24 de março de 2017

A Irmandade Perdida - Anne Fortier

Título: A Irmandade Perdida
Autora: Anne Fortier
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance
Ano: 2015
Páginas: 528
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas | Amazon
Sinopse: Diana Morgan é professora da renomada Universidade de Oxford. Especialista em mitologia grega, tem verdadeira obsessão pelo assunto desde a infância, quando sua excêntrica avó alegou ser uma amazona – e desapareceu sem deixar vestígios.
No mundo acadêmico, a fixação de Diana pelas amazonas é motivo de piada, porém ela acaba recebendo uma oferta irrecusável de uma misteriosa instituição. Financiada pela Fundação Skolsky, a pesquisadora viaja para o norte da África, onde conhece Nick Barrán, um homem enigmático que a guia até um templo recém-encontrado, encoberto há 3 mil anos pela areia do deserto.
Com a ajuda de um caderno deixado pela avó, Diana começa a decifrar as estranhas inscrições registradas no templo e logo encontra o nome de Mirina, a primeira rainha amazona. Na Idade do Bronze, ela atravessou o Mediterrâneo em uma tentativa heroica de libertar suas irmãs, sequestradas por piratas gregos.
Seguindo os rastros dessas guerreiras, Diana e Nick se lançam em uma jornada em busca da verdade por trás do mito – algo capaz de mudar suas vidas, mas também de despertar a ganância de colecionadores de arte dispostos a tudo para pôr as mãos no lendário Tesouro das Amazonas.
Entrelaçando passado e presente e percorrendo Inglaterra, Argélia, Grécia e as ruínas de Troia, A irmandade perdida é uma aventura apaixonante sobre duas mulheres separadas por milênios, mas com uma luta em comum: manter vivas as amazonas e preservar seu legado para a humanidade.

Resenha: A Irmandade Perdida, escrito pela autora dinamarquesa Anne Fortier (a mesma do livro Julieta) e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, conta a história de Diana Morgan, uma renomada professora da Universidade de Oxford, filóloga e especialista em mitologia grega que também é fascinada pelas amazonas desde quando sua avó disse ter sido uma no passado, até ter desaparecido misteriosamente deixando apenas um caderno com um idioma desconhecido e um bracelete para a neta.
Até que um dia Diana recebe uma proposta intrigante e muito tentadora... Tratava-se de um convite para que ela decifrasse um código ligado às amazonas num templo arqueológico recém-descoberto na África. Diana não hesita diante dessa oportunidade pois seria sua grande chance de provar que as amazonas existiram, mas o que ela não esperava era que essa viagem rumo a Argélia transformaria sua vida, pois além dos segredos desconhecidos que pairam pelo local, há outras pessoas que também estão nessa corrida contra o tempo para desvendá-los...
Com a ajuda do caderno deixado por sua avó, Diana começa a decifrar as inscrições registradas no templo que estão lá há cerca de três mil anos e não demora a encontrar o nome da primeira rainha amazona, Mirina, cuja história heróica e repleta de aventuras logo desperta a curiosidade de Diana, que começa a seguir rastros para descobrir a verdade escondida por trás da lenda.

A narrativa mescla presente e passado se alternando entre primeira e terceira pessoa. Nas passagens no tempo presente e destinadas a Diana, o leitor tem o ponto de vista dela, enquanto as de Mirina são feitas em terceira pessoa há milênios atrás.
A escrita é mais rebuscada, não sendo muito casual, mas é de fácil compreensão e bastante fluída, e a autora tem uma habilidade muito boa quando o assunto é pesquisar para tornar os elementos impostos na trama plausiveis e convincentes, seja com relação as lendas ou a própria mitologia grega a qual a protagonista é fascinada, e isso colabora muito para despertar não só a curiosidade do leitor, mas também seu interesse por tais temas.
Os diálogos são inteligentes e bastante dinâmicos o que acaba tornando a leitura bastante agradável, e unindo esse fator à construção de personagens incríveis em meio a cenários deslumbrantes, o resultado só poderia ser uma história envolvente e recheada de momentos marcantes e memoráveis.

Apesar da trama ser muito rica, preciso confessar que a parte do romance, pra mim, deixou a desejar, pois soa mais forçado do que eu gostaria e com intençoes um pouco convenientes demais para que algumas reviravoltas pudessem ter sido feitas.
Então, por mais que eu tenha gostado de Diana e sua força de vontade de correr atrás do que acredita sem medo, o que ficou mais evidente que isso foi perceber através de suas ações em sua jornada que ela é uma personagem que tem enormes dificuldades de lidar com situações quando ela é contrariada, e isso acaba se contradizendo um pouco com a forma que ela foi apresentada inicialmente. Ela é forte, mas com ressalvas...
Mirina se destacou muito mais por estar a frente de seu tempo, já demonstrando ter força e coragem numa época dominada pelos homens onde a mulher devia ser submissa. No final das contas fica evidente que os feitos de cada uma se completam, fazendo com que a história se amarre de forma genial e fique ainda mais movimentada e surpreendente.

