31 de dezembro de 2014

Caixa de Correio #34 - A última do ano!

Ei, gente!
Esse mês foi tudo tãããão corrido que achei que não ia dar conta nem de viver. E como o tempo ainda tá curto, não vou me alongar e vou logo ao que interessa: O que chegou pra mim!
Teve cortesia, teve meus lindos que comprei na Black Friday, teve presente de amigo oculto, teve troca no skoob! #saltitante
Bora espiar!

27 de dezembro de 2014

Legado - Nancy Holder e Debbie Vingué

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Legado - Wicked - Livro 3
Autoras: Nancy Holder e Debbie Vingué
Editora: Jovens Leitores/Rocco
Tradutora: Priscila Catão
Gênero: Fantasia/Sobrenatural
Ano: 2014
Páginas: 304
Nota:
Sinopse: Desde que se conheceram, Holly e Jer são atraídos um para o outro, assim como ocorreu séculos antes com Isabeau Cahors e Jean Deveraux, aumentando ainda mais o ódio entre as famílias, representantes de duas linhagens diferentes de bruxos. Depois de Bruxaria e Maldição, a jovem Holly Cathers – que levava uma vida normal até perder os pais e a melhor amiga num acidente e descobrir que é a mais nova descendente da antiga Confraria das Cahors – passará por provações cada vez mais complexas em Legado, terceiro volume da série de mistério e magia Wicked. 

Resenha: Legado é o terceiro volume da série Wicked escrita pelas autoras Nancy Holder e Debbie Vingué. O livro foi publicado no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.
Esta resenha poe ter spoiler dos livros anteriores!

Dando continuidade à história iniciada em Bruxaria e seguindo por Maldição, em Legado, Holly vai à Inglaterra para tentar libertar sua prima Nicole, aprisionada por ordem da Suprema Confraria, mas o que ela quer na verdade é encontrar Jer, seu namorado que está desaparecido. Mas Holly já não é a mesma... Depois que descobriu que tem uma enorme ligação com a Confraria, a única coisa que lhe restou foi aceitar seu destino... No passado, Isabeau (ancestral de Holly) e Jean (marido de Isabeau), foram amaldiçoados e condenados a vagarem pelo mundo dos espíritos até que a promessa que Isabeau teria feito a sua mãe fosse cumprida: Ela teria que matar o marido, e ele queria vingança pela família Deveraux ter sido queimada viva graças a falsidade da esposa! Então, a cada nova geração, após centenas de anos do ocorrido, os espíritos dos dois tentam possuir membros de suas famílias, numa relação de amor e ódio, e eles agiam através de Holly e Jer... Determinada a acabar com essa maldição e ciente de seu legado, Holly se vê em meio a uma guerra mágica onde deverá encarar desafios e perigos que nunca imaginou, onde muitas vidas serão perdidas e muitos sacrifícios serão realizados... Cabe a Holly tentar salvar as pessoas que ama e voltar para casa, mas será que vai conseguir este feito?

Narrado em terceira pessoa, desta vez senti que a história foi contada com um pouco mais de clareza se comparado aos dois primeiros volumes e fluiu de forma muito mais satisfatória. Não vou negar que alguns trechos são confusos, algumas coisas parecem acontecer do nada e sem explicações para que se saiba de onde aquilo veio e como se foi, mas acho que já me acostumei com essa característica "marcante" nessa série. Só lendo para entender... A história continua tendo seu lado negro, sombrio e escuro, as pontas soltas que ficaram nos livros anteriores foram amarradas e acabou por mostrar que existe algo muito maior do que se imaginava.
As autoras conseguiram expandir a história e o cenário, incluindo novas cidades para dar novos ares, mas, por mais que a leitura flua bem, elas trabalharam em demasia com personagens a se perder de vista, cada um com suas particularidades e é difícil memorizar quem é quem, o que cada um faz, de onde surgiu, como, quando... Já são muitos os que existiam e ainda aparecem mais. Cheguei até a considerar que a trama que envolve Isabeau e Jean é mais interessante do que o que se passa na atualidade com Holly e toda a turma infinita.
Um ponto interessante é que não há muita distinção entre bem e mal, o que deixa o leitor numa posição de nunca saber o que esperar, qual será o próximo passo, ou quais são as reais intenções dos outros. As autoras não tem a menor piedade quando o assunto é morte, por mais apavorantes que sejam, e o leitor fica em constante agonia quando o assunto é Jer, pois nunca se sabe se o pobre coitado está vivo ou morto. Há um misto de batalhas, tanto as mágicas quanto as não-mágicas, há romance, e o que mais me agradou é que apesar de tudo, Legado teve aprofundamentos em alguns personagens, mostrando que alguns que pareciam não ter tanta relevância assim estão mais complexos e importantes na trama, enquanto Holly dá seus vacilos...
Os mistérios não acabam por aí, o final só deixa ansiedade e curiosidade no ar e acredito que a série como um todo mostra um lado negro, cruel e aterrorizante sobre magia e bruxaria que não se encontra tão facilmente por aí... Legado foi o melhor livro da série até o momento e espero a continuação, Spellbound.

