregam até hoje. E, claro, Gaunt conhece as feridas mais profundas que eles possuem e, astutamente e da forma mais manipuladora possível, vai usar isso a seu favor.

O ritmo da leitura é lento e um tanto arrastado, pois uma das características na escrita do autor é dar todos os mínimos detalhes possíveis, seja de cenários, personagens, o que estão fazendo, o que estão sentindo e o que estão pensando, fazendo uma construção completa de cada um e mostrando quem é e o que fez para o conhecermos melhor. Ao saber do passado e do presente desses personagens, vemos que sua existência não serve apenas pra preencher as páginas, mas que se estão alí não é por acaso, é por algum propósito maior e que mais cedo ou mais tarde o futuro deles virá a tona após percebermos que todos têm alguma ligação entre si, formando um grande arco de desastres.
Um ponto bem interessante e curioso é que o leitor vai encontrar referências e alguns spoilers de outras obras do autor, mostrando o que aconteceu com alguns dos personagens, como é o caso de A Metade Sombria, Zona Morta e Cujo, que também se passa em Castle Rock. Pra quem não leu esses livros, não vai fazer muita diferença, e pra quem leu, tenho certeza que vai curtir bastante a ideia de saber um pouco mais desses personagens.

No mais, é leitura obrigatória para os fãs de Stephen King, que traz todos os elementos que mexem com nossas emoções: causam medo, apreensão e ansiedade, independente do quão absurdos e exagerados possam ser, e Trocas Macabras se destaca por mostrar explicitamente que o valor do que se quer é definido pela necessidade que se tem.

Games - Anna's Quest

12 de novembro de 2020

Título: Anna's Quest
Desenvolvedora: Daedalic Entertainment
Plataforma: PC
Categoria: Simulação/RPG
Ano: 2015
Classificação Indicativa: Livre
Nota: ★★★★☆
Sinopse: Anna's Quest é um jogo de aventura gráfica de 2015 desenvolvido e publicado pela Daedalic Entertainment. Segue a personagem-título Anna, enquanto ela tenta escapar de uma bruxa má e salvar seu avô moribundo. Com sua telecinese, uso incomum de instrumentos de tortura, habilidade para o improviso e a ajuda de uma raposa sombria, ela segue seu caminho dos picos da Montanha de Vidro à masmorra mais profunda.

Anna é uma garotinha que mora com o seu avô numa fazenda cercada por uma floresta bastante sombria. Ela sempre foi orientada por ele a não se aproximar da floresta, pois lá vivem criaturas malignas e perigosas. Essa preocupação do avô de Anna já começa a gerar curiosidade, pois não sabemos o que essas criaturas fazem e porquê.



Até que, misteriosamente, o avô de Anna fica muito doente e, apesar dela ter prometido pra ele que não iria até a floresta, ela decide atravessá-la para chegar ao vilarejo e conseguir algo para ajudá-lo, mas no meio do caminho ela é sequestrada por uma bruxa má que a prende numa torre a fim de realizar alguns experimentos para ativar um suposto poder telecinético que ela nem sabia que possuía, e é aí que o jogo começa, pois Anna precisa fugir dali o quanto antes, mas não sem antes resolver alguns enigmas que vão se encaixando e liberando novas coisas pra serem feitas.



Assim, lembrando o estilo de jogos de scape rooms mas com toques bem leves e coloridos que lembram uma historinha de conto de fadas infantil, Anna's Quest é um jogo de aventura point & click, bem bonito visualmente e com um plot muito interessante. Inicialmente os puzzles que devemos resolver para avançar os capítulos são simples, e com a ajuda do tutorial as coisas parecem ser bem fáceis. Mas, a medida que o jogo avança é preciso se atentar em muitas dicas e pistas a fim de fazer as combinações improváveis de itens a serem usados ou fazer as escolhas certas e nada óbvias para seguir adiante. O nível de dificuldade aumenta e algumas dessas tarefas não são muito claras, e a ideia de ficar muito tempo preso sem saber o que fazer e sem sair do lugar causa muita frustração no jogador.
Mesmo que a história seja rica e interessante, ela é longa, as coisas vão sendo reveladas aos poucos, há muito diálogo, muito texto e pra quem gosta de ir direto ao ponto, pode não gostar desse detalhe porque requer MUITA paciência.