Um ponto super positivo é a ideia de que existem conexões entre os personagens que são trabalhadas ao longo da trama fazendo com que o leitor fique bastante surpreso com as revelações feitas, mas também há alguns pontos negativos, como vários dos personagens secundários que parecem não terem sido tão bem explorados como deveriam de forma que alguns parecem estar alí mais pra atrapalhar ou ocupar páginas, assim como os flashbacks de Diana que acabam "interrompendo" a fluidez de vários acontecimentos que estavam sendo narrados anteriormente aos quais considerei vários deles super dispensáveis.

A capa é a mesma da original e o capricho é admirável, desde o tom de turquesa e verde até os detalhes de ornamento em volta da imagem com aplicação de verniz para se destacarem. A diagramação é simples e os capítulos, alguns curtos e outros mais longos, são numerados e com a indicação da cidade onde a personagem está a fim de facilitar a localização de onde a situação se passa. As páginas são amarelas, a fonte tem tamanho normal e não percebi erros na revisão.

Em suma, A Irmandade Perdida aborda a vida de duas mulheres fortes em meio a aventuras de tirar o fôlego. Estarem separadas pelo tempo não impediu seus propósitos de manter vivo o legado das amazonas para o mundo inteiro. Pra quem procura por uma história incrível e cheia de aventuras, é livro mais do que recomendado.

23 de março de 2017

Novidades de março - Darkside Books

The Beauty of Darkness - Crônicas de Amor e Ódio #3 - Mary E. Pearson

A trilogia Crônicas de Amor e Ódio chega ao fim de maneira arrasadora. A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistérios e autoconhecimento, em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, onde o poder feminino é a força motriz capaz de mudar e fazer toda a diferença no novo mundo em construção.
Lia sobreviveu a Venda, mas não foi a única. Um grande mal pretende destruir o reino de Morrighan, e somente ela pode impedi-lo. Com a guerra no horizonte, Lia não tem escolha a não ser assumir seu papel de Primeira Filha, como uma verdadeira guerreira — e líder.
Enquanto luta para chegar a Morrighan a tempo de salvar seu povo, ela precisa cuidar do seu coração e seus sentimentos conflituosos em relação a Rafe e as suspeitas contra Kaden, que a tem perseguido. Nesta conclusão de tirar o fôlego, os traidores devem ser aniquilados, sacrifícios precisam ser feitos e conflitos que pareciam insolúveis terão que ser superados enquanto o futuro de todos os reinos está por um fio e nas mãos dessa determinada e inigualável mulher.

A Guerra Que Salvou a Minha Vida - Kimberly Brubaker Bradley

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.
Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.
Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.
Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios.

22 de março de 2017

Meio Mundo - Joe Abercrombie

Título: Meio Mundo - Mar Despedaçado #2
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia
Ano: 2017
Páginas: 368
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas | Amazon
Sinopse: Thorn Bathu não é uma garota comum. Mesmo tendo sido criada numa sociedade machista, ela vive para lutar e treina arduamente há anos. Porém, após uma fatalidade, ela é declarada assassina pelo mesmo mestre de armas que deveria prepará-la para as batalhas.
Para fugir à sentença de morte, Thorn se vê obrigada a participar de um esquema do ardiloso pai Yarvi, ministro de Gettland. Ao lado dela se encontra Brand, um guerreiro que odeia matar, mas encara a jornada como uma chance de sustentar a irmã e conquistar o respeito de seu povo.
A missão dos dois é cruzar meio mundo a bordo de um navio e buscar aliados contra o Rei Supremo, que pretende subjugar todo o Mar Despedaçado. É uma viagem desafiadora, em que Brand precisa provar seu valor e Thorn fará o necessário para honrar a memória do pai e se tornar uma verdadeira guerreira.

Resenha: Meio Mundo é o segundo volume da trilogia Mar Despedaçado escrita pelo autor inglês Joe Amercrombie. O livro foi publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.

Thorn Bathu não é igual as outras garotas de Gettland. Ela não tem interesse pela vida de mulherzinha submissa que muitas se prestam, para o desgosto de sua mãe. Se casar ou cuidar da aparência são coisas que passam longe de seus pensamentos e tudo o que ela mais sonha é se tornar uma guerreira como seu pai fora e ainda vingar sua morte, mas vivendo num mundo extremamente machista, isso não seria tão fácil assim. Durante um treinamento, Thorn acaba matando de forma acidental um dos seus colegas, e isso faz com que ela seja julgada como uma assassina cuja sentença é ser apedrejada até a morte. Mas, com a ajuda de Brand e de Pai Yarvi, ela consegue escapar desse destino, e por ter tido a vida salva, ela faz um juramento para serví-lo.
Graças a Yarvi, os destinos de Thorn e Brand se cruzam, e ele se aproveita disso para conseguir mais aliados através de uma viagem que os fará percorrer meio mundo para adentrar numa guerra contra o Rei Supremo a fim de salvar Gettland. De um lado está Thorn, tocada pela Mãe Guerra, que fará de tudo para se tornar uma guerreira forte e honrar o pai, e do outro está Brand, que reluta quando o assunto é matar e não quer se desviar do caminho da luz.