26 de dezembro de 2014

Reconstruindo Amelia - Kimberly McCreight

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Reconstruindo Amelia
Autora: Kimberly McCreight
Editora: Arqueiro
Gênero: Thriller
Ano: 2014
Páginas: 352
Nota
Sinopse: Kate Baron, uma bem-sucedida advo­gada, está no meio de uma das reuniões mais importantes de sua carreira quando recebe um telefonema. Sua filha, Amelia, foi suspensa por três dias do Grace Hall, o exclusivo colégio particular onde estuda. Como isso foi acontecer? O que sua sensata e inteligente filha de 15 anos poderia ter feito de errado para merecer a punição?
Sua incredulidade, no entanto, vai aos poucos se transformando em pavor ao deparar, no caminho para o colégio, com um carro de bombeiros, uma dúzia de policiais e uma ambulância com as luzes desligadas e portas fechadas.
Amelia está morta.
Aparentemente incapaz de lidar com a suspensão, a garota subiu no telhado e se jogou. O atraso de Kate para chegar a Grace Hall foi tempo suficiente para o suicídio. Pelo menos essa é a versão do colégio e da polícia.
Em choque, Kate tenta compreender por que Amelia decidiu pôr fim à própria vida. Por tantos anos, as duas sempre estiveram unidas para enfrentar qualquer problema. Por que aquele ato impulsivo agora?
Suas convicções sobre a tragédia e a pró­pria filha estão prestes a mudar quan­do, pouco tempo depois do funeral, ela recebe uma mensagem de texto no celular:
Amelia não pulou.
Alternando a história de Kate com registros do blog, e-mails e posts no Fa­cebook da filha, Reconstruindo Amelia é um thriller empolgante que vai surpreender o leitor até a última página.

Resenha: Reconstruindo Amelia é um thriller escrito pela autora Kimberly McCreight e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.
Amelia Baron é uma adolescente de 15 anos, muito esperta, aluna modelo que estuda no Grace Hall, um dos melhores colégios de Nova York e uma amiga leal. Ela mora com a mãe, Kate, uma advogada bem sucedida, viciada em trabalho e mãe solteira que esconde detalhes sobre o pai da garota.
Enquanto Kate estava em uma reunião, recebe uma ligação com a informação de que Amelia teria sido suspensa. Acreditando se tratar de um enorme mal entendido, afinal, Amelia é um exemplo de dedicação aos estudos, Kate segue para o colégio, mas, ao chegar lá, é surpreendida com a pior notícia de sua vida: Amelia havia se jogado do telhado e está morta. A explicação era de que Amelia não aceitou a suspensão e não soube lidar com isso, se suicidando. Kate não se convenceu, nada fazia sentido, jamais poderia imaginar que tal coisa pudesse levar Amelia a cometer tal atrocidade... Ela e a filha eram tão próximas, tão ligadas, se conheciam tão bem... Como Amelia pôde? Mas um tempo depois, Kate recebe uma mensagem anônima em seu celular com o aviso de que Amelia não teria pulado...

Partindo desta premissa, a história é narrada alternadamente entre Kate (no presente) e Amelia (no passado), e também com postagens num blog, publicações no Facebook, mensagens de texto e afins que Kate começa a investigar conhecendo, assim, um outro lado de Amelia que ela desconhecia até então, uma menina complexada, envolvida em relacionamentos conturbados e com várias dúvidas sobre si mesma e sobre seu pai. Kate descobre que sua filha escondia vários segredos e não era nem de longe quem ela pensava. Ela mal conhecia a filha...
A narrativa flui bem e realmente é envolvente, e mostra um mundo obscuro e muito cruel, que mesmo sendo "virtual" está ao alcance de todos e afeta nossas vidas de alguma forma. É um avanço que tráz consigo várias consequências, e esse é um pensamento bem assustador.
Uma coisa que não me agradou muito foi a comparação com Garota Exemplar, da autora Gyllian Flynn. Por mais que a história seja envolvente, alguns pontos, pelo menos pra mim, não foram tão coerentes assim. Estranhei o fato de Kate ser uma workaholic mas conseguir a proeza de ser uma boa mãe, presente, dedicada, disponível e que supostamente conhece tão bem sua filha. Digo isso porque eu trabalho em casa e não consigo dar a devida atenção aos meus próprios e fiquei me perguntando que tipo de superpoder é esse. O fato de que Kate esconde informações sobre o pai de Amelia me incomodou por saber que sempre podia esperar que alguma coisa relacionada a isso fosse acontecer a qualquer momento.

Reconstruindo Amelia é um mistério intenso e emocionante, que aborda amor, amizade e sexualidade de forma crua sem poupar o leitor dos conflitos psicológicos presentes e que nos faz refletir sobre se realmente conhecemos as pessoas com quem convivemos.

25 de dezembro de 2014

Sete Anos - Fernanda Torres

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Sete Anos
Autora: Fernanda Torres
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Crônicas
Ano: 2014
Páginas: 192
Nota
Sinopse: A entrada em cena de Fernanda Torres no mundo das letras foi apoteótica. Seu primeiro romance, Fim, lançado em novembro de 2013, cativou centenas de milhares de leitores pelo Brasil, atraiu a atenção e diversas editoras ao redor do mundo e ainda foi elogiado pelos críticos mais prestigiados do país. Era de esperar que suas crônicas não demorassem a sair. Desde 2007, Fernanda tem mantido assídua relação com a imprensa. Estreou na revista piauí, assumi uma página quinzenal na Veja Rio e em seguida uma coluna mensal na Folha de S.Paulo. Sete anos reúne parte dessa contribuição. São pensamentos divertidos e reveladores sobre cinema, teatro, política, família e assuntos do cotidiano. Há ainda um texto inédito: o pungente “Despedida”, que trata da morte de seu pai. Os leitores de seu romance e de suas colunas na imprensa, seu público na TV e no teatro, todos encontram neste livro o tom confessional, o carisma a inteligência aguda e o olhar irônico que fazem de Fernanda Torres uma das artistas mais brilhantes de nosso tempo.