No mais, com personagens cativantes, um visual bem convidativo e uma trilha sonora incrível, Anna's Quest mistura mistério com bom humor enquanto desafia o jogador com seus quebra cabeças tão simples quanto inteligentes.

A Transformação de Raven - Sylvain Reynard

17 de julho de 2020

Título: A Transformação de Raven - Noites em Florença #1
Autor: Sylvain Reynard
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2015
Páginas: 448
Nota:★★★★☆
Sinopse: Florença, o berço do Renascimento. Um lugar culturalmente fervilhante, perfeito para quem quer esconder segredos ou está em busca de uma segunda chance. Como a doce Raven, que se muda para a cidade na tentativa de esquecer os traumas do passado e se dedicar à sua maior paixão: a restauração de pinturas renascentistas.
Um dia, voltando para casa do trabalho na Galleria degli Uffizi, sua vida muda para sempre. Ao tentar evitar o espancamento de um sem-teto, Raven é atacada. Sua morte parece iminente, mas seus agressores são impedidos e brutalmente assassinados. Assustada e prestes a perder os sentidos, ela só consegue vislumbrar uma figura sombria que sussurra: Cassita vulneratus.
Ao despertar, Raven faz duas descobertas perturbadoras: uma semana se passou desde o ocorrido e ela se transformou por completo. Quando volta ao trabalho, mais uma surpresa: alguém conseguiu burlar o sofisticado sistema de segurança da galeria e roubar a inestimável coleção de ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia.
Em busca da verdade, Raven cairá diretamente nos braços do Príncipe de Florença – tão belo quanto poderoso, tão sedutor quanto maligno –, que lhe apresentará um submundo de seres perigosos e vingativos, cujas leis ela precisa aprender depressa se quiser se manter viva e salvar os que a cercam.
A transformação de Raven marca o início da série Noites em Florença, cujos personagens foram apresentados em O príncipe das sombras.

Resenha: A Transformação de Raven é o primeiro volume da série Noites em Florença que marca o início da incursão em romance sobrenatural do autor Sylvain Reynard.

Raven Wood nunca foi a garota mais popular ou bonita do colégio quando adolescente. Ela está acima do peso ideal e, devido a um acidente que sofreu na infância, ainda manca de uma perna e usa uma bengala. Apesar de ser insegura e ter baixa autoestima, nada disso impediu que ela fosse independente e corresse atrás de seus sonhos e paixões. Quando surge a oportunidade de ela trabalhar na Galeria Uffizi como restauradora de obras de arte, ela não pensa duas vezes e parte para Florença. Mas, numa noite, durante sua caminhada pra casa, ela acaba se envolvendo numa situação perigosa quando resolve defender um mendigo que havia sido espancado na rua por alguns marginais.
Sabendo do perigo da situação que não era nada favorável a ela, Raven já se prepara para o pior. Ela é atacada, e quando os baderneiros continuam, mesmo desfalecida, alguma coisa impede que ela seja violentada. Na semana seguinte ela desperta sem se lembrar de nada e mal acredita no que vê quando se olha no espelho. Ela não só se sente diferente, ela está diferente. Mais magra, mais bonita e até sua perna está completamente curada. Acreditando estar louca, Raven parte para a galeria, mas chegando lá é recebida por policiais. Ela descobre que a galeria foi roubada e se tornou a principal suspeita no caso do roubo por ter ficado sumida durante uma semana.
Como se tudo já não estivesse confuso o suficiente, ela conhece William, um homem que invade seu apartamento e a orienta a fugir para a própria segurança. Ele parece ter as respostas para todas as suas perguntas, mas obtê-las não será tão fácil quanto pensa. O que ela não imagina é que se trata do Príncipe de Florença, alguém cuja própria existência vai contra tudo o que ela acredita, mas que foi o responsável por salvá-la quando sua vida corria perigo, mesmo que ela não se lembrasse disso. Logo a atração é inevitável, mas a situação dos dois é mais complexa do que parece. O Príncipe deve manter seu reino protegido, mas precisará fazer uma escolha que poderá mudar sua vida, e a de Raven, para sempre.
A partir daí, segue uma história de suspense e amor em que dois mundos opostos se colidem.
mesmo que relutantemente o Príncipe a ajude, cada vez mais ele a arrasta para um mundo misterioso e desconhecido do qual ela deveria não saber que existe.