Antes de mais nada, vale ressaltar que o primeiro livro, Meio Rei, traz a história de Yarvi e tudo pelo que o jovem passou até se transformar no homem que nos é apresentado neste segundo livro. Como tudo da trama se passa no mesmo universo, alguns personagens já conhecidos estão presentes, mas não possuem o mesmo destaque que tiveram anteriormente já que o foco é um novo grupo. Então, por mais que Meio Mundo traga personagens novos e principalmente uma outra protagonista criado um novo arco, não acho que o livro seja tããão independente assim, mesmo que ainda possa ser lido sozinho, pois a falta do primeiro vai causar aquela sensação de que perdemos alguma coisa, ou ainda tornar um pouco incompreensível a busca por determinados objetivos que os personagens traçaram.

Narrado em terceira pessoa, a escrita do autor continua fluída e com doses ainda maiores de ação. O foco fica sobre Thorn e Brand e isso acaba permitido que o leitor tenha uma visão diferente dos personagens do livro anterior, principalmente de Yarvi.
Thorn é aquele tipo de personagem que cresce e se torna muito forte com com as experiências que vai adquirindo ao longo de sua jornada, e ela não tem medo de sujar as mãos de sangue se a ocasião exigir isso... Em contrapartida, Brand equilibra a história diante desse espírito guerreiro de Thorn, pois ele sempre visa a bondade e a paz, e mesmo que não goste, ele não foge da luta quando se depara com uma.
Não vou dar muitos detalhes sobre Yarvi para evitar spoilers, mas posso dizer que enquanto no primeiro livro o leitor se deparou com uma história de dor, inseguranças e muitas lutas, aqui o personagem usa sua inteligência e esperteza a favor dos seus objetivos e se mostra um completo badass. Ele é um personagem forte, cheio de camadas e ainda consegue ser engraçado e reservar várias surpresas...

A capa segue no mesmo padrão da série e traz os personagens principais com Thorn a frente como a verdadeira guerreira que é. Assim como no livro anterior, os capítulos possuem títulos, as páginas são amarelas e não percebi erros na revisão.

Pra quem procura por uma história de fantasia que envolve batalhas e heróis, mas, acima de tudo, que evidencia a amizade verdadeira e até onde é possível alguém ir a fim de provar seu valor, é leitura mais do que indicada.

21 de março de 2017

Meio Rei - Joe Abercrombie

Título: Meio Rei - Mar Despedaçado #1
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia
Ano: 2016
Páginas: 288
Nota:
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Americanas | Amazon
Sinopse: Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.
Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.

Resenha: Meio Rei é o primeiro volume da trilogia Mar Despedaçado escrita pelo autor inglês Joe Amercrombie. O livro foi publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.

Yarvi é príncipe de Gettland, filho mais novo do rei Uthrik e, por ter nascido com uma deformidade em uma das mãos, não é considerado um homem inteiro, mas sim "meio", por não ser capaz de brandir uma espada e não ter a força física necessária por aqueles que ditam as regras e são considerados fortes. Ele sempre foi desprezado pelo pai e sempre foi alvo de piadas por não ser um verdadeiro guerreiro, mas sim um meio filho, como se jamais fosse estar a altura do pai ou do irmão mais velho.
Embora Yarvi tenha esse defeito, ele é um jovem inteligente e que possui conhecimentos relacionados a cura, ervas e afins, logo herdar o trono nunca foi algo que o interessou. Yarvi quer ser ministro, um tipo de conselheiro do rei, que serve ao Pai Paz em vez da Mãe Guerra. Porém, prestes a fazer o teste para se tornar ministro, Yarvi recebe a notícia de que seu pai e seu irmão foram mortos durante uma emboscada e, consequentemente, ele deveria assumir o trono e todas as responsabilidades que o irmão teria, inclusive seu casamento arranjado, mas, quando decide que iria vingar a morte dos dois, Yarvi acaba sendo traído, e as provações pelas quais o jovem irá passar serão fatores cruciais para que ele faça escolhas que irão traçar o destino de todo o reino.

Narrado em terceira pessoa, acompanhamos uma história de dor e muita luta com personagens complexos e que são movidos não só pela coragem, mas pela forma de pensar, mesmo que seus sentimentos sejam totalmente conflitantes diante da situação em que se encontram.
Eu gostei de Yarvi pois é possível aprender com ele que os maiores e melhores exemplos partem de uma história difícil, e com ele não foi diferente. E não só pelo fato de ele ter uma deficiência que faz com que ele se comporte de forma mais humana e realista, passando por dificuldades maiores devido a essa limitação e aprendendo com os próprios erros. Ele precisou desistir de todos os seus planos para herdar um trono que não queria, e tudo o que passou, por mais injusto que tenha sido, serviu para que ele crescesse não só como pessoa, mas como o verdadeiro líder que ele nasceu pra ser, embora tenha sido desacreditado disso a vida inteira.
Os demais personagens também são fundamentais para o desenrolar da história, a ambientação é rica e detalhada sem muitos excessos e o universo de forma geral traz questões como política, religião e afins, que são relevantes para a época fazendo toda a diferença por estarem lá.