Resenha: Sete Anos é o segundo livro de Fernanda Torres. A atriz, famosa pelos seus papéis no teatro, na TV e no cinema interpretando a cômica Vani em Os Normais, teve seu início na literatura com o livro Fim. Agora, a carioca se aventurou publicando suas crônicas, desde as mais antigas até as mais recentes. Sete Anos mostra uma de forma crítica o olhar de duas Fernandas: a de ontem e a de hoje.

Quando li o romance de estreia de Fernanda fiquei feliz com o resultado. Além de achá-la uma ótima atriz, principalmente por causa dos seus papéis voltados para comédia, vi que dentro da carioca há também uma ótima escritora. No seu segundo livro o caminho foi outro, mais intimista. Sete Anos é um lado bem pessoal e íntimo de Torres.

A primeira crônica é sobre, nada mais nada menos, que seu começo na careira de atriz. Kuarup narra a aventura de Fernanda e alguns atores, como Taumaturgo Ferreira, que viajaram para o Parque Nacional do Xingu para as gravações do filme baseado no romance Quarup, de Antonio Callado. A prosa da crônica é gostosa, leve e me deixa a impressão que Fernanda é engraçada, mesmo quando parece não ter a intenção de ser. O contato com a natureza, a aventura e os contras dessa filmagem foram registradas na forma de crônica e deram um ótimo e atrativo pontapé para Sete Anos. 

Algo que citei na resenha de Fim foi a forma de criticas que ela faz ao Brasil. Nesse livro ela traz tabus políticos bem interessantes. Um trecho marcante, com certeza, é quando Fernanda compara o dois famosos partidos políticos: por que o PT encara o paredão enquanto as acusações sobre o PSDB correm risco de prescrever? Mais a frente, contrariando o que eu achei, Torres se mostra um pouco indecisa em mostrar uma posição partidária, enquanto diz que uma emissora de televisão não pode ser neutra numa eleição.

Fernanda, além de um olhar politico e social, traz no livro Sete Anos um pouco de sua infância e vida pessoal. Em meio a narração de fatos da vida, a atriz discute tabus, valores familiares e educação. "Se as chances de emprego para um rapaz branco, de classe média, que teve acesso à escola já são duvidosas, imagina as de um menino negro e semialfabetizado num sistema de aprovação automática?", narra a atriz numa crônica chamada Caos, publicada em 2010.

Sete Anos se mostra, portanto, um lado íntimo de Fernanda Torres. Este livro mostra uma visão geral e incisiva da carioca sobre o Brasil e sua vida. Em duas obras lançadas, a atriz, famosa no teatro e TV, se mostrou muito competente como escritora. Vale a pena conferir.


24 de dezembro de 2014

Mundo Novo - Chris Weitz

Lido em: Outubro de 2014
Título: Mundo Novo - Mundo Novo - Livro 1
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção
Ano: 2014
Páginas: 328
Nota
Sinopse: Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos. Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes. Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.

Resenha: Mundo Novo é o primeiro volume da trilogia de mesmo nome escrita pelo autor Chris Weitz e publicado no Brasil pela Seguinte.
Um vírus foi propagado na cidade de Nova York, causando a morte de adultos e crianças. Os adolescentes sobreviveram, mas sabem que têm um "prazo de validade". Eles foram se organizando em pequenos grupos, assaltando mercados e farmácias, montando seus próprios esquemas de segurança, tudo pra continuarem vivos em meio ao caos. Jeff e Donna fazem parte da gangue da Washington Square e tornam-se ainda mais próximos após a morte do irmão dele, o antigo líder. Quando o gênio da turma, Crânio, levanta a possibilidade de encontrarem a cura da Doença, Jeff lidera uma expedição rumo ao local onde encontrarão as respostas. Mas a cidade está cheia de perigos e outras gangues; quais surpresas esperam por eles?
Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas, mas armas definitivamente ajudam pessoas a matar pessoas.
Não foi difícil eu querer ler o livro quando vi a capa chamativa e soube que era distopia. Mas não sei se foi a expectativa alta, a escrita do autor ou a história mais do mesmo, Mundo Novo não me convenceu.