A escrita do autor é rica e graciosa, beira o estilo lírico e é um tanto afiada. Narrada em terceira pessoa, a história trata de um romance entre duas pessoas improváveis que, juntas, enfrentam os perigos das ruas de Florença. O romance fala de amor, sacrifício, religião e redenção ao mesmo tempo que se mescla com toques artísticos para dar beleza e riqueza à trama que vai se desenvolvendo de forma gradual e num ritmo lento mas, ainda assim, satisfatório.
Raven, inicialmente, é uma personagem que foge dos estereótipos de mocinha de romances contemporâneos, tanto pela aparência quanto pela personalidade, até mesmo porque ela mostra que a beleza é algo que vem de dentro. Ela é americana, mas, a fim de se livrar de seu passado conturbado e traumático, agarra a chance de ir para a Itália trabalhar com o que gosta em busca de uma vida nova.
O herói da vez - ou melhor, o anti-herói - é um vampiro secular, governador do submundo de Florença e que faz de tudo para manter a ordem na cidade. Mesmo que considere as pessoas seres insignificantes, ele sabe que elas são necessárias para que tudo possa fluir adequadamente no mundo. Ele é cruel, letal e valoriza a disciplina, mas esconde segredos e sentimentos como forma de fortalecer seu poder de influência e persuasão sobre os demais vampiros de sua espécie. Ao mesmo tempo que exerce seu charme se tornando alguém desejado, ele também é temido por ser alguém tão perigoso, mas para um homem que deve manter seus segredos em nome de seu governo, ter um ponto fraco que o torna vulnerável não é algo que ele pretendia ter no momento.

Um ponto de que gostei bastante foi o desenvolvimento dos conflitos internos que o casal enfrenta. Ele por ter que lidar com sentimentos que não sabia ser capaz de ter, pois uma criatura da noite tão imponente e sombrio não parece ser alguém capaz de amar. E ela por ser alguém que o torna vulnerável.
O roubo das famosas ilustrações de Botticelli também é abordado, dando prosseguimento ao que começou no conto anterior e que já vem da série O Inferno de Gabriel. Mesmo que não seja necessário ler O Príncipe das Sombras, acredito que a leitura seja importante para um entendimento mais completo do que se passa.

Os personagens de forma geral são bem construídos e interessantes e, mesmo que haja fantasia sobrenatural envolvida, possuem características emocionais que os tornam bastante próximos da nossa realidade.
A partir das descrições que o autor faz, é possível até mesmo fazer uma verdadeira viagem por Florença. E quem tem algum conhecimento de obras de arte vai ficar satisfeito ao se deparar com algumas obras sendo mencionadas no decorrer do livro.
A capa não tem detalhes a serem destacados apesar de ser bonita e bastante intrigante. As páginas são amarelas, apesar da imagem de uma das obras mencionadas na história que aparece no início do livro, a diagramação é simples e sem diferencial, e a fonte tem um tamanho agradável. A revisão está ótima. Ao fim da história há uma cena extra envolvendo o livro A Redenção de Gabriel mas que está ligada diretamente a este, e outra sobre Aoibhe, uma das personagens que anseia por ser a Princesa de Florença ao lado do Príncipe.