Posso dizer que não foram só as grandes reviravoltas e a total imprevisibilidade sobre os personagens eu me agradaram na trama de forma geral, mas também a forma como o autor não tratou as personagens femininas de forma unilateral, mas sim, deu a elas características que, geralmente - e levando em consideração a época medieval -, são voltadas a personagens masculinos, e mostrou que elas também podem ser fortes, corajosas, inteligentes e destemidas deixando qualquer machão no chinelo. E mesmo a trajetória de Yarvi sendo o foco principal da história, elas não ficam ofuscadas já que se destacam e possuem um papel essencial, independente do que façam ou onde e com quem estejam.

O projeto gráfico do livro também é simples mas chama bastante atenção. A capa condiz com a história e o detalhe em verniz no título o destaca do fundo escuro.
Os capítulos possuem títulos em vez se serem numerados e são curtos, e isso colabora ainda mais pra fluidez da leitura que acaba sendo feita de forma bem rápida.

No mais, Meio Rei é um misto de fantasia com ação, trazendo uma trama inteligente e que mantém o leitor preso da primeira a última página. Super recomendo!

20 de março de 2017

Novidades de Março - Grupo Pensamento

Seoman

A Primeira Pedra - Krzysztof Charamsa

O padre polonês Krzysztof Charamsa, 44 anos, atualmente ativista dos direitos LGBT em Barcelona, ocupou os níveis mais altos da Igreja Católica. Revelar sua homossexualidade em outubro de 2015 foi apenas uma nova e difícil etapa em sua vida. A partir daí, Charamsa passou por muitas provações por assumir-se gay no seio de uma das instituições mais conservadoras do mundo. Neste livro, ele revela como os homossexuais são discriminados, reduzidos à condição de pervertidos, enquanto o clero católico, fortemente homofóbico, é ele próprio composto em grande parte por homossexuais. Esses homens acabam arando um terreno fértil onde germina a erva daninha vergonhosa da pedofilia e outros tipos de abusos. Escrita de forma clara, direta e emocionada, a obra promete estremecer os alicerces éticos de uma das instituições mais poderosas do mundo.

Cultrix

Filosofia sem as Partes Chatas - Alain Stephen

Temos mesmo livre-arbítrio? Como sabemos a diferença entre certo e errado? Se Deus existe, por que permite o sofrimento? O que é o tempo? Existe vida depois da morte? Perguntas como essas têm ocupado e perturbado as mentes mais brilhantes do mundo ao longo da história da civilização humana, provocando sempre muita discussão e debate. Neste livro curioso e visceral, Alain Stephen explora algumas dessas questões básicas. Ele explica todos os principais conceitos da filosofia, desde a Grécia Antiga até os grandes intelectuais da França do século XX. Com uma linguagem clara e livre de jargões, este livro propicia momentos de deleite e reflexão tanto para o pensador erudito quanto para qualquer pessoa que se interesse em filosofar sobre os grandes enigmas da vida.

Mapas Mentais Para os Negócios - Tony Buzan e Chris Griffiths

Tony Buzan, o mais proeminente autor mundial de Mapeamento Mental, ao lado de Chris Griffiths, cofundador e CEO da Buzan Online Ltd., vai lhe mostrar como aplicar Mapas Mentais a qualquer desafio ou meta empresarial - desde o gerenciamento de projetos e vendas até estratégias de liderança. Usado por empresas do mundo inteiro, entre elas, De Beers, Disney, Microsoft e até a NASA, para criar, liderar, planejar, apresentar soluções e fazer apresentações, os Mapas Mentais podem ajudá-lo a resolver problemas, descobrir novas maneiras de trabalhar, traçar planos de negócios, reestruturar sua equipe e muito mais.

O Herói - Lutz Müller

Neste primeiro volume da Biblioteca Psicologia e Mito, o analista junguiano Lutz Müller revela o verdadeiro caminho do herói - o caminho da individuação e da vida criativa; o caminho da mudança que, através do enfrentamento da morte, leva a uma nova vida. E, ao convidar o leitor a refletir sobre a história do seu herói preferido, mostra que esse caminho não está reservado a uns poucos escolhidos, mas que todos nós - homens ou mulheres - nascemos para ser heróis.


O Guia Completo das Plantas Medicinais - David Hoffman

Neste guia abrangente e bem fundamentado, o médico herbalista David Hoffmann oferece um tratamento natural e sem contraindicações para ajudar você a recuperar e manter a saúde e o bem-estar. Orientações claras e minuciosas mostram como diagnosticar e tratar com segurança uma ampla variedade de distúrbios - desde prisão de ventre, TPM e depressão até rinite, diabetes e tensão nervosa - sem nenhum efeito colateral nocivo. Uma obra para você promover a sua saúde e bem-estar, com um dos tratamentos mais acessíveis e completos que a natureza nos deu.