A primeira coisa que me incomodou foi o excesso de personagens. Peguei um papel e anotei cada nome, associando a uma característica ou função para que eu não me perdesse. Depois me acostumei à maioria, mas tenho minhas dúvidas se vou me lembrar de tudo no segundo volume.
Em muitos livros, o autor acha que é legal ter um "narrador não confiável". Para fazer com que a gente fique na dúvida, e para reconhecermos que nada é absoluto, tudo é relativo, ou qualquer coisa assim. Eu acho isso meio furado. Então, só para você saber, vou ser uma narradora confiável. Tipo, totalmente confiável. Pode confiar em mim.
O enredo não teve nada de muito inovador. Talvez a questão da arma biológica seja uma diferença, mas mesmo assim no contexto geral o livro repete uma estrutura já conhecida pelo público. E senti falta da característica marcante do gênero distópico: governo opressor. Cada grupo tem a sua própria organização, mas não há quem governe a sociedade no geral, pelo menos não nesse primeiro livro (o segundo parece que vai ser diferente).
Somos todos mendigos agora, penso comigo mesmo, erguendo a fronha do hotel que substituía minha mochila. Somos todos homens do saco, vagabundos e saqueadores. Não há uma sociedade em cuja margem ficar.
A narrativa intercalada entre Jeff e Donna deveria ser algo bacana, mas, além de eu não ter sentido muita diferença entre os 2 estilos, acabei ficando meio confusa em algumas partes por conta da pontuação. Nas partes narradas por Donna, principalmente, ao invés do clássico travessão o autor optou pela estrutura "Personagem: diálogo". Às vezes acabava misturando travessão e dois pontos. Bagunça mental define. Paralelamente à busca por respostas, eles travam batalhas internas em relação aos sentimentos, já que Jeff gosta de Donna e ela o enxerga como amigo. Em vários momentos, o romance se sobrepõe à trama e o livro meio que perde o foco. Isso acontece mais nas partes narradas por Donna; ela é muito sentimental, toda hora está sofrendo pela dúvida do que sente, pela ausência do irmãozinho que morreu, por ciúmes... Já ele até passa por esses momentos, mas, como homem, é mais racional, mais focado nos problemas e em como resolvê-los.
Quando penso nas várias vezes em que desejei que meus pais me deixassem em paz, tenho vontade de vomitar.
Mas obviamente o livro não teve só coisas ruins. Gostei de acompanhar a transição adolescência > vida adulta acelerada. Os personagens precisaram amadurecer muito rapidamente, lidando com várias perdas e um excesso de responsabilidades repentinas, mas em alguns momentos se permitiam o sofrimento, a saudade, a angústia. Fiquei pensando que essa é a realidade de muitas crianças e adolescentes de hoje, que perdem os pais pro crime, pras drogas, pra violência, e precisam se virar num mundo caótico. Mas como não é um sentimento comum, eles ficam marginalizadas, ignoradas pela sociedade. Se a Doença nos atingisse, provavelmente eles teriam uma adaptação muito mais fácil, enquanto a grande maioria dos adolescentes iria sofrer.

Falando em adaptação, outra discussão presente no livro diz respeito à questão do consumismo. Não tem mais moda, cada um usa o que quer, combinando da maneira que quer, assim como retratado na capa. Não tem mais como usar a tecnologia, acabou internet, energia é algo raro, o convívio presencial é necessário até mesmo por questões de segurança. Chris aborda um mundo sem tantos recursos tecnológicos, numa tentativa de prever o que aconteceria caso a nossa realidade fosse abalada.
Wash diz - dizia - que se trata de uma hierarqueia de necessidades. Ele dizia que não tínhamos tempo para ficar discutindo as coisas de sempre, como a legalidade do casamento homossexual, ou sei lá o quê, porque estamos ocupados demais tentando comer.
Agora me pergunta se eu quero ler o livro 2. A resposta é sim. Se fosse por 90% do livro, eu dispensaria de boa, mas os 10% finais trouxeram uma reviravolta que me deixou com vontade de descobrir mais. Final safado, com o maldito cliffhanger! Quando a gente acha que a história vai seguir por um caminho, vem o autor e muda tudo. Que bom, adoro ser surpreendida.
No geral, foi uma introdução bem arrastada, com algumas cenas de ação que não me prenderam, um romance chocho e um cenário já batido. Vamos ver se Chris consegue trazer algo melhor no segundo volume.
É errado ser feliz? Dane-se. Eu sou. Ninguém pode fazer nada quanto a isso.

23 de dezembro de 2014

Mentirosos - E. Lockhart

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Mentirosos
Autora: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Gênero: Romance/Drama
Ano: 2014
Páginas: 271
Nota
Sinopse: Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.

Resenha: Mentirosos, escrito pela autora E. Lockhart e publicado no Brasil pela Seguinte conta a história de Cadence,  uma garota de quase 18 anos que é a filha mais velha da família Sinclair. Uma família muito rica, dona de uma ilha para onde todos eles vão passar as férias. E é lá que Cady tem contato com seus melhores amigos, Merris, Johnny e Gat, conhecidos como os Mentirosos, inseparáveis desde os 8 anos de idade. Há dois anos, Cady sofreu um acidente, não se lembra de nada, sofre de amnésia, tem fortes dores de cabeça e vive a base de analgésicos. Ela embarca numa tentativa de reconstruir sua história e se lembrar o que aconteceu a partir da relação difícil e cheia de conflitos que ela tem com a família, com os amigos e seu namorado...