Talvez o título remeta a outro tipo de transformação, não a física pela qual Raven passa, mas algo interno, que envolve não só ela, mas a forma como o próprio Príncipe age e encara sua missão em Florença ao ser o responsável pelo submundo quando se deixa levar por um sentimento novo e único...
Ansiosa pelo próximo volume a fim de saber quais serão as consequências para as escolhas de Raven Wood e o Príncipe de Florença. Conspirações e reviravoltas, vingança, busca por poder, embates entre vampiros e caçadores e uma trama recheada de cenas super sensuais é o que nos aguarda em A Transformação de Raven.

O Príncipe das Sombras - Sylvain Reynard

15 de julho de 2020

Título: O Príncipe das Sombras - Noites em Florença #0.5
Autor: Sylvain Reynard
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2015
Páginas: 128
Nota:★★★★☆
Sinopse: Um conjunto muito valioso de ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia, de Dante Alighieri, é exposto na Galleria degli Uffizi, em Florença. O dono das peças é o famoso professor de literatura Gabriel Emerson. Quando se deixou persuadir por sua amada esposa, Julianne, concordando em dividir com o mundo a beleza daquelas obras de arte, Gabriel jamais poderia imaginar que estaria atraindo para si um poderoso inimigo.
Mais de um século antes, aquelas mesmas ilustrações foram roubadas de seu verdadeiro dono, o Príncipe de Florença, uma criatura sobrenatural e misteriosa que governa o submundo da cidade e há muito não sabe o que é o amor. Agora um dos seres mais perigosos da Itália está disposto a recuperar o que lhe pertence e se vingar de Gabriel e Julianne. Mas logo seus planos são frustrados. Um atentado o obriga a deixar os Emersons de lado, afinal ele precisa resolver assuntos muito mais importantes. Tanto seu principado quanto sua própria vida parecem estar em risco. Passado na cidade mais artística da Itália, O príncipe das sombras é uma incrível introdução à nova série de Sylvain Reynard, Noites em Florença, e vai deixar os leitores com gostinho de quero mais.

Resenha: O Príncipe das Sombras se trata de uma introdução à série sobrenatural Noites em Florença do autor canadense Sylvain Reynard (da trilogia O Inferno de Gabriel) publicada no Brasil pela Editora Arqueiro.
Em 2011, no submundo de Florença, um vampiro antigo está atrás do casal Gabriel e Julianne (personagens da série anterior do autor). Os dois estão em posse de ilustrações valiosas e originais da Divina Comédia, obras de autoria de Botticelli, mas o que eles não sabiam era que essas ilustrações haviam sido roubadas de seu verdadeiro dono em 1870. Por acreditar que Gabriel está envolvido no roubo, o Príncipe de Florença planeja uma vingança para recuperar o que é seu e parte atrás do casal, mas uma ameaça seguida por um ataque à cidade interrompe seus planos e ele é obrigado a desviar seu foco do casal Emerson e bolar uma estratégia para descobrir quem atacou a cidade. Logo sua vida está em jogo, mas ele não vai desistir de proteger os assuntos de seu interesse, mesmo que tudo indique que uma guerra está a caminho.
Narrado em terceira pessoa de forma bem poética e tendo como pano de fundo a cidade italiana de Florença, o leitor é introduzido aos personagens e à atmosfera da nova série do autor de uma forma intensa, romântica e envolvente.
É bem notável que o Príncipe apareça como uma criatura sobrenatural perigosa, cruel e que segue seus instintos. Ele não sabe o que é desculpar alguém ou ter misericórdia, e não hesita em passar por cima de qualquer um que possa atrapalhar seus objetivos. Mas ele começa a ter um lado que não imaginou possuir sendo despertado dentro de si. A vida frágil e delicada de Julianne somada ao seu relacionamento com Gabriel passa a ser observada com objetivo de vingança. O Príncipe passa a presenciar seus momentos mais íntimos, sendo testemunha do desejo intenso que eles nutrem um pelo outro e acaba se lembrando de alguém em sua juventude que já havia o olhado com o mesmo carinho, mas que, devido ao tempo, ele havia se esquecido e deixado de saber o que era amor. Logo alguns sentimentos há muito escondidos e reprimidos vêm à tona.