Jangada

O Terceiro Testamento - Christopher Galt

Em toda parte, as pessoas começam a ter visões. Um adolescente francês assiste Joana D'Arc ser queimada na fogueira, e até tenta tirar uma foto com o celular, e a presidente dos Estados Unidos tem visões de seus antecessores dentro da Casa Branca. Ninguém sabe se essas misteriosas aparições são uma espécie de alucinação coletiva, uma doença virótica causada por bioterrorismo ou se são sinais do Apocalipse. Ocorrem suicídios em massa em várias partes do mundo, e o psiquiatra e neurocientista John Macbeth, à frente de um projeto para criar uma inteligência artificial autônoma, busca freneticamente uma resposta antes que seja tarde demais. Ele descobre que a verdade por trás de tudo pode mudar os rumos da humanidade para sempre. E até custar a sua vida. Uma história eletrizante que o fará questionar sua perspectiva da realidade. E até mesmo a sua sanidade.

Pensamento

Os Segredos do Signo Solar - Amy Zerner e Monte Farber

Um livro cheio de informações práticas e curiosas sobre os traços positivos e negativos dos signos, seu par ideal no amor, seu comportamento em casa e no trabalho, suas atitudes em relação ao dinheiro, suas tendências secretas, seu jeito de criar os filhos e muito mais. Use este livro para se conhecer melhor, encontrar soluções para os seus problemas, progredir na carreira e turbinar a sua vida amorosa! Um belíssimo manual ilustrado que oferece uma nova maneira de interpretar os dozes signos do zodíaco, com descrições de fácil compreensão que ajudarão você a entender, com total clareza, sua personalidade e a das pessoas à sua volta.

As Cinco Leis Espirituais da Cura - Marion Kohn

A naturopata Marion Kohn, com base nas descobertas revolucionárias do renomado médico alemão doutor Ryke Geerd Hamer, oferece uma compreensão inteiramente nova da causa, do desenvolvimento e do processo natural de cura das doenças. A autora esclarece que, além de um sentido biológico, as doenças têm um sentido espiritual e podem ser curadas se compreendermos o que ela chama de "as cinco leis espirituais da cura". Pautada nessas leis, ela propõe uma cura por meio do perdão e oferece vários exemplos tirados da vida real. Uma obra que levará você a reconhecer a cura como algo muito maior que a simples remissão das doenças, pois, segundo Marion, o ato da cura é uma das etapas mais sublimes do nosso desenvolvimento espiritual.

18 de março de 2017

Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Título: Objetos Cortantes
Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Gênero: Thriller/Suspense/Mistério
Ano: 2015
Páginas: 254
Nota:
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Sinopse: Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.
Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado.
Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.

Resenha: Depois do sucesso estrondoso de Garota Exemplar, a autora Gillian Flynn teve outras obras publicadas pela Intrínseca aqui no Brasil.
Objetos Cortantes narra a história de Camille, uma repórter de um jornal em Chicago. A morte de duas garotas em sua cidade natal, Wind Gap, a faz retornar para lá a fim de investigar o ocorrido e redigir uma reportagem para seu editor. Esse retorno, entretanto, gera mais do que uma simples investigação: além de descobrir a identidade do assassino, Camille terá que lidar com os fantasmas do seu passado.

A capacidade de Gillian trabalhar o modo psicológico em seus livros fica evidente a cada obra lançada pela autora. Enquanto em Garota Exemplar a insanidade de uma mulher é mostrada ao decorrer da história, em Objetos Cortantes temos também várias figuras femininas como principais no enredo. Pouco a pouco a personalidade delas é trabalhada e desenvolvida, mas há um mistério excelente na relação das personagens e isso instiga muito, criando dúvidas quanto ao papel desempenhado por cada uma delas. Flynn consegue construir figuras interessantes em cada obra sua, de modo que o necessário é mostrado e o principal é escondido e guardado para o final.

A narrativa é feita em primeira pessoa por Camille, uma mulher de trinta e poucos anos que carrega um passado turbulento e cheio de "marcas". A personagem é complexa, tem uma personalidade profunda e é até meio similar a Amy Exemplar. O contato o dela com a mãe, Adora, é o que há de mais interessante em Objetos Cortantes. Espera-se de relação mãe versus filha algo cheio de amor e compreensão, mas entre as duas não há nada além de frieza. É estranho ver com as duas se relacionam. Gradativamente, Flynn vai esmiuçando os diversos pontos dessa proximidade maternal tão peculiar e surpreende ao mostrar o modo como isso se originou.

Outra personagem que tem grande importância é Amma, filha de Adora e meia-irmã de Camille. A representatividade da precocidade juvenil é evidente nela. Com apenas treze anos, muitos seios e uma sexualidade já aflorada, a garota é tudo o que não espera-se de uma menina tão jovem.  Mas além disso, a forma como ela se porta diante de diversas situações é muito medonha. Em diversos momentos ela profana coisas horríveis para irmã e em outros está calma e doce. Uma verdadeira bipolar.