Mentirosos é narrado de uma forma bem poética em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Cadence, e já adianto que é o tipo de livro do qual o leitor deve realmente se dedicar, prestando atenção em cada detalhe, do contrário, será quase que impossível sua compreensão.
A história se desenvolve gradualmente de forma muito inteligente. Apesar do início confuso, a autora tem uma escrita fluída e direta, explora as relações familiares com maestria e profundidade, trazendo a tona todo tipo de conflito e sujeira que é comum, mas que todos insistem em varrer pra debaixo do tapete e viver de aparências. Todos os personagens são muito reais e Cady consegue passar tudo o que sente com excelência ao leitor.
Mas nem tudo são flores, não achei que o livro seja tão perfeito assim... Encontrei alguns furos e algumas situações forçadas como se a intenção fosse enganar o leitor de forma proposital para que o desfecho se tornasse estarrecedor. É... pelo menos em partes...
Apesar de ter achado a história como um todo muito inteligente, o que não me fez ficar realmente em estado de choque ao terminar a leitura é que, talvez por experiência com outras histórias do tipo (ou filmes que já assisti), eu formulei teorias do mistério que ronda Cady a partir de detalhes bastante significativos, mas que se lidos sem atenção acabam passando despercebidos. E para minha total falta de surpresa, o final foi exatamente o que eu tinha imaginado mas no fundo tinha esperanças de que fosse diferente. Fiquei com uma sensação de vazio, pensando que muita coisa foi descartável, como se tivesse lido em vão. Mesmo que traga uma história com um toque devastador de melancolia e realismo, não consegui captar uma mensagem intensa a ponto de servir como aprendizado. Não tirei lições, apenas li sobre a história de uma família complicada e sobre o mistério do acidente que a filha deles sofreu. Fim.
É um bom livro, muito instigante, mas achei que o final acabou por estragar o que estava bom. Apesar de tudo, recomendo a leitura, pois acho que cada um deve tirar suas próprias conclusões e impressões. Com certeza o impacto que Mentirosos causa é único em cada leitor.


22 de dezembro de 2014

Coroa da Meia-Noite - Sarah J. Maas

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Coroa da Meia-Noite - Throne of Glass #2
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Gênero: Juvenil/Fantasia
Ano: 2014
Páginas: 406
Nota
Sinopse: Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas.
A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

Resenha: Coroa da Meia-Noite é o segundo volume da série Throne of Glass escrita pela autora Sarah J. Maas e publicado no Brasil pela Galera Record.
Por se tratar de uma continuação e pelo desfecho do livro anterior estar exposto na sinopse, a resenha tem spoilers do livro anterior, Trono de Vidro.
Como era de se esperar, Celaena venceu a competição entre assassinos e se livrou de ser uma escrava das minas de sal de Endovier. Próxima de sua liberdade, a garota ainda precisa servir o rei durante algum tempo até que, enfim, seja libertada. Presa aos deveres, Celeana se encontra em conflito pois mesmo que sirva o rei, não é leal a ele. Quando rumores de que uma conspiração que está se formando ao redor do castelo de vidro vem à tona, Celaena recebe ordens para investigar e eliminar os suspeitos que orquestrarem qualquer rebelião, porém, toda ação tem uma consequência e, neste caso, esta parece interferir em sua própria liberdade... Em meio a ameaças, rebeliões, reviravoltas, tragédias e até mesmo a magia que retorna, Celaena acaba descobrindo uma verdade que mudará tudo, e só assim poderá fazer a justiça que tanto desejou...

Levando em consideração minha impressão do primeiro volume, que não foi tão satisfatório quanto pensei que fosse já que me deparei com algo diferente do que esperei, iniciei a leitura do segundo com um pouco mais de cautela, já imaginando que eu pudesse não encontrar o que a sinopse revelou... E como já sabia do que, de fato, a história se tratava, não elevei às alturas minhas expectativas... Talvez por isso eu tenha aproveitado melhor a história e posso afirmar que gostei infinitamente mais, mesmo que o relacionamento entre Celaena, Dorian e Chaol tenham me lembrado um pouco de Crepúsculo. Ela faz sua escolha entre os dois partidos, um deles se afasta, o outro fica mais próximo, mas fica na cara que tem alguma coisa de errada no ar. Enquanto Dorian aceita Celeana como ela é (assim como o que ela faz), e principalmente amadurece junto com ela, a enxergando como uma aliada, Chaol acha que por conhecê-la bem, e também pela amizade ter se tornado algo bem mais sólido, pode sair por aí tomando decisões por ela como se mandasse, como se fosse seu pai, e isso fugiu um pouco do que conheci dele no primeiro livro. Ele simplesmente não confia em Celaena. Continuo gostando dele como personagem pois é um dos melhores, mas não gostei do comportamento dele dessa vez, por mais bem intencionado que ele seja e estou pendendo pro Team Dorian, confesso... Fiquei com um pouco de pena de Dorian por ser oprimido pelo rei e ser colocado num papel passivo, como se tivesse sendo excluído do que deveria fazer parte, mas acho que algo grandioso está reservado pra ele futuramente...
O que deixou a desejar no primeiro livro, a falta de profundidade dos personagens, as pontas soltas e a falta de explicações para algumas questões, foram respondidas neste segundo, e as coisas estão bastante equilibradas como um todo. Celaene havia me desapontado quando esperei que ela fosse uma assassina letal mas só demonstrou ser uma lady perfeitinha cheia de frescuras, mas agora, a moça, enfim, mostrou para o que veio... E mesmo que, às vezes, a autora parece se esquecer que a garota é uma assassina e que Celaena tenha alguns acessos de loucura e idiotice, ela veio para arrebentar! Thank's, Lord!
Fico saltitante quando a sequência supera a introdução e me faz mudar de ideia com relação a má impressão que ficou, o que pode comprovar que realmente não se pode julgar um livro pela capa e que nem sempre a primeira impressão é a que fica. E o final? Meudeus, o que é aquele final. Quase morri de agonia e desespero pra por logo as mãos no próximo volume e saber o que virá pela frente.