O Príncipe das Sombras é um conto rápido de ser lido e cumpre com seu papel introdutório, pelo charme do Príncipe e, principalmente, por encantar o leitor com as descrições acerca do cenário e das belezas que só a Itália tem.
Os capítulos são curtos e ao final do livro há um glossário com uma pequena lista de personagens, termos e nomes usados na história para que o leitor possa saber quem é quem ou o que é o lugar ou função mencionados.

A caçada do Príncipe por respostas ainda não é resolvida, claro, e muito da personalidade e da própria vida do protagonista não são revelados, logo a curiosidade para saber mais sobre o que está por vir é imensa. Acredito que se a história viesse como um prólogo do primeiro livro da série seria melhor, pois ela traz informações que acrescentam e são importantes para que o leitor se situe melhor ao iniciar a leitura do primeiro livro da série, A Transformação de Raven, já lançado pela Arqueiro.
Mesmo que não a leitura não seja obrigatória para o entendimento da série em geral, por ser um conto extra, de alguma forma, pode fazer falta para quem gostar e quiser acompanhar os personagens nessa nova jornada.

Magia do Sangue - Nora Roberts

13 de julho de 2020

Título: Magia do Sangue - Primos O'Dwyer #3
Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Romance
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:★★★☆☆
Sinopse: Há muitos anos, Branna O’Dwyer entregou seu amor a Finbar Burke. No entanto, o romance durou pouco. Uma maldição ligada ao sangue de suas famílias os proibiu de ficar juntos.
Branna tentou preencher esse vazio com amigos e familiares, mas sabe que, sem Fin, sua vida nunca estará completa. Ele, por sua vez, passou os últimos doze anos viajando pelo mundo, focado exclusivamente no trabalho.
Atormentados pela forte atração que nem a distância pôde aplacar, nenhum dos dois acha que um dia se entregará de novo ao amor.
Entretanto, em meio às sombras que ameaçam destruir tudo o que eles consideram mais precioso, esse relacionamento sem futuro pode ser também a última esperança que lhes resta.

Resenha: Magia do Sangue é o terceiro volume que fecha a trilogia Primos O'Dwyer, escrita por Nora Roberts e publicado pela Editora Arqueiro no Brasil.

A premissa da história gira em torno de Sorcha, uma bruxa poderosa que viveu no século XIII e que se sacrificou para salvar os filhos depois de ser perseguida por Cabhan, um demônio sedento por poder. Muitos séculos se passaram desde o ocorrido e seus descendentes, mais uma vez, irão precisar enfrentar o mal que tentará derrotá-los e tomar o poder. Dessa forma, cada livro da trilogia gira em torno de um dos primos e seu par, e juntos, irão enfrentar os perigos para derrotarem Cabhan em nome da família, da amizade e do amor.

Branna se apaixonara por Finbar há muitos anos, mas quando descobriu que ele era descendente do seu maior inimigo e que uma maldição pairava sobre suas famílias, eles não puderam ficar juntos. Dessa forma, sem poder viver o amor que gostaria, Branna investiu na família e no trabalho a fim de preencher esse vazio deixado por Fin em seu peito.
Fin, sendo descendente de Cabhan, tinha o poder de se conectar com os mundos do bem e do mal, mas por ter sido impedido de ficar com Branna devido a essa "maldição", ele tentou evitar a família O'Dwyer para seguir com sua vida. Porém, para derrotar Cabhan eles precisariam unir forças...
Depois de passar por tantos percalços, Fin e Branna deverão ser capazes de considerar que o amor que sentem um pelo outro pode ser maior do que a maldição que os separou e somente através da união dos dois haverá esperança no destino de suas famílias.