Objetos Cortantes é um livro curto de leitura fácil e rápida. A história instiga não pelo fato de seu desenvolvimento acelerado e investigação policial, mas, sim, por ter acontecimentos intrigantes em torno da protagonista. A história tem um foco maior no teor psicológico e é isso que a torna tão boa. Por que Amma se comporta de maneira tão estranha? Por que Adora não gosta da própria filha? Por que Camille usava objetos para cortar-se? Perguntas como essas surgem e se arrastam até o final. O desfecho surpreende e deixa uma moral: nem tudo que parece realmente é.

17 de março de 2017

O Coração da Esfinge - Colleen Houck

Título: O Coração da Esfinge - Deuses do Egito #2
Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Aventura/YA
Ano: 2016
Páginas: 368
Nota:
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Sinopse: Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O Despertar do Príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.

Resenha: O Coração da Esfinge é o segundo volume da série Deuses do Egito escrita pela autora Colleen Houck e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.

Em O Despertar do Príncipe, primeiro volume da série, conhecemos Lily Young, uma jovem infeliz de dezessete anos que tem a vida totalmente controlada pelos pais até ter a oportunidade de se libertar ao embarcar numa viagem louca rumo ao Egito com uma múmia de milhares de anos que despertou num museu e passou a usar a energia vital dela para cumprir com sua missão de impedir Seth, o deus do caos, de destruir a Terra.
Então, dando continuidade a esses acontecimentos, e sem dar spoilers gritantes, Amon se rebelou contra os deuses egípcios e decidiu se transportar para o mundo dos mortos, e, com isso, Lily, arrasada, foi passar um tempo na fazenda da avó. Mas além de sofrer com a ausência do seu amado, ela ainda tem pesadelos tumultuados onde o vê lutando frequentemente contra várias criaturas monstruosas, e nem sempre levando a melhor. O que restou a ela foi um artefato que Amon havia lhe entregado antes de partir e que representa seu coração. Esse artefato criou um elo entre os dois, fazendo com que Lily seja capaz de encontrar - e salvar - Amon onde quer que ele estivesse, já que eles estão conectados independente do mundo em que estejam. E quando Anúbis faz uma visita a ela lhe dando a missão de ajudar Amon, ela não hesita em aceitar. Mas Lily não poderia ir até o mundo dos mortos como uma simples humana, ela deveria se transformar num esfinge, desde que provasse seu valor ao encarar provas difíceis e convencesse os deuses de que é digna de adentrar outro mundo.

Quem leu minha resenha de O Despertar do Príncipe percebeu que o livro foi uma completa decepção pra mim. Mas a culpa é toda minha, afinal, quem mandou insistir em ler todos os livros da autora sabendo que apenas um único mísero me agradou em meio a todos que desgraçaram a série inteira?
Narrado em primeira pessoa, lá vamos nós acompanhar Lily em mais uma tarefa impossível cheia de aventuras, perigos, reviravoltas loucas, e muitos detalhes sobre a mitologia egípcia, que dessa vez está bem mais sombria do que antes. A parte da mitologia é ótima, não nego, mas não salva a história...

Colleen Houck tem uma habilidade ótima de fazer o leitor viajar pra longe e imaginar tudo com muita perfeição através de sua narrativa fluída, detalhada e rica, isso eu posso afirmar com toda a certeza do mundo, mas é só. Não adianta ler uma história se a única coisa que pode ser aproveitada é esse fator, e só posso dizer que o que essa autora escreve não deve ser pra mim, mesmo. Penso seriamente em parar por aqui já que não consigo mais engolir tanta patifaria. Pena que descobri isso tarde...
Apesar de eu não ir muito com a cara de Amon, tenho que confessar que, no primeiro livro, com o passar do tempo o romance ele entre e Lily começou a ficar mais aceitável, ele demonstrando ser fofo e tudo mais, mas aí decidir que fugir de suas obrigações e largar sua amada pra trás pra ir pro meio no inferno seria uma boa ideia é demais. Mais egoísta impossível. A impressão que tive é que ele não considerou uma vez sequer o que essa escolha infeliz traria como consequência para a vida dele, de Lily, dos seus irmãos, de quem o cerca e do mundo inteiro que continuava sendo alvo de Seth.

E Lily? Meu Deus do céu... Há tentativas inúteis para justificar o novo comportamento que a protagonista passa a ter, que é questionável e nada confiável se levarmos em consideração que ela agora está dividindo o próprio corpo com a leoa Tia, mas saber que o amor que sente por Amon ainda é muito forte pra querer salvá-lo da situação trágica em que ele se encontra colocando a própria vida em risco e usando toda a sua coragem e força, e ainda assim achar que está tudo certo se ela se sentir atraída por outros homens, flertar com eles, beijar, deixar ser beijada e sabe-se lá mais o quê... É, no mínimo, desleal e vergonhoso. Não importa que Tia também tenha algum controle sobre ela e às vezes algumas atitudes se "confudam" devido a alguma influência que Lily possa estar sofrendo, mas a partir do momento em que ela mesma se questiona sobre o que sente, não tive mais dúvidas do caráter péssimo dessa personagem. E o respeito, cadê? E nem vou falar sobre o artefato que Amon lhe deu que faz com que ela se torne irresistível, sedutora, gostosona, pra qualquer um que cruze seu caminho...