Dessa vez, o livro é dividido em duas partes mas continua mantendo os capítulos curtos e a narrativa em terceira pessoa. No começo do livro nos deparamos com o mapa de Erilea, o mesmo que veio no primeiro volume. A capa é linda, o título é metalizado num tom vermelho mas a lombada não tem o mesmo padrão do livro 1. A contracapa, assim como a do primeiro livro, mostra a personagem de costas com uma roupa diferente.

Uma história cheia de reviravoltas e surpresas, que superou todas as minhas expectativas a ponto de me fazer rever meus conceitos sobre a série (que ao que tudo indica terá 6 livros).
Ansiosa pelo terceiro volume, "Heir of Fire".

21 de dezembro de 2014

Trono de Vidro - Sarah J. Maas

Lido em: Dezembro de 2014
Título: Trono de Vidro - Throne of Glass - Livro 1
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Gênero: Juvenil/Fantasia
Ano: 2013
Páginas: 392
Nota
Sinopse: Depois de cumprir um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier por seus crimes, Celaena Sardothien, 18 anos, é arrastada diante do príncipe. Príncipe Dorian lhe oferece a liberdade sob uma condição: ela deve atuar como seu campeão em um concurso para encontrar o novo assassino real. Seus adversários são ladrões e assassinos, guerreiros de todo o império, cada um patrocinado por um membro do conselho do rei. Se ela vencer seus adversários em uma série de etapas eliminatórias servirá no reino durante três anos e em seguida terá sua liberdade concedida.
Celaena acha suas sessões de treinamento com o capitão da guarda Westfall desafiadoras e exaustivas. Mas ela está entediada com a vida da corte. As coisas ficam um pouco mais interessantes quando o príncipe começa a mostrar interesse por ela... Mas é o rude capitão Westfall que parece entendê-la melhor.
Então um dos outros concorrentes aparece morto rapidamente seguido por outros... Pode Celaena descobrir quem é o assassino antes que ela se torne a nova vítima? A medida que a investigação da jovem assassina se desenrola a busca por respostas a leva descobrir um destino maior do que ela jamais poderia ter imaginado.

Resenha: Trono de Vidro é o primeiro volume da série Throne of Glass escrita pela autora Sarah J. Maas e publicado no Brasil pela Galera Record.
Celaena Sardothien (pronuncia-se "Sell-lay-nah Sar-doth-ee-en") é uma assassina que mal completou 18 anos e já se encontra numa situação difícil: ela é uma escrava que foi presa por seus crimes e estava cumprindo um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier. Até que tem uma chance de ser livre quando, após sobreviver por tanto tempo, é arrastada até o Príncipe Dorian e lhe é proposto participar de um tipo de torneio a fim de encontrar o novo assassino real. Seus adversários são assassinos perigosos de toda parte do império e se ela vencer, terá como prêmio sua liberdade após servir o reino durante alguns anos prestando seus serviços mortais. Os competidores começam a morrer misteriosamente e cabe a Celaena descobrir o que está acontecendo pois ela não tem a menor intenção de ser outra vítima, e tal descoberta a leva a crer que o destino lhe reserva algo que nunca poderia imaginar...

Narrada em terceira pessoa, a história tem ação e mistério e é satisfatória até certo ponto... O pano de fundo medieval talvez tenha sido imposto para combinar com os nomes super esquisitos dos personagens com pronúncias bem diferentes do que são escritos (o que pra mim foi até um pouco incômodo a ponto de eu dar uma pequena pausa na leitura pra procurar as pronúncias corretas - e vocês podem conferir no site da própria autora clicando aqui).
Esperei que Celaena, por ser uma assassina tão famosa, fizesse jus ao seu título, mas não é bem assim... Me deparei com treinamentos e mais treinamentos com o capitão Chaol Westfall que pareciam que nunca mais teriam fim dentre outras coisas mais... Talvez seja algo proposital, pelo livro ser o primeiro volume e ter uma função mais introdutória, mas ainda assim acho que, devido a premissa e a ideia inicial da autora, seria muito melhor se houvessem cenas mais sanguinolentas e dignas de uma assassina tão habilidosa como Celaena deveria ser... Deveria, mas, definitivamente, não é. A ideia da autora (vide orelha do livro) em apresentar uma "Cinderela assassina" a princípio pareceu ser fantástica e inovadora, mas não funcionou muito bem pra mim pois achei que iria me deparar com alguém como a personagem Seis da série Os Legados de Lorien, que realmente impressiona, mas não... Não poderia ser possível existir uma assassina com tantas habilidades fodásticas no corpo de uma personagem cheia de inseguranças bobas, preocupações fúteis e diálogos rasos. Me restou fazer uma comparação com Bella Swan, aquela completa songa monga cheia de mimimis infundados com seu poder de proteção "elástico" que é um arraso (ou não). Bitch, please.
A impressão que tive é que a história vai ter um final previsível e óbvio e que a autora cria situações para levar o leitor para outra direção, mas no fundo eu sabia que aquilo era uma distração pra tentar me enganar e me fazer pensar que o que eu havia suspeitado desde o princípio não fazia sentido, mas na verdade fazia sim. Uma coisa que me fez bufar e revirar os olhos mil vezes foi o famoso e odioso triângulo amoroso, que não sei se devo chamar assim... Celaena se sente atraída pelo capitão Westfall, pois seus treinamentos são com ele e ele parece entendê-la e conhecê-la mais do que ninguém, mas ela também se sente atraída pelo príncipe Dorian (que mais parece um príncipe encantado cheio de estereótipos). O relacionamento com o capitão parece ser mais realista pois o cara parece ter um pouco mais de senso. O problema é que o tal "romance" não convence, soa forçado, artificial, esquisito... É tipo Edward vs Jacob, todos sabem quem será o escolhido, mas arrastar a situação é quase que obrigatório para testar a paciência dos que detestam esse tipo de coisa.
Em meio a treinamentos para um torneio de vida ou morte onde tem espaço para pombinhos se conhecerem um ao outro, olhar pro horizonte e sonharem juntos? Bitch, please².
Celaena passou por tanta coisa em sua vida, mesmo sendo tão jovem, e esperei alguém muito mais fria e calculista, com objetivos definidos e não alguém tão... tão... "princesinha".