Magia do Sangue ira mostrar os seis amigos tentando descobrir uma forma de derrotar Cabhan de uma vez por todas, tendo ajuda de seus ancestrais, e revirando o passado do bruxo a fim de descobrirem possíveis fraquezas para derrotá-lo.
Branna e Fin, desta vez, são os protagonistas, que desde o começo possuem uma relação de amor e ódio, e que confesso ter tornado a história mais interessante de se acompanhar. Apesar de tudo, Fin sempre foi apaixonado por Branna mas por ele ser descendente de Cabhan elas não poderiam ter uma vida juntos, logo ele iria aproveitar todas as oportunidades que tivesse para provar seu amor e faria de tudo para derrotar o demônio para se unir a sua amada.

O livro, assim como os demais da trilogia, é narrado em terceira pessoa e acompanhamos Branna e Fin como os protagonistas deste volume. Apesar da história se manter num ritmo lento e bastante repetivivo, a autora amarrou bem as pontas que haviam ficado soltas nos volumes anteriores, fechando a história e seus ciclos de forma satisfatória. De forma geral, esperava bem mais da mitologia criada, pois a medida que os acontecimentos se desenrolam, percebi que não houve muito exploração e é como se tudo se resumisse em se envolverem e se apaixonarem, participarem de banquetes maravilhosos e salvarem o mundo, não necessariamente nesta ordem. E claro, não posso deixar de mencionar o enorme espaço dedicado às refeições fabulosas preparadas por Branna e toda aquela fartura sem fim que estão sempre presentes em meio ao enredo. Talvez as descrições desses jantares sirva mais pra ilustrar a união entre os personagens quando estão reunidos e compartilhando bons momentos, mas acho que, indo contra meus princípios taurinos, comida não é a base de tudo nessa vida e é possível ter momentos felizes fazendo outras coisas a fim de sair daquela rotina que, por ser tão repetitiva, acaba se tornando chata. Basta uma pontinha de aproximação que já podemos esperar uma mesa cheia de gostosuras.
Um dos pontos que gostei bastante foi que finalmente a verdadeira origem de Fin veio à tona e fui pega de surpresa por ser algo que estava lá o tempo todo mas não enxerguei.
Os feitiços e todos aqueles rituais são cantados em forma de rima e confesso que essa característica não me agradou.

Com relação a parte física, a capa deste volume é a mais bonita dentre os três, talvez devido as cores utilizadas que são mais alegres dando a impressão de que haverá um fim feliz. A Diagramação é simples, há ornamentos sob os numerais indicando os capítulos, as páginas são amarelas e a revisão, apesar de ter algumas falhas e erros ortográficos bem perceptíveis, superou um pouco a dos outros volumes. O problema maior aqui é que em alguns pontos pode haver confusão entre os personagens, não sendo fácil ou possível distinguir quem está falando.

Acho que o único problema da história é a forma como foi montada. É como se seguisse uma fórmula mantendo uma sequência de acontecimentos em todos os livros da trilogia sendo possível prever o que vem a seguir... A história começa com as lembranças pontuais dos filhos de Sorcha, depois os primos discutindo sobre as maneiras de Cabhan ser derrotado, comida, as questões amorosas e como vão se desenrolando para serem resolvidas, mais comida, a batalha e pronto.

De forma geral, a história de Branna e Fin era a que eu mais esperava, devido aos conflitos deles serem maiores, mais trágicos e mais interessantes do que os de Iona e Boyle (protagonistas de Bruxa da Noite), ou Meara e Connor (protagonistas de Feitiço das Sombras).
Posso dizer que a autora apresentou uma trama focada na importância da família unida e a lealdade às origens, e Finn luta contra a sua própria origem, mostrando que seu amor por Branna é maior e vai além do que qualquer influência que seu ancestral maligno poderia exercer sobre ele.

Apesar de não ser a melhor trilogia de fantasia que já acompanhei devido a falta de profundidade na mitologia escolhida, e pela enrolação da história que, às vezes, pode ser bastante irritante, é de se aproveitar pela mensagem de que absorvemos sobre a importância da família e da amizade em nossas vidas, e que a união realmente faz a força quando há cumplicidade, respeito e determinação para atingirmos nossos objetivos.