Não sei que ideia estrambólica é essa de criar um clima romântico (e doentio) entre Lily e Amon no primeiro livro e no segundo já inventar um monte de besteiras pra enfiar os irmãos dele no meio do romance pra "movimentar" as coisas criando triângulos, quartetos ou um verdadeiro "bacanal amoroso", tornando a protagonista, que antes era um símbolo de fragilidade, em uma criatura fácil e que atira pra todos os lados, como se isso fosse algum tipo de "empoderamento", girlpower ou que nome tenha, como se o sentimento fosse uma brincadeira ou qualquer coisa a ser jogada no lixo. E o pior de tudo é que a coisa toda é inútil, encheção de linguiça pura, afinal, todos nós estamos cansados de saber com quem a mocinha vai ficar no final, né? Então pra que perder tempo irritando os leitores com tanta babaquice? O nome desse livro deveria ser "Manual de Como Destruir uma História".
E o pior é que mesmo assim, eu, idiota, continuei insistindo na leitura sabendo que nada poderia salvar essa palhaçada toda já que a autora parece insistir na mesmíssima fórmula da Saga do Tigre (que pra mim foi miserável de tão ruim) e ainda deixar o final aberto de um jeito que a interpretação possa ser considerada ambígua, para meu desgosto eterno. Argh... Pra mim já chega.


O Despertar do Príncipe - Colleen Houck

Título: O Despertar do Príncipe - Deuses do Egito #1
Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Gênero: Fantasia/Aventura/YA
Ano: 2015
Páginas: 384
Nota:
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Sinopse: Aos 17 anos, Liliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos e bem-sucedidos, só usa roupas de grife, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade.
Mas para isso ela precisa seguir algumas regras: só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem.
Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho: uma múmia — na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos.
A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis, no Egito, em busca dos outros dois irmãos adormecidos, numa luta contra o tempo para realizar a cerimônia que é a última esperança para salvar a humanidade do maligno deus Seth.

Resenha: O Despertar do Príncipe é o primeiro volume da série Deuses do Egito (Reawakened) escrita pela autora Colleen Houck (a mesma da Saga do Tigre) e publicado pela Editora Arqueiro no Brasil.

Liliana Young é uma jovem de dezessete anos que não anda muito satisfeita com sua vida, embora possa ter tudo o que o dinheiro pode comprar. Seus pais são influentes, ricos e bem sucedidos, moram numa cobertura em Nova York, mas controlam a filha com rigor. Em troca de um pouco de "liberdade", Lily tem que viver de forma regrada, seus pais controlam seus horários, o que come, onde vai, o que estuda e tudo mais, para que ela seja um exemplo de filha, mas estão sempre ausentes e ocupados com o trabalho. Lily queria muito ter um pouco de atenção por parte deles, queria poder escolher o prório curso na universidade e seguir uma carreira que esteja ligada ao que ela realmente gosta, mas isso parece impossível já que seus sonhos não correspondem com aquilo que seus pais querem pra ela.
Por gostar muito de arte, um dos hobbies que ela tem é visitar o Metropolitan Museum of Art, pois lá além de apreciar as obras, ainda pode refletir sobre a situação pela qual está passando sem maiores interferências, mas o que ela não esperava era passar por uma experiência "sobrenatural" alí. Na sessão egípcia, Lily se depara com uma múmia milenar perambulando pelo museu! E não se trata de uma múmia qualquer, mas sim de Amon, um dos príncipes do Egito que fora amaldiçoado a despertar a cada mil anos para se unir aos seus irmãos e impedir o retorno de Seth, o deus do caos, que devastaria a Terra. Mas o sucesso do despertar total de Amon para que ele cumpra sua missão depende muito de seus vasos canópicos, relíquias que guardavam seus órgãos no processo de mumificação e que são a fonte de sua energia vital e habilidades divinas, e esses objetos se encontravam no Egito, muito, muito longe dalí... Sem os vasos Amon ficaria vulnerável e fraco, e ele precisaria de algo pra substituir o que estava fora de seu alcance. Com Lily tão próxima, Amon não tem outra alternativa a não ser usá-la como sua fonte de energia até que possa retornar ao Egito, mas ele precisaria dela ao seu lado para se manter forte o bastante até encontrar o que precisa para continuar sozinho.
Mesmo asssustada e incrédula com o ocorrido, Lily aceita partir numa viagem rumo ao Egito para ajudar Amon com sua importante tarefa de salvar o mundo da destruição, e acaba não só vivendo a maior aventura de sua vida, mas um amor completamente improvável e impossível...

A princípio a premissa da história soa muito interessante, mesmo que clichê: Garota bonita, rica, esclarecida, diferente das outras meninas da sua idade, que pode ter tudo o que quer e ainda assim é humilde, mas vive deprimida por ter o emocional abalado devido a família, e que, por ironia do destino, se depara com alguém - um homem lindo e maravilhoso - que a tiraria de sua zona de conforto e mudaria sua vida da água pro vinho, da noite pro dia.