A capa é  muito bonita e o título é metalizado dando um toque todo especial a ela. A contracapa mostra a personagem vista de costas, porém com uma roupa que dá uma ideia diferente do que vemos na frente, só não imaginei de cara o que seria...
Os capítulos são curtos e sempre terminam com o propósito de deixar o leitor ansiando pelo próximo, mas se a intenção é essa mesmo, só se a paciência for infinita pois a maioria dos finais e inícios de capítulos não se entrelaça muito bem.
No início há um mapa de Erilea para ajudar o leitor a se situar melhor ao mundo em que a história se passa e acho bacana quando existe essa preocupação em ilustrar certos locais pois realmente facilita.
Não vou negar que pra mim a história não foi o que esperei... Valeu o entretenimento? Valeu. Valeu conhecer o capitão Westfall que diferente dos demais é alguém realmente bem construído e convincente? Sim, muito, e ele é um dos poucos nessa história que realmente são dignos e admiráveis. A narrativa é fácil e flui muito bem na maioria das vezes, mas ainda assim é um pouco amadora.

Trono de Vidro foi como uma releitura de uma história fofa da Disney mas cheia de trelelês com a intenção de deixá-la incrementada. A autora teve uma ideia boa mas que pra mim não foi tão bem conduzida. Acho que se tivesse cumprido com o prometido eu teria aproveitado muito mais, afinal, esperei por algo brutal, por assassinos hardcore, cabeças voando depois de serem decaptadas com espadas e muito sangue jorrando pra todos os lados mas encontrei devaneios amorosos e preocupações com aparência e vestidos. A sinopse engana...  E muito. É o tipo de livro que julgamos pela capa...

O livro não é de todo ruim, eu só esperei uma coisa e me deparei com outra totalmente diferente, mas acho que a leitura ainda é válida de qualquer forma (desde que não se leve a sinopse em consideração para formar qualquer opinião).


20 de dezembro de 2014

A Noiva é Tamanho 42 - Meg Cabot

Lido em: Dezembro de 2014
Título: A Noiva é Tamanho 42 - Mistérios de Heather Wells - Livro 5
Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Gênero: Mistério/Chick Lit
Ano: 2014
Páginas: 400
Nota
Sinopse: Heather Wells parece mais familiarizada com pistolas e escroques do que com convites e madrinhas, mas nem por isso vai deixar o dia mais importante da sua vida passar em branco. Mas, bem quando estão preparando a celebração de sua união com Cooper Carwright, Jasmine, uma das novas assistentes de residentes, bate as botas. A causa da morte, segundo os laudos, é asma, mas parece que há algo de esquisito por trás desse caso...

Resenha: A Noiva é Tamanho 42 é o quinto e último volume da série Mistérios de Heather Wells, escrita pela autora diva Meg Cabot e lançado no Brasil pela Galera Record.
Por ser o último volume, a resenha pode ter spoiler de volumes anteriores.
Resumindo a história geral, Heather é uma ex estrela da música pop que chegou ao fundo do poço, perdeu tudo o que tinha, inclusive o namorado que a traiu, teve sua grana roubada pela sua própria mãe e o que lhe restou foi trabalhar para seu ex cunhado por quem ela nutria uma paixão platônica e aceitar morar de favor. Pela conveniência, ela também passou a trabalhar num conjunto residencial para universitários, o problema é que vários assassinatos começaram a acontecer e Heather começou a investigar os ocorridos a fim de solucionar os casos. Cada volume se destina a um mistério diferente que independe do outro, mas como os personagens evoluem e suas histórias são contadas de forma gradual e cronológica, os livros devem ser lidos em ordem para um melhor entendimento.

Heather Wells está de volta e, enfim, de casamento marcado com Cooper. Tudo bem que seu trabalho exige muito de sua atenção, afinal, ela agora é diretora-assistente do dormitório do conjunto residencial Fischer, mas entre seu trabalho e a preocupação com todos os preparativos do casamento, Heather ainda precisa lidar com o que se tornou um hábito no alojamento: algum infeliz sempre morre...
Dessa vez, a nova assistente dos residentes, Jasmine, foi encontrada morta depois de sofrer um suposto ataque de asma, mas, claro, Heather não se convenceu de que essa foi a verdadeira causa da morte e sua intuição lhe diz para investigar melhor o que de fato ocorreu...
Em meio a investigação e aos preparativos do casório, Heather ainda precisa dedicar atenção ao RMI (Residente Muito Importante) recém chegado ao conjunto residencial: o príncipe herdeiro Rashid Ashraf bin Zayed Faisal, ou como gosta de ser chamado, Shiraz. Seu pai doou alguns milhões para a universidade para que ele pudesse se formar, mas o príncipe parece gostar de farrear e milhões de garotas querem tentar fisgar esse pedaço de mau caminho.
Parece muita coisa para Heather ter que lidar, até que sua mãe, aquela mesma que a roubou e fugiu com seu agente a deixando na pior, resolveu dar as caras... E agora?