A escrita da autora é muito boa, cheia de detalhes sobre a aparência dos personagens e os locais por onde passam, evidenciando culturas distintas (mas não retratadas com a fidelidade que deveriam), comidas exóticas (vindo de Colleen Houck é algo que jamais poderia faltar, claro) e despertando o interesse do leitor para uma mitologia fantástica e cheia de particularidades (e mesmo cheia de buracos e inconsistências preferi relevar já que se trata de ficção).
Porém, uma evidente pesquisa sobre a mitologia egípcia (a mitologia, não a cultura propriamente dita), os detalhes e a fluidez da escrita (que mescla refinamento com casualidade), não são fatores suficientes para que a história seja realmente boa se o pano de fundo e os personagens não forem bem construídos, se vivem sendo beneficiados com inúmeras conveniências, se são estereotipados ou se não forem convincentes em seus propósitos a fim de tornar a trama plausível, e O Despertar do Príncipe acabou se tornando uma decepção pra mim.

Entendo que Lily é aquela típica adolescente que se sentia infeliz devido aos pais serem opressores e controladores, mas, levando em consideração seu grau de instrução e inteligência, não consigo enxergar uma atitude "rebelde" desse nível partindo dela, principalmente porque ela demonstra estar fragilizada a todo e qualquer momento, por mais que tenha tido coragem de fazer alguma coisa nova em sua vida. A experiência foi emocionante, serviu para que ela pudesse se arriscar, pra que se sentisse livre e amadurecesse suas ideias, pra que deixasse de ser tão insegura e submissa tornando-a dona de si mesma e do próprio destino, como se tudo o que estava reprimido por causa do domínio dos seus pais, enfim, pudesse ser libertado, mas ainda assim não consegui engolir, principalmente por que o que deu a entender é que em meio ao possível fim do mundo a única coisa com o que ela passa a se preocupar é com o beijo de amor verdadeiro do príncipe lindo dos olhos verdes estonteantes e ainda está inteirasso mesmo tendo milhares e milhares de anos.

Amon pode ser o príncipe mais bonito e encantador ever, e pode possuir um dialeto poético vindo de outra era que desperta a atenção da mulherada (e é super cafona, convenhamos), mas a ideia de que a criatura é capaz de manipular as pessoas com o poder da mente já mostra o quanto ele pode ser perigoso. O que ele fez com Lily, ao meu ver, não foi nada respeitoso. Ele se conecta a ela feito um parasita e essa ligação louca é responsável pelos sentimentos mais esquisitos e controversos que já pude acompanhar na história do YA. Aquilo foi abusivo e praticamente um sequestro, e a tonta simplesmente se deixou levar pela ideia de ter uma oportunidade única de viajar pra longe com um completo maluco desconhecido e fugir do que tanto a afligia (o controle dos pais, no caso). Ver aquele sujeito se sentindo perdido no meio da selva de pedras que é Nova York depois de mil anos, vagando praticamente pelado, tentando aprender as coisas na marra ou fazendo perguntas idiotas, e sem entender como as coisas evoluíram tanto ao mesmo tempo que "invade" a tecnologia de câmeras de segurança, aparelhos celulares e a própria mente das pessoas com quem ele cruza para controlar, manipular, conseguir e fazer o que quiser, foi, no mínimo, triste. Eles vão pra onde querem, de táxi ou avião, e sequer gastam um centavo porque Amon faz as pessoas acreditarem que ele é alguém que simplesmente não tem que pagar por nada. Oi? Lily tem dinheiro de sobra que não lhe faria falta. Ela poderia bancar tudo e ser recompensada depois já que quis participar dessa furada, mas não...
E outra.. Porque diabos todos os "príncipes" da autora tem que ter os olhos claros? Primeiro foi o indiano dos olhos azuis, agora o egípcio dos olhos verdes (ou que cor clara seja já que o homem parece um metamorfo e faz até crescer cabelo na própria cabeça careca com intuito de chamar menos atenção por onde passa)... Qual o problema com os olhos castanhos, que é o que deveria ser mais comum no povo desses lugares? Por que fazer alterações desnecessárias pra encaixar os personagens num padrão de beleza que não condiz com a realidade de onde vieram?

Só posso dizer que, com excessão de poucas passagens que realmente considerei válidas, relevantes e interessantes, o melhor do livro é a capa. Ela tem um efeito metalizado, o título é destacado em alto-relevo e o trabalho gráfico da obra de forma geral é maravilhoso.

Enfim, sei que muitos leitores adoraram a história, os detalhes, a mitologia, o romance e a viagem única que a autora proporcionou (assim como foi com a Saga do Tigre), conseguindo tirar do livro algo totalmente diferente do que eu, mas pra mim não funcionou tão bem assim, infelizmente. A sensação final que tive é que tudo foi enfadonho e se resumiu a uma grande viagem turística com direito a hotel 5 estrelas, boates animadas e areia, muita areia, e a verdadeira condição do Egito da atualidade e suas verdadeiras características foram totalmente ignoradas. Não acho que ninguém deva elevar as expectativas como eu fiz antes de ler esse livro, pois o resultado pode ser o contrário do esperado...