A história é narrada em primeira pessoa e é claramente perceptível o quanto Heather cresce se a compararmos com a moça que não parava de delirar por comida no primeiro livro. A Noiva é Tamanho 42 traz uma história muito mais adulta do que os livros anteriores devido ao quanto Heather e Cooper se relacionam sexualmente e aos temas mais sérios que aborda, como abuso doméstico e assédio sexual, mas que são tratados de uma forma bastante satisfatória.
A mistério sobre a morte de Jasmine também foi muito bem conduzido e bem trabalhado, e só tenho que elogiar a espirituosidade com que Meg Cabot escreve e sua forma de criar personagens incrivelmente realistas, pelo menos para essa série em especial que com esse último livro se tornou uma de minhas favoritas. A medida que a história se desenrola o mistério vai se desvendando lentamente e dessa vez a verdadeira identidade do assassino e o motivo que o leva isso é uma verdadeira surpresa. Não é mesmo quem esperei...
Cooper, com seu instinto protetor, não deixa de avisar Heather a não meter o nariz onde não é chamada, mas depois de acompanhá-la por tantos assassinatos misteriosos, fica óbvio que não se trata somente de um dom, mas sim de que ela realmente se preocupa com os estudantes e com o bem estar de todos e seu envolvimento não é por mero acaso... Por mais que o casamento esteja próximo, ele não é o foco da história, então não espere por um romance meloso com uma maluca 100% interessada e preocupada com os preparativos. Por mais que seja importante, o mistério, assim como a trama acerca dos problemas da universidade, são os fatores principais e Heather, mais do que ninguém, sabe a importância de cada coisa em sua vida. Ela é aquele tipo de pessoa que sempre coloca os outros a quem se importa em primeiro lugar e foi impossível não me identificar com ela.
Um ponto que achei muito adequado foi a questão do ex namorado, o impagável Jordan. Neste livro ele não teve espaço, mal apareceu, e acredito que seja para deixar claro que é um fato na vida de Heather que ficou pra trás, que teve fim, que não faz mais parte da vida dela, ela vive o agora e se preocupa com o futuro, e o que passou, passou. Ja a questão do retorno de sua mãe é algo um pouco mais delicado...
Uma coisa que adorei foi o pequeno crossover que a autora embutiu na historia que com certeza irá agradar os fãs da autora e de suas séries: Lizzie Nichols é a responsável pelo vestido de noiva de Heather *o*
Quem conhece a trilogia Rainha da Fofoca (uma das minhas favoritas ♥) vai morrer de amores e empolgação ao ver Lizzie fazendo uma pontinha quando Heather entra em sua loja procurando um modelo de vestido vintage, a sua especialidade. Foi simplesmente genial! ♥
A grande maioria dos personagens secundários tiveram um papel tão importante quanto os principais, pois através de suas atitudes de sempre estarem ao lado de Heather, ficou claro como a amizade, quando é verdadeira, é importante e como deveria ser, de fato.
Confesso que não gostava de Cooper quando comecei a acompanhar a série, mas mudei de ideia ao fim desse livro... O amor sem limites e o que ele é capaz de fazer por ela é algo que com certeza despertaria inveja em qualquer um.

Sobre a parte impressa, a diagramação é simples, segue o mesmo padrão dos livros anteriores em que cada capítulo se inicia com alguma nota, bilhete, notícia, algo escrito por Heather ou até uma receita. As páginas são amareladas (diferente dos três primeiros volumes em que as páginas são brancas) e não encontrei erros na revisão. A capa com esse tom de rosa bebê com o vestido vintage na capa deu um toque super delicado ao livro.

Aos leitores que procuram por uma história mais adulta da autora, envolvendo crimes com um toque de humor e romance, Mistérios de Heather Wells é uma ótima pedida que me surpreendeu e superou todas as minhas expectativas. A Noiva é Tamanho 42 é, de longe, o melhor de todos os livros da série.

19 de dezembro de 2014

Novidade de Dezembro - Geração Editorial

Cartas da Humanidade - Civilização Escrita à Mão - Marcio Borges Moreira
De Zaratustra a Barack Obama, Cartas Essenciais para a Compreensão da Humanidade.
Em caracteres cuneiformes, pergaminhos, papéis diversos, e-mails, dos mais remotos desertos antigos às mais povoadas metrópoles contemporâneas, a humanidade vem trocando cartas e deixando suas mensagens, sem saber se durarão ou não, com os recursos disponíveis.
Cartas da Humanidade é uma compilação impressionante desses documentos. Passando por religiões, artes, ciências, romances célebres, declarações de grandes reis, estadistas e presidentes, conflitos, intrigas palacianas, prenúncios de golpes de estado e guerras, frases preconceituosas e outras tantas curiosidades, o livro vai de Zaratustra, em documento do livro sagrado do Zoroatrismo de 6000 A.C, até uma Carta Aberta ao Povo de Illinois, escrita por Barack Obama em 2008, passando por documentos de grandes nomes como Einstein, Orson Welles, Marilyn Monroe, Che Guevara, Lenin, Fernando Pessoa, Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek, entre muitos outros.
Um livro precioso para quem ama guardar documentos que sempre terão ressonância no interior de cada um de nós.